Vida de Imigrante

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    15-Mar-2016

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Conjunto de reportagens sobre imigrantes publicadas no Dirio de Coimbra e escritas por Carina Leal que foram premiadas pelo Alto Comissariado para a Imigrao e Dilogo Intercultural com o Prmio Jornalismo 2010 - Diversidade Cultural, na categoria dos rgos de Informao Local e Regional

Transcript

  • Prmio rgos de Informao

    Regionais e Locais

    Carina Leal, pela rubrica "Vida de imigrante",

    publicada no Dirio de Coimbra

  • Foi tenista ataos 19 anos.Hoje ensina em Coimbra

    Carina Leal

    Aqueles olhos vagueiam peloscampos onde ensina uma paixo:tnis. Veio h 17 anos para Portugal., desde ento, professora da sec-o de tnis da Associao Acad-mica de Coimbra. O sotaque de-nuncia-a. O nome no passa des-percebido. Irina Korbut, uma russaem terras portuguesas.

    Porque veio? Um perodo mui-to difcil na Rssia, responde. Irinatrabalhou durante trs anos na tele-viso russa, num programa sobretnis. Adorou. Mesmo, sublinha.Se era motivante, tambm dava umbom salrio. Havia, contudo, ooutro lado da moeda: o do poucotempo para a famlia. O marido um grande jogador de tnis russo- falecera. Se Irina tivesse de passar14 ou 16 horas a trabalhar, a filhaestaria sozinha.

    Como me, Irina tinha um dese-jo. Queria fazer carreira para aminha filha, assim o refere. Esco-lheu Coimbra para um novo rumo.Tinha c dois amigos. Duranteuns meses adorei viver e trabalharaqui. Todavia, problemas com opagamento no tardaram. Aps se-te meses de dificuldades, EduardoCabrita assumiu a presidncia daseco. Comeou a correr tudomuito bem. Se alguma vez sentiu

    medo? Sim. Sentiu algo mais: sau-dade. Depois de trs anos c, quisregressar. Aconteceu qualquer coi-sa c dentro. Com a mo toca leve-mente no peito. Chorou, mas tudopassou. Ficou.

    A vida aqui tem sido muito boapara a minha filha e para mim,confirma. No rosto exibe aqueleorgulho de me quando aborda opercurso do seu rebento. Elasempre foi muito boa aluna, apren-deu muito rpido o portugus. Es-tudou na Martim de Freitas, depoisna Jos Falco. Entrou na Faculda-de de Direito e, como muito boatenista, recebeu uma bolsa para osEstados Unidos. Chegou com 11anos e hoje no tem qualquer sota-que. muito alta e loura, mas nin-gum a julga russa porque fala per-feitamente, assegura a me. Foiuma aventura para ambas, pois foi.E houve quem as ajudasse. Pro-nuncia-se sobre dois casos pararematar que, com pessoas comoestas, muito fcil viver.

    Comida muito boaGosta muito de Coimbra. Sotantos os que conhece. Passo narua e sempre bom dia, boa tar-de, explica. Quando os amigos avisitam prima por lhes mostraresta terra com um rio lindssimo.

    Portugal e Rssia, duas cultu-ras.s vezes gostava de trazerpara c as coisas boas de l e de le-var as de c para l. Irina aborda adisciplina e o ser trabalhador. Nogosto muito de pessoas preguio-sas, solta. Este ponto leva-a a outro:a prpria educao das crianas

    diferente. Os russos tambm gos-tam muito de crianas, mas no dotantos beijinhos. Penso que aqui seprotege muito as crianas. Na Rs-sia mais duro. No, no esqueceua gastronomia. Muitos portugue-ses j me visitaram em Moscovo etambm gostaram da comida rus-sa. Quanto de c, essa boa.Mesmo muito boa.

    Irina vai trs vezes por ano Rssia. Natal, Vero e Pscoa. Ocontacto com os que l esto (ami-gos, tia, primos) faz-se atravs daInternet. Tem ainda daqueles car-tes de chamadas internacionaismuito baratos. Se pondera retor-nar ao seu pas? Neste momentono. Tenho a vida estabilizadaaqui. No tenho idade para trocar.Com 20 ou 26 anos muito fcil,mas com 50 j no bem assim.

    Sim, Irina Korbut tem 53 anos.Adora praticar exerccio fsico.Levanta-se s 6h00, corre e passapela sala de musculao. At mesinto melhor. No tenho dor nacoluna, nem nos joelhos ou per-nas, comunica. s 8h00 comea odia de trabalho. Penoso? Certamen-te que no. Gosto muito de ensinar

    e destas pessoas que so inte-ligentes e doces. De crianas aadultos, muitos so os que seguemos seus ensinamentos. Brbara Luz,tenista portuguesa com provasdadas a nvel nacional e internacio-nal, foi sua aluna. Comeou comi-

    go pequenita, lindssima. um pra-zer ouvir as notcias.

    So mais de 6000 os quilmetrosque separam Coimbra de Moscovo.Esse percurso foi percorrido porquem adorou a vida de tenista. Foi--o at aos 19 anos, altura em que ca-

    sou.Vi coisas lindssimas. Recor-da as pessoas famosas que conhe-ceu, desde desportistas, msicos aoutros artistas. Os treinadores dizi-am-na com muito talento. Passoupela Hungria, Polnia e Frana.Hoje, ensina por c. l

    REDACO 239 499 900 PUBLICIDADE 239 499 999 ASSINATURAS 239 499 95025 DE OUTUBRO DE 2009 DOMINGO REDAC@DIARIOCOIMBRA.PTDiriodeCoimbra

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    HOJE O TEMPO

    IRINA KORBUT ensina na seco de tnis da Associao Acadmica de Coimbra

    VIDA DE IMIGRANTE

    Uma russa em terras portuguesas

    DADOS

    NOME: Irina KorbutPAS DE ORIGEM: RssiaIDADE: 53 anosLOCALIZAO: CoimbraPROFISSO: professora de tnisEM PORTUGAL: h 17 anos

    FIGUEIREDO

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    3 2

    5 7 2 8

  • Heinz Friendenest radicadoem Portugaldesde 1987

    Carina Leal

    Heinz Frieden responde quelecaracterstico toc, toc, toc. Con-vida a entrar na Public-Art Edito-ra, na tranquila localidade deAssafarge. Helena Friden, a espo-sa, est num dos computadores.Ouve-se fado.

    Eu acho que sou produtor demsica, responde. um alemode 54 anos que se radicou em Por-tugal em 1987. Tenho formaoem sociologia e no posso deixarde pensar permanentementecomo tal. Mas, a minha activida-de principal a produo demsica e, como editor, fao ediodiscogrfica.

    Msica. Este foi o motivo que otrouxe. Em 1983, veio sozinhopassar frias a um desconhecidopas. No entendia a lngua, masouviu-a. Escutou as pessoas.Mesmo para um estrangeiro,tem uma certa msica, afirma. Esendo ele msico? Ganhei umcerto amor por esta lngua queme levou a voltar. Frequentoucursos na Universidade deCoimbra, onde estrangeirosaprendem lngua e cultura portu-guesa. Em 86 j sentia ter encon-trado algo que correspondia aoque est na minha onda emocio-nal. Em Lisboa apresentou tra-

    balhos. Ficou mais do que con-firmado este ser um local ondetinha vontade de passar a minhavida. Arrependido? At agorano estou.

    H algo que orgulha Heinz.Ter feito a composio de umspot publicitrio da lotaria popu-lar. Foi o seu primeiro trabalhotipicamente portugus. Oobjectivo? Compor uma msicacom carcter de msica popular.O resultado? Todos acharamque fora feito por um portugus.

    Este casal morou 10 anos emBerlim. Conheceram Paris eNova Iorque. Sabiam no querermorar em Lisboa ou Porto. Deci-diram por Coimbra. Heinz dizque hoje complicado avaliar oimpacto de ento. Viver aqui h20 anos torna a vida to quotidia-na, natural que acabamos porcriticar mais do que apreciar.Mesmo assim: uma cidadefora do vulgar, com qualquer coi-sa muito especial. Quanto receptividade, foi sempre deuma forma agradvel e emocio-nal como tpico do portugus.

    Para Heinz, Coimbra umacidade complicada para quemaqui est a trabalhar. Segundoele, pode-se dividir a sociedadenuma rea de produo e noutrade reproduo. Esta cidade temuma particularidade que outrasno tm. O ser dominada pelareproduo, comunica. Na alta oensino, na baixa o comrcio.No h cultura de produo.Quem domina o pensamento,nesta cidade, quem est na

    reproduo. Quem est nas artesespera encontrar artistas queproduzam, faam. No escondeque isto causa alguns obstculos.Sofro um bocado com isso, por-que quero fazer, produzir, levaras coisas para a frente.

    Heinz esteve 10 anos no OrfeonAcadmico de Coimbra. verda-de que isso influenciou a minhavida por completo. O gosto pelamsica coral principiou aqui. Sur-giu, entretanto, um convite para osAntigos Orfeonistas.

    Considera que Portugal temum problema. Muitos estopreocupados consigo, com o seugrupinho e no se mostram mui-to interessados em saber o que osoutros fazem. Em 1996, surge aPublic-art no seu percurso. aqui que inicia o processo dedocumentao da cultura musi-cal portuguesa. Conheceu gruposcorais, bandas filarmnicas e ocanto alentejano. A forma comofala deles fascinante. Confirmaser triste o no se valorizar devi-damente o que de bom existe.No sou o primeiro, nem vouser o ltimo. A questo que s

    vezes necessrio vir algum defora para avaliar o que se passa.

    Heinz e Helena tm um filhoque, com 14 anos, c nasceu. Vouma a duas vezes por ano ao pasde origem, onde tm os pais.Somos de uma zona do norte daAlemanha, mesmo na costa.Quanto gastronomia de c,

    Helena rpida: gostamos muitoda cozinha mediterrnea porque muito mais saudvel. Vinho tin-to, azeite e um peixinho.

    No que toca a lembranas del, Heinz aproveita para frisarque importante no confundiralgo que muito significante parao portugus: a saudade. Isso tipi-

    camente portugus e no se podeaplicar a um estrangeiro, no fun-ciona, nem o patriotismo.

    Certo que Heinz e Helena jmuito conhecem do pas e culturalusitanos. Vivem c, foram ao seuencontro. Se regressaro? Isso uma questo que aqui na nossacabea para j no se coloca. l

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