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1º trabalho 2º bi (1)

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  1. 1. DIREITO PROCESSUAL CIVIL: EXECUO 1. APRESENTAO DO CURSO O curso de direito processual civil abordar neste bimestre a fase de execuo e cumprimento das decises judiciais, sob o vis da efetividade, com base em casos concretos que expressem as intersees entre o direito processual e o direito material e foco no aprendizado do aluno a partir de situaes-problema. Objetiva-se desenvolver as seguintes competncias e habilidades: Anlise dos custos, tempo, riscos, vantagens e desvantagens envolvidos em cada escolha processual e tomada de deciso, com a utilizao de fluxogramas para a viso macroscpica do procedimento; Gesto do conflito, a partir da anlise de casos prticos; Manuseio do instrumental tcnico-processual para operar estrategicamente o sistema executivo; Desenvolvimento de raciocnio jurdico-processual; Anlise de julgados; Compreenso e sistematizao de conceitos. No mdulo de execuo, sero analisados os seguintes temas: 1
  2. 2. CURSO DE EXECUO APOSTILA 1 Aula Tema Objetivos Metodologia Bibliografia Aula 1 (Aula 10/apostila 1) Coisa julgada Quando a deciso torna- se definitiva? A coisa julgada aceita flexibilizao? Com base em que critrios? Aula expositivo- participativa Exerccio DINAMARCO, Cndido. Relativizar a coisa julgada material. In: A nova era do processo civil p. 217- 225; 257-270. Aula 2 (Aula 11/apostila 1) Coisa julgada coletiva Anlise da interface com a coisa julgada individual a partir do caso da tarifa de assinatura bsica nos servios de telefonia fixa Aula expositivo- participativa Anlise de caso (Exerccio) WATANABE, Kazuo. Relao entre demanda coletiva e demandas individuais. Direito Processual Coletivo e o Anteprojeto de CBPC, p. 156-160. APOSTILA 2 Aula Tema Objetivos Metodologia Bibliografia Aula 1 Processo de execuo: noes introdutrias. As recentes reformas processuais em sede de execuo. Quais as implicaes sociais de um Poder Judicirio inefetivo? Compreenso global das diversas modalidades de execuo. Despertar no aluno senso crtico para analisar as reformas do sistema executivo. Aula expositivo- participativa Exerccio. GRINOVER, Ada Pellegrini. Cumprimento da sentena. Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 01-10. Aula 2 Execuo para a entrega de coisa certa ou incerta Reforar a distino do regramento do cumprimento de sentena/ttulos judiciais e execuo de ttulo extrajudicial; Avaliar o procedimento da execuo da obrigao de dar coisa e suas particularidades, com destaque para os problemas advindos da fraude execuo e da destruio da coisa, exercitando o manejo das possibilidades oferecidas pelo sistema processual. Anlise de caso (exerccio) TALAMINI, Eduardo. Tutela jurisdicional para entrega de coisa (CPC, art. 461-A). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 199- 222. Aula 3 Execuo das obrigaes de fazer e no fazer. Tutela mandamental. Prevalncia da tutela especfica. Como manejar estrategicamente o sistema executivo, considerando o privilgio da execuo especfica das obrigaes de fazer e no fazer? Compreenso da tutela mandamental como uma nova modalidade de provimento judicial. Aula expositivo- participativa Anlise de caso WATANABE, Kazuo. Tutela antecipatria e tutela especfica das obrigaes de fazer e no fazer (arts. 273 e 461 do CPC). p. 40-48; MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 150-152; 156- 166. 2
  3. 3. Aula 4 Execuo das obrigaes de fazer e no fazer. Fixao e execuo das astreintes. Qual a finalidade das astreintes? H limites para o valor da multa fixada para forar o devedor a adimplir? Como eliminar os riscos de enriquecimento ilcito do credor? Anlise de julgados (exerccio) MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 216-227 (12 p.). Aula 5 Execuo por quantia certa contra devedor solvente Compreender as notas distintivas da execuo da obrigao de pagar quantia certa contra devedor solvente Avaliar a pertinncia da mudana na ordem de preferncia dos atos expropriatrios Penhora on line: efetividade ou abuso? Role play DINAMARCO, Cndido Rangel. A nova era do processo civil. 2 ed., So Paulo: Malheiros, 2007, p. 294-308 (15 p.) Aula 6 Meios coercitivos para cumprimento da ordem judicial. Contempt of court. Multa e priso civil. Compreender os fundamentos do contempt of court, avaliando a necessidade de fortalecimento dos provimentos judiciais e aferindo sua possvel existncia entre ns Refletir acerca da pertinncia e da razoabilidade da priso civil por descumprimento de ordem judicial e sua compatibilidade com a Constituio Federal Exerccio e debate em sala de aula. GRINOVER, Ada Pellegrini. tica, abuso do processo e resistncia s ordens judicirias: o contempt of court. p. 219-27 e Paixo e morte do "contempt of court" brasileiro (art. 14 do Cdigo de Processo Civil), p. 158-166. Aula 7 Defesa do executado Analisar os meios de defesa do executado previstos no sistema processual brasileiro, com foco na objeo de pr- executividade. Aula expositivo- participativa PISTILLI, Ana de Lourdes Coutinho Silva. Defesas do executado no cumprimento de sentena condenatria ao pagamento de quantia (Lei n. 11.232/05) e na execuo de ttulos extrajudiciais (Lei n. 11.382/06) viso comparativa, p. 85-105. Aula 8 Execuo fiscal A execuo fiscal deve ser de responsabilidade do Poder Judicirio? Ou deveria, a exemplo de outros sistemas, ser realizada no mbito administrativo? Anlise de dados estatsticos e do projeto de Lei formulado pela PGFN. Debate em sala. THEODORO JR., Humberto Theodoro. Lei de Execuo Fiscal. 8 ed., So Paulo: Saraiva, 2002, p. 03-09 (07 p.). Centro Brasileiro de Estudos E Pesquisas Judiciais (CEBEPEJ). Execues Fiscais no Brasil. Braslia: Ministrio da Justia, 2006. p. 59-61; 63-76. 3
  4. 4. Metodologia do curso - anlise de casos; - role-play; - aulas expositivo-participativas; - exerccios; - debates. Mtodos de Avaliao O aluno ser avaliado da seguinte forma: (a) Avaliao escrita, realizada no final do bimestre, envolvendo todas as questes suscitadas em aula, inclusive os textos de leitura obrigatria. (b) Avaliao continuada, com base em sua participao em sala de aula, em observncia aos seguintes critrios: (i) assiduidade/pontualidade; (ii) leitura dos textos; (iii) participao e (iv) postura. (c) Wikidireito: os alunos devem participar da wikidireito, sob a forma de relator; pesquisador de doutrina, pesquisador de jurisprudncia do TJRJ e pesquisador de jurisprudncia do STJ. A participao de cada aluno, previamente definida pela professora, est disposta na wikidireito da disciplina. Observao importante: por comprometer a dinmica e o encadeamento dos trabalhos, a falta de postagem na data correta implica perda de pontuao. (d) Exerccios escritos. Atividades desenvolvidas em sala de aula a serem entregues para correo, em grupos ou individualmente, conforme acertado pelo professor. OBSERVAO IMPORTANTE: Todas as informaes atinentes ao curso como cronograma de atividades, contedo da disciplina, leitura obrigatria, slides das aulas, peso atribudo a cada uma das notas de avaliao/ forma de aferio, notas atribudas aos alunos, etc esto dispostas na wikidireito da disciplina Recursos e Processo de Execuo. Desta forma, recomenda-se que o aluno acione periodicamente a wikidireito da disciplina, disponvel em: academico.direito-rio.fgv.br. 4
  5. 5. Bibliografia geral obrigatria CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS E PESQUISAS JUDICIAIS (CEBEPEJ). Execues Fiscais no Brasil. Braslia: Ministrio da Justia, 2006. Disponvel em: http://www.cebepej.org.br/pdf/execucoes_fiscais.pdf. DINAMARCO, Cndido Rangel. A nova era do processo civil. 2 ed., So Paulo: Malheiros, 2007. GRINOVER, Ada Pellegrini. Cumprimento da sentena. Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 01-10. GRINOVER, Ada Pellegrini. tica, abuso do processo e resistncia s ordens judicirias: o contempt of court. Revista de Processo. So Paulo. v. 26, n.102, p. 219-27, abr./jun. 2001. GRINOVER, Ada Pellegrini. Paixo e morte do "contempt of court" brasileiro (art. 14 do Cdigo de Processo Civil). In: O processo: estudos e pareceres. So Paulo, DPJ, 2006, p. 158-166. MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. PISTILLI, Ana de Lourdes Coutinho Silva. Defesas do executado no cumprimento de sentena condenatria ao pagamento de quantia (Lei n. 11.232/05) e na execuo de ttulos extrajudiciais (Lei n. 11.382/06) viso comparativa. In: CARMONA, Carlos Alberto (org.). Reflexes sobre a reforma do Cdigo de Processo Civil: estudos em homenagem a Ada Pellegrini Grinover, Cndido Rangel Dinamarco e Kazuo Watanabe. So Paulo: Atlas, 2007, p. 85-105. TALAMINI, Eduardo. Tutela jurisdicional para entrega de coisa (CPC, art. 461-A). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 199-222. THEODORO JR., Humberto Theodoro. Lei de Execuo Fiscal. 8 ed., So Paulo: Saraiva, 2002, p. 03-09. WATANABE, Kazuo. Relao entre demanda coletiva e demandas individuais. Direito Processual Coletivo e o Anteprojeto de CBPC, p. 156-160. WATANABE, Kazuo. Tutela antecipatria e tutela especfica das obrigaes de fazer e no fazer (arts. 273 e 461 do CPC). In: TEIXEIRA, Slvio de Figueiredo. Reforma do Cdigo de Processo Civil. So Paulo: Saraiva, 1996, p. 40-48. 5
  6. 6. ZATZ, Debora Ines Kram Baumhl. O sistema brasileiro de multas processuais e a natureza da multa prevista no novo artigo 475-J do Cdigo de Processo Civil. In: CARMONA, Carlos Alberto (org.). Reflexes sobre a reforma do Cdigo de Processo Civil: estudos em homenagem a Ada Pellegrini Grinover, Cndido Rangel Dinamarco e Kazuo Watanabe. So Paulo: Atlas, 2007, p. 108-125. Bibliografia geral complementar ALVIM, Arruda. Interpretao da sentena liquidanda - fidelidade ao seu sentido original multa convencional e astreintes - diferenas e limites (Parecer). Revista de processo, vol. 77, p. 177-187. BARBOSA MOREIRA, Jos Carlos. Notas sobre alguns aspectos do processo (civil e penal) nos pases anglo-saxnicos. Temas de direito processual, 7 srie. So Paulo: Saraiva, 2001. BONCIO, Marcelo Jos Magalhes. Aspectos relevantes da tutela do executado na nova reforma do Cdigo de Processo Civil. In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 419-441. Exposio de motivos e Anteprojeto de Lei de Execuo Fiscal Administrativa. Disponvel em: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/noticias/EXPOSICaO_MOTIVOS %20E%20PROJETO%20LEF.pdf FERRAZ, Leslie Shrida. Da alienao por iniciativa particular. In: COSTA, Susana Henriques (coord.). Execuo extrajudicial modificaes da Lei n. 11.382/2006. So Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 326-338. MARCATO, Antnio Carlos. Liquidao de sentena. In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 93-105. NEVES, Celso. Classificao das aes. In: Estrutura fundamental do processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 135-147. SALLES, Carlos Alberto. Execuo judicial em matria ambiental, 2 ed., So Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p. 239-280. 6
  7. 7. 2. PLANO DE AULAS AULA 1. PROCESSO DE EXECUO: NOES INTRODUTRIAS. AS RECENTES REFORMAS PROCESSUAIS EM SEDE DE EXECUO. 1. OBJETIVOS DA AULA Compreender a importncia da efetividade para o direito processual moderno (fase instrumental), avaliando, neste contexto, a pertinncia das ltimas mudanas legislativas em sede de execuo; Sistematizar conceitualmente as diversas modalidades de execuo, que sero detalhadas nos encontros seguintes; Entender a dualidade do regramento da execuo, de acordo com a natureza do ttulo em que se baseia (judicial, com o destaque para as peculiaridades do cumprimento de sentena, ou extrajudicial); 2. EFETIVIDADE DO PROCESSO CIVIL Il processo deve dare per quanto possibile praticamente a chi ha un diritto tutto quello e proppio quello chegli ha diritto di conseguire (Giuseppe Chiovenda)1 Uma das maiores preocupaes dos processualistas modernos repousa na efetividade do processo como instrumento da tutela de direitos2 . Com efeito, no basta que o processo produza decises (eficcia)3 , sendo, ao revs, imperioso que se verifiquem resultados reais, palpveis, factveis, positivos e verdadeiros, ou seja, efetivos. Assim, indispensvel que o instrumento assegure parte aquilo que ela tem direito de receber. Superadas as fases sincretista (que no distinguia o direito material e substancial) e autnoma (que conferiu independncia cientfica ao direito processual), a cincia processual atingiu maturidade, tendo objeto, premissas metodolgicas e estrutura sistemtica bem definidas. 1 Saggi di diritto processuale civile. Roma: Foro Italiano, 1930, v. 1, p. 110. 2 Kazuo Watanabe. Da cognio no processo civil. 3 ed., rev. e atual., So Paulo: DPJ, 2005, p. 21. 3 Vide, a respeito do tema, Carlos Alberto Alvaro de Oliveira, O problema da eficcia da sentena. Revista de Processo, a. 28, So Paulo, out. dez. 2003, p. 09-22. 7
  8. 8. Resolvidas as questes de ordem tcnica, delineou-se a terceira linha evolutiva do processo, caracterizada pela idia de efetividade e instrumentalidade, destinada a atenuar o tecnicismo exacerbado da fase anterior e propor aprimoramentos no sistema processual. Por sua vez, a efetividade deriva da garantia do acesso justia, atrelada idia de processo civil de resultados4 . Alm das implicaes individuais, a efetividade do processo tambm gera conseqncias de mbito social: como observa MARC GALANTER, os Tribunais no produzem apenas decises, mas, sobretudo, mensagens aos potenciais litigantes, que delas se utilizam como fichas de barganha5 em suas relaes privadas. Ora, intuitivo que um sistema de justia incapaz de produzir resultados efetivos no apto a estimular a observncia s regras legais. Como anota KAZUO WATANABE, numa sociedade em que a Justia efetiva, a ameaa feita pelos lesados (eu te processo); ao revs, se o Judicirio inapto a produzir resultados efetivos, a ameaa lanada contra os prejudicados (v procurar seus direitos)6 . 3. REQUISITOS DA EXECUO Inadimplemento do devedor Existncia de ttulo lquido, certo e exigvel 3.1.LIQUIDAO DE SENTENA Determinao do valor devido pela parte condenada, quando este no estiver determinado na sentena (artigo 475-A, e segs., CPC). Pode se dar: (a) Por clculos elaborados pelo credor (art. 475-B); (b) Por arbitramento (arts. 475, C e D); (c) Por artigos (art. 475, E), nos casos em que necessrio alegar e provar fato novo para determinar o valor da condenao. IMPORTANTE. Diversamente do sistema anterior, a liquidao por arbitramento e a liquidao por artigos no so mais processos autnomos. Ao revs, correm no mesmo processo da execuo, antes da fase de cumprimento da sentena, e dispensam a nova citao do devedor. Como conseqncia, a deciso que define a liquidao no tem mais natureza de 4 A expresso, cunhada por Dinamarco, tange conscincia de que o processo vale pelos resultados que produz na vida das pessoas ou grupos e que o valor de todo o sistema processual reside na capacidade que tenha de propiciar ao sujeito que tiver razo uma situao melhor do que aquela em que se encontrava antes do processo. Instituies de Direito Processual Civil, So Paulo: Malheiros, 2001, p. 126. 5 Justice in many rooms. In: Mauro Cappelletti (ed.). Access to justice and the welfare state. Alphen aan den Rijn: Sijthoff; Bruxelles: Bruylant; Firenze: Le Monnier; Stuttgart: Klett-Cotta, 1981, p. 158. 6 Filosofia e caractersticas bsicas do Juizado Especial de Pequenas Causas. In: Kazuo Watanabe (coord.). Juizado Especial de Pequenas Causas. So Paulo: Revista dos Tribunais, 1985, p. 06. 8
  9. 9. sentena, mas sim de deciso interlocutria, sendo, portanto, impugnvel por agravo de instrumento7 . 4. ESPCIES DE EXECUO Quanto natureza da obrigao Obrigao de dar coisa Execuo de entrega de coisa certa Execuo de entrega de coisa incerta Obrigao de fazer e no fazer Execuo de obrigao de fazer Execuo de obrigao de no fazer Obrigao de pagar quantia certa Obrigao de pagar quantia certa contra devedor solvente Obrigao de pagar quantia certa contra devedor insolvente Quanto ao ttulo em que se baseia8 Ttulos executivos judiciais (Artigo 475-N, CPC) CUMPRIMENTODESENTENALATOSENSU Cumprimento de sentena stricto sensu (processo uno) Sentena judicial que reconhea obrigao de fazer e no fazer (artigo 461, CPC) Sentena judicial que reconhea obrigao de dar coisa (artigo 461-A, CPC) Execuo sine intervallo (processo uno) Sentena judicial que reconhea obrigao de pagar quantia (arts. 475-I e 475-J, CPC)9 Execuo propriamente dita (processo apartado) Sentena penal condenatria; Sentena arbitral; Sentena estrangeira homologada pelo STF: depois de distribuda a petio inicial e citado o executado, aplica- se o procedimento da nova lei (art. 475-I a 475-R, CPC) Ttulos executivos extrajudiciais (Artigo 585, CPC) EXECUO Livro II, CPC/artigos 566 e segs., CPC Quanto ao seu carter Definitiva Artigo 587, CPC Fundada em ttulo judicial e extrajudicial 7 Antnio Carlos Marcato, Da liquidao de sentena. In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 102-103. 8 Ada Pellegrini Grinover. Cumprimento da sentena, In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 08-09. 9 Remisso ao artigo 614, CPC, ou seja, observam-se, subsidiariamente, as regras da execuo de ttulo extrajudicial. 9
  10. 10. Artigo 475-I, CPC Provisria Artigo 587, CPC Artigo 475-I, par. 1 e 542, par. 2, CPC Artigo 475-O, CPC Fundada em sentena pendente de recurso desprovido de efeito suspensivo (RE e REsp) Corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exeqente, que se responsabiliza a reparar os danos do executado, e exige cauo suficiente e idnea, arbitrada pelo juiz e prestada nos prprios autos (art. 475-O, I a III, CPC) 4.1.CUMPRIMENTO DE SENTENA x EXECUO No que toca ao cumprimento da sentena, anota CSSIO SCARPINELLA BUENO: o modelo de implementao concreta de um fazer, no fazer ou entregar coisa no direito positivo brasileiro passou, com as Leis 8.952/94 e 10.444/2002 a dispensar um processo de execuo. O que releva o que o juiz que impe um fazer, um no fazer ou uma entrega de coisa reconhece que estes deveres devem ser atendidos e, independentemente de qualquer outro processo ou provocao, implementa o que decidiu. E mais, seno principalmente, o faz independentemente de um roteiro, de um procedimento fechado de um modelo pr-concebido quanto execuo. O juiz que implementa o fazer, o no fazer e a entrega pode criar mecanismos executivos em prol da escorreita obteno do fazer, do no fazer e do entregar, consoante as necessidades que verifica em cada caso concreto10 . No mesmo sentido, CARLOS ALBERTO CARMONA leciona que o claro objetivo do legislador foi colocar no mesmo plano os mecanismos disponveis para o cumprimento de todas as espcies de sentenas condenatrias, abandonando a idia de que a implementao de tais sentenas devesse passar pelo processo (formal) de execuo, com nova citao do devedor, que poderia embargar (ao de embargos do devedor) a execuo com a necessria conseqncia de suspender o fluxo normal das medidas de expropriao. 10 Cssio Scarpinella Bueno. Ensaio sobre o cumprimento das sentenas condenatrias. Revista de Processo, n. 113, p. 38. 10
  11. 11. A idia era perfeita: dar ao juiz os poderes necessrios para fazer valer sua sentena condenatria, independentemente de execuo. Porm, como ressalta CARMONA, o resultado deixou a desejar, pois o legislador acabou criando, em verdade, dois mtodos bem diferentes e apartados de fazer cumprir sentenas condenatrias: o primeiro, ligado s sentenas condenatrias, objetivando obrigaes de fazer, no fazer, entregar coisa certa e incerta gil, poderoso, irresistvel; o segundo, tendo por alvo as obrigaes de pagar quantia, continua lento, balofo e desajeitado11 . 5. BOA-F E LEALDADE PROCESSUAL (arts. 599 a 601, CPC) O executado, no raro, pode se utilizar de manobras para impedir ou adiar a satisfao do credor. Para tanto, a lei confere poderes especiais ao juiz, que poder, a qualquer momento, de ofcio ou a requerimento da parte: a) Determinar o comparecimento das partes; b) Advertir o devedor que o seu procedimento ato atentatrio dignidade da justia12 , incidindo em multa de at 20% do valor atualizado do dbito, a favor do exeqente. IMPORTANTE: Anteriormente, o artigo 601, CPC, impunha ao litigante de m-f a proibio de falar nos autos, o que foi revogado pela Constituio de 1988, pois a regra fere o contraditrio e o devido processo legal. 6. ALGUMAS MUDANAS IMPLEMENTADAS PELAS REFORMAS PROCESSUAIS: Insero de provimentos mandamentais no sistema processual brasileiro: consistentes na ordem de cumprimento imediato da deciso judicial, com a previso de mecanismos de coero indireta, como a multa diria por descumprimento13 . Inicialmente cabveis apenas em se tratando de obrigaes de fazer e no fazer (reforma do artigo 461, CPC, pela Lei n. 8.952/94), os provimentos mandamentais passaram a ser acatados tambm na execuo das obrigaes de entregar coisa (insero do artigo 461- 11 Carlos Alberto Carmona. Quinze anos de Reforma no Cdigo de Processo Civil. In: Reflexes sobre a Reforma do Cdigo de Processo Civil estudos em homenagem a Ada Pellegrini Grinover, Cndido R. Dinamarco e Kazuo Watanabe. So Paulo: Atlas, 2007, p. 45. 12 Fraudar a execuo; opor-se maliciosamente execuo, utilizando-se, como diz a lei, de ardis e meios artificiosos; resistir injustificadamente s ordens judiciais, como as ordens de penhora; no dizer, quando intimado para tanto, quais so os bens sujeitos penhora, seu valor o onde esto (art. 600, CPC). 13 Veja, a respeito, Carlos Alberto de Salles. Execuo judicial em matria ambiental. 2 ed.,So Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. 11
  12. 12. A, CPC, pela Lei n. 10.444/2002) e, mais recentemente, na execuo das obrigaes de pagar quantia (Lei n. 11.232/2005), embora, nessa modalidade de obrigao, o Cdigo tambm faa remisso ao procedimento tradicional de execuo. Unificao das fases de conhecimento e execuo, a exemplo dos Juizados Especiais Cveis, nos casos de sentena condenatria de obrigao de dar, fazer e no fazer (artigos 461 e 461-A, CPC, introduzido pela Lei n. 11.382/2006): nestes casos especficos, a execuo deixou de ser um processo autnomo, passando a ser mais uma fase procedimental denominada cumprimento de sentena. A inovao consiste no fato de que, alm do requerimento do autor, a execuo tambm pode ser iniciada pelo prprio rgo jurisdicional ex officio, dispensando-se, em ambos os casos, a nova citao do ru. Autorizao de alienao do bem por iniciativa particular (introduzido pela Lei n. 11.382/2006). Inverso da seqncia dos atos expropriatrios (introduzido pela Lei n. 11.382/2006): no arranjo anterior, o leilo ou praa eram a primeira opo do exeqente, seguida da adjudicao e, finalmente, do usufruto de imvel ou empresa. Pela nova disposio, o exeqente pode, inicialmente, adjudicar o bem, e, caso no for de seu interesse, proceder alienao particular, sendo o leilo ou praa sua ltima opo14 . Imposio de multa de 10% (dez por cento) ao devedor que, condenado ao pagamento de quantia certa ou fixada em sentena lquida, no efetuar o pagamento no prazo de 15 dias (artigo 475-J, CPC, introduzido pela Lei n. 11.232/2005). 7. ATIVIDADE MARCO ANTONIO BOTTO MUSCARI enumera quatro bices para a efetividade da execuo15 , dispostos na tabela abaixo. Voc concorda com a opinio do autor? Quais pesos devem dados a cada um dos fatores apontados (de 0 a 3)? Existe a possibilidade de superar cada um deles com mudanas legislativas? Quais? 14 Criticando o arranjo anteriormente vigente, MARCO ANTNIO BUSCARI afirmava que o mecanismo de praa e leilo dos bens penhorados praticamente assegurava que jamais haveria venda pelo valor de mercado. Perguntava ele: Afinal, quem, em s conscincia, entraria num frum para participar de certame que envolve somente bens penhorados e ainda pagaria justo preo por eles, sujeitando-se a toda sorte de percalos ulteriores, tais com demora na entrega do acervo pelo depositrio judicial, embargos arrematao, etc? (Efetividade da execuo de quantia certa contra devedor solvente, 2003. Tese (Doutorado em Direito), Faculdade de Direito da Universidade de So Paulo, So Paulo, p. 98). 15 Marco Antnio Botto Muscari. Efetividade..., cit., p. 30-44. 12
  13. 13. LIMITES/BICES DESCRIO PESO SOLUO 1. Limites naturais Grande parte da populao brasileira enfrenta dificuldades financeiras, o que dificulta o pagamento de suas dividas 2. Limites jurdicos A prpria lei processual, em busca da humanizao da execuo impe bices sua efetividade, como a proibio da priso civil por dvidas e a impenhorabilidade de determinados bens 3. Obstculos culturais Falta base tica e moral aos devedores 4. Estratgia do devedor16 O devedor que, na maioria das vezes, j perdeu o processo de conhecimento, ainda resiste na fase executria, tentando postergar ao mximo o pagamento de sua dvida Bibliografia obrigatria GRINOVER, Ada Pellegrini. Cumprimento da sentena. In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 01-10. Bibliografia complementar MARCATO, Antonio Carlos. Liquidao de sentena. In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 93-105. 16 O autor denomina este como obstculo psicolgico, mas acredito que a expresso estratgia do devedor mais apropriada. 13
  14. 14. AULA 2. EXECUO DAS OBRIGAES PARA A ENTREGA DE COISA CERTA OU INCERTA 1. OBJETIVOS DA AULA Reforar a distino do regramento do cumprimento de sentena/ttulos judiciais e execuo de ttulo extrajudicial; Avaliar o procedimento da execuo da obrigao de dar coisa e suas particularidades, com destaque para os problemas advindos da fraude execuo e da destruio da coisa, exercitando o manejo das possibilidades oferecidas pelo sistema processual. 2. MODALIDADES DE EXECUO DE OBRIGAO DE ENTREGAR COISA 2.1. Quanto natureza do ttulo Como visto anteriormente, em virtude da natureza do ttulo executivo, o Cdigo de Processo Civil traz regras distintas para a fase executiva. No que toca execuo de obrigao de entregar coisa (certa ou incerta), a dualidade se mantm, de acordo com o seguinte quadro: Natureza do ttulo Regramento legal Execuo de obrigao de dar coisa fundada em ttulo executivo judicial/sentena que reconhece obrigao de dar coisa Artigo 461-A, caput, CPC (coisa certa) Artigo 461-A, 1, CPC (coisa incerta) Execuo de obrigao de dar coisa fundada em ttulo extrajudicial Artigos 621 a 628, CPC (coisa certa) Artigos 629 a 631, CPC (coisa incerta) 2.2.1. EXECUO DA OBRIGAO DE ENTREGAR COISA CERTA (i) Cumprimento da sentena condenatria Na prpria sentena de procedncia do pedido proferida no processo de conhecimento, o juiz, com base nos artigos 461-A, e seus pargrafos, do CPC: Deve condenar o ru a entregar a coisa certa; Deve fixar o prazo para cumprimento da obrigao; 14
  15. 15. Pode estabelecer multa (astreintes) pelo atraso no cumprimento da obrigao (mediante provocao ou ex officio) art. 461-A, 3 c/c art. 461, 5 e 6, CPC17 . Ademais, caso a obrigao no seja cumprida, deve o juiz determinar a expedio de mandado de busca e apreenso (coisa mvel) ou de imisso na posse (coisa imvel), conforme determina o artigo 461-A, 2, CPC. (ii) Execuo fundada em ttulo executivo extrajudicial Ajuizada a execuo fundada em ttulo executivo extrajudicial, o juiz, no recebimento da petio inicial: Deve determinar a citao do ru para, no prazo de dez dias, entregar a coisa (artigo 621, CPC); Pode estabelecer multa (astreintes) pelo atraso no cumprimento da obrigao (mediante provocao ou ex officio) - art. 621, nico, CPC. Do mesmo modo, caso a obrigao no seja cumprida, deve o juiz determinar a expedio de mandado de busca e apreenso (coisa mvel) ou de imisso na posse (coisa imvel), com fundamento no artigo 625, CPC. As notas distintivas dos procedimentos (cumprimento de sentena e execuo de ttulo extrajudicial) so as seguintes: (a) No cumprimento de sentena, no h um processo autnomo, o que dispensa a (nova) citao do executado; (b) O cumprimento da sentena uma fase do processo cognitivo, podendo ser iniciada por provocao da parte, ou ex officio pelo juiz; (c) O magistrado, na sentena18 , deve fixar a data para cumprimento da obrigao; de modo diverso, na execuo de ttulo extrajudicial, a prpria lei fixa o prazo para a entrega da coisa (10 dias, artigo 621, caput, CPC); (d) Em se tratando de execuo de ttulo extrajudicial, so cabveis os embargos do devedor (Livro II); no caso de ttulo judicial, no h que se falar em embargos, mas em impugnao, prevista no artigo 475-L, CPC. 17 Caso se trate de execuo de ttulos judiciais diversos da sentena civil, como a sentena penal condenatria ou sentena arbitral, na petio inicial recomendvel que se requeira ao juiz a fixao do prazo e da multa para cumprimento da obrigao. Depois de apreciada e recebida a inicial, e fixada data para entrega da coisa e a multa para caso de descumprimento, o procedimento observa as regras do cumprimento de sentena. 18 Ou no recebimento da inicial, no caso de execuo de ttulo judicial diverso da sentena civil. 15
  16. 16. 2.2.2. EXECUO DA OBRIGAO DE ENTREGAR COISA INCERTA Os procedimentos da execuo de entregar coisa certa e coisa incerta no guardam diferenas substanciais, com exceo de que a coisa incerta precisa ser especificada para que ocorra a execuo, havendo, assim, a possibilidade de haver incidente da impugnao da escolha feita pela parte contrria. 3. ANLISE DE CASO PAULO SOUZA DA ROCHA CABRAL, membro de uma tradicional famlia carioca decadente, foi condenado a restituir o quadro que havia adquirido do marchand FERNANDO AROUCHE, do famoso pintor JONAS RENAULT, avaliado em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), pois no efetuou o pagamento na data aprazada. Considerando que o bem estava na casa de PAULO CABRAL situada em Saint Tropez, na Frana, na sentena condenatria de obrigao de dar coisa certa, proferida em 20 de maio de 2008, em audincia, o juiz estabeleceu que o quadro fosse entregue a FERNANDO AROUCHE no dia 1 de julho de 2008, sob pena de incorrer em multa diria de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por dia de atraso no cumprimento da obrigao. A sentena transitou em julgado em 04 de junho de 2008 sem que houvesse apelao. Considerando que receberia o quadro em breve, o marchand FERNANDO AROUCHE vendeu-o a um cliente admirador das obras de JONAS RENAULT por R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), prometendo entreg-lo no dia 02 de julho de 2008, data em que o quadro seria pago pelo cliente. Contudo, no dia 1 de julho de 2008, PAULO SOUZA DA ROCHA CABRAL alienou o quadro a PEDRO SILVA, terceiro de boa-f, que, desconhecendo a deciso judicial, pagou, vista, R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqenta mil reais) pela obra, da qual se apossou na mesma data. Em decorrncia, PAULO SOUZA DA ROCHA CABRAL descumpriu a ordem judicial de dar coisa certa, qual seja, de entregar o quadro a FERNANDO AROUCHE. 1. Quais os dispositivos do CPC aplicveis ao caso em questo? Fundamente. 2. Que medidas podem ser adotadas pelo advogado de FERNANDO AROUCHE em favor de seu cliente? 3. PEDRO SILVA, terceiro de boa-f adquirente, pode ser prejudicado neste caso? 4. Considerando que se trata de cumprimento de sentena, correto afirmar que houve fraude execuo? Com que fundamento legal? 16
  17. 17. 5. Caso se caracterize a fraude execuo, pode ser imposta alguma sano a PAULO CABRAL? De que tipo? Qual o fundamento legal? 6. FERNANDO AROUCHE pode requerer indenizao por danos materiais sofridos em virtude da no concretizao da venda do quadro ao seu cliente? Qual seria o valor dessa indenizao? 7. Supondo que o quadro seja encontrado em posse de PEDRO SILVA com avarias profundas, perdendo praticamente todo o seu valor, que medidas judiciais podem ser tomadas em favor de FERNANDO AROUCHE? 8. Faa um fluxograma demonstrando as possveis solues ao caso descritas nas respostas anteriores. Bibliografia Obrigatria: CPC, arts. 461-A e 621-631. TALAMINI, Eduardo. Tutela jurisdicional para entrega de coisa (CPC, art. 461- A). In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 199-222 (23 p.) Bibliografia complementar: NEVES, Celso. Classificao das aes. In: Estrutura fundamental do processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 135-147. 17
  18. 18. AULA 3. EXECUO DA OBRIGAO DE FAZER E DE NO FAZER. TUTELA MANDAMENTAL. PREVALNCIA DA TUTELA ESPECFICA. 1. OBJETIVOS DA AULA Destacar as particularidades e os empecilhos prticos de cumprimento das obrigaes de fazer e no fazer Compreender a insero da tutela mandamental dentre os provimentos judiciais Mensurar os limites do princpio do privilgio da tutela especfica em face da obteno do resultado prtico equivalente 2. PARTICULARIDADES DA EXECUO DA OBRIGAO DE FAZER E NO FAZER Se o devedor no cumpre sua obrigao de dar coisa, basta que o Estado interfira no seu patrimnio, tomando o bem devido e entregando-o ao credor seja pela busca e apreenso, em se tratando de bens mveis, seja pela imisso na posse, no caso de bens imveis. Contudo, o mesmo no acontece com as obrigaes de fazer ou no fazer: nestas espcies de obrigao h uma impossibilidade fsica de execuo especfica, no havendo meios de o Estado forar o devedor a cumprir sua obrigao. Esta noo remonta ao Direito Romano (nemo ad factumt praecise cogi potest), que fundou o dogma da absoluta incoercibilidade das obrigaes infungveis19 , o que significa que, havendo recusa do devedor em cumprir obrigao de fazer ou de no fazer, no se pode, por meio da coao fsica, exigir dele a prestao pessoal. Nesses casos, o inadimplemento resolvido em perdas e danos. Com o desenvolvimento da cincia processual, contudo, a doutrina passou a questionar essa soluo, que desprestigia o credor em detrimento do devedor. Diante da impossibilidade de forar o devedor a cumprir a obrigao, os processualistas criaram mecanismos de coero indireta, que agem no animus do devedor, incitando-o a cumprir a obrigao in natura, como ser demonstrado a seguir. 19 Luiz Guilherme Marinoni. Tutela inibitria, 4 ed., So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 333. 18
  19. 19. 3. TUTELA MANDAMENTAL. PRIVILGIO DA EXECUO ESPECFICA EM DETRIMENTO DA SOLUO EM PERDAS E DANOS (PRINCPIO DA EXECUO ESPECFICA) Na evoluo do sistema processual brasileiro operada nos ltimos quinze anos, inseriu- se, na tradicional trade provimentos condenatrios, constitutivos e declaratrios, uma nova categoria, qual seja, a de provimentos mandamentais20 decises que no se limitam a condenar, mas que tambm ordenam que as partes cumpram a condenao disposta na sentena21 . Esta espcie de tutela possvel graas criao de mecanismos processuais que possibilitam sua execuo e completa eficcia, gerando resultados prticos correspondentes ao pedido do autor22 . Os provimentos mandamentais, portanto, tm uma carga mista (condenao + execuo). Para forar o devedor ao cumprimento imediato e especfico da obrigao, o juiz prev mecanismos processuais de coero indireta23 . So exemplos destes mecanismos: a cominao de multa diria pelo inadimplemento (astreintes); a imposio de restries ao devedor (como o fechamento da indstria poluente at que haja a instalao de filtros apropriados) e a prpria priso civil (no caso das prestaes alimentcias)24 . 20 A criao de uma nova categoria de tutela encontra resistncias na doutrina; assim, muitos doutrinadores preferem inseri-la dentre os provimentos condenatrios. Vide, a respeito da discusso em mbito doutrinrio, Carlos Alberto de Salles (Execuo judicial em matria ambiental, 2 ed.,So Paulo: Revista dos Tribunais, 2002) e Luiz Guilherme Marinoni (Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006). 21 Ovdio Baptista da Silva. Curso de processo civil, 5 ed., So Paulo: Revista dos Tribunais, v. 2, p. 259. 22 Carlos Alberto de Salles, Execuo judicial em matria ambiental, 2 ed., So Paulo: Revista dos Tribunais, p. 240-241. 23 Como ensina Fredie Didier Jnior, a tutela especfica pode ser: Inibitria: busca impedir, obstar, evitar ou prevenir o ato ilcito ou, quando antes j praticado, impedir sua reiterao ou continuao (foco no futuro). Exemplo: Tribunal de Justia de Rondnia impediu que programa veiculasse reportagem contendo denuncias contra a Assemblia Legislativa; Reintegratria: busca remover o ilcito j praticado (foco no passado). Exemplo: Franqueador fere o contrato de franquia e comercializa produtos de baixa qualidade comprados de fornecedores no autorizados e o franqueado determina a retirada de circulao dos produtos indevidamente postos venda; Ressarcitria: tutela que busca reparar o dano j sofrido, recompondo o patrimnio do ofendido (foco na reparao/passado). Pode ser feita pelo pagamento do equivalente em pecnia ou especfica. Exemplo: funcionrio que perde um membro em acidente de trabalho = tutela em pecnia: pagamento pela perda do membro; tutela especfica: pagamento da prtese (Cf. Fredie Didier Jr., Curso de Direito Processual Civil, 2 ed., Salvador: Podium, 2002, p. 366 e segs.). 24 Como j mencionado, a tutela mandamental foi inserida em nosso sistema em 1994, mas era limitada a execuo das obrigaes de fazer e no fazer. Posteriormente, em 2002, os mecanismos foram ampliados, aplicando-se tambm as obrigaes de dar coisa (insero do artigo 461-A, CPC, pela Lei n. 10.444/2002) (Curso de Direito Processual Civil, 2 ed., Salvador: Podium, 2002). 19
  20. 20. Com a insero da tutela mandamental, passou-se a privilegiar a tutela especfica das obrigaes, considerada um princpio orientador do processo de execuo25 , em detrimento da mera indenizao das perdas e danos experimentados pelo credor. A execuo da obrigao de fazer e no fazer, como nos demais casos, observa regramentos diversos em razo do ttulo em que fundada: Natureza do ttulo Regramento legal Execuo de obrigao de fazer fundada em ttulo executivo judicial/sentena que reconhece obrigao de fazer ou no fazer Artigos 461 e segs., CPC Execuo de obrigao de fazer ou no fazer fundada em ttulo extrajudicial Artigos 632 e segs., CPC 4. CASO26 Incomodados com os fortes rudos produzidos pela fbrica de cimento VALE TUDO, os vizinhos da fbrica, em litisconsrcio ativo, intentaram AO INDENIZATRIA CUMULADA COM AO DE OBRIGAO DE NO FAZER, formulando, na inicial, os seguintes pedidos: 1. Indenizao pelos danos de ordem material e moral sofridos em razo dos fortes rudos produzidos desde o incio das atividades da VALE TUDO; 2. Determinao da cessao imediata da produo de rudos, fixando data de incio e cominao de multa diria no valor de R$ 50.000,00 (cinqenta mil reais) por cada dia de descumprimento da obrigao. Na contestao, a empresa-R no negou a produo de rudo, mas demonstrou que no h ferramentas tecnolgicas para impedir a produo do barulho proveniente dos tremores inerentes atividade. Demonstrou, ainda, que se trata de um problema enfrentado mundialmente pelos produtores de cimento. Ademais, a VALE TUDO comprovou documentalmente ter feito um grande investimento, de R$ 40.000.000,00 (quarenta milhes de reais), e gerado de mais de trezentos empregos diretos. 25 Luiz Fux faz uso da expresso princpio da execuo especfica (A reforma do processo civil. Rio de Janeiro: Impetus, 2006, p. 89 e ss.) e Fredie Didier fala em primazia da tutela especfica das obrigaes (Curso de Direito Processual Civil, 2 ed., Salvador: Podium, 2002, p. 379). 26 O caso, de autoria de Robert Cooter e Thomas Ulen (Law & Eonomics, Boston: Person Addison Wesley, 2004) foi adequado e fornecido pelo pesquisador da FGV Direito-Rio, Antnio Maristrello Porto. 20
  21. 21. Na fase instrutria, a produo dos fortes rudos restou comprovada por meio de prova pericial. Considerando as regras da primazia da tutela especfica e da adstrio do juiz ao pedido, de um lado, e, de outro, da obteno do resultado prtico equivalente, responda: 1. Pode o juiz, ante a impossibilidade da adoo de medidas para a cessao dos rudos, determinar a paralisao das atividades da empresa? 2. Pode o magistrado, diante da comprovada impossibilidade da execuo especfica da obrigao (cessao de rudo), fixar um valor indenizatrio a ttulo de perdas e danos futuros sofridos pelos moradores? Qual o fundamento legal? 3. Em sua concepo, qual a soluo mais adequada a este caso? Fundamente. Bibliografia Obrigatria CPC, arts. 513-521. WATANABE, Kazuo. Tutela antecipatria e tutela especfica das obrigaes de fazer e no fazer (arts. 273 e 461 do CPC). In: TEIXEIRA, Slvio de Figueiredo. Reforma do Cdigo de Processo Civil. So Paulo: Saraiva, 1996, p. 40-48 (8 p.). MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 150-152; 156-166 (14 p.). Bibliografia complementar SALLES, Carlos Alberto. Execuo judicial em matria ambiental, 2 ed.,So Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p. 239-280. AULA 4. EXECUO DA OBRIGAO DE FAZER E DE NO FAZER. FIXAO E EXECUO DAS ASTREINTES. 5. OBJETIVOS DA AULA 21
  22. 22. Qual a finalidade das astreintes? H limites para o valor da multa fixada para forar o devedor a adimplir? Como eliminar os riscos de enriquecimento ilcito do credor? 6. AS ASTREINTES A astreinte multa cominada pelo juiz para assegurar o cumprimento de sua deciso uma criao do direito francs que tem por objetivo forar o ru a adimplir, tendo, portanto, carter coercitivo. importante observar que, exatamente em razo de sua natureza coercitiva, a astreinte devida independentemente da indenizao. Assim, como ensina MARINONI, se a ordem do juiz, apesar da multa, no for suficiente para convencer o ru a adimplir, ela poder ser cobrada independentemente do valor devido em face da prestao inadimplida e do eventual dano provocado pela falta do adimplemento na forma especifica e no prazo convencionado. A multa cominada pelo juiz objetiva coagir o ru a cumprir a obrigao e, portanto, para que seja uma forma autntica e eficaz de presso sobre a vontade do ru, imprescindvel que seja fixada com base em critrios que permitam atingir sua finalidade: garantir a efetividade da tutela jurisdicional. Assim, sua fixao deve ser balizada por critrios subjetivos, sobretudo a capacidade econmica do devedor27 . 7. CASO28 A empresa DIAMOND, proprietria de uma jazida de minrios, firmou, com a empresa XISTO, contrato de arrendamento com autorizao de explorao de jazida, com o fim especfico de retirar e fornecer ao DNER e DER/MG, por seis meses, pedras do tipo YYZ para a construo de uma rodovia. O valor total do contrato era de R$ 12.000.000,00 (doze milhes de reais). Contudo, a empresa XISTO descumpriu o contrato, extraindo da jazida minrios XXA, no autorizados contratualmente, que foram, ainda, vendidos a terceiros (e no DNER ou DER/MG, nicos e exclusivos compradores contratualmente autorizados). 27 Luiz Guilherme Marinoni. Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 212-221. 28 Caso elaborado a partir do parecer de autoria de Arruda Alvim (Interpretao da sentena liquidanda - fidelidade ao seu sentido original multa convencional e astreintes - diferenas e limites. Revista de Processo, vol. 77, p. 177-187). 22
  23. 23. Diante do descumprimento contratual, os advogados da DIAMOND intentaram AO INDENIZATRIA em face da empresa XISTO, cumulando os seguintes pedidos: (a) Resciso do contrato de arrendamento por descumprimento de clusula contratual; (b) Indenizao pelo material vendido sem autorizao a terceiros; (c) Cominao de multa diria para impedir novos comportamentos da empresa XISTO at a efetiva devoluo da jazida arrendada. O juiz de primeiro grau julgou procedente a ao, determinando a imediata resciso contratual e a condenao da XISTO a indenizar a DIAMOND pelo material indevidamente vendido a terceiros. Por fim, fixou multa de R$ 3.000.000,00 (trs milhes de reais) por cada caminho de pedras vendido indevidamente, a terceiros ou mesmo a DER/MG ou DNER, aps a intimao da sentena. A empresa XISTO apelou da sentena, que, contudo, foi recebida apenas no efeito devolutivo. A despeito da ordem judicial de no vender o material, durante o julgamento do recurso, a EMPRESA XISTO continuou vendendo pedras a DER/MG ou DNER, totalizando cinco caminhes de material indevidamente vendido. Ante o exposto, responda: 1. Qual a finalidade especfica da astreinte? 2. Diante da inobservncia da ordem judicial, os advogados da empresa DIAMOND poderiam executar a multa cominatria, totalizando o valor de R$ 15.000.000,00 (quinze milhes de reais)? 3. Em que momento processual a multa pode ser cobrada? Em favor de quem deve ser revertida? Voc concorda com essa destinao? Fundamente. 4. Considerando-se que o contrato totaliza R$ 12.000.000,00 (doze milhes de reais) e que a multa cominatria soma R$ 15.000.000,00 (quinze milhes de reais), pergunta-se: deve haver um limite para o estabelecimento da multa cominatria? Pode ela superar o prprio valor da condenao? 5. Supondo que, em sede de apelao, o Tribunal de Justia tivesse entendido que a empresa XISTO tinha direito de explorar a jazida por mais dois meses, j que esta explorao estava contida no valor do contrato, e tenha revertido a deciso 23
  24. 24. de 1 grau. Ainda assim, o pagamento da multa cominatria devido? Ou a astreinte subordina-se ao resultado final do processo? 6. Se o contrato tivesse sido firmado com o poder pblico, e no com a empresa XISTO, faria sentido impor multa cominatria ao Estado? Bibliografia obrigatria ZATZ, Debora Ines Kram Baumhl. O sistema brasileiro de multas processuais e a natureza da multa prevista no novo artigo 475-J do Cdigo de Processo Civil. In: CARMONA, Carlos Alberto (org.). Reflexes sobre a reforma do Cdigo de Processo Civil: estudos em homenagem a Ada Pellegrini Grinover, Cndido Rangel Dinamarco e Kazuo Watanabe. So Paulo: Atlas, 2007, p. 108-125 (18 p.). MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitria, So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 216-227 (12 p.). Bibliografia complementar ALVIM, Arruda. Interpretao da sentena liquidanda - fidelidade ao seu sentido original multa convencional e astreintes - diferenas e limites (parecer). Revista de processo, vol. 77, p. 177-187 (11 p.). AULA 5. EXECUO DA OBRIGAO DE PAGAR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE 24
  25. 25. 8. OBJETIVOS DA AULA Compreender as notas distintivas da execuo da obrigao de pagar quantia certa contra devedor solvente Avaliar a pertinncia da mudana na ordem de preferncia dos atos expropriatrios Penhora on line: efetividade ou abuso? 9. A EXECUO DA OBRIGAO DE DAR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE 2.1. SOLVNCIA A solvncia a situao em que os bens do devedor superam as suas dvidas, sendo passveis, portanto, de responder por elas. A solvncia regra, sendo certo que o devedor apenas pode ser considerado insolvente por meio de uma sentena judicial. 2.2. NOTAS PROCEDIMENTAIS O devedor responde por suas dvidas (alm dos respectivos acrscimos, despesas processuais e honorrios advocatcios) com o seu patrimnio excetuados, por bvio, os casos de bens impenhorveis, como o bem de famlia. As principais fases procedimentais da execuo so: 1. Fase de apreenso, na qual ocorre a escolha do bem e sua apreenso propriamente dita (penhora); 2. Fase de transferncia, em que o bem apreendido avaliado, alienado e, portanto, transformado em dinheiro (alienao); 3. Fase de satisfao do crdito, na qual o dinheiro apurado entregue ao credor nos limites do seu crdito (pagamento). 10. A ORDEM DE PREFERNCIA NA EXPROPRIAO DE BENS 25
  26. 26. Como cedio, o objetivo do processo de execuo satisfazer o crdito do exeqente. Para tanto, havendo resistncia do devedor no pagamento, realiza-se, inicialmente, a penhora, ato de afetao do bem, que tomado em garantia para o pagamento do dbito. Nos casos em a penhora recai sobre dinheiro, basta que o autor levante o quantum para extinguir a execuo. Contudo, se a penhora ou o depsito recarem sobre outros bens sem a mesma liquidez, necessrio realizar os chamados atos de desapropriao, alienao forada ou expropriao, consistentes na supresso da propriedade do bem sem consentimento do proprietrio. Os atos de desapropriao so de duas espcies: arrematao, se a propriedade transferida a terceiro, ou adjudicao, se transferida ao prprio credor29 . Com efeito, arrematao o meio processual usado pelo rgo judicial para realizar a transferncia forada dos bens do devedor a terceiro que neles tenha interesse, enquanto a adjudicao consiste na transferncia no do produto da venda ao credor, mas da prpria coisa penhorada30 . No regime original do Cdigo de Processo Civil, a hasta pblica que, por seu turno, divide-se em leilo (bens mveis) e praa (bens imveis) era a primeira alternativa do credor para verter o bem penhorado em dinheiro. De sua sorte, a adjudicao do bem pelo exeqente apenas era permitida depois de realizada a praa ou leilo sem que houvesse arrematao. Assim, pela sistemtica anteriormente vigente, os atos expropriatrios obedeciam seguinte ordem (antiga redao do artigo 647, incisos I a III, CPC): 1. hasta pblica; 2. adjudicao; 3. usufruto de imvel ou empresa. No difcil perceber que a hierarquia estabelecida era extremamente prejudicial ao credor, pois, ainda que tivesse interesse no bem penhorado, deveria aguardar a realizao da hasta pblica para, ao final, se no houvesse arrematao, adjudicar o bem. A praa e o leilo expedientes bastante burocrticos eram privilegiados em detrimento de solues mais geis e economicamente mais interessantes ao credor. Esta lgica era bastante danosa ao exeqente. Pela nova lei, o credor pode optar, antes de qualquer procedimento, por adjudicar o bem penhorado. A adjudicao pode abreviar consideravelmente a execuo, valendo a pena registrar, contudo, que apenas ser possvel se no recarem outras penhoras sobre o bem31 . Caso, contudo, no tenha interesse em adjudicar a coisa, pode o credor proceder sua alienao, que ser controlada pela justia. O leilo, na nova sistemtica, relegado ultima ratio. 29 Enrico Tullio Liebman, Processo de Execuo, 4 ed., So Paulo: Saraiva, 1980, p. 142. 30 Humberto Theodoro Jnior, Processo de execuo. 21 ed., So Paulo: LEUD Editora, 2002, p. 344 31 Araken de Assis, Execuo civil nos Juizados Especiais. So Paulo: Revista dos Tribunais, 1996, p. 135. 26
  27. 27. Inverteu-se, portanto, a lgica tradicional, na qual o exeqente era mero expectador. Com a atual disposio legislativa, o credor tem um papel ativo no tocante aos atos expropriatrios a serem realizados, podendo, primeiramente, ficar com o bem para si ou, no sendo de seu interesse, proceder sua venda, desde que respeitadas as condies impostas pelo magistrado32 . Da p de bens. Role play 32 Este excerto foi extrado do artigo de minha autoria intitulado Da execuo por iniciativa particular, indicado como leitura complementar para este encontro FERRAZ, Leslie Shrida. Da alienao por iniciativa particular. In: COSTA, Susana Henriques (coord.). Execuo extrajudicial modificaes da Lei n. 11.382/2006. So Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 326-338. 27 Sistemtica anterior Leilo ou praa Adjudicao Usufruto de imvel ou empresa Nova sistemtica Adjudicao Alienao por iniciativa particular Leilo ou praa Usufruto de imvel ou empresa
  28. 28. A empresa multinacional americana JORDAN & JORDAN, de medicamentos, promoveu ao executiva fundada em ttulo extrajudicial (duplicata), no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) em face de MICROLAB ME, farmcia que no teria efetuado o pagamento da duplicata emitida em razo do fornecimento de medicamentos pela JORDAN & JORDAN. Na petio inicial, os advogados da multinacional solicitaram que o juiz efetuasse penhora em dinheiro na conta bancria da empresa MICROLAB-ME (penhora on line), para satisfazer o seu crdito, que foi concedida pelo juiz inaudita altera parte. Os advogados da MICROLAB-ME ofertaram agravo de instrumento interposto diretamente no Tribunal de Justia do Rio de Janeiro com pedido de efeito suspensivo, comprovando que o valor depositado destinava-se ao pagamento do 13 salrio de seus funcionrios, solicitando, assim, que a penhora recasse sobre outros bens, quais sejam, o estoque de mercadorias da empresa (medicamentos). Os alunos devem se reunir em grupos de trs, cada um assumindo uma posio diversa: (1) Advogado da JORDAN & JORDAN (2) Advogado da MICROLAB-ME (3) Desembargador do TJ-RJ (relator) Depois dos debates, o grupo deve redigir a deciso do grupo (provimento/improvimento do agravo), devidamente fundamentada na lei e no texto de leitura obrigatria, abordando o conflito entre menor onerosidade e a efetividade da execuo, sem desconsiderar as implicaes de impacto social da deciso (financeira, segurana jurdica, efetividade). Bibliografia obrigatria DINAMARCO, Cndido Rangel. A nova era do processo civil. 2 ed., So Paulo: Malheiros, 2007, p. 294-308 (15 p.) Bibliografia complementar FERRAZ, Leslie Shrida. Da alienao por iniciativa particular. In: COSTA, Susana Henriques (coord.). Execuo extrajudicial modificaes da Lei n. 11.382/2006. So Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 326-338 (12 p.). AULA 6. MEIOS COERCITIVOS PARA CUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL. CONTEMPT OF COURT. MULTA E PRISO CIVIL. 28
  29. 29. 1. OBJETIVOS DA AULA Compreender os fundamentos do contempt of court, avaliando a necessidade de fortalecimento dos provimentos judiciais e aferindo sua possvel existncia entre ns Refletir acerca da pertinncia e da razoabilidade da priso civil por descumprimento de ordem judicial e sua compatibilidade com a Constituio Federal 2. A PRISO NO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO A Constituio Brasileira probe expressamente a priso civil por dvidas33 (artigo 5, inciso LXVII), embora ela prpria traga duas excees regra: (i) inadimplemento voluntrio e inescusvel de penso alimentcia; (ii) depositrio infiel. Em ambos os casos, a priso utilizada como meio de coagir o devedor a adimplir, sendo revogada to logo haja o cumprimento da obrigao. Se a doutrina pacfica na aceitao da priso civil por inadimplemento de dvida de carter alimentar, o mesmo no ocorre com a priso do depositrio infiel (que, em sede de execuo, pode ser decretada em face do depositrio judicial que aliena a coisa que lhe dada em confiana). que Pacto de San Jos da Costa Rica (Conveno Americana sobre Direitos Humanos), do qual o Brasil signatrio, apenas admite a priso civil por inadimplemento de obrigao alimentar (artigo 7o , n. 7). Assim, a constitucionalidade da priso do depositrio infiel passou a ser questionada aps a internalizao do Pacto de So Jos da Costa Rica entre ns (cujo texto oficial foi reproduzido pelo Decreto n. 678, de 06.11.92)34 . 33 No direito romano, para honrar seus compromissos, o inadimplente podia ser reduzido escravido. Com o advento da Lex Poetelia Papiria, em 326 a. C., passou-se a proibir que o devedor respondesse pelas dvidas com seu prprio corpo, limitando-se a responsabilidade ao seu patrimnio. 34 O fundamento era de que, por fora do artigo 5, 2, da Constituio Federal, as regras de Tratados Internacionais de que o Brasil parte teriam status constitucional. Para acentuar os debates, a Emenda Constitucional n. 45 inseriu um pargrafo 3 no artigo 5, da Carta Constitucional, o qual dispe que os tratados e convenes internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por trs quintos dos votos dos respectivos membros, sero equivalentes s emendas constitucionais. A recepo da CADH no observou esta regra, o que leva alguns doutrinadores a questionarem seu status constitucional, embora se contra-argumente que se trata de direito adquirido. A este despeito, o Supremo Tribunal Federal contrariando a doutrina garantista j se manifestou no sentido de que a priso do depositrio infiel constitucional. Vide RE n. 206086, 1 Turma, j. 12.11.1996, DJU 07.02.1997, p. 1369, rel. Min. Ilmar Galvo; RE n. 229856, 2 Turma, j. 29.06.1998, DJU 09.06.2000, p. 33, rel. Min. Nri da Silveira; RE n. 253071, j. 29.05.2001, DJU 29.06.2001, p. 61, rel. Min. Moreira Alves; RE n. 350693, 1 Turma, j. 05.11.2002, DJU 19.12.2002, rel. Ministro Moreira Alves; RE n. 362.258-7, 1 Turma, j. 26.11.2002, DJU 07.03.2003, rel. Ministro Moreira Alves). Cf. Leslie Shrida Ferraz, Priso preventiva e direitos e garantias individuais, 2003. 29
  30. 30. 3. O CONTEMPT OF COURT DO DIREITO ANGLO-SAXO O contempt of court (atentado s Cortes) do direito anglo-saxo consiste, na lio de MARINONI, em medida coercitiva destinada a assegurar ao credor o adimplemento especfico da obrigao devida pelo demandado. O juiz tem poderes discricionrios para impor, de acordo com o caso concreto, multa ou priso para forar o devedor a adimplir. Nos Estados Unidos, consolidado o entendimento de que o contempt of court a medida mais adequada para garantir a efetividade dos non-money judgments35 . Como anota ADA PELLEGRINI GRINOVER, a origem do contempt of court est associada idia de que inerente prpria existncia do Poder Judicirio a utilizao dos meios capazes de tornar eficazes as decises emanadas. inconcebvel que o Poder Judicirio, destinado soluo de litgios, no tenha o condo de fazer valer os seus julgados. Nenhuma utilidade teriam as decises, sem cumprimento ou efetividade. Negar instrumentos de fora ao Judicirio o mesmo que negar sua existncia36 . 4. CONTEMPT OF COURT NO DIREITO BRASILEIRO? Em 1998, o ento Ministro do Superior Tribunal de Justia, Ruy Rosado de Aguiar, invocou o instituto do contempt of court na fundamentao de uma deciso, nos seguintes termos: MANDADO DE SEGURANA. Desobedincia a ordem judicial. Ofcio ao Ministrio Pblico. Contempt of court. No constitui ato ilegal a deciso do Juiz que, diante da indevida recusa para incluir em folha de pagamento a penso mensal de indenizao por ato ilcito, deferida em sentena com trnsito em julgado, determina a expedio de ofcio ao Ministrio Pblico, com informaes, para as providncias cabveis contra o representante legal da r. Recurso ordinrio improvido (RMS 9228/MG). Da mesma forma, em 1999, o Ministro Slvio de Figueiredo Teixeira, registrou em um julgado a necessidade do direito brasileiro prever medidas eficientes como o contempt of court: Dissertao (Mestrado em Direito). Faculdade de Direito da Universidade de So Paulo, So Paulo. 35 Tutela inibitria. So Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 214-216. 36 Ada Pellegrini Grinover, Paixo e morte do "contempt of court" brasileiro (art. 14 do Cdigo de Processo Civil). In: O processo: estudos e pareceres. So Paulo, DPJ, 2006, p. 158-166. 30
  31. 31. "PROCESSO CIVIL. ACIDENTE AREO. ANTECIPAO DE TUTELA. FUNDAMENTAO SUCINTA. ADMISSIBILIDADE. OMISSES. INEXISTNCIA. POSSIBILIDADE DE REVOGAO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. CONTEMPT OF COURT. RECURSO DESACOLHIDO. I - A fundamentao sucinta, que exponha os motivos que ensejaram a concluso alcanada, no inquina a deciso de nulidade, ao contrrio do que sucede com a deciso desmotivada. II - Examinados os temas suscitados no agravo de instrumento, sem omisso, contradio ou obscuridade, no ocorre nulidade do acrdo por ofensa ao art. 535, CPC. III - O prequestionamento, segundo o firme entendimento da jurisprudncia brasileira, pressuposto essencial apreciao do recurso especial. IV - A protelao do cumprimento de decises manifestamente razoveis e bem lanadas esto a justificar a introduo, em nosso ordenamento jurdico, de instrumentos mais eficazes, a exemplo do contempt of court da Common Law. RESP/SP 97434-4" Em 2001, a Lei n. 10.358 inseriu as seguintes disposies no artigo 14, do CPC, nos seguintes termos: Art. 14. So deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: (...) V - cumprir com exatido os provimentos mandamentais e no criar embaraos efetivao de provimentos judiciais, de natureza antecipatria ou final. Pargrafo nico. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violao do disposto no inciso V deste artigo constitui ato atentatrio ao exerccio da jurisdio, podendo o juiz, sem prejuzo das sanes criminais, civis e processuais cabveis, aplicar ao responsvel multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e no superior a vinte por cento do valor da causa; no sendo paga no prazo estabelecido, contado do trnsito em julgado da deciso final da causa, a multa ser inscrita sempre como dvida ativa da Unio ou do Estado. Exerccio 31
  32. 32. 1. Existem mecanismos similares ao contempt of court no direito brasileiro no Cdigo de Processo Civil? Quais? Em sua concepo, eles so suficientes? 2. Voc concorda com a excluso dos advogados nas disposies do artigo 14, pargrafo nico, do CPC? Justifique. 3. Seria desejvel que se adotasse, entre ns, a priso como meio de coero indireta para adimplemento da obrigao de fazer? E no que toca priso por descumprimento da ordem judicial? Essas modalidades seriam compatveis com a Constituio? Bibliografia obrigatria GRINOVER, Ada Pellegrini. tica, abuso do processo e resistncia s ordens judicirias: o contempt of court. Revista de Processo. So Paulo. v. 26, n.102, p. 219-27, abr./jun. 2001 (8 p.). GRINOVER, Ada Pellegrini. Paixo e morte do "contempt of court" brasileiro (art. 14 do Cdigo de Processo Civil). In: O processo: estudos e pareceres. So Paulo, DPJ, 2006, p. 158-166 (8 p.). Bibliografia complementar BARBOSA MOREIRA, Jos Carlos. Notas sobre alguns aspectos do processo (civil e penal) nos pases anglo-saxnicos. Temas de direito processual, 7 srie. So Paulo: Saraiva, 2001. AULA 7. DEFESA DO EXECUTADO 32
  33. 33. 1. OBJETIVOS DA AULA Analisar os meios de defesa do executado previstos no sistema processual brasileiro, com foco na objeo de pr-executividade. 2. MEIOS DE DEFESA DO EXECUTADO NO SISTEMA PROCESSUAL BRASILEIRO 2.1 IMPUGNAO E EMBARGOS DO DEVEDOR Em respeito s garantias constitucionais do contraditrio e da ampla defesa, o devedor- executado tem a possibilidade de apresentar defesa, impugnando a execuo. Da mesma forma em que h tratamento diverso para a execuo de ttulos judiciais (sentena) e extrajudiciais, a defesa do executado tambm diferenciada. Assim, em se tratando de cumprimento de sentena, a tcnica processual adequada a impugnao. Por seu turno, a defesa do executado com base em ttulo extrajudicial se d por meio dos embargos execuo, que, antes da reforma, prestavam-se a impugnar todas as modalidades de procedimento executivo. As excees a esta regra geral so: (i) sentena proferida em face da Fazenda Pblica (artigo 730 do CPC) e (ii) o devedor-executado de alimentos (artigo 732 do CPC), j que, em ambos os casos, os embargos execuo continuam a ser o remdio que a Fazenda Pblica e o devedor de alimentos podem apresentar contra uma sentena que os condene a cumprir uma obrigao. Natureza do ttulo Modalidade de execuo Defesa do executado Regramento legal Ttulo executivo judicial Cumprimento de sentena lato sensu Impugnao Artigo 475-J e 1, CPC Artigo 475-L, CPC Ttulo executivo extrajudicial Execuo propriamente dita Embargos do devedor Artigos 736 a 747, CPC Em regra, a impugnao no tem efeito suspensivo, mas se houver risco de haver grave dano de difcil ou incerta reparao, o juiz poder atribuir-lhe este efeito (artigo 475-M, CPC). Por se tratar de incidente, e no ao autnoma, a deciso que resolve a impugnao uma interlocutria, recorrvel mediante agravo de instrumento (artigo 475-M, 3, CPC). Da mesma forma, em regra, os embargos no tm efeito suspensivo (artigo 739-A, CPC), embora o juiz possa, a requerimento do embargante, atribu-lo nos casos de dano de 33
  34. 34. difcil ou incerta reparao (artigo 739-A, 1, CPC). Diversamente da impugnao, contudo, os embargos so considerados ao de conhecimento autnoma, sendo, portanto, decididos por sentena (artigo 740, CPC) e impugnveis mediante apelao. 2.2. EMBARGOS DE TERCEIRO Os embargos de terceiro (artigos 1046 a 1054 do CPC) destinam-se a proteger o terceiro estranho relao processual que tem sua posse ou direito incomodado pelo ato do juzo (Livro IV, que trata dos procedimentos especiais). Tambm se trata de ao autnoma de conhecimento. 3. OBJEO DE PR-EXECUTIVIDADE A exceo (ou objeo) de pr-executividade uma criao doutrinrio-jurisprudencial que permite ao executado, por simples petio, apontar a existncia de um vcio que macule a execuo quer com questes atinentes aos requisitos de admissibilidade da execuo, quer objees substanciais. Pode ser apresentada a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdio. Pressupe-se que o vcio apontado na objeo de pr-executividade possa ser conhecido de ofcio pelo juiz e de plano, isto , sem a necessidade de produo de prova. Na simples petio podem ser suscitadas matrias de ordem pblica e, ainda, atos modificativos, como a novao, ou extintivos do direito do exeqente, como o pagamento. A exceo de pr- executividade dispensa a garantia o juzo. Bibliografia obrigatria PISTILLI, Ana de Lourdes Coutinho Silva. Defesas do executado no cumprimento de sentena condenatria ao pagamento de quantia (Lei n. 11.232/05) e na execuo de ttulos extrajudiciais (Lei n. 11.382/06) viso comparativa. In: CARMONA, Carlos Alberto (org.). Reflexes sobre a reforma do Cdigo de Processo Civil: estudos em homenagem a Ada Pellegrini Grinover, Cndido Rangel Dinamarco e Kazuo Watanabe. So Paulo: Atlas, 2007, p. 85-105 (21 p.). Bibliografia complementar BONCIO, Marcelo Jos Magalhes. Aspectos relevantes da tutela do executado na nova reforma do Cdigo de Processo Civil. In: CIANCI, Mirna; QUARTIERI, Rita 34
  35. 35. (coord.). Temas atuais da execuo civil: estudos em homenagem ao professor Donaldo Armelin. So Paulo: Saraiva, 2007, p. 419-441. AULA 8. EXECUO FISCAL 8. OBJETIVOS DA AULA 35
  36. 36. Avaliar a pertinncia da utilizao do Poder Judicirio para a cobrana de dvidas fiscais do prprio Estado Refletir sobre a possvel transferncia desta atividade para a esfera administrativa e suas possveis implicaes na esfera dos direitos e garantias individuais 9. EXECUO FISCAL: NOTAS PROCEDIMENTAIS A execuo fiscal, regrada por lei especfica (Lei n. 6.830/80) consiste na cobrana judicial, pelos entes Estatais (municpio, Estado, Federao), de crditos provenientes de tributos no pagos, de acordo com o seguinte fluxograma. Fonte: CEBEPEJ, 2007. Recente pesquisa realizada pelo CEBEPEJ (Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Judiciais) em parceria com o Ministrio da Justia revela que, nos Estados de So Paulo e Rio 36
  37. 37. de Janeiro, a execuo fiscal responde por cerca de 50% (cinqenta por cento) de toda a movimentao processual da Justia estadual (executivos municipais e estaduais). Isto significa que metade das demandas distribudas anualmente nesses Estados ajuizada pelo Poder Executivo, que , portanto, o maior litigante nos Tribunais de Justia dessas duas importantes unidades da federao, conforme demonstra a Tabela I. Tabela I: Participao da execuo fiscal na movimentao processual (TJSP, TJRJ, TJRS e Justia Federal) Fonte Ano Total de aes em tramitao Execues fiscais em tramitao(1) Proporo TJ-SP(2) 2001 10.290.825 5.619.950 54,6% 2002 10.442.324 5.355.542 51,3% 2003 11.747.103 5.967.490 50,8% 2004 13.403.469 6.667.014 49,7% 2005 14.807.087 7.557.319 51,0% TJ-RJ(3) 2001 3.176.100 1.416.760 44,6% 2002 3.696.690 1.764.214 47,7% 2003 4.270.270 2.103.553 49,3% 2004 4.886.023 2.472.940 50,6% 2005 5.304.183 2.971.291 56,0% TJ-RS(4) 2001 1.240.614 307.026 24,7% 2002 1.633.879 413.125 25,3% 2003 2.088.352 523.086 25,0% 2004 2.297.188 558.872 24,3% 2005 2.545.112 633.572 24,9% Justia Federal INSS 2006 (1 trim.) 6.704.357 276.529 4,1% Justia Federal Unio 2006 (1 trim.) 6.704.357 1.532.071 22,9% Justia Federal Total 2006 (1 trim.) 6.704.357 2.468.596 36,8% Fonte: CEBEPEJ, 2006. 10. PERSPECTIVAS DE REFORMA: EXECUO FISCAL ADMINISTRATIVA? A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) elaborou um Projeto de Lei que prope a transferncia da execuo fiscal para o mbito administrativo, retirando-a da competncia do Judicirio, que apenas ficaria responsvel pela eventual impugnao destes procedimentos (embargos execuo). Esse o arranjo adotado em pases como Portugal, Espanha, Estados Unidos, Frana e Argentina. 37
  38. 38. A proposta da PGFN fundamenta-se no fato de que o carter judicial de todo o processo de execuo fiscal desde a citao, passando pela arrematao de bens at a satisfao do crdito confere ao procedimento alta dose de formalidade, morosidade (no mbito federal, estima-se que o processo demore, em mdia, 12 anos), altos custos e baixa eficincia. Os mesmos argumentos so mencionados por outros entes (juzes e procuradores), conforme registrado no relatrio da pesquisa do CEBEPEJ: parte significativa dos membros do Poder Judicirio foi enftica em afirmar que o grande nmero de execues que no chega a ser ultimado por motivos variados (notadamente em virtude da no localizao dos executados, de bens passveis de penhora ou, ainda, de interessados nos bens penhorados levados a hasta publica) mobiliza inutilmente pessoas e recursos desse poder, que poderiam ser canalizados para outras atividades da prestao jurisdicional. Esta viso tambm foi compartilhada pelas procuradorias consultadas, chegando a se dizer que o processo judicial para a cobrana forada da dvida, tal como se encontra hoje, invivel37 . Se, de um lado, alega-se que o Poder Judicirio no agente de cobrana de crditos, mas instituio destinada a aplicar o direito e promover justia, de outra sorte, a execuo fiscal administrativa requer a maior concesso de poderes aos procuradores, para que possam praticar atos de execuo como a notificao do devedor, penhora de bens e valores, leilo e arrematao de bens, etc. sem a interveno judicial. Muitos setores da sociedade so fortemente contrrios ao fortalecimento dos poderes dos procuradores, por receio dos abusos que a medida pode causar, em razo da possvel afetao de patrimnio de pessoas fsicas e empresas sem autorizao judicial. Recentemente, essa preocupao foi registrada em uma matria veiculada no jornal VALOR ECONMICO de abril de 2008, com o seguinte teor: JORNAL VALOR ECONMICO - CADERNO LEGISLAO & TRIBUTOS 08.04.2008 37 CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS E PESQUISAS JUDICIAIS (CEBEPEJ). Execues Fiscais no Brasil. Braslia: Ministrio da Justia, 2006. Disponvel em: http://www.cebepej.org.br/pdf/execucoes_fiscais.pdf, p. 63. 38
  39. 39. Projeto aumenta poder do fisco A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) anunciou na sexta-feira a verso final do projeto da nova Lei de Execuo Fiscal - que d ainda mais poderes ao fisco do que a verso anterior. Pela nova proposta, os procuradores das Fazendas federal, estadual ou municipal podero determinar sozinhos, sem a necessidade de autorizao judicial, o bloqueio de qualquer bem de devedores do fisco - inclusive pelo sistema do Banco Central que permite a penhora on- line de contas bancrias, ao qual tero acesso direto. A PGFN conseguiu uma frmula que acomoda as crticas feitas primeira verso do projeto: o bloqueio provisrio e cai se no for confirmado na Justia. No caso do sistema Bacen-Jud do Banco Central, que prev a penhora on-line, se em dez dias o Poder Judicirio no confirma o bloqueio, ele perde o efeito. No caso dos demais bens, a procuradoria tem 30 dias para ajuizar uma ao de execuo, para ento o juiz avaliar se o bloqueio legal ou no. A primeira verso do projeto da nova Lei de Execuo Fiscal foi apresentada no incio de 2007 prevendo o bloqueio administrativo de bens sem restries. Diante das crticas, a procuradoria recuou para uma verso autorizando o bloqueio administrativo de bens, mas restringindo o acesso ao sistema da penhora on-line, que seria feito apenas judicialmente. Este ano, no entanto, props a frmula do bloqueio provisrio, que obteve apoio suficiente dentro do Conselho da Justia Federal (CJF) e pode at tramitar como projeto independente do Poder Executivo. O procurador- geral da Fazenda Nacional, Lus Incio Adams, afirma que est em estudo a apresentao do projeto como uma proposta do Congresso Nacional, por meio de algum parlamentar. "Trata-se de uma alterao estrutural do sistema de execuo e no de uma proposta do governo, e no deve ser viciada pelo debate poltico", diz. Responsvel pelas negociaes da verso final do texto, o procurador da Fazenda Paulo Cesar Negro de Lacerda diz que a autorizao de acesso ao sistema Bacen-Jud no significar quebra de sigilo bancrio pois, segundo ele, no interessa aos procuradores saber o saldo bancrio ou a movimentao das contas dos devedores do fisco, mas apenas se h dinheiro para ser bloqueado. O juiz federal Marcus Lvio Gomes afirma que, para evitar a quebra de sigilo, ser indispensvel criar uma verso mais limitada da penhora on-line para acesso dos procuradores. Isto porque, com as alteraes mais recentes feitas na verso 2.0, o sistema Bacen-Jud passou a permitir o acesso a dados sobre saldos e movimentao bancria, e at a transferncia de valores. O projeto da nova Lei de Execuo Fiscal tambm prev a criao do Sistema Nacional de Informaes Patrimoniais dos Contribuintes para facilitar a localizao e bloqueio do patrimnio e renda dos contribuintes. Mas, no caso das ordens de bloqueio de renda ou faturamento, a determinao s poder ser feita judicialmente. O banco de dados depender da adeso dos governos estaduais para contar com a parte mais importante dos seus dados: informaes sobre os registros imobilirios. Mas, de acordo com Incio Adams, a proposta foi bem recebida no ltimo encontro do colgio estadual de procuradores estaduais e no haver problema de adeso. O 39
  40. 40. banco de dados deve reunir informaes de cartrios, departamentos de trnsito, Agncia Nacional de Aviao Civil (Anac), Capitania dos Portos, Comisso de Valores Mobilirios (CVM), bolsas de valores, Banco Central e at do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), para permitir o bloqueio de registros e patentes. Outro ponto em estudo a unificao dos sistemas da Receita Federal e da PGFN para reduzir o tempo de incio das cobranas. Hoje, a principal reclamao de juzes e procuradores a de que as execues s comeam depois de quatro ou cinco anos de processamento na Receita, e neste meio-tempo a maioria das empresas fecha ou fica sem patrimnio para ser cobrado. Adams prev que o conjunto de alteraes na execuo fiscal deve reduzir o prazo mdio de uma execuo de 16 para 5 anos, e o volume de processos de execuo da Fazenda, hoje 2,7 milhes de aes, deve cair dramaticamente. As execues correspondem a cerca de 40% do estoque de processos do Judicirio, chegando a 50% em alguns Estados. A execuo ser iniciada apenas nos casos em que for encontrado patrimnio do devedor, o que deixar de lado a grande maioria das aes de cobrana, que so ajuizadas apenas burocraticamente, j que sem patrimnio ou renda localizado no h chance de sucesso na ao. Debate Voc concorda que a execuo fiscal seja retirada do Poder Judicirio, sendo realizada no mbito fiscal, com o conseqente fortalecimento dos procuradores e fiscais? Em caso positivo, como conciliar esta medida com as garantias constitucionais do acesso justia e do devido processo legal? Considerando que sempre haver a possibilidade do Poder Judicirio rever a deciso do procurador, esta reforma no poderia gerar um volume ainda maior de demandas? Bibliografia obrigatria THEODORO JR., Humberto Theodoro. Lei de Execuo Fiscal. 8 ed., So Paulo: Saraiva, 2002, p. 03-09 (07 p.). CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS E PESQUISAS JUDICIAIS (CEBEPEJ). Execues Fiscais no Brasil. Braslia: Ministrio da Justia, 2006. Disponvel em: http://www.cebepej.org.br/pdf/execucoes_fiscais.pdf, p. 59-61; 63-76 (17 p.). Bibliografia complementar 40
  41. 41. Exposio de motivos e Anteprojeto de Lei de Execuo Fiscal Administrativa. Disponvel em: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/noticias/EXPOSICaO_MOTIVOS%20E%20PROJETO %20LEF.pdf 41