French, steven. cie‚ncia, conceitos chave em filosofia (1)

  • View
    479

  • Download
    13

Embed Size (px)

Text of French, steven. cie‚ncia, conceitos chave em filosofia (1)

  • CONCEITOS-CHAVE EM FILOSOFIA

    ISBN 978-85-363-1717-5

    11 1111111111 111111 11111 1 9788536317175

  • Ciencia

  • FS76c French, Steven. Cienda : conceitos-chave em filosofia / Steven French; tradw;ao

    Andre Klaudat. - Porto Alegre: Artmed, 2009. 156p.; 23 cm.

    ISBN 97S-S5-363-1717-5

    1. Filosofia. 2. Filosofia como ciencia. 1. Titulo. CDU 101

    Cataloga

  • Obra original mente publicada sob 0 titulo Science: [(~v Concepts in Philosopkv ISBN 9780826486554

    2007 The continuum International Publishing Group, London, Ineted Kingdom. All rights reserved.

    This translation published by arrangement with The Continuum International Publishing Group, London, United Kingdom. All rights reserved.

    Capa: Paola Manica, arte Jinalizada par Henrique Chaves Caravantes

    llustra\=ao da capa: Get~y Images

    Prepara\=ao do original Elisangela Rosa dos Santos

    Supervisao editorial Monica Bal/ejo Canto

    Projeto e editora\=ao Armazem Digital Editorar;iio Eletronica - Roberto Carlos Moreira Vieira

    Reservados todos os direitos de publica\=ao, em lingua portuguesa, if ARTMED EDITORA S.A. Av. Jeronimo de Ornelas, 670 - Santana 90040-340 Porto Alegre RS Fone (51) 3027-7000 Fax (51) 3027-7070

    E proibida a duplica\=ao ou reprodu\=ao deste volume, no to do ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrtmico, mecanico, grava\=ao, fotoc6pia, distribui\=ao na Web e outros), sem permissao expressa da Editora.

    sAo PAULO Av. Angelica, 1091 - Higien{)polis 01227-100 Sao Paulo SP FOl1e (II) 3665-1 100 Fax (II) 3667-1333

    SAC 0800 7m-3444

    IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL

    Agradecimentos

    Este livro sofreu na sua gestac;:ao: dificultado e encurtado pela adminis-trac;:ao departamental, posto em fogo brando na medida em que outros projetos tiveram prioridade e ferido por uma falha quase catastr6fica de urn pen drive. Que ele tenha chegado ao cat3.logo e prova do apoio e dos poderes de persistencia. Que eu tenha continuado, apesar de todos os obstaculos - alguns autoerigidos -, deve-se ao amor, ao apoio e a tolerancia de minha famflia, Dena e Morgan. E que ele tenha a forma e 0 conteudo que tern deve-se aos muitos estudantes de primeiro ana da Universidade de Leeds, a quem infligi este material ao longo do anos. Eu gostaria de agradecer a todos eles, assim como aos meus cole gas e ao pessoal do departamento, especialmente a Kate, quem tornou possivel que eu escrevesse este livro. Gostaria sobretudo de dizer urn forte muito obrigado a todos os estudantes de p6s-graduac;:ao que me substituiram em aulas e aos meus antigos alunos e colegas que tambem ensinaram, em varios periodos, no m6dulo "Como a ciencia funciona": Otavio Bueno, Angelo Cei, Anjan Chakravartty e Grant Fisher. Eu tenho com voces uma enorme divida (mas nao irei resgata-Ia com uma participac;:ao nos royalties!) .

  • Sumario

    1. I NTRODU

  • 1 Introducao

    E sempre born come

  • 10 Steven French

    mente contraditorias, a respeito de como a cU~ncia funciona. Considere-se, por exemplo, uma dec1ara

  • 12 Steven French

    contrario, que registraram suas observa

  • 14 Steven French

    sobre urn aspecto da fisica quantica). De fato, urn grupo famoso de filosofos reuniu-se nos anos 1920 e publicou urn panfleto desautorizando as teorias de Einstein como claramente falsas, ja que nossas concep

  • 2 Descoberta

    Quando as pessoas pensam nos cientistas, elas normalmente pensam em urn homem (tipicamente) vestido com urn jaleco branco; e quando pensam no que os cientistas fazem, elas geralmente os imaginam fazendo grandes descobertas, pelas quais poderiam receber 0 Premio Nobel. A descoberta - de algum fato, de alguma explicac;ao para urn fen6meno, de alguma teoria ou hip6tese - e vista como estando no centro da pratica cientifica. Desse modo, a questao fundamental que procuraremos responder neste capitulo e: como sao descobertas as teorias, as hip6teses, enfim, os modelos cientificos? Comecemos com uma resposta bastante comum e bem-conhecida.

    A VISAO COMUM: 0 MOMENTO EURECA

    Nos quadrinhos, a criatividade e muitas vezes representada por uma lampada sobre a cabec;a do heroi. Sup6e-se que represente 0 lampejo da inspirac;ao. De modo semelhante, as descobertas cientificas sao geralmente caracterizadas como algo que ocorre de repente, em urn dramatico momenta criativo da imaginac;ao, urn lampejo de visao ou uma experiencia do tipo "aha!". o exemplo classico e de Arquimedes, 0 grande cientista grego do seculo III a.c., a quem famosamente foi solicitado pelo rei de Siracusa que determinasse se uma coroa que tinha recebido de presente era de ouro verdadeiro ou de ouro falso. (0 rei queria consagrar a coroa aos deuses e, e claro, ele nao 0 faria se nao fosse de ouro puro. E porque queria consagra-Ia, ela nao poderia ser aberta ou analisada.) A coroa parecia pesar 0 mesmo que uma feita de ouro macic;o, mas isso nao era 0 suficiente. Acredita-se que Arquimedes estava nos banhos publicos quando, ao relaxar na agua, notou que a agua transbordava e que, quanta mais afundava, mais a agua transbordava. Ele percebeu que a agua deslocada poderia ser usada para medir 0 volume do objeto imerso e que, se a coroa fosse pura, aquele volume seria igual aquele de urn mesmo peso de

    Ciencia 17

    ouro puro; se nao, se tivesse sido adulterada com urn peso igual de, digamos, prata ou chumbo, que tern densidades diferentes do ouro, entao 0 volume seria diferente. Nesse momento, acredita-se que Arquimedes saltou da banheira e correu nu pelas ruas gritando "Eureca!", ou seja, "Eu descobri!". (0 que aconteceu foi que 0 volume era maior do que 0 mesmo peso de ouro puro, e 0 rei se deu conta de que tinha sido enganado.)

    Essa hist6ria pode parecer antiga, ate mesmo fora de moda. Mas vejamos o que diz 0 professor Lesley Rogers, urn neurobi610go mundialmente famoso:

    Urn visitante no meu laboratorio, ao realizar algumas marcac;6es de rotas neurais com corantes marcadores, pensou: "Bern, fac;amos uma tentativa". E, quando percebemos, foi urn momenta eureca. Contudo, foi por acaso - que ele tivesse vindo, que estivesse examinando alguma coisa completamente diferente, que eu tivesse oferecido a ele urn lugar no meu laboratorio e que nos entao tivessemos decidido simplesmente fazer uma tentativa, e is so aconteceu. 1

    Urn outro exemplo notavel e este de Kary Mullis, que recebeu 0 Premio Nobel em 1993 por sua descoberta da "reac;ao em cadeia da polimerase" (PCR). Essa e uma tecnica que permite identificar uma fita de DNA pela qual se tenha interesse e fazer vastas quantidades de capias dela, de urn modo comparativa-mente facil (e por vastas quantidades, eu quero dizer vastas mesmo - de uma molecula, 0 PCR pode fazer 100 bilh6es de capias em poucas horas). E isso que esta por tras das "impress6es digitais" geneticas, tornadas famosas pela serie de televisao CSI, por exemplo, e que se tornou uma tecnica padrao na biologia molecular, levando a urn enorme numero de outras aplicac;6es e de resultados de pesquisa. Vejamos a lembranc;a do proprio Mullis da descoberta - feita, segundo ele, quando dirigia, subindo as montanhas do norte da California, com 0 aroma da florac;ao do castanheiro no ar e uma nova ideia na cabec;a:

    Os pneus dianteiros do meu pequeno Honda prateado nos puxavam pelas montanhas. Minhas maos sentiam a estrada e as voltas. Minha mente voltava ao laboratorio. As cadeias de DNA se enrolavam e flutuavam. Chamativas imagens azuis e rosas de moleculas eletricas se injetavam em algum lugar entre a estrada da montanha e os meus olhos.

    Eu vejo as luzes nas arvores, mas a maior parte de mim esta olhando para alguma outra coisa a se desenrolar. Eu estou me envolvendo com 0 meu passa-tempo favorito.

    Hoje a noite eu estou cozinhando. As enzimas e os compostos qufmicos que eu tenho no Cetus [seu laboratorio] sao meus ingredientes. Eu sou uma crianc;a grande com urn carro novo e urn tanque cheio de gasolina. Eu tenho sapatos que me servem. Eu tenho uma mulher dormindo ao meu lado e urn problema excitante, urn problema importante que esta ai para ser resolvido.

  • 18 Steven French

    "Que esperteza posso utilizar hoje a noite para ler a sequencia do rei das moleculas?"

    DNA. 0 grande ...

    Ele entao descreve como, ao pensar no problema em termos de urn "procedimento matemcitico reiterativo" que the permitisse encontrar uma sequencia espedfica de DNA, percebeu que poderia usar urn pequeno pedac;o do proprio DNA para fazer isso e iniciar 0 processo de reproduc;ao, usando as propriedades naturais do DNA para copiar a si mesmo. Ai a lampada se acendeu ...

    "Puta merda!" Eu suspirei e tirei 0 pe do acelerador. 0 carro deslizou por uma curva na descida. Eu estacionei... Nos estavamos na marca

  • 20 Steven French

    eureca, os picos criativos, os lampejos de visao. Ele nao e filosoficamente anali-savel, ja que a filosofia esta preocupada com 0 que e racional, mas e analisavel pelos psicologos e sociologos.

    o contexto da jU5tifica~ao

    Concerne as caracteristicas racionais da prcitica cientifica e, particular-mente, ao topico de como as teorias sao justificadas ou sustentadas pelas evidencias. Isso esta aberto a investiga

  • 22 Steven French

    como ela encoraja certos excentricos a insistir que descobriram alguma nova teoria dos fen6menos quanticos, ou a verdadeira natureza do espac;:o e do tempo, ou simplesmente de terem mostrado que Einstein estava errado (tantas dessas pessoas foram direto a Einstein, seja por causa da sua estatura como fisico, seja por causa de alguma forma remanescente de antissemitismo). De minha parte, por urn tempo me pareceu que quase todas as conferencias sobre filosofia da ciencia ou sobre os fundamentos