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DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044. 43 ACESSO DO CIDADÃO AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA André Rebechi Duarte 1 Giselda da Silveira Cherem 2 SUMÁRIO Introdução; 1 Do Processo de Integração a Consolidação da União Europeia; 2 Fontes do Direito Comunitário – direito originário e direito derivado; 3 Supranacionalidade; 4 O Tribunal de Justiça da União Europeia; 4.1 O Cidadão da União Europeia; 5 Mecanismos que Permitem ao Cidadão a Busca da Tutela Jurisdicional da União Europeia; Considerações finais; Referência das fontes citadas. RESUMO O presente trabalho vem identificar os instrumentos processuais que habilitam o cidadão pertencente à União Europeia a requerer a tutela jurisdicional do Tribunal de Justiça Europeu. Para tanto, apresenta a evolução histórica ao qual passou a União Europeia, as fontes do direito comunitário, a supranacionalidade das normas comunitárias, o Tribunal de Justiça e o Cidadão e seus direitos e garantias dentro do bloco. Por meio de mecanismos jurisdicionais como o Recurso por Omissão, a Ação de Responsabilidade Civil ou Recurso por Responsabilidade Extracontratual, O Recurso de Anulação, O Reenvio Prejudicial e o Recurso Ordinário, o cidadão europeu que tenha direitos restringidos ou violados pode invocar o Tribunal de Justiça da União Europeia para assegurar-lhe a validade das normas comunitárias. O método utilizado no trabalho foi o indutivo, acionado à técnica de pesquisa bibliográfica. Palavras-chave: União Europeia. Integração. Cidadão. Tribunal de Justiça da União Europeia. Tutela Jurisdicional. INTRODUÇÃO A União Europeia atualmente é formada por 28 países 3 , apresentando-se como um modelo de parceria tanto política, como econômica entre os países- membros. 1 Acadêmico regularmente matriculada no 10º período matutino no Curso de Direito de Balneário Camboriú Centro de Ciências Sociais e Jurídicas - CCSJ da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, e-mail < [email protected]>. 2 Mestre e professora da disciplina de Direito Internacional. 3 Alemanha, França, Luxemburgo, Itália, Bélgica, Croácia, Países Baixos, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Grécia, Espanha, Portugal, Áustria, Finlândia, Suécia, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia,

ACESSO DO CIDADÃO AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO … · 2015. 8. 7. · originário, direito derivado, pela jurisprudência e pelos princípios gerais do direito 20. Entende-se

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  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    ACESSO DO CIDADÃO AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA

    André Rebechi Duarte1 Giselda da Silveira Cherem2

    SUMÁRIO

    Introdução; 1 Do Processo de Integração a Consolidação da União Europeia; 2 Fontes do Direito Comunitário – direito originário e direito derivado; 3 Supranacionalidade; 4 O Tribunal de Justiça da União Europeia; 4.1 O Cidadão da União Europeia; 5 Mecanismos que Permitem ao Cidadão a Busca da Tutela Jurisdicional da União Europeia; Considerações finais; Referência das fontes citadas.

    RESUMO

    O presente trabalho vem identificar os instrumentos processuais que habilitam o cidadão pertencente à União Europeia a requerer a tutela jurisdicional do Tribunal de Justiça Europeu. Para tanto, apresenta a evolução histórica ao qual passou a União Europeia, as fontes do direito comunitário, a supranacionalidade das normas comunitárias, o Tribunal de Justiça e o Cidadão e seus direitos e garantias dentro do bloco. Por meio de mecanismos jurisdicionais como o Recurso por Omissão, a Ação de Responsabilidade Civil ou Recurso por Responsabilidade Extracontratual, O Recurso de Anulação, O Reenvio Prejudicial e o Recurso Ordinário, o cidadão europeu que tenha direitos restringidos ou violados pode invocar o Tribunal de Justiça da União Europeia para assegurar-lhe a validade das normas comunitárias. O método utilizado no trabalho foi o indutivo, acionado à técnica de pesquisa bibliográfica.

    Palavras-chave: União Europeia. Integração. Cidadão. Tribunal de Justiça da União Europeia. Tutela Jurisdicional.

    INTRODUÇÃO

    A União Europeia atualmente é formada por 28 países3, apresentando-se

    como um modelo de parceria tanto política, como econômica entre os países-

    membros.

    1 Acadêmico regularmente matriculada no 10º período matutino no Curso de Direito de Balneário Camboriú

    Centro de Ciências Sociais e Jurídicas - CCSJ da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, e-mail < [email protected]>.

    2 Mestre e professora da disciplina de Direito Internacional. 3 Alemanha, França, Luxemburgo, Itália, Bélgica, Croácia, Países Baixos, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido,

    Grécia, Espanha, Portugal, Áustria, Finlândia, Suécia, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia,

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    Atualmente cinco países (Antiga República Jugoslávia da Macedônia,

    Islândia, Montenegro, Servia e Turquia) são candidatos a entrar na comunidade4.

    De acordo com o tratado da União Europeia, o bloco tem como condição

    fundamental garantir e melhorar a vida dos cidadãos europeus estabelecendo como

    valores a dignidade da pessoa humana, a liberdade do cidadão europeu de ir e vir,

    bem como residir em qualquer outro estado-membro, desde que, observados os

    requisitos descritos ao longo do texto.

    Todavia, durante todo esse processo integracionista é questionável se

    cidadãos, que são os destinatários finais do processo de integração possuem

    instrumentos jurisdicionais de acesso ao Tribunal de Justiça da União Europeia para

    defender seus direitos quando restringidos ou violados.

    O presente trabalho almeja, portanto, identificar o papel do Tribunal de

    Justiça da União Europeia como garantidor das normas do direito comunitário e

    protetor de interesses de seus cidadãos, bem como apresentar os mecanismos

    jurisdicionais disponíveis de acesso aos mesmos para assegurar a preservação de

    seus direitos.

    Para o desenvolvimento desta pesquisa será utilizado como método de

    abordagem o indutivo, acionado à técnica de pesquisa bibliográfica.

    1 DO PROCESSO DE INTEGRAÇÃO A CONSOLIDAÇÃO DA UNIÃO EUROPEIA

    Em 1951, Pós-Segunda Guerra Mundial, que por sua vez, deixou a Europa

    arrasada, trouxe à tona a ideia de aproximação dos Estados a fim de se reerguer

    economicamente. Nesse ínterim, Alemanha e França, rivais históricos idealizaram a

    partir do plano Schuman5 a criação de uma Comunidade Europeia do Carvão e do

    Lituânia, Malta, Polônia, República Checa, Bulgária e Romênia. IN: EUROPEIA, União. Estados-Membros da UE. Disponível em: . Acesso em 16 de julho de 2013.

    4 EUROPEIA, União. A caminho da adesão à UE. Disponível em: . Acesso em 20 de maio de 2013.

    5 Idealizado pelo intelectual e político frances, Jean Monnet, que apresentou uma plano de recuperação econômica francesa baseada na subordinação da produção do carvão e do aço franco–germânica a uma autoridade independente e supranacional. Tal proposta assegurava a França sua recuperação econômica e permitia o controle do processo de rearmamento da Alemanha vencida na segunda guerra mundial. IN: JÚNIOR, Alberto do Amaral; RATTON, Michelle. União Europeia. São Paulo: Aduaneiras, 2002, p. 18.

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    Aço (CECA), criada pelo Tratado de Paris, cujos países membros seriam além de

    seus idealizadores, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Itália e Países Baixos6.

    No ano de 1957, com o êxito obtido pela Comunidade Europeia do Carvão e

    do Aço, seus integrantes reuniram-se com o objetivo de criar um mercado comum7 e

    acelerar ainda mais o processo de aproximação das políticas econômicas assinando

    o Tratado de Roma, que cria a Comunidade Econômica Europeia e a Comunidade

    Europeia de Energia Atômica (CEEA) 8.

    Com o passar dos anos, verificou-se que novos impulsos seriam necessários

    para que os objetivos propostos tanto na criação da Comunidade Europeia do

    Carvão e do Aço, quanto na criação da Comunidade Econômica Europeia e

    Comunidade Europeia de Energia Atômica se concretizassem. Para tanto, em 1986

    por decisão do Conselho Europeu, foi assinado o Ato Único Europeu, cujo objetivo

    era o relançamento de várias políticas comunitárias comuns e a consolidação de um

    mercado realmente singular9.

    Além de novos impulsos, houve reformas nos tratados fundadores da

    comunidade com o intuito de consolidar o processo de mercado comum. Nesse

    sentido, destaca-se em 1992, o Tratado de Maastricht, conhecido como Tratado da

    União Europeia que uniu as outras três comunidades acima mencionadas10.

    Com o objetivo de trazer recursos importantes quanto ao emprego do

    cidadão europeu dos estados-membros, em 1997 é assinado o Tratado de

    Amesterdão. Ademais, esse tratado veio a reformar as instituições até então,

    vigentes e neste período a União Europeia já contava com quinze países11.

    Em 2000, o Tratado de Nice abre via para o processo de adesão de novos

    países à União Europeia, ao reformular as regras comunitárias em matéria de

    votação, processo esse previsto desde o inicio em que seus fundadores12.

    6 JÚNIOR, Alberto do Amaral; RATTON, Michelle. União Europeia. p. 18. 7 Consiste na livre circulação de pessoas, mercadorias, serviços e capitais. IN: OLIVEIRA, Odete Maria. União

    Europeia: Processos de Integração e Mutação. Curitiba: Juruá, 2000, p. 97. 8 OLIVEIRA, Odete Maria. União Europeia: Processos de Integração e Mutação. p. 97. 9 STELZER, Joana. União Europeia e Supranacionalidade: Desafio ou Realidade?. 3. ed. rev.e atual. Curitiba:

    Juruá, 2006, p. 42. 10 OLIVEIRA, Odete Maria. União Europeia: Processos de Integração e Mutação. p. 118. 11 EUROPEIA, União. Tratado de Amesterdão. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2012. 12 EUROPEIA, União. Tratado de Nice. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2012.

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    Com o objetivo de aumentar a democracia, a eficácia e a transparência da

    União Europeia em um período onde as alterações climáticas, a segurança e o

    desenvolvimento sustentável constituem assuntos importantes na temática de um

    mundo globalizado, os estados-membros assinam o Tratado de Lisboa13.

    Durante o período do surgimento até a consolidação da União Europeia,

    houve um aumento significativo do numero de estados-membros do bloco, sendo

    que atualmente a União Europeia conta com 28 países14.

    A União Europeia foi constituída sobre três pilares, o primeiro baseava-se

    em sua formação, precedida pelas três comunidades fundadoras já destacadas que

    tinha como premissas a criação de um mercado comum15 e uma união econômica e

    monetária16.

    O segundo pilar era fundamentado na segurança comum e política externa

    dos estados-membros e o terceiro pilar baseava-se na cooperação, tanto policial

    quanto judicial e matéria penal17.

    A União Europeia tem por base estreitar os povos da Europa e aproximar o

    cidadão, pois ele é o maior beneficiado dentro desse processo de integração, sendo

    que para atingir tal objetivo, novas políticas foram adotadas após a criação desse

    tratado18.

    Atualmente, do ponto de vista institucional, a União Europeia é constituída

    pelo Conselho Europeu, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu, o Tribunal de

    Justiça, o Tribunal de Contas, o Comitê Econômico e Social Europeu, o Comitê das

    Regiões, o Banco Europeu de Investimentos, o Banco Central Europeu, o Provedor

    de Justiça, entre outros19.

    13 EUROPEIA, União. Tratado de Lisboa. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2012. 14 EUROPEIA, União. Lista de Países. Disponível em: .

    Acesso em: 16 de julho de 2013. 15 Mercado Comum consiste na livre circulação de mercadorias e capitais. IN: PCP, Programa do. Portugal, uma

    democracia Avançada no Limiar do Século XXI. Disponível em: http://www.pcp.pt/ partido/programa/22.html. Acesso em: 16 de julho de 2013.

    16 AMARAL JÚNIOR, Alberto do; RATTON, Michelle. União Europeia. p. 32. 17 EUROPA. Pilares da União Europeia. Sínteses da Legislação da União Europeia. Disponível em:

    . Acesso em: 19 nov. 2012. 18 EUROPEIA, União. Do Tratado da União Europeia e do tratado que institui a Comunidade Europeia. Jornal

    Oficial da União Europeia, União Europeia, p. 1-331. 29 dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2012.

    19 AMARAL, Antonio Carlos Rodrigues. Direito do Comércio Internacional: Aspectos Fundamentais. São Paulo: Aduaneiras, 2004, p. 90.

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    Como foi possível observar, o fim da Segunda Guerra Mundial que culminou

    com os países mergulhados em uma crise financeira gigantesca trouxe a

    necessidade de buscar uma união entre os povos para que as respectivas

    economias superassem o efeito da guerra. Diante disso, ao longo dos anos,

    reestabelecido a economia dos estados europeus através do processo de criação e

    consolidação da União Europeia, tornou possível aprimorar o processo de

    integração dando ao cidadão europeu as possibilidades que veremos a seguir.

    2 FONTES DO DIREITO COMUNITÁRIO – direito originário e direito derivado

    O ordenamento jurídico atual da União Europeia é formado pelo direito

    originário, direito derivado, pela jurisprudência e pelos princípios gerais do direito20.

    Entende-se por direito originário como sendo os tratados instituidores da

    União Europeia, ou seja, o Tratado de Paris que criou a Comunidade Europeia do

    Carvão e do Aço e o Tratado de Roma que criou a Comunidade Econômica

    Europeia e a Comunidade Europeia de Energia Atômica. Juntam-se a esses também

    o Ato Único Europeu e os demais instrumentos internacionais pelos quais,

    subsequentemente, os estados-membros vieram a modificar ou completar o

    conteúdo dos tratados anteriores21.

    Por direito derivado entende-se por atos jurídicos dos órgãos da União que

    determinam e complementam os tratados no exercício de suas funções. Tal direito

    divide-se em Regulamentos, Diretivas, Decisões e Recomendações22.

    Os Regulamentos são normas obrigatórias, com efeito imediato a todos os

    estados-membros, devendo os mesmos incorporá-los ao seu ordenamento jurídico

    interno23.

    Essa incorporação dos Regulamentos feita pelos estados-membros tem por

    objetivo dar uniformidade às leis da comunidade europeia e consequentemente

    20 PETIÇÕES, Artigos, Pareceres e Memoriais. Direito Comunitário: União Europeia e MERCOSUL. Disponível

    em: . Acesso em: 21 nov. 2012. 21 STELZER, Joana. Uniao Europeia e Supranacionalidade: Desafio ou Realidade?. 3. ed. rev.e atual. Curitiba:

    Juruá, 2006, p. 102. 22 EUROPEIA, Documentação. O ABC do Direito Comunitário. Disponível em:

    . Acesso em: 21 de nov. de 2012. 23 PETIÇÕES, Artigos, Pareceres e Memoriais. Direito Comunitário: União Europeia e MERCOSUL. Disponível

    em: . Acesso em: 22 de nov. de 2012.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    afastar as normas internas dos estados-membros que afrontam os objetivos

    previstos nos tratado24.

    Atualmente os Regulamentos estão voltados para adotar regras em matérias

    comunitárias de transportes, concorrência e proteção de produtos agrícolas quanto a

    sua origem e denominação25.

    Sobre a política de proteção de produtos agrícolas foi criado em 2006 o

    Regulamento 510/2006 do Conselho da União Europeia que estabeleceu regras

    sobre as denominações de origem dos produtos agrícolas para consumo dos

    cidadãos europeus26.

    Os Regulamentos dão uniformidade às leis da União Europeia, contudo eles

    não abrangem todas as matérias presentes na comunidade, consideradas como

    secundárias. Nesse ínterim, as Diretivas têm por objetivo suprir essa lacuna de

    forma a adequar as legislações dos países-membros para alcançar os objetivos

    presentes no tratado27.

    Sobre o tema, nos ensina José Caramelo Gomes28:

    Nestes casos, quer por limitação explícita do Tratado, quer em respeito

    pelo princípio da proporcionalidade (diretivas sobre o reconhecimento de

    diplomas universitários, que incidem sobre a política educativa, mas que

    são essenciais para a realização da liberdade de circulação de pessoas,

    ou as diretivas sobre a defesa do consumidor, ou as diretivas em matéria

    seguros, banca, essenciais para a realização de liberdades de circulação

    de mercadorias, de serviços e capitais, respectivamente).

    Quanto ao conceito, as Diretivas são normas de efeito direto, porem sua

    aplicabilidade não é de forma direta, os estados-membros tem um prazo não

    superior a dois anos para incorporá-la em seu ordenamento jurídico interno, caso

    não o faça, a mesma pode ser invocada por um cidadão29.

    24 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. Coimbra: Almedina, 2009, p.159. 25 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. Coimbra: Almedina, 2009, p.160. 26 EUROPA. Acesso ao direito da União Europeia. Disponível em: . Acesso em: 07 de junho de 2013. 27 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. Coimbra: Almedina, 2009, p.161. 28 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. Coimbra: Almedina, 2009, p.161. 29QUADROS, Fausto de. Direito das Comunidades Europeias e Direito Internacional Publico. Lisboa:

    Almedina, 1991, p. 421.

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    As Decisões tem aplicabilidade direta e possui caráter obrigatório para seus

    destinatários, sejam eles cidadãos ou empresas públicas, culminando com direito e

    obrigações aos mesmos30.

    Em 2013, foi proferida uma Decisão através da Comissão Europeia

    multando a empresa de softwares Microsoft, do bilionário Bill Gates31 por abuso de

    posição dominante no mercado32.

    As Recomendações não possuem caráter vinculativo, sendo aplicadas pelos

    órgãos internos da comunidade como declarações unilaterais produzindo efeito de

    forma indireta33.

    Em 2009, a Comissão das Comunidades Europeias, emitiu uma

    recomendação sobre à maneira de conduzir as remunerações de serviços

    financeiros34.

    Por fim, salienta-se que tanto os princípios gerais do direito quanto a

    jurisprudência serão objetos de estudo adiante.

    3 SUPRANACIONALIDADE

    O Tratado de Paris que criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço

    foi o primeiro tratado que criou um órgão supra-estatal quando deu a Alta

    30 PETIÇÕES, Artigos, Pareceres e Memoriais. Direito Comunitário: União Europeia e MERCOSUL. Disponível

    em: . Acesso em: 22 de nov. de 2012.

    31 William Henry Gates III mais conhecido como Bill Gates, é um magnata, filantropo e autor norte-americano, que ficou conhecido por fundar junto com Paul Allen a Microsoft, a maior e mais conhecida empresa de software do mundo em termos de valor de mercado. IN: WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. Disponível em: . Acesso em: 06 de junho de 2013.

    32 EFE. UE Empresas. Disponível em: . Acesso em: 06 de junho de 2013.

    33 ACCIOLY, Elizabeth. MERCOSUL E UNIÃO EUROPÉIA – Estrutura Jurídico – Institucional. 4. ed. rev. e atual. Curitiba: Juruá Editora, 2010, p.97.

    34 EUROPA. Comissão das Comunidades Europeias. Disponível em: . Acesso em: 06 de junho de 2013.

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    Autoridade35, o poder de exercer suas funções com completa independência no

    interesse geral da Comunidade36.

    O termo supranacionalidade é conceituado pelo termo sobre-estatal ou

    supra-estatal, ou seja, presume-se a existência de um poder político superior ao

    ordenamento nacional dos estados37.

    Sobre a supranacionalidade presente na União Europeia, nos ensina Paulo

    Henrique Gonçalves Portela38:

    É a supranacionalidade modelo avançado de flexibilização da soberania

    estatal, por meio do qual os Estados delegam certas competências

    soberanas a órgãos e instituições supranacionais, que contam com

    poderes para aplicar suas decisões sobre os entes estatais, os quais, por

    sua vez, obrigam-se a respeitar as determinações emanadas daqueles.

    Conforme esse conceito, a União Europeia limita a soberania estatal de seus

    estados-membros em beneficio da organização, ou seja, de um todo. Tais limites

    não ensejam todas as matérias, mas tão somente aquelas necessárias para a

    realização do objetivo de integração39.

    Nesse sentido, os estados-membros delegam poderes sobre determinadas

    matérias aos órgãos e instituições supranacionais. Assim, temos a competência

    exclusiva e concorrente, a primeira ocorre quando os estados-membros delegam

    aos órgãos superiores matérias exclusivas para a concretização dos objetivos da

    comunidade, ou seja, matérias que dispõem sobre o mercado comum, política

    monetária etc. A segunda ocorre quando o estado-membro e a União Europeia

    podem agir e versar sobre matérias conjuntamente, como é o caso do meio

    ambiente40.

    35 Entidade criada para vigiar o funcionamento de todo o regime previsto no tratado e que por sua vez, teria seu

    poder acima das autoridades nacionais dos estados – membros, sendo suas decisões obrigatórias para os mesmos. IN: EUROPA. Supranacionalidade e União Europeia. Disponível em: http://www.europeanunionworld.com/perspectivas/139-supranacionalidade-e-uniao-europeia. html. Acesso em: 19 de nov. de 2012.

    36 EUROPA. Supranacionalidade e União Europeia. Disponível em: . Acesso em: 19 de nov. de 2012.

    37 QUADROS, Fausto de. Direito das Comunidades Europeias e Direito Internacional Publico. p. 136. 38 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. 5. ed. rev. e atual. Bahia:

    JusVM, 2013, p. 1020. 39 STELZER, Joana. Uniao Europeia e Supranacionalidade: Desafio ou Realidade?. 3. ed. rev.e atual. Curitiba:

    Juruá, 2006, p. 77. 40EUROPA. Supranacionalidade e União Europeia. Disponível em: http://www.europeanunionworld.

    com/perspectivas/139-supranacionalidade-e-uniao-europeia.html. Acesso em: 16 de julho de 2013.

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    Pode-se afirmar que muito embora não haja previsão expressa da

    supranacionalidade no ordenamento da União Europeia, é através dela que se

    tornou possível o cumprimento dos objetivos ora citados desde o momento da

    criação do bloco econômico até os dias atuais. Para tanto, a transferência de

    competência dos estados-membros para um órgão superior, cujas funções sejam

    independentes e suas decisões sejam aplicadas de forma direta e imediata ao seu

    ordenamento jurídico comunitário, bem como aos seus destinatários públicos ou

    particulares, constitui caráter fundamental para a consolidação de um processo de

    integração41.

    Nesse contexto, a supranacionalidade da União Europeia é regida

    fundamentalmente através dos princípios da aplicabilidade, efeito direto, da primazia

    do direito comunitário e a uniformidade42.

    O princípio da primazia do direito comunitário sobre os direitos nacionais dos

    estados-membro foi consagrado em 1964 no Acórdão Costa contra Enel. Nesse

    processo houve a consulta ao Tribunal de Justiça da União Europeia feita pelo órgão

    jurisdicional italiano buscando a devida interpretação sobre a validade da lei italiana

    de nacionalização do setor de produção e distribuição de energia elétrica em

    confronto com as disposições do Tratado da Comunidade Econômica Europeia43.

    O Tribunal de Justiça da União Europeia afirmou que o direito comunitário é

    absoluto a todos os estados-membros e suas constituições nacionais. Sendo assim,

    aplica-se o direito comunitário europeu mesmo que contrário à norma proveniente de

    uma constituição nacional de um estado-membro, com base no princípio da primazia

    do direito comunitário44.

    Este princípio tem de observar duas finalidades, ou seja, deve beneficiar e

    adequar o direito comunitário e ser observado quando da interpretação e aplicação

    das normas comunitárias em relação ao direito interno dos países-membros45.

    41 OLIVEIRA, Odete Maria. UNIAO EUROPEIA – Processos de Integração e Mutação. Curitiba: Juruá, 2000, p.

    70. 42 EUROPEIA, União e Supranacionalidade. Supranacionalidade. Disponível em:

    . Acesso em: 21 de nov. de 2012. 43 CURIA. Princípio da Primazia do Direito Comunitário. Disponível em:

    . Acesso em: 23 de nov. de 2012. 44 EUROPA. O Primado do Direito Europeu. Disponível em: . Acesso em: 21 de nov. de 2012. 45 CORDEIRO, Antônio Menezes. Direito Europeu das Sociedades. Coimbra: Almedina, 2005, p. 44

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

    52

    O princípio da aplicabilidade direta garante efeito direto das normas

    comunitárias dentro do ordenamento jurídico dos estados-membros, inclusive aos

    cidadãos e empresas públicas46. Tal princípio encontrou luz no Acórdão Simmenthal

    de 1978, que garantiu o efeito a todos, sejam eles cidadãos ou empresas públicas,

    das normas comunitárias, com o efeito imediato47.

    O princípio do efeito direto assegura ao cidadão que na hipótese de seu

    estado-membro não ter incorporado ao ordenamento jurídico interno uma norma

    comunitária, pleitear junto ao tribunal nacional indenização por omissão do estado,

    pois a norma comunitária se sobrepõe a norma jurídica interna. Tal princípio

    encontrou luz no processo Andrea Francovich e outro v. República Italiana em que o

    particular buscava uma decisão a titulo prejudicial sobre a interpretação e a validade

    do Artigo 2 da Diretiva 80/987/CCE do Conselho relativa à aproximação das

    legislações do estados-membros no tocante a proteção dos trabalhadores

    assalariados em caso de insolvência dos empregadores48.

    Assim decidiu o Tribunal de Justiça da União Europeia:

    A Diretiva 80/987/CEE do Conselho, de 20 de Outubro de 1980,

    relativa à aproximação das legislações dos estados-membros

    respeitantes à proteção dos trabalhadores assalariados em caso de

    insolvência do empregador deve ser interpretada no sentido de que

    se aplica a todos os trabalhadores assalariados, com exceção das

    categorias constantes do respectivo anexo, cujos empregadores

    podem, nos termos do direito nacional que lhes é aplicável, ser

    objeto de um processo de satisfação coletiva dos credores à custa

    do seu patrimônio.

    O princípio da uniformidade assegura que as normas comunitárias deverão

    ser aplicadas e interpretadas de forma homogênia pelos estados-membros, devendo

    o Tribunal de Justiça da União Europeia ser o órgão fiscalizador desse princípio

    conforme veremos adiante49.

    46 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. 5. ed. rev. e atual. Bahia:

    JusVM, 2013, p. 1023. 47 EUROPEIA, União e Supranacionalidade. Supranacionalidade. Disponível em:

    . Acesso em: 21 de nov. de 2012. 48 EUROPEIAS, Jornal Oficial das Comunidades. Tribunal de Justiça. Disponível em . Acesso em: 21 de nov. de 2012.

    49 EUROPEIA, União e Supranacionalidade. Supranacionalidade. Disponível em: . Acesso em: 21 de nov. de 2012.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

    53

    Como foi possível observar, os estados-membros da União Europeia

    relativizam sua soberania para que normas comunitárias com efeito vinculante, de

    aplicação direta e imediata sejam inseridas com o objetivo final de que sejam

    priorizadas em detrimento da vontade individual de cada estado.

    4 O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA

    O ordenamento jurídico da União Europeia, conforme visto anteriormente, é

    formado por um sistema composto através do direito originário, direito derivado,

    jurisprudência e princípios gerais do direito.

    Tal ordenamento jurídico mostra-se complexo e o Tribunal de Justiça da

    União Europeia foi criado com a finalidade de dar equilíbrio e cumprimento

    normativo as relações não somente dos estados-membros, mas também das

    relações provenientes das empresas, instituições e cidadãos pertencentes a

    comunidade, zelando sempre pela aplicação dos princípios que regem a

    comunidade50.

    Criado após os Tratados de Roma tinha por objetivo inicial assegurar uma

    interpretação uniforme dos conjuntos normativos comunitários pertencentes à

    Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a Comunidade Econômica Europeia e a

    Comunidade Europeia de Energia Atômica51.

    Ao longo dos anos, o Tribunal de Justiça da União Europeia foi considerado

    o motor do processo de integração em decorrência da proibição do efeito

    equivalente52, do dever dos estados-membros de indenizar os cidadãos pelo não

    cumprimento das normas comunitárias e o estabelecimento do princípio da primazia

    das normas comunitárias sobre o ordenamento jurídico interno dos estados-

    membros53.

    50 SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 971. 51 AMARAL JÚNIOR, Alberto do; RATTON, Michelle. União Europeia. São Paulo: Aduaneiras, 2002, p. 82. 52 O Tribunal de Justiça considera como encargo de efeito equivalente "qualquer direito, quaisquer que sejam a

    sua designação ou a sua técnica, que, incidindo sobre o produto importado com exclusão do produto nacional similar, tem, ao alterar o seu preço, sobre a livre circulação de mercadorias a mesma incidência restritiva que um direito aduaneiro". O Tribunal não se preocupa, portanto, com a natureza ou a forma do encargo, mas apenas com o seu efeito (TJCE 2 e 3/62 de 14/12/62 e 232/78 de 25/09/79). IN: EUROPEU, Parlamento. A Livre Circulação de Mercadorias. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    53 BARRAL, Welber. TRIBUNAIS INTERNACIONAIS – Mecanismos Contemporâneos de Solução de Controvérsias. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004, p. 155.

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    54

    Com o iminente desenvolvimento do direito europeu, o Tratado de Lisboa,

    visando melhor o funcionamento do Tribunal de Justiça da União Europeia, trouxe

    modificações ao órgão criando o Tribunal Geral54.

    O Tribunal Geral atua como um Tribunal de Primeira Instância, sendo que

    cada estado-membro é representado por um juiz nacional, com cargo de seis anos,

    renováveis. Diferentemente do Tribunal de Justiça, o Tribunal Geral não possui

    advogados-gerais permanentes55.

    Este tribunal tem por competência decidir lides envolvendo ação por

    omissão, ação de responsabilidade civil ou ação por responsabilidade

    extracontratual e a ação de anulação, deixando ao Tribunal de Justiça a função do

    duplo grau de jurisdição56.

    O Tribunal de Justiça da União Europeia é composto por um juiz de cada

    estado-membro57. O juiz é eleito por um período de seis anos, de comum acordo,

    pelos governos dos estados-membros, sendo os eleitos, pessoas que ofereçam

    todas as garantias de independência e tenham sua competência reconhecida em

    seu estado para o desempenho de suas funções58.

    Os juízes são assistidos por oito advogados-gerais, sendo os mesmos

    eleitos da mesma forma que os juízes. Caso seja necessário esse número pode ser

    aumentado por solicitação do Tribunal de Justiça junto ao Conselho. Incumbe ao

    advogado-geral apresentar de forma fundamentada conclusões sobre causas que

    requeiram sua intervenção, contudo, tais conclusões possuem caráter vinculante59.

    Segundo o disposto no Regulamento de Procedimento do Tribunal de

    Justiça da União Europeia a manifestação do advogado-geral é necessária, entre

    54 EUROPA. O tribunal de Justiça da União Europeia. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012. 55 CURIA. Tribunal Geral. Disponível em: . Acesso em: 06 de junho

    de 2013. 56 CURIA. Tribunal Geral. Disponível em: . Acesso em: 06 de junho

    de 2013. 57 EUROPEIA, União. Do Tratado da União Europeia e do Tratado que Institui a Comunidade Europeia. Jornal

    Oficial da União Europeia, União Europeia, p. 1-331. 29 dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    58 EUROPEIA, União. Do Tratado da União Europeia e do Tratado que Institui a Comunidade Europeia. Jornal Oficial da União Europeia, União Europeia, p. 1-331. 29 dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    59 EUROPEIA, União. Do Tratado da União Europeia e do Tratado que Institui a Comunidade Europeia. Jornal Oficial da União Europeia, União Europeia, p. 1-331. 29 dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

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    55

    outras, nas seguintes situações: “... regime linguístico de procedimento;

    inadmissibilidade da demanda; acumulação de assuntos; ratificação de sentença;

    condenação em custos que poderiam ser evitados e questões prejudiciais”.

    Sua competência está prevista no Tratado que institui a Comunidade

    Europeia nos artigos 226 a 243, o tratado de Lisboa trouxe ainda a competência do

    tribunal sobre recursos interpostos por um estado-membro, por uma instituição ou

    por pessoas singulares ou coletivas60.

    O papel que desempenha o Tribunal de Justiça da União Europeia interfere

    diretamente na vida do cidadão europeu.

    4.1 O CIDADÃO DA UNIÃO EUROPEIA

    Os instrumentos processuais que garantem aos cidadãos europeus o acesso

    ao Tribunal de Justiça da União Europeia é o objetivo do presente trabalho, para

    tanto, é necessário verificar o conceito de cidadania dentro do direito comunitário

    europeu.

    Anteriormente previsto no tratado que criou a Comunidade Econômica

    Europeia, o conceito de cidadania consistia na possibilidade do cidadão de circular e

    residir livremente em outro país, desde que o mesmo exercesse uma atividade

    econômica61.

    O tratado da União Europeia trouxe alterações a esse conceito,

    possibilitando assim que o cidadão que dispõe de recursos financeiros e cobertura

    social pode circular e residir livremente de um país a outro62.

    Além disso, o tratado da União Europeia estabelece que qualquer cidadão

    que tenha nacionalidade de um estado-membro é considerado cidadão da União, ou

    seja, a ele estão garantidos todos os direitos previstos no tratado, entre eles:

    proteção diplomática e consular de todos os estados-membros caso o país de

    origem do cidadão não tenha representação consular em países terceiros, direito de

    60 EUROPEIA, União. Do Tratado da União Europeia e do Tratado que Institui a Comunidade Europeia. Jornal

    Oficial da União Europeia, União Europeia, p. 1-331. 29 dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    61 EUROPA. Cidadania da União Europeia. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2012.

    62 EUROPA. Cidadania da União Europeia. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2012.

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    56

    eleger e ser eleito tanto no Parlamento Europeu quanto em eleições municipais no

    país que resida, liberdade de circulação e de estabelecimento em todo território da

    União e possibilidade de acesso ao Tribunal de Justiça da União, conforme se verá

    ao longo do texto63.

    O cidadão da União Europeia é aquele que nasceu em qualquer dos

    estados-membros, se naturalizou ou reside em um dos países membros. Tal

    cidadania não exclui, nem substitui a de origem, apenas complementa64.

    Quanto à pessoa humana e o cidadão europeu, afirma Stelges65:

    O respeito aos direitos da pessoa humana na União Europeia é para

    todos: cidadãos comunitários e pessoas não comunitárias. Por isso,

    qualquer individuo poderá recorrer ao Tribunal de Justiça contra atos das

    Instituições do bloco, que considere contrários aos direitos fundamentais,

    dentro da União Europeia.

    Delpérée66, afirma ainda que a cidadania europeia é subsidiaria, ou seja:

    a perspectiva da subsidiariedade se aplica ao domínio das eleições

    municipais, quando permite ao cidadão europeu exercer os seus direitos

    de cidadão municipal no Estado da UE onde ele resida, caso em que será

    admitido a participar das eleições para a renovação dos próprios

    conselhos municipais, fato este que pode ocorrer em Portugal, por

    exemplo, caso em que a cidadania europeia cumprirá uma função

    supletiva.

    Assim são garantidos aos cidadãos europeus direitos civis, políticos, sociais

    e econômicos67.

    Com isso, o processo bem sucedido de integração da União Europeia trouxe

    ao cidadão europeu acesso direto à justiça, ou seja, possibilitou ao cidadão acionar

    diretamente o Tribunal de Justiça que através do controle jurisdicional

    supranacional, garante a proteção de seus direitos68.

    63 EUROPA. Cidadania da União Europeia. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2012. 64 STELGES, Isabela Kathrin. A Cidadania da Uniao Europeia. Belo horizonte: Del Rey, 2002, p. 59. 65 STELGES, Isabela Kathrin. A Cidadania da Uniao Europeia. Belo horizonte: Del Rey, 2002, p. 58. 66 DELPÉRÉE, Francis. La Citoyenneté multiple. In: MIRANDA, Jorge. Perspectivas Constitucionais nos 20

    anos da Constituição de 1976. Coimbra: Coimbra Ed., 1997, p. 154. 67 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público. 7. ed. rev. atual. São Paulo: Revista

    dos Tribunais, 2013, p. 706. 68 PIMENTEL, Luiz Otávio. Direito da Integração: Estudos em homenagem a Werter R. Faria. Curitiba: Juruá,

    2001, p. 214.

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    57

    5 MECANISMOS QUE PERMITEM AO CIDADÃO A BUSCA DA TUTELA

    JURISDICIONAL NA UNIÃO EUROPEIA

    O instituto que possibilita tal acesso é o Direito Geral de Petição, cujas

    espécies serão tratadas ao longo do texto. Ele consiste em dar ao cidadão a

    possibilidade de ingressar junto ao Tribunal de Justiça com uma petição

    questionando a legalidade de ato que atente contra as normas da comunidade. Tal

    petição deve ser escrita somente em português, francês, inglês, sueco, alemão,

    italiano, neerlandês, dinamarquês, finlandês, espanhol, grego e irlandês, ou seja,

    apenas em 12 línguas oficiais69.

    Dentre as formas de ingresso do cidadão que busca impetrar ações cabíveis

    perante o Tribunal de Justiça, destacam-se o Recurso Por Omissão, a Ação de

    Responsabilidade Civil ou Recurso por Responsabilidade Extracontratual, o Recurso

    de Anulação, o Reenvio Prejudicial, e o Recurso Ordinário70.

    O Recurso por Omissão ocorre quando as Instituições do bloco (Comissão,

    Conselho, Parlamento Europeu ou Banco Central Europeu) deixam de proferir ato,

    violando o tratado e acarretando danos ao particular. Tal ato pode se ser uma

    diretiva, regulamento, recomendação, parecer, decisão, entre outros que produzam

    tais efeitos. Nesse caso, é devido ao particular o direito de ingressar com a ação

    perante o Tribunal de Justiça que profere acórdão julgando nulo o ato omissivo da

    instituição71.

    Quanto à omissão lesiva ao particular, excluem-se os atos das diretivas e

    regulamentos, porquanto que o primeiro é destinado somente aos estados-membros

    e o segundo não podem ser dirigidos a um particular, senão a todos72.

    Importante salientar que, ao particular é devido propor primeiramente junto a

    Instituição que lhe causou prejuízo, no prazo de dois meses, o reparo do dano

    causado pela omissão. Assim, se a Instituição permanecer inerte, o particular tem o

    69 STELGES, Isabela Kathrin. A cidadania da União Europeia. p. 52. 70 STELGES, Isabela Kathrin. A cidadania da União Europeia. p. 54. 71 LEAL, Rosemiro Pereira; OLIVEIRA, Allan Helber; FRANÇA, Gustavo Gomes; FILHO, Juventino Gomes

    Miranda. Curso de Direito Econômico: Comunitário. Belo Horizonte: Síntese, 2002, p.178. 72 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001,

    p. 472.

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    58

    prazo de dois meses da solicitação de reparo, para propor ação no Tribunal de

    Justiça73.

    Caso a instituição provocada pela parte a suprir a omissão, julgue válido o

    pedido, admita a omissão, mas insiste em não afastá-la, o mecanismo judicial a ser

    interposto pelo particular será a Ação de Anulação74.

    Ademais, pode também o particular provando a omissão, o dano e o nexo de

    causalidade do ato da Instituição que o lesou, propor junto ao Tribunal de Justiça

    ação de indenização pelos prejuízos sofridos75.

    Proposto o Recurso por Omissão, o Tribunal de Justiça pode declarar

    procedente o recurso, determinando a reparação do dano causado ao particular ou

    julgar o recurso improcedente76.

    A Ação de Responsabilidade Civil ou Recurso por Responsabilidade

    Extracontratual consiste quando no exercício de suas funções, agentes ou as

    Instituições lesam o particulares77.

    Diante da lesão ocorrida, a responsabilidade pela reparação dos danos ao

    particular cabe à comunidade que através do Tribunal de Justiça promove o devido

    ressarcimento ao cidadão lesado78.

    Importante salientar que, nesta modalidade de ação no polo ativo, o autor

    será o particular lesado e o polo passivo será constituído não pelo autor responsável

    quando em exercício de sua função que lesou o particular, mas sim a Instituição,

    devendo esta ser arrolada como ré na ação79.

    O cidadão possui um prazo de cinco anos para propor a ação, contados a

    partir do momento em que foi lesado80.

    Sobre esta ação, nos ensina Maria Teresa de Carcomo Lobo:

    Esta ação constitui uma via processual autônoma, a qual é atribuída uma

    função particular no âmbito do sistema das vias processuais, subordinada

    73 JUNIOR, Alberto do Amaral. Curso de Direito Internacional Público. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013, p. 500. 74 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. p. 473. 75 REIS, Marcio Monteiro. MERCOSUL, União Europeia e a Constituição: A integração dos estados e os

    ordenamentos jurídicos nacionais. Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 166. 76 LOBO, Maria Teresa de Carcomo. Manual de direito comunitário: 50 anos de integração. 3. ed. rev. e atual.

    Curitiba: Juruá, 2007, p. 177. 77 STELGES, Isabela Kathrin. A cidadania da União Europeia. p. 53. 78 LOBO, Maria Teresa de Carcomo. Manual de direito comunitário: 50 anos de integração. p. 175. 79 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. p .478. 80 LOBO, Maria Teresa de Carcomo. Manual de direito comunitário: 50 anos de integração. p. 176.

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    a condições de exercício concebidas em atenção ao seu objetivo

    especifico. Diferencia-se da ação de anulação, na medida em que não

    objetiva a supressão de um ato determinado, mas, a reparação de um

    prejuízo causada pela Instituição. A responsabilidade extracontratual da

    comunidade pressupõe a prova da ilegalidade da atuação comunitária, a

    realidade do prejuízo e o nexo de causalidade entre essa atuação e o

    prejuízo alegado. Quando qualquer destas condições não estiver

    preenchida, o pedido é julgado improcedente em sua totalidade, sem ser

    necessário apreciar eventuais outros pressupostos da referida

    responsabilidade.

    Do trecho ora citado, verifica-se que o critério de admissibilidade para o

    particular intentar com a ação é a necessidade de se demonstrar o nexo de

    causalidade e o dano sofrido pelo cidadão resultante do ato proferido pela Instituição

    comunitária.

    Dito isso, destaca-se, ademais que o nexo de causalidade quando

    inadequado ou indireto leva à comunidade a ter sua responsabilidade reduzida e até

    mesmo isenta de quaisquer obrigações, haja vista a falta de possibilidade legítima

    do pedido interposto pelo particular81.

    Quanto ao dano sofrido pelo cidadão, deve o mesmo provar que a Instituição

    causou-lhe danos emergentes ou que o ato praticado importa a indenização por

    lucros cessantes, mesmo que tais lucros não possam ser mensurados no momento

    em que foi proposta ação, entretanto, para a procedência de tais alegações essa

    prova deve ser concreta82.

    Já sobre a possibilidade dos agentes das Instituições em exercício de função

    praticar atos que afetem os cidadãos, nos ensina José Caramelo Gomes83:

    As regras sobre a responsabilidade extracontratual da comunidade

    aplicam-se também na circunstância da prática de atos ilícitos no exercício

    da atividade normativa das instituições comunitárias, sendo necessário

    para tal que se reúnam três elementos: deve demonstrar a existência de

    uma “violação suficientemente caracterizada de uma norma superior de

    direito que proteja os particulares”, considerando o Tribunal de Justiça que

    as normas superiores de direito que protegem os particulares são os

    princípios gerais da proporcionalidade, respeito dos direitos adquiridos,

    81 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. p.119. 82 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. p.119. 83 GOMES, José Caramelo. Lições de Direito da União Europeia. p.119.

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    60

    não discriminação e confiança legítima; em segundo lugar, o demandante

    deve provar que o comportamento ilegal que causou o dano não é

    desculpável, pelo que o grau de violação exigido pelo Tribunal de Justiça

    implica que o comportamento das Instituições seja “manifesto e grave”e

    em terceiro lugar, o demandante deve provar existir um nexo de

    causalidade entre o prejuízo sofrido e a atividade normativa.

    O Recurso de Anulação é passível contra atos (decisões, regulamentos,

    recomendações e diretivas) que afetem os cidadãos de forma direta, ou seja,

    quando o priva de um direito ou lhe impõem uma obrigação, ou indiretamente,

    quando atingi pessoa diversa, porém seus efeitos o afetam. O prazo para intentar

    com a ação é de dois meses a contar da publicação do ato, da notificação ao autor,

    ou na sua falta, no dia que o autor tiver tomado conhecimento do ato84.

    Nesse sentido, ao particular é necessário preencher um requesito essencial

    para obter o acolhimento e provimento de seu recurso, ou seja, tem o particular que

    provar que o ato proferido pela instituição comunitária o lesou direta e

    individualmente. Por direta e individualmente, entende-se que tal ato não precise ser

    proferido especialmente a um particular, mas sim que cause lesão ao mesmo85.

    Esse recurso tem por objetivo combater ações que visem o desvio de poder,

    incompetência, a violação do tratado ou de qualquer regra de direito relativa à sua

    aplicação e das formalidades essenciais dentro do processo. O Tribunal de Justiça

    tem o poder de anular tais atos, atribuindo a sua decisão efeitos retroativos ou

    estabelecendo o inicio da data a contar86.

    Sobre desvio de poder, nos ensina Marcelo Caetano87 que:

    (...) é o vício que afeta o ato administrativo praticado no exercício de

    poderes discricionários, quando tais poderes hajam sido usados pelo

    órgão competente com fim diverso daquele para que a lei lhe conferiu.

    Quanto à incompetência como vício que enseja o recurso de anulação,

    surge no momento em que a instituição comunitária atua como se outra instituição

    fosse, tornando assim o ato vicioso88.

    84 LEAL, Rosemiro Pereira; OLIVEIRA, Allan Helber; FRANÇA, Gustavo Gomes; FILHO, Juventino Gomes

    Miranda. Curso de Direito Econômico: Comunitário. p.175. 85 CAMPOS, João Mota; CAMPOS, João Luiz Mota. Contencioso Comunitário. Lisboa: Fundação Calouste

    Gulbenkian, 2002, p. 351. 86 REIS, Marcio Monteiro. MERCOSUL, União Europeia e a Constituição: a integração dos estados e os

    ordenamentos jurídicos nacionais. p. 165. 87 CAETANO, Marcelo. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo, 1977, p.176. 88 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. p 456.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

    61

    Atualmente, quando é interposto o Recurso de Anulação, o principal

    fundamento sustentado pelas partes é a violação do tratado ou de qualquer regra de

    direito relativa à sua aplicação. Por isso, entende-se que a instituição comunitária

    agindo de forma ativa ou passiva (omissão) violou o tratado ou outra regra de direito

    relativa à sua aplicação lesando a parte no processo89.

    Por fim a violação de formalidades essenciais ocorre quando há falta de

    fundamentação nas decisões, regulamentos, diretivas e recomendações. Salienta-se

    que tais fundamentações devam ser de modo preciso, ou seja, não reste qualquer

    duvida sobre sua aplicabilidade90.

    Quantos aos efeitos da decisão caso seja acolhida a pretensão do cidadão,

    a decisão possui efeito erga omnes, ou seja, os efeitos não atingem tão somente a

    parte que interpôs o recurso, mas também a todos os demais cidadãos da União

    Europeia. Nesse sentido, caso o Tribunal de Justiça não acolha a pretensão do

    autor, o ato, objeto da ação continuará valido e possuirá efeitos para todos os

    demais91.

    O Tribunal de Justiça pode julgar a ação procedente e nesse caso o ato que

    prejudicou o cidadão deverá ser anulado. Além disso, o Tribunal de Justiça pode

    julgar a ação improcedente se entender que o ato praticado não lesou direta ou

    indiretamente o cidadão ou pode julgar a ação parcialmente procedente, neste caso,

    parte do ato será anulado92.

    Quanto ao acórdão que anula o ato que prejudicou o cidadão, seus efeitos

    são erga omnes, ou seja, para todos, trazendo assim segurança jurídica ao

    ordenamento jurídico comunitário da União Europeia. Já o acórdão que julga

    improcedente a ação pleiteada pelo particular, tem caráter declaratório apenas para

    o vício alegado pela parte, não impedindo, porém que a parte demonstre outros

    vícios a serem julgados pelo Tribunal de Justiça93.

    89 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. p. 456. 90 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. p. 457. 91 VIDEIRA, Franscisco S. Direito Processual da Concorrência: na Comunidade Econômica Europeia e em

    Portugal. Coimbra: Coimbra, 1992, p.147. 92 LOBO, Maria Teresa de Carcomo. Manual de direito comunitário: 50 anos de integração. p. 174. 93 CAMPOS, João Mota; CAMPOS, João Luiz Mota. Contencioso Comunitário. p.397.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    O Reenvio Prejudicial conceitua-se como a cooperação entre os juízes

    nacionais dos estados membros da União Europeia e o Tribunal de Justiça quando

    consultado sobre a correta validade e interpretação das normas comunitárias94.

    O juiz nacional tem total autonomia para aplicar e interpretar a norma

    comunitária ao caso concreto. Contudo tal aplicação e interpretação por vezes pode

    se tornar árdua ao magistrado na medida em que o direito comunitário é um direito

    complexo, sendo assim instituiu-se o reenvio prejudicial como mecanismo de

    cooperação do juiz nacional ao Tribunal de Justiça para buscar a interpretação e

    aplicação correta da norma comunitária95.

    Nesse sentido, se o juiz nacional aplicar a norma comunitária e tiver certeza

    da sua interpretação, fica dispensado a ele o mecanismo do reenvio prejudicial,

    porém se o mesmo tiver qualquer dificuldade sobre a interpretação e aplicação da

    norma, fica obrigado a utilizar o mecanismo de reenvio prejudicial ao Tribunal de

    Justiça96.

    Tal mecanismo caracteriza-se como uma forma indireta do cidadão ao

    acesso do Tribunal de Justiça, sendo assim, o juiz nacional diante de uma questão

    interpretativa das normas do direito comunitário, remete os autos ao Tribunal de

    Justiça especificando a duvida, que por sua vez, dará a devida interpretação da

    norma97.

    Tal decisão possui caráter vinculante para o órgão que a formulou e

    somente os organismos jurisdicionais dos países membros da União Europeia

    possuem legitimidade para utilizar tal instituto98.

    O reenvio prejudicial possui efeito suspensivo ao processo. Portanto, as

    partes devem esperar que o Tribunal de Justiça diante de uma questão incidental, se

    posicione a cerca da validade e interpretação da norma comunitária ao caso

    concreto99.

    94 LEWANDOWSKY, Enrique Ricardo. Direito Comunitário e Jurisdição Supranacional. O papel do juiz no

    processo de integração regional. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2000, p. 129. 95 CAMPOS, João Mota; CAMPOS, João Luiz Mota. Contencioso Comunitário. p.117. 96 CAMPOS, João Mota; CAMPOS, João Luiz Mota. Contencioso Comunitário. p.147. 97 CASELLA, Paulo Borba; LIQUIDATO, Vera Lúcia Viegas. Direito da Integração. São Paulo: Quartier Latin do

    Brasil, 2006, p.440. 98 LEWANDOWSKY, Enrique Ricardo. Direito Comunitário e Jurisdição Supranacional. O papel do juiz no

    processo de integração regional. p. 130. 99 LEWANDOWSKY, Enrique Ricardo. Direito Comunitário e Jurisdição Supranacional. O papel do juiz no

    processo de integração regional. p. 132.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    O juiz nacional pode de oficio ou a requerimento das partes instaurar o

    reenvio prejudicial. Instaurado o reenvio prejudicial, em qualquer das hipóteses

    citadas, as partes são notificadas e tem um prazo de dois meses para apresentar ao

    Tribunal de Justiça quaisquer alegações ou observações escritas diante da questão

    incidente no processo100.

    Não há prazo para o juiz nacional utilizar tal mecanismo, sendo assim, no

    momento em que surgir ao magistrado dificuldade sobre a interpretação devida a

    norma comunitária, deve ele requerer a cooperação do Tribunal de Justiça101.

    Importante ressaltar que para as partes são facultadas apenas observações

    quanto à questão a ser interpretada pelo Tribunal de Justiça, que por sua vez, não

    aprecia matéria diversa daquela apresentada pelo juiz nacional102.

    Sobre o término das observações propostas pelas partes, José Carlos

    Moitinho de Almeida103 nos ensina que:

    Terminado o prazo para a apresentação das observações escritas, o juiz

    relator elabora o relatório prévio onde propõe ao Tribunal a atribuição do

    processo a uma seção (de três ou cinco juízes) ou a uma composição

    plenária em função da complexidade das questões suscitadas ou da

    verificação de determinadas circunstancias.

    Há duas hipóteses em que o reenvio prejudicial pode ser dispensado pelos

    juízes nacionais dos estados membros: nos casos em que a jurisprudência esta

    consolidada diante de um caso concreto e quando não há duvidas sobre a

    interpretação e validade da norma comunitária discutida nos autos104.

    A redação do reenvio prejudicial é feita na língua do país de origem, sendo

    assim o juiz nacional, encaminha ao Tribunal de Justiça os motivos ao qual solicita

    sua apreciação, bem como um resumo de todo o processo. O Tribunal de Justiça,

    por sua vez, ao julgar o caso, pronuncia-se através de acórdão, tendo o mesmo

    natureza declaratória105.

    100 LOBO, Maria Teresa de Carcomo. Manual de direito comunitário: 50 anos de integração. p. 191. 101 CAMPOS, João Mota; CAMPOS, João Luiz Mota. Contencioso Comunitário. p.171. 102 CAMPOS, João Mota; CAMPOS, João Luiz Mota. Contencioso Comunitário. p.163. 103 ALMEIDA, José Carlos Moitinho. O Reenvio Prejudicial Perante o Tribunal de Justiça Das Comunidades

    Europeias. Coimbra: Almedina Coimbra, 1992, p. 66. 104 LEWANDOWSKY, Enrique Ricardo. Direito Comunitário e Jurisdição Supranacional. O papel do juiz no

    processo de integração regional. p. 132. 105 LEWANDOWSKY, Enrique Ricardo. Direito Comunitário e Jurisdição Supranacional. O papel do juiz no

    processo de integração regional. p. 134.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    O acórdão pode ter natureza interpretativa ou dispor sobre a validade da

    norma comunitária. Ele é interpretativo quando o Tribunal de Justiça dá luz à

    obscuridade presente na norma aplicável ao caso concreto. Por sua vez, o acórdão

    dispõe sobre a validade da norma comunitária quando versa sobre a validade ou

    invalidade do ato comunitário proferido pela instituição106.

    Ressalta-se ainda, que proferido acórdão interpretativo, tem esse

    legitimidade para afastar a obscuridade sobre todos os demais processos em que

    restou dúvida sobre a devida aplicação da norma apreciada. Além disso, o acórdão

    que resolveu questão sobre a validade da norma, quando levado ao juiz de primeira

    instância, não pode esse modificá-lo107.

    Nesses termos, restou evidenciado que o reenvio prejudicial trouxe ao

    Tribunal de Justiça a interpretação do direito comunitário com o objetivo de instaurar

    a ordem jurídica no sistema comunitário europeu, eliminando toda e qualquer duvida

    dos juízes nacionais sobre a norma comunitária108.

    Por fim, o Recurso Ordinário é o recurso que o particular tem contra

    decisões proferidas pelo Tribunal de Primeira Instância. Vale destacar que o Tribunal

    nesse caso somente julgará questões jurídico-administrativas109.

    Esse recurso tem por finalidade garantir o duplo grau de jurisdição. A

    decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia só alcança os assuntos

    interpostos no recurso110.

    O cidadão que provar que a decisão de Primeira Instância o prejudicou

    diretamente tem legitimidade ativa para interpor o Recurso Ordinário111.

    O Tribunal de Justiça se entender pertinente os fatos e fundamentos

    alegados pelo particular, julgará procedente o recurso anulando a decisão do juízo

    de Primeira Instância112.

    106 CAMPOS, João Mota. Manual de Direito Comunitário. p. 424. 107 NETO, José Cretella. Teoria Geral das organizações internacionais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p .

    209. 108 RAMOS, Rui Manuel Moura. Das Comunidades à União Europeia: estudos de direito comunitário. Coimbra:

    Coimbra, 1994, p. 230. 109 STELGES, Isabela Kathrin. A Cidadania da União Europeia. p. 52. 110 JURÍDICA, Revista. Mecanismos Processuais da União Europeia: um paradigma para o MERCOSUL.

    Disponível em: . Acesso em: 20 de maio de 2013.

    111 JURÍDICA, Revista. Mecanismos Processuais da União Europeia: um paradigma para o MERCOSUL. Disponível em: . Acesso em: 20 de maio de 2013.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    Cumpre destacar alguns dos processos mais famosos dentro do período de

    vigência do Tribunal de Justiça que contribuiu para solidificar as normas da

    comunidade europeia, são eles:

    Em 1976, o Acórdão Difrenne, foi substancial ao tocar no ponto de

    discriminação entre os sexos, em que uma hospede de bordo entrou com uma ação

    contra sua entidade patronal em razão de receber menos que os mesmos

    trabalhadores do sexo masculino. O Tribunal de Justiça se manifestou a favor da

    parte autora com base no princípio de igualdade entre os trabalhadores do sexo

    masculino e feminino113.

    Em 1979, o acórdão Cassis de Dijon, trouxe a tona o princípio da livre

    circulação de mercadoria, em que o comerciante europeu pode importar para seu

    país qualquer produto de outro estado-membro sem o pagamento de impostos,

    desde que o produto tenha sido legalmente produzido e comercializado114.

    Em 1989, o Acórdão Cowan, deu a um turista britânico agredido na França

    os mesmos direitos indenizatórios que possuíam os franceses115.

    No âmbito futebolístico o Acórdão Bosman, de 1995, ganhou as manchetes

    do mundo todo ao garantir a livre circulação de trabalhadores. Um órgão jurisdicional

    belga consultou o Tribunal de Justiça sobre a compatibilidade de disposições

    adotadas por confederações de futebol frente a livre circulação dos trabalhadores.

    No acórdão o tribunal reconhecendo o caráter profissional do futebol, se manifestou

    contrariamente as confederações que limitavam o número de jogadores nacionais de

    outros estados-membros nos clubes europeus, impedindo assim, a livre circulação

    do cidadão europeu116.

    112 JURÍDICA, Revista. Mecanismos Processuais da União Europeia: um paradigma para o MERCOSUL.

    Disponível em: . Acesso em: 20 de maio de 2013.

    113 CURIA. Princípio da Igualdade no Direito Comunitário Europeu. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    114 CURIA. Princípio da Livre Circulação de Mercadorias no Direito Comunitário Europeu. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    115 CURIA. Princípio da Igualdade no Direito Comunitário Europeu. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

    116 CURIA. Princípio da Livre Circulação do Cidadão Europeu. Disponível em: . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

    66

    O Acórdão Zhu e Chen, de 2004, garantiu a um menor, com reconhecida

    cidadania europeia, o direito de residir em outro estado-membro, desde que

    disponha de recursos suficientes para o mesmo117.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Pelo trabalho exposto verifica-se que ao completar mais de meio século de

    existência, a União Europeia não mede esforços para concretizar seu objetivo de

    cooperação econômica e integração entre os estados-membros, buscando-se

    promover a paz, a estabilidade e o equilíbrio entre os povos e a garantir aos

    cidadãos pertencentes ao bloco uma melhor qualidade de vida.

    O conceito de cidadania da União Europeia criou uma identidade entre os

    povos dos países membros, permitindo a todos os seus cidadãos, sejam aqueles

    que nascerem dentro do território, sejam aqueles que se naturalizaram ou residem

    em um dos países membros os mesmos direitos e deveres.

    Dentro do ordenamento jurídico originário e derivado, a União Europeia criou

    diferentes atos legislativos vistos no texto, tais como os Regulamentos, as Diretivas,

    as Decisões e as Recomendações que complementam seus tratados e tem por

    finalidade garantir ao cidadão europeu uma melhor qualidade de vida.

    Além dos atos legislativos, muito embora não haja previsão expressa no

    ordenamento jurídico da União Europeia, a Supranacionalidade tem um papel

    fundamental, pois em função dela, os países-membros limitaram sua soberania para

    alcançar o bem comum a todos os cidadãos e assim concretizar os objetivos

    presentes no tratado.

    Com a finalidade de assegurar a devida interpretação das normas

    comunitárias, foi criado o Tribunal de Justiça da União Europeia.

    A União Europeia deu ao Tribunal de Justiça um papel preponderante, seja

    como órgão que zela pelas normas dos tratados ou como um canal direto com os

    cidadãos europeus a fim de conhecer seus anseios e garantir de maneira efetiva os

    direitos e garantias constitucionais dos cidadãos, destinatários finais do processo de

    integração.

    117 CURIA. Princípio do Livre Estabelecimento do Cidadão Europeu. Disponível em:

    . Acesso em: 23 de nov. de 2012.

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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    Ao longo dos anos, o Tribunal de Justiça da União Europeia foi considerado

    o motor do processo de integração em decorrência da proibição do efeito

    equivalente, do dever dos estados-membros de indenizar os cidadãos pelo não

    cumprimento das normas comunitárias e o estabelecimento do princípio da primazia

    das normas comunitárias sobre o ordenamento jurídico interno dos estados-

    membros.

    Os mecanismos jurisdicionais garantem ao cidadão europeu que teve seus

    direitos violados ou restringidos o direito de reclamar ao Tribunal de Justiça da União

    Europeia.

    O Recurso por Omissão garante ao cidadão europeu lesado por instituição

    que por ato omisso o lesou acesso ao Tribunal de Justiça.

    A Ação por Responsabilidade Civil ou o Recurso por Responsabilidade

    Extracontratual garante ao cidadão que foi lesado por funcionário de instituições em

    exercício do cargo a devida reparação pelo dano causado.

    Quando atos legislativos afetem os cidadãos direta ou indiretamente o

    mecanismo jurisdicional adequado é a Ação de Anulação.

    O Recurso Ordinário garante ao cidadão reclamar das sentenças proferidas

    no Tribunal de Primeira Instancia que o prejudiquem diretamente, caracterizando

    assim, o duplo grau de jurisdição.

    Por fim, o Reenvio Prejudicial é uma forma indireta de acesso do cidadão ao

    Tribunal de Justiça, pois necessita ele que o juiz nacional o faça de oficio ou acate a

    sua solicitação quando restar dúvidas sobre a norma comunitária.

    Tal instituto traz segurança jurídica ao ordenamento comunitário, pois

    elucida o magistrado nacional sobre toda e qualquer duvida sobre o direito a ser

    aplicável.

    Por fim, destaca-se que a União Europeia ao longo de sua existência busca

    ter um ordenamento jurídico seguro e uniforme. Para tanto, ela disponibiliza ao

    cidadão que se sinta lesado por ato de determinada Instituição da comunidade ou ter

    seus direitos restringidos, o acesso ao Tribunal de Justiça, que atua segundo os

    princípios que norteiam o tratado e aplica a norma comunitária visando o bem

    comum de todos.

    REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS

  • DUARTE, André Rebechi; CHEREM, Giselda da Silveira. Acesso do Cidadão ao Tribunal de Justiça da União Européia.. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 43-71, 1º Trimestre de 2014. Disponível em: www.univali.br/ricc - ISSN 2236-5044.

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