Analise da questão agraria

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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHOCOLGIO UNIVERSITRIO COLUN CURSO TCNICO EM MEIO AMBIENTEDISCIPLINA: ANALISE DO ESPAO RURAL E URBANOPROF. CLAUDIO DE SOUSA MENDONA ROOSEVELT FERREIRA ABRANTESSO LUS2012
  2. 2. ROOSEVELT FERREIRA ABRANTESQuesto agrria, lutas de classes e polticas pblicas no campo. Trabalho apresentado disciplina de Analise do Espao Rural e Urbano Aplicada do segundo modulo, ministrada pelo Prof. Claudio de Sousa Mendona para obteno de nota. SO LUS 2012
  3. 3. SUMARIOIntroduo......................................................................................................................02A Questo Agrria no Brasil..........................................................................................05O Inicio do Latifndio no Brasil......................................................................................05A Questo Agrria, Lutas de Classes e polticas Publicas no Campo..........................06O Capitalismo Contemporneo.....................................................................................06As Lutas de Classes no Brasil.......................................................................................07A Questo Agrria e o Estado.......................................................................................09A Questo da Expropriao do Campesinato...............................................................15A Questo Indgena no Brasil.......................................................................................16A Questo Quilombola no Brasil...................................................................................20A Questo dos Sem Terra no Brasil..............................................................................21Polticas Publicas no Campo.........................................................................................22Consideraes Finais ...................................................................................................24Referencias Bibliogrficas ............................................................................................25 3
  4. 4. INTRODUO A anlise das estruturas da sociedade brasileira pode ser facilmente observadaatravs de uma reviso bibliogrfica e de um estudo histrico, o qual enfoca a formao dolatifndio no pas e as transformaes ocorridas em suas fundaes, e traa os seguintesobjetivos: o primeiro demonstrar que a classe dominante no pas se faz valer de diversosdispositivos inseridos nas instituies do Estado para dominar a populao, tais como odireito positivo e a igreja, e desnudar o processo de enfrentamento entre a classe ruralistae os interesses dos trabalhadores.Dentro desta dinmica de choque entre as classes surgir a figura do campesinocomo o possvel agente autnomo para viabilizar a criao de uma nova realidade social.Na concepo ideolgica de proletariado, a classe campesina o elemento-chave paragerar a crtica da ordem no pas e possibilitar sua transformao, pois manteve suaconjuntura interna praticamente inalterada ao longo dos sculos, sofrendo influncias bemmenores do capitalismo que os trabalhadores da cidade. necessrio, porm, elucidar os motivos pelos quais o campesinato ainda noobteve o seu conhecimento pleno de classe, a fim de possibilitar uma viso mais ampladas relaes intersubjetivas no campo e fornecer bases para resolver a contradio entrecapitalismo e feudalismo existente no Brasil.Atravs do paradigma da questo agrria, analisa-se os fatores ligados este apartir de dois territrios distintos: o campesinato e o latifndio e agronegcio. Latifndio eagronegcio so compreendidos no trabalho como um nico territrio, pois suas aes socoordenadas e cooperadas na concorrncia com o campesinato. Esses dois territrios, ocampesinato e o latifndio e agronegcio, apresentam dois diferentes modelos dedesenvolvimento para o campo e se confrontam no processo de territorializao-desteritorializao-reterritorializao. Tomamos o conflito e o desenvolvimento comoprocessos indissociveis e indispensveis ao entendimento da questo agrria.Em relao a questo agrria brasileira, indispensvel considerar latifndio eagronegcio como componentes de um mesmo territrio, pois, apesar de serem distintos,atuam conjuntamente no campo brasileiro no agravamento dos problemas agrrios: umexclui pela improdutividade; o outro, pela superproduo. Latifndio e agronegcio agemde forma cooperada. principalmente na fronteira agropecuria brasileira que a parceriaentre latifndio e agronegcio mais evidente: o latifndio precede o agronegcio, umaprtica substituda pela outra, ambas fazendo frente ao campesinato.Palavras chave: Latifndio, enfrentamento de classes, classe campesina.4
  5. 5. A Questo Agrria no BrasilO Inicio do Latifndio no BrasilDada a ineficincia em combater a rapinagem e assegurar a posse na sua maiorcolnia atravs de simples expedies martimas, Portugal decidiu lanar a 20 denovembro de 1530, atravs de trs cartas rgias pelas quais a Metrpole conferia amplospoderes a Martin Afonso de Souza, as bases de uma nova poltica econmica a serdesenvolvida no Brasil, calcada na instituio da sesmaria, a primeira forma assumida pelolatifndio brasileiro.Para impedir o surgimento de uma classe com interesses distintos dos anseiosmetropolitanos, atrelar o desenvolvimento da colnia ao atendimento do mercado mundiale coibir a existncia de um mercado interno que viabilizasse a acumulao de capital,Portugal interveio no desenvolvimento natural da economia brasileira, impedindo que seucomrcio interno incorporasse a caracterstica essencial do modo-de-produo capitalista:a existncia do lucro sobre o produto permutado. Como reflexo dos obstculos impostosao florescimento brasileiro, a sociedade colonial ganhou uma forma tipicamentenobilirquica. Essa estrutura de desenvolvimento, a qual se assemelha muito aofeudalismo, dar ao senhorio colonial um imenso poder extra-econmico.Tudo isso dar um carter tipicamente pr-capitalista aos primeiros sculos daeconomia brasileira. Em sntese, antes de comear a anlise crtica do desenvolvimentobrasileiro interessante refutar a teoria do capitalismo colonial, exposta por inmerosautores que, atravs de uma viso reacionria tentam consolidar na mentalidade popular aidia de um capitalismo inerente ao desenvolvimento do Brasil. Tal proposio, se admitidacomo verdadeira, daria economia do pas um carter evolucionista, o qual excluiriaqualquer necessidade de se implementarem reformas de bases no pas.A implantao do regime de sesmarias em Portugal foi uma tentativa de salvar aagricultura em decadncia. Com a expanso do capitalismo na Europa enormes extensesde terras comearam a ser abandonadas, em decorrncia do efeito migratrio direcionadoaos centros urbanos em ascenso. Promulgou-se no ano de 1500 uma nova legislaoagrria, a qual estabelecia penas aos proprietrios que no mantivessem suas terrascultivadas. Caso no voltassem a produzir aps sofrerem a primeira sano, perdiam odomnio por completo e sua gleba poderia ser cultivada por outro cidado quedemonstrasse interesse de assim proceder.O regime de sesmarias veio para o Brasil junto com o projeto de colonizao.Entretanto, a perfeita sincronia entre os interesses polticos e agrrios fez com que afiscalizao de como eram cultivadas as glebas fosse praticamente inexistente. Adeturpao do sentido original que concebeu a sesmaria acabou engendrando umapoltica de concesso de vastas extenses de terras para alguns poucos detentores deriqueza e ttulos de nobreza existentes na colnia. Assim foi introduzida a figura do latifndio no Brasil: uma estrutura que possibilita aascenso de uma classe com interesses distintos do resto da populao e com domnioabsoluto sobre as pessoas e as coisas. Esse grupo dominante - em troca dos benefciosoutorgados pela metrpole - alia-se aos interesses externos e garante o desenvolvimentodependente da colnia, excluindo a maioria das pessoas do acesso a terra. Os dois principais tipos de latifndio existentes no Brasil-Colnia so o engenhoaucareiro e a fazenda. O acar representar a primeira grande atividade econmica dopas, sendo cultivado em toda a faixa litornea do territrio. Graas ao enorme mercadoconsumidor existente na Europa e ao lucro extra que era obtido com o trfico de escravosafricanos os quais supriam a demanda por mo-de-obra a metrpole lusitana concedeugrandes incentivos para a expanso do engenho. J a fazenda, que no constitua umaatividade mercantil, teve o seu florescimento relegado apenas quelas zonas nas quais a5
  6. 6. agricultura exportadora no era passvel de ser implementada. Apesar de constituir umpequeno germe capitalista dentro da economia colonial, a fazenda ir introduzir asprimeiras contradies dentro do sistema feudal-escravista da sociedade aucareira. nafazenda que asseverar-se-o as primeiras formas de trabalho livre - baseado na mo-de-obra do nativo - e as primeiras subdivises da sesmaria, de modo que o acesso a terrapara homens menos opulentos ser viabilizado.Questo Agrria, Lutas de Classes e Polticas Pblicas no Campo. Segundo Virginia Maria Gomes de Mattos Fontes Doutorado em Filosofia Polticapela Universit de Paris Nanterreas as relaes sociais que agravam a questo agrria noBrasil e no Mundo, e que explicam as lutas de classes, bem como a importncia daspolticas pblicas inseridas no campo podem ser explicitadas atravs de trs fatoresbastante complexos, mas fundamental para o entendimento das relaes poltico-social: oprimeiro tem a sua origem no capitalismo contemporneo, o segundo esta exposta atravsdas lutas de classes, e a ultima na questo agrria e no Estado. Assuntos sobre os quaisdecorreremos nos prximos tpicos.O Capitalismo Contemporneo O capitalismo contemporneo um processo de globalizao que proporcionaramudanas no mundo do consumo mediante estratgias que reorganizam as formas deacesso a uma diversidade crescente de produtos atravs da extenso do crdito e damaterializao de equipamentos urbanos articulados atravs de redes constitudas emtorno de centros de interesse que unem foras especfica