Reforma agraria

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Text of Reforma agraria

  • 1. Pagina 83 item 7.3 pagina 1197.3. Reforma Agrria na Europa Tambm, na Europa, a reforma agrria est relacionada simultaneamente, s lutas e s revoltas camponesas. Portanto, constitui-se, em aes de governos visando modificar a estrutura agrria de regies ou pases. Ela surgiu principalmente, nos pases com grande concentrao da propriedade privada da terra empoucas mos, e uma grande massa de camponeses sem terra ou com pouca terra. Nesses pases, a reforma agrriafoi um instrumento poltico dos governosparafrearemmovimentosrevolucionrioscujoobjetivoeraarevoluosocialista. Por isso, muitos governos passaram a incluir em seus planos de desenvolvimento econmicos aimplantao de projetos de reforma agrria para tentar anteciparem-se s revolues. Muitos foram os pases queexperimentaram total ou parcialmente, projetos de reforma agrria em seus territrios. Na Itlia por exemplo, no incio do sculo XX, dominava a concentrao das terras nas grandespropriedades. Estes latifndios praticavam uma agricultura extensiva. Os camponeses sem terra tinham querecorrer parceria, ou ento, trabalhar como assalariado nas grandes propriedades. A presso social cresceu e o Estado,em 1923, iniciou o processo de reforma agrria. Atravs de um decreto de nmero 215, os proprietrios passaram a serobrigados a introduzir melhorias para elevaraprodutividadeeovalordocampo,emcertasregiespreviamentedelimitadas. (MENDONA LIMA, 1975:61) Entretanto, no havia a possibilidade da redistribuio de terras, poiss ocorria a possibilidade da desapropriao quando os seus proprietrios no resolvessem a questo da produtividade,segundos os programas governamentais de desenvolvimento regional. Este incio da reforma agrria alterou de forma significativa a concentrao da terra e com a SegundaGuerra o quadro aprofundou-se pois, os grandes proprietrios de terras apoiaram o fascismo recebendo em trocafora e proteo. Com a derrubada do facismo de Mussolini, os camponeses sem terra pasaaram a exigir o confiscodas terras e sua distribuio. por esta razo, (...) que todos os partidos polticos, a partir de 1943. inscreveram em seus programasprojetos de Reforma Agrria. Como conseqncia imediata da Constituio de 1o de janeiro de 1948, foramestabelecidas as bases de profundas reformas da estrutura social e entre elas a redistribuio da propriedadeda

2. terra. (MENDONA LIMA, 1975:62)A propriedade privada da terra foi reconhecida pela Constituio de 1948, porm, condicionada ao carter defuno social. Coube ao artigo 44 definir a funo social da terra: Com o objetivo de assegurar a utilizao racional da terra e estabelecer as condies sociais equitativas, a leiimpor restries e obrigaes propriedade rstica privada, fixar os limites de sua extenso segundo as regiese as zonas rurais, valorizar a terra, promover a transformao dos grandes domnios e a reconstruo dasunidades de produo e ajudar a pequena e mdia propriedades." (MENDONA LIMA, 1975:62) Assim, a reforma Agrria italiana passou a ser caracterizada da seguinte forma: no estabeleceu regrasgerais para todo o pas;diversificou os modos e meios da redistribuio da propriedade territorial, pois divide o pas em regies e asdota do poder de ditar normas com fora de lei em matria de agricultura, fundando-se na diversidade agrriade regio a regio, -isto , a estrutura social, da extenso das propriedades, dos tipos de culturas, dasformas de contratos de explorao da terra, etc. (...) Com fundamento na Constituio, forampromulgadas na Itlia, trs leis agrrias de aplicao regional: a de nmero 250, de 12 de maio de 1950,conhecida como lei Sila e destinada Calbria; a de nmero 104, de 27 de dezembro de 1950, para Siclia e a denmero 884, de 21 de outubro de 1950 chamada Lei de Transao (Stralcio) de carter nacional, mas saplicvel em alguns territrios onde predominavam as grandes propriedades (latifndio) mal equipadas, comnumerosa populao agrcola e onde, de uma maneira geral, a agitao dos camponeses era mais intensa.(MENDONA LIMA, 1975:62) Tambm na Itlia, muitas grandes propriedades escaparam da reforma agrria, pois, se tratavam deterras consideradas pela lei como bem exploradas, e no se enquadravam nas caractersticas de serem extensesestreis ou terras incultas,ficandoassim,areforma"essenziatequalitprodutiva"(LARANJEIRA,agrriarestrita1983:169).Asaoconceitoindenizaesda pelasdesapropriaes, pela legislao vigente foram pagasem ttulos da dvida pblica, resgatveis em 25 anos, com juros de 25% ao ano. As terras desapropriadas foram distribudas ao camponeses sem terra ou com pouca terra. A reforma agrriadividiu as terras em lotes de 7 a 16 hectares. Estes lotes foram vendidos aos camponeses por um preo que nopodia ser superior a dois teros do preo de mercado, pagveis em 30 anos, com juros de 3,5% ao ano. 3. SegundoRafael Augusto de Mendona Lima,o beneficirio de um lote o recebe mediante a condio de um perodo probatrio e, se o cultiva eficientemente,poder adquirir a propriedade, quando terminar de pagar o preo, mas a sua propriedade ser do rgoencarregado da redistribuio das terras (sistema semelhante ao de aforamento). Em caso de morte, somente osdescendentes em linha direta tm o direito sucesso, se preencherem os requisitos legais para receberemterras mediante a distribuio da reforma agrria. (MENDONA LIMA, 1975:63) Dessa forma, a reforma agrria na Itlia, foi uma resposta da Democracia Crist em 1952, com o objetivode reduzir a influncia do Partido Comunista no campo. Ela em suma, foi feita apenas em reas para diminuiras tenses sociais, e simultaneamente realizava-se no pas o aceleramento da industrializao, a partir doque a agricultura foi perdendo sua importncia social relativa. (SANZ-PATOR, 1988) A Espanha tambm possuia uma estrutura fundiria baseada no latidndio. A reforma agrria comeou aser esboada em 1932, em cumprimento ao que rezava o artigo 47 da Constituio Republicana: La Repblica, dispuso, proteger al campesino y a este fin legislar otrasmaterias, sobre elpatrimnio familiar enembargable y exento de toda clase de impuestos, crdito agrcola, indemnizacin por prdida decosechas, cooperativas de produccin y consumo, cajas de previsn, escuelasprcticas de agrocultura ygranjas de experimentacionagropecuaria, obras y vias de comunicacin. Em setembro de 1932 foi promulgadauma lei de reforma agrria, com os seguintes propsitos: solucionar o problema do abandono da terra peloscampesinos, assentando-os na terra; dividir e redistribuir a terra, expropriando as grandes propriedades (mais de300 hectares) e tomando providncias contra as que so utilizadas para renda e contra as que tmproprietrios ausentes; e racionalizar o cultivo da propriedade. (MENDONA LIMA, 1975:60) Como conseqncia da lei foi institudo o Instituto de Reforma Agrria que responsvel pelasdesapropriaes das terras necessrias reforma agrria e destin-las aos camponeses sem terra. Tambm na Espanha,a legislao retirou das terras passveis de serem desapropriadas, as terras consideradas produtivas e as propriedadescomunais. A deciso sobre a forma de propriedade nos assentamentos da reforma agrria era dos camponesesassentados que decidiam 4. emassemblia,seelasdeveriamserloteadasoucultivadascoletivamente.(MENDONA LIMA, 1975:60) Com a ditadura franquista, a reforma agrria foi abortada e os projetos suspensos. Atravs de vrias leis,particularmente, a de 18 de outubro e 20 de dezembro de 1939, a questo agrria passou a ser tratada na perspectiva dacolonizao interior. O Instituto de Reforma Agrria foi transformado em Instituto Nacional de Colonizao, quepassou a cuidar da distribuio da terra aos camponeses. Essa distribuio somente ocorreu nas reas irrigadasonde cerca de 20 mil famlias de camponeses foram assentadas. Em 1971, foi criado o Instituto de Reforma eDesenvolvimento Agrrio, que passou a cuidar da reforma agrria no pas. Um conjunto de medidas foramprogramadas para serem executadas e envolviam: um nova lei de arrendamentos; concentrao das pequenasparcelas e nova ordenao territorial; explorao comunitrias nas terras irrigadas; criao das sociedadesagrcolas familiares; agricultura em grupo; concentrao voluntria das parcelas; melhoramento daspropriedades; instalao de jovens agricultores; formao de cooperativas para utilizao do maquinrioagrcola; fiscalizao dos latifndios; cumprimento da legislao pelo Estado. (SANZ-PATOR, 1988) Em Portugal, depois da queda do regime salazarista, teve incio a reforma agrria, com a ocupaoespontnea de terras pelos camponeses sem terra incentivados por grupos de extrema esquerda. Inclusive,provocados por estas aes, chegou a ocorrer levantes de camponeses contra o poder comunista nas zonas deminifndio. Antes da revoluo, a concentrao de terras em latifndios, ao Sul do Tejo era controlada em mais dametade por cerca de 1,1 % dos donos de terras no pas. (SANZ-PATOR, 1988:50) Com a eleio do socialista Mrio Soares, as terras ocupadas passaram a ser desocupadas, com o governocomprometendo-se implantar a lei da reforma agrria. Segundo Decreto-lei nmero 406-A75, passaram a serexpropriadas as terras que superemumadeterminadapontuao(50.000pontos),sendoquenosoexpropriveis as propriedades menores de 30 hectares. (SANZ-PATOR, 1988:50) Assim, passou a ocorreratritos entre os proprietrios e os sindicatos agrcolas controlados por comunistas, que procuravam conseguirimplantar unidades coletivas nas reas reformadas. A reforma agrria caminhou com as terras sendogradativamente entregues aos camponeses. 5. A Frana embora, fosse o pas que primeiro realizou a distribuio de terras aos camponeses,tambm, por fora das transformaes ocorridas na estrutura agrria do pas, implantou uma legislao em1960, 1961 e 1962 visando proibir a diviso da terra, promover as exploraes agrcolas do tipo familiarcamponesa, e formao de unidades produtivas resguardando seus tamanhos mximos e mnimos. A SAFER -Sociedade para Aproveitamento das Fazendas e para o Desenvolvimento Rural passou a promover a remoo dominifndio, atravs do reagrupamento, concentrao e re-loteamento de reas. Seu objetivo fundamental fazera revenda a membros da fam