Busca e Salvamento

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  • 7/30/2019 Busca e Salvamento

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    Sumrio

    1. Introduo

    2. Incndios urbanos e industriais

    3. Espaos confinados

    4. Salvamento de vtimas

    5. Regras de segurana

    6. Glossrio

    Siglas

    APS Alarme Pessoal de Segurana

    TO Teatro de Operaes

    SBV Suporte Bsico de vida

    COS Comandante das Operaes de Socorro

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    1 Introduo

    O salvamento de vitimas em perigo constitui um dos principais objectivos da aco dosbombeiros, pelo que deve ser visto como uma tarefa prioritria a ser levada a cabo em qualquerteatro de operaes (TO).

    Contudo, necessrio ter presente que as manobras de salvamento envolvem muito mais doque o mero salvamento de pessoas que se encontrem num edifcio a arder ou num qualquerespao confinado. Assim, apesar do transporte de uma vitima at um ponto seguro constituir, noverdadeiro sentido do termo, uma manobra de salvamento, existem outras que so essenciais parao xito da operao. So exemplos:

    A montagem de escadas de qualquer tipo molas, extensveis, telescpicas e outras para utilizao pelos ocupantes do edifcio;

    O encaminhamento de pessoas para fora do edifcio ou do espao confinado; A busca de vitimas no interior e exterior do edifcio ou no interior do espao confinado.

    Todas estas manobras fazem parte de um conjunto a que se pode chamar operaes desalvamento, na medida em que cada uma reduz, de imediato, o risco eminente que afecta aspotenciais vitimas. Complementarmente, contribuem para as operaes de salvamento:

    As operaes de ventilao que removem o fumo os gases e o calor, prevenindo a suaacumulao no interior do edifcio ou do espao confinado;

    A correcta colocao a trabalho da primeira linha de mangueiras que poder manter ofogo afastado das vitimas.

    Estas operaes reduzem o perigo para as vitimas ou ocupantes sem hiptese de fuga eaumentam o tempo til necessrio evacuao do edifcio ou do espao confinado, pelo quepodem ser consideradas, tambm, como operaes ligadas aos salvamentos.

    Os salvamentos so, para os bombeiros, operaes algo complexas, pois todas as situaesrequerem uma diferente combinao de movimentos, equipamentos e actividadescomplementares, como por exemplo, montagem de acessos, a entrada forada, a busca nointerior e a ventilao do edifcio ou espao confinado.

    Por vezes, h a tendncia para se considerar que as operaes de salvamento estorelacionadas, apenas, com hospitais, lares de terceira idade, escolas, hotis e outras instalaesque comportam um numero elevado de ocupantes.

    Na verdade, este tipo de edifcios deve merecer uma ateno especial no que respeita aoproblema dos salvamentos, em virtude da quantidade de pessoas que podem estar envolvidas. Noentanto, as operaes de salvamento mesmo nos incndios em moradias de apenas um ou doispisos devem ser sempre executadas.

    Embora no ocorram com tanta frequncia como nos incndios, os salvamentos em espaosconfinados representam um tipo de acidente com o qual os bombeiros tm de lidar.Pela sua diversidade e especificidade, os salvamentos em espaos confinados devem ser

    executados, somente, por equipas de bombeiros devidamente treinadas para o efeito, namedida em que, fugindo mera rotina, exigem grande desembarao, fora fsica, experincia,coragem, alguma improvisao e pronta deciso. Pelas sua caractersticas, os espaos confinadosconsubstanciam riscos extremamente gravosos para as vitimas

    Contudo, as operaes de busca e salvamento em incndios urbanos e industriais e emespaos confinados no so as nicas que os bombeiros executam, dado existirem outrossalvamentos que esto referenciados noutros volumes deste manual.

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    2- Incndios urbanos e industriais

    2. 1. Objectivos da busca e salvamento

    Existem dois objectivos quando se procede a uma busca e salvamento: procurar vitimas esalv-las e, complementarmente, obter informaes sobre a extenso do incndio.

    Em grande parte dos incndios urbanos e industriais, a busca deve ser dividida em busca

    primria e busca secundria.A busca primria uma procura rpida de vitimas antes ou durante as operaes de extino,chegando a ser feita, em muitos casos, sem que estejam montadas linhas de mangueiras paraataque ao incndio. Em geral, executada sob condies bastante adversas como grandeintensidade de calor e m visibilidade, pelo que pode no ser suficiente para localizar a totalidadedas vitimas. Apesar disso, pela sua importncia, a busca primria, tem que sero mais minuciosapossvel. Contudo, nos edifcios de construo antiga, acima do piso do incndio, muitas dasvezes pode no passar de uma rpida vista de olhos sobre toda a rea acessvel aosbombeiros, com particular ateno para os locais onde seja mais bvio encontrar vitimas.

    Por outro lado, a busca secundria executada depois do incndio estar dominado. Nestaaltura, no h necessidade de grandes correrias, pois as vitimas sobreviveram ou no. A buscasecundria deve ser ainda mais minuciosa por forma a garantir que no ficaram vitimas por

    localizar. Uma vez que as condies de calor e visibilidade melhoraram substancialmente, a buscasecundria no uma operao to perigosa para os bombeiros. No entanto, deve ser executada,dado que to importante como a busca primria.

    2. 2. Procedimentos chegada ao local

    Embora a responsabilidade do reconhecimento seja, inicialmente, do chefe do primeiroveculo de socorro a chegar ao local, todos os elementos da guarnio devem observaratentamente o edifcio e as zonas perifricas, medida que o veiculo se vai aproximando. Umaobservao cuidada d indicaes aos bombeiros sobre as propores do incndio, o tipo deocupao, o provvel estado de resistncia da estrutura e cobertura e o tempo necessrio para

    proceder busca e salvamento.Do mesmo modo, a observao exterior auxilia os bombeiros a manter a orientao quando seencontrarem no interior, permitindo, ainda, identificar caminhos alternativos de acesso e de fuga janelas, portas e escadas de emergncia antes de entrarem no edifcio. Uma vez no interior,podero localizar a sua posio exacta atravs do que vem, olhando pelas janelas.

    Para se obterem informaes sobre aqueles que podero estar, ainda, no interior e qual a sualocalizao aproximada, bem com, acerca da localizao e extenso do foco de incndio, devemser questionados, prioritariamente, os ocupantes que j saram do edifcio (Fig. 1). Sendo possvel,todas as informaes devem ser verificadas. Em qualquer caso, os bombeiros no devem assumirque todos os ocupantes se encontram em segurana, fora do edifcio, sem que tenha sidocompletada a busca e salvamento.

    Fig. 1 Obteno de informaes no local.

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    Dado que cada ocupante dum edifcio conhece, por vezes, os hbitos dos outros ocupantes e adisposio dos diversos compartimentos, pode ser uma fonte preciosa de informaes sobre aprovvel localizao das vitima. Do mesmo modo, podero ter visto algum ocupante perto de umajanela antes da chegada dos bombeiros. Estas e outras informaes, nomeadamente sobre onumero de vitimas devem ser fornecidas ao comandante dasoperaes de socorro (COS) e sguarnies dos veculos que vo chegando ao local do incndio.

    De acordo com a marcha geral das operaes, os salvamentos devem ser executados logoaps o reconhecimento, antes mesmo do estabelecimento dos meios de aco. Esto neste casoas situaes em que se verifica chegada dos bombeiros, a existncia de ocupantes preparadospara saltar das janelas ou das sacadas ou quando as vtimas tm as roupas a arder.

    Nestas situaes, a prioridade mxima deve ser dada montagem dos acessos necessriosaos salvamentos, em prejuzo do inicio de quaisquer outras operaes. Para que as vitimas seapercebam de que as manobras esto a ser executadas, importante chamar a sua ateno,podendo, para tal, utilizar-se megafones ou equipamentos similares. Deste modo, procura-se quefiquem calmas at serem retiradas do local onde se encontram.

    Se bem que a chegada dos bombeiros ao local do incndio possa ter como efeito uma acalmianas pessoas que se encontram em pnico, so frequentes situaes nas quais os bombeiros tmde actuar imediatamente, de modo a controlarem os ocupantes mais perturbados.

    Uma forma de o fazer dar ordens e directivas que demonstrem autoridade (Fig. 2). Se talno for feito, isto , se as ordens forem dadas sem que as vtimas sintam alguma fora, como, porexemplo, pessoal, calma ai! ou no entrem em pnico, o resultado poder ser bastantenegativo.

    Pelo contrrio, ordens dadas com firmeza com para trs ou desa pelas escadas doprdio, podem ter um efeito calmante nas vtimas e aumentam as hipteses de sucesso nosalvamento.

    Quando existem indicaes de que no interior do edifcio podero estar vtimas ou pessoas emrisco, a busca e salvamento deve comear imediatamente aps a chegada ao local.

    Fig. 2 A utilizao do megafone para controlar os ocupantes em pnico.

    2.3. Condies adversa nos edifcio com incndio

    Em geral, as condies com que os bombeiros se confrontam nos edifcios onde existe umincndio, dificultam a execuo da busca e salvamento de pessoas. Esta situao agrava-sequando os ocupantes esto a dormir, se encontram inconscientes ou, simplesmente, no tenhampossibilidade de atrair a ateno da equipa de salvamento.

    O fumo impede a visibilidade. Logo, se as vtimas estiverem inconscientes ouimpossibilitadas de falar, no ser possvel seguir as suas vozes e a sua localizao muito mais

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    difcil. Mesmo que os ocupantes faam barulho na tentativa de chamar a ateno, os sonsproduzidos pelo fogo podem, por vezes impedir que se distinga o seu chamamento.

    Por outro lado, o sentido do tacto poder ser confundido, pois as luvas de proteco no sofeitas de modo a permitir exames muito detalhados, pelo que, mesmo os objectos mais familiares,podero estar de tal forma d