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Sade Coletivacadernos

N E S C U F R J

Catalogao na fonte Biblioteca do CCS / UFRJ

C a d e r n o s S a d e C o l e t i v a / U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o R i o d e J a n e i r o ,

N c l e o d e E s t u d o s d e S a d e C o l e t i v a , v . X I V , n . 4 ( o u t . d e z 2 0 0 6 ) .

R i o d e J a n e i r o : U F R J / N E S C , 1 9 8 7 - .

T r i m e s t r a l

I S S N 1 4 1 4 - 4 6 2 X

1 . S a d e P b l i c a - P e r i d i c o s . I I . N c l e o d e E s t u d o s d e S a d e C o l e t i v a / U F R J .

CA D E R N O S S A D E C O L E T I V A , R I O D E J A N E I R O , 14 (4 ) : 557 - 558, 2006 557

S U M R I O

E D I T O R I A L

A criao do IESC Instituto de Estudos em Sade Coletiva da

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Direo do IESC gesto 2006-2008 ......................................................................... 559

A R T I G O S

Conhecimentos e atitudes dos cirurgies-dentistas do Programa Sade da Famlia de

Aracaju-SE em relao aos pacientes com HIV/Aids

Valria Noia Ribeiro, Allan Ulisses Carvalho de Melo, Liana Nascimento Freire ............ 561

Grandes represas e seu impacto em Sade Pblica I: efeitos a montante

Fabola A. S. Oliveira, Jrg Heukelbach, Rmulo C. S. Moura, Liana Ariza,Alberto N. Ramos Jr., Mrcia Gomide .......................................................................... 575

Enfrentando as perdas dentrias na terceira idade: um estudo de representaes sociais

Grasiela Piuvezam, Aurigena Antunes de Arajo Ferreira, Maria do SocorroCosta Feitosa Alves ..................................................................................................... 597

Professores afastados da docncia por disfonia: o caso de Belo Horizonte

Adriane Mesquita de Medeiros, Sandhi Maria Barreto, Ada vila Assuno .................. 615

A Influenza hespanhola em Cataguases, Minas Gerais

Alen Batista Henriques ................................................................................................ 625

O risco ocupacional no setor de raio-X diagnstico de um hospital universitrio

Eduardo Borba Neves; Marcia Gomide .......................................................................... 643

Avaliao de sistemas de pontuao para o diagnstico da tuberculose na infncia

Ethel Leonor Noia Maciel, Reynaldo Dietze, Cludio Struchiner ..................................... 655

558 CA D E R N O S S A D E C O L E T I V A , R I O D E J A N E I R O , 14 (4 ) : 557 - 558 , 2006

Utilizao de informaes para controle social: o caso do Conselho do Distrito

Sanitrio III do Recife

Luiz Geraldo Santos Wolmer, James Anthony Falk ....................................................... 665

TE S E S

O beber feminino: a marca social do gnero feminino no alcoolismo em mulheres

Beatriz A. Lenz Cesar .................................................................................................. 683

A transio para a parentalidade e a relao de casal de adolescentes

Daniela Centenaro Levandowski ................................................................................... 685

CA D E R N O S S A D E C O L E T I V A , R I O D E J A N E I R O , 14 (4 ) : 655 - 664, 2006 655

AVALIAO DE SISTEMAS DE PONTUAO PARA O DIAGNSTICO DA TUBERCULOSENA INFNCIAEvaluation of score systems for the diagnostic of childhood tuberculosis

Ethel Leonor Noia Maciel1, Reynaldo Dietze2, Cludio Struchiner3

RESUMOA tuberculose (TB) reconhecida como uma das mais importantes causas de mortalidadeno mundo. O diagnstico da TB na infncia tem entre suas muitas dificuldades aidentificao bacteriolgica do Mycobacterium tuberculosis (MTB). Devido a este fato,vrios sistemas de pontuao baseados em escores tm sido desenvolvidos com o intuitode auxiliar no diagnstico. Estes instrumentos, entretanto, apresentam uma grandevariao na sua sensibilidade e especificidade. Recentemente, o Ministrio da Sade(MS) do Brasil desenvolveu um sistema de pontuao e recomendou sua utilizao nosservios onde esta faixa etria atendida. O objetivo desta reviso avaliar criticamenteos diversos sistemas de pontuao propostos para o diagnstico da TB em crianas nopas e no mundo e subsidiar a discusso para utilizao do sistema proposto pelo MS.Estudos indicam que este sistema pode alcanar especificidade de 86% e sensibilidadeentre 87% e 100% quando utilizado em crianas submetidas a lavado gstrico (LG),podendo ser utilizado com coadjuvante no diagnstico da TB nestas crianas.

PALAVRAS-CHAVETuberculose, criana, diagnstico, epidemiologia

ABSTRACTTuberculosis (TB) is now known as one of the most important causes of mortality in theworld. Diagnosis of TB in childhood has, among other problems, the difficulty inidentifying its agent, the Mycobacterium tuberculosis (MTB). For this reason several scoresystems has been developed with the aim at helping establish the diagnostic of TB inchildren, but these scores vary in their sensibility and specificity. Therefore, the BrazilianMinistry of Heath (BMH) proposed a new score for the diagnosis of TB in children. Theobjective of this revision is to analyze the several score systems proposed and to generatescientific information for promoting the incorporation of the BMH score in the healthservices. Studies indicates that, among children undergoing gastric lavage (GL), thissystem might reach specificity of 86% and sensitivity varying between 87% and 100%,suggesting that it might be useful as an adjuvant for the diagnostic of TB in children.

KEY WORDSTuberculosis, child, diagnosis, epidemiology

1 Doutora em Sade Coletiva - Departamento de Enfermagem Universidade Federal do Esprito SantoE-mai l: emaciel@ndi.ufes.br

2 Doutor em doenas infecciosas e parasitrias. Ncleo de Doenas Infecciosas - UFES.

3 Doutor em dinmica populacional de doenas infecciosas. UERJ e FIOCRUZ.

656 CA D E R N O S S A D E C O L E T I V A , R I O D E J A N E I R O , 14 (4 ) : 655 - 664 , 2006

E T H E L L E O N O R N O I A M A C I E L , R E Y N A L D O D I E T Z E , C L U D I O S T R U C H I N E R

1. TUBERCULOSE NA INFNCIANas ltimas duas dcadas, houve um aumento expressivo na incidncia da

tuberculose na infncia. No perodo de 1985-1990, este aumento foi de 19% nafaixa etria abaixo de 4 anos e de 40% na faixa etria entre 5 e 14 anos. Dadosrecentes apontam para 1,3 milhes de casos novos em crianas a cada ano com450.000 mortos (WHO, 1989). Vale ressaltar que uma boa parcela destes altosndices decorrem de falhas no diagnstico, tratamento e/ou vacinao (Neto &Baldy, 1991). O risco de adoecimento tambm maior em crianas do que emadultos. Somente 5 a 10% dos adultos infectados iro adoecer durante suas vidascontra 43% em menores de 1 ano, 24% em crianas de 1 a 5 anos e 15% entreadolescentes (11 e 15 anos) (Eamranond & Jaramillo, 2001) .

A tuberculose em crianas mais difcil de ser diagnosticada se comparada adoena em adultos. Os sinais e sintomas da doena na infncia so poucoespecficos, as formas clnico-radiogrficas diferem daquelas vistas em adolescentese adultos e as leses cavitrias so mais raras. Alm do mais, a confirmaobacteriolgica dos casos nem sempre possvel devido dificuldade na obtenodo escarro e da baixa quantidade de bacilos presentes no mesmo. Nesta situaoo mtodo comumente utilizado o lavado gstrico, cuja sensibilidade varia de30% a 40%. (Schaaf et al., 1995; Farhart et al., 1999).

Devido s dificuldades diagnsticas apontadas acima, vrios sistemas depontuao (escores) foram desenvolvidos (Nair & Philip, 1981; Migliori et al.,1992; Houwert et al., 1998; Fourie et al., 1998) . Entretanto, estes instrumentosapresentam uma grande variao na sua sensibilidade e especificidade e nos seusvalores preditivos. Recentemente, o Ministrio da Sade do Brasil desenvolveuum Sistema de Escore Para o Diagnstico de Tuberculose Pulmonar em Crianas e AdolescentesNegativos Baciloscopia e recomendou sua utilizao nos servios onde esta faixa atendida (Brasil, 2002). O objetivo desta reviso avaliar criticamente os diversossistemas de pontuao propostos para o diagnstico da TB em crianas no pas eno mundo e subsidiar a discusso para utilizao do sistema proposto pelo MS.

2. SISTEMAS DE ESCORE PARA DIAGNSTICO DA TB EM CRIANAS

Os pesquisadores ao longo do tempo vm se deparando com algumas difi-culdades em se estabelecer um diagnstico preciso da TB em crianas pordiversas razes: dificuldade em produzir escarro, radiografia de traxfreqentemente sem achados caractersticos ou nem sempre disponveis em algunsservios, quadro clnico atpico, dificuldade de interpretao do teste tuberculnico(Migliori et al., 1992).

Na dcada de 1960, Stegen et al. (1969) j tentavam encontrar evidncias quepudessem ser agrupadas e pontuadas e fornecessem um instrumento a mais no

CA D E R N O S S A D E C O L E T I V A , R I O D E J A N E I R O , 14 (4 ) : 655 - 664, 2006 657

A V A L I A O D E S I S T E M A S D E P O N T U A O P A R A O D I A G N S T I C O D A T U B E R C U L O S E N A I N F N C I A

diagnstico da TB. Este sistema foi baseado nos critrios de Jones para diagnsticode febre reumtica e adaptado para TB (Stegen et al., 1969) (Quadro 1).

Quadro 1Critrios de Jones para diagnstico de TB na infncia.

A interpretao desses critrios a seguinte: a) 1 a 2 pontos tuberculoseimprovvel; b) 3 a 4 pontos TB possvel; c) 5 a 6 pontos TB provvel; d) acimade 7 TB inquestionvel. preciso considerar que, com a evoluo do conhe-cimento em relao ao bacilo e principalmente com a cultura do MTB, seria