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CAP 02 - O BÁSICO SOBRE A OFERTA E A DEMANDA

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Captulo 2: O Bsico sobre a Oferta e a Demanda

CAPTULO 2 O BSICO SOBRE A OFERTA E A DEMANDA OBSERVAES PARA O PROFESSOREste captulo apresenta uma reviso dos conceitos bsicos sobre a oferta e a demanda que os alunos devem ter estudado no curso introdutrio de economia. O tempo a ser gasto nesse captulo depende do grau de profundidade da reviso que os alunos necessitam. O captulo se diferencia da maioria dos livros-texto de microeconomia em nvel intermedirio no que se refere ao tratamento dos conceitos bsicos de oferta e demanda, que so discutidos e ilustrados atravs da anlise de alguns dos principais mercados mundiais (trigo, gasolina e automveis). As aplicaes da teoria a situaes reais contribuem de forma significativa para a compreenso dos conceitos tericos. Os alunos costumam encontrar algumas dificuldades para compreender a anlise de oferta e demanda. Uma das principais fontes de confuso referese distino entre movimentos ao longo da curva de demanda e deslocamentos da demanda. importante discutir a hiptese de ceteris paribus, enfatizando que, ao representar uma funo de demanda (atravs de um grfico ou de uma equao), todas as demais variveis so supostas constantes. Os movimentos ao longo da curva de demanda ocorrem apenas devido a mudanas no preo. Quando as demais variveis mudam, a funo de demanda se desloca. Pode ser til discutir um exemplo em que a funo de demanda dependa diretamente de outras variveis alm do preo do bem, tais como a renda e o preo de outros bens, de modo a mostrar aos alunos que essas outras variveis efetivamente afetam a funo de demanda, estando "escondidas" no intercepto da funo de demanda linear. O Exemplo 2.9 trata de funes de demanda e oferta que dependem do preo de um produto substituto. Outra possvel dificuldade dos alunos referese ao instrumental matemtico envolvido na anlise de oferta e demanda. Em particular, pode ser til rever o mtodo de soluo de um sistema com duas equaes e duas incgnitas. Cabe observar que esse um bom momento para decidir o nvel de formalizao a ser utilizado em sala de aula; caso se opte pela utilizao intensiva de lgebra e clculo, recomendvel fazer uma reviso dessa matria antes de prosseguir. importante enfatizar os aspectos quantitativos da curva de demanda atravs da distino entre a quantidade demandada como funo do preo, Q = D(P), e a funo de demanda inversa, na qual o preo funo da quantidade demandada, P = D -1(Q). Dessa forma, a posio do preo no eixo-Y e da quantidade no eixo-X podem ficar mais claras. Os estudantes tambm podem se perguntar de que forma o mercado se ajusta a um novo equilbrio. Um mecanismo simples de ajustamento o modelo de ajustamento parcial da teia de aranha, cuja apresentao (baseada no exemplo tradicional do ciclo do milho ou em qualquer outro exemplo) adiciona um certo realismo discusso e agrada bastante aos estudantes. Caso se opte por escrever a funo de demanda explicitamente em funo da renda e dos preos de outros produtos, pode-se discutir alguns exemplos interessantes que explorem as inter-relaes entre mercados em5

Captulo 2: O Bsico sobre a Oferta e Demanda

particular, a forma pela qual as mudanas em um mercado afetam o preo e a quantidade nos demais mercados. Esse captulo apresenta os conceitos de elasticidade-preo, elasticidade-renda e elasticidade cruzada; entretanto, pode-se postergar a discusso da elasticidade-renda e cruzada at o Captulo 4, quando o tema da elasticidade da demanda ser retomado. O conceito de elasticidade apresenta muitas dificuldades para os estudantes; por isso, til explicitar claramente as razes pelas quais uma empresa poderia estar interessada em estimar uma elasticidade. Para tanto, pode-se usar exemplos concretos, como um artigo do Wall Street Journal, publicado na primavera de 1998, em que se discutia de que forma o conceito de elasticidade podia ser usado pela indstria cinematogrfica para cobrar preos diferentes para se assistir a filmes diferentes. Dado que os estudantes universitrios costumam assistir a muitos filmes, esse um exemplo que motiva bastante seu interesse. Cabe notar, por fim, que essa discusso pode ser adiada at o momento em que se discutir o conceito de receita. QUESTES PARA REVISO 1. Suponha que um clima excepcionalmente quente ocasione um deslocamento para a direita da curva de demanda de sorvete. Por que o preo de equilbrio do sorvete aumentaria? Suponha que a curva de oferta se mantenha inalterada. O clima excepcionalmente quente causa um deslocamento para a direita da curva de demanda, gerando, no curto prazo, um excesso de demanda ao preo vigente. Os consumidores competiro entre si pelo sorvete, pressionando o preo para cima. O preo do sorvete aumentar at que a quantidade demandada e a quantidade ofertada sejam iguais.Preo S

P2

P1

D1 Q1 = Q2

D2

Quantidade de sorvete

Figura 2.1 2. Utilize as curvas de oferta e demanda para ilustrar de que forma cada um dos seguintes eventos afetaria o preo e a quantidade de manteiga comprada e vendida:6

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a.

Um aumento no preo da margarina. A maioria das pessoas considera a manteiga e a margarina bens substitutos. Um aumento no preo da margarina causar um aumento no consumo de manteiga, deslocando a curva de demanda de manteiga para a direita, de D1 para D2 na Figura 2.2.a. Esse deslocamento da demanda causar o aumento do preo de equilbrio de P1 para P2 e da quantidade de equilbrio de Q1 para Q2.Preo S

P2

P1

D1 Q1 Q2

D2 Quantidade de manteiga

Figura 2.2.a b. Um aumento no preo do leite. O leite o principal ingrediente na fabricao da manteiga. Um aumento no preo do leite elevar o custo de produo da manteiga, deslocando a curva de oferta de manteiga para a esquerda, de S1 para S2 na Figura 2.2.b. Isso resultar em um preo de equilbrio mais alto, P2, de modo a cobrir os custos mais elevados de produo, e a uma menor quantidade de equilbrio, Q2.

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Captulo 2: O Bsico sobre a Oferta e Demanda Preo S2 S1 P2 P1

D Q2 Q1 Quantidade de manteiga

Figura 2.2.b Observao: Dado que a manteiga produzida a partir da gordura extrada do leite, a manteiga e o leite so, na verdade, produtos complementares. Levando em considerao tal relao, a resposta a essa questo ser diferente. De fato, medida que o preo do leite aumenta, a quantidade ofertada tambm aumenta. O aumento na quantidade ofertada de leite implica maior oferta de gordura para a produo de manteiga e, portanto, um deslocamento da curva de oferta de manteiga para a direita. Conseqentemente, o preo da manteiga cai. c. Uma reduo nos nveis de renda mdia. Suponha que a manteiga seja um bem normal. Uma reduo nvel de renda mdia causa um deslocamento da curva demanda de manteiga de D1 para D2, causando a reduo preo de equilbrio de P1 para P2, e na quantidade de equilbrio Q1 para Q2. Veja a Figura 2.2.c. no de no de

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PriceS

P1 P2

D2 Q2 Q1

D1

Quantity of Butter

Figura 2.2.c 3. Suponha que um aumento de 3% no preo de sucrilhos cause uma reduo de 6% em sua quantidade demandada. Qual a elasticidade da demanda de sucrilhos? A elasticidade da demanda a variao percentual na quantidade demandada dividida pela variao percentual no preo. A elasticidade da demanda de sucrilhos maior (em valor absoluto) que -1,0 e, portanto, implica uma curva de demanda elstica. 4. Por que as elasticidades de longo prazo da demanda so diferentes das elasticidades de curto prazo? Considere duas mercadorias: toalhas de papel e televisores. Qual das duas um bem durvel? Voc esperaria que a elasticidade-preo da demanda de toalhas de papel fosse maior a curto ou a longo prazo? Por qu? Como deveria ser a elasticidade-preo da demanda de televisores? A diferena entre as elasticidades de curto e longo prazo de um bem explicada pela velocidade com que os consumidores reagem a mudanas no preo e pelo nmero de bens substitutos disponveis. O aumento no preo das toalhas de papel, um bem no-durvel, levaria a uma reao pouco significativa dos consumidores no curto prazo. No longo prazo, porm, a demanda de toalhas de papel seria mais elstica, devido entrada no mercado de novos produtos substitutos (tais como esponjas e toalhas de cozinha). Por sua vez, o aumento no preo dos televisores, um bem durvel, poderia levar a mudanas substanciais no curto prazo. Por exemplo, o efeito inicial do aumento no preo dos televisores poderia ser o adiamento das compras de novos aparelhos. Mais cedo ou mais arde, porm, os consumidores trocaro seus televisores antigos por aparelhos96 = 2 , +3

que

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mais novos e modernos; logo, a demanda pelo bem durvel deve ser mais elstica no longo prazo. 5. Explique por que, no caso de muitas mercadorias, a elasticidadepreo de longo prazo da oferta maior do que a elasticidade de curto prazo. A elasticidade da oferta a variao percentual na quantidade ofertada dividida pela variao percentual no preo. Um aumento no preo leva elevao da quantidade ofertada pelas empresas. Em certos mercados, algumas empresas so capazes de reagir rapidamente, e com custos baixos, a mudanas no preo; outras empresas, porm, no conseguem reagir com a mesma rapidez, devido a restries de capacidade produtiva no curto prazo. As empresas com restrio de capacidade no curto prazo apresentam elasticidade da oferta mais baixa que as demais; entretanto, no longo prazo, todas as empresas conseguem aumentar sua produo, de modo que a elasticidade agregada de longo prazo tende a ser maior que n curto prazo. 6. Suponha que o governo regulamente os preos da carne bovina e do frango, tornando-os mais baixos do que seus respectivos nveis de equilbrio de mercado. Explique por que ocorreria escassez dessas mercadorias e quais os fatores que determinaro a magnitude dessa escassez. O que dever ocorr