Crimes Ambient a Is

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Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/98)Possui Parte Geral, que vai do art. 2 ao 28, que cuida de disposies gerais (art. 1 est vetado). Depois possui parte especial, art. 29 e ss. Que define os crimes. Parte Geral: Art. 2: A primeira parte do artigo apenas diz que possvel haver concurso de agentes em crimes ambientais e repete a teoria monista ou unitria do art. 29 CP (autores, co-autores e partcipes respondem pelo mesmo crime, sendo a pena dosada de acordo com a culpabilidade de cada um). A expresso culpabilidade aqui no est no sentido do terceiro substrato do crime, mas a maior ou menos colaborao no evento criminoso. A segunda parte elenca pessoas fsicas que, sabendo da conduta criminosa de outrem, se omite. Criou o chamado dever jurdico de agir nos crimes ambientais para diretor, administrador, conselheiro, integrante de rgo tcnico, auditor, gerente, preposto e mandatrio. A omisso dessas pessoas penalmente relevante, nos termos do art. 13 2, a CP. Essas pessoas citadas so punidas quando elas praticam o crime ambiental ou se omitem e no impedem o crime ambiental. Respondem tanto por ao quanto omisso nos crimes ambientais. Requisitos da omisso: - Que a pessoa saiba da conduta criminosa (cincia do crime); - Que a pessoa possa evit-la (possa evitar o crime). A lei exige esses dois requisitos para se evitar a chamada responsabilidade penal objetiva (sem dolo e sem culpa), vedada no direito penal brasileiro. Concluso: o STF e STJ consideram ineptas as chamadas denncias genricas. So denncias que no estabelecem o mnimo vnculo entre a conduta do agente (ao ou omisso) e o crime ocorrido. Incluem a pessoa no plo passivo da Ao Penal apenas pelo fato do acusado ser o gerente, preposto, diretor da pessoa jurdica (STF HC 86879). Eugenio Pacceli faz diferena entre denncia genrica e denncia geral. Ministra do STJ fez essa diferena. A denncia genrica aquela que

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no imputa nenhum fato criminoso a pessoa. Inclui a pessoa na ao como r apenas pela qualidade dela como diretor, gerente, preposto, etc. Contudo, denncia geral aquela que descreve o fato criminoso com todas as suas circunstncias e o imputa simultaneamente a todos os acusados, sem detalhar a conduta de cada um deles. Sempre que houver crimes societrios comum encontrar denncia genrica ou geral. Responsabilidade Penal das Pessoas Jurdicas A discusso se iniciou com a entrada em vigor do art. 225 3 CF e 3, caput, da Lei 9605/98. Apesar dessas disposies, temos trs correntes sobre a responsabilidade penal das pessoas jurdicas: 1 corrente: A constituio Federal no criou/previu a responsabilidade penal da pessoa jurdica, sob o argumento de que conduta de pessoa fsica gera sano penal e atividade de pessoa jurdica gera sano administrativa no art. 225 3 CF. Portanto, no estabeleceu responsabilidade penal da pessoa jurdica. O segundo argumento com relao ao princpio da pessoalidade da pena, tambm conhecido como p. da incomunicabilidade ou intransmissibilidade da pena. Esse dispositivo constitucional diz que a pena deve recair exclusivamente sobre a pessoa fsica que cometeu a infrao ambiental, no podendo ser transmitida a pessoa jurdica. Sob a tica dessa corrente o art. 3 da L.9605/98 inconstitucional, porque estabelece responsabilidade penal da pessoa jurdica no prevista na CF. Ofende materialmente os dois dispositivos constitucionais que vedam a responsabilidade penal da pessoa jurdica. Sustenta essa corrente os autores Luiz Regis Prado, Cesar Roberto Bittencourt, Miguel Reale Jr., Pierangelli, Ren Ariel Dotti, Luiz Vicente Cernicchiaro. 2 corrente: Diz que pessoa Jurdica no pode cometer crimes, ou seja, societas delinquere non potest. Ela se baseia na teoria civilista da fico jurdica de Savigny e Feuerbach. Para ela, as pessoas jurdicas so meras fices legais, abstraes, ou seja, no so entes reais. So entes fictcios desprovidos de vontade, conscincia, finalidade e, portanto, no podem praticar condutas tipicamente humanas como crimes, por exemplo. No podem cometer crimes, portanto, porque pessoa jurdica no tem: a) As pessoas jurdicas no possuem capacidade de conduta. No age com dolo, vontade, conscincia, finalidade. Logo no age com dolo ou culpa. Ou seja, no pratica conduta criminosa (que deve ser dolosa ou culposa). Punir a pessoa jurdica estabelecer responsabilidade penal objetiva;2

b) As pessoas jurdicas no agem com culpabilidade. Pessoa jurdica no tem potencial conscincia da ilicitude, no tem imputabilidade (que a capacidade mental de entender). No pode sofrer pena, porque a culpabilidade pressuposto para aplicao da pena. Se a pessoa jurdica no age com culpabilidade, logo no pode sofrer pena;c) As penas so inteis para a pessoa jurdica. Como ela no

uma pessoa fsica, a pessoa jurdica incapaz de assimilar as finalidades da pena (finalidade repressiva, retributiva, etc.). Adota essa teoria todos os adeptos da 1 corrente, e ainda Zaffaroni, Rogrio Greco, LFG, Francisco de Assis Toledo, Mirabete, Delmanto, etc. 3 corrente: Diz que pessoas jurdicas podem cometer crimes (societas delinquere potest). Baseia-se na teoria da realidade ou da personalidade real do alemo Otto Gierke. Essa Teoria sustenta que as pessoas jurdicas so entes reais, no so meras abstraes jurdicas. Possuem capacidade e vontade distintas das pessoas fsicas que as compem. So realidades independentes. Argumentos:a) A responsabilidade penal da pessoa jurdica est expressa na

CF (art. 225 3) e na L9605/98 (art. 3). Portanto, induvidosa a existncia da mesma;b) As pessoas jurdicas tm culpabilidade. No a culpabilidade

individual clssica oriunda do finalismo, mas uma culpabilidade social. a empresa como centro de emanao das decises, chamada de ao delituosa institucional. (expresso utilizada por Srgio Salomo Schecaira); c) A pena criminal tem uma simbologia muito mais forte do que as sanes administrativas. Por isso, cumpre muito melhor a finalidade de preveno dos crimes ambientais; d) Punir a pessoa fsica exclusivamente significa utiliz-la como escudo de proteo para impunidade da pessoa jurdica, que a grande beneficiria do crime. Pune-se o gerente, mas quem se beneficiou foi a pessoa jurdica. Adota essa corrente Nucci, Paulo Afonso Leme Machado, dis Milar, Damsio, Ada Pellegrini Grinover, entre outros. Requisitos cumulativos para a responsabilizao penal da pessoa jurdica:

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Art. 3 da L.9605/98 1 Que a deciso de cometer o crime tenha sido tomada por representante legal ou por rgo colegiado da pessoa jurdica; 2 Que a infrao tenha sido praticada no interesse ou benefcio da pessoa jurdica. Ex: funcionrio de empresa de extrao de madeira resolve avanar em APP e corta rvore em APP. No d para punir pessoa jurdica. Vazamento de leo culposo oriundo de tubulao da PETROBRS. Houve prejuzo para a empresa. STJ decidiu que causou prejuzos a pessoa jurdica, logo no se imputa responsabilidade penal pessoa jurdica. dis Milar aceita a responsabilidade penal da pessoa jurdica, mas apenas em crime doloso. Isto porque no crime culposo nunca haver deciso do rep. Legal ou do rgo colegiado. Sistema da responsabilidade penal por emprstimo ou por ricochete: pessoa Jurdica pode ser punida reflexamente por atos cometidos pela pessoa fsica isolada ou em rgo colegiado. o sistema francs de responsabilidade penal da pessoa jurdica. Quanto jurisprudncia: Todos os TRFs admitem a responsabilidade penal da pessoa jurdica. STJ admite a responsabilidade penal da pessoa jurdica desde que ela seja denunciada juntamente com a pessoa fsica que executou o crime. Concluso: STJ no admite denncia por crime ambiental somente contra pessoa jurdica. Nesse sentido (RESP 847476/SC julgado 05-05-08). STF ainda no tem posicionamento dominante. posicionamentos nos dois sentidos (STF HC 92921/BA e HC 83301). H

No cabe HC contra priso penal de pessoa jurdica. Tutela liberdade fsica. O remdio cabvel no caso ser segundo STF e STJ, Mandado de Segurana. Responsabilidade penal de pessoa jurdica de direito pblico: Discute-se no Brasil se as pessoas polticas podem ser denunciadas por crimes ambientais. H duas correntes: 1 corrente: diz que pessoa jurdica de direito pblico pode ser denunciada por crime ambiental, sob o argumento de que nem a CF nem Lei4

de crimes ambientais diferenciam pessoa jurdica de direito pblico de direito privado. Falam apenas em pessoa jurdica. Portanto, podem ser denunciadas por crime ambiental. Sustenta esse posicionamento Nucci, Paulo Afonso Leme Machado, Schecaira, Walter Claudius Rhotemburg. 2 corrente: diz que pessoa jurdica da administrao pblica direta ou indireta no pode ser denunciada por crimes ambientais. O argumento de que a imposio de pena ao Estado seria incua, haja vista o Estado no poder punir a si mesmo. Alm disso, a punio para pessoa jurdica de direito pblico recai sobre a prpria sociedade, porque essa seo pecuniria recairia sobre recursos pblicos. J funo do Estado prestar servios pblicos. dis Milar adota essa teoria. Sistema da dupla imputao ou sistema de imputao paralela (Art. 3, p.. da L n 9605/98) Esse artigo diz que possvel punir, simultaneamente, a pessoa jurdica e a fsica pelo mesmo fato. Difere do sistema de ricochete. Busca afastar o chamado bis in idem. Esse sistema permite a dupla permisso pelo mesmo fato de pessoas jurdicas distintas. Portanto no h falar em bis in idem (que punir duplamente sobre o mesmo fato a mesma pessoa). (STJ RESP610114/09, julgado em 19.12.05) decidiu que o sistema de imputao no acarreta bis in idem. Desconsiderao da Pessoa Jurdica (Art.4 da L.9605/98) Esse instituto permite que a pessoa jurdica seja desconsiderada para que a sano recaia sobre o patrimnio da pessoa fsica. Evite tipo de golpe em que pessoa fsica transfere patrimnio da pessoa jurdica para conta pessoal. Pode se aplicar esse dispositivo no mbito penal? No. A desconsiderao da pessoa jurdica no pode ser aplicada no mbito penal, em razo do princpio constitucional da incomunicabilidade ou intransmissibilidade da pena (art. 5, XLV CF). Ou seja, a pena