CRIMES ELEITORAIS NA IMPRENSA E NAS - ??CRIMES ELEITORAIS NA IMPRENSA E NAS REDES SOCIAIS Prof. Matheus Herren Falivene de Sousa Advogado criminalista. Professor de Direito Penal da

Embed Size (px)

Text of CRIMES ELEITORAIS NA IMPRENSA E NAS - ??CRIMES ELEITORAIS NA IMPRENSA E NAS REDES SOCIAIS Prof....

  • CRIMES ELEITORAIS NA IMPRENSA E NAS REDES SOCIAIS

    Prof. Matheus Herren Falivene de Sousa

    Advogado criminalista. Professor de Direito Penal da Universidade Anhembi Morumbi e da especializao da Escola Paulista de Direito (EPD)

    Doutorando e mestre em Direito Penal pela Universidade de So Paulo

    Especialista em Direito Penal Econmico pela Universidade de Coimbra

    Prof. Renato Ribeiro de Almeida Advogado em Direito Eleitoral e Direito Administrativo

    Professor de Direito Constitucional e Direito Eleitoral da Universidade Anhembi Morumbi Professor de Direito Eleitoral da Escola Superior de Estudos Avanados de Direito Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da USP (Largo de So Francisco)

    Mestre em Direito Poltico e Econmico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Doutorando em Direito pela Faculdade de Direito da USP (Largo de So Francisco)

    Membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Poltico - ABRADEP

  • TPICOS DA AULA

    1 Parte Teoria Geral dos Crimes Eleitorais: a) Natureza jurdica dos crimes eleitorais; b) responsabilidade penal do diretrio local do partido poltico (e aplicao da Lei de Combate Corrupo e Lei de Organizao Criminosa aos partidos); c) crime eleitoral cometido pela mdia; d) crime eleitoral e redes sociais; e) crimes eleitorais, redes sociais e direito de resposta (Lei n 13.188/15). 2 Parte Crimes Eleitorais na Imprensa e nas Redes Sociais: a) Crimes eleitorais na imprensa e nas redes sociais no Cdigo Eleitoral; b) crimes eleitorais na imprensa e nas redes sociais na Lei da Eleies (Lei n. 9.504/97)

  • TEORIA GERAL DOS CRIMES ELEITORAIS

  • NATUREZA JURDICA DO CRIME ELEITORAL

    O crime eleitoral sempre um crime poltico? Existem trs critrios para classificar o crime poltico: a) objetivo (considera a natureza do bem jurdico lesado); b) subjetivo (leva em considerao a inteno do agente); e c) misto (leva em considerao tanto o bem jurdico lesado quanto a inteno- o mais seguro). Crime poltico prprio: aquela que pe em risco a

    organizao poltico-ideolgica do Estado, sem atingir outros bens jurdicos.

    Crime poltico imprprio: aquele que, alm de atingir a organizao poltico-ideolgica do Estado, pe em risco outros bens jurdicos (v.g., homicdio).

  • CONCEITO DE FUNCIONRIO PBLICO PARA FINS ELEITORAIS

    Art. 283 [do CE]: Para efeitos penais so considerados membros e funcionrios da Justia Eleitoral: I Os magistrados que, mesmo no exercendo funes eleitorais, estejam presidindo Juntas Apuradoras ou se encontrem no exerccio de outra funo por designao de Tribunal Eleitoral; II Os cidados que temporariamente integram rgos da Justia Eleitoral; III Os cidados que hajam sido nomeados para as mesas receptoras ou Juntas Apuradoras; IV Os funcionrios requisitados pela Justia Eleitoral. 1. Considera-se funcionrio pblico, para efeitos penais, alm dos indicados no presente artigo, quem, embora transitoriamente ou sem remunerao, exerce cargo, emprego ou funo pblica. 2. Equipara-se a funcionrio pblico quem exerce cargo, emprego ou funo em entidade paraestatal ou em sociedade de economia mista.

  • Responsabilidade penal do diretrio local de partido poltico

    Art. 336 [do CE]. Na sentena que julgar ao penal pela infrao de qualquer dos artigos. 322, 323, 324, 325, 326,328, 329, 331, 332, 333, 334 e 335, deve o juiz verificar, de acordo com o seu livre convencionamento, se diretrio local do partido, por qualquer dos seus membros, concorreu para a prtica de delito, ou dela se beneficiou conscientemente. Pargrafo nico. Nesse caso, impor o juiz ao diretrio responsvel pena de suspenso de sua atividade eleitoral por prazo de 6 a 12 meses, agravada at o dobro nas reincidncias. Responsabilidade penal da pessoa jurdica? Luiz Carlos dos Santos

    Gonalves (Crimes eleitorais e processo penal eleitoral. 2 ed. So Paulo: Atlas, 2015) entende que essa norma precursora da responsabilidade penal da pessoa jurdica; Jos Jairo Gomes (Crimes e processo penal eleitoral. So Paulo: Atlas, 2015), por sua vez, afirma que uma modalidade de concurso de pessoas (autoria ou participao do membro do diretrio).

    possvel a aplicao da Lei de Combate Corrupo (Lei n. 12.846/13) e da Lei de Organizao Criminosa (Lei n. 12.850/13) aos partidos polticos?

  • CRIME ELEITORAL COMETIDO PELA MDIA

    Art. 288 [do CE]. Nos crimes eleitorais cometidos por meio da imprensa, do rdio ou da televiso, aplicam-se exclusivamente as normas deste Cdigo e as remisses a outra lei nele contempladas.

    Visava afastar a incidncia da Lei de Imprensa (Lei n 5.250/67). Com relao aos crimes contra a honra com finalidade eleitoral, h a incidncia do Cdigo Eleitoral, no do Cdigo Penal, em razo do princpio da especialidade.

    No tem mais incidncia.

  • CRIME ELEITORAL E REDES SOCIAIS

    As redes sociais trouxeram novos desafios para o Direito Penal e para o Direito Processual Penal que vo muito alm do campo da obteno da prova (como se obter a prova nesses meios) e da necessidade de cooperao jurdica internacional.

    A dinmica prpria de cada uma das redes sociais (Facebook, Whatsapp, Linkedin, etc.) faz com que a dinmica do crime seja diferente.

  • CRIMES ELEITORAIS, REDES SOCIAIS E DIREITO DE RESPOSTA

    Art. 58 da Lei Eleitoral: regula o direito de resposta no mbito eleitoral.

    Lei 13.188/15: regulamenta o direito de resposta ou retificao do ofendido em matria divulgada, publicada ou transmitida por meio de comunicao social, independentemente do meio ou plataforma de distribuio (art. 1 e art. 2, 1, da Lei).

    No se incluem no direito de resposta os comentrios feitos pelos usurios da internet nas pginas eletrnicas dos veculos de comunicao social (art. 2, 1, da Lei).

  • CRIMES ELEITORAIS NA IMPRENSA E NAS REDES

    SOCIAIS

  • DIVULGAO DE FATOS INVERDICOS NA PROPAGANDA

    ELEITORAL Art. 323 [do CE]. Divulgar, na propaganda, fatos que sabe inverdicos, em relao a partidos ou candidatos e capazes de exercerem influncia perante o eleitorado:

    Pena - deteno de dois meses a um ano, ou pagamento de 120 a 150 dias-multa.

    Pargrafo nico. A pena agravada se o crime cometido pela imprensa, rdio ou televiso.

  • CALNIA NA PROPANGA ELEITORAL OU PARA FINS DE PROPAGANDA

    ELEITORAL Art. 324. Caluniar algum, na propaganda eleitoral, ou visando fins de propaganda, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - deteno de seis meses a dois anos, e pagamento de 10 a 40 dias-multa. 1 Nas mesmas penas incorre quem, sabendo falsa a imputao, a propala ou divulga. 2 A prova da verdade do fato imputado exclui o crime, mas no admitida: I - se, constituindo o fato imputado crime de ao privada, o ofendido, no foi condenado por sentena irrecorrvel; II - se o fato imputado ao Presidente da Repblica ou chefe de governo estrangeiro; III - se do crime imputado, embora de ao pblica, o ofendido foi absolvido por sentena irrecorrvel.

  • DIFAMAO NA PROPAGANDA ELEITORAL OU PARA FINS DE

    PROPAGANDA ELEITORAL Art. 325 [do CE]. Difamar algum, na propaganda eleitoral, ou visando a fins de propaganda, imputando-lhe fato ofensivo sua reputao:

    Pena - deteno de trs meses a um ano, e pagamento de 5 a 30 dias-multa.

    Pargrafo nico. A exceo da verdade somente se admite se ofendido funcionrio pblico e a ofensa relativa ao exerccio de suas funes.

  • INJRIA NA PROPAGANDA ELEITORAL OU PARA FINS DE

    PROPAGANDA ELEITORAL Art. 326 [do CE]. Injuriar algum, na propaganda eleitoral, ou visando a fins de propaganda, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

    Pena - deteno at seis meses, ou pagamento de 30 a 60 dias-multa.

    1 O juiz pode deixar de aplicar a pena:

    I - se o ofendido, de forma reprovvel, provocou diretamente a injria;

    II - no caso de retorso imediata, que consista em outra injria.

    2 Se a injria consiste em violncia ou vias de fato, que, por sua natureza ou meio empregado, se considerem aviltantes:

    Pena - deteno de trs meses a um ano e

  • INUTILIZAO, ALTERAO OU PERTURBAO DE MEIO

    PROPAGANDA

    Art. 331 [do CE]. Inutilizar, alterar ou perturbar meio de propaganda devidamente empregado:

    Pena - deteno at seis meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa.

  • IMPEDIMENTO DO EXERCCIO DE PROPAGANDA

    Art. 332 [do CE]. Impedir o exerccio de propaganda:

    Pena - deteno at seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa.

  • USO IRREGULAR DE ORGANIZAO COMERCIAL PARA FINS DE PROPAGANDA ELEITORAL

    Art. 334 [do CE]. Utilizar organizao comercial de vendas, distribuio de mercadorias, prmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de eleitores:

    Pena - deteno de seis meses a um ano e cassao do registro se o responsvel for candidato.

  • PROPAGANDA EM LNGUA ESTRANGEIRA

    Art. 335 [do CE]. Fazer propaganda, qualquer que seja a sua forma, em lngua estrangeira:

    Pena - deteno de trs a seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa.

    Pargrafo nico. Alm da pena cominada, a infrao ao presente artigo importa na apreenso e perda do material utilizado na propaganda.

  • PARTICIPAO EM ATIVIDADE PARTIDRIA SEM GOZO DOS

    DIREITOS POLTICOS Art. 337 [do CE]. Participar, o estrangeiro ou brasileiro que no estiver no gozo dos seus direitos polticos, de atividades partidrias inclusive comcios e atos de propaganda em recintos fechados ou abertos:

    Pena - deteno at seis meses e pagamento de 90 a 120 dias-multa.

    Pargrafo nico. Na mesma pena incorrer o responsvel pelas emissoras de rdio ou televiso que autorizar transmisses de que participem os mencionados neste artigo, bem como o direto