Crimes Eleitorais

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Text of Crimes Eleitorais

  • 1. CRIMES ELEITORAIS Prof. Thales Tcito PontesLuz de Pdua Cerqueira DIREITO ELEITORAL BRASILEIRO

2. THALES TCITO PONTES LUZ DE PDUA CERQUEIRA

  • Promotor de Justia-Minas Gerais
  • Promotor Eleitoral-Minas Gerais
  • Membro da CONAMP
  • Professor de Ensino SuperiorJurdico:
  • Professor da Faculdade de Direito do Oeste de Minas(FADOM) Divinpolis/MG
  • Coordenador Regional, Professor de Direito Eleitoral , Processo Penal, ECAe Prtica Forense do Curso de Teleconferncia do Instituto de Ensino Luiz Flvio Gomes(IELF) So Paulo/SP
  • Professorde Direito Eleitoral da Ps-Graduao daFundao Escola Superior do Ministrio Pblico de Minas Gerais/Belo Horizonte-MGe JUSPODIVM(Salvador/BA)

3. O pior analfabeto oanalfabeto poltico . Ele no ouve, no fala, no participa dos acontecimentos polticos. Ele no sabe que o custo de vida, o preo do feijo, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remdio dependem das decises polticas. Oanalfabeto poltico to burro, que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia a poltica. No sabe o imbecil, que de sua ignorncia nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que o poltico vigarista, pilantra, o corrupto e o explorador das empresas nacionais e multinacionais. BERTOLT BRECHT O ANALFABETO POLTICO 4. Ponto 01 : Antinomia Eleitora l Pelo artigo 16 da CF/88, a lei que alterar oprocesso eleitoralentrar em vigorna data de sua publicao , porm, no se aplicar eleio que ocorra at um ano da data de sua vigncia.No confundir vigncia (aplicao imediata no incidncia davacatio legis ) com eficcia(aplicaoum ano aps a sua promulgao).Portanto, toda lei que alterar o processo eleitoral, temvigncia imediata data de sua publicao. Porm, ter apenaseficciaimediata(efeitos j aplicados), se publicada um ano antes da eleio em trmite, pois do contrrio tervigncia imediataeeficcia contida (para prximas eleies). Trata-se da eficcia condicionada ao intervalo de um ano, preservando oprincpio darules of game ,para impedir leis casusticas, elitistas e frutos de poder econmico ou poltico. 5. Exemplo:As eleies municipais para Prefeito e Vereadores em2004 ocorreram em03 de outubro de 2004 (primeirodomingo de outubro). Todavia, uma Lei Eleitoral(ordinria ou complementar) que muda as regras eleitorais(processo eleitoral) para eleies municipais foi publicada e devidamente sancionada em: a) no dia02 de outubro de 2003 neste caso tervignciaimediata Eeficciatambm imediata, aplicando-se nas eleies de 2004; b) no dia03 de outubro de 2003 neste caso tervignciaimediata Eeficciatambm imediata, aplicando-se nas eleies de 2004; c) no dia04 de outubro de 2003 neste caso tervignciaimediata MAS NO TEREFICCIAimediata, aplicando-se SOMENTE nas eleies de 2008(ou seja, as prximas eleies municipais ou mesmo nas eleies de 2006 eleies gerais e Presidencial, se for o caso de abrangncia desta). Nesse caso, nas eleies municipais de 2004, apesar da nova lei ter entrado imediatamente em vigor, segue as regras da lei velha sobre eleies. 6. ATENO : O TSE entendeu quese aplicao artigo 16 daCF/88 para mudanas em Lei dos PartidosPolticos(filiao partidria, convenes,etc)(Resoluo n 17.844/92, relator MinistroSeplveda Pertence). A QUESTO DOS VEREADORES: A PEC 353/01(CMARA DOS DEPUTADOS) OU A PEC 7/92(SENADO FEDERAL), QUE MODIFICAM A RESOLUO 21.702/04 DO TSE(RE 191917 DO STF REDUO DO NMERO DE VEREADORES NO PAS) PODE VIOLAR O ARTIGO 16 DA CF/88 ? 7. REDUO POR ESTADOS DA FEDERAO Acre 5 Alagoas 83 Amap 16 Amazonas 44 Bahia 882 Cear 799 Esprito Santo 261 Gois 205 Maranho 368 Mato Grosso 147 Mato Grosso do Sul 77 8. REDUO POR ESTADOS DA FEDERAO Minas Gerais (853 Municpios e e 9.093 vereadores 1289 Par207 Paraba 467 Paran 340 Pernambuco 249 Piau 106 Rio de Janeiro 317 Rio Grande do Norte 126 Rio Grande do Sul 562 Rondnia 50 Roraima 20 9. REDUO POR ESTADOS DA FEDERAO Santa Catarina 320 So Paulo 1863 Sergipe 118 Tocantins 15 10. TSE -Resoluo 21702/04 c/c STF PEC 353/2001 Cmara dos Deputados PEC 7/92 Senado Federal Nmero de vereadores no Brasil 60.311 51.748 55.214 Cerca de 54.000 Portanto, em que pese os projetos alhures, o artigo 16 da CF/88 taxativo: A lei que alterar o processo eleitoral s entrar em vigor na data de sua publicao, no se aplicando eleio que ocorra at um ano da data de sua vigncia. Dessa forma, mesmo com uma EC, somente pode valer a nova regra de proporcionalidade para eleies de 2008, j que o artigo 16 da CF/88 consagra o princpio dorules of game , ou seja, a preservao da prpria Democracia e da no interveno casustica de novas leis 11. BRASLIA (19/12/08 Globo on line)- Com o plenrio lotado de suplentes, numa sesso relmpago e em rito sumrio,o Senado aprovou na madrugada desta quinta-feira a proposta de emenda constitucional (PEC) que recria 7.343 dos 8 mil cargos de vereadores cortados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , em 2004, com apoio quase unnime de governistas e oposio.(Leia mais: Estado do Rio ter 331 novos vereadores. S no haver mudana em 22 dos 92 municpios fluminenses) Com a aprovao do texto relatado pelo senador Csar Borges (PR-BA), suplentes que no foram eleitos em outubro passado podero assumir como titulares em fevereiro, junto com os eleitos.A indignao dos leitores J h resposta do TSE, porm, sustentando que os suplentes s poderiam assumir se a emenda tivesse sido aprovada at 30 de junho, prazo de realizao das convenes partidrias. O caso deve ser decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 12. Ponto 02 : Conceito de crime eleitoral 1) o crime eleitoral posta-se em relao de especialidade com o crime comum( quiddistintivo); 2) formalmente, crime eleitoral todo aquele tipificado em lei eleitoral( CEadequadocomo lei complementar 121 CF ) 3) Nlson Hungria e Professor Thales Tcito: 3.1 crimes eleitorais especficos ou puros(Hungria) ou crimes eleitorais prprios(Prof. Thales): so aqueles prprios da Justia Eleitoral, somente previsto em legislao eleitoral e julgado na Justia Eleitoral, salvo foro pela prerrogativa de funo. 3.2 crimes eleitorais acidentais(Hungria) ou crimeseleitorais imprprios(Prof Thales): 13. Crimes eleitorais acidentais ou imprprios so aqueles que esto previstos tanto na legislao comum quanto na legislao eleitoral, prevalecendo o princpio da especialidade. Podem ser julgados na Justia Eleitoral ou no, dependendo: a) doquiddistintivo. Ex: art. 347 do CE Vs. art. 331 CP b) do foro pela prerrogativa de funo. Ex: Governador 4) STF crime eleitoral considerado crime comum, porquanto crime comum para a CF/88 so todos os crimes, exceto os chamados crimes de responsabilidade(STF, HC 42.108-PE, Min. Evandro Lins e Silva). Doutrinas de: Joel Jos Cndido e outros.* Desembargadora Federal Suzana de Camargo Gomes: entende ser crime poltico, porm, julgado pela Justia Eleitoral e no Justia Comum Federal. Doutrinas de Hungria, Roberto Lyra, Fvila Ribeiro. 14.

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  • 1) Crimes comuns (julgados pelas Justias Especializadas ou Justia Comum);
  • 2)Crimes de responsabilidade (julgados pelo Legislativo);
  • 3) Crimes polticos(crimes contra a segurana nacional e os crimes eleitorais Suzana de Camargo Gomes)
  • Ponto 03:Conexo ou Continncia
  • a) Se existir entre crime comum e eleitoral, a JustiaEleitoral julgar ambos(artigo 78, IV, CPP).
  • Ex: fraude eleitoral(art. 349 CE) e leso corporal em mesrio eleitoral em conexo ou fraude eleitoral e desacato a juiz eleitoral.
  • b) Se existir entre crime comum e eleitoral, porm o comum doloso contra a vida, haver o desmembramento. Suzana de Camargo Gomes discorda.
  • Ex: fraude eleitoral e homicdio doloso contra mesrio.

15. c) Se existir entre crime eleitoral e ato infracional, haver o desmembramento Nota: Ainda que um adolescente pratique ato infracional anlogo a crime eleitoral, ser julgado pela Justia Comum Estadual(juzo da Infncia e Juventude); d) Se existir entre crime eleitoral e crime comum, onde um dos agentes possui foro por prerrogativa, por exemplo, promotor eleitoral comete crime eleitoral em conexo com um civil que comete crime comum(leso corporal), haver julgamento pela Justia mais graduada(no exemplo, TRE julgar ambos) ou desmembramento no caso do civil praticar crime doloso contra a vida. No inverso: crime eleitoral por civil e crime comum por Governador - desmembramento d.1- Se forem praticados pelamesma pessoa , o Tribunal competente julgar ambos crimes, exceto Prefeito e deputado estadual, onde haver desmembramento. 16. e) Se no houver conexo entre os crimes, cada Justia julga o crime que lhe for competente importante assim, conhecer os casos de conexo e continncia do artigo 76 e ss do CPP. 17.

  • Portanto, em primeiro lugar devemos analisar se os crimes eleitorais noenvolvam foro pela prerrogativade funese imunidades . Em seguida, deve-se analisar se, havendo dois ou mais crimes, h ou no conexo ou continncia de um deles com a competncia da Justia Eleitoral (existe um crime eleitoral):
  • se houver, a Justia Eleitoral ser competente para o julgamento dos dois delitos, exercendo avis atractiva(art. 78, IV, do CPP), exceto se um dos crimes praticados for da competncia do Egrgio Tribunal do Jri ou da competncia originria dos Tribunais(foro pela prerrogativa de funes);
  • se no houver, a competncia ser da Justia Comum (Estadual ou Federal esta, se atingir B.I.S da Unio ou sua autarquia ou sua empresa pblica ou SMULA 146 STJ C/C 283 DO CE E 327 CP. Ex: homicdio doloso de mesrio eleitoral; Ex2: crime contra honra de juiz eleitoral fora do contexto de propaganda eleitoral sem oquiddistintivo ou sem oelemento acidental ) ou da Justia Militar (se o crime conexo for militar).
  • Aps, dever ser analisada a questo da competncia dos rg