CRIMES ELEITORAIS - .12/11/2013 · viii Crimes Eleitorais e Processo Penal Eleitoral • Gonçalves

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Text of CRIMES ELEITORAIS - .12/11/2013 · viii Crimes Eleitorais e Processo Penal Eleitoral • Gonçalves

LUIZ CARLOS DOS SANTOS GONALVES

CRIMES ELEITORAISE PROCESSO PENAL ELEITORAL

SEGUNDA EDIO

2a Prova

Crimes eleitorais e ProCesso Penal eleitoral

4a Prova 4a Prova

Para alguns livros disponibilizado MaterialComplementar e/ou de Apoio no site da editora.

Verifique se h material disponvel para este livro em

atlas.com.br

2a Prova

Crimes eleitorais e ProCesso Penal eleitoral

SO PAULOEDITORA ATLAS S.A. _ 2015

luiz Carlos Dos santos Gonalves

2 Edio

2a Prova

2012 by Editora Atlas S.A.

1. ed. 2012; 2. ed. 2015

Capa: Leonardo HermanoProjeto grfico e composio: CriFer Servios em Textos

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Gonalves, Luiz Carlos dos Santos Crimes eleitorais e processo penal eleitoral / Luiz Carlos dos Santos

Gonalves. 2. ed. So Paulo : Atlas, 2015.

Bibliografia.ISBN 978-85-224-9898-7

ISBN 978-85-224-9899-4 (PDF)

1. Crimes e delitos polticos Brasil 2. Direito eleitoral Brasil 3. Justia eleitoral Brasil 4. Processo penal I. Ttulo.

12-04619CDD-342.8(81)

ndice para catlogo sistemtico:

1. Brasil : Crimes eleitorais : Processo penal eleitoral 342.8(81)

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS proibida a reproduo total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio.

A violao dos direitos de autor (Lei no 9.610/98) crime estabelecido pelo artigo 184 do Cdigo Penal.

ABDR

Editora Atlas S.A.

Rua Conselheiro Nbias, 1384

Campos Elsios

01203 904 So Paulo SP

011 3357 9144

atlas.com.br

2a Prova

Para o Joo, a Ana e o ngelo.

SUmRIO

Apresentao, IX

Primeira Parte: Introduo aos Crimes Eleitorais, 1

Constituio e crimes, 1Direito penal eleitoral ou eleitoral penal, 2Organizao da justia eleitoral e leis eleitorais, 3A fonte normativa dos crimes eleitorais, 4Um pouco de histria, 6

Segunda Parte: A Interpretao e Classificao dos Crimes Eleitorais, 9

Generalidades e independncia das instncias, 9A parcial recepo constitucional dos crimes eleitorais codificados, 11Aplicao das regras penais gerais, 13Classificao dos crimes eleitorais, 14Caractersticas comuns aos crimes eleitorais, 20

Terceira Parte: Os Crimes do Cdigo Eleitoral, 26

As disposies penais gerais do Cdigo Eleitoral, 27O funcionrio pblico eleitoral, 27As penas mnimas e mximas, 28A pena de multa, 28Os crimes em espcie, previstos no Cdigo Eleitoral, 29

Quarta Parte: Os Crimes Eleitorais da Legislao Esparsa, 127

Os crimes da Lei 9.504/97, 127

viii Crimes Eleitorais e Processo Penal Eleitoral Gonalves

2a Prova

Crimes do dia da eleio, 132A Lei 12.891, de 11.12.2013 e o crime de contratao excessiva de cabos eleitorais, 145O crime da Lei Complementar n 64, de 1990, 148Os crimes da Lei 6.091, de 15 de agosto de 1974, 150

Quinta Parte: Processo Penal Eleitoral, 156

Introduo, 156O Ministrio Pblico Eleitoral, 157A polcia judiciria eleitoral, 159Crimes eleitorais prprios e competncia, 161Prerrogativa de foro, 162As imunidades do Presidente da Repblica, 164A imunidade formal dos Governadores de Estado ou do Distrito Federal, 165Imunidades de senadores, deputados federais, estaduais e distritais, 166Conexo e foro por prerrogativa de funo, 166Crimes conexos aos eleitorais: competncia, 167Crimes conexos de menor potencial ofensivo, 169Crimes eleitorais inespecficos e competncia, 170Aplicao subsidiria do Processo Penal Comum, 172Ao Penal Eleitoral, 173Obrigatoriedade da ao penal e controle, 174O procedimento das aes penais eleitorais perante o juiz eleitoral, 176O procedimento das aes penais eleitorais originrias dos tribunais, 179Recursos eleitorais criminais, 179Embargos de declarao, 182Agravo regimental, 183Embargos infringentes e de nulidade?, 183Recursos para o Tribunal Superior Eleitoral, 184Recurso Especial, 185Recurso Ordinrio, 188Agravo, 188Recursos contra as decises do Tribunal Superior Eleitoral, 190Habeas Corpus e Reviso Criminal, 191Resoluo n 23.396 Consolidada com alteraes, 193

Sexta Parte: Proposta para Reforma e Recodificao dos Crimes Eleitorais, 197

Proposta de Alterao Legislativa: Crimes Eleitorais, 197

Referncias, 203

2a Prova

APRESEnTAO

Este trabalho, agora em segunda edio, procura estudar os crimes eleitorais com um vis prtico. Ele se destina aos estudantes, juzes, advogados, membros do Ministrio Pblico, assessores parlamentares e funcionrios da Justia Eleitoral.

Previstos s dezenas em nosso j antigo Cdigo Eleitoral, os crimes contra as elei-es muitas vezes so considerados um mero apndice das sanes cveis, as nicas que, com grande esforo, se consegue aplicar antes que cessem os calores das campanhas.

Entretanto, h gravssimos comportamentos, plenos de dignidade penal, h-beis, se tolerados, a estorvar a legitimidade do processo democrtico. H outros, tambm, que melhor seria descriminalizar ou que sequer foram recebidos pela Constituio de 1988.

A experincia do autor na lida com esses crimes vem do exerccio, de 2006 a 2010, da funo de Procurador Regional Eleitoral em So Paulo, primeiro como subs-tituto e, depois, como titular. Em 2013, passou a atuar na assessoria da Procuradoria--Geral Eleitoral, em Braslia. Nessa condio, auxiliando na elaborao dos pareceres que o Ministrio Pblico Eleitoral oferece como custos legis perante o Tribunal Superior Eleitoral, pde examinar dezenas de processos-crime eleitorais, em grau de recurso, vindos de todas as partes do Brasil. Isso sem contar Habeas Corpus.

Esta segunda edio deve muito a esta experincia. Ela inclui exame da legislao eleitoral atualizada inclusive de projetos de reforma dos crimes eleitorais , bem como traz novos julgados e aportes doutrinrios.

o trabalho que ora se oferece aos interessados em Direito Penal Eleitoral.

O Autor

2a Prova

2a Prova

AgRADEcImEnTO

Agradeo a Fernanda Junqueira, que trouxe para este trabalho, minudentemente, a perspectiva dos leitores.

2a Prova

1

PRImEIRA PARTE: InTRODUO AOS cRImES ELEITORAIS

Constituio e crimes

A Constituio Federal autoriza a existncia das penas criminais, impostas a comportamentos que devem ser detalhadamente descritos por lei (reserva de lei penal, art. 5, XXXIX) e que devem proteger bens jurdicos constitucionalmente compatveis, diante de ameaas ou leses (reserva de lei penal em sentido material).

A meno constitucional a essas penas copiosa. O rol dos direitos e garantias fundamentais, art. 5, chega a determinar, para o crime de racismo, a pena de reclu-so (inciso XLII). O mesmo artigo autoriza expressamente algumas penas (XLVI) e probe outras (XLVII). Ele se antecipa formao da vontade pelo legislador ordin-rio e lhe ordena a adoo de penas criminais para a proteo de alguns bens jurdicos (as discriminaes atentatrias dos direitos e liberdades fundamentais, a dignidade da pessoa humana no caso do racismo , a tortura, o trfico ilcito de entorpecen-tes, os crimes hediondos, o terrorismo...). So os mandados de criminalizao, no caso, expressos.1

Essa determinao e autorizao constitucionais para o emprego dos instru-mentos de sano criminal ope-se a doutrinas abolicionistas ou que professam, para todo contexto e circunstncia, um Direito Penal mnimo. Ao contrrio, o Direi-

1 Estudo nesse sentido em nosso Mandados Expressos de Criminalizao e a Proteo dos Direitos Fundamen-tais na Constituio Federal de 1988, Editora Forum, Belo Horizonte, 2007.

2a Prova

2 Crimes Eleitorais e Processo Penal Eleitoral Gonalves

to Penal constitucionalmente desenhado parece buscar a proporcionalidade, ao invs de mximos ou mnimos aprioristicamente definidos.2

Por outro lado, no h dvidas de que a mesma Constituio Federal de 1988 estabelece claros limites atividade criminalizadora do Estado, no a autorizando, por exemplo, para a proteo de itens que no estejam em conformidade com seu generoso regime de liberdades. Penas que reforcem preconceitos, imponham opes religiosas, restrinjam espaos vlidos de conformao moral ou de pensamento e, de uma maneira geral, sejam ofensivas dignidade da pessoa humana ou despropor-cionais esto, claramente, fora do espao constitucional. Por igual, crimes que no atendam s regras constitucionais, como a da reserva estrita de lei, com a definio exata da conduta qual se cominar pena, no so vlidos.3

possvel dizer, portanto, que o Direito Penal volta-se para a proteo proporcional de bens jurdicos4 previstos ou aceitos pela Carta Poltica. O requisito da subsidiariedade dessa proteo, embora de largo trnsito doutrinrio, no nos parece mais adequado do que a exigncia da proporcionalidade, apta para obstar excessos e vedar insuficincias.

Direito penal eleitoral ou eleitoral penal

Urge saber, ento, se o ambiente do Direito Eleitoral, isto , o das regras sobre o exerccio direto do poder pelo povo ou sobre a escolha de representantes, pro-pcio adoo de sanes criminais. Noutras palavras, se h bens jurdicos de talhe eleitoral aptos a receber proteo penal.

Nossa resposta positiva. A lisura e a legitimidade das eleies e das escolhas populares funcionam como elementos centrais de garantia do regime democrtico e do Estado de Direito. Sem eles, as eleies poderiam ser uma encenao ou fraude, incapazes de lastrear o exerccio regular do poder.

Assim, da mesma maneira como a dignidade humana, a vida ou o patrimnio se oferecem como itens merecedores de proteo penal, tambm o fazem a higidez do processo eleitoral, a igualdade entre os candidatos, a liberdade de voto e a admi-

2 Ver A Constituio Penal: a dupla face da proporcionalidade no controle de normas penais