CRIMES ELEITORAIS MÁRIO AUGUSTO MARQUES DA COSTA PALESTRANTE

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  • CRIMES ELEITORAIS MRIO AUGUSTO MARQUES DA COSTA PALESTRANTE
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  • 1 - Conceito de crime eleitoral 1. O crime eleitoral posta-se em relao de especialidade com o crime comum( quid distintivo); formalmente, crime eleitoral todo aquele tipificado em lei eleitoral (CE adequado como lei complementar 121 CF) 2. Nlson Hungria e Professor Thales Tcito: 2.1 Crimes eleitorais especficos ou puros(Hungria) ou crimes eleitorais prprios(Prof. Thales): so aqueles prprios da Justia Eleitoral, somente previsto em legislao eleitoral e julgado na Justia Eleitoral, salvo foro pela prerrogativa de funo. 2.2 crimes eleitorais acidentais (Hungria) ou crimes eleitorais imprprios (Prof Thales):
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  • 2. Crimes eleitorais acidentais ou imprprios So aqueles que esto previstos tanto na legislao comum quanto na legislao eleitoral, prevalecendo o princpio da especialidade. Podem ser julgados na Justia Eleitoral ou no, dependendo: a) do quid distintivo. Ex: art. 347 do CE Vs. art. 331 CP b) do foro pela prerrogativa de funo. Ex: Governador 3. STF crime eleitoral considerado crime comum, porquanto crime comum para a CF/88 so todos os crimes, exceto os chamados crimes de responsabilidade(STF, HC 42.108-PE, Min. Evandro Lins e Silva). Doutrinas de: Joel Jos Cndido e outros. * Desembargadora Federal Suzana de Camargo Gomes: entende ser crime poltico, porm, julgado pela Justia Eleitoral e no Justia Comum Federal. Doutrinas de Hungria, Roberto Lyra, Fvila Ribeiro.
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  • Logo: 1) Crimes comuns (julgados pelas Justias Especializadas ou Justia Comum); 2) Crimes de responsabilidade (julgados pelo Legislativo); 3) Crimes polticos(crimes contra a segurana nacional e os crimes eleitorais Suzana de Camargo Gomes) Conexo ou Continncia a) Se existir entre crime comum e eleitoral, a Justia Eleitoral julgar ambos(artigo 78, IV, CPP). Ex: fraude eleitoral(art. 349 CE) e leso corporal em mesrio eleitoral em conexo ou fraude eleitoral e desacato a juiz eleitoral. b) Se existir entre crime comum e eleitoral, porm o comum doloso contra a vida, haver o desmembramento. Suzana de Camargo Gomes discorda. Ex: fraude eleitoral e homicdio doloso contra mesrio.
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  • c) Se existir entre crime eleitoral e ato infracional, haver o desmembramento Nota: Ainda que um adolescente pratique ato infracional anlogo a crime eleitoral, ser julgado pela Justia Comum Estadual(juzo da Infncia e Juventude); d) Se existir entre crime eleitoral e crime comum, onde um dos agentes possui foro por prerrogativa, por exemplo, promotor eleitoral comete crime eleitoral em conexo com um civil que comete crime comum(leso corporal), haver julgamento pela Justia mais graduada(no exemplo, TRE julgar ambos) ou desmembramento no caso do civil praticar crime doloso contra a vida. No inverso: crime eleitoral por civil e crime comum por Governador - desmembramento d.1- Se forem praticados pela mesma pessoa, o Tribunal competente julgar ambos crimes, exceto Prefeito e deputado estadual, onde haver desmembramento. e) Se no houver conexo entre os crimes, cada Justia julga o crime que lhe for competente importante assim, conhecer os casos de conexo e continncia do artigo 76 e ss do CPP. Portanto, em primeiro lugar devemos analisar se os crimes eleitorais no envolvam foro pela prerrogativa de funes e imunidades
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  • Em seguida, deve-se analisar se, havendo dois ou mais crimes, h ou no conexo ou continncia de um deles com a competncia da Justia Eleitoral (existe um crime eleitoral): Se houver, a Justia Eleitoral ser competente para o julgamento dos dois delitos, exercendo a vis atractiva (art. 78, IV, do CPP), exceto se um dos crimes praticados for da competncia do Egrgio Tribunal do Jri ou da competncia originria dos Tribunais(foro pela prerrogativa de funes); se no houver, a competncia ser da Justia Comum (Estadual ou Federal esta, se atingir B.I.S da Unio ou sua autarquia ou sua empresa pblica ou SMULA 146 STJ C/C 283 DO CE E 327 CP. Ex: homicdio doloso de mesrio eleitoral; Ex2: crime contra honra de juiz eleitoral fora do contexto de propaganda eleitoral sem o quid distintivo ou sem o elemento acidental ) ou da Justia Militar (se o crime conexo for militar). Aps, dever ser analisada a questo da competncia dos rgos julgadores, seguindo as mesmas regras de competncia do Processo Penal e Constitucional.
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  • A COMPETENCIA PARA APURAO DOS CRIMES ELEITORAIS A polcia judiciria encarregada de investigar os crimes eleitorais a Polcia Federal, embora, admite-se a atuao conjunta da Polcia Civil e at mesmo da Polcia Militar por solicitao da Polcia Federal, requisio da Justia Eleitoral ou at mesmo de ofcio (Dec.-lei n. 1.064/69, Decreto Federal n. 73.332/73 e Resoluo TSE n. 23.222/2010 ). Em regra a denncia ou a queixa subsidiria pertinente a crime eleitoral dever ser apresentada ao juiz eleitoral do lugar do crime, observadas as regras do artigo 6. do Cdigo Penal. Assim, qualquer cidado que tiver conhecimento de infrao penal eleitoral dever comunic-la ao juiz eleitoral da zona onde a mesma se verificou, e esse remeter a notcia ao Ministrio Pblico. Caso o autor do delito desfrute de prerrogativas funcionais, o processo e o julgamento ser deslocado do Juiz Eleitoral para o Tribunal Regional Eleitoral, caso o crime eleitoral seja praticado por um Juiz Eleitoral, um promotor eleitoral ou um prefeito; para o Superior Tribunal Judicirio, caso o crime eleitoral seja praticado por um governador; ou para o Supremo Tribunal Federal, caso o do crime eleitoral seja praticado pelo Presidente da Repblica, Deputado Federal ou Senador. O rito do processo nos tribunais, segundo prevalece na jurisprudncia, o da Lei n. 8.038/90 por fora da Lei n. 8.658/93).
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  • Rcl N. 4.830 MG RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO EMENTA: COMPETNCIA CRIMINAL. Originria. Parlamentar. Deputado Federal. Inqurito policial. Crime eleitoral. Crime comum para efeito de competncia penal original do Supremo. Feito da competncia deste. Reclamao julgada procedente. Precedentes. Inteligncia do art. 102, I, b da CF. Compete ao Supremo Tribunal Federal supervisionar inqurito policial em que deputado federal suspeito da prtica de crime eleitoral. CRIMES CONTRA A LIBERDADE DO VOTO Dispe o art. 299 do Cdigo Eleitoral, verbis: Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, ddiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer absteno, ainda que a oferta no seja aceita: Pena- recluso de quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.
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  • O referido crime abrange tanto a corrupo ativa, praticada por candidato ou no, consistente na prtica de dar, oferecer, prometer, para si ou para outrem, dinheiro, ddiva, ou qualquer outra vantagem, para obter voto ou para conseguir absteno, ainda que a oferta no seja aceita, e a passiva, perpetrada por eleitor, consistente na prtica de solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, ddiva ou qualquer outra vantagem, para dar voto ou prometer absteno. Assim, o tipo penal possui diversos ncleos. O crime se configura independentemente do resultado, conforme se encontra previsto no prprio texto legal, ao esclarecer que o crime se configura ainda que a oferta no seja aceita. Para a configurao do crime, faz-se necessrio que as promessas, as ofertas sejam diretas, concretas, objetivas, individualizada e determinada, com o fim especfico de obteno do voto do eleitor. (TSE- HC n 463 Bahia - Rel. Min. Luiz Carlos Madeira, DJU 03/10/03, p. 105).
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  • DOLO ESPECFICO NECESSIDADE Habeas corpus. Crime de corrupo eleitoral (art. 299 do CE). Recebimento da denncia. Constrangimento ilegal. Liminar. Deferimento. Ausncia de dolo especfico. Trancamento da ao penal. Sendo elemento integrante do tipo em questo a finalidade de "obter ou dar voto ou prometer absteno", no suficiente para a sua configurao a mera distribuio de bens. A abordagem deve ser direta ao eleitor, com o objetivo de dele obter a promessa de que o voto ser obtido ou dado ou haver absteno em decorrncia do recebimento da ddiva. Ordem concedida para trancar a ao penal. (TSE, HC n. 463, Ac. n. 463, de 18.9.2003, Rel. Min. Luiz Carlos Madeira) Eleitoral. Agravo regimental. Agravo de instrumento. Crime de corrupo eleitoral (art. 299 do Cdigo Eleitoral). No- configurao. Alegao de justa causa afastada.
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  • 1. Constitui constrangimento ilegal a apurao de fatos que desde logo no configuram o crime de corrupo. 2. Deciso agravada mantida por seus prprios fundamentos. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. NE: No caso, segundo consta do acrdo regional, o ora recorrido, candidato, foi preso em flagrante no aeroporto do Maranho, por portar a quantia de R$371.000,00 (trezentos e setenta e um mil reais), no havendo nos autos prova de oferecimento de vantagens para obteno de votos, hbil a responsabiliz-lo pelo crime de corrupo eleitoral ou outro delito(...) (Ac. n o 4.470, de 20.4.2004, rel. Min. Carlos Velloso.) Habeas corpus - Corrupo eleitoral - Art. 299 do Cdigo Eleitoral - Ausncia de dolo especfico. Ordem concedida de ofcio. I - Distribuio de ddivas no condicionada a pedido de voto no se enquadra na ao descrita no art. 299 do Cdigo Eleitoral, que exige dolo especfico, caracterizado pela inteno de obter a promessa do eleitor de votar ou no em determinado candidato. (TSE, HC n. 366, Ac. n. 366, de 19.10.1999, Rel. Min. Eduardo Alckmin
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  • Habeas-corpus. Crime corrupo eleitoral (art. 299 do CE). Recebimento da denncia. Constrangimento ilegal. Liminar. Deferimento. Ausncia de dolo especfico. Trancamento da ao penal. Para a satisfao da hiptese descrita na lei, deve ser