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Custos Logísticos na Economia Brasileira MAURICIO PIMENTA LIMA Introdução A carência de informações sobre custos logísticos no Brasil torna freqüente a utilização de dados defasados. O grande problema é que estes dados não necessariamente representam a nossa atual realidade, tornando difícil, entre outras coisas, a comparação com outros países. Além de tudo, a falta de um histórico acaba inviabilizando a análise da evolução do nosso custo logístico. Diante deste cenário, o Centro de Estudos em Logística realizou uma pesquisa sobre Custos Logísticos no Brasil buscando números e metodologias que respondessem as principais questões relacionadas ao tema. Assim, em Janeiro deste ano, iniciamos uma pesquisa e logo nos deparamos com uma imensa dificuldade de obtenção de dados sobre o país. Além de pouco atualizadas, muitas informações são imprecisas e incompletas. Outras não são disponíveis, ou mesmo não existem. Isto ocorre não apenas no que se refere aos dados de custos, mas em logística em geral. Para contornar o problema, a pesquisa utilizou mais de 30 diferentes fontes (ABCR, ANP, ANTT, ANTF, ANTAQ, Banco Mundial, BNDES, CNT, CONAB, CVM – Economática, CSCMP, DAC, DETRAN, FIPE, GEIPOT, IBGE, INFRAERO, IPEA, NTC, SINDICOM, Revistas especializadas, empresas usuárias de transporte aquaviário, empresas de navegação, empresas distribuidoras de combustível, empresas aéreas, empresas de transporte e diversos executivos e especialistas do mercado) trabalhando números, em paralelo, para garantir a acurácia dos resultados. Além da parte macroeconômica, foi conduzida uma pesquisa com grandes empresas atuantes no Brasil, buscando saber não apenas a representatividade dos custos logísticos nestas indústrias, mas também, como está sendo realizada a gestão de custos, quais sistemas são utilizados para suporte e qual a expectativa para evolução destes gastos, dentre outros resultados. No entanto, devido ao grande volume de informações, esta parte microeconômica será apresentada, em breve, em uma próxima oportunidade.

Custos Logisticos No Brasil

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Custos no Brasil

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  • Custos Logsticos na Economia Brasileira

    MAURICIO PIMENTA LIMA

    Introduo

    A carncia de informaes sobre custos logsticos no Brasil torna freqente a

    utilizao de dados defasados. O grande problema que estes dados no

    necessariamente representam a nossa atual realidade, tornando difcil, entre outras

    coisas, a comparao com outros pases. Alm de tudo, a falta de um histrico acaba

    inviabilizando a anlise da evoluo do nosso custo logstico.

    Diante deste cenrio, o Centro de Estudos em Logstica realizou uma pesquisa

    sobre Custos Logsticos no Brasil buscando nmeros e metodologias que respondessem

    as principais questes relacionadas ao tema. Assim, em Janeiro deste ano, iniciamos

    uma pesquisa e logo nos deparamos com uma imensa dificuldade de obteno de dados

    sobre o pas. Alm de pouco atualizadas, muitas informaes so imprecisas e

    incompletas. Outras no so disponveis, ou mesmo no existem. Isto ocorre no apenas

    no que se refere aos dados de custos, mas em logstica em geral.

    Para contornar o problema, a pesquisa utilizou mais de 30 diferentes fontes

    (ABCR, ANP, ANTT, ANTF, ANTAQ, Banco Mundial, BNDES, CNT, CONAB,

    CVM Economtica, CSCMP, DAC, DETRAN, FIPE, GEIPOT, IBGE, INFRAERO,

    IPEA, NTC, SINDICOM, Revistas especializadas, empresas usurias de transporte

    aquavirio, empresas de navegao, empresas distribuidoras de combustvel, empresas

    areas, empresas de transporte e diversos executivos e especialistas do mercado)

    trabalhando nmeros, em paralelo, para garantir a acurcia dos resultados.

    Alm da parte macroeconmica, foi conduzida uma pesquisa com grandes

    empresas atuantes no Brasil, buscando saber no apenas a representatividade dos custos

    logsticos nestas indstrias, mas tambm, como est sendo realizada a gesto de custos,

    quais sistemas so utilizados para suporte e qual a expectativa para evoluo destes

    gastos, dentre outros resultados. No entanto, devido ao grande volume de informaes,

    esta parte microeconmica ser apresentada, em breve, em uma prxima oportunidade.

  • O estudo macroeconmico foco deste texto pretende ter seus nmeros

    atualizados pelo menos a cada dois anos, permitindo a gerao de um evolutivo dos

    gastos com logstica no Brasil. Costumo comparar a necessidade de medio de

    indicadores com o papel de uma balana em um regime, pois independente do tipo de

    dieta utilizada para emagrecer, praticamente inconcebvel imagin-la sem a utilizao

    de uma balana para medio do peso e seu acompanhamento.

    Este texto ir abordar a parte da pesquisa referente ao clculo do custo logstico

    do Brasil, incluindo as atividades de transporte, armazenagem, estoque e a sua

    administrao. O escopo deste trabalho limitado s operaes domsticas, incluindo

    no caso de exportaes, o transporte at o porto no Brasil e no caso de importaes, o

    transporte a partir do porto nacional, incluindo o custo porturio. Por fim, ser

    apresentado um comparativo entre os valores do Brasil e dos EUA.

    Antecedentes

    At a realizao desta pesquisa, a estimativa corrente do nosso custo logstico

    era de cerca de 17% do PIB. A origem deste nmero est ligada a um estudo do Banco

    Mundial realizado em 1996. Este estudo focado em transportes no chega a mencionar o

    valor de 17%, mas estima o custo de transporte no Brasil como sendo entre 9 e 10% do

    PIB. A partir deste nmero, extrapolou-se - a comunidade logstica em geral, no o

    Banco Mundial com base na parcela de custo de transporte, normalmente em torno de

    60% do custo logstico, para se obter o resultado final. Assim, a partir do intervalo

    superior do custo de transporte de 10% do PIB chegou-se ao custo logstico nacional de

    17% . Diante da falta de outro nmero mais preciso, este acabou virando uma

    referncia.

    Independente da qualidade da estimativa dos 17% vale observar as

    transformaes ocorridas desde 1996, data referncia do estudo anterior, at 2004, data

    dos dados utilizados nesta pesquisa. Nos EUA, por exemplo, apesar do aumento do

    petrleo, o custo logstico diminuiu em relao ao PIB durante este perodo, passando

    de 10,2% para 8,6%, segundo pesquisa do Delaney1

    1 embora o Delaney tenha falecido a Wilson continua atualizando o trabalho

    e Wilson, referncia americana,

    com a qual estaro sendo comparados os valores encontrados no Brasil. Como a

    pesquisa americana considera tambm parte do transporte internacional, o valor de

  • comparao utilizado do custo americano foi de 8,3% do PIB, depois de excludos os

    custos de transporte internacional.

    As variaes do custo logstico americano de 1996 at 2004 mostram que houve

    uma reduo do custo de estoque e, em segundo plano, do custo transporte.

    No Brasil, durante este perodo, o diesel subiu 292%, resultado da elevao do

    preo do petrleo, o qual tambm causou um aumento nos valores dos pneus. Vale

    ressaltar que estes itens de custo varivel so de grande importncia na formao do

    preo. Principalmente no Brasil, onde o frete praticado em grande parte das vezes

    inferior ao custo total, principalmente no caso dos autnomos. Nestes casos, o preo

    cobre os custos variveis, porm no remunera todos os custos fixos, principalmente

    aqueles ligados ao investimento, como o de depreciao e o financeiro.

    Com o aumento dos custos variveis, a margem existente para negociao de

    preo do autnomo diminui, pois o custo varivel se torna mais significativo. Dados de

    uma revista nacional de transporte de 1996 mostram que o diesel na poca representava

    16,8% do custo total de uma carreta. Em um exemplar de 2004 da mesma revista, o

    diesel j representava 31,8% do custo total, considerando o mesmo tipo de veculo e

    operao.

    Embora tmida, a boa novidade est relacionada ao aumento da parcela da

    ferrovia na movimentao de carga, a qual estava na faixa de 20% em 1996 e foi para

    24% em 2004. A participao do rodovirio continua elevada, mas diminuiu um pouco,

    foi de um de 64% para 59% no mesmo perodo.

    Quanto ao custo financeiro de estoque, ao comparar a taxa bsica de juros de

    2004 com a de 1996 possvel perceber uma significativa reduo. Enquanto em 1996 a

    taxa mdia ficou em 27,15% a.a., em 2004, ela ficou em 16,44% a.a.. claro que em

    termos comparativos com outros pases a taxa brasileira continua excessivamente alta.

    Nos EUA, no mesmo perodo ela passou de 5,27% para 1,38%.

  • Transporte

    Para se chegar ao custo de transporte foi calculado o custo por modal, conforme

    exposto a seguir.

    Rodovirio

    Apesar de este modal ser responsvel pela maior parcela da carga movimentada

    no pas e pela maior parcela dos custos, os dados relativos a esta atividade so escassos

    e pouco confiveis.

    Assim, a soluo encontrada foi calcular o custo de maneira indireta se baseando

    no consumo de diesel e na sua participao no valor do frete. Os custos de pedgio,

    gerenciamento de riscos e o custo de transporte de carga em veculos sem serem

    movidos a diesel foram considerados em outras contas e posteriormente adicionados.

    O estudo apontou que 55% do total de diesel consumido no Brasil em 2004

    foram destinados ao transporte rodovirio de carga, enquanto os demais 45% foram

    destinados agroindstria, ao transporte ferrovirio, ao governo, ao transporte

    rodovirio de passageiros, navegao, pesca, s indstrias, minerao e aos carros

    de passeio.

    Com base na parcela de 55% e no consumo total de diesel, chegou-se ao volume

    destinado ao transporte rodovirio de carga em 2004 de 21,7 bilhes de litros, o qual

    correspondia a R$ 32,3 bilhes. A partir da, o desafio foi obter o percentual mdio do

    custo do diesel no frete no Brasil.

    Para chegar a esta mdia foi necessrio fazer uma segmentao considerando os

    fatores que mais influenciavam neste percentual, entre os quais se destacavam: a

    distncia da rota, o tipo de carga transportada, se a carga era fechada ou fracionada, a

    utilizao de autnomos e a existncia de frete retorno.

    Desta forma, foi feita uma composio sobre qual seria a relao entre o custo de

    combustvel e o valor do frete para cada tipo de perfil de transporte selecionado e a sua

    respectiva participao dentro do consumo total. Ponderando-se as diferentes realidades

    que variavam de 1,5% para carga fracionada em curta distncia, passando por 24,6%

    para carga intra-regional e 28,1% para produtos perigosos inter-regionais at 41,8%

    para carga geral em longa distncia, chegou-se a um percentual mdio de 33,6%.

  • Isto significa dizer que a cada R$ 3,00 gastos com transporte em 2004, em mdia

    R$ 1,00 foi referente ao custo do diesel, enquanto os outros R$ 2,00 foram utilizados

    para cobrir os demais custos (motorista, manuteno, depreciao etc.) e ainda,

    eventualmente, gerar lucro.

    Com base neste percentual, chegou-se ao custo de transporte rodovirio dos

    veculos a diesel em 2004 de R$ 96,3 bilhes.

    Ento foi calculado o custo com os veculos que no utilizam diesel, a conta de

    pedgio e de gerenciamento de riscos. Os custo dos veculos de transporte de carga que

    utilizam outros combustveis foram estimados em R$ 7,0 bilhes com base no nmero

    de unidades e no custo padro. Sobre o pedgio, por exemplo, no foi encontrada

    nenhuma informao sobre o valor arrecadado com o transporte de carga. Fez-se,

    portanto, a conta inversa, subtraindo do valor total de pedgio pago no Brasil em 2004,

    o valor estimado referente ao transporte de passageiros, obtendo-se R$ 2,2 bilhes.

    Quanto ao gerenciamento de riscos estimamos seu custo em R$ 3,3 bilhes com base na

    parte microeconmica da pesquisa.

    Assim, obteve-se o custo total do transporte rodovirio no Brasil de R$ 109,2

    bilhes em 2004, conforme pode ser visto no quadro resumo da figura 1.

    Ferrovirio

    O transporte ferrovirio foi o mais simples de ser encontrado. Bastou conseguir

    com a ANTT (Agncia Nacional de Transporte Terrestre) a receita de todas as

    concessionrias ferrovirias do pas em 2004, dado que este valor equivale ao custo de

    todos os embarcadores com relao ferrovia, no caso R$ 7,5 bilhes,

  • Aquavirio

    O clculo do transporte aquavirio foi segmentado em um primeiro nvel em:

    granel slido, granel lquido e carga geral, alm de tratar do hidrovirio a parte.

    No caso de granel lquido foram consideradas duas realidades distintas a de

    embarcaes fretadas no longo prazo e outra na qual contratado apenas o servio de

    transporte. A carga geral tambm teve que ser segmentada entre contineres e suporte s

    operaes offshore.

    Entre os dados mais difceis de serem obtidos destacaram-se os do transporte

    hidrovirio, cujas informaes eram pouco precisas e no estavam consolidadas. No

    caso, foram usados valores de frete repassados por alguns embarcadores e dados de

    movimentao de outros trabalhos.

    Com base nos dados de frete por tipo de carga transportado e seus respectivos

    volumes de movimentao foi calculado o custo do modal aquavirio, cujo resultado foi

    de R$ 7,3 bilhes na carga domstica e mais R$ 5,2 bilhes referentes ao custo

    porturio de importaes e exportaes. Vale Destacar na carga nacional, o transporte

    de petrleo cru das plataformas para as refinarias por navio devido a sua relevncia no

    volume total.

    Dutovirio

    As informaes de custos foram baseados nos dados disponveis da Transpetro,

    responsvel por mais de 80% da carga transportada em dutos no Brasil. Estes dados

    foram extrapolados, considerando a movimentao total e obteve-se o custo de R$ 2,1

    bilhes do modal dutovirio.

    Aerovirio

    No aerovirio tambm foram utilizados valores mdios de frete e volume de

    movimentao. Estes dados em grande parte dependeram da colaborao de muitos

    executivos e especialistas ligados a empresas do setor, dada a dificuldade de obt-los.

    Os valores de frete dos Correios foram tratados em uma outra conta dado a sua

    representatividade e a sua tarifa diferenciada.

    O custo calculado para o modal Areo em 2004 foi de R$ 1,9 bilhes.

  • Custo total de transporte

    Considerando o custo de cada modal, conforme pode ser visto no quadro da

    figura 2, o resultado encontrado para o custo total de transporte no Brasil em 2004 foi

    de R$ 133,3 bilhes, valor equivalente a 7,5% do PIB.

    Estoque

    O custo de estoque foi calculado atravs de dois modelos diferentes para validar

    o resultado. No primeiro momento foi utilizado o valor imobilizado em estoque

    publicado pelo IBGE relativo a 2003, porm ajustado para 2004, no valor de R$ 221,6

    bilhes. Em seguida, est informao foi checada com os dados de cobertura de estoque

    de empresas de capital aberto, tendo como fonte dados da Economtica.

    Sobre o montante imobilizado de R$ 221,6 bilhes foram aplicadas duas taxas.

    A primeira referente ao custo financeiro, na qual se utilizou a taxa Selic mdia de 2004

    de 16,25% a.a.. A segunda referente aos custos de depreciao, obsolescncia e seguro.

    Neste caso utilizou-se a metodologia e utilizada por Delaney e Alford-Bangs no clculo

    do custo logstico americano com a mesma taxa de 15,25% a.a. dado que no tnhamos

    nenhum estudo neste sentido no Brasil e tnhamos o objetivo compar-lo com o nmero

    americano. Aplicando estas duas taxas chegamos a um custo de estoque no Brasil de R$

    69,8 bilhes, o que representa 3,9% do nosso PIB.

  • Armazenagem

    O clculo do custo de armazenagem seguiu a proporo observada no modelo

    metodolgico americano, resultando de um percentual do valor de estoque imobilizado.

    Assim obteve-se um custo de R$ 11,7 bilhes, o equivalente a 0,7% do PIB.

    Administrativo

    O custo administrativo tambm utilizou a metodologia de Delaney e Wilson dos

    dados estrangeiros, que considera um custo administrativo de 4% do total do custo

    logstico. Desta forma, para o Brasil, obteve-se R$ 8,5 bilhes, o que corresponde a

    0,5% do PIB.

    Custo Logstico

    A composio de todos estes custos logsticos do Brasil em 2004 chega a um

    total de R$ 222 bilhes, o equivalente a 12,6% do PIB, conforme pode ser visto na

    figura 3.

    Nos Estados Unidos, os custos logsticos (domsticos) so equivalentes a 8,26%

    do PIB. Entre os custos das atividades, o de estoque relativamente o que apresenta a

    maior diferena na comparao, 3,9% no Brasil contra 2,1% nos EUA. A outra parte da

    diferena relativa ao custo de transporte, 5,1% e 7,5% respectivamente. A figura 4

    apresenta o grfico com esta comparao.

  • A figura 5 apresenta uma tabela com os dados de movimentao e custo de

    transporte no Brasil, em R$/ 1000.ton.Km, ou seja, o valor mdio de se transportar uma

    tonelada por um distncia de mil quilmetros. A tabela fornece estes valores para os

    diversos modais e a respectiva parcela de participao no total de cargas movimentadas.

    A comparao dos nmeros do Brasil e dos EUA apresentada na figura 6 foi

    feita com base no valor do dlar de 2004. Pela grande influncia da taxa de cmbio

    sobre estes resultados, se fosse utilizado o cmbio de 2005, todos os valores do Brasil

    sofreriam um aumento de 25%.

    Na tabela da figura 6, pode-se destacar a enorme diferena entre os valores de

    frete rodovirio do Brasil com os EUA. Esta diferena em parte est associada ao perfil

  • de carga e o tamanho mdio das rotas, mas tambm s situaes de mercado bastante

    dispares.

    Em relao carga e o perfil de rotas, enquanto no Brasil predomina o transporte

    de produtos agrcolas em distncias relativamente longas neste modal, nos EUA, este

    est voltado ao transporte de produtos de mais alto valor agregado e a complementao

    dos outros modais atravs de uma ponta rodoviria de menor distncia.

    Do ponto de vista do mercado, enquanto no Brasil existe um excesso de oferta

    do setor, promovida principalmente pela baixa regulamentao e pelo grande nmero de

    autnomos, nos EUA ocorre uma escassez de motoristas.

    O modal areo um pouco mais barato no Brasil, no sendo significativa a

    diferena. J o custo do transporte dutovirio no Brasil o dobro do americano,

    colaboram para este resultado as longas distncias e o grande volume transportado por

    dutos nos EUA, os quais permitem grande economia de escala. Alm claro do alto

    custo do capital no Brasil que dificulta os elevados investimentos neste modal.

    A grande diferena do custo aquavirio entre o Brasil e os EUA pode em grande

    parte estar relacionada a dois fatores crticos. O primeiro relativo grande utilizao

    da hidrovia nos EUA, a qual utiliza grandes composies a um baixo custo, reduzindo a

    mdia americana. O segundo relacionado ao grande volume de petrleo transportado

    por curta distncia na costa do Brasil, que em conjunto com um custo porturio

    relativamente alto, acaba elevando o custo por tonelada quilometro deste modal.

    O modal ferrovirio aparece mais barato no Brasil por causa da operao da

    Vale do Rio Doce, a qual, alm do alto volume e grande produtividade, opera a um

  • preo de custo para a prpria mineradora influenciando bastante neste resultado. Ao

    retir-la deste clculo, este nmero aumentaria de US$ 12,44 para US$ 16,93.

    Mesmo considerando a composio da matriz de transporte dos dois pases, o

    custo de se transportar uma tonelada por mil quilmetros era em 2004 na mdia menor

    no Brasil do que nos EUA. Mas por que isso ocorre se no Brasil o custo de transporte

    equivale a 7,5% do PIB e nos EUA apenas 5,1%? A resposta a esta pergunta est na

    relao entre a movimentao de carga e o tamanho da economia.

    Enquanto a economia americana praticamente 20 vezes maior que a nossa, eles

    s movimentam 7 vezes mais carga que o Brasil. Na verdade, o valor agregado da carga

    movimentada l muito mais alto do que a daqui, destaca-se tambm a maior

    participao de servios na economia 79% contra 56% no Brasil.

    O grande problema da matriz de transporte do Brasil que devido falta de

    infra-estrutura adequada, nem sempre utilizamos o modal mais adequado ao tipo de

    carga transportado. Assim, em diversos mercados o embarcador diante da falta de

    disponibilidade de outros modais, acaba obrigado a utilizar o rodovirio, que apesar dos

    baixos valores de frete praticados, no teria como competir com uma ferrovia ou

    hidrovia, principalmente nas longas distncias.

  • Concluso

    A dificuldade de obter informaes sobre custos logsticos no Brasil muito

    grande, e o estudo desenvolvido pelo CEL-COPPEAD em 2005 sobre o assunto,

    embora bastante completo em algumas reas, apenas uma iniciativa. Entre as reas em

    que o estudo deve ser aprofundado destaca-se a de armazenagem, dado que esta

    pesquisa apenas replicou modelos internacionais no clculo deste custo.

    Apesar de suas limitaes relacionadas principalmente a disponibilidade de

    dados, a pesquisa pode chegar a importantes concluses com relao ao custo logstico

    nacional, entre as quais cabe destacar:

    A reduo de custo de transporte de 1996 a 2004 nos EUA e no Brasil em

    relao ao PIB, apesar da elevao do preo do petrleo, provavelmente

    devido a um aumento da eficincia desta operao.

    O elevado custo de estoque brasileiro que quase o dobro do americano

    devido ao nosso elevadssimo custo de capital.

    O expressivo aumento da receita do modal ferrovirio no ano de 2004, o qual

    pode dar flego a novos investimentos, permitindo aumento do volume de

    cargas deste modal.

    O motivo do custo logstico no Brasil ser maior que o americano em termos

    proporcionais ao PIB est ligado principalmente a menor participao de

    servios na nossa economia e ao menor valor agregado dos nossos produtos,

    alm do nosso maior custo de capital.

    Para finalizar, vale destacar que os valores de frete rodovirio praticados no

    Brasil so bastante baixos, no entanto, a falta de infra-estrutura adequada muitas vezes

    inviabiliza o transporte de cargas por outros modais, muitas vezes, mais adequados

    distncia e ao tipo de produto, devido a problemas de capacidade e disponibilidade.

    Assim, o resultado acaba sendo um frete alto para quem paga, mas baixo para quem

    recebe.

  • Bibiografia:

    The World Bank. Brazil Multimodal Freight Transport: Selected Regulatory Issues. Relatrio no. 16361-BR. Oct, 1997.

    Wilson, R.. 16th Annual State of Logistics Repor. CSCPM: Jun, 2005. Bowersox, D. J., Calantone, R.J., Rodrigues, A. M.. Estimation of Global

    Logistics Expenditures Using Neural Networks. Michigan State University. JBL: Vol.24, No.2, 2003.

    Castro, N.R.. Logistic Costs and Brazilian Regional Development. The World

    Bank: Aug, 2004.

    Custos Logsticos na Economia BrasileiraMAURICIO PIMENTA LIMA