Eletromiógrafo - Instrumentação Biomédica - 2002

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Eletromigrafoeletrodo

msculo

IA 748 Instrumentao Biomdica

Profa. Vera L. S. N. Button Depto. Engenharia Biomdica FEEC/UNICAMP Abril de 2002

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NDICE I. II. III. IV. V. Introduo Histrico Origem do sinal eletromiogrfico O sinal eletromiogrfico Eletromigrafo V.1. Diagrama em Blocos V.2. Eletrodos V.3. Configuraes Mono e Bipolar de eletrodos V.4. Circuitos de condicionamento de sinal V.5. Estimuladores V.6. Sinal de calibrao V.7. Processamento dos sinal eletromiogrfico V.8. Sada do sinal eletromiogrfico VI. Comparao entre equipamentos comerciais

VII. Bibliografia

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I.

Introduo

Os eletromigrafos so equipamentos que detectam, processam e registram a atividade eltrica dos msculos (potencial de ao composto). O registro o eletromiograma (EMG) ou sinal miogrfico e pode indicar o estado fisiolgico de um msculo ou grupo de msculos e dos nervos que controlam a contrao muscular. O EMG pode ser usado para detectar atividade eltrica muscular anormal que ocorre em condies patolgicas, incluindo distrofia muscular, inflamao do msculo, pinamento de nervos, leses nervosas perifricas (em membros superiores e inferiores), esclerose lateral amiotrfica (ALS ou doena de Lou Gehrig), miastenia gravis, hrnia de disco e outras. Tambm usado em reabilitao muscular. Embora a forma de onda registrada no seja um indicador absoluto, uma diminuio da fora de contrao muscular refletida na atividade eletromiogrfica, fornecendo evidncias da instalao de patologia neuromuscular. O EMG um sinal extremamente complexo e afetado: pelas propriedades anatmicas e fisiolgicas dos msculos pelo esquema de controle dos sistema nervoso pelas caractersticas da instrumentao usada

A atividade eltrica dos msculos esquelticos ocorre na faixa audvel e seu registro normalmente acompanhado por monitorao sonora (em repouso, msculos normais apresentam silncio eltrico). O EMG ajuda a distinguir entre condies patolgicas com origem nos msculos de distrbios nos nervos. Fraqueza muscular ou perda de massa muscular geralmente causada por deficincia na inervao motora ou por deficincia intrnseca dos msculos Doenas adquiridas dos msculos: nas miopatias freqentemente ocorre reduo da amplitude e na durao dos potenciais de ao e um aumento na complexidade da forma de onda.

- miositis ou inflamao do msculo: associada a virose, seu diagnstico feito atravs de exame de sangue, bipsia e EMG distrofias musculares: doenas hereditrias caracterizadas por fraqueza muscular e atrofia progressiva. Seu diagnstico envolve exames

4 laboratoriais (nvel de creatinina quinase, enzima liberada no sangue quando fibras musculares degeneram), bipsia e EMG Doenas dos nervos perifricos: nas neuropatias geralmente ocorre um aumento da atividade eltrica dos msculos durante relaxamento (fibrilao e fasciculao) e ausncia de potenciais eltricos normais. neuropatias (por exemplo, poliomielite): o axnio ou o corpo celular no corno anterior da medula afetado. Leva a perda de massa muscular, reduo do tnus e perda de reflexos

Doenas da juno neuromuscular: provoca padres inconsistentes e irregulares na ativao de uma ou poucas fibras musculares miastenia gravis: a mais comum. A terminao nervosa provoca a liberao do neurotransmissor, mas no ocorre a despolarizao da membrana muscular. Os receptores esto mascarados por 1 anticorpo especfico. Seu diagnstico feito atravs do estudo eltrico da transmisso neuromuscular, e pelo EMG de fibra isolada (SFEMG), e o tratamento inclui a remoo da glndula timo, que produz o anticorpo, drogas imunosupressoras e drogas que aumentam o nvel de acetilcolina

H dois tipos de EMG: Intramuscular (EMG): a forma clssica de eletromiografia e a mais comum, envolve a insero do eletrodo atravs da pele at o msculo ou grupo muscular onde se quer medir a atividade eltrica EMG de superfcie (SEMG): envolve a colocao do eletrodo na pele (preparada) sobre o msculo ou grupo de msculos onde se quer medir a atividade eltrica Aps a colocao do eletrodo, o paciente pode ser instrudo a movimentar, por exemplo a perna. Cada fibra muscular que contrai produz um potencial de ao. O tamanho da fibra muscular afeta a taxa de disparo e a amplitude do potencial de ao. A presena, a amplitude e a forma de onda visualizada numa tela (CRT ou monitor) ou em papel fornecem dados sobre a habilidade do msculo em responder estimulao nervosa. Algumas neuropatias resultam em diminuio da NCV (velocidade de conduo dos nervos), mas pode-se obter NCV normais em nervos que controlam msculos paralizados por miopatias ou leses motoras superiores (mielopatias, por exemplo, tumor na medula). Alm da monitorao da atividade muscular os eletromigrafos tambm podem armazenar o EMG para anlise e comparao posteriores.

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II. Histricop Grcia antiga Uso de enguias no tratamento (choque) de indisposio fsica e dores. p 1666 Francesco redi associou a aplicao do choque a reao do tecido muscular. p 1791 Luigi Galvani demonstrou a associao entre associou a aplicao do choque a reao do tecido muscular. p 1849 Dubois-Raymond provaram que o EMG pode ser detectado no msculo humano durante uma contrao voluntria. p Nos 80 anos seguintes, o desenvolvimento de novas tecnologias, como o TCR, eletrodos de superfcie e de agulha, forneceram os meios para detectar convenientemente o sinal eletromiogrfico (EMG). p 1929 Adrian, Bronk e Buchthal demonstraram o uso clnico do EMG em diagnsticos. p Dcadas de 1940 e 1950 Popularizao do EMG em estudos do controle motor e funo muscular. Inman e colegas demonstraram a relao entre amplitude e fora e velocidade de contrao do msculo. p Dcada de 1960: Basmajian e colegas desenvolveram os eletrodos de fio e exploraram sua utilizao durante os 20 anos seguintes. Os engenheiros ioguslavos Tomovic e Kobrinski destacam-se com trabalhos em controle mioeltrico de prteses. Em 1960 tem incio o desenvolvimento matemtico e terico do EMG De Luca: propriedades do EMG no domnio do tempo

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- Lindstrom: propriedades do EMG no domnio da freqnciaGraupe e Cline : usaram autoregressive moving average para extrair informao do EMG.

p Dcada de 1970 e incio da dcada de 1980 Uso de microcomputadores e algoritmos sofisticados e teoria de comunicao para decompor EMG em atividades eltricas individuais das fibras musculares.

6 p Hoje: O EMG uma ferramenta para a investigao do esquema de controle usado pelo sistema nervoso para produzir a contrao muscular Uso da mdia do EMG para descrever o estado funcional do msculo Uso da velocidade de conduo do EMG para obter informao da morfologia da fibra muscular Por se tratar de um sinal complexo, sem descrio apropriada, no se constitui num indicador diagnstico absoluto

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III. Origem do sinal eletromiogrficoIII.1. Sistema nervoso perifrico compreende 12 pares de nervos cranianos, os nervos simpticos e 33 pares de nervos espinhais nascem na medula, inervam o pescoo, o tronco e os membros no trax inervam parcialmente as paredes do abdome no pescoo, nas regies dorsal, sacral e coccgea, grupos de nervos juntam-se em plexos dos plexos partem grandes nervos que abrangem extensas reas de pele e os msculos dos membros superiores e inferiores Plexo Cervical, formado essencialmente pelos ramos anteriores dos 4 primeiros nervos cervicais Plexo Braquial, formado principalmente pelos ramos anteriores dos ltimos nervos cervicais e do 1 torcico Plexo Lombar, formado pelos ramos anteriores dos 4 primeiros nervos lombares Plexo Sacroccgeo, formado pelos ramos anteriores do ltimo nervo lombar, dos nervos sacrais e coccgeos

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III.2. Vias motoras as vias nervosas seguem trajetos de mo nica umas so as vias motoras, que levam impulsos do SNC msculos para os

outras so as vias sensitivas, que levam as sensaes das vsceras e do mundo externo para o SNC msculos estriados: controlados pela via motora voluntria ou piramidal msculos lisos e cardaco: controlados pela outra via motora, o sistema nervoso simptico a via piramidal tem origem no crtex cerebral, principalmente na rea motora; uma via expressa que estabelece sinapses, direta ou indiretamente, com neurnios situados no lado oposto de sua origem, devido a cruzamentos que existem no trajeto (por exemplo, na altura do bulbo) a via extra-piramidal ou involuntria compreende as vias motoras que tm origem e trajeto fora do sistema piramidal (tnus muscular, movimentos automticos, respostas reflexas e harmonia dos movimentos)

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Figura 1. Representao esquemtica do sistema nervoso motor.

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III.3. Placa motoraAs placas motoras so as conexes entre as terminaes nervosas e as fibras musculares. Placa motoraFibra inibitria Fibra excitatria

Fissura sinptica dendrito

ncleo

axnio

neurnio

Fibra muscular

Figura 2. Representao esquemtica simplifi-cada da transmisso de um impulso nervoso para a fibra muscular. O impulso nervoso final o resultado da soma dos estmulos excitatrios e inibitrios recebidos pelo neurnio Atravs da placa motora o impulso nervoso transmitido fibra muscular, determinando a contrao desta, num processo qumico de alta velocidade. Na regio prxima fibra muscular, a fibra nervosa no tem bainha de mielina, e divide-se em ramificaes (dendritos) que estabelecem contato com a regio especial da membrana da fibra muscular: a placa motora. Na ponta das terminaes nervosas existem vesculas ultramicroscpicas que armazenam acetilcolina. Esta liberada quando chega um impulso nervoso, e difunde-se na placa motora, determinando uma alterao eltrica local que poder desencadear a resposta (bomba de sdio/potssio), desde que a quantia de acetilcolina seja suficiente. Quando a alterao eltrica (despolarizao, aumenta a permeabilidade da membrana ao sdio) maior que um dado limiar, o corre a contrao da fibra muscular (em repouso, as fibras musculares esto polarizadas, -90mV). A acetilcolina o mediador qumico na transmisso neuromuscular. Ela amplifica (quimicamente) o impulso nervoso (correntes inicas). A corrente eltrica por si mesma no suficiente para gerar um impulso na fibra muscular, devido seco muito menor da fibra nervosa, comparada da fibra muscular.

10 O neurotransmissor removido do local onde foi liberado, por espalhamento ou por destruio enzimtica especial. A membrana da placa deve repolarizar-se rapidamente para tornar-se sensvel a outro estmulo nervoso, para que a contrao muscular possa ser graduada em resposta s diferentes freqncias de estimulao (taxas de disparo).

IV. O sinal eletromiogrfico a manifestao eltrica da ativao neuromuscular associada a contrao do msculo. Representa a corrente gerada pelo fluxo inico atravs da membrana das fibras musculares que se propaga pelos tecidos at chegar ao eletrodo de deteco.

IV.1. Caracterstica do sinalO EMG tem componentes em freqncia desde 20Hz at 10kHz e apresenta amplitudes de 100V at 90mV, dependendo do sinal estudado e do tipo do eletrodo.

IV.2. Unidade motora (MU) a unidade fundamental do msculo e formada por um motoneurnio alfa mais as fibras musculares inervadas por ele.

IV.3. Potencial de ao da unidade motora (MUAP) a unidade fundamental do sinal eletromiogrfico e representa a atividade eltrica resultante da ativao das fibras musculares de uma unidade motora, ou potencial de ao da unidade motora ( otor unit action potential MUAP), h(t), como m indicado na Figura 3 .

11Ativao de 1 fibra muscular

Unidade motora: motoneurnio + fibras musculares

MUAP

Figura 3. O MUAP [h(t)] a superposio da ativao eltrica das fibras musculares de uma unidade motora.

O MUAP seguido pela contrao muscular.Quando um potencial de ao percorre o axnio de um neurnio motor e chega s placas motoras, ocorre a liberao do moderador qumico acetilcolina. A acetilcolina provoca alteraes na permeabilidade da membrana da fibra muscular ao on sdio, desencadeando um potencial de ao na fibra muscular. Todas as fibras da unidade motora sero ento estimuladas e apresentaro os seus potenciais de ao. So estes potenciais de ao que produzem a contrao da fibra muscular, atravs da liberao de ons clcio para o interior das miofibrilas, provocando a interao dos filamentos de actina e miosina.

Fatores que influenciam o MUAP-

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relao geomtrica entre a superfcie de deteco do eletrodo e a fibra muscular da unidade motora. posio relativa entre a superfcie de deteco do eletrodo e a zona de inervao (juno neuromuscular). o tamanho da fibra muscular (a amplitude do MUAP proporcional ao dimetro da fibra). o nmero de fibras musculares de uma UM na regio de deteco do eletrodo. interface eletrodo/eletrlito: a juno eletro-qumica entre a superfcie metlica de deteco e o tecido funciona como um filtro-passa-altas. funo de filtragem dos tecidos: a amplitude do sinal eletromiogrfico atenuada em 25% a cada 100m de distncia entre o msculo e o

12 eletrodo. Esta distncia funciona como um filtro passa-baixas, reduzindo a banda de passagem e o ganho do sinal.

Arranjo geomtrico de eletrodos e fibras ativas

Funes de filtragem dos eletrodos e do tecido

MUAP h(t) = superposio de potenciais de ao

Figura 4. Fatores que influenciam o MUAP.

Forma do MUAPUma modificao na forma do MUAP pode indicar uma alterao na: - morfologia da fibra muscular (hipertrofia ou atrofia) - quantidade de fibras musculares da UM (perda de fibras)

IV.4. Trem de Potenciais de Ao da Unidade Motora - MUAPTPara se manter a contrao de uma Unidade Motora, ela deve ser ativada continuamente (tnus). A seqncia de MUAPs numa unidade motora, durante sua contrao, chamada de trem de MUAPs ou MUAPT.

IV.5. Eletromiograma (EMG)O eletromiograma a somatria de MUAPTs das unidades motoras, captada pelo eletrodo, na regio de deteco, como est representado na figura 5.

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MUAP h(t) MUAPT

Figura 5. Representao da formao do sinal eletromiogrfico a partir dos MUAPTs das unidades motoras.

Quando um potencial de ao percorre o axnio de um neurnio motor e chega s placas motoras, ocorre a liberao do moderador qumico acetilcolina nas placas motoras. A acetilcolina provoca alteraes na permeabilidade da membrana da fibra muscular ao on sdio, desencadeando um potencial de ao na fibra muscular. Todas as fibras da unidade motora sero ento estimuladas e apresentaro os seus potenciais de ao. So estes potenciais de ao que produzem a contrao da fibra muscular, atravs da liberao de ons clcio para o interior das miofibrilas, provocando a interao dos filamentos de actina e miosina. Na figura 6 representa-se a aquisio do sinal de EMG com eletrodos de superfcie.

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motoneurnios

Figura 6 Aquisio do sinal de EMG utilizando-se eletrodos de superfcie

Quando o EMG obtido por intermdio de eletrodos de agulha inseridos no msculo, ele representa a atividade eltrica de uma ou mais unidades motoras prximas ao eletrodo e, em contraes voluntrias brandas, possvel identificar no traado a atividade relativa apenas uma unidade motora (SMU ou single motor unit). A medida em que a contrao se torna mais forte, mais e mais unidades motoras so ativadas, aumentando tambm sua freqncia de disparo. O EMG apresenta maior amplitude; somatrios temporais e espaciais dos complexos provenientes das diversas unidades motoras criam uma situao na qual potenciais de uma unidade motora interferem nos potenciais de unidades motoras prximas, gerando um padro chamado de interferncia . Neste caso j no mais possvel identificar os potenciais tpicos de cada unidade motora isolada (Figura 7).

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Figura 7. Potenciais de ao de um msculo intersseo dorsal normal, durante contrao progressiva cada vez mais intensa. (a) Em contraes voluntrias brandas, possvel identificar no traado a atividade relativa apenas uma unidade motora (SMU ou single motor unit). (b) A medida em que a contrao se torna mais forte, mais e mais unidades motoras so ativadas, aumentando tambm sua freqncia de disparo. (c) Em contraes ainda mais intensas, somatrios temporais e espaciais dos complexos provenientes das diversas unidades motoras criam uma situao na qual potenciais de uma unidade motora interferem nos potenciais de unidades motoras prximas, gerando um padro chamado de interferncia , quando no mais possvel identificar os potenciais tpicos de cada unidade motora isolada. (d) Padro de interferncia durante uma contrao muito intensa.

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V.V.1. Diagrama em Blocos

Eletromigrafo

Um equipamento para eletromiografia constitudo basicamente de eletrodos de registro, dos circuitos de condicionamento do registro (amplificadores, filtros), da mdia de sada do registro (podendo ser um simples alto-falante - sada sonora, sada em papel trmico, sada na tela do monitor de vdeo), e pode possuir capacidade de armazenamento e processamento dos registros.

processamento

Figura 2 Diagrama em blocos de um sistema para eletromiografia (Carvalho).

V.2. EletrodosPara deteco de EMG dois tipos de eletrodos so usados: de superfcie ou de insero; ambos podem ser usados nas configuraes monopolar e bipolar. Eletrodos de superfcie ou de pele: usados no estudo do comportamento motor, quando o tempo e a amplitude de ativao muscular contenham a informao desejada tambm usado na deteco de EMG com propsito de controle de dispositivos externos, como no caso de prteses controladas mioeltricamente em crianas ou indivduos que rejeitam os eletrodos de insero uso restrito a msculos superficiais

17 no podem ser usados para detectar sinais especficos de msculos menores permitem acesso rpido e simples ao msculo, o que requerido em verificao de evoluo fisioteraputica Podem ser passivos ou ativos: eletrodos ativos ou secos: no necessitam preparao da pele (gel, pasta), e o acoplamento com pele resistivo. Implementados com JFET, apresentam impedncia de entrada da ordem de 10T e capacitncia de 3 a 4pF. A impedncia de entrada, aumentada eletronicamente, garante menor sensibilidade impedncia da interface eletrodo/pele. Os mais simples so constitudos de discos de prata clorada (Ag/AgCl) e o contato eltrico com a pele garantido atravs de gel condutivo e pasta colide. Necessita preparao da pele, eliminando pele morta e oleosidade. o equilbrio qumico na juno metal/eletrlito estabelece um potencial de polarizao que pode variar com a temperatura, sudorese, ressecamento do gel ou da pasta (alterao da concentrao, e portanto do contato eltrico), movimento relativo do eletrodo e da pele e com a intensidade da corrente que flui pelo eletrodo. Eletrodos de insero (fio ou agulha): agulha sua pequena rea de captao permite detectar MUAPs individuais, durante contrao muscular os eletrodos de agulha podem ser reposicionados no msculo aps a insero permitem a deteco de potenciais individuais da unidade motora durante foras de contrao relativamente baixas na configurao monopolar, um fio isolado internamente, com a extremidade desencapada, age como a superfcie de deteo a configurao bipolar tem um segundo fio isolado internamente, com a extremidade desencapada, que age como a segunda superfcie de deteo

fio:

os eletrodos de fio possuem dimetros pequenos (25 a 100m) e so inseridos atravs de agulha hipodrmica. Aps a remoo da mesma, permanecem fixados no local por sua ponta em forma de gancho (1 a 2mm, desencapada) e no permitem reposicionamento tendem a se deslocar, principalmente aps as primeira contraes ligas metlicas recomendadas para os eletrodos de fio: platina, prata, nquel e cromo, sendo a mais usada a com 90% de platina e 10% de irdio, que resulta numa combinao apropriada de resistncia mecnica, rigidez e inrcia qumica a isolao feita com nylon ou teflon, e tambm confere rigidez mecnica

18 causam menos dor que os de agulha, por serem mais finos indicados para registrar sinais de unidades motoras e para o estudo territrio da unidade motora

Figura 8. Exemplos de eletrodos de agulha: (a) Monopolar com ponta de 3 a 4 mm exposta. Se suficientemente fina, pode ser inserida num feixe nervoso e detectar sinais neuroeltricos. (b) Agulha concntrica com uma superfcie monopolar de deteco, formada pela seo transversal de um fio central, com dimetro tpico de 200m. Uso clnico comum. (c) Eletrodo agulha bipolar com as seces transversais (dimetro de 100m) de dois fios expostas. Tambm de uso clnico comum. (d) Eletrodo de fibra nica com fio de dimetro de 25m. Usado para detectar a atividade de fibras musculares individuais. (e) Macroeletrodo com fio de dimetro de 25m e com a cnula da agulha usada como superfcie de deteco. Usada para detectar o potencial de ao da unidade motora (MUAP) de uma regio grande do territrio da unidade motora (MU). (f) Eletrodo quadrifilar planar com 4 fios de dimetro igual a 50m, localizados nos cantos de um quadrado com lado de 150m. Usados para registros de mltiplos canais e em tcnica de decomposio do EMG. (g) Eletrodo multifilar, consistindo em uma fila de fios. Usado para estudar o territrio de uma MU.

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V.3. Configuraes Mono e Bipolar de eletrodos Configurao monopolar (menos utilizada)

Configurao bipolar (rejeio dos sinais de modo comum e DC)

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V.4. Circuitos de condicionamento de sinalO EMG tem componentes em freqncia desde 20Hz at 10kHz e apresenta amplitudes de 100 V at 90mV, dependendo do sinal estudado e do tipo do eletrodo.

Figura 8. Exemplo de EMG para um grupo de msculos em repouso e em movimento voluntrio. Normalmente utiliza-se um pr-amplificador com ganho entre 10 e 50dB, para casar a impedncia do eletrodo de registro com a impedncia de entrada do estgio de amplificao seguinte, o qual confere ganho entre 10 e 1000, proporcionando um sinal de sada de +/- 1V. O pr-amplificador deve ficar bem prximo ao eletrodo (10cm). Normalmente um brao mvel localiza o pre-amplificador bem prximo ao lugar da medida. Os cabos utilizados na entrada do amplificador devem ser blindados e ter baixa capacitncia. Os amplificadores utilizados so em geral amplificadores de instrumentao.

21 O estgio amplificador de sada (com isolao) deve possuir resposta em freqncia de 2Hz-35kHz, funcionando como um FPB, possibilitando rejeitar artefatos de movimento (freqncia baixas) e filtragem seletiva programvel. Rudo: menor que 5Vrms. CMRR: maior que 80dB. Corrente de entrada: tpico menor que 50pA. Faixa de passagem tpica: Eletrodo de superfcie: 20 a 500Hz Eletrodo de fio: 20 a 2kHz Eletrodo de agulha (uso geral): 20 a 10kHz Eletrodo de agulha (decomposio):1k a 10kHz Em todo dispositivo que usa eletrodos conectados ao paciente deve haver o cuidado de assegurar que a unidade est devidamente aterrada (eletrodos isolados eletricamente) para evitar risco de choques eltricos.

V.5. EstimuladoresVisto que a instrumentao para eletromiografia a mesma utilizada em estudos de eletrodiagnstico, um estimulador est sempre presente no sistema. O estimulador oferece pulsos de durao varivel entre 0,1 e 4,0 ms, corrente at 100 mA para os estimuladores de corrente constante, ou 120 V ou mais para os estimuladores de tenso constante. Os estimuladores so geralmente isolados do terra do sistema para fornecer isolao adequada ao paciente (i.e., segurana), e para reduzir o artefato de estimulao que aparece no traado. Esta isolao pode ser obtida com transformadores de isolao ou com opto-copladores.

V.6. CalibraoO sistema deve tambm possuir um sinal de calibrao para aplicar tenses conhecidas na entrada do amplificador. As formas de onda de calibrao podem ser retangulares ou senoidais.

V.7. ProcessamentoO sinal de EMG pode ser quantificado de vrias formas. Pode-se, por exemplo, medir sua amplitude mxima, o que constitui entretanto uma medida grosseira do grau de atividade muscular. Outros mtodos consistem em contar o nmero de picos, ou o nmero de cruzamentos pelo zero, ou ainda o nmero de vezes que um certo valor de amplitude ultrapassado em um dado intervalo de tempo. Um outro mtodo consiste em retificar o sinal de EMG, filtr-lo (filtro passa baixa) e medir a tenso resultante, que assim se relaciona com o envelope do sinal.

22 Entretanto, o mtodo mais utilizado consiste na integrao do sinal. Esta integral, medida em unidades [Volt x segundo], um sinal temporal que guarda uma relao linear com a tenso desenvolvida no msculo, principalmente na contraes isomtricas. Tanto a sada dos integradores, quanto a sada do sistema de deteco do envelope do EMG so de baixa freqncia, portanto facilmente registrveis. A maior parte dos sistemas de eletromiografia microprocessada ou pode ser conectada a computadores pessoais (PC) que armazenam os dados em disquetes e/ou discos rgidos, analisam os sinais, e imprimem as formas de ondas e resultados analticos ao final dos testes. Programas de computador calculam automaticamente rea e amplitude, perodo, inclinao e outros parmetros durante o perodo de teste, quando o conhecimento destes valores de maior utilidade ao clnico. Adicionalmente, computadores fornecem a flexibilidade de anlise de sinais e programao (e.g., utilizando algoritmos de correlao cruzada para identificar similaridades de forma de onda).

V.8. Sada do sinal eletromiogrficoO osciloscpio ou CRT mostra os potenciais de ao aps a filtragem e amplificao, e deve ter resoluo suficiente para indicar sinais de rpida ocorrncia e formas de onda de alta freqncia. A reproduo de uma representao precisa do registro de uma forma de onda depende de trs parmetros: da resoluo do conversor analgico-digital (A/D), da taxa de amostragem de cada canal, e da resoluo do display de CRT. A taxa de amostragem do conversor analgico-digital deve ser alta o suficiente para detectar mudanas na amplitude da forma de onda; quanto mais alta a taxa de amostragem, maior ser a acuidade com que a forma de onda ser reproduzida. Equipamentos microprocessados exibem os registros de sada na tela do monitor e/ou em papel (impressora). Os sinais eltricos de msculos esquelticos ocorrem a freqncias audveis aos seres humanos (faixa de udio), e podem ser amplificados e reproduzidos atravs de um alto falante acoplado a um amplificador de udio, respondendo na faixa de 80 a 5.000 Hz. Sons associados com tecidos muscular ou nervoso patolgicos so mais facilmente mais distinguidos que sinais visuais, e podem ser mais valiosos que formas de onda na identificao de desordens especficas. As sadas udio e visual tambm auxiliam o operador no posicionamento dos eletrodos.

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Acessrios, tais como pedais de controle, liberam as mos dos clnicos para o ajuste dos eletrodos.

VI. Comparao entre equipamentos comerciais

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VIII.

Bibliografia

- Healthcare Product Comparison System Evoked-potential units; electromyographs. Plymouth Meeting, PA, USA: ECRI, 1999. - Carvalho, Luis Carlos. Apostila de Instrumentao Biomdica Captulo IV: Eletromiografia e eletrodiagnstico. Universidade Federal da Paraba. UFPB. - Webster J. G. (Editor). Medical Instrumentation Application and Design, third edition, John Wiley & Sons, Inc., 1998. - Webster J. G. (Editor). Encyclopedia of Medical Devices and Instrumentation, Wiley Interscience. - Mountcaltle, V. B. Fisiologia Mdica.Vol I, Guanabara Koogan, 13 edio, 1978.

Normas Vigentes- Associao Brasileira de Normas Tcnicas. Equipamentos eletromdico Parte 1 Prescries gerais para segurana NBRIEC60601-1 (10/1997) (a ser reimpressa, incorporando Emenda N 1 de Out 1997). - Associao Brasileira de Normas Tcnicas. Equipamento eletromdico Parte 2: Prescries particulares para segurana de eletromigrafos e equipamento de potencial evocado NBRIEC60601-2-40 (12/1998). - Associao Brasileira de Normas Tcnicas. Equipamento eletromdico Parte 2: Prescries particulares para segurana de equipamento para estimulao neuromuscular NBRIEC60601-2-10 (10/1997). - Associao Brasileira de Normas Tcnicas. Equipamento eletromdico Parte 1: Prescries gerais para segurana 2. Norma colateral: Compatibilidade eletromagntica Prescries e ensaios NBRIEC60601-1-2 (10/1997).