of 24/24
www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 1 Revista de informação ANO VI— Nº 94 OMNI EDITORA www.revistafale.com.br À es פra de um lar Quase 40 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos em todo o país. Eles esperam que a Justiça defina seu destino: voltar para a família biológica ou ser encaminhados para adoção S USAN G REENFIELD “A tecnologia está moldando uma geração de crianças apáticas, incapazes de pensar por si próprias.” 1 519953 389005 94 ISSN 1519-9533 OMNIEDITORA R$ 12,00

Fale! _ 94

  • View
    228

  • Download
    2

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Revista de Informação

Text of Fale! _ 94

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 1

    Revista de informaoANO VI N 94 OMNI EDITORAwww.revistafale.com.br

    espera de um larQuase 40 mil crianas e adolescentes vivem

    em abrigos em todo o pas. Eles esperam que a Justia defina seu destino: voltar para a famlia biolgica ou ser encaminhados para adoo

    SUSAN GREENFIELD A tecnologia est moldando uma gerao de crianas apticas, incapazes de pensar por si prprias.

    1

    51

    99

    53

    3

    89

    00

    5 9

    4

    ISSN 1519-9533 OMNIEDITORA R$ 12,00

  • 2 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    MO025-12 - ANUNCIO BALANO 410x265.indd 1 28/01/13 14:57

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 3

    MO025-12 - ANUNCIO BALANO 410x265.indd 1 28/01/13 14:57

  • 4 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 5

  • 6 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    NOSSA ECONOMIA

    MAIS FORTE QUANDO

    USAMOS OS TALENTOS

    E A CRIATIVIDADE DOS

    IMIGRANTES CHEIOS

    DE ESPERANAS. [A

    REFORMA] NECESSITAR

    DE UMA SEGURANA

    SLIDA DAS FRONTEIRAS

    OFERECENDO UM

    CAMINHO [EM DIREO

    CIDADANIA]

    BARACK OBAMA, presidente dos

    Estados Unidos, sobre a nova Lei

    de Imigrao

    Quase todos os homens so capazes de suportar adversidades, mas se quiser por prova o carter de um homem, d-lhe poder ABRAHAM LINCOLN

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 7

    Joaquim Barbosa e o Julgamento do MensaloFRASES ANTOLGICAS DO MINISTRO DO STF

    [O conjunto probatrio coloca Dirceu] como mandante das promessas de pagamento das vantagens indevidas a parlamentares para apoiar o governo

    No Brasil, o que pblico no se transmuta em privado se a verba pblica

    Os atos que pratiquei nesse processo poderia classificar at de muito generosos

    Marcos Valrio mentiu em seu interrogatrio. interessante notar que ele muda de verso conforme as circunstncias

    A lavagem de dinheiro foi feita em uma ao orquestrada com diviso de tarefas tpica de um grupo criminoso organizado

    Eu nunca tinha ouvido isso, entrega de dinheiro a domiclio

    Partidos polticos no so vocacionados ao repasse de grandes somas de dinheiro de um para o outro. Eles competem entre si. Teria que ser muito ingnuo para acolher essa alegao

    [As provas] colocam o ento ministro da Casa Civil na posio central da organizao e da prtica, como mandante das promessas de pagamento das vantagens indevidas a parlamentares para apoiar o governo. Entender que Marcos Valrio e Delbio Soares agiram e atuaram sozinhos, contra o interesse e a vontade de Dirceu, nesse contexto de reunies fundamentais, inadmissvel

    A empreitada criminosa muito maior do que a que ns estamos examinando nesses autos

    FOTO: SCO_STF

  • 8 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    Meio ambiente e sustentabilidade

    so nossas prioridades. O primeiro caderno verde

    do Brasil. Toda tera-feira, informaes sobre

    meio ambiente e sustentabilidade.

    Rua Baro de Aracati, 1320 - Aldeota www.oestadoce.com.br

    H mais de 4 anos plantando para o futuro.

    Fale 92 _ os 30 0000 C A P A 0002.indd 2 7/7/2012 10:12:18

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 9

    Online TECH

    COMUNICAO

    Cmera policialA empresa Taser, a mesma que fabrica pistolas incapacitantes lanou a filmadora Axon Flex, acoplada a culos, que produz udio e vdeo compatvel com smartphones como iPhones e outros aparelhos com sistema android. A ideia original servir o aparato policial j que em alguns pases comum filmar o procedimento de abordagem para dar transparncia e evitar verses que no a da polcia. FONTE www.taser.com/flex PRODUTO Axon Flex

    COMPUTAO

    Sinta o jogoO PlayStation Vita o console porttil da Sony que traduz a tentativa da empresa de liderar o mercado de jogos para equipamentos portteis, que explodiu com a popularidade de aplicaes para smartphones e tablets. O console porttil ttil e com sensores de movimento considerado o sucessor do PlayStation Porttil. Os jogadores podem se conectar por meio de redes celulares ou redes Wi-Fi, alm do produto ser equipado com a tecnologia de GPS. FONTE br.playstation.com/psvita/

    PRODUTO PS Vita PREO US$ 300

    PATENTES

    Ao contra FaceA empresa Rembrandt IP Management anunciou um processo contra o Facebook, alegando que a maior rede social do mundo utiliza indevidamente patentes registradas pelo holands Joannes Jozef Everardus Van Der Meer, j falecido. As patentes esto associadas empresa de tecnologia Aduna, criada pelo holands (tambm chamado de Jos van der Meer). O processo contra o Facebook foi aberto no estado da Virgnia, EUA.

    Meio ambiente e sustentabilidade

    so nossas prioridades. O primeiro caderno verde

    do Brasil. Toda tera-feira, informaes sobre

    meio ambiente e sustentabilidade.

    Rua Baro de Aracati, 1320 - Aldeota www.oestadoce.com.br

    H mais de 4 anos plantando para o futuro.

    Fale 92 _ os 30 0000 C A P A 0002.indd 2 7/7/2012 10:12:18

  • 10 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    Histria de Capa

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 11

    Quase 40 mil crianas e adolescentes vivem

    em abrigos no Brasil. Aprovada em 2009, a Lei Nacional da Adoo regula a situao das crianas que esto em uma das 2.046

    instituies de acolhimento. P O R A M A N D A C I E G L I N S K I

    FOTO MARCELLO CASAL JR. _ ABR

  • 12 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    Em uma ampla sala colorida, cercado por cuidadoras, um grupo de seis bebs, com 6 meses de idade em m-dia, divide o mesmo espao, brinquedos e histrias de vida. Todos eles vivem em uma insti-tuio de acolhimento enquanto aguardam que a Justia defina qual o seu destino: voltar para a famlia biolgica ou ser encaminhados para adoo.

    A realidade das 27 crianas que moram no Lar da Criana Padre Ccero, em Taguatinga, no Distrito Federal (DF), repete-se em outras instituies do pas. Enquanto aguardam os trmites judiciais e as tentativas de reestruturao de suas famlias, vivem em uma situao indefinida, espera de um lar. Das 39.383 crianas e adolescentes abrigadas atualmente, apenas 5.215 esto habilitadas para adoo. Isso representa menos de 15% do total, ou apenas um em cada sete meninos e meninas nessa situao.

    Aprovada em 2009, a Lei Nacional da Adoo regula a situao das crianas que esto em uma das 2.046 instituies de acolhimento do pas. A legislao enfatiza que o Estado deve esgotar todas as possibi-lidades de reintegrao com a famlia natural antes de a criana ser en-caminhada para adoo, o que visto como o ltimo recurso. A busca pelas famlias e as tentativas de reinserir a criana no seu lar de origem podem levar anos. Juzes, diretores de instituies e outros profission-ais que trabalham com adoo criticam essa lentido e avaliam que a criana perde oportunidades de ganhar um novo lar.

    um engodo achar que a nova lei privilegia a adoo. Em vez disso, ela estabelece que compete ao Estado promover o saneamento das deficincias que possam existir na famlia original e a nfase se sobressai na colocao da criana na sua famlia biolgica. Com isso, a lei acaba privilegiando o inter-esse dos adultos e no o bem-estar da criana,

    avalia o supervisor da Seo de Colocao em Famlia Substituta da 1 Vara da Infncia e da Juventude do DF, Walter Gomes.

    Mas as crticas em relao legislao no so unnimes. O juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justia Nicolau Lupianhes Neto avalia que no h equvoco na lei ao insistir na reintegrao famlia

    natural. Para ele, a legislao traz muitos avanos e tem aju-dado a tornar os processos mais cleres, seguros e transparentes. Eu penso que deve ser assim [privilegiar a famlia de origem], porque o primeiro direito que a criana tem nascer e crescer na sua famlia natural. Todos ns temos o dever de procurar a todo momento essa permanncia na famlia natural. Somente em ltimo caso, quando no houver mais soluo, que devemos promover a destituio do poder familiar, defende.

    O primeiro passo para que a criana possa ser encaminhada adoo a abertura de um processo de destituio do poder familiar, em que os pais podero perder a guarda do filho. Antes disso, a equipe do abrigo precisa fazer uma busca ativa para incen-tivar as mes e os pais a visitarem seus filhos, identificar as vulnera-bilidades da famlia e encaminh-la aos centros de assistncia social para tentar reverter as situaes de violncia ou violao de di-reitos que retiraram a criana do lar de origem. Relatrios mensais so produzidos e encaminhados s varas da Infncia. Se a con-cluso for que o ambiente familiar permanece inadequado, a equipe indicar que o menor seja en-caminhado para adoo, deciso que caber finalmente ao juiz.

    Walter Gomes critica o que chama de obsesso da lei pelos laos sanguneos. Essa nfase acaba demonstrando um certo preconceito que est incrustado na sociedade que a superval-orizao dos laos de sangue. Mas a biologia no gera afeto. A lei acaba traduzindo o precon-ceito sociocultural que existe em relao adoo.

    Uma das novidades intro-duzidas pela lei e que tambm contribui para a demora nos *Os nomes das crianas foram trocados em acordo com o Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA)

    Histria de Capaa

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 13

    A diretora do abrigo Lar da Criana Padre Ccero, Maria da Glria Nascimento, em Braslia FOTO MARCELLO CASAL JR. _ ABR

    processos - o conceito de famlia extensa. Na impossibilidade de a criana retornar para os pais, a Justia deve tentar a reintegrao com outros parentes, como avs e tios. Luana* foi encaminhada ao Lar da Criana Padre Ccero quando tinha alguns dias de vida. A menina j completou 6 meses e ainda aguarda a deciso da Justia, que dever dar a guarda dela para a av, que j cuida de trs netos. A me de Luana, assim como a de vrios bebs da institu-io, dependente de crack e no tem condies de criar a filha.

    O chefe do Ncleo Especiali-zado da Infncia e Juventude da Defensoria Pblica de So Paulo, Diego Medeiros, considera que

    o problema no est na lei, mas na incapacidade do Estado em garantir s famlias em situao de vulnerabilidade as condies necessrias para receber a criana de volta. Como defensoria, en-tendemos que ela muito mais do que a Lei da Adoo, mas o fortal-ecimento da convivncia familiar. O texto reproduz em diversos mo-mentos a inteno do legislador de que a prioridade a criana estar com a famlia. Temos que questionar, antes de tudo, quais foram os esforos governamentais destinados a fortalecer os vnculos da criana ou adolescentes com a famlia, aponta.

    Pedro* chegou com poucos dias de vida ao Lar Padre Ccero. A

    me o entregou para adoo junto com uma carta em que deixava clara a impossibilidade de criar o menino e o desejo de que ele fosse acolhido por uma nova famlia. Mesmo assim, aos 6 meses de vida, Pedro ainda no est habili-tado para adoo. Os diretores do abrigo contam que a me j foi convocada para dizer, perante o juiz, que no deseja criar o filho, mas o processo continua em tramitao. Na instituio onde Pedro e Luana moram, h oito crianas cadastradas para adoo. Dessas, apenas duas, com graves problemas de sade, tm menos de 5 anos de idade.

    Enquanto juzes, promotores, defensores e diretores de abrigos

  • 14 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    FONTE: CADASTRO NACIONAL DE ADOES _ 2012

    AS DUAS FACES DA ADOOPerfil de crianas disponveis para adoo e a expectativa das famlias potenciais receptoras

    Histria de Capaa

    se esforam para cumprir as determinaes legais em uma corrida contra o tempo, a fila de famlias interessadas em adotar uma criana cresce: so 28 mil pretendentes cadastrados e ap-enas 5 mil crianas disponveis. Para a vice-presidenta do Institu-to Brasileiro de Direito da Faml-ia, Maria Berenice Dias, os bebs abrigados perdem a primeira in-fncia enquanto a Justia tenta re-solver seus destinos. Mesmo que eles estejam em instituies onde so super bem cuidados, eles no criam uma identidade de sentir o cheiro, a voz da me. Com tantas

    crianas abrigadas e outras tantas famlias querendo adotar, no se justifica esse descaso. As crianas ficam meses ou anos depositadas em um abrigo tentando construir um vnculo com a famlia biolgi-ca que na verdade nunca existiu, critica.

    As exigncias. Os abrigos que acolhem crianas e adolescentes no pas esto cheios, mas ainda assim famlias esperam anos na fila para adotar um filho. A de-mora nos processos de destituio do poder familiar, em que os pais perdem a guarda e a criana pode

    ser encaminhada adoo, expli-ca em parte esse fenmeno. Outro motivo a discrepncia entre o perfil das crianas disponveis e as expectativas das famlias.

    A maior parte dos pretendentes procura crianas pequenas, da cor branca e sem irmos. Dos 28 mil candidatos a pais includos no Cadastro Nacional de Adoo, 35,2% aceitam apenas crianas brancas e 58,7% buscam alguma com at 3 anos. Enquanto isso, nas instituies de acolhimento, mais de 75% dos 5 mil abrigados tm entre 10 e 17 anos, faixa etria que apenas 1,31% dos candidatos est disposto a aceitar.

    Quase mil crianas e adoles-centes j foram adotados por meio do cadastro, criado em 2008. Antes da ferramenta, que administrada pelo Conselho Nacional de Justia (CNJ), as unidades federativas tinham bancos de dados prprios, o que dificultava a troca de informaes e a adoo interestadual.

    Para o juiz auxiliar da Correge-doria Nacional de Justia Nicolau Lupianhes Neto, possvel perce-ber uma mudana na postura das famlias pretendentes, que tm flexibilizado o perfil buscado. A principal delas diz respeito faixa etria: antes a maioria aceitava apenas bebs, mas hoje a adoo de crianas at 4 ou 5 anos de idade est mais fcil.

    A gente observa que isso tem mudado pelos prprios nmeros do cadastro, mas essa transfor-mao no vai acontecer da noite para o dia porque faz parte de uma cultura, aponta o magistrado. Uma barreira difcil de ser su-perada ainda a adoo de irmos. Apenas 18% aceitam adotar irmos e 35% dos meninos e meninas tm irmos no cadastro. A lei determina que, caso a criana ou adolescente tenha irmos tambm disponveis para adoo, o grupo no deve ser

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 15

    separado. Os vnculos fraternais s podem ser rompidos em casos excepcionais, que sero avaliados pela Vara da Infncia.

    Outros fatores so entraves so a presena de algum tipo de deficincia fsica ou doena grave, condio que atinge 22% dos in-cludos no cadastro. Bianca* tem 5 meses de idade e chegou com pou-cos dias de vida ao Lar da Criana Padre Ccero, em Taguatinga, no Distrito Federal. A me, usuria de crack, tentou fazer um aborto e Bi-anca ficou com sequelas em funo das agresses que sofreu ainda na barriga. Ela tem paralisia cerebral parcial. Apesar da deficincia, uma menina esperta, ativa e muito carinhosa. Os mdicos que acom-

    panham o tratamento de Bianca no Hospital Sarah, em Braslia, esto animados com a sua evoluo, segundo a assistente social Re-nata Cardoso. Mas a gente sabe que no caso dela a adoo vai ser difcil, diz.

    Aos 37 anos, Renata sabe muito bem como a realidade das cri-anas que vivem nos abrigos, mas tm poucas chances de ser ado-tada. Ela chegou ao Lar da Criana Padre Ccero aos 7 anos de idade, com trs irmos. rfos de me, eles no podiam morar com o pai, que era alcolatra. Houve uma tentativa de reintegrao quando o pai se casou, mas ela e os irmos passaram poucos meses na casa da madrasta e logo retornaram para a

    instituio. No deu certo, lem-bra. Dois de seus irmos saram do abrigo aps completar 18 anos e formaram suas prprias famlias. Renata quis continuar o trabalho de Maria da Glria Nascimento, a dona Glorinha, diretora do lar. Ela nunca foi adotada oficialmente por Glorinha, mas ela e os irmos so tratados como se fossem filhos biolgicos.

    Com o tempo, a gente sentiu que ela ia cuidar da gente como filho. No tive vontade de ir embo-ra, nunca vi aqui como um abrigo, sempre vi como minha casa e ela [Glorinha] como minha me. Ela sempre ensinou que ns iramos crescer para cuidar dos menores e foi assim, conta.n

    Criana espera de adoo brinca no abrigo Lar da Criana Padre Ccero, em Braslia FOTO MARCELLO CASAL JR. _ ABR

  • 16 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    Comportamento

    AMEAA DIGITALA neurocientista Susan Greenfield diz que a tecnologia est moldando

    uma gerao de crianas

    apticas, incapazes de

    pensar por si prprias.

    usan Greenfield, cientista e pesquisadora britnica especialista em psicologia do crebro incisiva na concluso de sua pesquisa sobre mdias sociais, as novas ferramentas de comunicao podem fazer o crebro regredir ao grau infantil declara ela em entrevista revista New Scientist.

    A tecnologia est moldando uma gerao de crianas apticas, incapazes de pensar por si prprias. Quem faz essa afirmao a neurocientista Susan Greenfield, pesquisadora da Universidade de Oxford e membro da Cmara dos Lordes, a cmara alta do parlamento do Reino Unido.

    Segundo Greenfield, navegar em excesso por redes sociais pode fazer o crebro regredir, pois a exposio repetida a flashes de imagens em progra-mas de TV, jogos de videogame ou redes sociais pode infantilizar o crebro, tornando-o similar ao de uma criana pequena, que se atrai por manifestaes sonoras e luminosas.

    De forma simples, o que a neurocientista prega que quanto mais uma criana navegar por redes sociais ou jogar os games de PC ou consoles, menos tempo h para a aprendizagem de fatos especficos e para trabalhar a forma como estes elementos se rela-cionam entre si. Eles esto destinados a perder a conscincia de quem e o que eles so:

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 17

    AMEAA DIGITAL

    no algum, ou qualquer pessoa, mas ningum, diz.

    Greenfield acredita que as mentes das novas geraes esto se desenvolvendo de maneira diferente das de geraes anteri-ores. O crebro, diz ela, tem plasticidade: requintadamente malevel, e uma alterao signifi-cativa em nosso meio ambiente e comportamento traz consequn-cias.

    Segundo a neurologista, sua

    principal preocupao como os jogos de computador pode-riam realar o que ela chama de processo sobre o contedo - o mtodo sobre o sentido - na ativi-dade mental.

    Ela expe um catlogo de repercusses que levariam o u895009833599151mo um declnio na imaginao lingustica e visual; atrofia da criatividade; e falta dos verbos e das estruturas essenciais para condicionar um pensamento

    complexo.Embora no haja provas

    concretas de que as redes sociais infantilizam seus usurios, Susan Greenfield sustenta que a cincia j provou que o ambiente pode influenciar a maneira como o c-rebro funciona e que a tecnologia est influenciando a forma como as pessoas pensam no sculo 21.

    New Scientist: Voc acha que a tecnologia digital esta tendo

  • 18 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    um impacto nos nossos crebros. Como voc responde para aqueles que dizem no haver evidncias para isso?Susan Greenfield: Quando as pessoas dizem que no h evidncias, voc pode virar de volta e dizer, que tipo de evidn-cia voc poderia imaginar que houvesse? Ns vamos ter que esperar por vinte anos e ver que as pessoas esto diferentes das geraes precedentes? s vezes voc simplesmente no pode ir a um laboratrio e ter a evidncia durante uma noite. Eu penso que h suficientes indicaes que ns devamos falar bastante ao invs de nos estressarmos sobre o fato de no podermos provar instanta-neamente em um laboratrio.

    New Scientist: Ento, que evidncia existe ?Susan Greenfield: Existem vrias evidncias, por exemplo, o artigo Anomalias micro estrutur-ais em adolescentes com desor-dem de vcio em internet, no Jor-nal PLoS One. Ns sabemos que o crebro humano pode mudar e o meio ambiente pode mud-lo. H um aumento de pessoas com desordem de espectro autista. Existem as bofetadas-divertidas que aumentaram com o apelo do Twitter, Eu penso que isso mostra que a atitude das pessoas com as outras e consigo mesmas est mudando.

    New Scientist: Mais alguma?Susan Greenfield: H o artigo no jornal Neuron, que diz que existem dados de que o crebro ir mudar. Ele tambm analisa a evidncia mostrada com a questo da violncia, distrao e o vcio em crianas, ligadas perverso da tecnologia.

    New Scientist: O que faz as redes sociais e jogos de computa-

    dor diferentes das tecnologias precedentes e qual a temeridade que elas despertam?Susan Greenfield: O fato de que as pessoas esto usando a maior parte das suas horas acordadas usando elas. Quando eu era uma criana, televiso era o centro da casa, assim como o piano vitoriano era. muito diferente o uso de uma televiso, quando voc est sentado em volta e aproveitando com outros, comparando com quando voc est no seu quarto e olhando o computador at duas ou trs da manh sozinho. En-to, no so as tecnologias em si mesmo que estou criticando, mas como elas so usadas e o tempo estendido que as quais so usadas. Eu no digo que a tecnologia de-compe o crebro, eu nunca faria esse julgamento de valor.

    New Scientist: A tecnologia digital foi defendida, em termos

    de bem estar, pelo relatrio do Nominet Trust. O que voc pensa sobre isso?Susan Greenfield: Eu dou as boas vindas a esse relatrio. um me-ticuloso e compreensivo conjunto de fatos e informaes. Mas, inevi-tavelmente, ele no pode alcanar concluses muito firmes. Eu acho que ele foi usado para questes furtivas, como apenas dizer: Bem, est tudo OK ento, mas eu penso que est muito longe de estar tudo OK. Eu nunca encon-trei um familiar ou professor que nunca pensou que no devamos falar sobre isso. Apenas restringir o acesso das crianas internet no ajuda o bastante. Ao contrrio disso, eu devo perguntar: O que ns podemos oferecer s crianas? Ns deveramos estar planejando um meio ambiente em trs dimen-ses para as nossas crianas em vez de coloc-las na frente de um em duas dimenses. n

    A neurocientista Susan Greenfield

    Comportamento

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 19

    maisINFLUENTES 2013

    www.revistafale.com.br

  • 20 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    A CRESCENTEPRESENA DA FIGURA FEMININA EM CARGOS DE GESTO, TEM REAL-MENTE FEITO A DIFERENA, J QUE ATRIBUTOS CARACTERSTICOS DA MULHER COMO A SENSIBILIDADE, A INTUIO E UMA ABORDAGEM MAIS HUMANA DE SITUAES E CIRCUNSTNCIAS, SE CONFIGURAM CADA VEZ MAIS RECORRENTES COMO PROCEDIMENTOS FUNCIONAIS

    NO MERCADO DE TRABALHO.

    Educao

    ANA FLVIA CHAVES

    REITORA FAZ A DIFERENAPOR LUIZ ANTNIO ALENCAR n FOTO CHICO PERES

    Ana Flvia Chaves reitora do Cen-tro Universitrio Estcio FIC-Faculdade Integrada do Cear. Iniciou a carreira em 1999 como professora e depois como coordenadora do Curso de Cincias Con-tbeis. Em 2005, passou a exercer a fun-o de Diretora Acadmica, at assumir a direo geral da instituio em 2008. formada em Cincias Contbeis pela Uni-versidade Federal do Cear, Mestre em Controladoria pela USP-Universidade de So Paulo e Doutoranda em Desen-volvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha. casada com o professor da Universidade Estadual do Cear ( UECE), Lauro Chaves Neto e me de duas crianas, Gabriel e Ana Alice.

    Segundo Ana Flvia, a sensibilidade

    como elemento de gesto cria um equi-lbrio com o racional, no sentido de ins-taurar uma percepo das peculiaridades de cada membro da equipe no sentido de estimul-lo a dar o melhor de si na sua tarefa. A emoo no sentido de cuidar do outro identificando seu lado huma-no, cria colaboradores motivados e emo-cionalmente envolvidos no processo de trabalho.

    A reitora adianta uma que uma mis-so deve ser vivenciada e internalizada para que instituio caminhe dentro de todo um consenso de responsabilidade social e cidadania, preservando e dando relevncia integridade pessoal de cada indivduo, para que se instaure um todo integrado e harmonizado, j que se tra-

    20 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 21

    balha com educao,que abrange um leque bem mais amplo de pos-sibilidades humanas e pessoais.

    Ana Flvia esclarece ainda que a liderana feminina incorpora padres de multifuncionalidade na avaliao de possibilidades e alternativas, harmonizando e oti-mizando antagonismos para que se estabelea um sentido de grupo notadamente mais eficiente para o alcance da realizao da misso em curso. O fator equipe fun-damental no sentido dos mritos dos resultados serem partilhados como elemento motivacional prio-ritrio.

    A FIC conta com 23 mil alunos, 400 professores e 200 colabora-dores, um crescimento apresen-tado em relao a 2011 de 30 %. Um sbio aquele faz todos en-tenderem de modo simples algo

    complexo, assevera Ana Flvia Chaves que assegura que o papel dos educadores na Estcio FIC justamente trabalhar o potencial de cada aluno no sentido de uma agilizao oportuna dos procedi-mentos didticos. Temos alunos de classes sociais, credos e origens diferentes, de modo que colabora-mos para que cada um deles esteja apto para o mercado de trabalho, esse o nosso foco maior, com-plementa a reitora.

    A instituio alm de disponi-bilizar bibliotecas virtuais e pre-senciais nas suas duas unidades, oferece 20 mil ofertas de emprego e estgio trabalhando o aluno para que seja devidamente aceito nes-sas oportunidades de insero no mercado, ofertadas e disponveis.

    Ana Flvia assinala ainda que a FIC oferece material didtico a todos os seus alunos e tablets para os cursos de Direito, Administra-o e Arquitetura.

    Como me, mulher e gestora, Ana Flvia coloca cada um des-ses itens como desdobramento oportuno um do outro para que a tarefa administrativa adquira diferenas bem mais relevantes e expressivas. por essas e outras que a mulher faz realmente a di-ferena. n

    www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 21

  • 22 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    Memria

    OscarNiemeyerO ESTILO NA ARQUITETURAPOR RENATA GIRALDI n FOTOS AGNCIA BRASIL

  • www.revistafale.com.br | JANEIRO de 2013 | Fale! | 23

    SMBOLO DA VANGUARDA E DA CRTICA AO

    CONSERVADORISMO DE IDEIAS E PROJETOS, O CARIOCA

    OSCAR RIBEIRO DE ALMEIDA DE NIEMEYER SOARES, DE

    104 ANOS, APONTADO COMO UM DOS MAIS INFLUENTES

    NA ARQUITETURA MODERNA MUNDIAL. OS TRAOS

    LIVRES E RPIDOS CRIARAM UM NOVO MOVIMENTO NA

    ARQUITETURA. A CAPITAL BRASLIA APENAS UMA DAS

    SUAS NUMEROSAS OBRAS ESPALHADAS PELO BRASIL E

    PELO MUNDO.

    NIEMEYER MORREU NO ANO PASSADO, NO DIA 5 DE

    DEZEMBRO, S 21H55MIN, NO HOSPITAL SAMARITANO,

    NO RIO DE JANEIRO, EM BOTAFOGO, ONDE ESTAVA

    INTERNADO DESDE O DIA 2 DE NOVEMBRO, VTIMA DE

    COMPLICAES RENAIS E DESIDRATAO, O ARQUITETO

    OSCAR NIEMEYER, DE 104 ANOS.

  • 24 | Fale! | JANEIRO de 2013 | www.revistafale.com.br

    Dono de um esprito inquieto e permanentemente em alerta, Nie-meyer lanou frases que ficaram na memria nacional. Ao perder mais um amigo, ele desabafou: Estou cansado de dizer adeus. Em meio a um episdio de mais violncia no Rio de Janeiro, per-guntaram para Niemeyer se ele ainda se indignava, a resposta foi rpida e objetiva:

    O dia em que

    eu no mais me

    indignar porque morri.

    Em 1934, Niemeyer se formou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. De princpios marxistas, ele resistia ao que cha-mava de arquitetura comercial. At 2009, ele costumava ir todos os dias ao escritrio, em Copaca-bana, no Rio de Janeiro. A frequ-ncia caiu depois de duas cirur-gias uma para a retirada de um tumor no clon e outra na vescu-la. Em 2010, foi internado devido a um quadro de infeco urinria.

    Ao longo da sua vida, Niemeyer associou seu trabalho ideologia. Amigo de Lus Carlos Prestes, ele se filiou ao Partido Comunis-ta Brasileiro (PCB) e emprestou o escritrio para organizar o comit da legenda. Durante a ditadura (1964-1985), ele se autoexilou na Frana. Nesse perodo foi ento Unio Sovitica.

    Em 2007, Niemeyer presen-teou Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, com uma escultura na qual h uma imagem monstruo-sa que ameaa um homem que se defende com a bandeira de Cuba. No mesmo ano, foi alvo de crticas pelo preo cobrado, no valor de R$ 7 milhes, pelo projeto de constru-o da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Braslia.

    Independentemente das pol-

    micas, Niemeyer se transformou em sinnimo de ousadia com a construo de Braslia. Os cartes--postais da cidade foram feitos por ele, como a Igrejinha da 307/308 Sul, construda no formato de um chapu de freira cuja obra durou apenas 100 dias.

    O Palcio da Alvorada, a resi-dncia oficial da Presidncia da Repblica, foi o primeiro edifcio pblico inaugurado na capital, em junho de 1958. Na obra, os pilares que Niemeyer desenhou para a fa-chada do prdio, passaram a ser o emblema de Braslia.

    A sede do governo federal, o Palcio do Planalto, compe o conjunto de edifcios da Praa dos Trs Poderes onde esto os pr-dios do Supremo Tribunal Fede-ral (STF) e o Congresso Nacional formado por duas semiesferas simbolizando a Cmara dos De-putados (voltada para cima) e o Senado (voltada para baixo).

    Porm, um dos smbolos mais visitados da capital a Catedral Metropolitana. Construda como uma nave, o acesso ao prdio possvel por meio de uma passa-gem subterrnea. No teto da igre-ja, h anjos dependurados.

    Em janeiro de 2012, Niemeyer enterrou a filha Anna Maria, de 82 anos, que morreu em consequn-cia de um enfisema pulmonar, no Rio. Desde ento, segundo ami-gos, o arquiteto passou a sair me-nos de casa e ficou mais fechado.

    MORREU O

    LTIMO GRANDE

    ARQUITETO DO

    SCULO 20A morte do arquiteto Oscar

    Niemeyer ganhou destaque na imprensa de Portugal. O site do jornal Pblico, de Lisboa, infor-ma que morreu o ltimo grande

    arquiteto do sculo 20. J o site do Dirio de Notcias lembra que Niemeyer era o mais importante arquiteto brasileiro e tambm um dos nomes mais influentes da arquitetura moderna em nvel mundial.

    A agncia de notcias Lusa tam-bm faz reverncia e diz que o arquiteto brasileiro deixou mais de 600 obras em todo o mundo, sendo considerado um cone da arquitetura moderna.

    Em Portugal, h apenas uma grande obra de Oscar Niemeyer trs edifcios (hotel, casino e centro de convenes) que fazem parte de um complexo turstico do Funchal, na Ilha da Madeira. Os edifcios foram projetados pelo brasileiro em 1966, quando esta-va exilado em Paris, e concludos uma dcada depois dois anos aps a Revoluo dos Cravos.

    Em 2001, foi publicado em Por-tugal o livro O Nosso Niemeyer, sobre a obra do Funchal. O livro, que inclui a biografia do brasilei-ro, foi escrito por Carlos Oliveira Santos, professor da Faculdade de Arquitetura de Lisboa.

    No ano passado, Oscar Nie-meyer projetou o Museu de Arte Contempornea de Ponta Delga-da para a Ilha de So Miguel, nos Aores. Com Portugal em reces-so econmica, no h previso de quando a obra poder ser executa-da. Para Lisboa, o arquiteto ainda desenhou a futura sede da Funda-o Luso-Brasileira, que tambm ainda no foi construda.

    A passagem dos 100 anos de Niemeyer, em 2007, foi registrada pela imprensa lusitana e come-morada com a exposio Braslia 50 Anos, Niemeyer 100 Anos, em Cascais, prximo a Lisboa.

    Como muitos brasileiros, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares tinha ascendncia portu-guesa. Ao blog da Embaixada de Portugal, o arquiteto contou que

    Memria