Finanas pblicas aula_02

  • View
    789

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Finanas pblicas aula_02

  • 1. Curso de Testes de Finanas Pblicasaula 02 143 Professor Adauto de Aquino e Silva Filho

2. Curso de Testes de Finanas Pblicasaula 02 243 Professor Adauto de Aquino e Silva Filho 3. Curso de Testes de Finanas Pblicasaula 02 343Professor Adauto de Aquino e Silva FilhoO perodo 1930-1959 corresponde ao Pacto Popular-Nacional de Getlio Vargas, do qualparticipam a nova burguesia industrial, a nova burocracia pblica moderna, setores da velhaoligarquia e os trabalhadores; tambm a primeira fase do Estado Nacional-Desenvolvimentista.Ainda que a democracia seja estabelecida em 1945, no houve mudana de pacto polticoporque, embora nos 15 anos anteriores os trabalhadores no tivessem voto, j participavam,de alguma forma, do processo poltico por meio do populismo de Vargas. Adicionalmente,tanto o presidente Dutra, que o antecedeu, quanto o presidente Kubitschek, que o sucederdepois de um breve intervalo, sero eleitos nos quadros do Pacto popular-nacional queGetlio Vargas liderou. H, em seguida, uma crise, entre 1960 e 1964, que no muda omodelo econmico (que continua substituidor de importaes e nacional-desenvolvimentista),mas muda o pacto poltico, que torna-se burocrtico-autoritrio, porque dele so excludos ostrabalhadores, e a burocracia pblica militar ganha papel maior.NACIONAL-DESENVOLVIMENTISMO-VITORIOSO:1945-1960Ao aliar-se aos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Getlio Vargas ganhava no curtoprazo, mas sabia que o destino do Estado Novo estava selado. No foi surpreendente,portanto, que em 1945, com a queda pacfica de Getlio Vargas, o Brasil transformasse-se,pela primeira vez, em uma democracia digna desse nome uma democracia ainda de elites,mas baseada em eleies livres e amplas9. O regime ditatorial violentara direitos, mas, nofinal dos 15 anos do primeiro governo Vargas, o Brasil mudara: estava em pleno processo derevoluo industrial e nacional. Entretanto, com a democracia, e como se fosse parteintegrante dela, veio do Norte o liberalismo econmico que ameaou interromper atransformao em curso. Em dois anos, as grandes reservas internacionais que o pasacumulara durante a guerra foram transformadas em consumo de bens de luxo importadospelos novos ricos e por uma classe mdia deslumbrada. Como, porm, a transiodemocrtica no implicara em conflito social maior, mas fora antes o resultado de um quase-consenso estabelecido entre as classes mdias e as elites entusiasmadas com a vitria dospases democrticos na guerra; no implicara em uma mudana substancial na coalizopoltica dominante no Brasil desde 1930. Por isso, no foi surpreendente que, a partir de1948, a poltica econmica do governo voltasse a reproduzir o acordo nacional entre aburguesia industrial, a burocracia pblica e os trabalhadores em torno da estratgia dedesenvolvimento econmico substitutiva de importaes. Faltava nova poltica a legitimaoideolgica necessria, j que a anterior, baseada em grandes intelectuais como OliveiraVianna e Azevedo Amaral, ficara prejudicada pelo apoio que prestara ao Estado Novo. Essalegitimao, entretanto, surgiria na virada da dcada de 1950, no Brasil, com as idias dogrupo que a partir de 1955 seria conhecido como o grupo do ISEB, e na Amrica Latina, comas idias da Comisso Econmica para a Amrica Latina e o Caribe (Cepal)10.Com as idias de Ral Prebisch e Celso Furtado, da Cepal, legitimava-se a estratgiaeconmica de proteo industria nacional. Esta legitimao baseava-se nas experinciasbem-sucedidas de interveno do Estado na Economia na Europa e no Japo, na nova teoriamacroeconmica de base keynesiana e na crtica lei das vantagens comparativas docomrcio internacional que fora a principal arma ideolgica do imperialismo liberal paradificultar a industrializao dos pases perifricos e dependentes. A poltica econmica doBrasil desde 1930 constitura-se em uma antecipao a essas crticas da mesma forma queas polticas fiscais expansionistas de Franklin Delano Roosevelt haviam antecedido a Teoriageral de Keynes. Por outro lado, as idias dos grandes intelectuais do ISEB, Guerreiro Ramos,Igncio Rangel, Vieira Pinto e Hlio Jaguaribe sero fundamentais para legitimar aindustrializao substitutiva de importao no plano poltico. Sero eles que diagnosticaro edefendero com mais vigor e coerncia o pacto poltico formulado por Getlio Vargas e acorrespondente estratgia nacional de desenvolvimento o nacional-desenvolvimentismo. 4. Curso de Testes de Finanas Pblicasaula 02 443Professor Adauto de Aquino e Silva FilhoSo eles que mostram que o Brasil fora uma semicolnia at 1930, dominada por umaoligarquia agrrio-mercantil aliada ao imperialismo, e que a partir de 1930 comea aRevoluo Industrial e Nacional Brasileira, baseada em uma coalizo poltica formada pelaburguesia industrial, a burocracia pblica, os trabalhadores e a oligarquia substituidora deimportaes.Essa anlise ganha consistncia e fora quando, em 1950, Getlio Vargas eleito Presidenteda Repblica com uma grande maioria de votos. Nos quatro anos que seguem, at seusuicdio em 1954, o nacional-desenvolvimentismo de Vargas ser conduzido sempre por elemesmo, e por uma assessoria econmica da Presidncia da Repblica liderada por dois altosburocratas pblicos Rmulo de Almeida e Jesus Soares Pereira. Esta assessoria lograrestabelecer as bases do desenvolvimento nacional a partir da criao de novas empresasestatais para se encarregar do desenvolvimento da infra-estrutura econmica do pas; aPetrobrs e a Eletrobrs sero os principais resultados desse trabalho. Por outro lado, umoutro grupo de tcnicos mais liberais e mais comprometidos com a cooperao internacional,do qual fazem parte Ary Torres, Roberto Campos, Lucas Lopes e Glycon de Paiva, rene-seem torno da Comisso Mista Brasil-Estados Unidos, que, no entanto, sob o comando deVargas, realiza um trabalho que mais complementa do que neutraliza a tarefa do primeirogrupo. Contribua para isto o fato de que esses trabalhos e debates realizavam-se em umquadro intelectual em que o planejamento econmico do desenvolvimento estava legitimado:o quadro da teoria econmica do desenvolvimento (development economics) que nasce dosestudos de Rosenstein-Rodan, Nurkse, Myrdal, Lewis, Singer, Rostow, Celso Furtado e RalPrebisch um grupo de economistas do desenvolvimento originados no processo de criaodas Naes Unidas e, indiretamente, do Banco Mundial. O liberalismo da poca, portanto, eramuito relativo, nada tendo a ver com o neoliberalismo que surgiria nos Estados Unidos nosanos 1960 e tornar-se-ia dominante nos anos 1980.As novas empresas estatais e a deciso do Estado de investir na infra-estrutura econmicarepresentavam vitrias para a ala nacionalista da burocracia pblica econmica que, assim,concretizava seus planos de desenvolvimento, e ao mesmo tempo, criava postos de trabalho,prestgio e poder para si prpria. Sua grande vitria, porm, ser a criao do Banco Nacionalde Desenvolvimento Econmico (BNDE), em 1952, por proposta do Ministro da Fazenda dapoca, o empresrio industrial de So Paulo, Horcio Lafer. O Banco do Brasil encarregava-se, ento, do financiamento da produo, e, com a criao da Carteira de Exportao eImportao (Cexim), passa a financiar o comrcio exterior brasileiro. Continuava, entretanto,sem um rgo apropriado o financiamento dos investimentos industriais. Isto s ocorrer em1952, depois da volta de Vargas ao governo. Forma-se, ento, a Comisso Mista Brasil-Estados Unidos, de 1951. Esta comisso fora antecedida, durante o governo Dutra, em 1948,por uma misso americana, a Misso Abink, que tivera como contraparte brasileira OtvioGouva de Bulhes; no obstante seu corte liberal, aceitara o projeto de estabelecer-se nopas um "capitalismo industrial". Esta proposta vai ganhar consistncia no seio da AssessoriaEconmica e da Comisso Mista Brasil-Estados Unidos, criada para discutir e formular umplano de desenvolvimento para o pas e seu financiamento internacional. Embora dominadapelo campo liberal, a Comisso Mista prope que o Estado encarregue-se da infra-estrutura(energia, transportes, comunicaes), enquanto as iniciativas privada e estrangeiraencarregar-se-iam da minerao (principal interesse estratgico dos Estados Unidos naquelapoca em relao ao Brasil), e o Estado brasileiro garantiria o acesso de empresasamericanas a seu mercado. Havia, naturalmente, um conflito entre os dois grupos detecnoburocratas pblicos, principalmente, porque o grupo nacionalista queria o monoplioestatal do petrleo, enquanto que o segundo o rejeitava. Mas estavam os dois gruposigualmente voltados para o planejamento econmico e a montagem de uma infra-estruturade transportes e de energia de base estatal. Na poltica da Comisso Mista j estavadelineado o que viria a ser o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. 5. Curso de Testes de Finanas Pblicasaula 02 543Professor Adauto de Aquino e Silva FilhoAlm de contribuir para o desenvolvimento econmico, o Banco Nacional de DesenvolvimentoEconmico e Social (Bndes) passaria a ser, a partir de ento, e at hoje no obstante atodos os acidentes por que passou a burocracia pblica brasileira uma das bases daautonomia e de poder da burocracia pblica brasileira. O Bndes, assim como o Banco Central,a Petrobrs e alguns outros rgos orientados para a coordenao econmica, seria amaterializao da estratgia de insulamento burocrtico que caracteriza o desenvolvimentoeconmico de pases como o Brasil em que a burocracia pblica joga um papel decisivo, masa democracia nascente obriga os polticos ao exerccio da prtica do clientelismo. Enquanto osrgos pertencentes principalmente aos ministrios sociais so objeto de repartio polticaentre os partidos que apiam o governo e os rgos relacionados com a infra-estrutura sorelativamente preservados, os rgos de coordenao econmica so insulados doclientelismo. Essa uma reivindicao da burocracia pblica, mas uma deciso dos prpriospolticos que, assim, reconhecem o carter estratgico dos rgos de coordenao econmicae o perigo que representa para eles mesmos submet-los ao clientelismo. Na medida, porm,em que o desenvolvimento econmico acompanhado pel

Recommended

View more >