Jornal Causa Operária nº 801

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Amostra parcial do jornal Causa Operária nº 801, de 28 de junho a 4 de julho de 2014. Para ler a edição completa, dirija-se a www.pco.org.br

Text of Jornal Causa Operária nº 801

  • :::3&225*%5&$86$23(5$5,$$12;;;91'('(-81+2$'(-8/+2'(63(5-5'(0$,6(67$'265

    Editorial

    libErdadE imEdiata para Fabio HidEki E raFaEl marquEs

    rEprEsso: antEs, durantE E dEpois da Copa

    a justia soCial dos riCos: s podE Estudar quEm podE pagar

    E os outros Corruptos? para a dirEita, no ExistEm

    a2 E a3

    govErno EsCondE

    a inFlao

    prEos Controlados so usados para manipular os ndiCEs oFiCiais

    iraquE

    ponto de lana da crise no oriente mdioO que representa o avano dos guerrilheiros do (,,/"B2

    julian assangE

    dois anos na embaixada equatoriana em londresO imperialismo contra as liberdades democrticas B4

    msiCa

    morreu um dos maiores mestres do soul, bobby Womack1RERG\ZDQWV\RXZKHQ\RXUHGRZQDQGRXWC8

    Egito

    golpistas CondEnam jornalistas a sEtE anos dE prisoA tentativa de institucionalizao do regime junto com o aumento da represso B3

    mEtrovirios

    o que no fazer em uma greve$GLUHWRULDGR6LQGLFDWRGRV0HWURYLiULRVPRVWURXna prtica a melhor maneira de fazer o errado C3

    abortodireita religiosa declara guerra contra reeleio de dilma C5

    usp

    reitor contra o ingresso da populao negra, pobre e os direitos trabalhistas(PHQWUHYLVWDj9HMD0DUFR$QWRQLR=DJRVHRS}Hs cotas raciais e sociais C7

    luta do povo nEgro

    pCo lana candidatura negra ao governo de so paulo$OpPGDUHVROXomRHOHLWRUDO&RQJUHVVRGRSDUWLGRDSURYRXDUHDOL]DomRGHXPDFRQIHUrQFLDGRFROHWLYR-RmR&DQGLGRSDUDGHEDWHUPDU[LVPRHDOXWDGRQHJURC8

    A anlise dos compo-nentes da inflao apre-sentados pelo IBGE reve-la que o impacto aumenta conforme considera-se a renda dos trabalhadores com menores rendas.

    Os componentes que fazem parte da cesta de consumo bsico dos tra-balhadores tm sido os mais afetados desde o colapso capitalista de B1

    E todos os prEsos poltiCos do psdblibErdadE para HidEki

    semanrio nacional operrio e socialista

    fun

    dado

    em junho de 979

  • JORNAL CAUSA OPERRIA ONLINE Saiba mais:

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    Agora voc tambm pode fazer a sua assinatura digital do

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  • SEGUNDO CADERNOB1

    internacional & polticade 28 de junho a 4 de julho de 2014

    Est em 6,41%, deveria ser de cerca de 8%

    Controle de preos pelo governo segura artificialmente a alta da inflao

    Apesar das manipulaes estatsticas descaradas, as presses LQDFLRQiULDVDYDQoDP

    De acordo com o ltimo IPCA 15 (ndice de Preos ao Consumidor Ampliado), que medido entre o dia 16 de um ms at o dia 15 do ms seguinte, no acumulado dos

    ltimos 12 meses o ndice oficial foi de 6,41%, muito perto do teto da meta, fixado pelo governo em 6,50%. Isso aconteceu mesmo com os alimentos e bebidas tendo

    subido menos em junho (0,21%), na comparao com os meses de maio (0,88%) e abril (1,84%). Seis capi-tais, Fortaleza, Belm, Recife, Rio de janeiro, Porto Alegre e Curitiba, esto com taxas acumuladas em 12 meses acima do teto da meta oficial. No Rio, o ndice de 7,29%.

    A especulao com os preos dos alimentos e da energia nas bolsas especu-lativas futuro so dois dos principais componentes da escalada da inflao no mundo. No Chile, a inflao anual subiu para 4,7% em maio, 2,7% acima da meta oficial. No Peru, a taxa foi de 3,6%, acima da meta estipu-lada entre 1% e 2%. Na Co-lmbia, a inflao foi a 2,9%, quase no limite da margem de tolerncia, que de entre 1% e 3%.

    As presses inflacionrias continuaro altas por causa das obscenas emisses de t-tulos pblicos, que sustentam

    os lucros dos capitalistas, o endividamento generalizado, o aumento das importaes, da disparada dos preos dos produtos que deixaram de ser produzidos no Pas, e, em fim, das amarraes imperia-listas que tm como objetivo manter os lucros dos mono-plios a qualquer custo.

    Conforme continuar se aprofundando, o poder de fogo do estado para conter a inflao ficar, cada vez mais, reduzido. Os preos adminis-trados, que representam 40% dos componentes da inflao oficial, consomem bilhes. O dficit nas contas pblicas obrigam a polticas que s podem acentuar a crise. En-quanto a inflao dos preos que o governo controla foi de 0,9%, a inflao dos preos livres foi de 7,3%. Os preos controlados compem um quarto do ndice. Se eles foram liberados, a inflao oficial dispararia para algo em torno a 8%.

    A manipulao dos ndices estatsticos

    A anlise dos compo-nentes da inflao apresen-tados pelo IBGE, revela que o impacto aumenta conforme considera-se a renda dos tra-balhadores com menores in-gressos. Os componentes que fazem parte da cesta de con-sumo bsico dos trabalha-dores tm sido os mais afe-tados desde o colapso capi-talista de 2008. A maneira como os produtos e servios so agrupados, assim como o peso atribudo a cada um desses itens, tem como ob-jetivo camuflar a deterio-rao da qualidade de vida dos trabalhadores conforme a crise capitalista tem se aprofundado.

    O IBGE considera os preos dos alimentos e be-bidas como sendo respon-sveis por 23,46% do ora-mento das famlias. O Dieese (Departamento Intersindical

    de Estatstica e Estudos So-cioeconmicos) considera que mais de 47% do salrio mnimo necessrio para a compra da cesta bsica. No Brasil, em torno de 120 mi-lhes de pessoas sobrevivem com um salrio mnimo e, por esse motivo, o peso da alimentao nos ingressos est muito mais prximo de 50% que dos 23% do IBGE.

    O IPCA utilizado para atualizar salrios e benefcios sociais e, por esse motivo, se-gundo a verso oficial do go-verno, desconsideraria des-pesas contempladas por ou-tros ndices, como os IGPs que medem o ndice de rea-juste dos alugueis, e das ta-rifas dos servios pblicos, e o INPC que mede o ndice de reajuste dos preos da cons-truo. Moradia e servios pblicos tambm impactam em cheio os rendimentos dos trabalhadores, mas no considerado no aumento dos salrios.

    Indstria

    O novo pacote do governo: mais do mesmo7RGRVRVPHFDQLVPRVHSDFRWHVLPSOHPHQWDGRVGHVGHQRYHPEURGHQmRFRQVHJXLUDPVDOYDUDLQG~VWULDGDUHFHVVmR

    O recente pacote indus-trial anunciado pelo governo para evitar o colapso dos lu-cros dos grandes capitalistas, simplesmente reeditou me-didas dos pacotes anteriores. Foram incrementados o Reintegra, que permite aos exportadores receberem um percentual em dinheiro do que pagam de impostos para exportar; o PSI (Programa de Sustentao de Investi-mento), que so os recursos repassados pelo BNDES (Banco Nacional de Desen-volvimento) a taxas ultra-subsidiadas para a compra de mquinas, equipamentos e caminhes. Os recursos do PSI tm sido usados para serem aplicados na especu-lao financeira. Foi aumen-tado o prazo para as compras governamentais com sobre-preo, mesmo se o produto nacional for 25% mais caro. Foi retomado o programa de pagamento de dvidas tribu-trias prazo.

    Os capitalistas ainda querem mais para salvarem os lucros. Eles querem energia ainda mais barata, a conteno da inflao, menos impostos, melhorias na logstica e, em fim, mu-danas estruturais, como a reduo dos gastos pblicos destinados a programas so-ciais. Na prtica, se trata de

    um programa de terra arra-sada contra as massas.

    A recesso industrial re-flete o colapso do chamado

    modelo de crescimento Lula, por meio da impo-sio que o imperialismo tentou conter o aprofunda-mento da crise capitalista, aumentando o papel expor-tador de matrias primas da maioria dos pases atrasados para o mercado manufatu-reiro asitico, a comear pela China. Os efeitos iniciais at foram relativamente posi-tivos sob a lgica dos espe-culadores financeiros, pois conseguiram manter altos lucros, aps terem migrado enormes volumes de capitais da especulao imobiliria para a especulao nos mer-cados futuros de commodi-ties (matrias primas), em cima dos quais os nefastos derivativos financeiros ga-nharam novo flego du-rante aproximadamente trs anos. Como segundo pilar do crescimento, o mercado foi inundado com crdito podre (turbinado por meio de recursos pblicos) para fomentar o consumo. Esses mecanismos artificiais se es-gotaram no ano passado e, agora, o Brasil, assim como acontece com a economia capitalista mundial, se en-caminha para a pior crise da

    histria, inclusive devido completa impossibilidade de elaborar uma poltica alter-nativa ao chamado neolibe-ralismo, tal o grau extremo de parasitismo.

    Esgotamento do "modelo de crescimento Lula"

    O modelo de cresci-mento Lula, que foi im-posto pelo imperialismo aps o colapso capitalista de 2007-2008, se esgotou devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial. Ele foi estruturado em cima de trs pilares fundamen-tais o direcionamento da economia produo e ex-portao de meia dzia de matrias primas, por meio dos mercados especulativos futuros de commodities; o fomento ao consumo, por meio de enormes volumes de recursos pblicos repas-sados atravs do sistema fi-nanceiro, que dessa maneira angariou enormes lucros em cima de juros e taxas usur-rios; e o direcionamento de crescentes recursos para os capitalistas por meio dos re-passes feitos pelos bancos pblicos e a manuteno dos servios de pagamento da dvida pblica.

    As importaes continuam altas, pois o modelo Lula in-centivou a disparada das im-portaes, que representam um dos fatores fundamentais da crescente desindustriali-

    zao do Pas. A desvalori-zao do dlar pouco contri-buiu para cont-la e mesmo que ela aumentar, seriam criados efeitos colaterais gra-vssimos, como o aumento dos custos das importaes e dos servios da dvida p-blica nos quais as principais empresas tm se empenhado no ltimo perodo.

    Para manter em p o paga-mento dos servios da dvida pblica, o modelo implemen-tado, em escala mundial, nos ltimos cinco anos, tem sido o incentivo artificial ao con-sumo por meio de enormes repasses de recursos pblicos

    para os bancos que pass