KAU MASCARENHAS MUDANDO PARA .MELHOR Programação Neurolinguística e Espiritualidade KAU MASCARENHAS

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  • 1a edio

    Rio de Janeiro | 2017

    MUDANDOPARAMELHORProgramao Neurolingustica e Espiritualidade

    K A U M A S C A R E N H A S

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  • Captulo 1Transformao

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  • Recado do lago

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  • Sou um lago que reflete o azul do cu, embora no seja o cu.

    Mesmo sendo lago, tenho o sol em meu espelho, tenho as nuvens em minha superfcie, e noite

    tenho a lua e as estrelas me adornando.

    Vou mudando de forma, continuamente, a depender da estao do ano. Posso tornar-me

    menor ou maior, mais calmo ou mais movimentado, mais cristalino ou mais turvo.

    O mais importante a riqueza que guardo em meu interior, os peixes que abrigo, e a vida que

    habita ao meu redor, as flores cuja existncia permito s minhas margens, e as aves que vm se

    encontrar e brincar em minhas guas.

    Nunca serei o mesmo e sempre serei eu mesmo.

    No temo a mudana eu a abenoo.

    E mais tarde, quando deixar de ser lago definitivamente, a minha gua habitar o oceano

    ou o mais profundo veio da terra, o meu leito ser, talvez, uma floresta, e minha memria estar

    eternizada em todos os que se beneficiaram com meu ser inconstante.

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    Uma das cartas mais temidas no jogo do tar a de nmero 13: a Morte.

    Lembro-me de que na adolescncia, algumas vezes em que estive com algum que sabia ler cartas, eu me arrepiava quando via a imagem da caveira com foice aparecer abrup-tamente no momento em que a carta era virada.

    Hoje, tenho conhecimento de que a tal carta no precisa assustar ningum. A maior comunicao que ela traz, sob o ponto de vista simblico, a transformao.

    A figura do esqueleto nos lembra a fugacidade da vida fsica e o destino natural de todos os seres humanos. Mas ele se mostra em movimento, em ao. morte e tambm vida, portanto. Curiosamente, alguns desenhos de cartas de tar mostram esqueletos que quase esto danando de to dinmica sua representao.

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    A foice instrumento que, segundo a mitologia grega, Cronos usou para castrar o pai, Urano, e se tornar lder traz a ideia do poder que troca de mos no eterno fluir da Vida. tambm uma lembrana da ferramenta usada nas colheitas e que, mais especificamente, ceifa o trigo para transform-lo em po.

    Em alguns baralhos, a carta 13 aparece trazendo fo-lhas secas no cho. Essa imagem representa a sabedoria da Natureza, que faz as rvores se despirem no inverno para que se abra espao para o novo, quando florescer a primavera.

    Dinamismo, transformao e impermanncia so faces de uma realidade com a qual todos ns nos deparamos em cada instante da nossa existncia. Resistir a essa realidade pode trazer grande dor, grande sofrimento. natural temer o novo. O medo da morte , portanto, o medo do estranho, do desconhecido, do que pode nos pegar de surpresa, daquilo com o qual no temos familiaridade. Acostumamo-nos com um estado de coisas e queremos mant-lo ao mximo, como se durabilidade fosse uma caracterstica imprescindvel para que algo seja bom: Se for demorado benfico; se for fugaz, no presta. Essa uma crena muito frequente para boa parte das pessoas.

    Com isso, esquecemos o valor de um momento ou de uma curta experincia que, mesmo sem durar tanto, em ter-mos cronolgicos, pode ser eterna em memria e importan-tssima em significado. E ainda h outra consequncia dessa crena, que leva boa parte das pessoas a relutar em deixar ir aquilo que no est mais trazendo a felicidade esperada.

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    Algum prefere manter-se, por exemplo, no emprego que o torna doente ou insatisfeito. Outro decide permanecer ao lado de algum que no ama mais ou que, mesmo existindo o sentimento, a relao ocasiona experincias dolorosas, que fazem surgir feridas no corao.

    H quem mantenha a mesma forma equivocada de agir com os filhos, pois esse o conjunto de padres compor-tamentais que aprendeu com seus pais. H aqueles que se entregam a vcios alimentares, ou permanecem ingerindo toxinas diversas por no quererem abrir-se possibilidade de encontrar prazer em outros nveis. Outros, ainda, aceitam por obrigao e no por conscincia crenas religiosas que j no mais atendem aos seus anseios evolutivos.

    Em suma, acatam a mesmice como uma gaiola dourada, protetora, mesmo que ela impea qualquer movimento em direo exuberante natureza que existe ao redor, mesmo que mutile energeticamente suas asas que, em dado mo-mento, no mais tero vontade de voar.

    preciso morrer para se estar vivo

    Refletindo sobre essas coisas lembro-me de uma antiga fbula.

    Era uma vez um rei que resolveu fazer uma viagem frica com o intuito de conhecer paragens novas, e trazer animais e objetos exticos para seu castelo.

    No meio de uma floresta encontrou um bando de pa-pagaios mgicos falantes. Eles faziam grande alarido, can-

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    tavam e conversavam de forma maravilhosa e intrigante. O rei e seus acompanhantes conseguiram capturar apenas um desses papagaios, enquanto os demais fugiram para o alto das rvores.

    O rei voltou ento para a ndia com sua ave preciosa e a instalou numa linda gaiola feita de ouro. Alimentava seu papagaio mgico diariamente com sementes e frutos carssimos. Antes do anoitecer, o rei cantava para o seu pssaro e conversava horas seguidas com ele.

    O papagaio comeou a habituar-se quilo e se julgava feliz vivendo dessa forma.

    Alguns anos mais tarde o rei lhe disse que precisaria ir frica outra vez. Perguntou se queria que ele transmitisse algum recado aos seus amigos, l no meio da selva.

    Diga-lhes que estou bem, que moro numa gaiola feita de ouro e que recebo ateno e cuidados de Vossa Majestade e dos criados respondeu a ave.

    Perfeitamente. Direi isso aos seus amigos papagaios falou o rei, sorrindo, e se retirou.

    A viagem transcorreu serena e, quando a expedio chegou ao ponto da f loresta onde viviam os papagaios mgicos, o rei lhes gritou:

    Meus bons amigos emplumados, lembram do irmo de vocs que eu levei comigo h algum tempo? Ele pediu que lhes desse um recado e falou exatamente o que seu papagaio havia pedido. Ele mora numa gaiola de ouro e vive feliz ao meu lado. Vocs querem lhe mandar algum recado?

    Surpreendentemente todas as aves comearam a chorar e caram no cho, como se estivessem mortas.

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    O rei espantou-se e imaginou que elas haviam morrido por conta da saudade do antigo companheiro. De volta ao castelo, pesaroso, contou ao seu pssaro o que havia ocorrido com o bando.

    O papagaio comeou a chorar e caiu igualmente no cho da gaiola, permanecendo imvel. O rei, entre surpreso e triste, pegou o papagaio e percebeu que ele estava rgi-do, imvel e, dando-o como morto, levou-o at o jardim. Deitou-o sobre o gramado e ficou a meditar. De repente, o papagaio agitou-se e voou em seguida para o alto da maior rvore do jardim.

    O rei ento gritou: Voc me enganou! Fingiu que estava morto e agora

    fugiu. Por que fez isso?E o papagaio respondeu: Apenas segui o conselho que todos os meus amigos me

    deram, com a atitude que tiveram na selva. Eles estavam a me dizer que se quero viver feliz e com liberdade preciso que eu morra. preciso morrer para se estar vivo.

    Deixando algo para trs

    De fato, muito importante perceber que, se queremos viver com felicidade e liberdade, importante morrer em alguns aspectos. Deixar para trs aquilo que j cumpriu o seu papel em nossa vida e abrir espao para o que ainda vai chegar.

    Em seminrios e palestras, costumo brincar com a pla-teia, perguntando quais dos presentes sofrem da Sndrome

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    da Gabriela. So as pessoas que pensam Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim..., como diz a linda cano do compositor baiano, Dorival Caymmi.

    Pessoas que esto sofrendo com essa sndrome imaginam que no h outra alternativa a no ser conformar-se com a sua vida, da forma em que ela est. costumeiro ouvir dessas pessoas frases como: No adianta, essa a minha natureza. Gosto de responder que a coisa mais certa em termos de natureza, seja ela qual for, justamente a reno-vao constante, a mudana.

    Pior ainda ouvir algo do tipo se melhorar, estraga. Algum que fala isso se imagina de fato na felicidade da gaiola dourada. No possvel haver algo maior, ou me-lhor, alm das suas grades. Alis, no h patamar maior de prazer, paz, alegria ou satisfao do que aquele em que se encontra. Qualquer coisa maior se mostra como exagero e, portanto, ruim. Como se pudesse haver excesso negativo em se tratando de felicidade.

    A cada fase da vida possvel perceber que tudo muda. medida que ganhamos conscincia e maturidade, podemos observar que, por mais dolorosa que tenha sido a mudana, ela ocorreu para melhor.

    Sabemos, por diversos textos religiosos e filosficos, que h uma lei de destruio. Ela se encarrega de fazer a impermanncia acontecer em todos os contextos em que estamos inseridos.

    Aquelas coisas tidas como as mais certas desaparecero e outras viro em seu lugar. No h relacionamento, forma

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    de ser, paradigma, pensamento, valor ou estrutura que em algum instante no venha a sofrer mudanas.

    Aquilo que bom em dado momento ser obsoleto, merecer atualizao ou precisar ser profundamente al-terado. como