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MARIO PEDROSA: “ UM TIPO CURIOSO” ... - Mario Pedrosa optou sempre pelo lado mais difícil ,disse Frederico Morais,em 1980. - João Bernardo afirma em 2007; “Lê-se numa obra

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  • MARIO PEDROSA: “ UM TIPO CURIOSO”

    ( Recursos de Hegemonia Cultural )

    CLAUDIO NASCIMENTO

    INDICE=

    Parte I

    - a titulo de Introdução:

    1. a “figura” de Mario Pedrosa

    2. anos 70: a volta do ‘velho guerreiro’ 3. anos 80:homenagens pós-morte 4. anos 90: a ressurreição do ‘ velho guerreiro ‘

    Parte II

    1. O “ Romantismo Revolucionário “ 2. “Ad Fontes” (Arquelogia da Modernidade )

    Parte III

    Mario Pedrosa : “desesperadamente socialista “

    1. Introdução : Mario Pedrosa e o Modernismo

    2. Exílios e Mutações/etapas 3. O “Socialismo Agônico”

  • 4. Exílio nos EUA:

    a. CLR James ,”o Jacobino Negro”

    b. “Vanguarda Socialista”

    5. Exílio no Chile:

    a. As Cartas Chilenas

    b. Arte e Revolução

    Parte IV

    1. “Afinidades Eletivas” :

    - A Dialética das Formas :

    ( Mario Pedrosa , Calder e Kandinsky )

    Parte V

    1. A “Opção Brasileira” de Mario Pedrosa : - o ‘especifico nacional’

    - o capitalismo global

    - a revolução ativa de massas

    - a autogestão socialista

    - Esperança e Utopia

    ( final )

    - Bibliografia geral

    - Anexo:

    MARIATEGUI y MARIO PEDROSA

    ( un “ marxismo gótico “ )

    --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    A Titulo de Introdução:

    No Centro da Crise

    Este ensaio foi iniciado em 1991 , quando então, trabalhando no INCA, decidimos na Equipe de formação

    que os educadores iriam apresentar seus trabalhos de pesquisa (acadêmica ou não) durante cada Semana

    INCA .Eram 3 semanas por ano, dedicadas ao debate na equipe de educadores do Instituto Cajamar. O contexto estava marcado pela ‘grande onda’ do 1989, quando ‘quase chegamos lá’,usando expressão de

    Wladimir Pomar ,referindo-se a disputa presidencial encabeçada por Lula,pelo PT.

    A partir de 1994 , iniciamos um debate em torno da possibilidade de construção de um “Projeto Nacional”

    Brasileiro. As pesquisas estariam neste campo temático.

    O pequeno ensaio que tinha iniciado,relacionando Mario Pedrosa e Mariategui , tornou-se uma pesquisa

    sobre o grande pensador socialista brasileiro.Tinha por idéia buscar ‘fermentos’ ,como diz Antonio

    Candido,para fundamentar uma hegemonia cultural.As idéias políticas e estéticas de Mario são,nesta

    perspectivas,fundamentais. Seu legado ético também. De certa forma, após termos ‘chegado lá’,com a vitoria

    de Lula nas eleições presidenciais de 2002, o sentido se inverteu: o legado ético torna-se o elemento

    principal.Seu exemplo de militância ,de vida.Assim como, também,o de Apolônio de Carvalho e Manuel da

    Conceição, fundadores então do PT, e lutadores sociais durante todas suas vidas.

    Naquele momento, em 1994, vínhamos de uma derrota eleitoral de Lula frente a FHC, e ao “Plano real”.

  • Uma grande frente conservadora se formava para dirigir o pais. Naquela conjuntura,podemos hoje

    afirmar,iniciou-se uma mudança de estratégia no PT e na CUT.

    Passamos por mais uma derrota,em 1998,com a reeleição no primeiro turno de FHC. Mas, na eleição de

    2002, Lula seria eleito presidente do Brasil. As mudanças de estratégia,iniciada em 1994, mudaram o campo

    de alianças e de programa do PT, o que permitiu a vitoria.

    Hoje, final de 2006 , enfrentamos mais uma eleição presidencial. Todavia, no contexto de uma crise profunda

    do PT e das esquerdas. Crise,como diria Mario Pedrosa, global, ética e política ; alguns dizem ‘crise de

    destino’ ,do conjunto das esquerdas. Tudo indica,estas se acham frente à um novo ‘momento de

    reestruturação”, um 'novo ciclo'. A sucessão de escândalos , graves erros no Partido e no Governo, significam uma profunda crise ética e

    política. Indica que algo se 'esgotou'.

    A reeleição de Lula à presidência,em 2006,não muda este diagnostico.

    Podemos nos perguntar : por que Mario Pedrosa ? Mario foi o filiado de ficha numero 1 do PT, a frente de

    Lula e de Apolônio de Carvalho,que vêm em seguida a seu nome. Que pensaria e como agiria Mario nesta

    conjuntura. Claro, é impossível responder questões deste tipo.Mas, uma coisa podemos afirmar: Mario deixou

    muitas lições e ,senão por sua práxis política e estética (o que iremos ver ) ,no sentido ético,nos deixou um

    legado muito atual , como diria com sua peculiar irreverência : “no centro da crise”.

    Por tudo isto, vamos iniciar este ensaio pelo que seria e ainda o é ,seu FINAL :com as palavras de Helio Pellegrino sobre ‘a lição e o legado de Mario Pedrosa” ; “sem rancor e sem masoquismo”,`a guisa de

    introdução e parodiando Helio Pellegrino , afirmar que :

    “A correspondência de Mário Pedrosa, lida neste momento, é revigorante ...

    "fiel `as raizes marxistas de seu pensamento,M.Pedrosa sempre fez da luta de classes a regra de ouro,a partir

    da qual buscou compreender a politica e a historia.Sua confiança na força ascendente da massa trabalhadora -

    etica,estetica e politica- em nenhum momento desfaleceu...

    Pelas décadas afora ,passando por exilios e perseguições,nunca perdeu a paciencia e a esperança na iniciativa

    libertadora das massas.Tendo chegado a sabedoria de não confundir o tempo da historia com o tempo de sua

    propria biografia, Mario pedrosa conseguiu preservar, em meio a todas as crises,uma firmeza imperturbável, capaz de sustenta-lo contra as mais amargas evidencias, que ele sabia transitórias.

    A publicação das cartas de Mario...parte do processo social de sua ressurreição,que interessa a toda a cultura

    brasileira. Precisamos de sua palavra, viva e presente,aqui e agora, no centro da crise, para que possamos nos

    instruir sobre as virtudes da lucidez, da firmeza na luta, da paciência na adversidade e da esperança na

    escuridão.

    Mário Pedrosa é da raça dos homens que não morrem...Quando ocorre a conjunção da bondade,da

    abundancia de coração,com a ciencia da historia,é aqui que surge o verdadeiro revolucionario: raça

    escolhida,dificil diamante,garantida investidura de mestre.

    Eis porque a cultura brasileira, necessitada,começa a buscar a ressurreição de Mario Pedrosa.Ele foi,como

    disse Barreto Leite Filho,"O mais alto pensador socialista que o Brasil teve".

    Prossegue Pellegrino " As classes ricas,nacionais e multinacionais,chegaram a um grau tal de corrupção e

    conivencia com a injustica que,delas,pouco ou nada pode se esperar.Resta o pobre,a opção pelo pobre,a mobilização e a organização do pobre,nas comunidades eclesiais de base,nas associações de bairro,nos

    sindicatos operarios,nos 'morros'e 'favelas',em todo o lugar onde houver explorados e oprimidos.Resta o

    despertar das grandes massas camponesas,em sua luta centenaria pela posse da terra".

    Resta,portanto, "a opção brasileira",socialista e democratica como dizia Mario Pedrosa.

    "Resta o PT.Caminho para o qual foi Mario Pedrosa,sem nenhum vacilo...sem nenhum dogmatismo ou

    sectarismo.Seguro de que a iniciativa das massas,da qual o PT,é no Brasil, mais alta expressão

    politica,constitui a via segura para o 'socialismo democratico'.

    Esta é,a meu ver,a grande lição que nos legou Mario Pedrosa,atraves de sua vida e de seu texto.Não há

    revolução sem pratica revolucionaria.Para que a pratica seja possivel,nas massas,é necessario quebrar

    qualquer ilusão sobre a ominipotencia das ideias fechadas em si mesmas.Não há pratica sem massa.Não há revolução no isolamento ou na autosuficiencia de um dogmatismo arrogante".

    " Não há revoluções sem modestia.São as massas trabalhadoras que sabem,ou poderão saber,sobre seu proprio

  • caminho.Qualquer vanguardismo intelectual que se arroge o direito a substituir as bases proletarias,se torna

    fonte envenenada de erro e ilusão.O verdadeiro revolucionario não vive de ilusão.Ele vive de esperança.

    Se as derrotas chegam, e são amargas, é preciso aprender com elas, através da consciência que se toma dos

    erros praticados.A autocrítica também é uma pratica, e só como tal escapa ao masoquismo e ao rancor.É

    necessario voltar a fonte,retomar a militancia com o povo pobre,aprender com ele o segredo da paciencia,da

    generosidade e da alegria".

    Se assim for feito, a vida se torna inspirada e fecunda.Mesmo na derrota e na desgraça.Mesmo na dor e no

    luto”.

    Havemos de amanhecer”.

    Finaliza Helio Pellegrino.

    - a ‘figura’ de Mario Pedrosa ;

    Vamos iniciar essa série de depoim