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Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo Porto Alegre, 25 a 29 de Julho de 2016 MEIO AMBIENTE E ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE: da segregação à humanização SESSÃO TEMÁTICA: ARQUITETURA ASSISTENCIAL E SAÚDE: DISCUTINDO CONCEPÇÕES E PROTAGONISTAS Antonio Pedro Alves de Carvalho Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia [email protected]

MEIO AMBIENTE E ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS … · verticalizadas, predominando o meio ambiente artificial. Atualmente observa-se uma mudança na filosofia dos tratamentos de saúde,

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  • Encontro da Associao Nacional de Pesquisa e Ps-Graduao em Arquitetura e Urbanismo

    Porto Alegre, 25 a 29 de Julho de 2016

    MEIO AMBIENTE E ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SADE: da segregao humanizao

    SESSO TEMTICA: ARQUITETURAASSISTENCIALESADE:DISCUTINDOCONCEPESEPROTAGONISTAS

    AntonioPedroAlvesdeCarvalhoFaculdadedeArquiteturadaUniversidadeFederaldaBahia

    [email protected]

  • MEIO AMBIENTE E ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SADE: da segregao humanizao

    RESUMO O presente trabalho procura demonstrar o carter estruturante do meio ambiente nas solues arquitetnicas de edificaes de sade em sua evoluo histrica at os dias atuais, em que a humanizao do atendimento exige espaos ecologicamente equilibrados. Para tanto utilizou-se da anlise bibliogrfica e de exemplos de edificaes de sade construdas em diversos perodos histricos. Observa-se que at meados do sculo XIX h um predomnio da tipologia em nave, com as variantes de claustro e radial. Esta tipologia indicava o tipo de cuidados ministrados, que se resumiam na segregao de pessoas abandonadas pela famlia e necessitadas da caridade pblica. A orao e o preparo para a morte eram o mais importante, no havendo cuidado ambiental. Depois de um grande incndio no maior hospital de Paris, o Htel-Dieu, iniciaram-se estudos para a melhoria ambiental dos edifcios de tratamento da sade, o que resultou no estabelecimento da tipologia pavilhonar, que representou uma ruptura do antigo padro construtivo e foi reflexo de uma mudana paradigmtica na medicina, que passa a estabelecer o controle das condies ambientais como a melhor forma de tratamento das doenas. Com o progresso tecnolgico, que trouxe a urbanizao intensa, com valorizao dos terrenos nas cidades e o descobrimento dos antibiticos, dos elevadores e do ar-condicionado, as edificaes de sade tornam-se mais compactas e verticalizadas, predominando o meio ambiente artificial. Atualmente observa-se uma mudana na filosofia dos tratamentos de sade, que buscam um ambiente mais humanizado, prescrevendo-se estabelecimentos de menor porte, com jardins internos e aspecto semelhante a residncias.

    Palavras-chave: Meio Ambiente e Sade. Arquitetura Hospitalar. Histria da Arquitetura.

    ENVIRONMENT AND HEALTH BUILDINGS: segregation to humanization

    ABSTRACT This study intends to demonstrate the structural nature of the environment in health buildings architectural solutions, in its historical evolution to the present day, in which the humanization of care requires ecologically balanced spaces. For this, it is used the literature analysis and examples of health buildings built in different historical periods. It is observed that, until the mid-nineteenth century, there is a predominance of the hangar typology, with the cloister and radial forms like variants. This form indicating the type of care that is provided there, with segregation of people abandoned by their families and dependents of public charity. Prayer and preparation for death was the most important, without environmental care. After a major fire in the largest hospital in Paris, the Htel-Dieu, were initiated studies for the environmental improvement of health care buildings, which resulted in the establishment of the pavilion typology, which represented a break from the old building standard and was reflection of a new paradigm in medicine, which establish control of environmental conditions as the best form of treatment of diseases. With technological progress, which brought intense urbanization, with land scarcity in the cities and the discovery of antibiotics, the elevators and air conditioning, health buildings become more compact and verticalized, predominating the artificial environment. Currently there has been a movement to more humane environment, prescribing smaller establishments, with indoor gardens and look similar as residential.

    Keywords: Environment and Health. Hospital Architecture. History of Architecture.

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    1. O AMBIENTE SAGRADO: o sistema de nave e claustro A questo ambiental tem influenciado a arquitetura de estabelecimentos de sade desde os

    seus primrdios. Os primeiros cuidados de sade esto ligados caridade e atuao

    religiosa, sendo ministrados por sacerdotes em templos, que ofereciam abrigo, prescreviam

    ervas e alimentos. Neste perodo, a obra de Hipcrates (460-377 AC), Dos Ares, guas e

    Lugares, representa a primeira tentativa racional de explicao dos males da sade pela

    interao ambiental. Durante toda a antiguidade e Idade Mdia, o processo da cura esteve

    baseado no equilbrio dos quatro humores hipocrticos, tese defendida tambm por Galeno

    (129-199).1 Quanto s terapias pblicas, eram adotadas a segregao dos doentes,

    mantendo-se a predominncia dos cuidados religiosos. As edificaes de sade eram

    lugares para o isolamento, a caridade e o preparo para a morte.

    Foucault explicita o papel do hospital medieval como equipamento repressor, em que o

    doente era um marginal, devendo seus males serem retirados da viso da sociedade,

    inclusive devido s ameaas constantes de epidemias2. De acordo com Foucault: No se

    deve olvidar que poucos anos aps sua fundao [ano 651], o nico Hospital Geral de Pars

    [Htel-Dieu] agrupava 6000 pessoas, isto , cerca de 1% da populao.3

    Deve-se ressaltar que o medievo era uma poca de frequentes epidemias. Em Barcelona,

    existem relatos de diversos ataques epidmicos a partir de 1348:

    Si repasamos las fechas de los contagios padecidos por Barcelona desde mediados

    del siglo XIV, destaca a primera vista la extraordinaria frecuencia con la que la

    enfermedad se ceb en la ciudad. Durante el Trescientos se produjeron al menos

    cuatro episodios: los de 1348, 1362-63, 1371-75 y 1396. Su reincidencia fue ms

    grave an en el siglo XV: 1408-10, 1429, 1439, 1448, 1457, 1478, 1483, 1486, 1490,

    1494 y 1497. (Betrn, 1996, 115)

    A medicina, como se conhece hoje, no existia. De acordo com Lorn: No se pode falar de

    verdadeira evoluo cientfica da Medicina at a metade do sculo XIX, isto , at o

    aparecimento de Claudio Bernard, Luis Pasteur e Santiago Ramn e Cajal.4 Os

    estabelecimentos de sade eram lugares de orao, morte e da punio dos pecados.

    Particularmente entre os cristos, havia o incentivo explcito do exerccio da caridade.

    Segundo Pieltain, o hospital da Idade Mdia era uma pequena parte do monastrio

    1 Luis G Ballester, Arnau de Vilanova (c. 1240-1311) y la reforma de los estudios mdicos en Montpellier (1309): El Hipcrates latino la introduccin del nuevo Galeno. Accessed Mar 01, 2016. http://www.raco.cat/index.php/Dynamis/article/viewFile/106180/149296. 2 Michel Foucault. Microfsica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. 3 Michel Foucault. Histria da loucura. 2nd ed., (So Paulo: Perspectiva, 2003), 55 4 Santiago Lorn. Historia de la Medicina: manual de historia de la medicina y de la profesionalidad mdica. (Zaragoza: Anatole, 1975), 36.

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    dedicada ao asilo de pobres ou hospedagem de peregrinos em rota para os lugares

    santos.5

    Pode-se observar o papel segregador dos hospitais medievais pela anlise da localizao

    dessas edificaes em relao cidade. Na figura 2, tem-se o exemplo da cidade de

    Barcelona, no sculo XIII, com o posicionamento dos hospitais fora das muralhas protetoras.

    Figura 2 Localizao do Hospital fora dos limites dos muros na cidade de Barcelona, no sculo XIII.

    Fonte: Barcelona, 2006, 67.

    Ser necessrio ressaltar que o tratamento de sade desta poca era efetuado nas

    residncias, sendo os hospitais reservados apenas queles que no tinham a possibilidade

    de cuidados familiares. Toda esperana de cura era a orao, os ritos e o trabalho religioso

    nos estabelecimentos onde a caridade era o nico objetivo.

    Em sua origem, o hospital toma a forma de uma capela, de uma igreja, ou de um

    oratrio sem qualificao paroquial. um lugar de culto e alojamento, urbano ou rural,

    onde se declina alguns cuidados mdicos. Uma realidade que reflete toda a

    5 Alberto Pieltain. El Hospital: doscientos aos de proyectos. In Hospitales: la arquitectura del Insalud: 1986-2000. (Ed. by Insalud, 2000), 9.

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    importncia da religio, especialmente da caridade crist, na medicina medieval.

    (Cabal, 2001, 12) [traduo nossa]

    O reflexo no ambiente edificado deste tipo de tratamento era a forma de nave, com p

    direito elevado e janelas altas, tal qual as igrejas. As camas eram colocadas uma ao lado da

    outra, limitadas prpria capacidade do aposento. As naves, pela demanda de certas

    pocas, sofriam constantes ampliaes. As ampliaes efetuadas no Htel-Dieu de Paris

    so emblemticas, avanando inclusive sobre o Rio Sena e alcanando a margem oposta. 6

    No Hospital da Santa Cruz, em Barcelona, observa-se o mesmo tipo de evoluo, com

    naves ampliadas no decorrer dos sculos, como se v na figura 2.

    Figura 2 O hospital da Santa Cruz de Barcelona, demonstrando a evoluo do partido em nave para

    o claustro por ampliaes sucessivas. Fonte: Hernndez-Cros, Mora e Pouplana,1990, 101.

    Este tipo de crescimento da edificao, conduziu s formas de claustro e radial, que podem

    ser vistas como evolues naturais do cuidado de sade em que a segregao, a orao e a

    vigilncia so as principais funes. No sistema radial havia o reforo da vigilncia sobre os

    enfermos, com a colocao de postos de observao no cruzamento das naves.

    O sistema radial, ou de naves cruzadas, no se apresenta como resultado da modificao

    da ateno prestada nos hospitais. Os doentes continuavam dispostos em espaos

    6 Mrcia E. Pinheiro O hospital como mquina de curar: o papel de Jacques Tenon e Florence Nightingale no desenvolvimento da arquitetura hospitalar. Ambiente Hospitalar, 6, no. 9, (2012a): 32.

  • 6

    extensos e abertos, sem diferenciaes. O cruzamento de naves s proporcionava melhor

    possibilidade de vigilncia que passava a se situar em ponto estratgico. inegvel, no

    entanto, a evoluo que representava a reserva de ptios de iluminao, que poderiam ser

    utilizados tambm na circulao de servidores e pacientes.

    Em Barcelona, cidade que sofreu grande represso poltica, que impediu, durante longo

    perodo, sua sada do modelo urbano medieval, encerrado em muros, o Hospital da Santa

    Cruz manteve-se em sua forma antiga at o incio do sculo XX. Pode-se observar, na figura

    3, em foto da poca, o aspecto sombrio do ambiente, com leitos preenchendo um grande

    salo sem janelas.

    Figura 3 Foto do hospital da Santa Cruz, de Barcelona, no incio do sculo XX, enquanto mantinha

    a estrutura medieval, com pouca iluminao e ventilao. Fonte: Danon i Bretos, 2001, 41.

    A separao dos doentes, quando havia, era somente por sexo, acumulando-se no mesmo

    espao e por vezes na mesma cama os mais diversos casos. Em relao ao Htel-Dieu

    de Paris, h relatos de at oito pessoas por cama7. As principais caractersticas seletivas

    dos doentes e dos cuidados de sade no sistema em nave eram a no diferenciao de

    doenas e a no limitao do nmero de indivduos recebidos. Isto conduzia formao de

    7 Nikolaus Pevsner. Historia de las tipologas arquitectnicas. (Barcelona: Gustavo Gili, 1979), 172.

  • 7

    grandes espaos indiferenciados, em que as pessoas eram amontoadas, agravando o

    estado em que se encontravam.

    2. HOSPITAIS PAVILHONARES: a cura pelo controle do ambiente O grande incndio no Htel-Dieu de Paris, no final do sculo XVIII, levou as autoridades

    parisienses a recorrer academia de cincias da Frana para elaborar estudos sobre a

    forma de recuperar a edificao. Neste processo, destaca-se o trabalho do mdico francs

    Jacques-Ren Tenon, Mmoires sur les Hpitaux a Paris,8 publicado em 1788, sendo

    resultado de visitas programadas a hospitais, possuindo um detalhado estudo de suas

    condies ambientais. Nele, Tenon defende novas propostas para a ateno hospitalar, com

    recomendaes como a determinao de volume mnimo de ar por paciente, o que vinha a

    atender os postulados da teoria dos miasmas. Apresenta, ainda, um modelo de hospital

    pavilhonar, feito em colaborao com o arquiteto Bernard Poyet, conforme figura 4.

    Figura 4 Tipologia Pavilhonar, elaborada em 1788 pelo arquiteto Bernard Poyet, sob a orientao

    do mdico Jacques Tenon. Fonte: Pinheiro, 2012b, 121.

    Apesar do hospital de Stonehenge, de 1756, ser considerado o primeiro executado em

    pavilhes, no se pode retirar de Tenon o carter inovador por seus estudos e observaes

    ambientais, que levaram fundamentao da soluo pavilhonar.

    Para a afirmao do modelo pavilhonar em todo o mundo no se pode deixar de citar os

    papis do engenheiro Casimir Tollet9 e da enfermeira Florence Nightingale10, que publicaram

    8 Jacques-Ren Tenon. Memoires sur les hpitaux de Paris. Paris: De Lmprimerie de Ph-D Pierres, Premier Imprimeur Ordinaire du Roi, & c, 1788. 9 Casimir Tollet. Les dificies hospitaliers: depouis leur origine jusq`a nos jours. Paris, 1892. 10 Florence Nightingale. Notes on Hospitals. 3rd ed. London: Longman, 1863.

  • 8

    estudos de grande importncia para a determinao das condies ambientais em unidades

    de internao.

    O sistema pavilhonar, com a limitao de doentes por enfermaria e uma clara preocupao

    com a iluminao, a ventilao e espaos para cuidados de higiene, representou um avano

    formal sem precedentes na arquitetura hospitalar. A partir deste momento, o hospital passa

    realmente a representar um ambiente de recuperao da sade.

    Em finais do sculo XIX, tanto em Salvador como em Barcelona so inaugurados hospitais

    com a forma pavilhonar, que representaram uma nova era nos cuidados de sade destas

    cidades. O Hospital Santa Izabel, em Salvador, composto de seis pavilhes paralelos,

    (figura 5) foi inaugurado em 1893.

    Figura 5 Implantao do Hospital Santa Izabel em Salvador. Fonte: Pinheiro, 2012b, 227.

    Em Barcelona, em 1888, lanada a pedra fundamental do Hospital Clnico, que apenas

    teria obras terminadas em 1901. No projeto, pode-se observar o partido pavilhonar clssico

    com um bloco interior para ensino (figura 6).

  • 9

    Figura 6 Planta pavilhonar no Hospital Clnico de Barcelona. Fonte: Corbella i Corbella, Escud i

    Aixel and Pujol i Ros, 2006, 21.

    Em Barcelona foi ainda inaugurado na mesma poca, em 1911, um hospital em partido

    pavilhonar com arquitetura no estilo Art Noveau, o novo Hospital da Santa Cruz. Este tinha o

    objetivo de substituir o antigo hospital construdo na poca medieval, que funcionou at a

    dcada de 1920 (figuras 7 e 8).

    Figura 7 Implantao em pavilhes do Hospital da Santa Cruz de Barcelona. Fonte: Barcelona,

    2006, 397.

  • 10

    Figura 8 Vista das cpulas do Hospital da Santa Cruz de Barcelona, construdo no incio do sculo

    XX. Fonte: Garcia-Martin, 1990, 172.

    A predominncia da teoria miasmtica e, posteriormente, a bacteriolgica, conduz a uma

    radical mudana nos procedimentos relativos aos cuidados de sade no sculo XIX.

    Procurou-se um papel ambiental mais ativo no processo de cura, passando o mdico e a

    enfermeira leigos a serem elementos importantes nos hospitais, sendo defendidas medidas

    de limpeza e saneamento. Segundo Costa: Ao invs do paradigma miasmtico, a

    bacteriologia supe uma mirada fundamentalmente diferente sobre o meio: introduz uma

    ameaa no s invisvel mas tambm inodora.11

    O higienismo constituiu-se num movimento que contribuiu para a adoo da separao de

    diferentes tipos de patologias e defesa da necessidade de ventilao e iluminao naturais.

    A abordagem propriamente cientfica da arte de curar, no entanto, s se estabelece com a

    descoberta dos agentes etiolgicos das doenas. O combate aos micro-organismos passa a

    ser o objetivo e o mtodo de tratar os males da sade.

    O sistema em pavilhes representou uma verdadeira revoluo formal dos estabelecimentos

    hospitalares, apoiando diversas mudanas dos cuidados em sade, como: 11 Francisco X. Costa. La compulsin por lo limpio en la idealizacin y construccin de la ciudad contempornea: Barcelona: 1849-1936. Accessed 25 jun, 2015 http://www.xcosta.arq.br/HUM_bcn1999/TEXTO.htm, (2008): 8.

  • 11

    A prioridade na recuperao dos doentes;

    Clara deciso por melhoria ambiental;

    Predomnio do tratamento leigo, com maior status da profisso mdica e o

    surgimento da enfermagem organizada;

    Estabelecimento de espaos de apoio administrativo e logstico, aumentando

    definitivamente a complexidade da organizao hospitalar.

    O sistema pavilhonar tambm significou a colocao da arquitetura como fator decisivo no

    tratamento, fornecendo melhores condies de trabalho aos funcionrios e meios para o

    restabelecimento dos pacientes. A equipe de sade tornou-se interdisciplinar, com diversos

    profissionais desempenhando atividades importantes na recuperao do doente. Com o

    reconhecimento das bactrias como causadoras de doenas, intensificou-se a preocupao

    ambiental. A disposio em pavilhes representava clara modificao organizacional, com

    institucionalizao da separao por tipo de doena e sexo, mantendo, no entanto, o carter

    de vigilncia e excluso.

    O ambiente edificado passa a ter uma participao decisiva na determinao da sade

    humana, sendo a arquitetura a cincia e arte de idealizar estes ambientes. Dentre os pontos

    mais importantes buscados pela qualidade ambiental em sade no partido pavilhonar,

    podem-se destacar a ventilao e Iluminao natural e o contato com a natureza. 12

    O partido pavilhonar tem sido utilizado at os dias de hoje, representando um exemplo de

    adaptao do ambiente construdo s necessidades humanas.

    3. A NEGAO DA INFLUNCIA AMBIENTAL: o monobloco vertical

    A evoluo tecnolgica, com maior utilizao de equipamentos de diagnstico, elevadores,

    condicionadores de ar e a descoberta da ao dos antibiticos, no incio do sculo XX, so

    fatores indutores diretos da densificao da rea construda na sade. A tipologia destes

    edifcios passa a ter poucas aberturas, criando-se ambientes internos com escasso ou

    nenhum acesso iluminao e ao ar exterior.

    Estas caractersticas construtivas acabam por acarretar problemas respiratrios e alrgicos

    associados ao ambiente, alm da sensao de confinamento. Adicionando-se o crescente

    aparato tecnolgico do tratamento e a impessoalidade das relaes humanas, o espao

    12 Antnio P. A. de Carvalho, Introduo Arquitetura Hospitalar. (Salvador: Quarteto/Universidade Federal da Bahia, 2014), 128.

  • 12

    arquitetnico para a sade transformou-se em ambiente desagradvel e inapropriado ao

    restabelecimento.

    Diversos fatores podem ser citados como determinantes para o advento das solues

    verticalizadas e compactas nas edificaes de sade, como: o crescimento da populao

    urbanizada, que provocou a extenso dos cuidados mdicos, a evoluo tecnolgica, bem

    como a densificao habitacional e o aumento dos custos dos terrenos.13

    Este tipo de edificao, que busca a eficincia funcional e economia de manuteno, conduz

    exatamente ao inverso do que prope. No eficiente, pois impede a confeco de

    reformas e ampliaes, tornando-se, em pouco tempo, desgastada e obsoleta; possui

    manuteno difcil e custosa, pois o sistema artificial de circulao de ar dispendioso em

    todos os aspectos, alm da verticalidade dificultar at uma simples pintura.

    A necessidade de grandeza em termos de porte de atendimento leva estes megahospitais a

    uma encruzilhada administrativa e de adequao a um sistema de sade que deveria ser

    distribudo e acessvel, atendendo os casos simples a maioria de maneira igualmente

    simples. No se pode deixar de notar que a concentrao do atendimento hospitalar atende

    aos interesses do grande capital das indstrias farmacuticas e de equipamentos mdicos.

    Estes dois poderosos agentes econmicos da sade moderna criam um sistema

    dispendioso e dependente.

    O modelo hospitalocntrico, medicamentoso e baseado apenas em um profissional, leva a

    sade a um impasse, que somente poder ser resolvido pelo retorno ao posicionamento do

    meio ambiente como o grande responsvel pelo bem-estar dos seres humanos, equilibrando

    os cuidados de sade com as verdadeiras necessidades das pessoas.

    3.1 O AMBIENTE EDIFICADO CAUSANDO DOENAS: a Sndrome do Edifcio Doente

    (SED)

    A partir da dcada de 1980, diversas pesquisas foram efetuadas em ambientes de trabalho

    que utilizavam o ar-condicionado durante todo o dia, detectando-se, por parte de uma

    parcela dos usurios, sintomas como cansao, nuseas, dores de cabea e irritao em

    nariz, olhos, garganta e pele. Para este conjunto de sintomas provocados pelo ambiente,

    denominou-se Sndrome do Edifcio Doente (SED) ou Sick Building Syndrome (SBS). A

    caracterstica principal da doena a relao dos sintomas com o ambiente, que

    desaparecem depois de poucas horas que o indivduo deixa o local.

    13 Luiz C. Toledo Feitos para curar: arquitetura hospitalar e processo projetual no Brasil. (Rio de janeiro: ABDEH, 2006), 23-24.

  • 13

    Analisando mais de trezentos trabalhos relativos questo da ventilao em escritrios,

    Sundell, Levin e Novosel detectaram que haviam poucos casos de notificao da sndrome

    apenas quando a troca de ar excedia a 25 litros por segundo por pessoa14. Schettler

    constata a efetividade do aumento da troca de ar a partir de 10 litros por segundo por

    pessoa, na melhoria das condies internas do ar em escritrios15. Wargocki, Wyon e Fanger

    demonstram uma forte correlao entre qualidade do ar e produtividade em edifcios de

    trabalho16.

    Segundo Naimi, as condies mais frequentes para a deteco da SED so: falta de

    ventilao, proximidade de ruas barulhentas, alta umidade, materiais de construo e

    mobilirio que utiliza resinas sintticas17. Graudenz e Dantas constatam que a maior

    incidncia da SED foi detectada em edifcios recm-inaugurados (at seis meses) e nos

    mais antigos. Nos edifcios mais novos a exalao de resinas de mobilirio e revestimentos

    considera-se a causa mais provvel e, nos mais antigos, a falta de limpeza de filtros de ar-

    condicionado.18

    A pesquisa sobre o tema continua a despertar grande interesse em relao melhoria das

    condies de bem-estar no interior das edificaes. As informaes disponveis servem para

    comprovar a influncia direta das condies ambientais das edificaes na sade dos seus

    ocupantes. No caso dos estabelecimentos de sade, estas condies tornam-se mais

    restritas, pela maior fragilidade das pessoas que os utilizam.

    Pode-se citar como princpios para o ar saudvel no interior de edificaes:

    Ventilao adequada;

    Controle das fontes de emisses de vapores qumicos de materiais ou

    substncias medicinais;

    Operao e manuteno regular.19

    Deve-se destacar, ainda, o dano psicolgico provocado em pessoas que passam longo

    tempo em ambientes fechados.

    14 Medida de velocidade da troca do ar interior da edificao pelo ar exterior atravs de mecanismos de exausto e insuflamento, segundo Jan Sundell, Hal Levin and Davor Novosel. Ventilation rates and health: report of an interdisciplinary review of the scientific literature. Alexandria: National Center for Energy Management and Building Technologies Contact, 2006. 15 Ted Schettler, Efectos de los edificios sobre la salud: Qu es lo que sabemos? Science and Environmental Health Network. Accessed Mar 01, 2015. http://noharm.org/lib/downloads/espanol/Efectos_de_los_Edificios.pdf. 16 P. Wargocki, D. P.Wyon and O. Fanger. Productivity is affected by the air quality in offices. International Centre for Indoor Environment and Energy, Technical University of Denmark. Proceedings of Healthy Buildings, 1, 635-640, 2000. Accessed Mar 01, 2015. http://www.senseair.se/wp-content/uploads/2011/05/1.pdf. 17 Maryam Naimi, Effective of Sick Building Syndrome on Irritation of the Eyes and Asthma. International journal of Advanced Biological and Biomedical Research. 1, no. 12, (2013): 1529. 18 Gustavo S. Graudenz and Eduardo Dantas. Poluio dos ambientes interiores: doenas e sintomas relacionados s edificaes. Revista Brasileira de Medicina. 2, no.1, fev. (2007). Accessed 25 jun, 2015, //www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=3497. 19 Robin Guenther and G. Vittori, Sustainable Healthcare Architecture. (New York: John Wiley & Sons, 2008), 41.

  • 14

    4. O RETORNO AO EQUILBRIO: a humanizao dos espaos

    No esforo mundial para a diminuio das emisses de gases de efeito estufa, a rea

    edificada tem um papel importante, representando gastos de: 50% de materiais, 45% da

    energia, 60% da terra utilizvel, 40% da gua potvel e 70% do uso da madeira, em termos

    de recursos industriais.20

    Os estabelecimentos de sade abrigam atividades que provocam sensvel impacto

    ambiental em seu entorno, sendo alvo de cuidados especiais relacionadas a essa questo.

    A anlise destes impactos necessria para minimizar os efeitos negativos no meio

    ambiente e, consequentemente, na sade pblica.

    Em uma reao ao ambiente opressivo das megaconstrues, a moderna arquitetura de

    edifcios de sade prescreve o retorno s solues arquitetnicas de pequeno e mdio

    porte, com o mximo de ventilao, iluminao natural e espaos integrados com a

    natureza. A humanizao do ambiente e dos procedimentos teraputicos passa a ser o

    parmetro que norteia este tipo de projeto inclusive com organizaes no

    governamentais sendo criadas com este objetivo, como a Planetree 21. A questo essencial

    da humanizao dos espaos de sade que a arquitetura nunca annima, mas sempre

    pessoal e criada por pessoas e para pessoas que interagem com os sentidos produzindo

    certo estado mental.22 [traduo nossa]

    Algumas tendncias no tratamento de sade que repercutem no ambiente projetado podem

    ser colocadas como um retorno s preocupaes ambientais consideradas na defesa do

    partido pavilhonar. A utilizao rotineira da viso da natureza positiva tanto para pacientes

    quanto para funcionrios, criando-se o conceito de jardins teraputicos. Marcus lista as

    seguintes vantagens destes jardins: induzem ao movimento, a exerccios e ao recebimento

    da luz solar; exercitam o controle dos sentidos, encorajam as pessoas a se encontrarem;

    diminuem a tenso nervosa; melhoram a aceitao do tratamento e consistem em lazer

    contemplativo agradvel a todos.23

    No basta levar a natureza a unidades de sade, ser preciso provocar mudanas de

    hbitos. O ambiente e a alimentao inadequada tm provocado a incidncia de diversos

    males de sade. Segundo dados coletados nos Estados Unidos:

    20 Fbio Bitencourt, A sustentabilidade em ambientes de servios de sade: um componente de utopia ou de sobrevivncia? In Quem tem medo da Arquitetura Hospitalar? (Org. by Antonio Pedro A. de Carvalho, Salvador: Quarteto, 2006), 27. 21. Planetree, accessed Mar 01, 2016, www.planetree.org. 22 Christine Nickl-Weller and Hans Nickl, Healing Architecture, (Munich: Braun, 2013), 86. 23 Clare C. Marcus, Healing Gardens in Hospitals. In The architecture of hospitals, edited by Cor Wagenaar, 315-329, Rotterdam: NAiPublishers, 2006.

  • 15

    Houve um aumento de 73% em casos de asma entre 1980 e 1996;

    127 milhes de pessoas esto com sobrepeso e 60 milhes de pessoas so obesas;

    De 1997 a 2004, a incidncia de diabetes aumentou 45%.24

    Verderber e Fine ressaltam a falncia do hospital visto como mquina de curar, passando

    tais edificaes a representar uma casa alternativa, onde as pessoas participem de

    tratamentos focados na preveno e cultivo de hbitos saudveis.25

    Em relao aos ambientes de cuidados de sade, deve-se observar ainda a necessidade de

    considerar os fatores de humanizao relativamente infraestrutura. Uma boa sinalizao,

    um projeto paisagstico competente, esperas bem dimensionadas, so essenciais para a

    utilizao funcional correta destes edifcios. Espaos tcnicos, como salas de cirurgia,

    podem ter aspecto bem diferente do tradicional, como se pode ver na figura 9. Algumas

    metodologias, como o cuidado focado no paciente ou a do projeto baseado em

    evidncias podem auxiliar de maneira sensvel gesto de projetos dos edifcios de sade

    alcanar este objetivo.26 27 28

    Outro importante fator relativo humanizao do atendimento a disponibilidade de meios

    que favoream a acessibilidade, notadamente aos portadores de necessidades especiais,

    que so a maioria nos ambientes de sade. A adaptao de portas, corredores, escadas,

    elevadores e sanitrios devem ser prioritrios no planejamento de instalaes.29

    A imagem dos ambientes de sade deve modificar-se para a de centros promotores de bem-

    estar e no somente de tratamento de doentes. Segundo Leibrock e Harris: Novas

    tendncias demonstram uma mudana da nfase dos tratamentos que se utilizam da

    internao para os procedimentos ambulatoriais, com foco na promoo do bem-estar fsico

    e mental.30 [traduo nossa].

    24 Gary Cohen. Transforming Healthcare in Guenther, R. and G. Vittori, Sustainable Healthcare Architecture. (New York: John Wiley & Sons, 2008), 63-66 25 Stephen Verderber and David J. Fine, Healthcare Architecture in an era of radical transformation.London: Yale Universit Press, 2000. 26 Rosalyn.Cama, Evidence-Based Healthcare Design. New York: JohnWiley&Sons, 2009. 27 Jain Malkin, A Visual Reference for Evidence-Based Design. San Diego: The Center for Health Design, 2008. 28 Jain Malkin, Fulfilling the promise of evidence-based design. In Congresso Brasileiro Para O Desenvolvimento Do Edifcio Hospitalar, 5, So Paulo. Anais, (2012): 19-25. 29 ABNT Associao Brasileira de Normas Tcnicas. NBR 9050: 2015. Acessibilidade a edificaes, mobilirio, espaos e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015. 30 C. A. Leibrock and D. D. Harris, Design Details for Health: Making the Most of Interior Design's Potential, 2nd ed. (New York: John Wiley & Sons, 2011), 175.

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    Figura 9 Sala de cirurgia com janela panormica. Fonte: Verderber, 2010, 71.

    De acordo com Michel Lerner, a chamada Medicina Ecolgica dever estar baseada nos

    seguintes princpios:

    Colocao em primeiro lugar da preveno e promoo da sade, tornando

    secundria a busca da cura;

    O planeta Terra dever ser visto tambm como um paciente, necessitando de

    cuidado e no podendo ser injuriado;

    Os pacientes fazem parte do ecossistema e precisam ser vistos como tal;

    A medicina no deve acrescentar males aos humanos ou ao planeta.31

    Cada deciso de projeto, portanto, deve contribuir para que os usurios dos ambientes de

    sade tanto funcionrios, visitantes ou pacientes se sintam vontade. A previso de

    esperas exclusivas para crianas (com brinquedotecas), lugares para leitura e deambulao,

    controles individualizados de iluminao e temperatura, so outras providncias simples que

    podem ser adotadas com xito. No se deve observar apenas questes de custos nestes

    casos, mas considerar que a satisfao humana uma prioridade.

    31 Michel Lerner, The Recovery of the Sacred in Heathcare in the Ecological Renaissance: the age of extinctions Guenther, Robin and G. Vittori, Sustainable Healthcare Architecture. (New York: John Wiley & Sons, 2008), 51-54.

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    5. CONCLUSO

    A histria da arquitetura hospitalar acompanha a evoluo dos paradigmas de tratamento de

    sade. A soluo em naves a resposta arquitetnica a um perodo em que o sagrado, a

    caridade e a religiosidade predominavam, no passando o edifcio para a sade de um

    depsito de marginalizados e doentes pobres a espera da morte. Com o crescimento das

    cidades, em fins da idade mdia, observa-se o aumento da pobreza e das epidemias,

    forando o hospital a adotar a soluo em naves cruzadas, que permitia maior capacidade e

    facilidade de vigilncia, sem, no entanto, haver modificaes em suas funes e imagem.

    Somente em meados do sculo XIX, nota-se o desenvolvimento de teorias curativas mais

    elaboradas, inicialmente com a predominncia do paradigma miasmtico e, posteriormente,

    com a descoberta da ao das bactrias. A arquitetura , ento, chamada a colaborar no

    processo de adoo de ambientes com maiores preocupaes higinicas, de iluminao e

    ventilao, surgindo o partido pavilhonar.

    O sistema de tratamento trazido pela soluo pavilhonar vem limitar a quantidade de

    doentes por bloco, adotar a ventilao cruzada e toda uma estrutura de apoio aos cuidados

    de sade, auxiliando na afirmao do papel dos mdicos e enfermeiros leigos no cuidado e

    cura dos doentes. O edifcio de sade passa a ser implantado em reas ajardinadas,

    favorecendo o passeio e a contemplao paisagstica, auxiliando no processo de

    recuperao de doentes. Tais caractersticas fazem esta tipologia manter-se atual e muito

    utilizada, ganhando novos adeptos na atual preocupao mundial pela humanizao do

    tratamento de sade, valorizao do convvio e preservao da natureza.

    As unidades de sade so grandes contribuintes relativamente aos fatores de desequilbrio

    ambiental, gerando resduos e provocando rudos, movimento urbano e o consumo intensivo

    de energia e insumos diversos. Vive-se uma era de extines, com diversas espcies

    animais e vegetais sendo destrudas por uma ao predatria que poder provocar o prprio

    desaparecimento da raa humana. A nica soluo ser a promoo de uma Renascena

    Ecolgica, que modifique radicalmente o comportamento da sociedade.32

    O impacto da ao humana na biosfera constitudo por trs dimenses: da produo, do

    consumo e da tecnologia criada. As edificaes de sade participam de forma bastante

    intensa destas dimenses, devendo a arquitetura contribuir para que os cuidados a serem

    ministrados nestes espaos no provoquem danos.

    32 Michel Lerner. The Recovery of the Sacred in Heathcare in the Ecological Renaissance: the age of extinctions in Guenther, Robin and G. Vittori, Sustainable Healthcare Architecture. (New York: John Wiley & Sons, 2008), 51.

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    A boa arquitetura a atividade que propicia um espao agradvel para as pessoas, sendo a

    humanizao dos edifcios para a sade questo ambiental das mais importantes,

    principalmente por participar da recuperao ou agravamento das doenas.

    As tendncias demogrficas atuais, de maior envelhecimento da populao, um dos

    fatores adicionais para o planejamento de lugares agradveis para o tratamento. O idoso

    necessita com maior frequncia de cuidados de sade, constituindo-se em uma das maiores

    parcelas dos usurios. Suas deficincias e maior sensibilidade devem ser consideradas ao

    se planejar os locais que frequentam.

    A considerao prioritria da humanizao nos estabelecimentos de sade abarca uma

    srie de questes relativas ao desenvolvimento humano e especficas do tratamento. O

    desafio da sustentabilidade ambiental permeia todas as aes de impacto social no mundo

    contemporneo, e as edificaes para sade representam o ponto mais sensvel das

    construes humanas, por abrigar pessoas em estado de sofrimento fsico e psicolgico.

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