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  • ANGELA CRISTINA ALVES GUIMARES DE SOUZA

    ANLISE COMPARATIVA DE CUSTOS DE ALTERNATIVAS TECNOLGICAS PARA

    CONSTRUO DE HABITAES POPULARES

    RECIFE 2009

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Engenharia Civil da Universidade Catlica de Pernambuco como requisito parcial para obteno do ttulo de Mestre em Engenharia Civil.

    rea de Concentrao: Engenharia das Construes

    Orientador: Prof. Dr.Fernando Artur Nogueira Silva

    Co-orientador: Prof. Dr. Romilde Almeida de Oliveira

  • iii

    Angela Cristina Alves Guimares de Souza

    ANLISE COMPARATIVA DE CUSTOS DE ALTERNATIVAS TECNOLGICAS PARA CONSTRUO DE HABITAES POPULARES

    Dissertao apresentada Universidade Catlica de Pernambuco como requisito para obteno do ttulo de mestre em Engenharia Civil.

    Aprovada em dezembro de 2009.

    BANCA EXAMINADORA

    ________________________________________________________

    Prof. Dr. Fernando Artur Nogueira Silva UNICAP

    ________________________________________________________

    Prof. Dr. Joaquim Teodoro Romo de Oliveira UNICAP

    ________________________________________________________

    Prof. Dr. Alexandre Arajo Bertini Universidade Federal do Cear

  • iv

    Deus por conceder-me a vida e a sade. minha me Vera Lcia, ao meu pai Jacy (in memoiran), minha to querida av Alice (in

    memoiran), ao meu padrinho Hermes (in memoiran), a minha tia Ana e a minha madrinha Luiza (in memoiran), por todo carinho, ateno, incentivo e ajuda que sempre me deram.

    Ao meu marido Jos Raimundo, pela compreenso ao longo de toda caminhada.

  • v

    Agradecimentos Quero primeiramente agradecer a Deus, pela vida, pela sade, pela famlia que para mim

    sempre foi e ser muito importante, pois me considero uma pessoa feliz por ter recebido carinho, ateno e incentivo de minha famlia. Agradeo tambm a Deus a oportunidade de ter estudado e conquistado com esforo tudo que at hoje consegui, e de tantas pessoas maravilhosas que Ele sempre colocou em meu caminho para que pudesse atingir estas conquistas.

    Ao IFPE que hoje me deu a oportunidade de cursar este mestrado e que outrora quando ainda era ETFPE com todo seu corpo docente me profissionalizou, dando-me a chance de chegar aonde cheguei.

    Ao meu competente orientador professor Dr. Fernando Artur Nogueira Silva, que no somente me orientou, mas por todo apoio e solidariedade durante o curso e concluso deste trabalho.

    Ao meu co-orientador professor Dr. Romilde Almeida de Oliveira, pelas observaes, que contriburam para melhoria deste trabalho e ainda ao Coordenador do Mestrado em Engenharia Civil professor Dr. Joaquim Teodoro Romo de Oliveira.

    Ao professor e colega de trabalho MSc. Gilberto Jos Carneiro Cunha Jnior por sua disponibilidade e presteza quando por mim solicitado, colaborando para melhoria desta pesquisa. Ao professor MSc. Eng pesquisador do ITEP Carlos Wellington Pires Sobrinho, por sua colaborao e orientao para melhoria deste trabalho.

    A todos aqui no mencionados que direta ou indiretamente colaboraram para concluso deste trabalho.

  • vi

    Resumo O dficit habitacional brasileiro atual estimado em cerca 7,2 milhes de moradias que corresponde a 12,8% do total de domiclios do pas, de acordo com dados da ltima Pesquisa Nacional de Amostragem de Domiclios (PNAD) realizada pelo IBGE em 2007. No obstante a situao do dficit habitacional apresentada seja preocupante, os dados da ltima PNAD mostram avanos, principalmente na linha da reduo absoluta do dficit. Considerando uma comparao em termos relativos, um bom indicativo da reduo deste dficit se obtm quando so cotejados os anos de 2001 e 2007 onde foi constatado que o dficit recuou de 15,7% para 12,8% do total de domiclios no pas. A manuteno desta trajetria de queda um desafio que precisa ser vencido e a construo civil tem um papel importante a desempenhar neste processo. Este papel tem impactos no curto prazo, com a gerao de empregos, e no longo prazo, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da populao. Nesta particular, a discusso sobre processos construtivos que possibilitem a reduo gradual do dficit habitacional com estratgias tecnolgicas sustentveis tanto do ponto de vista econmico quanto ambiental tem ganhado importante espao na discusso tcnico-cientfica no pas. O presente trabalho promoveu o estudo comparativo de trs alternativas tecnolgicas para a construo de habitaes de interesse social, a saber: Sistema Construtivo em Alvenaria Estrutural (Blocos cermicos e de concreto), Sistema Construtivo com Paredes de Gesso e Sistema Construtivo com Painis Monolticos de Poliestireno Expandido (EPS). Foi eleita uma geometria tpica de edificao com 42,3 m2 que usualmente utilizada em programas governamentais de reduo do dficit habitacional, sobre a qual foram identificados os custos de construo especficos de cada sistema estudado. Foram examinadas as caractersticas de cada um dos sistemas, ressaltando suas potencialidades, vantagens e desvantagens e foram tambm apropriados os custos de construo com levantamento detalhado dos insumos necessrios execuo dos mesmos. Os resultados obtidos apontam que, do ponto de vista do custo de implantao, o Sistema Construtivo em Alvenaria de Blocos Cermicos apresentou os melhores resultados.

    Palavras-Chave: Sistemas Construtivos, Habitaes de Interesse Social, Custos de Construo, Dficit habitacional.

  • vii

    Abstract The current Brazilian housings deficit is about 7,2 million of housings which is equivalent to 12,8% of the total of domiciles of the country, in accordance with the last National Research of Sampling of Domiciles (PNAD) carried through by the IBGE in 2008. Although Brazilian housing deficit should be considered an important problem to deal with, data from last PNAD indicates advances, mainly in the direction of the absolute reduction of the deficit. If one considers a comparison in relative bases, a good indicator of the reduction of this deficit can be obtained analyzing data from 2001 and 2007 years, where it was verified a fall trend from 15,7% for 12,8% of the total of domiciles in the country. To keep this fall trajectory means a difficult challenge that must be overcome and building industry plays an important role in this process. Its action provides short term impacts, with the generation of several jobs, and long term impacts, contributing to improve quality of life of the people. In this context, the discussion about building processes that can be used to obtain gradual reduction of the housings deficit associated with economical and environmental sustainable strategies has become an important and attractive subject to scientific studies in the country. The present work performed a comparative study of three technological alternatives for building social interest houses (low cost house), namely: Building system using structural masonry walls with concrete or ceramic units, Building system with gypsum walls and Building System with expanded polystyrene panel walls. An usual geometry, of the building with 42,3 m2 in area was chose because it represents the typology often used in government programs to reduce housings deficit in Brazil. Using this archetype buildings cost were identified and analyzed for each one of the building systems studied. The features of each system were examined, standing out its potentialities, advantages and disadvantages and a detailed budget (quantities and prices) was elaborated. Obtained results showed that from the point of view of building costs alone the Building system made with structural ceramic units presented lowest costs.

    Keywords: Building systems, Low cost houses, Building costs, Housing deficit.

  • viii

    Sumrio

    RESUMO VI

    ABSTRACT VII

    SUMRIO VIII

    LISTA DE FIGURAS XI

    LISTA DE TABELAS XIII

    LISTA DE GRFICOS XIV

    1 INTRODUO 15

    1.1. JUSTIFICATIVA 15 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA 16 1.3 OBJETIVO 16 1.4 HIPTESE 17 1.5 METODOLOGIA UTILIZADA NA PESQUISA 17 1.6 LIMITAES DO TRABALHO 18 1.7 ESTRUTURAO DA DISSERTAO 19

    2 HABITAES POPULARES SISTEMAS CONSTRUTIVOS E TCNICAS DE ORAMENTAO 20

    2.1 A HABITAO DE INTERESSE SOCIAL CONCEITOS 20 2.2 O DFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO 22 2.3 SISTEMAS CONSTRUTIVOS PARA HABITAO POPULAR 26 2.3.1 SISTEMA CONSTRUTIVO EM ALVENARIA COM BLOCOS DE CONCRETO 27 2.3.2 SISTEMA CONSTRUTIVO COM ALVENARIA DE BLOCOS CERMICOS 28 2.3.3 SISTEMA CONSTRUTIVO COM CONCRETO CELULAR 31 2.3.4 SISTEMA CONSTRUTIVO EM AO 34 2.3.6 SISTEMA CONSTRUTIVO EM MADEIRA 35 2.3.7 SISTEMA CONSTRUTIVO COM BLOCOS DE GESSO 36 2.3.8 SISTEMA CONSTRUTIVO COM PAINIS MONOLITE DE EPS 37 2.4 ORAMENTOS DE OBRAS - TIPOS E CRITRIOS DE QUANTIFICAO 38 2.4.1 TIPOS DE ORAMENTOS 38

  • ix

    2.4.2 CRITRIOS DE QUANTIFICAO E ESTIMATIVA DE CUSTOS EM ORAMENTOS 40 2.4.3 CRITRIOS DE QUANTIFICAO 40 2.4.4 CRITRIOS DE MEDIO E PAGAMENTO 41 2.4.5 COMPOSIO DE CUSTOS UNITRIOS 42

    3 O SISTEMA CONSTRUTIVO MONOLITE 43

    3.1 ORIGEM DO SISTEMA 43 3.2 CARACTERSTICAS DO SISTEMA 44 3.3 COMPOSIO DO PAINEL 45 3.4 CARACTERSTICAS TCNICAS DOS COMPONENTES DO PAINEL 47 3.4.1 POLIESTIRENO EXPANDIDO 47 3.4.2 FABRICO DO POLIESTIRENO EXPANDIDO 47 3.4.3 PROPRIEDADES MECNICAS DO EPS 48 3.4.4 PROPRIEDADES TRMICAS DO EPS 50 3.4.5 PROPRIEDADES DO EPS EM CONTACTO COM A GUA 51 3.4.6 PROPRIEDADES ACSTICAS DO EPS 52 3.4.7 COMPORTAMENTO DO EPS EM CONTATO COM O FOGO 53 3.4.8 O COMPORTAMENTO BIOLGICO DO EPS 55 3.4.9 COMPATIBILIDADE DO EPS COM OUTROS MATERIAIS 55 3.4.10 O IMPACTO NO MEIO AMBIENTE 56 3.4.11 TELA SOLDADA E CONECTORES 57 3.5 TIPOS DE PAINIS EXISTENTES 58 3.6 DETALHES CONSTRUTIVOS 60 3.7 CONCEPES DE PROJETO 61 3.8 MATERIAIS UTILIZADOS NA MONTAGEM DOS PAINIS 62 3.9 TCNICAS CONSTRUTIVAS 64

    4 O SISTEMA CONSTRUTIVO CASA 1.0 71

    4.1. ORIGEM DO SISTEMA 71 4.2. CARACTERSTICAS DO SISTEMA 72 4.2.1 FUNDAES 73 4.2.2 SUPERESTRUTURA E PAREDES 74 4.2.3 DETALHES DO PROCESSO CONSTRUTIVO 75 4.2.3.1 Alvenaria 75 4.2.3.2 Marcao 76 4.3. COMPONENTES E ELEMENTOS DO SISTEMA 79 4.3.1 BLOCOS 79 4.3.2 ARGAMASSAS DE ASSENTAMENTO 85

    5 O SISTEMA CONSTRUTIVO COM PAREDES DE GESSO 87

    5.1 HISTRICO DA UTILIZAO DO GESSO 87 5.2 COMPOSIO E PRODUO DO GESSO 88 5.2.1 TIPOS DE GESSO 91 5.3 FABRICAO DE PR-MOLDADOS DE GESSO 92 5.3.1 FABRICAO DE PLACAS DE GESSO 92 5.3.2 FABRICAO DOS BLOCOS DE GESSO 92 5.3.2.1 Caractersticas tcnicas dos blocos de gesso e cola de gesso 93

  • x

    5.4 CARACTERSTICAS DO SISTEMA CONSTRUTIVO COM BLOCOS DE GESSO 98 5.5 CARACTERSTICAS TCNICAS DO PROTTIPO CONSTRUDO E ESTUDADO PELO ITEP 99 5.6 CAPACIDADE RESISTENTE DE PAREDES E PAREDINHAS DE BLOCOS DE GESSO 104 5.7 MEMORIAL FOTOGRFICO DAS ETAPAS DE CONSTRUO (ITEP, 2007-A) 107 5.8 MEMORIAL FOTOGRFICO DA CASA APS DOIS ANOS DE CONCLUSO 110 5.9 VANTAGENS DO USO DOS BLOCOS DE GESSO EM ALVENARIAS 112 5.9.1 ESTABILIDADE E PRECISO DIMENSIONAL 113 5.9.2 INCOMBUSTIBILIDADE 113 5.9.3 EFICINCIA ENERGTICA 113 5.9.4 ISOLANTE TRMICO 114 5.9.5 ISOLANTE ACSTICO 114 5.9.6 LEVEZA: 114 5.9.7 HIGRO-ATIVO: 114 5.10 DESVANTAGENS DO USO DOS BLOCOS DE GESSO EM ALVENARIAS 115 5.10.1 AO DA UMIDADE DO SOLO 115 5.10.2 ESTANQUEIDADE DE PISOS EM REAS MOLHVEIS 115 5.10.3 ESTANQUEIDADE DIANTE DA AO DAS GUAS DAS CHUVAS 116 5.11 ESTUDOS DESENVOLVIDOS PELA UNICAP NA REA DO GESSO 116 5.11.1 DETERMINAO DE CONDIES OPERACIONAIS ADEQUADAS NA DESIDRATAO DO MINRIO DE GIPSITA PARA OBTENO DE UM GESSO BETA RECICLVEL 116 5.11.2 OTIMIZAO DAS CONDIES EXPERIMENTAIS NA DESIDRATAO DA GIPSITA PARA OBTENO DE UM GESSO BETA RECICLVEL 117

    6 ANLISE COMPARATIVA DE CUSTOS DO PROTTIPO DOS SISTEMAS CONSTRUTIVOS ESTUDADOS 118

    6.1 DESCRIO DA GEOMETRIA DO PROTTIPO ESTUDADO 118 6.2 MEMORIAL DESCRITIVO DAS ESPECIFICAES CONSTRUTIVAS DO PROTTIPO ESTUDADO 120 6.3 DESCRIO DAS TIPOLOGIAS ESTUDADAS E PRESSUPOSTOS DA AVALIAO DE CUSTOS 124 6.4 PLANILHA DE QUANTITATIVOS DE REFERNCIA 127 6.5 COMPOSIO DE PREOS DO SISTEMA MONOLITE 138 6.6 ANLISES E DISCUSSO DE RESULTADOS 142

    7 SUGESTO PARA TRABALHOS FUTUROS 159

    8 REFERNCIAS 160

    8 ANEXOS 167

  • xi

    Lista de Figuras Figura 2-1 - Alvenaria estrutural com blocos de concreto vazado (ABCP, 2009) _____________________________ 28 Figura 2-2 Elevao de alvenaria Blue Ville Condomnio Club, Jaboato dos Guararapes PE. _____________ 28 Figura 2-3 Prdios em construo Blue Ville Condomnio Club, Jaboato dos Guararapes PE. ____________ 28 Figura 2-4 - Tipos de blocos estruturais cermicos (http://www.fkct.com.br) ______________________________ 29 Figura 2-5 - Casa de alvenaria estrutural com bloco cermico de faces lisas, _______________________________ 30 Figura 2-6 Paredes de elevao do conjunto de habitao popular no Bairro do Cordeiro em Recife ___________ 30 Figura 2-7 Construo do conjunto de habitao popular no Bairro do Cordeiro em Recife __________________ 31 Figura 2-8 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Montagem das formas ____________________________ 32 Figura 2-9 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Instalao de caixilharia _________________________ 32 Figura 2-10 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Instalao eltrica e hidrulica ____________________ 33 Figura 2-11 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Lanamento do concreto (SILVA, 2004) _____________ 33 Figura 2-12 - Sistema Construtivo com Concreto Celular (SILVA, 2004) _________________________________ 33 Figura 2-13 - Kit Casa Fcil da Gerdau (SILVA, 2004) ________________________________________________ 35 Figura 2-14 - Sistema construtivo de casa em madeira (Silva, Maria Angelica Covelo - set/2004). _______________ 36 Figura 2-15 - Bloco de gesso simples _______________________________________________________________ 36 Figura 2-16 - Painel Monoltico simples ____________________________________________________________ 37 Figura 2-17 - Painel Monoltico simples em montagem ________________________________________________ 37 Figura 3-1 - Painel simples do sistema Monolite _____________________________________________________ 44 Figura 3-2 - Elementos que compem as placas do sistema Isolite (BERTINI, 2002) __________________________ 45 Figura 3-3 - Representao esquemtica dos componentes das placas do sistema Monolite ____________________ 46 Figura 3-4 - Prola de poliestireno EPS ___________________________________________________________ 47 Figura 3-5 - Produo de blocos de EPS ____________________________________________________________ 48 Figura 3-6 - Diagrama Tenso-Deformao do EPS (ABRAPEX, 2006) ___________________________________ 49 Figura 3-7 - Resistncia trao na flexo do EPS em funo da massa densidade (ABRAPEX, 2006) ___________ 49 Figura 3-8 - Coeficiente de Condutibilidade Trmica do EPS (ABRAPEX, 2006) ____________________________ 51 Figura 3-9 - Coeficiente de Condutibilidade Trmica para EPS de densidade 20 Kg/m3 (ABRAPEX, 2006) ________ 51 Figura 3-10 - Absoro de gua por imerso do EPS (ABRAPEX, 2006) ___________________________________ 52 Figura 3-11 - Absoro de gua por imerso do EPS (ABRAPEX, 2006) ___________________________________ 52 Figura 3-12 - Bloco de isopor de 20 x 20 x 20 cm _____________________________________________________ 53 Figura 3-13 - Bloco de isopor na campnula _________________________________________________________ 53 Figura 3-14 - Bloco de isopor em contacto direto com a chama do Bico de Busen ____________________________ 54 Figura 3-15 - Bloco de isopor aps a queima ________________________________________________________ 54 Figura 3-16 - Detalhe do Painel: EPS + Tela Soldada (BERTINI, 2002) ___________________________________ 57 Figura 3-17 - Painel duplo de EPS ________________________________________________________________ 58 Figura 3-18 - Painel Tipo Laje ____________________________________________________________________ 58 Figura 3-19 - Painel Tipo Laje Detalhe esquemtico _________________________________________________ 59 Figura 3-20 - Painel Escadas _____________________________________________________________________ 59 Figura 3-21 Montagem de Escada com Painis Monolite (Fonte: HI-TECH). ____________________________ 59 Figura 3-22 - Painel Vazado _____________________________________________________________________ 60 Figura 3-23 - Grampeadeira Pneumtica ___________________________________________________________ 63 Figura 3-24 - Soprador Trmico __________________________________________________________________ 63 Figura 3-25 - Rebocadora pneumtica ou caneca de projeo de argamassa _______________________________ 63 Figura 3-26 - Rebocadora pneumtica ou caneca de projeo de argamassa _______________________________ 64 Figura 3-27 - Preparao da fundao _____________________________________________________________ 64 Figura 3-28 - Arranques para fixao dos painis _____________________________________________________ 65 Figura 3-29 - Montagem dos painis _______________________________________________________________ 65 Figura 3-30 - Corte dos painis para acomodao de aberturas__________________________________________ 66 Figura 3-31 - Armaduras de reforo _______________________________________________________________ 67 Figura 3-32 - Reforo nos vos abertos dos painis ___________________________________________________ 67 Figura 3-33 - Abertura de canaletas com um soprador de ar quente ______________________________________ 68 Figura 3-34 - Projeo de argamassa em painel (BERTINI, 2002) ________________________________________ 69 Figura 4-1 - Aes para a racionalizao da produo (Lordsleen, 2000, p. 19) _____________________________ 73 Figura 4-2 Execuo da alvenaria locao (ABCP, 2002). ___________________________________________ 76 Figura 4-3 - Planta arquitetnica tpica utilizada no Sistema Casa 1.0 (ABCP, 2002) _________________________ 77 Figura 4-4 - Planta da primeira fiada (ABCP, 2002) __________________________________________________ 78 Figura 4-5 - Planta da elevao da alvenaria (ABCP, 2002) ____________________________________________ 79

  • xii

    Figura 4-6 - Famlia de blocos de concreto (Pallotti, 2003 apud Silva, 2003) _______________________________ 80 Figura 4-7 - Famlia de blocos cermicos (Pallotti, 2003 apud Silva, 2003) ________________________________ 82 Figura 4-8 - Famlia de blocos cermicos (Pauluzzi, 2003 apud Silva, 2003) _______________________________ 83 Figura 5-1 - Gipsita- ___________________________________________________________________________ 88 Figura 5-2 - Gipsita ____________________________________________________________________________ 89 Figura 5-3 - Gipsita ____________________________________________________________________________ 89 Figura 5-4 - Gipsita ____________________________________________________________________________ 89 Figura 5-5 - Detalhe esquemtico do processo de fabricao do gesso ____________________________________ 90 Figura 5-6 - Bloco simples _______________________________________________________________________ 93 Figura 5-7 - Bloco HIDRO _______________________________________________________________________ 94 Figura 5-8 - Bloco GRG _________________________________________________________________________ 95 Figura 5-9 - Bloco reforado com fibra de vidro e aditivos hidrofugantes __________________________________ 96 Figura 5-10 - Vista externa do prottipo da casa trrea construda pelo ITEP. _____________________________ 100 Figura 5-11 - Planta baixa do prottipo construdo pelo ITEP, RT n 021.977 (ITEP, 2007) __________________ 100 Figura 5-12 - Corte AA do prottipo (ITEP, 2007) ___________________________________________________ 101 Figura 5-13 - Corte BB do prottipo (ITEP, 2007) ___________________________________________________ 101 Figura 5-14 - Fachada Principal do prottipo (ITEP, 2007) ____________________________________________ 101 Figura 5-15 - Detalhe esquemtico da fundao do prottipo (ITEP, 2007) ________________________________ 102 Figura 5-16 - Detalhe esquemtico dos ensaios de compresso realizados (ITEP, 2007)______________________ 104 Figura 5-17 - Paredinha antes e aps a realizao do ensaio de compresso (ITEP, 2007) ___________________ 106 Figura 5-18 - Execuo do embasamento e cinta de concreto armado (radier) sobre o embasamento (ITEP, 2007-a) 107 Figura 5-19 - Piso cimentado sobre aterro apiloado e preparao dos blocos da 1 fiada (ITEP, 2007-a) ________ 107 Figura 5-20 - Execuo da 1 fiada com bloco HIDRO (ITEP, 2007-a) ___________________________________ 108 Figura 5-21 - Fixao da grade de porta e execuo da 2 fiada (ITEP, 2007-a) ____________________________ 108 Figura 5-22 - Acabamento e preparao da coberta (ITEP, 2007-a) _____________________________________ 108 Figura 5-23 - Execuo das instalaes- corte prvio com maquita e cabamento (ITEP, 2007-a) _______________ 109 Figura 5-24 - Fixao dos eletrodutos da instalao eltrica e acabamento (ITEP, 2007-a) ___________________ 109 Figura 5-25 - Vista da casa em fase de concluso (ITEP, 2007-a) _______________________________________ 109 Figura 5-26 - Vista da casa concluda (ITEP, 2007-a) ________________________________________________ 110 Figura 5-27 - Vista frontal do prottipo ____________________________________________________________ 110 Figura 5-28 - Vista lateral esquerda do prottipo apresentando patologia da pintura na base _________________ 111 Figura 5-29 - Vista lateral direita do prottipo apresentado patologia na pintura, devido falha na coberta _______ 111 Figura 5-30 - Vista posterior do prottipo apresentando falha na unio de dois blocos acima da porta __________ 111 Figura 5-31 - Famlia de blocos de gesso (HABITARE-Rede 2, 2006) ____________________________________ 112 Figura 6-1 - Planta baixa tpica da arquitetura do modelo estudado _____________________________________ 119 Figura 6-2 - Corte Transversal do modelo estudado __________________________________________________ 119 Figura 6-3 - Fachada Principal do modelo estudado _________________________________________________ 120 Figura 6-4 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte I _______________ 129 Figura 6-5 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte II ______________ 130 Figura 6-7 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte IV ______________ 132 Figura 6-8 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte V ______________ 133 Figura 6-9 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte VI ______________ 134 Figura 6-10 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte VII ____________ 135 Figura 6-11 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte VIII ___________ 136 Figura 6-12 Planilha com Blocos Cermicos de Vedao e Revestimento nas Paredes Parte IX _____________ 137 Figura 6-13 Cronograma para Casa de 50 m2 Empresa HI-TECH ____________________________________ 155

  • xiii

    Lista de Tabelas Tabela 2-1 - Valores Previstos para Investimento no Programa Minha Casa Minha Vida ______________________ 22 Tabela 2-2 - Dficit habitacional absoluto e relativo por UF (IBGE, 2007) _________________________________ 24 Tabela 2-3 Requisitos de qualidade para os blocos de concreto (NBR 6136/2006) __________________________ 27 Tabela 2-4 - ndices de perdas de alguns insumos (PINI, 2009) __________________________________________ 41 Tabela 3-1 Compatibilidade do EPS com outros Materiais (ACEPE, 2009) _______________________________ 56 Tabela 3-2 - Comparaes entre as espessuras da placas de EPS e Alvenaria Cermica _______________________ 61 Tabela 3-3 - Traos usuais para argamassa de revestimento ____________________________________________ 69 Tabela 5-1 - Caractersticas dos blocos de gesso S ____________________________________________________ 93 Tabela 5-2 - Caractersticas dos blocos de gesso HIDRO _______________________________________________ 94 Tabela 5-3 - Caractersticas dos blocos de gesso GRG _________________________________________________ 95 Tabela 5-4 - Caractersticas dos blocos de gesso GRGH ________________________________________________ 97 Tabela 5-5 - Caractersticas tcnicas da cola de gesso _________________________________________________ 98 Tabela 5-6 - Resultado dos ensaios nas paredinhas de bloco de gesso simples (ITEP, 2007-c) _________________ 105 Tabela 5-7 - Resultado dos ensaios nas paredinhas de bloco de gesso simples (ITEP, 2007-c) _________________ 105 Tabela 5-8 - Resultado dos ensaios nas paredes de bloco de gesso simples (ITEP, 2007-c) ____________________ 105 Tabela 6-1 Detalhamento das reas do prottipo estudado ___________________________________________ 118 Tabela 6-2 Detalhamento dos Encargos Sociais ____________________________________________________ 127 Tabela 6-3 Parmetros de custo do uso do projetor de argamassa _____________________________________ 139 Tabela 6-4 Composio do projetor de argamassa __________________________________________________ 140 Tabela 6-5 Composio final do Sistema Monolite (unidade= m2) ______________________________________ 141 Tabela 6-6 Consumo de mo de obra na execuo de cada sistema estudado, sem revestimento ______________ 142 Tabela 6-7 Consumo de mo de obra na execuo de cada sistema estudado, com revestimento ______________ 143 Tabela 6-8 Custos diretos dos sistemas construtivos, sem revestimento nas paredes ________________________ 144 Tabela 6-9 Custos diretos dos sistemas construtivos, com revestimento nas paredes ________________________ 145 Tabela 6-10 Smula dos dados tcnicos dos sistemas estudados com revestimento nas paredes _______________ 148 Tabela 6-11 Smula dos custos diferenciados dos sistemas estudados com revestimento ____________________ 149 Tabela 6-12 Tempo gasto na execuo de uma residncia para cada sistema estudado, sem revestimento _______ 150 Tabela 6-13 Tempo gasto (dias) na execuo de cada sistema estudado, com revestimento __________________ 153

  • xiv

    Lista de Grficos Grfico 2-1 - Dficit habitacional por inadequao das habitaes por faixa de renda (IBGE, 2007) _____________ 25 Grfico 6-1 Produtividade dos sistemas construtivos estudados, sem revestimento _________________________ 142 Grfico 6-2 Produtividade dos sistemas construtivos estudados, com revestimento _________________________ 143 Grfico 6-3 Custos diretos dos sistemas construtivos estudados, sem revestimento _________________________ 144 Grfico 6-4 - Custos diretos dos sistemas construtivos, com revestimento nas paredes _______________________ 145 Grfico 6-5 Cronograma do Sistema com blocos de vedao de concreto, sem revestimento (BVCON) _________ 151 Grfico 6-6 Cronograma do Sistema com blocos de vedao cermicos, sem revestimento (BVCER) __________ 151 Grfico 6-7 Cronograma do Sistema com blocos estruturais de concreto, sem revestimento (BECON) _________ 151 Grfico 6-8 Cronograma do Sistema com blocos estruturais cermicos, sem revestimento (BECER) ___________ 152 Grfico 6-9 Cronograma do Sistema com Painis de EPS (EPS) _______________________________________ 152 Grfico 6-10 Cronograma do Sistema com blocos de gesso, sem revestimento (BGES) _____________________ 152 Grfico 6-11 Cronograma do Sistema com blocos de vedao de concreto, com revestimento (BVCON) ________ 153 Grfico 6-12 Cronograma do Sistema com blocos de vedao cermicos, com revestimento (BVCER) _________ 153 Grfico 6-13 Cronograma do Sistema com blocos estruturais de concreto, com revestimento (BECON) ________ 154 Grfico 6-14 Cronograma do Sistema com blocos estruturais cermicos, com revestimento (BECER) _________ 154 Grfico 6-15 Cronograma do Sistema com Painis de EPS ___________________________________________ 154 Grfico 6-16 Cronograma do Sistema com blocos de gesso, com revestimento (BGES) _____________________ 155

  • 1 INTRODUO

    1.1. Justificativa

    O tema estudado ao longo da presente pesquisa diz respeito avaliao dos custos de construo de habitaes de interesse social no Brasil. O estudo sobre a habitao de interesse social vem ganhando destaque na pesquisa acadmica no pas porque se trata de um problema que envolve uma elevada quantidade de pessoas e porque ainda persiste no pas uma significativa demanda por habitaes. Com efeito, recente Pesquisa Nacional de Amostras e Domiclios (PNAD) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica aponta para um dficit habitacional absoluto de 7.209.852 moradias no pas no ano de 2007 (IBGE, 2007), nmero que corresponde a 12,8% do total de domiclios. No obstante este nmero concretizar uma reduo em relao aos 15,7% verificados por mesma pesquisa realizada no ano de 2001, ainda representa um nmero elevado quando comparado com outros pases em desenvolvimento. Este quadro exige direcionamento de polticas pblicas especficas que viabilizem recursos financeiros de monta para a construo de novas moradias, mas passa tambm por uma discusso a cerca das tipologias construtivas que consigam ser viabilizadas tcnica e financeiramente para a construo de unidades em larga escala.

    A temtica das demandas habitacionais da populao no Brasil remonta dcada de 30, ocasio em que o Estado assume papel preponderante na implementao de aes para reduzir o dficit habitacional nas camadas mais pobres da populao. Variadas estratgias foram adotadas ao longo do tempo com distintos graus de eficcia que vo desde aes descentralizadas nos anos 30 e 40, passam por programas mais centralizadores de produo nos formatos realizados pelo antigo Banco Nacional de Habitao nos anos 60 e 70 (FARAH, 1998) e chegam aos dias atuais com o disseminado incentivo do Governo Federal a solues arquitetnicas locais que considerem os contextos scio-econmicos e tecnolgicos dos lugares onde sero implantadas.

    O presente trabalho pretende, portanto, contribuir para oferecer informaes qualitativas sobre as peculiaridades tecnolgicas de trs sistemas de habitaes de interesse social ressaltando suas potencialidades e apropriando os custos inerentes a cada soluo com

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    vistas a se constituir num banco de informaes que possa ser utilizado pelos que tm a responsabilidade executiva para reduzir o dficit habitacional brasileiro.

    1.2 Problema de Pesquisa

    O presente trabalho pretende responder aos seguintes questionamentos: quais as caractersticas e potencialidades dos sistemas construtivos destinados construo de habitao de interesse social que vm sendo utilizado no pas e qual o custo de implantao dos mesmos?

    1.3 Objetivo

    O objetivo geral desta dissertao promover uma avaliao comparativa de trs solues para construo de habitaes de interesse social no Brasil, enfocando os aspectos relacionados aos custos de implantao. Os objetivos especficos so os seguintes:

    Descrever as caractersticas dos sistemas de construo de habitaes de interesse social escolhidos, ressaltando suas principais caractersticas construtivas, tcnicas e materiais utilizados;

    Eleio de uma tipologia tpica de HIS (prottipo) para estudo dos custos de construo, considerando os trs sistemas, e apropriao dos custos de construo de cada sistema.

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    1.4 Hiptese

    A rpida expanso dos projetos e construo de habitaes de interesse social pode muitas vezes resultar em escolhas inadequadas quando realizadas sem critrios tcnicos de estudo de viabilidade que possibilitem o entendimento das potencialidades dos sistemas construtivos disponveis e dos custos envolvidos para sua execuo. O estudo detalhado das particularidades tecnolgicas dos sistemas disponveis no mercado associado a uma densa avaliao dos custos de execuo pode contribuir de maneira importante para qualificar a implantao dos programas governamentais de reduo do dficit habitacional atualmente em expanso no pas.

    1.5 Metodologia utilizada na pesquisa

    A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa foi o Estudo de Caso que se constitui numa abordagem fundamentada em anlise explicativa de situaes-problema reais e contemporneos (YIN, 2005). Para esta finalidade, foram escolhidas trs tipologias construtivas para habitaes populares utilizadas no Brasil, a saber: Programa Casa 1.0 da Associao Brasileira de Cimento Portland, Sistema de Construo de Paredes de Gesso, Sistema de Construo Monolite. A escolha destes sistemas justificada devido ao fato de que so alternativas que se encontram disponveis no mercado da construo de habitaes no Brasil e que podem utilizadas em programas governamentais para reduo do dficit habitacional no pas.

    A anlise dos custos total ou preo total de determinada obra pode ser realizada de diversas formas sendo as mais utilizadas os oramentos detalhados com apropriao dos custos unitrios de produo ou os oramentos com a utilizao de estimativas ou avaliaes que apropriam a valorao do empreendimento atravs de parmetros genricos, tais como Custos Unitrios Bsicos (CUB), preos do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e ndices da Construo Civil (SINAP) ou custos unitrios de publicaes especializadas do mercado.

    Dentre as possibilidades de projetos arquitetnicos disponveis para cada sistema estudado foi escolhida uma tipologia de edificao com rea de 42,30 m2 que representa

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    uma tendncia majoritria nas propostas para enfrentamento do problema do dficit habitacional brasileiro. Os detalhes da soluo de arquitetura estudada so descritos servios necessrios sua execuo e a triangularizao destes dados com os dados de custos e avaliao de implantao em grande escala permitiram o estabelecimento de diretrizes que podem ser de importante valia para a gerao de indicadores para a implantao de programas de construo de residncias populares no pas. Para a anlise dos custos envolvidos na construo de cada soluo, foi considerada uma planilha oramentria padro nica para apropriao dos itens de servios e tambm foi realizado o detalhamento das composies destes itens de servio atravs da utilizao de Tabelas de Composies de Preos para Oramentos, TCPO da Editora PINI (EDITORA PINI, 2009).

    1.6 Limitaes do trabalho

    O presente trabalho limita-se ao estudo de trs tecnologias construtivas para construo de edificaes residenciais para a populao de baixa renda. O objetivo precpuo da pesquisa foi o aprofundamento sobre as caractersticas tecnolgicas dos sistemas estudados com vistas identificao de suas potencialidades e limitaes com interesse mais especfico ainda na apropriao dos custos de construo de cada soluo. No pretende o estudo oferecer uma palavra definitiva e conclusiva sobre a temtica das tipologias construtivas que podem ser utilizadas em construo de residncias para a populao de baixa renda haja vista que os avanos tecnolgicos, pela rapidez com que ocorrem, e a disponibilidade de materiais especficos em determinados locais pode introduzir no mercado novas solues que certamente agregaro vantagens adicionais quelas discutidas na pesquisa.

    Nas avaliaes de custos de construo, alguns itens no foram considerados, como, o custo de aquisio do terreno, instalao de infra-estrutura e servios de remoo dos entulhos.

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    1.7 Estruturao da Dissertao

    A Dissertao esta estruturada em 6 captulos. O Capitulo 1 apresenta informaes sobre o trabalho de pesquisa realizado.

    Justificativa da escolha do tema, definio e caracterizao do problema estudado, hipteses consideradas, panorama da metodologia utilizada na pesquisa e limitaes do trabalho tambm se acham contempladas neste capitulo.

    O Capitulo 2 contempla a definio dos conceitos de habitao de interesse social e aborda os sistemas construtivos usualmente utilizados neste tipo de construo. So tambm discutidas a problemtica e tpicos relacionados com a oramentao de obras.

    O Capitulo 3 contempla a descrio detalhada do Sistema Construtivo com Painis Monolticos de Poliestireno Expandido (EPS). Para este sistema so apresentadas suas origens, suas caractersticas, particularidades, propriedades dos materiais utilizados e condicionantes de projeto.

    O Captulo 4 e 5 trazem o mesmo contedo do Capitulo 3 s que aplicados, respectivamente, ao Sistema Construtivo Casa 1.0 da Associao Brasileira de Cimento Portland e ao Sistema Construtivo com Painis de Gesso.

    O Capitulo 6 dedicado caracterizao do prottipo estudado e apresentao dos resultados da pesquisa. Neste capitulo apresentado ainda a planta baixa de arquitetura considerada, o memorial descritivo dos servios a serem executados na edificao, e pressupostos utilizados nas analises realizadas.

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    2 Habitaes Populares Sistemas Construtivos e Tcnicas de Oramentao

    2.1 A Habitao de Interesse Social Conceitos

    De uma maneira geral, a habitao pode ser considerada como um bem de consumo que apresenta algumas caractersticas singulares. A primeira diz respeito prpria definio do termo habitao que pode ser visto como um produto que tem como principal funo o abrigo do homem e, sendo assim, necessita ser durvel para cumprir adequadamente esta finalidade. Independentemente dos avanos tecnolgicos ocorridos nas ltimas dcadas, a funo da habitao tem permanecido a mesma ao longo dos tempos prover proteo do ser humano dos efeitos das intempries e dos intrusos (ABIKO, 1995). Outra caracterstica peculiar da habitao como bem de consumo o custo de sua aquisio que costuma ser relativamente elevado quando comparado com outros bens de consumo usuais. Este fato gera uma situao scio-econmica de elevada complexidade e desigualdade, fortemente agravada nos pases em desenvolvimento como o Brasil, j que as classes sociais menos abastadas constituem, na regra geral, a maior demanda imediata por habitao no pas.

    Neste contexto de marcantes desigualdades no acesso moradia, surge no Brasil o conceito de Habitao de Interesse Social (HIS). Na verdade, o termo Interesse Social como terminologia aplicada habitao no Brasil remonta aos idos dos anos 70 e 80 com extinto Banco Nacional de Habitao (BNH) que adotava esta terminologia nos seus programas de financiamento imobilirio para faixas sociais de menor renda. Este conceito tem caracterstica perene no tempo e atualmente tem sido utilizado com relativa freqncia para a definio de uma gama variada de solues para os problemas habitacionais, usualmente dirigidas populao de baixa renda. Habitaes de Baixo Custo (low-cost housing), Habitao Para Populao de Baixa renda (housing for low-income people) e Habitao Popular so outras formas de referncia s Habitaes de Interesse Social freqentemente empregadas.

    Importante ressaltar que a habitao de interesse social no deve ser entendida apenas como um produto, mas sim como um sistema com outros condicionantes de importncia. Com efeito, segundo Abiko (1995), a habitao popular o resultado de processo complexo

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    de produo com determinantes polticos, sociais, econmicos, jurdicos, ecolgicos e tecnolgicos, sendo exigvel, portanto, que no se restrinja apenas unidade habitacional para cumprir suas funes. Desta forma, defende o autor que, alm de conter um espao confortvel, seguro e salubre, a habitao deva ser considerada de forma mais abrangente contemplando itens essenciais tais como servios pblicos bsicos de infra-estrutura urbana. Adicionalmente, no que diz respeito s formas de oferta de habitao s populaes de baixa renda, importante pontuar a diferenciao conceitual entre habitao de interesse social e habitao de mercado popular, segundo Larcher (2005, apud Bonduki et. al., 2003). Os autores consideram que nesta ltima h produo e consumo de habitaes populares, feitas por iniciativas prprias ou por autoconstruo (mutiro), que no esto sujeitas aos mesmos critrios de planejamento e implementao que os programas produzidos pelo poder pblico. Ao contrrio, a habitao de interesse social deve ser entendida como aquela que necessariamente induzida pelo poder pblico como forma de ratificao da funo social do solo urbano (LARCHER, 2005, apud BONDUKI, 2003).

    Segundo estimativas do Ministrio das Cidades, baseadas em dados da Fundao Joo Pinheiro (FUNDAO JOO PINHEIRO, 2001), o dficit habitacional brasileiro para todas as faixas de renda de aproximadamente 8 milhes de moradias, enquanto que a PNAD aponta um dficit 7,2 milhes de moradias (IBGE, 2007). A reduo deste dficit tem sido enfrentada no pas atravs da construo de habitaes populares que, por sua vez, tem possibilitado o surgimento de uma variada gama de processos construtivos alternativos aos processos tradicionais, usualmente empregados pelas empresas do setor da construo civil. Uma dificuldade importante que sempre se coloca quando da discusso sobre a viabilidade destes novos sistemas construtivos, entretanto, diz respeito a pouca disponibilidade de informaes comparativas que aborde de maneira clara e objetiva os aspectos tcnicos relevantes destes sistemas. Esta dificuldade necessita ser superada para que estes sistemas possam ser utilizados em larga escala na soluo dos problemas habitacionais no pas.

    A discusso do tema das HIS tem ganhado mais relevncia no Brasil nos ltimos meses quando o Governo Federal lanou um Programa de Crdito Solidrio - Programa Minha Casa Minha Vida - cujo objetivo investir aproximadamente R$ 34 bilhes de reais na construo de habitao, onde o principal objetivo atingir a populao que ganha abaixo de trs salrios mnimos, que corresponde a cerca de 400 mil moradias de um total de um milho, para este segmento, o Governo Federal subsidiar R$ 16 bilhes. Tambm prev a construo de 400 mil moradias para quem ganha entre trs e seis salrios mnimos, porm as

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    condies do financiamento sero diferentes, subsidiadas por R$ 2,5 bilhes do Governo Federal e R$ 7,5 bilhes do FGTS. O programa habitacional inclui uma linha especial de financiamento de R$ 5 bilhes para incentivar as construtoras a investir em infraestrutura, conforme Tabela 2-1 - Valores Previstos para Investimento no Programa Minha Casa Minha Vida. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) tambm vai oferecer linhas de financiamento cadeia produtiva do setor da construo civil, na inteno de promover a competitividade do setor, elevar o nvel de qualidade das construtoras e fornecedoras, e estimular investimentos em alternativas construtivas de menor custo, menor prazo de entrega e menor impacto ambiental, alm de mais qualidade na construo.

    Tabela 2-1 - Valores Previstos para Investimento no Programa Minha Casa Minha Vida (http://www.minhacasaminhavida.gov.br- acessado em 09.12.09)

    PROGRAMA UNIO FGTS TOTAL Subsdio para moradia 16,0 - 16,0 Subsdio em financiamento do FGTS 2,5 7,5 10,0 Fundo garantidor em financiamento do FGTS 2,0 - 2,0 Refinanciamento de prestaes 1,0 - 1,0 Seguro em financiamento do FGTS 1,0 - 1,0

    Total 20,5 7,5 28,0 PROGRAMA UNIO FGTS TOTAL

    Financiamento Infraestrutura 5,0 - 5,0 PROGRAMA UNIO FGTS TOTAL

    Financiamento Cadeia Produtiva - 1,0 1,0

    2.2 O Dficit Habitacional Brasileiro

    A indstria da construo civil se constitui num setor produtivo que tem forte importncia na economia mundial.

    No Brasil, o setor da construo responsvel por 15,6% do Produto Interno Bruto do Pas e dentro deste percentual estima-se que o sub-setor de construo de edificaes residenciais represente entre 6% a 9% do PIB nacional (ABIKO et. al, 2005).

    No obstante sua importncia econmica e social, o setor da construo de edificaes residenciais tem evoludo com velocidade mais lenta quando comparado com outros setores industriais situao que se deve, em grande parte, s caractersticas tecnolgicas do setor que ainda convive com baixa produtividade e elevados ndices de desperdcio de materiais e mo-

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    de-obra. Esta condio foi uma regra geral para o setor at os anos 80 e, em conjunto com a situao inflacionria de ento, contribua para que a lucratividade das empresas se desse mais pela valorizao imobiliria do produto final do que pelo aprimoramento do processo produtivo. Este quadro tem experimentado importantes mudanas, notadamente a partir da dcada de 90 em funo de uma variada gama de fatores dentre os quais se destacam o fim das elevadas taxas de inflao, as conseqncias da globalizao da economia e a retrao do mercado consumidor. Esta situao tem levado o setor da construo civil a adotar estratgias de aumento da produtividade que possibilitem o incremento do grau de industrializao do processo produtivo.

    De acordo com o Censo Demogrfico de 1991/2000 e Contagem da Populao de 1996/2007 atualizados por Projees da Populao realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE, 2008) o Brasil conta atualmente com uma populao de 191,5 milhes de pessoas.

    Trata-se de um pas com dimenses continentais que convive com uma variada gama de problemas comuns aos pases em desenvolvimento. Dentre estes problemas, a questo habitacional ganha uma importante relevncia e se constitui num dos mais graves problemas sociais nos dias atuais, cuja visibilidade se d tanto nos grandes centros urbanos, com importante contingente de pessoas morando em favelas, quanto no interior do pas, onde so mais marcantes as condies de precariedade das estruturas das moradias (IPEA, 1998).

    Em 2007, segundo dados da PNAD (IBGE, 2008) o dficit habitacional brasileiro foi estimado em aproximadamente 7,2 milhes de moradias que corresponde a 12,8% do total de domiclios no pas. A Tabela 2-2 a seguir mostra o dficit habitacional relativo e absoluto para cada Unidade Federativa do Brasil tendo como referncia o ano de 2007.

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    Tabela 2-2 - Dficit habitacional absoluto e relativo por UF (IBGE, 2007) Unidade

    Federativa Inadequao Dficit habitacional Total de

    Improvisados Rstico Cortios Coabitao Absoluto Relativo (%) Domiclios Rondonia 1.247 19.793 1.189 34.775 57.004 12,5 456.032 Acre 333 15.712 2.117 20.189 38.351 22,8 168.206 Amazonas 7.043 127.103 3.956 102.325 240.427 29,9 804.104 Roraima - 5.292 - 9.862 15.154 13,6 111.426 Par 3.650 311.713 6.137 225.609 547.109 29,5 1.854.607 Amap 874 5.318 789 23.873 30.854 20,0 154.270 Tocantins 701 33.677 3.974 29.931 68.283 18,0 379.350 Maranho 2.613 335.314 15.674 180.286 533.887 34,1 1.565.651 Piau - 118.338 - 68.812 187.150 22,7 824.449 Cear 2.369 223.064 1.921 195.402 422.756 18,7 2.260.727 R. G. do Norte 916 22.907 - 87.963 111.786 13,3 840.496 Paraba 1.400 66.660 2.332 96.954 167.346 16,6 1.008.108 Pernambuco 3.573 135.934 5.321 168.159 312.987 13,0 2.407.592 Alagoas 517 37.748 8.273 69.289 115.827 13,9 833.288 Sergipe 328 24.273 328 44.938 69.867 12,3 568.024 Bahia 4.656 193.430 15.626 323.782 537.494 13,6 3.952.162 Minas Gerais 19.264 174.510 11.875 337.129 542.778 9,1 5.964.593 Esprito Santo 1.968 37.882 - 61.001 100.851 9,4 1.072.883 Rio de Janeiro 4.498 407.477 19.122 233.961 665.058 12,7 5.236.677 So Paulo 31.328 673.001 21.389 633.088 1.358.806 10,5 12.941.010 Paran 4.741 62.142 2.683 168.876 238.442 7,2 3.311.694 Santa Catarina 4.881 38.442 1.830 87.268 132.421 6,9 1.919.145 R.G. do Sul 3.452 138.227 1.331 212.121 355.131 9,6 3.699.281 M. G. do Sul 5.660 7.865 4.090 48.745 66.360 9,0 737.333 Mato Grosso 2.179 29.427 5.087 34.876 71.569 8,0 894.613 Gois 706 37.365 8.815 101.512 148.398 8,2 1.809.732 Distrito Federal 871 11.751 9.788 51.346 73.756 10,0 737.560 Brasil 109.768 3.294.365 153.647 3.652.072 7.209.852 12,8 56.513.015

    Nesta tabela, o dficit habitacional absoluto a soma das habitaes inadequadas com a coabitao e o dficit habitacional relativo a relao entre a falta de moradia e o nmero de domiclio de cada estado. Tambm se encontra indicado nesta tabela o nmero de domiclio por estado e o total de domiclios no pas aproximadamente 56,6 milhes.

    Comparando-se o dficit habitacional absoluto por estado possvel observar que os maiores ndices ainda se localizam nos estados mais populosos, com destaque para So Paulo que apresenta um dficit de 1.358.806 moradias e Rio de Janeiro com um dficit de 665.058. Na terceira posio se encontra o Par, no obstante o estado seja apenas o dcimo em nmero de domiclios. Pernambuco se encontra na nona posio em termos absolutos e na dcima terceira posio em termos relativos, respondendo por 4,34% do dficit nacional que equivale a 313 mil unidades.

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    Dos componentes do dficit habitacional, a coabitao familiar corresponde a quase 51% da carncia total por moradias no pas e, dentro do componente inadequao, os domiclios rsticos, onde esto includas as favelas, representam o maior problema habitacional 3,3 milhes de moradias. Pela metodologia utilizada pela Fundao Joo Pinheiro (1995), os elementos bsicos utilizados para se avaliar o dficit habitacional brasileiro e que se acham representados na Tabela 1 so os seguintes:

    a) a rusticidade das estruturas fsicas das habitaes em decorrncia da sua depreciao ou caracterizada pela utilizao de materiais improvisados e com pouca durabilidade;

    b) a inadequao das unidades habitacionais em virtude de suas caractersticas fsicas e funcionais que conduzem a uma utilizao improvisada e espordica do domiclio e

    c) a coabitao que se caracteriza pela convivncia de mais de uma famlia por domiclio.

    O dficit habitacional por inadequao por faixa de renda acha-se representado no Grfico 2-1 a seguir, onde se reala a concentrao do dficit na faixa at trs salrios mnimos: 89,4%. Ao se considerar a faixa de renda imediatamente superior so mais 6,5% das famlias, totalizando 95,9% das carncias urbanas.

    Grfico 2-1 - Dficit habitacional por inadequao das habitaes por faixa de renda (IBGE, 2007)

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    Como inadequados so classificados os domiclios com carncia de infra-estrutura, com adensamento excessivo de moradores, com problemas de natureza fundiria, cobertura inadequada, sem unidade sanitria domiciliar exclusiva ou em alto grau de depreciao.

    No obstante a situao do dficit habitacional apresentada seja preocupante, os dados da PNAD 2007 (IBGE, 2007) mostram avanos, principalmente na linha da reduo absoluta do dficit. Segundo estudos do Sindicato da Indstria da Construo Civil do Estado de So Paulo trabalhando com os dados censitrios do IBGE (SINDUSCON, 2008), o recuo do dficit habitacional foi superior a 450 mil unidades, tomando-se a mdia do perodo 2003-2005. Considerando uma comparao em termos relativos, um bom indicativo da reduo deste dficit se obtm quando so cotejados os anos de 2001 e 2007 onde foi constatado que o dficit recuou de 15,7% para 12,8% do total de domiclios no pas.

    A manuteno desta trajetria de queda um desafio que precisa ser vencido e a construo civil tem um papel importante a desempenhar neste processo. Este papel tem impactos no curto prazo, com a gerao de empregos, e no longo prazo, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da populao.

    Nesta particular, a discusso sobre processos construtivos que possibilitem a reduo gradual do dficit habitacional com estratgias tecnolgicas sustentveis tanto do ponto de vista econmico quanto ambiental tem ganhado importante espao na discusso tcnico-cientfica no pas.

    2.3 Sistemas Construtivos para Habitao Popular

    H uma variada gama de sistemas construtivos disponveis para uso em habitaes de interesse social. A seguir sero sumariamente descritos aqueles que so mais utilizados no pas.

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    2.3.1 Sistema Construtivo em Alvenaria com Blocos de Concreto

    Esse tipo de bloco largamente empregado no Brasil. Podem ser estruturais ou de vedao, e so, aparentemente, fisicamente idnticos, entretanto, os blocos estruturais possuem paredes mais espessas, o que lhe confere maior resistncia aos esforos de compresso e, portanto, podem ser usados para dar sustentao s construes. Ambos podem dispensar chapisco e emboo, dependendo do tipo de acabamento aparente que se escolher.

    Como os blocos vazados permitem a passagem das tubulaes eltricas e hidrulicas atravs dos seus furos, tambm no h necessidade de quebrar paredes e h possibilidade de modulao. A somatria disso acarreta reduo de desperdcio e economia no uso de frmas e concreto.

    regulamentado pela NBR 6136 (2006), que rene os requisitos para os blocos de alvenaria com e sem funo estrutural. As classes de blocos so definidas como: A, B e C (blocos estruturais) e D (blocos de vedao), cujos requisitos de qualidade so mostrados na tabela seguinte. Tambm foram includas novas famlias, de acordo com as dimenses dos blocos: complementando as j existentes M10, M15 e M20, agora existem a M7,5 e a M12,5 (larguras de 65 e 115 mm, respectivamente).

    Tabela 2-3 Requisitos de qualidade para os blocos de concreto (NBR 6136/2006)

    Classe do Bloco

    Resistncia

    mnima

    compresso (MPa)

    Absoro mdia do bloco (%) Retrao1

    (%)

    Agregado normal

    Agregado leve

    A 6,0 10

    13 (mdia) 16 (individual)

    0,065 B 4,0

    C 3,0

    D 2,0 1Facultativo

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    Figura 2-1 - Alvenaria estrutural com blocos de concreto vazado (ABCP, 2009)

    Figura 2-2 Elevao de alvenaria Blue Ville Condomnio Club, Jaboato dos Guararapes PE.

    Figura 2-3 Prdios em construo Blue Ville Condomnio Club, Jaboato dos Guararapes PE.

    2.3.2 Sistema Construtivo com Alvenaria de Blocos Cermicos

    Assim como os blocos de concreto, os blocos cermicos tambm so largamente empregados no Brasil e podem ser estruturais ou de vedao.

    Os blocos cermicos para alvenaria de vedao possuem furos de forma prismtica, retangulares, cilndricos ou outros, perpendiculares s faces que os contm. So produzidos por conformao plstica de matria prima argilosa, contendo ou no aditivos, queimados a

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    elevadas temperaturas (da ordem de 1.000 C). Os blocos cermicos para vedao so produzidos para serem usados especificamente com furos na horizontal, podendo em algumas variaes ser produzidos para utilizao com furos na vertical.

    Os blocos cermicos para alvenaria estrutural possuem furos de forma prismtica, retangulares, cilndricos ou outros, perpendiculares s faces que os contm, produzidos por conformao plstica de matria prima argilosa contendo ou no aditivos, e queimados a elevadas temperaturas. Os blocos so assentados com os furos na vertical, a Figura 2-4 apresenta os tipos de blocos cermicos com os furos na vertical.

    Figura 2-4 - Tipos de blocos estruturais cermicos (http://www.fkct.com.br)

    O uso de blocos com 14 cm de largura, sem revestimento, representa uma carga de 120 kgf/m2, no entanto se a escolha for pela alvenaria estrutural com blocos de concreto sob mesmas condies tem-se um peso de 175 kgf/m2.

    Segundo ANICER (Associao Nacional da Indstria Cermica) as alvenarias estruturais com blocos cermicos possuem bom desempenho trmico e maior durabilidade que as alvenarias com outros tipos de blocos, uma vez que nas primeiras, as deformaes em funo das variaes trmicas so extremamente inferiores.

    Os blocos cermicos so regulados pela norma NBR 15270 (2005). Uma das desvantagens destes blocos que para cozimento e secagem necessita-se de

    temperaturas que variam entre 900 C a 1.100 C. A Figura 2-5 mostra uma casa de padro popular construda em 1993, no ptio da

    Escola de Engenharia da Universidade Federal de Gois com blocos estruturais de faces lisas, como parte de uma pesquisa de verificao de desempenho neste tipo de alvenaria aparente A

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    foto, que foi tirada em 2008, mostra que, aps 15 anos do trmino da obra, a edificao no apresenta sinais da idade, apesar de no ter recebido qualquer tipo de proteo nas paredes contra a ao da gua de chuva.

    Figura 2-5 - Casa de alvenaria estrutural com bloco cermico de faces lisas, construda em 1993, no ptio da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Gois.

    A Figura 2-6 apresenta a elevao de alvenaria na construo de fevereiro de 2005 do conjunto de habitacional Casaro do Cordeiro na cidade do Recife, em Pernambuco e a Figura 2-7 apresenta alguns dos prdios concludos, teve sua inaugurao em fevereiro de 2005.

    Figura 2-6 Paredes de elevao do conjunto de habitao popular no Bairro do Cordeiro em Recife

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    Figura 2-7 Construo do conjunto de habitao popular no Bairro do Cordeiro em Recife

    2.3.3 Sistema Construtivo com Concreto Celular

    O concreto celular um composto formado por agregados areia, cimento, gua, fibras de polipropileno e micro-clulas de ar dispersas na massa. As mquinas que produzem a espuma so ajustadas para produzir com uma densidade em torno de 80 g/litro. O agente espumgeno Gethal utilizado, de origem orgnica (protica) com uma densidade em torno de 1,01 kg/l que, em contato com a gua e o ar, no interior do gerador, produz uma espuma contendo grande nmero de micro-bolhas de ar formando, assim, vazios no interior da massa do concreto celular, e com isso crescimento do volume e reduo da densidade inicial da argamassa.

    O concreto celular espumoso em comparao com os concretos auto-clavados, apresenta para mesmas densidades de massa, menores resistncias mecnicas e maiores retraes, sendo considerado um "primo pobre" deste.

    Fornecido pela Gethal, e com suporte tcnico da ABCP, o sistema pode proporcionar alta produtividade com reduo de custos e eliminao de desperdcios. Antes da concretagem so embutidas nas frmas as instalaes hidrulicas, eltricas e as esquadrias.

    Aps execuo da fundao feita a montagem do conjunto de frmas modulares ao longo das linhas de paredes. O sistema de frmas modulares forma um conjunto com diversos painis, podem trabalhar na horizontal ou vertical, seu transporte pode ser manual ou com grua.

    Os painis so todos modulados e conectados entre si atravs de grampos metlicos especiais. A montagem dos painis feita com a colocao da face interna e externa,

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    at o fechamento, mantendo-se as aberturas de portas para a circulao de pessoas durante as operaes de montagem e desmontagem do sistema.

    A retirada das frmas se d 12 horas aps o lanamento do concreto celular. Em habitaes de apenas 01 pavimento recomenda-se, pela baixa carga transmitidas ao solo pelas paredes, a execuo de uma laje "radier" armada com tela eletrosoldada, sobre uma base de brita (pedra 1 e 2) devidamente compactada, onde sero embutidos os elementos da rede de esgoto e entrada da rede hidrulica. As paredes e os pisos admitem quaisquer tipos de revestimentos e pinturas. A Figura 2-8, a Figura 2-9, a Figura 2-10, a Figura 2-11 e a Figura 2-12 mostram parte deste processo construtivo.

    Figura 2-8 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Montagem das formas

    Figura 2-9 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Instalao de caixilharia (http://www.gethal.com.br)

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    Figura 2-10 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Instalao eltrica e hidrulica (http://www.gethal.com.br)

    Figura 2-11 - Sistema Construtivo com Concreto Celular Lanamento do concreto (SILVA, 2004)

    Figura 2-12 - Sistema Construtivo com Concreto Celular (SILVA, 2004)

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    2.3.4 Sistema Construtivo em Ao Steel frame ou estrutura em perfil leve metlico consiste em uma armao metlica e

    paredes de gesso (com camadas isolantes sonoras/trmicas). Como as paredes so ocas, a passagem de fiao e hidrulica feita de maneira rpida.

    Vantagens:

    Prazos curtos: o tempo de fabricao mdio das peas de 30 dias e o da montagem, de uma semana a 15 dias;

    Racionalizao de material e mo-de-obra: o sistema industrializado evita desperdcio e requer menos mo-de-obra;

    Confeco de trabalhos em paralelo: enquanto se fazem as fundaes, as peas metlicas esto sendo fabricadas;

    Obra limpa sem depsitos de cimento, areia, madeira e ferragens, o entulho menor;

    Flexibilidade de reformas: possvel incorporar novos elementos metlicos; Maior rea til e distncia entre vos: os pilares e as vigas so mais delgados

    do que os equivalentes de concreto, com isso, a rea interna aumenta e a distncia entre os pilares tambm;

    Possibilidade de reciclagem: o ao tem alto valor de revenda e pode ser derretido para a confeco de outras peas.

    Desvantagens:

    Prazos curtos: o tempo de fabricao mdio das peas de 30 dias e o da montagem, de uma semana a 15 dias;

    Risco de custos maiores: se o projeto no levar em conta todos os itens da construo, o preo pode ser de 5 a 20% maior se comparado ao processo tradicional;

    Dificuldade de transporte: a locomoo mais complicada em locais ermos ou cidades distantes de centros urbanos;

    Necessidade de amarrao: a estrutura de ao necessita de perfis complementares para se unir s superfcies de fechamento;

    Contrao e dilatao constantes: se essa movimentao caracterstica do ao no for respeitada, podem surgir trincas nas paredes e nos pisos. Devem-se respeitar

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    as especificaes de projeto: se ele determinar paredes de tijolos, no se aconselha usar blocos.

    A Gerdau produziu um kit Casa Fcil (Figura 2-13), com perfis e barras de ao resistente corroso atmosfrica formado por gabarito, pilares, vigas e estrutura de telhado para uma residncia de 24 m2, 36 m2 ou 48 m2. A construo fica pronta em at 21 dias com telhado, paredes e acabamentos -, uma economia de tempo de 35% em comparao com os 32 dias gastos no sistema convencional. O produto est voltado principalmente para atender populao com renda de at cinco salrios mnimos.

    Figura 2-13 - Kit Casa Fcil da Gerdau (SILVA, 2004)

    Assim como a Gerdau, vrias empresas j se utilizam desse sistema de construo.

    2.3.6 Sistema Construtivo em Madeira O processo construtivo se utiliza de madeira previamente serrada, sob a forma de

    perfilados, que se encaixaro no local da obra sem necessidade do uso de pregos ou pinos para fixao.

    O processo de montagem se d aps a preparao prvia das fundaes e pisos, utilizando-se de perfis estruturais que serviro como elementos para os montantes, panos de paredes, cantos para mudanas de planos, montagem de divisrias e vigote para travejamento da estrutura que so unidos e encaixados entre si, obtendo-se um processo construtivo simples e barato.

    Possibilita a reduo do tempo de construo, desperdcio de mo-de-obra e material. A Figura 2-14 apresenta algumas etapas construtivas desse sistema.

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    Figura 2-14 - Sistema construtivo de casa em madeira (Silva, Maria Angelica Covelo - set/2004).

    2.3.7 Sistema Construtivo com Blocos de Gesso

    O processo construtivo de paredes em blocos de gesso se d da mesma maneira que as alvenarias em blocos de concreto ou cermico, porm ao invs do uso destes blocos e argamassa utilizam-se blocos de gesso furados ou macios e massa ou cola de gesso. Os blocos tm dimenses mdias de 66 x 50 cm (largura x altura) e espessuras mdias da ordem de 7 ou 10 cm. Existem vrios tipos de blocos: simples (cor branca), Hidrfugos na cor azul, reforados com fibras de vidro na cor verde - GRG (Glass Reinforced Gypsum), Hidrfugos reforados com fibras de vidro na cor rosa GRGH, ver Figura 2-15.

    Figura 2-15 - Bloco de gesso simples

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    Mais detalhes sobre o sistema construtivo em gesso ser apresentado em captulo especfico desta dissertao.

    2.3.8 Sistema Construtivo com Painis Monolite de EPS

    um sistema construtivo com painis industriais, tipo sanduche, com ncleo de poliestireno expandido (EPS), com telas eletrosoldadas em ambas as faces e argamassadas. Desenvolvido inicialmente na Itlia, e s chegou ao Brasil na dcada de 90. Os painis devem ser modulados conforme projeto arquitetnico.

    A Monolite define o sistema como sendo um sistema construtivo, anti-ssmico, isolante termo-acstico, com o qual possvel realizarem-se, construes de vrios pavimentos e edifcios arquitetnicos dos mais simples aos mais complexos.

    Figura 2-16 - Painel Monoltico simples - http://www.monolitesystems.com (acessado em 03.12.2009)

    A seguir a Figura 2-17 apresenta algumas imagens do sistema construtivo.

    Figura 2-17 - Painel Monoltico simples em montagem - http://www.tecnocell.com.br/produtos (acessado em 26/08/08)

    Mais detalhes sobre o sistema construtivo em gesso ser apresentado em captulo especfico desta dissertao.

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    2.4 Oramentos de Obras - Tipos e Critrios de Quantificao

    2.4.1 Tipos de Oramentos

    Do ponto de vista mais generalizado, o oramento de um determinado empreendimento representa uma previso ou estimativa do seu custo ou preo total. O custo de uma obra representado pelo somatrio de todos os dispndios exigveis para a sua execuo e o seu preo total se obtm incorporando a este custo os impostos incidentes sobre exerccio empresarial das empresas do ramo da construo civil bem como o lucro do empreendedor (MATTOS, 2006).

    Para se apropriar o custo de um empreendimento, acham-se disponveis vrias tipologias de oramentos e a escolha de um deles est diretamente relacionada com os objetivos pretendidos com a estimativa e com a disponibilidade de dados sobre o empreendimento que se deseja orar. De acordo com seu grau de detalhamento usual se estabelecer a seguinte diviso dos oramentos de um empreendimento (MATTOS, 2006):

    Oramento Paramtrico

    Trata-se de um oramento de carter expedito com base em custos histricos e comparaes com projetos de natureza similar. Fornece apenas uma ordem de grandeza do custo do empreendimento, mas se constitui numa importante ferramenta para verificaes iniciais com, por exemplo, estudos preliminares de viabilidade. Se os respectivos projetos no se acham disponveis, o custo do empreendimento em geral realizado por rea ou volume construdo utilizando-se como fonte de preos o Custo Unitrio Bsico (CUB) definido pela NBR 12721 (2006).

    Oramento Preliminar Trata-se de um oramento com maior nvel de detalhe do que o oramento paramtrico

    e demanda um levantamento de quantitativos e uma pesquisa de preos dos principais servios e insumos e, por conta disto, apresenta um grau de incerteza mais reduzido. Sua utilizao pressupe a disponibilidade de projetos que permitam a adequada apropriao dos diversos itens de servios que faro parte do empreendimento.

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    Oramento Discriminado Tambm referido como oramento analtico ou detalhado, o oramento discriminado

    o que apresenta o menor grau de incerteza e composto por uma extensiva relao de servios ou atividades a serem realizadas no empreendimento. Tambm pressupe uma extensiva pesquisa de preos dos insumos (materiais e mo-de-obra), procurando obter um valor que seja o mais representativo possvel do real custo para execuo da obra. Os preos unitrios de cada um dos servios so obtidos mediante recurso a composies de custos e os quantitativos so apropriados atravs de levantamentos dos projetos disponveis. Em princpio, este tipo de oramento s poderia ser realizado aps a concluso de todos os projetos (arquitetura, estrutura, instalaes e outros) com seus respectivos cadernos de especificaes e detalhamentos.

    Os custos unitrios de construo so divulgados mensalmente at o dia 5 de cada ms pelos Sindicatos da Indstria da Construo Civil, em suas respectivas regies jurisdicionais, em cumprimento ao artigo 54 da Lei 4.591/1964. Os salrios e preos de materiais previstos na NBR-12721 (2006) so obtidos atravs de levantamento de informaes junto a empresas/fornecedores do setor da construo. Os itens componentes do CUB constituem-se em parmetros para o clculo do metro quadrado de construo de uma obra de edificao (no so inclusos fundaes especiais, instalaes especiais, elevadores, tributos, lucro etc.) Este indicador computado para os diversos projetos-padro representativos, levando-se em conta os lotes bsicos de insumos com seus respectivos pesos constantes da NBR-12721 (2006).

    Desde junho de 1992, o Banco de Dados da Cmara Brasileira da Indstria da Construo- CBIC divulga o CUB mdio para o Brasil, que corresponde a uma mdia ponderada dos CUBs estaduais coletados pelos vrios SINDUSCONs (Sindicatos da Construo) associados CBIC. O CUB Mdio Brasil foi criado com a inteno de permitir a comparao dos indicadores de custo setorial elaborados pelos SINDUSCONs com outros indicadores de custo nacional de obras de edificaes, como o INCC/FGV (ndice Nacional de Custo da Construo/Fundao Getlio Vargas) e o SINAPI/IBGE-CAIXA (ndice Nacional da Construo Civil calculado pelo IBGE em convnio com a Caixa Econmica Federal). H tambm disponvel da cidade do Recife a Tabela de Preos da Empresa de Limpeza Urbana da Prefeitura da Capital que largamente difundida entre as empresas de construo civil que executam obras pblicas.

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    2.4.2 Critrios de Quantificao e Estimativa de Custos em Oramentos

    O incio de qualquer processo de oramentao de determinado empreendimento demanda o conhecimento dos diversos servios e etapas que o compem, mas no suficiente apenas identificar estes servios se faz necessria a quantificao de cada um deles. A esta fase se chama levantamento de quantitativos ou levantamento de quantidades (materiais, mo-de-obra e equipamentos) que se constitui numa das etapas da oramentao mais importantes da tarefa de orar e que mais exige esforo intelectual do oramentista (MATTOS, 2006).

    Geralmente um oramento segue as etapas seguintes:

    Recebimento do conjunto de documentos e todas as informaes complementares, como: prazo, condies de execuo, medio e pagamento;

    Anlise dos documentos e esclarecimentos de dvidas, caso existam; Identificao dos itens e discriminao oramentria preliminar dos servios; Quantificao (medio); Busca das composies; Listagem e cotao de materiais, mo-de-obra e servios sub-empreitados; Lanamento dos custos, anlise de BDI, e ajustes finais; Fechamento do oramento, redao das condies da proposta ou minuta do contrato.

    2.4.3 Critrios de Quantificao

    O incio de qualquer processo de oramentao de determinado empreendimento demanda o conhecimento dos diversos servios e etapas que o compem, mas no suficiente apenas identificar estes servios se faz necessria a quantificao de cada um deles. A esta fase se chama levantamento de quantitativos ou levantamento de quantidades que se constitui numa das etapas da oramentao mais importantes da tarefa de orar e que mais exige esforo intelectual do oramentista (MATTOS, 2006).

    Ao se levantar o quantitativo de cada material deve sempre deixar uma memria de clculo, a fim de que as contas possam ser conferidas por outra pessoa e que na necessidade

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    de alterao no projeto no acarrete um segundo levantamento completo, normalmente para isso cada empresa utiliza formulrios padronizados.

    Ao se fazer o levantamento de quantidades pode-se envolver elementos de naturezas diversas:

    Linear: cerca, tubulao, meio-fio, sinalizao horizontal de estrada, rodap, etc.

    Superfcie (rea): limpeza e desmatamento, forma, alvenaria, revestimento, esquadria metlica, forro, esquadria, pintura, impermeabilizao, plantio de grama, etc.

    Volumtrica: escavao, aterro, dragagem, bombeamento, concreto.

    Peso: estrutura metlica, armao.

    Adimensionais: servios que no se incluem nos itens acima, e sim por contagem, como por exemplo: postes, portes, placas de sinalizao, entre outros.

    2.4.4 Critrios de Medio e Pagamento

    muito importante que ao se levantar o quantitativo, se verifique atentamente as especificaes, todos os projetos e os critrios de medio e pagamento, estabelecidos pelo contratante, pois uma falha nesta etapa poder representar um prejuzo muito grande na concluso dos servios. Um outro ponto importante que se deve levar em considerao, so as perdas durante a execuo dos servios.

    A Tabela 2-4 apresenta uma estimativa do ndice de perdas de alguns insumos:

    Tabela 2-4 - ndices de perdas de alguns insumos (PINI, 2009) INSUMO PERDA MOTIVO

    Ao 15% Sobras e desbitolamento das barras

    Azulejo 10% Transporte, manuseio, arremates Cimento 5% Preparao do concreto com betoneira

    Cimento 10% Preparao do concreto sem betoneira

    Blocos de concreto 4% Transporte, manuseio e arremates

    Blocos cermicos 8% Transporte, manuseio e cortes

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    2.4.5 Composio de Custos Unitrios

    D-se o nome de composio de custos ao processo em que se estabelece o clculo dos custos unitrios nos oramentos discriminados para a execuo de um servio ou atividade. A composio lista todos os insumos (material, mo-de-obra e equipamentos) que entram execuo de uma unidade de servio, com suas respectivas quantidades, e seus custos unitrios e totais (MATTOS, 2006). Exemplo:

    Custo de m2 de elevao de alvenaria; Custo de 1 unidade de poste instalado.

    Na composio de custo feita uma tabela composta por cinco colunas, em que entram os seguintes dados:

    Insumo: refere-se a cada um dos itens que entram na execuo dos servios, seja de ordem material, mo-de-obra e, ou equipamentos.

    Unidade: a unidade de medida do insumo.

    ndice: o quanto cada insumo incide na execuo de uma unidade do servio. Custo unitrio: o custo da aquisio ou emprego de uma unidade do insumo.

    Custo total: o custo total do insumo para execuo de uma unidade do servio, obtido atravs da multiplicao do ndice pelo custo unitrio. O custo total da unidade de servio o somatrio do custo total dos insumos.

    A seguir sero discutidos com mais detalhes as questes construtivas dos trs sistemas escolhidos, analisando suas caractersticas, propriedades, custos de construo para um modelo da unidade habitacional de referncia ressaltando as vantagens e desvantagens de cada um deles.

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    3 O Sistema Construtivo Monolite

    3.1 Origem do Sistema

    O Sistema Construtivo Monolite se constitui atualmente num dos sistemas construtivos que contempla importantes avanos do ponto de vista tcnico, tanto em termos de tempo de construo quanto com relao os aspectos de qualidade final e economia. O pressuposto bsico a possibilidade de atendimento simultneo, num mesmo sistema, das demandas de desempenho estrutural, conforto trmico e impermeabilidade que, na maioria das vezes, so requisitos que exigem a superao de importantes desafios tecnolgicos para que se tornem exeqveis.

    A origem dos painis com poliestireno expandido (EPS) advm de um projeto italiano, desenvolvido numa regio sujeita a terremotos com o intuito de criar uma estrutura monoltica que no desmoronasse e agregasse elementos de isolao trmica no incio dos anos oitenta. Com esta finalidade, foi desenvolvido um painel modular, pr-fabricado, leve, composto de uma alma de EPS disposto entre duas malhas de ao elestrossoldadas, e em seguida recebendo revestimento em concreto e/ou argamassa aplicados nas obras (BERTOLDI, 2007). Ainda segundo Bertoldi (2007) esta tecnologia foi difundida em diversos pases, entre eles: Itlia, Portugal, Espanha, Rssia, Turquia, Lbia, Egito, Argentina, Chile, Venezuela, Guatemala, Costa Rica, Mxico, Frana, pases onde foram implantadas unidades de produo do sistema construtivo. No Brasil, ela chega por volta do ano de 1990, quando o Instituto de Pesquisas Tecnolgicas (IPT) de So Paulo realiza anlises dos componentes do sistema e de elementos construdos obtendo resultados favorveis, no que diz respeito aos principais pressupostos do mesmo (comportamento estrutural, conforto trmico e impermeabilidade). Hoje se tem vrias empresas que oferecem produtos semelhantes como o sistema Hi-Tech, empresa de origem americana e que j comercializa este produto no Brasil (BERTOLDI, 2007).

    Estudos relatam que em 1967 foi patenteado nos Estados Unidos por Victor Weisman um mtodo semelhante, constitudo de pr-painis de material isolante com telas soldadas (BERTINI , 2002, apud PICKARD, 1990).

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    3.2 Caractersticas do Sistema

    O sistema construtivo foi desenvolvido pela Monolite e por isto o denominou de Sistema Monolite. So painis de dimenses variveis conforme modulao desejada para o projeto arquitetnico, tipo sanduche com ncleo de poliestireno expandido e telas de ao eletro soldadas, como mostra a Figura 3.1, possui significativa reduo de desperdcios ao processo de construo, comparado aos sistemas convencionais, alm da reduzida mo de obra, necessria para a produo dos painis. A utilizao destes painis possibilita a racionalizao do processo de fabricao, na indstria e sua montagem, no canteiro, podendo possibilitar economia no custo das fundaes, por ser mais leve que outro tipo de vedao. Minimiza os desperdcios e incrementa o controle de execuo com aumento de qualidade, na sua produo. Diminui, ainda, o custo com mo-de-obra para sua aplicao, com o uso de equipamentos que proporcionam ganhos de produtividade e qualidade, alm de reduzir o tempo de execuo, com maior confiabilidade nos prazos de entrega.

    A Monolite define o sistema como sendo um sistema construtivo, anti-ssmico, isolante termo-acstico, com o qual possvel realizar construes de vrios pavimentos e edifcios arquitetnicos dos mais simples aos mais complexos.

    Segundo Bertoldi (2007), um painel argamassado, tipo monolite de 80 mm de espessura, tendo uma chapa de poliestireno com espessura de 25 mm em seu ncleo, tem uma transmitncia trmica de 1,266 W/m2K, e para que se tenha essa mesma transmitncia trmica com parede em alvenaria de tijolo cermico seriam necessrio uma espessura de 280 mm, representando aproximadamente 3 vezes mais a espessura do painel argamassado tipo monolite.

    Figura 3-1 - Painel simples do sistema Monolite - http://www.monoliteintl.com/monopanel.asp (acessado em 03.12.2009)

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    3.3 Composio do Painel

    A composio tpica de um painel do sistema monolite exposta a seguir.

    Ncleo central de poliestireno expandido (espessura de 5 cm, 8 cm ou 10 cm), no txico, auto extinguvel, quimicamente inerte e de densidade e morfologia varivel com o modelo do painel (10 kg/m3), como pode ser visto no detalhe 1 da Figura 3-2;

    Tela de armaduras eletrosoldadas, colocadas em ambas as faces do poliestireno expandido, os dimetros dos vares variam como modelo do painel e a direo da armadura (ver detalhe 2 da Figura 3-2);

    Conectores de ao servem para fazer a ligao das telas com o EPS, como pode ser visto no detalhe 3 da Figura 3-2.

    Estes elementos podem ser vistos nas Figura 3-2 e Figura 3-3 a seguir.

    Figura 3-2 - Elementos que compem as placas do sistema Isolite (BERTINI, 2002)

    2

    3

    1 2

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    Figura 3-3 - Representao esquemtica dos componentes das placas do sistema Monolite (Fonte: CASSAFORMA, www.cassaforma.com.ar, Memorial Descritivo)

    A Figura 3-2 apresenta os elementos do sistema Isolite e a Figura 3-3 apresenta os elementos do sistema Monolite. A diferena entre eles que no sistema Isolite o ncleo central de EPS tem suas faces planas ao passo que no sistema Monolite as faces so onduladas.

    Ncleos leves introduzem facilitadores para as operaes de transporte muito embora esta caracterstica no deva ser uma condio primordial para a escolha do material no ncleo. Um ncleo executado com alvenaria de tijolos, por exemplo, com posterior execuo das faces de argamassa, poderia atender plenamente s exigncias. No entanto, no leve, quando comparado com uma placa de EPS, por exemplo. Essa escolha funo tambm da finalidade da estrutura, da viabilidade e da disponibilidade de material do ncleo. Placas de argamassa ou de concreto podem ser ligadas por conectores de diversos tipos. O ncleo pode ou no participar da transferncia de esforos. Quando no h participao do ncleo, a transferncia de esforos fica por conta dos conectores. De uma maneira geral, quando o ncleo no responde pela transferncia de cargas entre as placas a exigncia que se acha mais freqente quanto sua leveza e a o EPS leva importantes vantagens quando comparado com outros materiais tradicionais, como o concreto ou a alvenaria.

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    3.4 Caractersticas tcnicas dos componentes do painel

    3.4.1 Poliestireno Expandido

    O Poliestireno Expandido, usualmente referido como EPS (Expanded Polystyrene), mais conhecido no Brasil como Isopor. Na verdade Isopor uma marca registrada da Kanauf Isopor Ltda que foi descoberto em 1949 pelos qumicos Fritz Stastny e Karl Buchholz, nos laboratrios da BASF na Alemanha (ABRAPEX, 2006). No Brasil a norma NBR 11752 de 1993, regulamenta os materiais celulares de poliestireno para isolamento trmico na construo civil e em cmaras frigorficas.

    O EPS um material celular rgido, obtido atravs da polimerizao do estireno (PS, material derivado do petrleo) em gua (DIN ISSO 1043/78). O agente expansor do EPS o hidrocarboneto pentano. Nesta fase so acrescentados vrios aditivos para melhorar algumas das propriedades do poliestireno, tornando-se um material de aspecto vtreo e granulado.

    3.4.2 Fabrico do Poliestireno Expandido

    Para a obteno dos blocos de EPS, o material submetido a um processo de transformao fsica, j no alterando as suas propriedades qumicas. Este processo chamado de sintetizao, sob a ao de um vapor saturado, provocando a expanso dos grnulos de poliestireno vtreo em cerca de 20 a 50 vezes o volume inicial, como mostra a Figura 3-4, obtendo-se ento os diferentes tipos de EPS. (ABRAPEX, 2006).

    Figura 3-4 - Prola de poliestireno EPS - (Fonte: www.acepe.pt/eps)

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    O EPS na verdade uma espuma termoplstica rgida (ABRAPEX, 2006). E contm em seu volume uma porcentagem elevada de pequenos poros, at 98% de ar e apenas 2% de poliestireno, tem cor branca, inodoro, reciclvel, fisicamente estvel, bom isolante trmico nas temperaturas de 70 a 80C. Pode ser produzido com densidades em menos de 16 Kg/m3 a mais de 32 Kg/m3, oferecendo o nvel ideal de estabilidade para quaisquer aplicaes.

    Na moldagem o granulado estabilizado introduzido em moldes e novamente exposto a vapor de gua, o que provoca a soldadura do mesmo; assim obtm-se um material expandido, que rijo e contm uma grande quantidade de ar. Para a Construo Civil so produzidos blocos de EPS em grandes moldes paralepipdicos, como mostra a Figura 3.5. Estes blocos de EPS podem ser cortados em quaisquer formatos e no contm os nocivos CFCs ou HCFCs, logo no agride a camada de oznio de Terra.

    Figura 3-5 - Produo de blocos de EPS - (Fonte: www.acepe.pt/eps)

    3.4.3 Propriedades Mecnicas do EPS

    As principais propriedades mecnicas do EPS esto relacionadas com as condies de manuseamento e aplicao, sejam elas: a resistncia compresso, a resistncia flexo, a resistncia trao e a fluncia sob compresso. De uma forma geral, os valores aumentam de uma maneira linear com a densidade.

    A Figura 3-6 apresenta diagramas de tenso-deformao para variados tipos de EPS, onde se pode observar que, para uma mesma taxa de deformao, a mudana na densidade influencia a resistncia compresso do EPS, aspecto que significa uma melhoria na rigidez

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    do material. Em compresso o EPS se comporta de maneira linear at a deformao atingir cerca de 2% da espessura da placa. Quando se aumenta a fora de compresso acima do limite de elasticidade, verifica-se uma deformao permanente de parte das clulas, mas que, no se rompem.

    Figura 3-6 - Diagrama Tenso-Deformao do EPS (ABRAPEX, 2006)

    A resistncia trao e trao na flexo do EPS acha-se representada na Figura 3-7 a seguir.

    Figura 3-7 - Resistncia trao na flexo do EPS em funo da massa densidade (ABRAPEX, 2006)

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    3.4.4 Propriedades trmicas do EPS

    A propriedade mais importante do EPS a sua capacidade de resistir passagem do calor. Segundo a Associao Brasileira de Poliestireno Expandido (ABRAPEX, 2006), um metro cbico de EPS possui 3 a 6 bilhes de glbulos fechados e cheios de ar, garantindo-lhe as propriedades fsicas, de extrema leveza e de excelente isolao trmica. Como o EPS hidrfobo (tem afinidade com a gua, ou seja, possui uma tima molhabilidade) e de clulas fechadas, com uma grande quantidade de ar, quase imvel, dentro das suas clulas, sua absoro de gua mnima, aspecto que faz com que sua variao na condutividade trmica tambm seja mnima. permevel ao vapor, no criando problemas quando exposto umidade, uma vez que as temperaturas altas favorecem a eliminao dessa umidade.

    A capacidade de isolamento trmico expressa atravs do Coeficiente de Condutibilidade Trmica (CCT). Este coeficiente fornece o fluxo de calor que passa em 1 m2 de superfcie do material, quando este possui uma espessura de 1 m e submetido a uma diferena de temperatura de 1 grau entre as suas faces. Assim, se uma hipottica parede de concreto tivesse 1 metro de espessura e a sua face externa estivesse a 20 C e a sua face interna a 21 C, o fluxo de calor que atravessaria cada m2 da sua superfcie seria igual a 1,75 W (ou 1,75 J/s). Portanto o coeficiente de condutibilidade trmica do concreto de 1,75 W.m/m2/C ou mais comumente 1,75 W/m/C, fazendo-se o ajuste das unidades mtricas. Quanto menor este coeficiente, maior a capacidade de isolamento trmico, porm para obter um efeito isolante numa aplicao construtiva, alm do CCT, outro fator determinante a espessura da camada isolante empregada. O CCT do EPS depende principalmente da sua densidade, o que se pode observar na Figura 3.8. O CCT do EPS diminui (melhora a capacidade de isolamento trmico) com o aumento da massa volumtrica (ABRAPEX, 2006). Para efeitos de clculo, o valor corrente do CCT do EPS pode ser tomado como sendo de 0,04 W/mC. A Figura 3-8 a seguir mostra a variao do coeficiente de condutibilidade trmica com a temperatura de 10C em funo da densidade, onde se pode observar que quanto maior a densidade menor o coeficiente de condutibilidade trmica de forma no linear. A Figura 3-9 apresenta coeficiente de condutibilidade trmica em funo da temperatura para EPS de densidade 20 Kg/m3, podendo-se observar que quanto menor a temperatura, menor o coeficiente de condutibilidade trmica.

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    Figura 3-8 - Coeficiente de Condutibilidade Trmica do EPS (ABRAPEX, 2006)

    Figura 3-9 - Coeficiente de Condutibilidade Trmica para EPS de densidade 20 Kg/m3 (ABRAPEX, 2006)

    3.4.5 Propriedades do EPS em contacto com a gua

    Pode-se dizer que o EPS no higroscpico, ou seja, quase no absorve gua. Devido ao fato de ter as paredes das clulas impermeveis e estrutura fechada, quando imerso em gua o EPS absorve apenas pequenas quantidades da mesma, que fica retida nos poucos espaos entre as clulas. Desta forma, o EPS volta a secar facilmente, sem perder qualquer das suas propriedades. A Figura 3-10 a seguir apresenta a absoro de gua por imerso do EPS em funo do tempo para EPS de diferentes pesos especfico, e que se verifica que essa absoro inversamente proporcional a sua massa especfica.

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    Figura 3-10 - Absoro de gua por imerso do EPS (ABRAPEX, 2006)

    A Figura 3-11 a seguir mostra a variao no coeficiente de condutibilidade trmica do EPS em funo do teor de umidade contido para EPS de 16 Kg/m3. A reduo deste coeficiente se situa entre 3 a 4% para cada 1% de volume de gua absorvido.

    Figura 3-11 - Absoro de gua por imerso do EPS (ABRAPEX, 2006)

    3.4.6 Propriedades acsticas do EPS

    Como todos os bons isolantes trmicos, o EPS no um bom isolante acstico. E para ser usado como isolante acstico, necessrio sofrer um tratamento especfico prvio. As paredes das placas de EPS devem ser rompidas para que se abram as micro-clulas atravs de prensagem ou calandragem (cilindragem). Para isto as placas de EPS necessitam passar entre dois cilindros numa abertura de 1/3 da espessura das placas. Ou compresso das placas de EPS at que cheguem a 1/3 da sua espessura original. (ABRAPEX, 2006).

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    3.4.7 Comportamento do EPS em contato com o fogo

    Segundo Bertoldi (2007), muito importante que se conhea o comportamento do poliestireno expandido na presena do fogo, pois o mesmo no pode ser inflamado por fascas ou resduos em brasa, que possam vir de soldas eltricas, por exemplo, ou por pontas acesas de cigarros. Somente chamas acesas e colocadas diretamente sobre o EPS (poliestireno expandido) podem inflam-lo.

    Callister (2006) em seu livro informa que, quanto s caractersticas de fusibilidade, o poliestireno termoplstico, ou seja, quando aquecido se funde e se solidifica ao se resfriar, e isto ficou comprovado com a prtica feita no laboratrio da UNICAP no Departamento de Qumica, onde foi feito a queima de um bloco de isopor no tamanho de 20 x 20 x 20 cm, conforme se pode ver na Figura 3-12, na Figura 3-13, na Figura 3-14 e na Figura 3-15 a seguir.

    Figura 3-12 - Bloco de isopor de 20 x 20 x 20 cm

    Figura 3-13 - Bloco de isopor na campnula

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    Figura 3-14 - Bloco de isopor em contacto direto com a chama do Bico de Busen

    Figura 3-15 - Bloco de isopor aps a queima

    Vale salientar que o ar contido na estrutura celular de poliestireno expandido no possui oxignio suficiente para que haja combusto. Para que isto ocorra h necessidade de uma quantidade de ar 130 vezes maior, em volume, do existente no material. Logo, no haver combusto de material, quando o mesmo se encontra protegido por uma camada de emboo o