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SECRETARIA DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO - SEAB DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL – DERAL “PERFIL DA AGROPECUÁRIA PARANAENSE” CURITIBA Novembro/2003

“PERFIL DA AGROPECUÁRIA PARANAENSE” · Téc. Agrícola DIRLEI ANTONIO MANFIO – Preços Pagos pelo Produtor, Levantamento da Produção Agrícola Municipal e Mão-de-Obra Rural

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  • SECRETARIA DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO - SEAB DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL DERAL

    PERFIL DA

    AGROPECURIA PARANAENSE

    CURITIBA Novembro/2003

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    GOVERNADOR DO ESTADO: ROBERTO REQUIO DE MELLO E SILVASECRETRIO DA AGRICULTURA: ORLANDO PESSUTIDIRETOR GERAL: NEWTON POHL RIBASDIRETOR DO DERAL: ADLIO RIBEIRO BORGESASSESSOR TCNICO DO DERAL: OTMAR HUBNER

    DIVISO DE ESTATSTICAS BSICAS-DEB: Adm.Emp GILKA M.A.C.ANDRETTA

    Adm.Emp. GILKA M.A.C.ANDRETTA - Preos Florestais, FPM e Valor Bruto da ProduoAgropecuriaEconomista BALTAZAR H.DOS SANTOS Processamento de Informaes, Terras Agrcolas eSIMAEconomista NORBERTO ANACLETO ORTIGARA Previso de Safras e Custos de ProduoTc. Agrcola DIRLEI ANTONIO MANFIO Preos Pagos pelo Produtor, Levantamento da ProduoAgrcola Municipal e Mo-de-Obra RuralAdm.Emp. CLAUDIA MARIA I. JUSTI Preos Recebidos, Atacado e VarejoEng Agr LCIA AMLIA LAZARO LOZANO - Preos Recebidos, Atacado e VarejoAux.Adm. JOS LUIZ GALVO Estagirio: CARLITO PRINCIVAL JUNIOR

    DIVISO DE CONJUNTURA AGROPECURIA-DCA: Eng Agr LUIZ ROBERTO DE SOUZA

    Economista METHODIO GROXKO - Fumo, Mandioca, Cevada e AveiaEconomista DISONEI ZAMPIERI - Cana-de-acar e SucroalcooleiroEng Agr MARGORETE DEMARCHI Caf, Insumos, Mquinas e Implementos Agrcolas Eng Agr OTMAR HUBNER - Soja, Trigo, Amendoim, Canola e GirassolEng Agr AGENOR SANTA RITTA NETO - AgrometeorologiaEng Agr MAURICIO TADEU LUNARDON Hortalias e Agricultura OrgnicaEng Agr RODRIGO AQUINO DE PAULA Fruticultura e FloriculturaEng Agr VERA DA ROCHA ZARDO Milho, Algodo, Sorgo, Rami e CenteioEng Agr RICHARDSON DE SOUZA Feijo, Arroz, Terra e Mo-de-ObraMd.Vet. GUILHERME OSCAR RICHTER - SuinoculturaMd.Vet. FBIO PEIXOTO MEZZADRI Bovinocultura de Corte, de Leite e SericiculturaMd.Vet. ROBERTO CARLOS P. DE ANDRADE E SILVA Avicultura de Corte e de PosturaSociloga NEUSA GOMES DE ALMEIDA RUCKER - Erva-Mate, Corantes Naturais e Gengibre Estagiria LUCIANE CRISTINA MOTA RIBAS

    DIVISO DE PLANEJAMENTO AGRCOLA -DPA: Md.Vet. GUILHERME OSCAR RICHTER

    Eng Agr MARIA ALICE SOARES CONSALTER Eng Agr SERGIO AGUILAR GUTIERREZEng Agr JOS TARCISO FIALHOEconomista DISONEI ZAMPIERIEstagiria ANGELA NEGRO

    Secretria LUZIA BATISTA MARTINS

    Editorao: ILDELOI SANTOS, OTMAR HUBNER, RICHARDSON DE SOUZA e VERA DA ROCHA ZARDO Reviso de Texto: OTMAR HUBNER, VERA DA ROCHA ZARDO, LUIZ ROBERTO DE SOUZA,ADLIO RIBEIRO BORGES, DISONEI ZAMPIERI e MARIA JOANA SIMONI CUNHAProduo Grfica: RICHARDSON DE SOUZACoordenao do Trabalho: VERA DA ROCHA ZARDOElaborao: DIVISO DE CONJUNTURA AGROPECURIA - DCA

    ________________________________________________________________________________ 2

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    APRESENTAO

    O Paran vem obtendo safras recordes em suas lavouras e na produo pecuria.

    Nos ltimos anos houve uma mudana no padro tecnolgico que propiciousignificativo aumento da produtividade mdia, o que, combinado com a qualificao dosagricultores, evidencia a competncia da agropecuria paranaense.

    Competncia demonstrada nas diversas cadeias produtivas: soja, milho, trigo,frango, bovinocultura de leite e de corte, cana-de-acar, etc.

    A balana comercial paranaense, alavancada pelo agronegcio, tambm segue omesmo ritmo, com recordes de supervits comerciais.

    O agronegcio a atividade que tem determinado a dinmica da economiaparanaense. o setor da economia com maior capacidade de gerao de empregos a baixocusto, e o maior irradiador de estmulos para outras atividades. Seus efeitos positivos sorefletidos na indstria e no comrcio, aumentando a oferta de produtos econseqentemente de empregos, alm de gerar inmeros outros benefcios ao longo dacadeia produtiva.

    Grande parte desse sucesso deve ser atribudo ao esforo, dedicao e trabalhodos agricultores paranaenses no seu conjunto, independente do seu porte. Todavia, cabedestacar a contribuio e os avanos sociais que vm sendo obtidos atravs do apoio doGoverno do Estado em prol da agricultura familiar. Afinal, 86% dos estabelecimentos ruraispertencem categoria e, neste ano, o Paran dever superar o contingente de 100 milfamlias atendidas atravs da linha de crdito rural PRONAF. Assim, o incremento de rea,renda com equidade e emprego no campo vm gradativamente aumentando com benefciospara todos.

    Neste contexto, o Departamento de Economia Rural DERAL, da Secretaria daAgricultura e do Abastecimento do Paran, durante os mais de 20 anos de existncia,acompanha o desempenho econmico da agropecuria paranaense, gerando informaes quereferenciam polticas pblicas para o setor e auxiliam as empresas pblicas e privadasenvolvidas com o agronegcio.

    Visando preencher uma demanda por parte dos agentes do agronegcio, o DERALedita o PERFIL DA AGROPECURIA PARANAENSE.

    Esta revista procura mostrar a importncia do setor, atravs de indicadores scio-econmicos e da anlise do desempenho das principais atividades agropecuriasdesenvolvidas no Paran, bem como no contexto de desenvolvimento econmico regional,algumas propostas de polticas pblicas em negociao, e outras em estudos, que esto nocaptulo Polticas Agrcolas Especiais.

    A gerao de informaes confiveis e oportunas est na essncia da misso deDERAL, ou seja, contribuir para o desenvolvimento da agropecuria paranaense.

    Curitiba, novembro de 2003.

    ORLANDO PESSUTISecretrio de Estado

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    SUMRIO

    ASPECTOS DA AGROPECURIA PARANAENSE.............................. 5AGRICULTURA ORGNICA.................................................................... 15ALGODO.................................................................................................... 18CAF.............................................................................................................. 22CANA-DE-ACAR.................................................................................... 26FEIJO......................................................................................................... 28FRUTAS........................................................................................................ 31FUMO............................................................................................................. 34MANDIOCA................................................................................................. 36MILHO........................................................................................................... 39SOJA............................................................................................................. 44TRIGO........................................................................................................... 47APICULTURA............................................................................................... 50AVICULTURA.............................................................................................. 53

    AVICULTURA DE CORTE............................................................. 53AVICULTURA DE POSTURA....................................................... 56CRIAO DE PERUS...................................................................... 59

    BOVINOCULTURA DE CORTE................................................................ 62BOVINOCULTURA DE LEITE................................................................. 65BUBALINOCULTURA................................................................................ 70CAPRINOCULTURA................................................................................... 72OVINOCULTURA........................................................................................ 74PISCICULTURA.......................................................................................... 76SERICICULTURA....................................................................................... 78SUINOCULTURA........................................................................................ 81VALOR BRUTO DA PRODUO AGROPECURIA DO PARAN... 84POLTICAS AGRCOLAS ESPECIAIS................................................. 87

    ________________________________________________________________________________ 4

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    ASPECTOS DA AGROPECURIA PARANAENSE

    O Paran est localizado na Regio Sul do Brasil, ocupa 199.324 km2, o equivalente a2,3% do territrio brasileiro. Em 2002, segundo a Fundao Instituto Brasileiro deGeografia e Estatstica IBGE -, a populao paranaense era de 9.798.006 habitantes, comuma distribuio espacial estimada de 81, 41% na rea urbana e 18,59% no meio rural.

    Cerca de 45% dos municpios paranaenses tem menos de 50.000 habitantes.

    Considerando a populao total do Brasil em 169.799.170 de habitantes, no Paranhabitam 5,6% dos brasileiros.

    O agronegcio a principal atividade econmica do estado. Gera aproximadamente1/3 do PIB (R$ 27 bilhes), irradiando seus efeitos sobre toda a economia

    Com uma agricultura diversificada, o principal estado agrcola do pas. Destaca-setambm a pecuria, com elevado grau de desenvolvimento da bovinocultura, suinocultura eavicultura.

    ESTRUTURA FUNDIRIA

    O Paran, de acordo com o Censo Agropecurio de 1996 IBGE -, possui 370.000estabelecimentos rurais, ocupando 80% do territrio paranaense, ou seja, 15,94 milhes dehectares (159.466 km2).

    Posse da Terra

    A grande maioria dos estabelecimentos, 71% do total, tem os proprietrios comoresponsveis. Os arrendatrios representam 14% do total e os 15% restantes so parceirosou ocupantes.

    Posse da Terra Paran 1996

    Do total dosEstabelecimentos

    (%)

    Da rea(%)

    Proprietrios 71 62Arrendatrios 14 6Outros 15 32Fonte: IBGE Censo Agropecurio

    TAMANHO DE PROPRIEDADES

    A estrutura agrria do estado formada, predominantemente, de pequenos emdios estabelecimentos, cumprindo importante papel social, de gerao de emprego erenda, no campo.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Cerca de 86% dos estabelecimentos rurais do Paran apresentam rea inferior a 50ha, envolvendo 318.200 propriedades. Estes estabelecimentos detm 28% da rea total doestado.

    Tamanho das Propriedades Paran 1996

    Do total

    (%)Da rea

    (%)

    at 10 ha 42 510 a 50 ha 44 23

    50 a 100 ha 7 11mais de 100 ha 7 61

    Fonte: IBGE Censo Agropecurio

    USO DO SOLO

    A boa fertilidade dos solos do Paran proporciona elevados ndices deprodutividade, alm de praticamente todo o territrio do estado ser agricultvel.

    No Paran so cultivados, anualmente, 5,5 milhes de hectares com lavouras; 6,7milhes so destinados a pastagens e 2,8 milhes so ocupados com matas e florestas. Orestante, cerca de 3,98 milhes de hectares, so de reas urbanas, estradas, etc.

    Uso do Solo Paran 1996

    milhes de ha (%)

    Lavouras 5,5 29

    Pastagens 6,7 35

    Matas / Florestas 2,8 15

    reas Urbanas 4,0 21

    Fonte: IBGE - Censo Agropecurio

    POPULAO RURAL

    Dos mais de 9,79 milhes de habitantes do Paran, cerca de 1,82 milho de pessoas,18,59% da populao, vivem na zona rural. Aproximadamente 81% dos estabelecimentos soexplorados pelos proprietrios e pessoas da famlia, envolvendo 1.852.700 pessoas.

    Os dados da PNAD-IBGE-2002 apontam para um total de 1.135.772 pessoasenvolvidas em atividades agropecurias.

    ________________________________________________________________________________

    Matas / Florestas

    15%

    reas Urbanas

    21%

    Lavouras29%

    Pastagens35%

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    SISTEMA DE EXPLORAO

    As reas dos estabelecimentos agropecurios so em grande parte exploradas pelosproprietrios, 61,8%; os administradores gerenciam quase 1/3 das propriedades e orestante da rea explorada por arrendatrios e outras formas de ocupao.

    Sistema de Explorao Paran 1996

    Fonte: IBGE - Censo Agropecurio

    Propriet-rios

    61,8%

    Ocupantes2,6%

    Arrendat-rios

    5,8%

    Administra-dores

    29,8%

    PRODUO DE GROS

    O Paran o principal estado agrcola do pas e, apesar de contar com apenas 2,3%da rea do pas, tem sido responsvel pela produo de 24% da safra de gros do Brasil.

    Desde o incio da dcada de 90, a safra de gros do Paran apresentou umcrescimento de 91%. A produo brasileira, no mesmo perodo, apresentou um incrementode 74%.

    A rea plantada no Paran, com gros, cresceu no mesmo perodo 20%, o queevidencia o aumento da produtividade das lavouras.

    Gros Brasil Principais Estados Participao na Produo 2003(em %)

    05

    101520253035

    PR RS M T GO M G M S SP BA OUTROS

    Fonte: CONAB / MA

    Na safra 2001/2002, a colheita de gros do Paran atingiu o expressivo volume de22,40 milhes de toneladas, safra recorde. A safra de vero representou 91,4% destevolume e a safra de inverno 8,6%

    Destaques para as culturas de milho e soja que, juntas, responderam por 86,6% dototal produzido.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Na safra 2002/2003, a colheita de gros atingiu o volume recorde de 29,6 milhesde toneladas, o que representa 24% da produo brasileira. A safra de verocorrespondeu a 90% do total produzido, com destaques para as produes recordes de14,2 milhes de toneladas de milho e 10,95 milhes de toneladas de soja.

    Principais gros produzidos no Paran safra 2002/2003

    Fonte: SEAB/DERAL

    Trigo9%

    Feijo2%

    Outros4%

    Milho48%

    Soja37%

    Na safra 2002/2003 a Regio Sul do estado produziu 28% do total de gros doestado, ou 8,2 milhes de toneladas, com destaque para a produo de milho normal, soja,feijo, trigo e cevada.

    Essa regio compreendida pelos ncleos regionais de Ponta Grossa, Guarapuava,Irati, Unio da Vitria, Curitiba, Paranagu e Laranjeiras do Sul.

    a principal regio produtora de fumo, batata, hortalias em geral e produtosflorestais, com elevado grau de desenvolvimento na pecuria de leite, corte, suinocultura eavicultura.

    A Regio Norte, compreendida pelos ncleos regionais de Apucarana, CornlioProcpio, Londrina, Maring, Jacarezinho e Ivaipor, respondeu por 24% da produo degros. Nessa regio destaca-se a produo de soja, milho safrinha, trigo, caf e feijo. Aproduo total de gros dessa regio, em 2002, foi de 7,3 milhes de toneladas.

    a principal regio produtora de cana-de-acar, algodo e casulo de seda,destacando-se tambm na produo de hortalias e frutas. A pecuria do norte do estadotem grande representatividade na produo de leite.

    A Regio Oeste, onde localizam-se os ncleos regionais de Toledo e Cascavel, temse destacado na produo de gros. Com um relvo plano que facilita a mecanizao, almdas condies edafoclimticas favorveis, essa regio foi lder em produtividade nasculturas de soja e milho normal na safra 2002/2003. Tambm a regio que apresenta osmelhores rendimentos nas lavouras de milho safrinha.

    Na safra 2002/2003, o Oeste do estado produziu 6,6 milhes de toneladas degros, 22% da produo paranaense.

    Essa regio lidera na produo de carne suna, leite e carne de frango .

    A regio Sudoeste, compreendida pelos ncleos regionais de Pato Branco eFrancisco Beltro, produziu 3,4 milhes de toneladas de gros em 2003, o que representa

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    11% da safra, com destaque para a produo de feijo e milho. Sobressaem tambm asprodues de carne suna e carne de frango.

    No Centro Oeste do estado est localizado o ncleo regional de Campo Mouro. Essaregio produziu 3,5 milhes de toneladas de gros o que representa 12% da produo.Destacam-se as produes de soja, milho safrinha, trigo, algodo e mandioca.

    O Noroeste paranaense vem se destacando na agropecuria, sobretudo, pelaexplorao da bovinocultura de corte, citricultura e sericicultura, alm de outras culturas,como mandioca, caf e cana-de-acar. Nos ltimos anos, o noroeste vem expandindo aproduo de soja e tomando reas de pastagens, motivado pela adoo do sistema dearrendamento de reas para o cultivo de soja (reforma de pastagens).

    Em 2003, essa regio produziu 1 milho de toneladas de gros, 3% da produoestadual. Nessa regio localizam-se o ncleos regionais de Paranava e Umuarama.

    Produo de gros Distribuio por regies safra 2002/2003

    OESTE22%

    C. OESTE12%

    NORTE24%SUL

    28%

    SUDOESTE11% NOROESTE

    3%

    Fonte: SEAB/DERAL

    A produo de gros do Paran tem sido importante para o adequado suprimentode alimentos no Brasil e para a continuidade da gerao de divisas nas exportaes.

    Gros - Paran Evoluo da Produo 1989 2003(em milhes de t)

    ________________________________________________________________________________

    10,00

    14,00

    18,00

    22,00

    26,00

    30,00

    89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03

    Fonte: SEAB/DERAL

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    O aumento da produo paranaense calcado em ganhos de produtividade,respondendo aos expressivos e constantes investimentos em tecnologia, treinamento emanejo, conservao e correo do solo, ampliao no uso de sementes melhoradas erotao de culturas, em grande parte incentivados pelo Governo do Paran.

    Paralelamente, importante destacar a supremacia do Paran na produo de algunsprodutos, pois o 1 produtor nacional de milho, feijo, trigo, aveia, casulo de seda e carnede frango. o 2 produtor de mandioca, cevada, soja, cana-de-acar e carne suna.

    Grande produtor de leite, carne bovina, caf, fumo, hortalias, frutas e produtosflorestais. o principal produtor de fcula e farinha de mandioca e segundo produtor delcool e acar.

    Considerando-se a agricultura em geral, que inclui gros e fibras, hortalias, cana-de-acar, mandioca, fumo, etc, a produo paranaense atingiu 63,8 milhes de toneladasem 2003.

    PADRO TECNOLGICO

    A boa fertilidade dos solos, aliada adoo sistemtica de tecnologia na conduodas lavouras, proporciona altos ndices de produtividade para a nossa agricultura.

    Traduzido em nmeros pelo Censo Agropecurio de 1995/96, pode-se caracterizar ouso de tecnologia:

    81.000 estabelecimentos possuam tratores, num total de 130.000 unidadese um nmero de 24.000 colheitadeiras;

    cerca de 65% dos estabelecimentos usam fertilizantes, consumindo 2,2milhes de toneladas por ano. A correo de acidez do solo pratica usual ea demanda anual de calcrio gira em torno de 3,2 milhes de toneladas;

    a assistncia tcnica usufruda por pouco mais de 40% dosestabelecimentos, sendo 2/3 dos casos de origem governamental;

    a preocupao com a sustentabilidade da atividade agrcola faz com que aprtica de plantio direto seja adotada em 90%, 70% e 70% das reas desoja, trigo e milho, respectivamente.

    No Paran, as vendas de tratores e colheitadeiras, apresentaram um crescimentocontnuo nos ltimos anos, influenciado pelos bons preos dos principais gros produzidosno Estado, pelas boas produtividades e pela liberao de recursos atravs doMODERFROTA.

    Comparando os ltimos 3 anos, observa-se um crescimento de 142% na venda detratores e de 99,7 % nas colheitadeiras.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Comercializao de mquinas agrcolas no Paran 2000 a 2002 (em unidades)

    2000 2001 2002

    Trator 2.097 3.120 5.078Colheitadeira 643 949 1.284

    Fonte: SEAB/DERAL

    Segundo a Associao Nacional para Difuso de Adubos (ANDA) a entrega defertilizantes no Paran, em 1999, 2000, 2001 e 2002 foi de 2,03 milhes de toneladas, 2,43milhes, 2,30 milhes e 2,51 milhes, o que representa um crescimento de 23,7 %. Estaperformance atribuda ao aumento na rea de soja e melhora nas relaes de troca dasculturas de soja, milho e feijo.

    Estima-se que cerca de 25% dos recursos controlados do crdito rural soaplicados no Paran, anualmente.

    Dentro dessa tica, pode-se considerar que o Paran um dos principais tomadoresde crdito rural, o que plenamente justificado pelo potencial produtivo que o estadoapresenta .

    ARMAZENAGEM

    A capacidade esttica dos armazns, no Paran, totaliza 19,6 milhes de toneladas,sendo 15,3 milhes de toneladas para o armazenamento de produtos a granel e 4,3 milhesde toneladas em armazns convencionais.

    Armazenagem esttica (a granel e convencional) no Paran - 2003

    NCLEOS REGIONAISDA

    SEAB

    ARMAZENAGEMA GRANEL

    (t)

    ARMAZENAGEMCONVENCIONAL

    (t)APUCARANA 247.957 239.346CAMPO MOURO 1.723.829 486.836CASCAVEL 1.365.804 268.031CORNLIO PROCPIO 406.841 105.365CURITIBA 440.174 198.318FRANCISCO BELTRO 474.014 233.130GUARAPUAVA 1.656.671 116.050IRATI 25.592 33.050IVAIPOR 249.357 79.007JACARZINHO 114.464 140.466LARANJEIRAS DO SUL 156.778 31.718LONDRINA 1.410.692 408.968MARING 1.416.130 251.277PARANAGU 1.253.910 519.250PARANAVA 4.987 125.016PATO BRANCO 611.485 180.570PONTA GROSSA 1.989.407 259.944TOLEDO 1.618.858 334.862UMUARAMA 107.015 288.580UNIO DA VITRIA 4.517 22.484TOTAIS 15.278.482 4.322.268Fonte: CONAB/SUREG-PR

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    PRODUTO INTERNO BRUTO

    O Produto Interno Bruto PIB do Paran, de 2002, est estimado em R$ 78,82bilhes, o que representa um aumento de 48,7% nos ltimos 5 anos, em valores correntes. Osetor primrio corresponde a 14,04% do PIB paranaense.

    A composio atual do PIB paranaense :

    Setor Primrio: 14,04% Setor Industrial: 38,13% Servios: 47,83%

    COMRCIO EXTERIOR - (Fonte IPARDES)

    As exportaes paranaenses atingiram US$ 5,7 milhes em 2002, superando em7,2% o valor registrado em 2001.

    Em 2002, o total das exportaes paranaenses representou 9,44% do totalexportado pelo pas.

    A Unio Europia se manteve como o principal destino das vendas, representando32,63 % do total exportado pelo estado.

    A segunda posio coube ao NAFTA, que registrou acrscimo de 13,5% dasexportaes do Paran, representando 21,7%.

    A sia importou US$ 1,03 milho e as exportaes para o MERCOSULapresentaram declnio devido crise econmica argentina.

    O complexo soja respondeu por 34,2 % do total exportado pelo estado. O segundogrupo na pauta de exportao foi o material de transporte, representando 22,3 %.

    As exportaes de madeira representaram 10,53% do total, seguido pelo grupocarnes, com 8,38%. As vendas de frango somaram US$ 336 milhes no referido ano e tminsero destacada no mercado asitico (Japo e Hong Kong), no oriente mdio (Arbia,Emirados rabes e Kwait), na Unio Europia (Alemanha, Reino Unido, Holanda e na Rssia).

    As vendas de carne suna atingiram US$ 60 milhes, tendo como principais destinosa Rssia e Hong Kong.

    Trs grupos registraram queda nas exportaes. O primeiro deles refere-se aoacar, cujas exportaes apresentaram reduo de 15,2%, passando de US$ 182 milhespara US$ 154 milhes.

    O segundo grupo compreende o papel e a celulose que em 2002 contabilizou vendasde US$ 132 milhes, com queda de 5,45%.

    O terceiro grupo o de caf que somou US$ 128 milhes, representando umaparticipao de 2,2%.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    O Porto de Paranagu um dos lderes na categoria de exportaes do Brasil. Cercade 70% das exportaes paranaenses so feitas atravs desse Porto, que especializado naexportao de produtos agrcolas, mas, nos ltimos anos, vem apresentando uma crescentemovimentao na exportao de automveis.

    As outras opes de embarque so os Portos de So Francisco, Itaja e Uruguaiana.

    As cargas movimentadas pelo Porto de Paranagu compreendem ampla gama deprodutos, merecendo assinalar a concentrao em granis slidos, correspondendo a cercade 75% do volume total embarcado.

    A forte presena do grupo soja, juntamente com o acar, justifica a expressivaparticipao dessa modalidade nas exportaes do Porto de Paranagu.

    Em 2002, dos US$ 4,005 milhes exportados por Paranagu, os embarques do gruposoja somaram US$ 1,862 bilho, seguidos por material de transporte (US$ 919 milhes),madeira (US$ 259 milhes), carnes (219 milhes), cereais (US$ 200 milhes) e acar(US$ 151 milhes).

    As importaes paranaenses registraram queda de 32,4% em 2002, a maior dentreas anotadas pelas unidades federativas, destacando-se como principal causa do supervitcomercial recorde registrado no Estado. As compras somaram US$ 3.333 milhes, fazendocom que a posio do estado casse de terceiro para quarto importador do pas, comparticipao de 7,06%.

    VALOR BRUTO DA PRODUO

    A produo agropecuria ocupa 80% do territrio paranaense e produz riquezasavaliadas em R$ 19 bilhes.

    O Valor Bruto da Produo VBP - a soma de todos os valores produzidos pelaagropecuria do estado em um ano safra e atingiu R$ 19,04 bilhes em 2002, denotando umcrescimento de 29,9% em relao a 2001.

    Para 2003, o Valor Bruto da Produo Agropecuria est estimado em R$ 27,2bilhes.

    O montante gerado pelo VBP, os gros de vero e a pecuria lideram como grandesfontes de receitas do agronegcio paranaense.

    IMPOSTO SOBRE CIRCULAO DE MERCADORIAS E SERVIOS

    A receita do Imposto de Circulao de Mercadorias e Servios ICMS alcanouR$ 4,9 bilhes em 2001, crescimento de 13,3%, em valores correntes, em relao a 2000,tendo o Paran ocupado a 5 posio na arrecadao, dentre as demais unidades dafederao.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    COOPERATIVAS

    expressiva a participao das cooperativas no Paran. So 64 CooperativasAgropecurias, com 110.000 agricultores e faturamento anual de US$ 7,9 bilhes, comaes importantes na rea de assistncia tcnica, crdito, fornecimento de insumos,pesquisa, agroindstria, armazenagem, etc. As cooperativas so responsveis por 67% dasoja comercializada, 35% do milho, 85% do trigo, 57% do leite in natura, 90% do algodo,24% do caf, 15% dos sunos, 27% das aves, 100% da cevada, 23% da cana de acar e 5%do feijo.

    Engenheira Agrnoma Vera da Rocha [email protected]

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    AGRICULTURA ORGNICA

    Hoje em dia percebe-se nas pessoas uma grande preocupao com sade e qualidadede vida. Esses objetivos podem ser alcanados por meio de uma alimentao saudvel e daprtica de exerccios fsicos. No aspecto da alimentao, crescente a demanda porprodutos orgnicos, em funo de suas caractersticas nutricionais e organolpticas e aindapor serem livres de resduos de agrotxicos.

    Segundo dados da International Federation of Organic Agriculture Movements IFOAM - a Agricultura Orgnica Mundial cresce a uma taxa de 20% ao ano. No Brasil e noParan, o crescimento est sendo mais acelerado, em torno de 40% ao ano.

    Muitos fatores tm contribudo para a expanso do setor orgnico, entre os quaismerecem destaque:

    Realizao de eventos; Fortalecimento da conscincia do consumidor; Interesse da Imprensa; Industrializao dos produtos orgnicos; A adoo pelos agricultores.

    O Departamento de Economia Rural DERAL - em conjunto com a EMATER-PR,realiza sistematicamente o levantamento da produo de alimentos orgnicos no Paran,cujo resultado demonstra crescimento firme desta atividade.

    Agricultura Orgnica Paran Evoluo da Produo 1996/97 a 2001/02(em toneladas)

    Agricultura Orgnica Paran Evoluo do nmero de produtores 1996/97 a 2001/02

    ________________________________________________________________________________

    0

    10.000

    20.000

    30.000

    40.000

    50.000

    60.000

    1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02

    Fonte: SEAB/DERAL; EMATER

    0500

    1.0001.5002.0002.5003.0003.5004.000

    1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02Fonte: SEAB/DERAL

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Na safra 2001/2002, a produo totalizou 47.958 toneladas. Este volume 35%maior que o obtido na safra anterior. O crescimento seria mais expressivo no fosse umperodo de estiagem que afetou o rendimento das lavouras de soja, que o principal produtocultivado no sistema orgnico de produo. O Paran o Estado com o maior nmero deprodutores orgnicos.

    Alimentos Orgnicos Paran - Evoluo da Produo - 2000/01 e 2001/02

    Safra 2000/01 Safra 2001/02

    Produtos Produo Produtores rea Produot n ha t

    Soja 11.536 854 7.601 16.282

    Hortalias 2.978 (*) 640 543 4.734

    Cana (acar mascavo) 7.322 165 201 8.840

    Caf 261 (*) 120 741 804

    Frutas 5.500 436 614 5.921

    Plantas medicinais 330 175 255 401

    Erva-mate 396 35 158 480

    Milho 3.748 442 1.544 5.955

    Trigo 412 55 310 506

    Feijo 317 456 564 624

    Arroz 2.389 58 381 2.149

    Mandioca 350 42 79 1.262

    Total 35.539 3.478 12.991 47.958Fonte:SEAB/DERAL; EMATER/PR(*) produo prejudicada pelas geadas de 2000

    A produo de soja orgnica corresponde a um tero do volume total de orgnicos e quase que totalmente exportada. O prmio recebido pelos produtores, por ser um produtode maior valor biolgico, livre de agrotxicos e no transgnico, fica em torno de 50%.Desta forma, mesmo a produtividade mdia sendo menor que a obtida na soja convencional,a rentabilidade da orgnica 31% maior. Este clculo foi feito comparando os custos e ospreos de venda no incio da comercializao da safra 2002/2003. A regio de FranciscoBeltro destaca-se na produo de soja orgnica, seguida pela regio de Ponta Grossa. Asperspectivas so de crescimento.

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    Mapa de Localizao da Produo Orgnica no Paran

    Fonte: SEAB/DERAL/EMATER-PR

    A produo de frutas orgnicas significativa, com destaque para a produo debanana no litoral e caqui na Regio de Curitiba.

    A produo de hortalias orgnicas concentra-se em torno das grandes cidades, comdestaque para Curitiba e Londrina.

    Observam-se plos de produo de acar mascavo nas Regies de Jacarezinho eFrancisco Beltro.

    A Regio Norte sobressai na produo de caf orgnico.Chama a ateno o crescimento ocorrido nas culturas de trigo e milho. Isto era

    esperado e tende a se intensificar, acompanhando o incremento no plantio de soja. Atecnologia de produo orgnica preconiza a rotao de culturas.

    No caso especfico do milho, a produo est sendo alavancada tambm pelocrescimento da produo animal. Esta diversificao necessria para a produo deesterco para compostagem. O leite orgnico, apesar de no poder ser comercializado comotal, pois ainda no tem registro no Ministrio da Agricultura, o principal produto deorigem animal. Alm de leite, existe produo de carne de frango, suno e peixe no sistemaorgnico.

    O setor de alimentos orgnicos tende a se fortalecer. A Agricultura Orgnica, quesurgiu como alternativa, hoje considerada por muitos como uma necessidade. No Paran,86% das propriedades rurais tm rea inferior a 50 hectares, por isso, importanteincentivar atividades que permitem obter maior rentabilidade por rea. Neste aspecto,olericultura, fruticultura, agricultura orgnica e ecoturismo so opes, uma vez que ocultivo tradicional de gros exige escala de produo. A legislao ambiental tambmcontribui a favor da agricultura orgnica.

    ENG AGR MAURICIO TADEU [email protected]

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    ALGODO

    At 1970 ocorreu expanso da rea cultivada com algodo no Paran, calcada noprocesso de ocupao de terras (fronteiras) e atrelada conjuntura do caf. Na safra de1970, o Paran respondia por 29% da produo do pas, com um cultivo de 573.000 ha e umaproduo de 560.000 toneladas de algodo em pluma.

    De 1971 a 1978, a cotonicultura paranaense caracterizou-se pela reduo de reaem decorrncia da expanso da soja, cultura de maior rentabilidade.

    O perodo de 1979 a 1992 pode ser identificado pela expanso da rea e de aumentoda produtividade mdia, em decorrncia da introduo de novas variedades.

    Em 1978, foram introduzidas as cultivares IAC. A produtividade mdia ultrapassoua faixa de 1.100 kg/ha e chegou a 1.900 kg/ha em 1984. Boa produtividade, preo mnimoalto e restrio s importaes resultaram em boas rentabilidades e garantiram a expansoda rea. O Paran chegou a produzir 50% do total do pas.

    Em 1992 plantou-se rea recorde de 705.000 ha, a maior da histria do Paran.

    Naquele ano, as lavouras de algodo empregaram 235.000 trabalhadores rurais egeraram uma receita bruta de US$ 250 milhes que correspondeu a 8% da produoagrcola do Paran.

    A partir de 1992 ocorreu o declnio da cultura no Estado. Preos baixos,concorrncia com produto importado, custo de produo elevado, dificuldade de acesso aocrdito de custeio, endividamento e descapitalizao do produtor de algodo so os fatoresque levaram ao desestmulo e, conseqentemente, reduo drstica de cultivo.

    J no final dos anos 90, a cotonicultura no pas mudou. Ocorreu o deslocamento do plantiodas Regies Sul e Sudeste (Paran e So Paulo) para a Regio Central do Brasil, ondepredomina a cotonicultura competitiva, mecanizada e conduzida empresarialmente. Essatransferncia ocorreu principalmente pelos seguintes fatores: declividade dos solos quepermite a colheita mecnica, reduzindo gastos com mo de obra; maior regularidadeclimtica; plantio em escala, propiciando maiores investimentos nas lavouras e,conseqentemente, melhores produtividades.

    Na safra 2002/2003, o Paran cultivou 30.000 hectares com algodo e produziu25.000 toneladas de pluma. Essa produo gerou 10.000 empregos no campo e umfaturamento de US$ 22 milhes, ou seja, 0,50% do valor bruto da produo agropecuriaparanaense.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Algodo Paran Distribuio Geogrfica da Produo

    Fonte: SEAB/DERAL concentrao da produo

    Algodo Paran - Evoluo da Produo 94/95 - 02/03(em t)

    0100.000200.000300.000400.000500.000600.000

    94/95 95/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02 02/03Fonte: SEAB/DERAL

    Algodo em Pluma Paran e Mato Grosso - Comparativo de Produo 95/96 - 02/03(em mil t)

    O algodo, no Paran, tradicionalmente cultivado por pequenos produtores. Nosltimos anos, em funo das dificuldades conjunturais j citadas, houve uma seleo e spermaneceram na cultura os produtores mais tecnificados.

    Com o apoio das cooperativas, muitos produtores esto adotando colheita mecnica.Na safra 2002/2003, estima-se que 25% da rea tenha sido colhida com mquinas.

    ________________________________________________________________________________

    Safra Brasil Paran % Paran/

    Brasil Colocao

    PR/BR Mato

    Grosso % MT/BR Colocao

    MT/BR 95/96 410,1 119,5 29,1 1 33,1 8,1 5 96/97 305,8 40,4 13,2 3 34,8 11,4 4 97/98 411,0 64,5 15,7 4 94,2 22,9 1 98/99 520,1 38,8 7,5 5 226,4 43,5 1 99/00 700,3 43,0 6,1 6 335,8 47,9 1 00/01 938,0 52,7 6,2 5 450,1 53,1 1 01/02 766,2 31,0 4,1 6 391,3 51,1 1 02/03 850,8 25,0 3,0 6 420,0 0,5 1

    Fonte: CONAB

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Algodo - Paran - Participao dos Ncleos Regionais na Produo 02/03

    Cascavel4%

    Maring8%

    Jacarezinho6%

    Outros19%

    Campo Mouro

    21%

    Toledo10%

    Umuarama21%Ivaipor

    11%

    Fonte: SEAB/DERAL

    Algodo - Comparativo de produtividade entre os principais Estados produtores (em Kg/ha)

    1.500

    2.000

    2.500

    3.000

    3.500

    Paran So Paulo MatoGrosso

    Gois MatoGrosso do

    Sul

    MinasGerais

    Fonte: CONAB

    Na safra 2002/2003, em virtude do clima ter sido favorvel ao desenvolvimento dacultura e pelo uso maior de tecnologia, a produtividade mdia das lavouras paranaenses foide 2.315 Kg/ha. Esta produtividade foi recorde e inferior apenas s obtidas nos Estadosda regio Centro Oeste.

    A cultura do algodo ainda uma excelente alternativa de plantio, principalmente paraaqueles produtores que adotam colheita mecnica e tambm para os que utilizam mo deobra familiar.

    importante que o produtor paranaense intensifique o uso das tecnologiasdisponveis, pois o Paran possui, alm do potencial tecnolgico, outras vantagenscompetitivas como: menor custo de produo; alta fertilidade dos solos; qualidade dacolheita manual; proximidade dos centros consumidores; existncia de dois centros depesquisa e a poca de colheita da safra, que a primeira a entrar no mercado nacional,fatores que podero contribuir decisivamente para a retomada do plantio no estado.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    A regra geral observada na cadeia produtiva do algodo, no Paran, a descontinuidadedo processo produtivo. O produto de uma etapa o principal insumo da etapa seguinte,permitindo que diferentes empresas atuem ao longo da cadeia de forma independente emrelao aos demais segmentos. O elo que dinamiza a cadeia do algodo a indstria defiao.

    No Paran existem 16 fiaes operando com capacidade instalada de produo de80.000 toneladas. As cooperativas possuem 5 fiaes que representam 62% da capacidadetotal instalada no estado. A gerao de emprego equivalente a 1 emprego direto para cada10 toneladas de fio produzido.

    Engenheira Agrnoma Vera da Rocha [email protected]

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    CAF

    A cafeicultura foi introduzida no Paran no incio do sculo passado, mas foi a partirdos anos 50 que teve grande expanso em nosso Estado, motivada pela alta dos preos nomercado internacional, com a cultura passando de 300.000 hectares, em 1951, para 1,6milho de hectares, em 1962.

    Foi na safra 1961/1962 que a cafeicultura paranaense atingiu seu apogeu, quandoforam colhidas 21,3 milhes de sacas de 60 kg, equivalentes a 28 % da produo mundial.

    Por um longo perodo o caf foi o principal gerador de riquezas do Paran,propiciando a fixao do trabalhador no meio rural, alm de contribuir para coroar comxito o modelo de colonizao, tornando as pequenas e mdias propriedadeseconomicamente viveis, numa poca de poucas alternativas de renda.

    No entanto, a tecnologia do cultivo tradicional, sustentada pela alta fertilidadenatural do solo, sistema de colonato, grande disponibilidade de mo-de-obra no campo,acordo internacional de preos altos, subsdios e incentivos governamentais, entre outros,foram perdendo suas bases de sustentao, tornando a cafeicultura ineficiente e poucocompetitiva frente a outras atividades agropecurias.

    O aumento desenfreado da produo teve, como conseqncia, a queda dos preosno mercado internacional, levando o Governo Federal a incentivar programas de erradicaocomo forma de reduzir a produo interna na tentativa de recuperao nos preosinternacionais, pois o Brasil respondia por cerca de 70 % do caf produzido no mundo.

    A situao da cafeicultura foi agravada com as geadas ocorridas em 1975, as quaisdizimaram os cafezais paranaenses, quando a agricultura estadual entrou em uma novafase, com a substituio do caf por culturas como a soja, milho e trigo.

    No incio da dcada de 90, a rea cultivada no Paran voltou aos patamares dosanos 50, situando-se em torno de 430.000 hectares. Os baixos preos recebidos acabaramprovocando um forte desestmulo no setor, com abandono e m conduo dos cafezais, queacabaram gerando baixas produtividades e queda na qualidade do produto, com conseqenteaumento dos custos de produo, agravando ainda mais o processo de descapitalizao doscafeicultores.

    O preo recebido pelos cafeicultores paranaenses na poca referida era de U$50,00 por saca de 60 kg, enquanto que o custo varivel era de U$ 62,00 e o custo total erade U$ 90,00. Com a rentabilidade negativa, as erradicaes foram retomadas. Acafeicultura, tanto no mbito estadual, como nacional e mundial, passava por uma crise semprecedentes, chegando ao fundo do poo em agosto de 1992, quando a saca chegou a sercomercializada no Paran a U$ 34,20.

    Novamente a ocorrncia de geadas foi fator determinante nos rumos dacafeicultura paranaense. Com as severas geadas ocorridas em 1994, o processo deerradicao que j vinha ocorrendo foi acelerado. Um novo modelo tecnolgico comeou aser implantado.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    A cafeicultura entrou em uma nova fase, com o plantio adensado, vislumbrando umcenrio de maiores produtividades e maiores lucros para os cafeicultores.

    Essa nova etapa de renovao e revitalizao dos cafezais foi imprescindvel, diantede um livre mercado mundial, sem acordos de sustentao de preos, competio porprodutividade e, principalmente, qualidade de produto.

    O sistema conhecido como caf adensado tem como objetivos bsicos o aumento darentabilidade e a estabilidade econmica dos produtores, via eficincia produtiva, atravsdo aumento de produtividade, reduo dos custos e melhoria da qualidade do caf.

    A rea do caf adensado, que era de 1.200 ha em 1994, passou para 54.190 ha em2003. Apesar do aumento significativo na rea com caf adensado, a rea total plantada noEstado decresceu. A rea total cultivada na safra 2002/2003 foi de 134.775 ha, 68 %inferior do incio da dcada de 90.

    Caf Paran - Evoluo da rea plantada 1993/94 a 2002/03

    SAFRAREA PLANTADA (ha)

    TRADICIONAL DOBRADO ADENSADO TOTAL

    1993/94 189.219 1.200 190.4191994/95 138.039 3.100 141.1391995/96 131.860 5.000 136.8601996/97 118.000 4.900 18.400 141.3001997/98 110.000 7.200 28.700 145.9001998/99 109.300 8.800 39.000 157.1001999/00 104.567 10.518 48.810 163.8952000/01 94.174 9.213 46.212 149.5992001/02 88.704 10.165 48.266 147.1352002/03 73.832 6.753 54.190 134.775

    Fonte: SEAB/DERAL

    A histria repetiu-se em 2000. Os cafeicultores estavam na iminncia de colheruma safra prxima de 3,0 milhes de sacas, com parte do parque cafeeiro renovado, quandoforam surpreendidos com severas geadas, causando grandes prejuzos e a perda dosignificativo volume de recursos financeiros investidos na atividade. A quebra da safra foide 85 %.

    Aliada a essa reduo na produo paranaense de caf, a cafeicultura tanto estadualcomo nacional, passou por um perodo de srias dificuldades, em funo dos baixos preosdo produto no mercado internacional, ocasionado, principalmente, pelo crescente nvel deoferta.

    Entre 1997 e 2002, a produo mundial apresentou um crescimento de 25 %,enquanto que o consumo cresceu 10 %. Esse descompasso foi o principal fator para que ascotaes internacionais tivessem uma reduo de mais de 60 % durante o perodo.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Nos ltimos 8 anos o Paran colheu, em mdia, 1,8 milho de sacas anuais. O Estadoparticipa com 6 % da produo nacional, a qual situou-se no perodo em 28 milhes de sacasanuais. Historicamente, o Paran posiciona-se como 4 produtor nacional.

    Caf Paran - Evoluo da produo 1995 a 2003(em milhes de sacas)

    -

    0,50

    1,00

    1,50

    2,00

    2,50

    1.995 1.996 1.997 1.998 1.999 2.000 2.001 2.002 2.003Fonte: SEAB/DERAL

    O plantio est concentrado nas Regies Norte e Noroeste do Estado, com destaquepara o Ncleo Regional de Jacarezinho, localizado no Norte Pioneiro, o qual respondeu por20 % da produo estadual em 2003.

    Estima-se que, no Paran, o caf explorado em cerca de 16.000 propriedadesrurais, com uma rea mdia cultivada de 8,4 ha. Cerca de 83 % dos estabelecimentospossuem at 50 ha, os quais respondem por 64 % da rea cultivada no Paran.

    Caf Paran - Participao da produo por Regio - 2003

    OESTE6%

    CENTRO-OESTE

    6%

    NOROESTE12%

    NORTE76%

    Fonte: SEAB/DERAL

    A infra-estrutura do setor caf no Paran composta por uma extensa rede dearmazns, um parque industrial com mais de 130 indstrias de torrefao, moagem esolvel, uma ampla estrutura de Cooperativas de cafeicultores, um Centro de Comrcio deCaf, Bolsa de Cereais e Mercadorias, instituto de pesquisa agronmica, universidades, bemcomo uma ampla rede de assistncia tcnica oficial e privada.

    Esto presentes duas grandes empresas de caf solvel, que processam volumeequivalente a quase totalidade da produo total anual do Estado.

    As empresas, Cacique de Londrina e Iguau de Cornlio Procpio, em conjunto,processam e exportam cerca de 50% do caf solvel brasileiro, agregando expressivo valor receita final no produto embalado para o consumo.

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    A indstria de torrefao no Estado composta por cerca de 130 empresas,predominando o pequeno e mdio porte de capacidade de processamento industrial.

    Engenheira Agrnoma Margorete [email protected]

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    CANA-DE-ACAR

    A base da anlise do setor sucroalcooleiro aborda o perodo de 1995 a 2002, em algumasrelaes Paran/Brasil sob a tica econmica.

    Em 1995, o Brasil e o Paran deram incio ao perodo de expanso da produo eindustrializao do acar e do lcool, bem como, ingressaram de forma duradoura nomercado internacional, com o setor em fase final de desregulamentao estatal (1998).

    O ndice de expanso setorial do Paran bem superior ao do Brasil devido produo de acar, pois, at 1993/1994 era grande a dependncia do abastecimentointerno pelo Estado de So Paulo e, paralelamente, o Paran era especializado na produode lcool.

    O crescimento de 72% em rea, e de 38% na produo de matria-prima, sinalizamum ndice de renovao do canavial de 10% (1995) e de 15% (2002).

    No ranking brasileiro, ao longo da safra 2002, o Paran foi o 3 colocado em rea, o2 em produo de cana, o 2 em lcool e o 3 em acar.

    Cana-de-acar - Paran e Brasil Evoluo da oferta 1995 - 2002

    IndicadoresParan Brasil

    1995 2002 D% 1995 2002 D%PR/BR2002 %

    rea (ha) 255.763 356.560 72,0 4.585.449 5.215.202 14,0 6,8 Produo (milhes t) 20,4 28,2 38,0 305,6 363,7 19,0 7,7 Produtividade (kg/h) 79.878 79.099 (0,9) 66.637 71.377 7,0 -

    Fonte: SEAB/DERAL; IBGE

    Para o caso dos derivados, particularmente o acar, com o abastecimento internosanado, surge a oportunidade do comrcio internacional calcado em preos extremamenteatrativos e remuneradores, ou seja, US$308/t (1995), contra US$153/t recebidos em2002.

    Paralelamente, o ndice de internacionalizao do acar paranaense to acentuadoque passa de uma modesta taxa de 18% para 68% no perodo estudado (1995 2002). OBrasil, que j apresentava uma forte presena internacional (26% em 1992), apresentoutaxas significativas, ou seja, 50 e 59% no perodo estudado. O principal mercado a Rssia,seguido do Egito, Romnia e Canad, que responderam por 40% das compras.

    Setor Sucroalcooleiro - Paran e Brasil 1995 2002

    IndicadoresParan Brasil

    1995 2002 D% 1995 2002 D%PR/BR

    2002 %

    Produo Acar (t) 555.842 1.467.227 164,0 12.652.888 22.381.270 77,0 6,6Produo lcool (m) 886.792 979.822 11,0 12.696.780 12.536.087 (1,3) 7,8Exportao Acar (t) 101.796 1.003.619 886,0 6.298.903 13.354.332 112,0 7,5Preo Acar (US$/t) 313,75 153,37 (52,0) 307,47 156,62 (50,0) -Exportao lcool (m) - 567,5 - - 595.803,5 - 0,1

    Fonte: MDIC DECEX SECEX; Destilarias e UsinasO cultivo da cana-de-acar no Paran, ao norte do paralelo 24, se d em solos

    argilosos e frteis (terra roxa), em menor escala, e nos derrames baslticos (arenito caiu)

    ________________________________________________________________________________ 26

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    predominantemente. A lavoura, pela sua caracterstica de longevidade operacional (6, 7 oumais cortes) apresenta a seguinte correlao estrato de rea/produo fsica: de 100 a500ha (30%), e de 500 e mais ha (54%).

    As Regies de Umuarama, Maring, Jacarezinho, Paranava, e Londrina respondempor 80% da cana paranaense. Percebe-se uma distribuio relativamente uniforme das reasno Estado, fruto da adequao de interesses conjuntos entre Governo Cooperativas Empresas Produtores, com relao ao uso do solo e o impacto na produo regional dealimentos, conforme estudos da SEAB DERAL.

    Cana-de-acar Paran - Distribuio espacial da rea e produo - 2002

    Regio rea (ha) % Produo (t) %

    Apucarana 10.725 3,0 795.093 2,8Campo Mouro 18.000 5,1 1.440.000 5,1Cornlio Procpio 37.800 10,8 2.960.925 10,4Ivaipor 11.036 3,1 927.631 3,2Jacarezinho 44.603 12,8 3.920.710 13,8Londrina 38.549 11,0 3.739.253 13,2Maring 54.000 15,5 4.185.000 14,8Paranava 44.324 12,7 3.500.000 12,4Umuarama 88.400 24,0 6.895.200 24,4Sub-total 347.437 98,0 28.224.310 98,0Paran 356.560 100,0 28.800.316 100,0Fonte: SEAB DERAL; IBGE

    A expanso setorial paranaense se assemelha brasileira, nas 7 ltimas safras, comnfase acentuada na incorporao de novas reas, principalmente na Regio Centro-Oeste.A opo natural pela produo de acar, devido aos atrativos do mercado internacional esegurana dos contratos, vem ocupando o espao at ento destinado ao lcool.

    A funo de produo se manifesta intensamente no perodo atravs das relaesde mercado e o comportamento dos preos internacionais da commoditie acar. Aeconomia canavieira paranaense apresenta um dos melhores desempenhos de toda aproduo vegetal, no componente receita versus rea.

    Paran e Brasil -Setor Sucroalcooleiro - Evoluo 1996 a 2002

    Indicadores1996 2002

    D % PR D % BRrea de cana em h 25,4 9,78Produo de cana em t. 20,3 14,7Oferta de acar em t. 83,6 76,9Oferta de lcool em m -11,8 -1,27Exportao de acar em t. 237,5 146,4Preo mdio de acar exportado em US$/t -46,2 -47,3VBP de cana a preos constantes IGP-DI 11,2 n.d.Rendimento Lavoura (kg/ha) -3,96 6,92Fonte: SEAB DERAL; IBGE; DECEX SECEX

    Economista Disonei [email protected]

    ________________________________________________________________________________ 27

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    FEIJO

    A cultura do feijo destaca-se na agricultura paranaense por ser a quarta em reaplantada (545.300 ha em 2003) e, tambm, a quarta em Valor da Produo (R$ 563,7milhes em 2002). Cultivada principalmente em pequenos e mdios estabelecimentos,responde por boa parte da renda destas propriedades.

    Feijo Brasil Produo dos Principais Estados Produtores 2002/2003(em mil t)

    100

    200

    300

    400

    500

    600

    700

    800

    P aran MinasGerais

    Bahia Gois So P aulo Cear SantaCatarina

    Rio Grandedo Sul

    DemaisEstados

    Fonte: SEAB/DERAL

    O Paran o primeiro produtor nacional. Em 2003, a produo estadual foi de704.000 toneladas, com 21% de participao na produo brasileira.

    Feijo Brasil Participao dos Principais Estados Produtores na Produo 2002/2003

    Paran22%

    Minas Gerais16%Bahia

    12%Gois

    8%So Paulo

    7%

    Demais Estados

    18%

    Cear7%

    Santa Catarina

    6%

    Rio Grande do Sul

    5%

    Essa leguminosa cultivada em todas as Regies do Estado, sendo importante na absorode mo-de-obra, tanto familiar como contratada.

    ________________________________________________________________________________ 28

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    De acordo com o ltimo Censo Agropecurio, o Paran possui 154.000 produtores defeijo.

    O plantio est distribudo ao longo do ano em trs safras distintas. A 1, e de maiorrea de cultivo, a safra das guas, com plantio de agosto a novembro. Cerca de 70% daproduo paranaense, em 2003, foi oriunda desta 1 safra.

    A 2 safra, conhecida como safra da seca, teve participao de 28% na produo total doestado e a 3 safra, de inverno, participou com 2%.

    Feijo (guas, seca, inverno) Paran - Distribuio Geogrfica da Produo

    guas Seca Inverno

    Fonte: SEAB/DERAL concentrao da produo

    Na 1 safra destaca-se a produo da Regio Centro-Sul do Paran Curitiba, PontaGrossa, Irati, Guarapuava e Unio da Vitria, com 59% de participao na produo.

    Feijo das guas Paran - Participao Regional na Produo Estadual 2002/2003

    Norte21%

    Noroeste1%Oeste

    4%Sudoeste8%

    Centro-Sul64%

    Centro-Oeste2%

    ,

    Fonte: SEAB/DERAL

    A produtividade mdia, nesta 1 safra, tem se situado entre 1.100 e 1.200 kg/ha.

    A 2 safra caracteriza-se pela maior utilizao de tecnologia, com destaque para asRegies de Ponta Grossa e Jacarezinho, onde concentra-se 41% da produo, predominandoo plantio de lavouras altamente tecnificadas. Da utilizao de sementes melhoradas,

    ________________________________________________________________________________ 29

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    agrotxicos, plantio direto e colheitas semi-mecanizadas, resulta uma produtividade mdiade 1.500 Kg/ha, existindo lavouras que atingem produtividades superiores a 2.000 kg/ha.

    Feijo da Seca Paran - Participao Regional na Produo 2002/2003

    Centro-Oeste4%

    Centro-Sul 52%

    Sudoeste17%

    Oeste7%

    Norte20%

    ,

    Fonte: SEAB/DERAL

    A terceira safra, com plantio de abril a junho, est concentrada nas Regies Norte eNoroeste do estado.

    Feijo Paran - Evoluo da Produo 98/99 a 02/03(em mil t)

    200

    300

    400

    500

    600

    700

    98/99 99/00 00/01 01/02 02/03

    Fonte: SEAB/DERAL

    Cerca de 50% da produo de feijo do Paran da classe preto e 50% da classecor. Aproximadamente 230.000 toneladas so consumidas no prprio estado, o restantetem como principais mercados o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, que demandam ofeijo preto. O feijo de cor tem como destino o mercado de So Paulo, de onde redistribudo para todo o Brasil.

    O Paran apresenta uma vocao indiscutvel para a explorao do feijo. Aps tersido relegado a reas com menor capacidade produtiva em meados da dcada de 70, dandolugar cultura da soja, importantes transformaes ocorreram com a cultura. A partir deento, a produtividade mdia estadual saiu de um patamar de 600 a 700 kg/ha para osatuais 1.200 a 1.400 kg/ha, resultado da evoluo da pesquisa, maior adoo de tecnologia eprofissionalizao do produtor de feijo em todo o Estado.

    Engenheiro Agrnomo Richardson de [email protected]

    ________________________________________________________________________________ 30

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    FRUTAS

    A insero do Paran na fruticultura brasileira ainda modesta, ocupando a dcimaposio em volume produzido. A diversidade de solos e clima permite uma ampla gama decultivo de espcies frutcolas tropicais, subtropicais e temperadas. Oitenta por cento dasespcies cultivadas so tropicais e subtropicais. A proximidade com o Paraguai e aArgentina abre possibilidade de exportao dentro do esprito de unidade regional traadapelos acordos do MERCOSUL.

    A qualidade da mo-de-obra essencial na conduo da atividade nas propriedadesrurais e um fator limitante para a expanso da fruticultura no Estado.

    Das mais de vinte principais frutferas cultivadas, a produo do Paran, totalizou1.410.336 toneladas em 2001/2002. Os ctricos - laranja, limo e tangerinas - representam49,7% do volume produzido, a banana 11,5%, a melancia 7,7%, e a uva fina de mesaresponde por 5,3% do total.

    As frutas representam 2,5% e perfazem um total de R$ 470 milhes no Valor Brutoda produo. Cada hectare cultivado com frutas teve, em 2002, uma renda mdia oito vezessuperior obtida como os gros. Cerca de 35.000 produtores cultivam 60.000 hectarescom rea mdia equivalente a 1,7 hectares.

    Frutas Paran Evoluo da Produo 96/97 a 01/02(em mil t)

    As Uvas Finas de Mesa, cuja participao no volume produzido de apenas 5,3%,destacam-se no VBP, pois representaram 16.6% do valor total das frutas.

    ________________________________________________________________________________

    0

    200

    400

    600

    800

    1.000

    1.200

    1.400

    1.600

    96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02.

    FONTE: SEAB/DERAL

    31

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Frutas Paran Volume produzido das principais espcies 2001/2002(em %)

    A ma foi a fruta com maior rea plantada no estado no incio da dcada de 80 econtribuiu com apenas 2,3% do total do volume produzido em 2002. Palmas, o principalmunicpio produtor de ma, comea a investir tambm na produo de uva.

    As Regies de Curitiba, Paranava, Maring e Paranagu tm sua representatividade naproduo estadual, associada a uma espcie frutfera: tangerina, laranja, uva fina e banana,respectivamente. As Regies de Cornlio Procpio e Cascavel tambm so importantesprodutoras de banana.

    O cultivo de laranjas no Noroeste visa o esmagamento para a produo de Suco deLaranja Concentrado e Congelado SLCC. As tangerinas, no Vale do Ribeira, ao norte dacapital, tm como destino o mercado de frutas frescas.

    Entre trabalhos permanentes e temporrios nos pomares, cada R$10.000 aplicadosna fruticultura geram cerca de 3 empregos diretos e 2 indiretos, segundo a Confederaoda Agricultura e Pecuria do Brasil CNA - denotando sua importncia como uma atividadegeradora de empregos no campo, minimizando os impactos sociais urbanos.

    Constata-se que ocorre significativo desperdcio de frutas nos canais decomercializao ocasionado por questes sanitrias na manipulao, transparncia deembalagens, inadequao de transporte, inadequao de packing house. Esses problemaselevam o custo do produto paranaense, que perde a competitividade em relao s frutasque vm de outros estados. No ano de 2002, somente vinte por cento das frutascomercializadas na CEASA-PR foram originrias do Paran.

    A utilizao de mo-de-obra qualificada nos pomares, o uso de tecnologia de pontana conduo, as possibilidades de transformao, agregando valor produo, alm dosaltos rendimentos so a base da fruticultura

    O Paran tem um grande potencial para a explorao da fruticultura comercial, poissua localizao estratgica, em relao aos centros consumidores das regies Centro-Sul dopas e do Mercosul, bem como a Comunidade Europia U.E associado pujana de seusfruticultores, faz com que sejamos agressivos neste segmento de mercado.

    ________________________________________________________________________________

    2623

    12

    1

    85

    21

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    PESSEGO MAA . UVA . LARANJA TANGERINA BANANA MORANGO MELANCIA

    FONTE: SEAB/DERAL

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    As mudanas de paradigma no agribusiness nacional faro com que o Paran reveja asua posio de estado eminentemente produtor de gros e carnes, momento em que afruticultura poder alavancar um ciclo econmico no estado, gerando incluso social e dandocondies econmicas para o produtor manter-se no campo, no aglutinando pessoas noscentros urbanos, bem como, propiciando o aumento do ndice de Desenvolvimento Humano.

    Engenheiro Agrnomo Rodrigo Aquino de [email protected]

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    FUMO

    Apesar da forte presso antitabagista na maioria dos pases, a fumicultura temexercido papel relevante no Paran, principalmente na regio Sul, onde predomina a pequenapropriedade. Tpica de agricultura familiar, a cultura emprega grande contingente de mo-de-obra no campo e, posteriormente, nas estufas ou nos galpes.

    Fumo Paran - Distribuio Geogrfica da Produo

    Fonte: SEAB/DERAL concentrao da produo

    No Paran, a cultura do fumo havia praticamente se estabilizado em torno de35.000ha com uma produo prxima de 65.000 toneladas. Entretanto, nas trs ltimassafras, os excelentes preos impulsionaram o aumento de plantio e na safra 2002/2003 area plantada j atingiu 49.000 ha e uma produo de 102.000 toneladas de fumo em folha.

    Fumo Paran Evoluo da Produo 96/97 a 02/03(em t)

    50.00060.00070.00080.00090.000

    100.000110.000

    96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02. 02/03.

    Fonte: SEAB/DERAL

    Com um total de 635.000 toneladas, relativas s variedades virginia, burley e galpocomum, a um preo mdio de R$3,85/kg, a produo sulbrasileira da safra 2002/2003resultou numa receita bruta de R$ 2.47 bilhes ou, seja, 37% superior safra de2001/2002.

    A exportao brasileira de fumo beneficiado, que no ano de 2001 foi de 435.395toneladas e rendeu US$921,1 milhes, em 2002 atingiu um volume de 464.862 toneladasque renderam US$ 977,67 milhes.

    Atualmente 171.000 produtores de fumo esto envolvidos nos trs estados daRegio Sul, sendo 80.000 no Rio Grande do Sul, 57.000 em Santa Catarina e 34.000 no

    ________________________________________________________________________________

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Paran. Segundo a Associao dos Fumicultores do Brasil AFUBRA - 67% dos produtoresplantaram o fumo virgnia, na safra 2002/2003, 31% o burley e 2% o galpo comum.

    Na ltima safra, a Regio Sul participou com 97% da produo nacional,destacando-se o Rio Grande do Sul com 48%, Santa Catarina com 35% e o Paran com 17%.

    Em relao produtividade, no existe uma variao significativa entre os estadosprodutores, uma vez que a explorao fumcula funciona totalmente integrada s indstriase estas por sua vez adotam um pacote tecnolgico praticamente igual, resultando emrendimentos semelhantes a 1900kg/ha.

    A exceo da Companhia Souza Cruz, que possui uma indstria em Rio Negro PR -todas as demais fumageiras do Paran enviam a sua produo para outros estados, emespecial para Santa Cruz do Sul RS, onde se concentram as principais indstrias de fumo.

    Fumo - Paran - Participao dos Ncleos Regionais na Produo Estadual 2002/03

    Ponta Grossa

    16%Francisco Beltro

    17%

    Irati24%

    Outros9%Cascavel

    12%

    Unio da Vitria

    8%

    Guarapuava6%

    Curitiba8%

    A atividade fumcula do Paran participou na safra de 00/01 com 1,01% do ValorBruto da Produo e no ano seguinte passou para 1,1%. O plantio de fumo, em pequenaspropriedades, chega a alcanar at 80% da renda familiar, ou seja, est se tornando umaalternativa em especial para os que possuem pouca disponibilidade de terra.

    Economista Methodio Groxko [email protected]

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    MANDIOCA

    A cultura da mandioca, no Paran, aps sucessivos aumentos, iniciados na dcada de80, teve a sua trajetria interrompida em 2003, quando registrou uma reduo de 22% narea colhida, ou seja, 111.000 ha contra 143.000 ha colhidos na safra de 2002. Estainverso ocorreu basicamente em funo de:

    a) Condies climticas favorveis durante os 3 ltimos anos permitiram a recuperaodas safras do Nordeste ;

    b) Com a produo normalizada, o Nordeste tornou-se auto-suficiente noabastecimento de farinha e o Paran perdeu o seu principal mercado;

    c) Com a falta de mercado, os preos tiveram forte queda e no cobriam sequer oscustos de produo da raiz e seus principais derivados como a farinha e a fcula;

    d) Essa situao, que se iniciou em meados de 2001, permaneceu at o final desetembro de 2002 e resultou na forte reduo de plantio da safra 2002/2003;

    e) A partir de outubro de 2002, os preos comearam a reagir, mas, o perodo deplantio j havia se esgotado e a rea plantada foi de apenas 111.000 ha e a produoem torno de 2.300.000 toneladas de mandioca em raiz.

    Mandioca Paran - Distribuio Geogrfica da Produo

    Fonte: SEAB/DERAL concentrao da produo

    O cultivo de mandioca normalmente ocorre nas pequenas propriedades, exceo dealgumas safras motivadas por altos preos, em que aparecem grandes produtores. Destaca-se tambm o plantio em terras arrendadas, principalmente na renovao das pastagens, nosNcleos Regionais de Paranava e Umuarama. A mandioca contribui com 1,3% do Valor Brutoda Produo e conta com 65.000 produtores em nosso estado.

    Mandioca - Paran - Evoluo da Produo - 96/97 - 02/03(em 1000 t)

    2.5002.7002.9003.1003.3003.5003.7003.900

    96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02. 02/03.

    Fonte: SEAB/DERAL

    ________________________________________________________________________________ 36

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    A produtividade tem variado entre 20.000 e 22.000 kg/ha, o que representa umalarga vantagem se comparada com a mdia nacional que de 13.000 kg/ha. Esta diferena resultante de clima e solo favorveis e, tambm, do uso de melhor tecnologia, em especialnas regies em que se concentram as indstrias.

    Mandioca Principais Estados produtores - Comparativo de produtividade - 2002(em Kg/ha)

    7.000

    10.000

    13.000

    16.000

    19.000

    22.000

    PR RS CE MA BA PA BR

    Fonte: SEAB/DERAL

    Mandioca Paran - Participao dos ncleos regionais da SEAB na produo 2003

    Cascavel12%

    C. Mouro9%

    Outros18%

    Paranava20%

    Umuarama20%

    Toledo13%

    Fco Beltro8%

    A produo de fcula vem apresentando um forte crescimento e o Paran continuasendo o principal produtor, com 480.000 toneladas no ano passado, ou seja, 72% do volumebrasileiro. Enquanto praticamente toda a produo de farinha e de fcula destinada aosestados nordestinos, So Paulo e Rio de Janeiro, pelo menos 30% da fcula transformadaem produtos modificados e cerca de 5% da produo exportada para outros pases.

    ________________________________________________________________________________ 37

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Fcula de mandioca Brasil - Participao da produo por Estado 2002

    Fonte: ABAM

    So Paulo6%

    Paran74%

    Mato Grosso do Sul18%

    Santa Catarina

    2%

    O Paran conta com o maior e o mais moderno parque industrial do pas. Atualmenteexistem 41 indstrias de fcula no estado, todas de mdio e grande porte e ainda cerca de120 farinheiras, cuja localizao se concentra basicamente nos Ncleos Regionais deParanava, Campo Mouro, Umuarama e Toledo.

    A distribuio geogrfica das fecularias a seguinte: Toledo 15; Paranava 10;Umuarama 7; Campo Mouro 5 e outras 4 nas demais regies do estado, totalizando 41.

    Economista Methodio [email protected]

    ________________________________________________________________________________ 38

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    MILHO

    O milho tem fundamental importncia econmica e social no Paran, a considerar onmero de pessoas envolvidas em sua cadeia produtiva, o valor bruto da produo e a reacultivada, sendo o cereal mais produzido no estado, respondendo por 47% da produo totalde gros. Recentemente, o milho passou a fazer parte no conjunto das exportaesparanaenses.

    O Paran, alm de ser o principal produtor de milho do pas, figura como tradicionalfornecedor no mercado interno, respondendo nos ltimos anos por 25 % da oferta naprimeira safra e 50 % na segunda.

    A rea cultivada no estado na safra 2002/2003 foi de 2,8 milhes de hectares,somando-se a safra normal e a safrinha.

    Milho Safra Normal e Safrinha - Brasil e Paran rea Colhida e Produo Obtida 2002/03

    Safra Normal Safrinha

    rea(ha)

    Produo (t)

    %rea

    %Produo

    rea(ha)

    Produo(t)

    %rea

    %Produo

    Brasil 9.684.500 34.771.000 - - 3.532.700 12.797.300 - -

    Paran 1.473.976 8.360.444 15,2 24 1.360.310 5.900.000 38 46Fonte: CONAB; SEAB/DERAL

    A produo paranaense foi recorde em 2003 totalizando 14,2 milhes detoneladas, sendo 8,3 milhes na safra normal e 5,9 milhes na safrinha.

    Milho Paran Evoluo da Produo 96/97 02/03(em milhes de t)

    O valor bruto da produo de milho em 2003 est estimado em R$ 3,5 bilhes, oque representa 13 % do valor bruto total da produo agropecuria do Paran.

    ________________________________________________________________________________

    -

    4,00

    8,00

    12,00

    16,00

    93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03

    Fonte: SEAB/DERAL

    39

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    A cultura do milho envolve cerca de 200.000 produtores, gerando cerca de 70.000empregos no campo, sem computar a mo-de-obra utilizada no complexo industrial, mais osempregos indiretos.

    Aproximadamente 30% da produo de milho, no Paran, oriunda de propriedadescom rea inferior a 50 ha.

    Grande parte do milho produzido no Paran consumido no prprio estado,destinandose s atividades pecurias, mais especificamente para a avicultura esuinocultura. Estas atividades, em conjunto, absorvem de 40% a 50% do volume ofertado.

    Historicamente, cerca de 20% da produo paranaense era vendida para outrosestados. Neste ano, com o aumento da oferta tambm nos estados tradicionalmentedemandadores de milho do Paran, o volume de vendas est estimado em 5%.

    Nos ltimos trs anos, o Paran conquistou um importante mercado, o daexportao. Em 2001, cerca de 32 % da produo estadual foi vendida para outros pases.O Paran exportou 4,12 milhes de toneladas de milho, gerando uma receita de US$ 361milhes, o que representou 7% do total das vendas externas do Estado.

    Para 2003, a estimativa de que o Paran exporte um volume de 3 milhes detoneladas.

    Dada a versatilidade do uso deste cereal, com possibilidade de produo de mais de500 subprodutos, o milho bem aproveitado no Paran, que detm cerca de 47 % dacapacidade total de moagem instalada no Brasil. Dentre os produtos industrializados,destacam-se: o farelo de milho, o leo bruto e o refinado, a rao, o fub e a farinha.

    Devido ampla adaptao da espcie, o cultivo do milho est presente em todas asregies do estado.

    Na primeira safra, a Regio Centro Sul concentra 48 % da produo total, comdestaque para os ncleos regionais de Ponta Grossa, Guarapuava e Curitiba, com produesde 1,1 milho, 849.000 e 666.000 toneladas, respectivamente.

    A produtividade mdia da cultura do milho, no Paran, na ltima safra, foi de 5.628kg/ha na primeira safra, aproximadamente 57% superior mdia nacional que de 3.590kg/ha.

    A adoo de tecnologia faz do Paran um dos estados com maior rendimento porrea. Nas Regies de Toledo e Cascavel a produtividade supera 7.000 kg/ha.

    ________________________________________________________________________________ 40

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Milho Normal - Paran - Participao das regies na produo estadual safra 2002/2003

    Fonte: SEAB/DERAL

    Durante os ltimos 10 anos a rea da safra normal apresentou um recuo de 36 %.No incio da dcada de 90, a rea girava em torno de 2,2 milhes de hectares. Nos ltimos5 anos, a rea mdia de cultivo foi de 1,5 milho de ha. J a produo, analisandose omesmo perodo, apresentou um crescimento de 10%, resultado do crescimento emprodutividade.

    Milho Safra Normal Paran - Evoluo da rea plantada 92/93 a 02/03(em milhes de ha)

    O principal fator que influenciou na reduo do plantio de milho na safra normal foia opo pela cultura da soja devido sua liquidez constante, a boa rentabilidade e afacilidade de comercializao da oleaginosa

    A rea da safrinha de milho apresentou um comportamento inverso, crescendo 287% nos ltimos 10 anos e a produo cresceu 685%.

    O incremento no plantio da safrinha deu-se por uma srie de fatores: poucas opesde cultivo de inverno; desestmulo com a cultura do trigo; possibilidade de oferta naentressafra, com preos atraentes e menor custo de produo.

    ________________________________________________________________________________

    1,0

    1,3

    1,6

    1,9

    2,2

    2,5

    2,8

    92/93 93/94 94/95 96/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02. 02/03

    Fonte: SEAB/DERAL

    Noroeste3%

    Norte17%

    Sudoeste19%Centro-Oeste

    4%

    Oeste9% Sul

    48%

    41

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Milho Safrinha Evoluo da rea plantada no Paran 92/93 a 01/03(em milhes de ha)

    Verifica-se uma crescente preferncia dos produtores das Regies Norte, Oeste eCentro Oeste do estado, pelo cultivo da safrinha em detrimento da safra normal. Naquelasregies, considerando as duas safras, cultiva-se 1,5 milho de ha de milho, sendo que 73%da rea plantada na safrinha. Destacam-se as Regies de Toledo, com produo de 1,5milho de toneladas, Campo Mouro com 1,06 milho de toneladas e Cascavel com 950.000toneladas.

    Milho Safrinha Paran - Participao das regies na produo 2002/2003Sudoeste

    6%

    Oeste42%

    Centro-Oeste17%

    Sul3%

    Noroeste5%

    Norte27%

    Fonte: SEAB/DERAL

    Analisando os ltimos 10 anos, com exceo das safras que apresentaram quebra naproduo, nota-se um crescimento de 57 % na produtividade mdia, na primeira safra e de63% na safrinha.

    Milho Safra Normal Principais Estados Produtores - Produtividade Mdia 2002/2003(em Kg/ha)

    -1.0002.0003.0004.0005.0006.000

    Brasil Paran M. Gerais R.G.doSul

    So Paulo SantaCatarinaFonte: SEAB/DERAL

    ________________________________________________________________________________

    0,0

    0,2

    0,4

    0,6

    0,8

    1,0

    1,2

    1,4

    92/93 93/94 94/95 96/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02. 02/03fonte: SEAB/DERAL

    42

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Milho Safrinha Principais Estados Produtores - Produtividade Mdia 2002/2003(em Kg/ha)

    -

    1.000

    2.000

    3.000

    4.000

    5.000

    Brasil Paran M.Grosso Gois M.G. doSul

    SoPauloFonte: SEAB/DERAL

    Na safrinha 2002/2003 destacaram-se as produtividades das Regies de CampoMouro 4.500kg/ha, Cascavel 4.970 kg/ha e Toledo 5.200 kg/ha.

    As caractersticas da comercializao do milho, historicamente com baixa liquideze mercado de consumo restrito s cadeias pecuaristas, geraram incertezas a respeito daviabilidade econmica da cultura. Os preos no mercado interno, at a safra 2000/2001,relacionavam-se diretamente com a quantidade demandada pelo setor pecuarista, maisprecisamente pela avicultura e a suinocultura.

    Nesse meio tempo no houve uma poltica nacional que garantisse o abastecimentodo cereal, tampouco um acordo entre o setor produtivo e o setor pecuarista acerca de umpreo justo para ambas as partes.

    Antes da desvalorizao cambial, em caso de reduo na produo, o milho argentinopoderia ser facilmente internalizado.

    Face aos riscos inerentes atividade e perda acumulada no perodo, devido baixaremunerao do produto, alm da indefinio do segmento demandador de milho, quanto aum preo base que estimulasse o plantio, tornou-se difcil para o produtor apostar nacultura, da as seguidas redues de rea na safra normal no Paran e a opo pela soja.

    Cada vez mais o abastecimento de milho est atrelado produo da segunda safra,que uma safra de risco, provocando instabilidade na oferta.

    Atualmente, a poltica para a importao de milho tornou-se restrita devido cotao do dlar e a possibilidade de aquisio de milho transgnico, no liberado no Brasil,aliado a isso, com a insero do Brasil no mercado internacional como exportador de milho,formou-se uma nova conjuntura e o produto nacional passou a ser mais valorizado com acotao do dlar influenciando nos preos no mercado interno.

    Engenheira Agrnoma Vera da Rocha [email protected]

    ________________________________________________________________________________ 43

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    SOJA

    A soja uma cultura milenar, mas ganhou destaque econmico apenas na segundametade do sculo XX e, no incio da dcada de 1970, quando ocorreu a maior alta nos preosinternacionais, o seu plantio disparou no Paran.

    O Paran o 2 produtor nacional, participando com cerca de 21% no totalproduzido e os rendimentos mdios obtidos, ao redor de 3.000 kg/ha, esto entre asmaiores mundiais. Atualmente, a soja em gro participa com cerca de 22,4 % no Valor Totalda Produo Agropecuria do Paran e o complexo: gro, farelo e leo, com 34 %,aproximadamente, do valor total arrecadado nas exportaes.

    Segundo dados do ltimo Censo Agropecurio do IBGE, em 1996, 69.738 produtoresestavam envolvidos com a cultura no Paran e o tamanho mdio da propriedade era de 32,4ha. Atualmente, devido expanso da rea, o estado possui ao redor de 100.000produtores.

    Soja Paran - Evoluo da Produo 98/99 02/03(em milhes de t)

    Anteriormente a 1996, ano em que a cobrana de ICMS foi desonerada dasexportaes pela Lei Kandir, a rea estadual variava em torno de 2,1 milhes de ha.Atualmente ela supera os 3,5 milhes de ha, graas aos ganhos de preo interno provocadospelo aumento do dlar e tambm por causa do recuo da rea de milho da safra normal quevem sendo substitudo pelo cultivo de milho na safrinha, aps a colheita da soja.

    Soja Paran - Participao das Regies na Produo - 02/03

    Norte26%

    Oeste24%

    Centro Oeste16%

    Sudoeste11%

    Sul19%

    Noroeste4%

    Fonte: SEAB/DERAL

    ________________________________________________________________________________

    6,0

    7,08,0

    9,0

    10,011,0

    12,0

    98/99 99/00 00/01 01/02 02/03

    Fonte: SEAB/DERAL

    44

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Foi com a sojicultura que as lavouras mecanizadas tiveram significativa expanso,trazendo considervel mudana tecnolgica, principalmente atravs do Programa de Manejoe Conservao de Solos, fomentado pelo governo estadual que estimulou a ao integradaem micro bacias hidrogrficas.

    O avano da conservao dos solos; o plantio direto, que abrange acima de 80,0% darea cultivada com soja; a correo dos solos; o manejo de pragas e o uso de variedadesconstantemente melhoradas pelos rgos de pesquisa, resultaram em significativo ganho norendimento mdio das lavouras. A mesma passou de mdias prximas a 2.100 kg/ha, no incioda dcada de 1990, para cerca de 3.000 kg/ha, nos ltimos anos.

    Os rendimentos conseguidos nos campos do Paran esto entre os maiores do pas e,se comparados s mdias internacionais, perdem apenas para os obtidos pela UnioEuropia, cuja rea equivale a menos de 10,0% da paranaense.

    Soja Brasil e Paran - Evoluo da produtividade mdia - 1975 - 2003(em kg/ha)

    De modo geral, a agricultura do estado praticada em solos bons, sendo que agrande maioria, cerca de 90,0%, do grupo dos Latossolos ou Terra Roxa Estruturada,possuindo alta fertilidade natural.

    Soja Paran - Distribuio Geogrfica da Produo

    Fonte: SEAB/DERAL concentrao da produo

    Devido s condies edafoclimticas e ao modelo tecnolgico, pouco variveis aolongo do estado, adicionadas ao uso eficiente dos fatores de produo habitual entre osprodutores, os bons rendimentos tm sido constantes, porm, a maior concentrao dasplantaes est nas regies: Norte e Oeste.

    O municpio de Cascavel, no oeste, tem se mantido na primeira posio, tanto emrea colhida, como em produo obtida, ficando ocasionalmente atrs de Assis

    ________________________________________________________________________________

    1.000

    1.500

    2.000

    2.500

    3.000

    3.500

    75 78 81 94 87 90 93 96 99 02Fonte: SEAB/DERAL

    Brasil

    Paran

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  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Chateaubriand ou de Toledo, os quais, normalmente, tm se alternado na segunda e naterceira posio.

    Soja Paran Principais Municpios Produtores 01/02

    Ranking em rea em Produo em RendimentoMunicpio hectares Municpio toneladas Municpio kg/ha

    1 Cascavel 74.000 A. Chateaubriand 217.558 Missal 3.7002 A. Chateaubriand 70.180 Cascavel 214.600 Serranpolis do Igua 3.7003 Toledo 66.000 Toledo 213.180 Quatro Pontes 3.6004 Castro 60.000 Castro 189.000 Palotina 3.5005 Tibagi 56.000 Tibagi 173.600 Santa Helena 3.500

    Fonte: SEAB/DERAL

    A capacidade instalada das indstrias paranaenses para moagem de soja deaproximadamente 8,6 milhes de toneladas ao ano, 26% do total nacional, sendo que amoagem efetiva gira em torno de 8,0 milhes de toneladas anuais. Sendo o estado umimportante exportador de soja em gro, faz-se necessrio s indstrias comprar de outrosestados, para complementar suas demandas.

    Da produo total, cerca de 48,0% esmagada no estado, 48,0% exportado e4,0% reservado para semente.

    A soja tem sido uma cultura marcante no cenrio estadual, desenvolvendo aagricultura e gerando renda em toda a cadeia. Pela sua vasta e crescente gama deutilizaes, dever manter importncia econmica durante este sculo.

    Engenheiro Agrnomo Otmar Hubner [email protected]

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    TRIGO

    O Paran o principal produtor de trigo do pas e participa com mais de 50% dototal nacional.

    H milnios que o trigo se destaca mundialmente, graas sua importncia alimentare, nos campos paranaenses, devido poca de seu cultivo, durante o perodo de inverno,aparece como a principal opo a contribuir para a viabilizao econmica das propriedades.

    Trigo Paran - Distribuio Geogrfica da Produo

    Fonte: SEAB/DERAL concentrao da produo

    O auge da triticultura estadual ocorreu em meados da dcada de 1980, quando,entre 1986 e 1989, colhia-se uma rea mdia de 1,8 milho de hectares, atingindo 3,25milhes de toneladas em 1987 e 1998. Depois houve significativa reduo, tanto que, em2000, colheu-se 502.237 hectares. Atualmente, a rea cultivada mostra tendncia derecuperao e, principalmente, est ocorrendo aumento do rendimento mdio.

    Trigo Paran - Evoluo da Produo 98/99 a 02/03(em milhes de t)

    -0,51,01,52,02,53,0

    98/99 99/00 00/01 01/02 02/03

    Fonte: SEAB/DERAL

    Conforme o CENSO Agropecurio do IBGE (1995 1996), havia 18.814 produtoresna atividade no Paran, numa rea mdia de 25,5 hectares. Atualmente, devido expansoda rea, cerca de 45.000 produtores devem estar na triticultura. O consumo paranaenseest prximo de 900.000 toneladas por ano e o excedente exportado para outrosestados.

    O Norte do Paran tem se destacado como a principal regio produtora, com cercade 43 % da rea total, na safra 2002/2003.

    ________________________________________________________________________________ 47

  • _______________________________________________________DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL

    Trigo Paran - Participao das Regies na Produo - 02/03

    Norte43%

    Oeste19%

    Centro Oeste11%

    Sul18%

    Sudoeste8%

    Noroeste1%

    Fonte: SEAB/DERAL

    A fertilidade dos solos paranaenses, o padro tecnolgico dos produtores e osavanos disponibilizados pelos rgos de pesquisa, oficiais e privados, alm do vasto eexcelente quadro tcnico, tm contribudo para que, dentro da srie histrica, aprodutividade mdia estadual tenha sido superior nacional.

    Trigo Brasil e Paran - Evoluo da produtividade mdia 1975 a 2003(em Kg/ha)

    500

    800

    1.100

    1.400

    1.700

    2.000

    2.300

    75 78 81 84 87 90 93 96 99 02Fonte: SEAB/DERAL

    Brasil

    Paran

    Durante a ltima dcada, o Brasil tornou-se um dos principais importadores detrigo. Em 2003 produzir aproximadamente 50,0% do consumo total. O Paran, cujaproduo representa cerca de 52,0% do total nacional, exporta o seu excedente paraoutros estados da unio.

    A capacidade industrial aparente instalada para moagem de trigo no Paran deaproximadamente 1,9 milho de toneladas anuais, distribuda em 53