Princípios de Direito Coletivo Do Trabalho

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    12-Sep-2015

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Princpios de Direito Coletivo Do Trabalho

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PRINCPIOS DO DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

rezado Prof. Nojiri,

Na ltima tera-feira (23/10), aps pegarmos o documento assinado pelo senhor para liberao da verba ao Coletivo Feminista Capitu, dirigimo-nos ao departamento financeiro. L, no entanto, nos disseram que no poderiam efetuar a liberao, visto que no possvel realizar desembolsos. A explicao dada foi que tnhamos que ter levado o documento com o pedido antes da apresentao da pea, assim como somente a faculdade poderia ter feito a compra do material utilizado pelo grupo.Alm desse problema, estamos diante de outro, ainda mais complicado. Nosso intuito era devolver o valor que havamos pedido para o grupo de Maracatu (em nosso pedido, constam o valor gasto com o material usado para confeccionar os cartazes e a bandeira, e o valor que custearia a apresentao do grupo de Maracatu), pois eles no puderam participar do evento. Entretanto, descobrimos, na tera-feira, atravs do diretor da pea, que houve um equvoco, e a apresentao no havia sido gratuita (eles esto cobrando R$ 300,00). O valor que havamos pedido ao DFB era de R$ 304,00, e nos seria muito til diante do imprevisto.A funcionria do departamento financeiro disse que poderia nos ajudar, desde que apresentssemos nota fiscal. A Cia. de Teatro disse que poderia fornecer a nota. Para tanto, todavia, teramos que reformular o pedido tambm, pois a pea no consta no anterior. No sabemos se isso possvel, sobretudo em funo da data (sua assinatura em 4 de Outubro est respaldando a possibilidade de fornecimento da verba sem que se considere reembolso...).O senhor poderia nos ajudar? Estamos sem saber o que fazer...Gratas pela ateno.Coletivo Feminista Capitu

PRINCPIOS DO DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

Messias Pereira Donato, Cadeira n. 34* O desenvolvimento do tema requer duas observaes preliminares, voltadas para seu contedo.

A primeira delas diz respeito ao significado da expresso Direito coletivo do Trabalho. Trata-se, na realidade, de uma das divises do Direito do Trabalho e no de ramo de direito autnomo ou de tendncia a tornar-se autnomo. Da que os princpios objeto da dissertao, apesar de seu relevante nvel de especificidade, so de fato, princpios do Direito do Trabalho, relativos s relaes coletivas de trabalho.

A segunda observao est em que tais princpios especficos coexistem com os princpios gerais do Direito do Trabalho de correlao mais ntima com as relaes individuais de trabalho, com destaque para a abrangncia do Princpio de Proteo, cuja tnica se revela em doses fortes tanto nas relaes individuais como nas relaes coletivas de trabalho.

Os princpios especficos e os princpios gerais compem assim os Princpios do Direito do Trabalho.

Embasamento dos Princpios do Direito do Trabalho

Na enunciao dos Princpios do Direito do Trabalho, sejam os princpios gerais, sejam os especficos, de se terem em vista:

1. os princpios e normas relacionados com a disciplina, inseridos na Constituio da Repblica;

2. a legislao infraconstitucional,

3. os princpios pertinentes contidos em tratados internacionais de que o Pas for signatrio.

No plano da Constituio, repositrio mpar e casusta de preceitos e princpios de Direito do Trabalho, esto estes presentes, como ncora de um Estado Democrtico de Direito (art. 1), cuja atividade econmica e cuja ordem social devem ser programadas e planejadas para a obteno do bem comum, pressuposto bsico da meta principal, que o alcance da justia social (artigos 170 e 193). De contedo econmico e de contedo tico, a justia social repousa na aspirao de melhoria das condies materiais do homem, cuja fonte de riqueza est no trabalho e na promoo do trabalhador, como pessoa, como integrante de uma categoria profissional e na qualidade de cidado, participante da sociedade poltica. A dosificao da desigualdade, a busca da solidariedade dos homens do trabalho e da solidariedade com os homens do trabalho encontram-se sua raiz.

No campo jurdico, a dosificao da desigualdade e a solidariedade dos e com os homens do trabalho, em um Estado Democrtico de Direito, requerem, na esfera do Direito do Trabalho, a diversificao de centros irradiadores de poderes. Assim como o Estado devedor de prestaes, quando apregoa serem princpios fundamentais, como se l na Constituio da Repblica, a cidadania, a dignidade da pessoa humana os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e proclama ter por objetivos, dentre outros, a reduo das desigualdades sociais e regionais, cuida de reconhecer a liberdade de associao profissional ou sindical, com atribuio s organizaes sindicais da misso de defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Os ncleos jurgenos passam a ter sede na atuao do Estado e na atuao das entidades sindicais.

Com vista dosificao das desigualdades por via legal, o Estado volta-se para a proteo do trabalhador e para sua promoo social; na dosificao das desigualdades por via sindical, a tnica est na solidariedade geradora da categoria e, em funo desta, na sustentao do interesse coletivo para a defesa de direitos e interesses do indivduo na condio de membro dela. Para a dosificao das desigualdades por via legal, o Estado inspira-se na valorizao social do trabalho, com vista a uma sociedade justa e solidria, em que deve primar o respeito pela dignidade do homem no trabalho. A especificidade da via sindical defende o trabalhador como componente de uma coletividade sedimentada em interesses comuns. A organizao sindical livre e independente a via de representatividade coletiva por excelncia, centrada no poder gerador de normas coletivas. Sua base jurdica firma-se no princpio da liberdade sindical e no princpio da autonomia sindical.

Princpio da liberdade sindical

O princpio da liberdade sindical, comum a empregados e empregadores, manifesta-se nos planos individual e coletivo.

No plano individual, a liberdade sindical revela-se sob trplice aspectos:

A. Liberdade de fundao de sindicato. Implica em liberdade de manter sindicato e participar de suas atividades, o que envolve a possibilidade de arregimentao. O proselitismo de sua essncia.

B. Liberdade de aderir a sindicato, o que importa na vedao de medidas discriminatrias por parte da Empresa ou do Estado e de prticas anti-sindicais, consistentes na insero em instrumentos coletivos normativos de clusulas de filiao sindical e de segurana sindical.

Como discriminaes por atos da empresa citem-se iniciativas restritivas de vantagens alcanadas pelo trabalhador, como prmios, promoo; atos que envolvem perseguio ou medida punitiva, como remoo abusiva do trabalhador, alterao de seu horrio de trabalho, medidas disciplinares desarrazoadas ou desfundamentadas, prticas de preparao e utilizao da lista negra. O emprego de lista negra consiste em ser o trabalhador congelado, tido por indesejvel, atravs de divulgao de seu nome entre empresas, seja, por exemplo, pela seleo dos que participam ativamente de greve, ou pela difuso de nomes de reclamantes colhidos nas pautas dos tribunais, para que no venham a ser contratados. Em relao a empregador, ele posto em lista negra pelo sindicato profissional, para depreci-lo junto a consumidores, a clientes, pelo fato de, por exemplo, contratar trabalhador no sindicalizado, por ser judicialmente condenada em processos de ofensa dignidade do trabalhador.

Exemplo de desvirtuamento da liberdade sindical o dos sindicatos fantasmas, sindicatos de empresa, de instituio estimulada, subvencionados ou mantidos por empresa ou grupos de empresas, sindicatos fantoches, manipulados de conformidade com os interesses de seu fundador.

No plano legal, as medidas discriminatrias dizem respeito concesso de favores ou de preferncia a empresas ou a trabalhadores sindicalizados, segundo se pode verificar do contexto dos artigos 544 e 546 da Consolidao das Leis do Trabalho, de tal vulto, que as vantagens neles contidas tornariam irresistvel quelas ou a estes deixarem de sindicalizar-se.

Embora no derrogados por preceito expresso, de se rejeitar que ainda estejam em vigor, por infringirem frontalmente o princpio de isonomia abrigado na Constituio da Repblica. Ademais, por haver ratificado a Conveno n 98, da Organizao Internacional do Trabalho, importaria em sua violao clusula que condicionasse a admisso em emprego, sua manuteno ou a despedida dele, pelo fato de o trabalhador no ser sindicalizado ou recusar a filiar-se a sindicato.

So por demais conhecidas as clusulas de interdio de filiao sindical, como a clusula open shop, restritiva do poder do sindicato e permissiva de livre contratao pelo empregador de trabalhadores sindicalizados ou no sindicalizados; ou a clusula yellow dog, que estipula o compromisso formal do trabalhador de no se filiar a sindicato.

C. Liberdade de no sindicalizar-se. Sob o regime de unicidade sindical, como ocorre no direito positivo ptrio, consiste no direito de no filiar-se a sindicato. de se pr sob indagao este aspecto da liberdade sindical, em relao aos ordenamentos jurdicos em que os instrumentos coletivos normativos tm eficcia vinculante erga omnes, com alcance de toda a categoria, ou seja, inclusive dos trabalhadores no sindicalizados. A liberdade de no sindicalizar-se em tal situao importa em admitir que o interesse do individuo prepondere sobre o interesse coletivo. Embora beneficirio das vantagens alcanadas pelo sindicato, a titularidade da liberdade de no sindicalizar-se permite ao trabalhador beneficiar-se dos efeitos positivos dos instrumentos normativos e fazer vista grossa da entidade sindical. Dentro dessa linha de entendimento, o Tribunal Superior do Trabalho reputa como ofensiva liberdade sindical, assegurada na Constituio da Repblica, a insero em instrumentos normativos de clusula que disponha sobre obrigatoriedade de contribuio assistencial para entidades sindi

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