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sacolas plásticas: aspectos controversos de seu uso e iniciativas

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  • ESTUDO

    Cmara dos Deputados Praa 3 Poderes Consultoria Legislativa Anexo III - Trreo Braslia - DF

    SACOLAS PLSTICAS: ASPECTOS

    CONTROVERSOS DE SEU USO E

    INICIATIVAS LEGISLATIVAS

    Maurcio Boratto Viana

    Consultor Legislativo da rea XI Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organizao Territorial e

    Desenvolvimento Urbano e Regional

    ESTUDO

    JUNHO/2011

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    SUMRIO

    Apresentao ............................................................................................................................... 3

    1. Plstico: Soluo Que Virou Problema? .................................................................................. 3

    2. Plstico (Bio)degradvel: Desfecho Definitivo? ........................................................................ 5

    3. Encontros e Desencontros: Qual o Melhor Processo? .......................................................... 8

    4. Sacolas Plsticas: Como Alterar um Hbito Conveniente? .................................................... 11

    5. Iniciativas Legislativas Federais: Normatizar as Sacolas Plsticas de Forma Isolada? ............. 14

    6. Iniciativas Estaduais e Municipais: Exemplo de Baixo para Cima? ........................................ 17

    7. Concluso: At Que Ponto So Necessrias as Sacolas Plsticas? .......................................... 19

    2011 Cmara dos Deputados. Todos os direitos reservados. Este trabalho poder ser reproduzido ou transmitido na ntegra, desde que citados(as) o(a) autor(a) e a Consultoria Legislativa da Cmara dos Deputados. So vedadas a venda, a reproduo parcial e a traduo, sem autorizao prvia por escrito da Cmara dos Deputados.

    Este trabalho de inteira responsabilidade de seu(sua) autor(a), no representando necessariamente a opinio da Cmara dos Deputados.

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    SACOLAS PLSTICAS: ASPECTOS CONTROVERSOS

    DE SEU USO E INICIATIVAS LEGISLATIVAS

    Maurcio Boratto Viana

    APRESENTAO

    Tramita na Cmara dos Deputados o Projeto de Lei n 612, de 2007, de autoria do Deputado Flvio Bezerra, que dispe sobre o uso de sacolas plsticas biodegradveis para acondicionamento de produtos e mercadorias a serem utilizadas nos estabelecimentos comerciais em todo territrio

    nacional, bem como outras 17 proposies que lhe esto apensadas.

    Seguem algumas consideraes acerca dos aspectos controversos do uso de sacolas plsticas, em especial daquelas consideradas biodegradveis, assim como dos projetos de lei sobre a matria que tramitam no mbito desta Cmara dos Deputados, alm de outras iniciativas em alguns estados e municpios brasileiros e em outros pases do mundo.

    1. PLSTICO: SOLUO QUE VIROU PROBLEMA?

    O plstico foi inventado pelo ingls Alexander Parkes em 1862. A palavra deriva do grego plastikos, que significa prprio para ser moldado ou modelado. De acordo com o Dicionrio de Polmeros (Andrade et al., 2001), plstico o termo geral dado a materiais macromoleculares que podem ser moldados por ao de calor e/ou presso. Os plsticos possuem unidades qumicas ligadas covalentemente, repetidas regularmente ao longo da cadeia, denominadas meros. O nmero de meros da cadeia polimrica chamado de grau de polimerizao, sendo geralmente simbolizado por n ou ento por DP, que so as iniciais da expresso em ingls Degree of Polymerization (Mano & Mendes, 1999).1

    At poucos anos atrs, todos os tipos de plstico eram obtidos a partir do petrleo. Em refinarias especializadas, purifica-se o petrleo at convert-lo em etileno, que, posteriormente, polimerizado e solidificado at criar o polietileno (polmero de etileno). O polietileno cortado em pequenos gros, que so utilizados pela indstria de transformao na fabricao de sacolas, cabos, fios, utenslios domsticos etc. Existem dois 1 Apud CANGEMI, Jos Marcelo et al. Biodegradao: uma alternativa para minimizar os impactos decorrentes dos resduos plsticos. Qumica Nova na Escola n 22, novembro de 2005, disponvel no site http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc22/a03.pdf, acesso em 30/05/09.

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    grupos de polietileno mais empregados na fabricao de sacolas plsticas, os de alta densidade (PEAD) high density polyethylene (HDPE) e, principalmente, os de baixa densidade (PEBD) low density polyethylene (LDPE). Nesses grupos, existem muitas variaes, que permitem ressaltar aspectos desejados nas sacolas plsticas, tais como maior ou menor brilho, resistncia, tato, facilidade de abertura etc.2

    Portanto, desde que foi inventado, o plstico vem sendo cada vez mais utilizado pela sociedade moderna, em especial a partir de meados do sculo passado, reduzindo custos comerciais e alimentando impulsos consumistas. No Brasil, ele passou a ser adotado pela rede supermercadista a partir do final da dcada de 1980, em razo da elevao do custo do papel. O nmero de aplicaes desse produto cresceu tremendamente nas ltimas dcadas, medida que a cincia produzia resinas que aprimoravam suas propriedades. Algumas das caractersticas gerais dos plsticos, que os tornam bastante atrativos para a maioria dos usos comuns, principalmente como embalagens, so sua fora e resistncia, durabilidade, baixo peso, assepsia, excelente proteo contra gua e gases, resistncia maioria dos agentes qumicos, boa processabilidade, baixo custo etc.3

    Contudo, tais propriedades, que fazem do plstico o material escolhido para inmeras aplicaes, so tambm um problema ao final da vida til dos produtos em que empregado, especialmente sacolas plsticas e outras formas de embalagens. A inrcia que lhes inerente permite que persistam no ambiente durante muitos anos, e seu baixo custo torna-as altamente descartveis. Estima-se que o mundo utilize hoje um milho de sacolas plsticas por minuto, quase 1,5 bilho por dia ou mais de 500 bilhes por ano. O descarte delas um dos principais responsveis pelo entupimento da drenagem urbana e pela poluio hdrica, sendo encontradas at no trato digestivo de alguns animais. Alm disso, elas contribuem para a formao de zonas mortas de at 70 mil km2 no fundo dos oceanos.4

    2 FABRO, Adriano Todorovic et al. Utilizao de sacolas plsticas em supermercados. Revista Cincias do Ambiente On-Line, v. 3, n 1, Fevereiro 2007, disponvel no site http://74.125.47.132/search?q=cache:XX_4OAGcsEQJ:sistemas.ib.unicamp.br/be310/include/getdoc.php%3Fid%3D228%26article%3D75%26mode%3Dpdf+(pol%C3%ADmero+de+etileno).+O+polietileno+%C3%A9+cortado+em+pequenos+gr%C3%A3os%22&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br , acesso em 28/05/09. 3 OXOBIODEGRADABLE PLASTICS INSTITUT. Uma breve viso geral sobre plsticos biodegradveis (traduo para o portugus), janeiro de 2005, disponvel no site http://www.natum.com.br/files/Vis%E3o%20geral%20sobre%20pl%E1sticos%20biodegrad%E1veis.pdf, acesso em 28/05/09. 4 NOVAES, Washington. Que se vai fazer com os sacos plsticos. Folha de S. Paulo, 10/08/07, disponvel no site http://www.sacsplast.libertar.org/?p=74, acesso em 30/05/09.

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    De acordo com estimativas da mesma fonte, o consumo anual de plsticos no Brasil situa-se em torno de 19 kg por habitante, sendo de 100 kg por habitante nos Estados Unidos e de 70 kg por habitante na Europa. O consumo brasileiro anual est em 210 mil toneladas de plstico filme (a matria-prima das sacolas), que representam cerca de 10% do lixo total do Brasil. O Pas produziu 18 bilhes de sacolas plsticas em 2007, a maioria fabricada com polietileno de baixa densidade, que pode demorar mais de 100 anos para se decompor. Cerca de um bilho de sacolas plsticas so distribudas todo ms pelos supermercados e estabelecimentos congneres, com mdia de 66 sacolas por pessoa, sendo que quase 80% delas viram sacos de lixo e vo parar nos aterros sanitrios e lixes.

    Dados do CEMPRE (Compromisso Empresarial para a Reciclagem)5 mostram que 21,2% dos plsticos rgidos e filme foram reciclados no Brasil em 2009, o que corresponde a aproximadamente 556 mil toneladas por ano. No h dados especficos para o plstico filme, mas, em mdia, o material representa 29% do total de plsticos separados pelas cidades que fazem coleta seletiva. A taxa de reciclagem de plstico na Europa de 18,3%, sendo que em alguns pases a prtica impositiva e regulada por legislaes complexas e custosas para a populao local, diferentemente do Brasil, onde a reciclagem acontece de forma espontnea.

    Portanto, um grande percentual do nosso lixo plstico do dia a dia vai parar nos milhares de lixes (que, segundo dados do Ministrio do Meio Ambiente MMA, recebem 59% do lixo domstico recolhido), alm de aterros controlados (16%) e aterros sanitrios (13%) em todo o Pas. A capital paulista, por exemplo, gera 13 mil toneladas dirias de lixo domiciliar e comercial (excluindo-se lixo industrial, resduos da construo, lixo de servios de sade, lixo tecnolgico etc.). Desse total, 18% so compostos por embalagens plsticas. So Paulo s no est em situao ainda mais grave graas atuao dos catadores de lixo, que, segundo estimativas, encaminham s recicladoras 30% do papel e papelo e 20% dos plsticos e dos vidros descartados.

    2. PLSTICO (BIO)DEGRADVEL: DESFECHO DEFINITIVO?

    Uma substncia s considerada biodegradvel se os microrganismos presentes no meio ambiente forem capazes de convert-la em substncias mais simples, existentes naturalmente em nosso meio (Snyder, 1995).6 Plsticos oferecidos

    5 Disponvel no site http://www.cempre.org.br/ft_plastico.php, acesso em 31/05/11. 6 Ver Referncia 1.

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    como biodegradveis esto comercialmente disponveis h mais de 20 anos, tendo sido projetados especificamente para lidar com a questo da persistncia de produtos plsticos descartados no ambiente, em a

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