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A COMPETÊNCIA LEGISLATIVA PREVISTA NA · PDF file2 mais de 1 milhão de sacolas plásticas convencionais por minuto, o que significa mais de 500 bilhões de sacolas por ano. No Brasil,

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    A COMPETNCIA LEGISLATIVA PREVISTA NA CONSTITUIO FEDERAL

    SOBRE MATRIAS QUE ENVOLVAM O MEIO AMBIENTE

    Anlise da Lei Estadual de Minas Gerais n 21.412/2014 e da Lei Municipal de Belo

    Horizonte n 9.529/2008 sobre a proibio do uso das sacolas plsticas

    convencionais

    Caio Neves Romero 1. INTRODUO: A ORIGEM DO PROBLEMA E A MOTIVAO DO LEGISLADOR

    O aumento na capacidade de consumo da populao na ltima dcada elevou

    exponencialmente a produo e comercializao das sacolas plsticas convencionais. O

    resultado foi um impacto extremamente negativo ao meio ambiente, diante do acmulo,

    especialmente em lixes, aterros sanitrios, rios e oceanos, dessas sacolas plsticas, cujo

    tempo de decomposio ultrapassaria dcadas dizem, alguns, que levaram 500 anos para

    desaparecerem na natureza.

    O legislador, portanto, a exemplo do que j ocorreu em outros pas, voltou os olhos

    para essa situao a cada dia mais crtica.

    As sacolas tradicionais vieram substituir, a partir de 1987, as sacolas fabricadas em

    papel ou papelo, cujos preos de produo tornaram invivel a sua comercializao.

    A matria prima utilizada na produo das sacolas convencionais , em sua grande

    maioria, proveniente de produtos derivados do petrleo. So o eteno ou etileno, ou polietileno,

    usados como matria prima do PEAD (polietileno de alta densidade).

    Alm disso, o processo de produo desse produto, a partir da industrializao de

    combustveis fsseis, tambm traz danos em si ao meio ambiente pela emisso de gases

    poluentes.

    Analisando de maneira pormenorizada o contexto atual e os nmeros que traduzem o

    consumo das sacolas plsticas e das embalagens feitas de plstico filme, a realidade se

    mostra ainda mais alarmante. A estimativa, numa perspectiva mundial, de que so utilizadas

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    mais de 1 milho de sacolas plsticas convencionais por minuto, o que significa mais de 500

    bilhes de sacolas por ano.

    No Brasil, a produo de plstico atinge a expressiva quantidade de 3 milhes de

    toneladas, sendo que a mdia de 10% do lixo produzido pelo pas exatamente a sacola

    plstica que acondiciona o lixo nas casas, escolas, empresas e etc. Apenas o estado do Rio

    de Janeiro utiliza 1 bilho de sacos plsticos por ano e, contraditoriamente, tem um gasto de

    15 milhes de reais todos os anos para tentar limpar seus rios e retirar os plsticos que neles

    se acumulam. (DE OLIVEIRA, 2012).

    Difundido em razo de suas caractersticas (fora; durabilidade; impermeabilidade;

    resistncia a agentes qumicos;) e aliado ao baixo custo para a sua produo, o plstico filme

    se tornou um produto altamente comercial e aparentava a soluo dos problemas dos lojistas,

    supermercadistas e demais empresrios, que necessitavam de uma embalagem com preo

    acessvel e capaz de acondicionar e transportar com segurana os produtos por eles

    comercializados.

    O Compromisso Empresarial para Reciclagem - CEMPRE, uma associao sem fins

    lucrativos dedicada promoo da reciclagem, apresenta o plstico filme da seguinte forma:

    Plstico filme uma pelcula plstica normalmente usada como sacolas de supermercados, sacos de lixo, embalagens de leite, lonas agrcolas e proteo de alimentos na geladeira ou microondas. O material constitui 42,5% das embalagens plsticas em geral nos Estados Unidos. (...) A resina de polietileno de baixa densidade (PEBD) e a de polipropileno (PP) so as mais usadas no Brasil, correspondendo cada uma a 23% dos polmeros consumidos no mercado brasileiro de plstico. Leve, resistente e prtico, o plstico rgido o material que compe cerca de 77% das embalagens plsticas no Brasil, como garrafas de refrigerantes, recipientes para produtos de limpeza e higiene e potes de alimentos. tambm matria-prima bsica de bombonas, fibras txteis, tubos e conexes, calados, eletrodomsticos, alm de baldes, utenslios domsticos e outros produtos. O plstico rgido pode ser reprocessado, gerando novos artefatos plsticos e energia. (CEMPRE).

    Entretanto, exatamente as mesmas caractersticas que se mostraram benficas foram

    tambm a causa do incio da proibio do uso plstico filme. Vantagens como resistncia a

    agentes qumicos (principalmente aos agentes qumicos naturais) e umidade, fazem com

    que a decomposio do plstico filme perdure por sculos. Segundo dados do Ministrio do

    Meio Ambiente, a decomposio de materiais como o papel e o tecido levam de 3 meses a 1

    ano, enquanto o plstico leva mais de 400 anos para se decompor no meio ambiente,

    perdendo apenas para o vidro, que demora cerca de um milnio para se decompor.

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    Os resultados negativos para o meio ambiente e para a sociedade vm com o descarte

    dessa absurda quantidade de sacolas plsticas, que traz diversos problemas ambientais como

    enchentes, em razo do entupimento das vias de escoamento das cidades, e a poluio

    hdrica, que destri o habitat dos animais aquticos e inviabiliza a utilizao das guas para

    consumo. Sabe-se, tambm, que o acumulo desse material no fundo dos oceanos formam

    zonas mortas de at 70 mil km2. (VIANA, 2010).

    Alm desses problemas, o Ministrio do Meio Ambiente apresenta a gravidade da

    utilizao irresponsvel das sacolas plsticas e do consequente acmulo do material em

    aterros sanitrios:

    Ou seja, as embalagens, quando consumidas de maneira exagerada e descartadas de maneira regular ou irregular - em lugar de serem encaminhadas para reciclagem - contribuem e muito para o esgotamento de aterros e lixes, dificultam a degradao de outros resduos, so ingeridos por animais causando sua morte, poluem a paisagem, causam problemas na rede eltrica (sacolas que se prendem em fios de alta tenso), e muitos outros tipos de impactos ambientais menos visveis ao consumidor final (o aumento do consumo aumenta a demanda pela produo de embalagens, o que consome mais recursos naturais e gera mais resduos). (BRASIL).

    A combinao desses fatores, aliada ao aumento na produo das sacolas

    convencionais, trouxe a necessidade de um posicionamento por parte do Poder Legislativo

    para que alternativas fossem encontradas, a fim de reduzir os inevitveis, e visveis, impactos

    natureza.

    Foi nesse contexto que veio a ser editada a Lei Municipal 9.529/2008, determinando a

    substituio das sacolas plsticas, ditas convencionais ou tradicionais, no municpio de Belo

    Horizonte por solues que gerassem um menor impacto ao meio ambiente, atendendo

    crescente demanda por uma maior conscientizao do legislador quanto s questes de

    cunho ambiental, cada dia mais enraizadas em nosso Pas.

    Essa Lei, datada de 2008, estabelece, logo nos seus primeiros artigos, os preceitos

    cogentes que seguem:

    Art. 1 - O uso de saco plstico de lixo e de sacola plstica dever ser substitudo pelo uso de saco de lixo ecolgico e de sacola ecolgica, nos termos desta Lei. (BELO HORIZONTE, 2008). Art. 2 - A substituio de uso a que se refere esta Lei acontecer nos estabelecimentos privados e nos rgos e entidades do Poder Pblico sediados no Municpio. (BELO HORIZONTE, 2008).

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    No art. 3 da referida Lei foi estabelecido que a substituio de uso a que se refere

    esta Lei ter carter facultativo pelo prazo de 3 (trs) anos, contado a partir da data de

    publicao desta Lei, e carter obrigatrio a partir de ento (BELO HORIZONTE, 2008).

    Em 2011, a Lei foi regulamentada pelo Decreto n 14.367/2011.

    As alternativas disponveis no mercado para a substituio das sacolas plsticas

    convencionais foram evoluindo ao longo dos anos e temos hoje disponveis no mercado as

    seguintes alternativas: os sacos de lixo ecolgicos, as sacolas ecolgicas, as sacolas

    oxibiodegradveis, as sacolas biodegradvel e compostvel, ou, ainda, as sacolas

    retornveis.

    O Decreto de 2011, no s ratificou a proibio do uso de sacolas plsticas, mas como

    tambm especificou em quais materiais, ou matrias-primas, as novas sacolas (as substitutas)

    deveriam ser confeccionadas:

    Art. 1 - Os estabelecimentos privados e os rgos e entidades do Poder Pblico situados no Municpio de Belo Horizonte devero substituir o uso de saco plstico de lixo e de sacola plstica pelo uso de saco de lixo ecolgico e de sacola ecolgica, nos termos da Lei n 9.529, de 27 de fevereiro de 2008, e deste Decreto. (...) Art. 3 - Para os efeitos da Lei n 9.529/08, e deste Decreto, entende-se por: I - saco de lixo ecolgico: o confeccionado em material biodegradvel ou reciclado; II - sacola ecolgica: a confeccionada em material biodegradvel ou a sacola retornvel. (BELO HORIZONTE, 2008).

    O que se dessume desse Ato Normativo que somente seriam permitidos os sacos

    de lixo ecolgico e as sacolas ecolgicas por exemplo, as de material biodegradvel1, as

    sacolas retornveis2, e os sacos ou sacolas de material reciclado3.

    1 1 - Considera-se material biodegradvel aquele que apresenta degradao por processos biolgicos, sob ao de microrganismos, em condies naturais adequadas, e que atenda aos seguintes requisitos: (BELO

    HORIZONTE, 2008).

    2 2 - Considera-se sacola retornvel aquela confeccionada em material durvel, suficientemente resistente para suportar o peso mdio dos produtos transportados, lavvel, com espessura mnima de 0,3 mm (trs dcimos de milmetro), e destinada reutilizao continuada; (BELO HORIZONTE, 2008).

    3 3 - Considera-se material reciclado aquele decorrente de processo de transformao dos resduos slidos que envolva a alterao de suas propriedades fsicas, fsico-qumicas ou biolgicas, com vistas transformao em insumos ou novos produtos, observadas as condies e p

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