Teorias da Mais-Valia Difusa

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Trata-se de monografia final, resultado de pesquisa de pós-doutorado no Departamento de Filosofia da USP realizada entre 2007 e 2010.PrefácioA preocupação que resultou neste estudo e discussão foi a de adequação entre teoria e prática. Mais precisamente preocupação com a falta de adequação do discurso predominante na esquerda ou entre anticapitalistas em relação ao fazer daqueles que, nos dias de hoje, apresentam uma prática de insubordinação ou antagonismo, uma prática que explicita conflitos sociais, fazendo-os se constituírem em um sujeito político. Num contexto em que esses sujeitos são em maioria despossuídos, sememprego, subempregados, trabalhadores informais, portando identidades como por exemplo de sem-terra ou sem-teto quando organizados, parecia-me que o discurso da esquerda, ligado a conceitos da crítica clássica da economia política estava em descompasso com essa realidade.

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  • Teorias da Mais-Valia Difusa

    a crtica da economia poltica e o mito da classe produtiva

    Leo Vinicius

    e-mail: leov(arroba)riseup.net

    2010

  • memria de Alex Marchi

    esse exemplo colossal de integridade, de dignidade, de conduta coerente com o que

    pensava e pelo que lutava. (Marcelo Pomar)

  • ndice

    Prefcio.............................................................................................................................5

    Parte 1O Mito da Classe Produtiva na Crtica da Economia Poltica

    Introduo..........................................................................................................................9Captulo I - O Movimento Operrio: nova classe produtiva.....................................20

    Rebeldia coletiva e a cincia do socialismo..............................................................20Elementos de constituio: foras econmicas, experincias e tradies.................25Ressignificando e utilizando significaes burguesas...............................................28Um movimento de artesos.......................................................................................32Hodgskin: conhecimento, cooperao e trabalho produtivo.....................................35

    Captulo II - Proudhon: o governo dos produtivos sobre os improdutivos..............38A classe trabalhadora proudhoniana..........................................................................38Produtivos e improdutivos.........................................................................................41A antinomia da necessidade como fora produtiva...................................................46

    Captulo III - Marx: antinomias sobre trabalho produtivo.......................................48Trabalho produtivo e trabalho improdutivo...............................................................48A antinomia da produo material e manual.............................................................50A dualidade do trabalho produtivo............................................................................53Antinomia da diviso do trabalho..............................................................................56Antinomias entre o presente e o porvir......................................................................64Um pragmatismo em Marx........................................................................................70Duas perguntas sobre trabalho produtivo..................................................................73Marx do porvir, Marx do Grundrisse........................................................................77Mais-valia como conceito poltico?..........................................................................82

    Parte 2Teorias da Mais-Valia Difusa:

    a hegemonia do trabalho imaterial e a multido

    Introduo........................................................................................................................85Captulo IV A Formao do Operasmo...................................................................88

    Contexto histrico......................................................................................................88Negri nos anos 1960..................................................................................................93Conceitos e idias centrais do operasmo..................................................................94

    Fbrica social......................................................................................................94Operrio massa e composio de classe.............................................................95Classe trabalhadora como plo ativo.................................................................98Antecipao e anti-terceiromundismo................................................................98

    Captulo V- Durante o Potere Operaio (1967-1973).................................................103As lutas no perodo..................................................................................................103O Potere Operaio.....................................................................................................108A teorizao.............................................................................................................111

    Captulo VI Da Autonomia Operaia Priso........................................................114As lutas no perodo..................................................................................................114

  • A Autonomia Operaia..............................................................................................120Negri nos anos 1970................................................................................................122

    O operrio social...............................................................................................122Evolues das posies de Negri.......................................................................125

    Captulo VII A Dcada de 1980...............................................................................134Captulo VIII De 1990 a 2009..................................................................................141

    As lutas no perodo..................................................................................................141O conceito de trabalho imaterial..............................................................................146Caractersticas do trabalho imaterial.......................................................................152O conceito de hegemonia do trabalho imaterial......................................................155A poltica no trabalho imaterial e na sua hegemonia...............................................161Caractersticas do ps-fordismo..............................................................................164Consideraes sobre o pensamento de Paolo Virno................................................167O conceito de multido: quando ser produtivo pode coincidir com ser livre.........168

    Multido em Paolo Virno..................................................................................168Multido em Negri e Hardt...............................................................................172

    Multido em sentido estrito e amplo.......................................................................178Antinomia do trabalho imaterial: economia avanada vs. global............................180A antinomia da multido: o especfico vs. o global................................................186Multido: passado, presente e projeto.....................................................................188Federalismo ontem e hoje........................................................................................189

    Captulo IX Pragmatismo e Mito do Comunismo Maduro..................................192Teleologia e o mito do comunismo imanente e maduro..........................................192O pragmatismo no operasmo e ps-operasmo......................................................195

    Concluindo...

    Dos propsitos das teorias da mais-valia difusa............................................................201Dos referentes para uma teoria crtica...........................................................................213

    Referncias Bibliogrficas.............................................................................................217

  • Teorias da Mais-Valia Difusa

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    Prefcio

    A preocupao que resultou neste estudo e discusso foi a de adequao entre

    teoria e prtica. Mais precisamente preocupao com a falta de adequao do discurso

    predominante na esquerda ou entre anticapitalistas em relao ao fazer daqueles que,

    nos dias de hoje, apresentam uma prtica de insubordinao ou antagonismo, uma

    prtica que explicita conflitos sociais, fazendo-os se constiturem em um sujeito

    poltico. Num contexto em que esses sujeitos so em maioria despossudos, sem-

    emprego, subempregados, trabalhadores informais, portando identidades como por

    exemplo de sem-terra ou sem-teto quando organizados, parecia-me que o discurso da

    esquerda, ligado a conceitos da crtica clssica da economia poltica estava em

    descompasso com essa realidade.

    Na academia, mas tambm em meio intelectualidade de organizaes

    polticas marxistas hoje em dia, costuma haver uma precedncia da teoria, dos conceitos

    da crtica da economia poltica, sobre a experincia vivida. Perdeu-se o que parece ser o

    fundamental dessa crtica clssica, seja a de Proudhon ou a de Marx: ela buscava

    valorizar o fazer, legitimar politicamente e empoderar para usar um termo em voga

    um sujeito poltico, um movimento social concreto com o qual esses pensadores se

    identificavam. O movimento operrio, esse sujeito poltico, e sua prtica de

    insubordinao, precederam e determinaram a crtica da economia poltica. Tal

    afirmao em si no chega a ser polmica, embora suas conseqncias no sejam

    levadas adiante de uma forma geral. Estar ciente dessa precedncia caminha lado a lado

    com o entendimento que permeou este estudo: mais importante que saber o que um

    Proudhon ou um Marx diziam, ou o que um Negri diz, saber por que diziam e para

    quem diziam. Em outras palavras, mais importante entender a funo que os

    conceitos, a teoria e o discurso possuam, os seus propsitos e objetivos. De certa forma

    isso significa enfatizar e, mais do que isso, apontar como fundamental na crtica da

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    economia poltica o seu carter pragmtico, aproximando-se assim do que Georges

    Sorel chamou de mito a funo prtica e mobilizadora de uma idia.

    Para participar de tal funo a teoria deve corresponder experincia viv