Vivendo de Cinema

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Antonio Ferreira de Sousa Filho

VIVENDO DE CINEMA

Tese apresentada Escola de Comunicao e Artes da Universidade de So Paulo, rea de Concentrao: Estudo dos Meios e da Produo Meditica, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Doutor, sob orientao da Profa. Dra. Marilia da Silva Franco.

So Paulo 2006

VIVENDO DE CINEMA

Antonio Ferreira de Sousa Filho

Tese apresentada Escola de Comunicaes e Artes da Universidade de So Paulo, rea de Concentrao: Estudo dos Meios e da Produo Meditica, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Doutor, para a banca de examinadores formada pelos professores:

Presidente:_____________________________________________________

1o Membro:_____________________________________________________

2o Membro:_____________________________________________________

3o Membro:_____________________________________________________

4o Membro:_____________________________________________________

Defendida em: ............./............./.............

AGRADECIMENTOS

Profa. Dra. Marilia da Silva Franco, minha orientadora, pela confiana, compreenso, pacincia e saber transmitido, tornando possvel a realizao deste trabalho. Profa. Dra. Roseli A. Fgaro Paulino e ao Prof. Dr. Afrnio Catani pelas valiosas contribuies por ocasio do Exame de Qualificao. Profa. Dra. Ana Maria Baricca, alm de minha cunhada pessoa vocacionada para o ensino, pela ajuda na formatao do trabalho assim como pela pacincia e disponibilidade. todos os entrevistados, pela disponibilidade, confiana e amizade: Galileu Garcia, Jacques Deheinzelin, Maximo Barro, Ines Mullin, Miguel ngelo, Carlos Ebert, Penna Filho, Toni Gorbi, Francisco Ramalho Jnior. Jos Luiz Sasso, Pedro Pablo Lazzarini. Adriana Camerini pela ajuda no ingls. Dra. Maria Dora G. Mouro; Dr. Marcello Giovanni Tassara e Dr. Ismail Norberto Xavier pela ateno e colaborao. Ao Prof. Dr. Joo Carlos Massarolo pelas contribuies e amizade. Ao Prof. Valdir Baptista pelo apoio e confiana no meu trabalho. Jony Hideki H. Sugo, Blanca Elizabeth Chanampa (Tati Bassan), Alexandre Hage, Wanderlei Gomes da Cruz, Maria Nilza de Moraes, Mirian Biderman, Walkiria Lorusso, Nicola Martino, Marilia Santos, Sergio Martinelli e Marcelo Righini, agradeo-lhes pela disponibilidade e contribuies. Agradeo, sobretudo, a Deus pela energia e disposio para a realizao deste trabalho.

DEDICATRIAS

Dedico este trabalho a todos os profissionais que ajudaram a edificar a histria do nosso cinema, especialmente aqueles de funes pouco ouvidas nos estudos cinematogrficos brasileiros. minha esposa Cida, pelo carinho, dedicao e compreenso pelas ausncias desse perodo. Profa. Dra. Maria Helena de Nbrega (Lena) pelo incentivo.

In memoriam: Aos meus pais, Antonio Ferreira de Sousa e Maria Lourdes da Costa Sousa; Aos Profs. Octavio Ianni e Eduardo Leone.

Resumo

O estudo trata da formao profissional e da sobrevivncia dos trabalhadores na indstria cinematogrfica em So Paulo, desde os anos 1950 at os dias atuais. Analisa as transformaes ocorridas no setor e como essas mudanas colocam novos desafios aos profissionais da rea. Tambm analisa o aprendizado dos profissionais de cinema de So Paulo, especialmente no que se refere as funes para as quais ainda no h cursos de formao, assim como procura entender como esses profissionais conseguem se manter em sua profisso. Das vrias entrevistas que realizamos com profissionais que atuam h muitos anos no cinema em So Paulo, extramos inmeras sugestes que resultaram em um projeto de uma escola de formao e capacitao. Quanto questo da sobrevivncia na atividade cinematogrfica, evidenciou-se a dificuldade de se viver apenas do trabalho em filmes de longa metragem de fico. Diferentemente da situao dos anos 1950, hoje o profissional de cinema tem a opo de atuar em vrios ramos da atividade.

Palavras-chave:

Cinema, cinema brasileiro, sindicatos; ensino de cinema.

trabalhadores

de

cinema;

ABSTRACT

This study refers to the education and survival of the movie industry professionals in Sao Paulo, from the 1950s to present day. It analyzes the sectors transformations and how it brought new challenges to the industry professionals. Besides analyze the learning process of the professionals in the movie industry in Sao Paulo, especially, when related to tasks, for which there are no formal education available. Also, we look to understand how these professionals are able to maintain themselves in their profession of choice. Several suggestions were extracted from interviews with long-time professionals of the movie business in Sao Paulo. These suggestions resulted in a project for a vocational school for preparation and development. In relation to the issue of survival in the movie industry, it became evident the degree of difficulty of making a living of just working for feature length fiction movies. Contrary to the situation in the 1950s, todays movie professional has several options for activities to choose from.

Keyword: Cinema, Brazilian cinema; cinematographic workers, syndicates; cinema teaching.

Se eu no tivesse f, no continuava a fazer filmes. (Manoel de Oliveira)

SUMRIO

INTRODUO..........................................................................................................

1

CAPTULO 1: A FORMAO PROFISSIONAL DOS TRABALHADORES CINEMATOGRFICOS DE SO PAULO................................................................ 1.1. Um pouco de histria.......................................................................................... 6 6

1.2. Evoluo do quadro de funes cinematogrficas............................................. 13 1.3. A televiso entra em campo............................................................................... 21

1.4. Artistas, tcnicos e suas escolas........................................................................ 23 1.5. Convergncia tecnolgica.................................................................................. CAPTULO 2: CINEMA: SONHO E REALIDADE.................................................... 2.1. Meu relato pessoal............................................................................................. 2.2. A fundao do SINDCINE e tentativa de continuar na profisso....................... 2.3. Invertendo as prioridades................................................................................... 2.4. O ensino como uma atividade paralela.............................................................. 2.5. A fundao do Instituto de Estudos Audiovisuais Roberto Santos.................... 2.6. Fazendo um filme de trs milhes com trezentos mil........................................ CAPTULO 3: VIVER DE CINEMA........................................................................... 3.1. A escolha da profisso....................................................................................... 3.2. O aprendizado do ofcio..................................................................................... 27 32 32 46 48 49 50 50 59 60 63

3.3. A sobrevivncia e as atividades paralelas.......................................................... 68 3.4. Gerao Contempornea que est dando certo no mercado............................ CAPTULO 4: O PAPEL DOS SINDICATOS DE TRABALHADORES................... 77 87

4.1. Militncia............................................................................................................. 87 4.2. Cassao do Sindicato de Trabalhadores e surgimento das Associaes de Realizadores.............................................................................................................. 92

4.3. Qualificao profissional..................................................................................... 99 4.4. Reivindicaes trabalhistas................................................................................ 103 4.5. Limitaes quanto atuao do Sindicato......................................................... 106 4.6. Trabalhadores na Indstria Cinematogrfica ou Audiovisual?........................... 109 CAPTULO 5: CONSIDERAES FINAIS.............................................................. 112 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS......................................................................... 118 ANEXOS

INTRODUO

O que viver de cinema hoje? At os anos 1950 trabalhar em cinema, em So Paulo, era uma grande aventura; no era considerado uma profisso. Carlos Ortiz1, destacado crtico de cinema, terico e diretor de filmes, especialmente no perodo 1948 a 1954, poca em que surgiram os grandes estdios em So Paulo, ao ser indagado sobre a experincia da Companhia Cinematogrfica Vera Cruz diz o seguinte: ...foi uma experincia boa, positiva, porque o cinema tambm no podia ficar toda a vida nas apalpadelas, nessas tentativas assim de rua, etc.... tinha que se consolidar industrialmente. Porque o grande problema do cinema at hoje, a meu ver, do que eu leio, do que eu depreendo a, ainda esse. Quer dizer, o pessoal de cinema tem que viver do cinema para que possa viver para o cinema. (ORTIZ apud BERRIEL, 1981, p. 13).

Jacques Deheinzelin, em trabalho ainda no publicado, faz um levantamento, indicando que, no mundo inteiro, dos anos 1950 para c, o ndice de consumo de audiovisual cresceu, no mnimo, 20 vezes e, no Brasil, 173 vezes, devido televiso. Com o ascenso da televiso e da produo de filmes publicitrios, a possibilidade de se viver profissionalmente de cinema, foi aos poucos migrando para esses dois setores, que efetivamente conseguiram industrializar-se, enquanto a produo de filmes de longa metragem de fico, apesar de ter melhorado significativamente seu nvel tcnico, continua com os graves problemas de sobrevivncia que sempre a caracterizou.

1

Carlos Ortiz escreveu crtica de ci