Comentário Bíblico Kretzmann - Parte 7 Lucas 09, 16

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    16-Jan-2015

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Comentrio Bblico Kretzmann - Parte 7 Lucas 09, 16

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<ul><li> 1. (Cont. Lucas, 2 sub-arq.)Captulo 9 A Misso dos Doze, Lc. 9. 1-9.Diretrizes para os apstolos, V. 1) Tendo Jesus convocado os dize, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demnios, e para efetuarem curas. 2) Tambm os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos. 3) E disse-lhes: Nada leveis para o caminho, nem bordo, nem alforje, nem po, nem dinheiro, nem deveis ter duas tnicas. 4) Na casa em que entrardes ali permanecei, e dali saireis. 5) E onde quer que no vos receberem, ao sair daquela cidade, sacudi o p dos vossos ps em testemunho contra eles. 6) Ento, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda parte. Jesus havia escolhido os doze dentre o grupo maior dos discpulos que, em geral, o seguia. Estes doze, via de regra, designados por este termo, ele convocou para uma reunio formal. Deu-lhes, como seus representantes, poder e direito ou autoridade, at autoridade ilimitada. Mesmo que a mensagem, que Jesus trouxe, no fosse nova, a forma e a clareza em que a trouxe foi nova. Os apstolos, por isso, partindo em seu nome, precisam estar revestidos de poder incomum. Os demnios lhes foram sujeitados, e lhes foi transmitido o poder de curar doenas. Notemos, que estes dois so mencionados em separado, e que seu trato no era o mesmo: Os demnios deviam ser expulsos, mas as doenas, curadas. A seguir, com a devida formalidade, foram enviados, sendo a substncia ou o essencial de seu ministrio a pregao do reino de Deus, suplementado por curas. A mensagem do evangelho precisa ocupar o primeiro lugar no reino de Deus e receber a ateno principal. As demais atividades da igreja dependem de sua proclamao correta. Seguem algumas instrues detalhadas. Os apstolos no deviam levar algo consigo para a jornada. No deviam fazer preparativos pessoais, e, acima de tudo, no deviam sobrecarregar-se para a viagem. No deviam apresentar nenhuma das caractersticas dos pregadores e profetas mendicantes, no tendo nem cajado ou bolsa para coleta de subsistncia, nem po ou prata, e nem mais uma muda de tnica. Quanto ao sustento, deviam depender inteiramente do povo que serviam. No deviam perder tempo na escolha dum lugar em que morar, e na procura dum lugar confortvel. A casa em que entrassem primeiro e cujos donos os recebessem, essa devia ser sua morada at que tivessem findado seu trabalho naquela cidade. Mas, se pessoas houvesse que fossem rejeitar a eles e sua mensagem, deviam, por meio dum gesto apropriado, expressar o juzo de Cristo sobre o povo dessa cidade, sacudindo o prprio p de seus ps, o que significa que no queriam ter a ver nada com essa oposio palavra e obra de Cristo, mas testemunhar, por meio deste gesto, diante de Deus contra eles. Em resumo, este foi o contedo e a substncia das instrues dadas por Jesus aos apstolos. Eles, armados com esta autoridade, partiram pelas cidades da Galilia. Colocaram a pregao do evangelho, as boas novas da salvao, no lugar mais alto. E esta proclamao da palavra recebeu a nfase apropriada por meio das curas realizadas em todos os lugares. O interesse de Herodes por Jesus, V. 7) Ora; o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava, e ficou perplexo, porque alguns diziam: Joo ressuscitou dentre os mortos; 8) outros: Elias apareceu, e outros: Ressurgiu um dos antigos profetas. 9) Herodes, porm, disse: Eu mandei decapitar a Joo; quem , pois, este a respeito do qual tenho ouvido tais coisas? E se esforava para v-lo. Herodes, naquele tempo, quase com certeza, morava em Tiberades, uma cidade que praticamente reconstrura para que se ajustasse aos seus planos megalmanos. J podem ter chegado, anteriormente, ao tetrarca desta provncia rumores sobre a atividade dum certo rabi da Galilia, mas estava ocupado demais com sua vida devassa para poder dar mais ateno a eles. Aqui, porm, na prpria regio em que foram realizados os maiores milagres de Jesus, os cortesos de Herodes, visto que o partido dos herodianos ter sido muito forte, o supriam de informaes sobre o movimento que acontecia em meio do povo, provavelmente com indicaes precisas sobre a sua periculosidade. A notcia sobre o grande Profeta aborreceu a Herodes, embaraou-o e o colocou em perplexidade, no sabendo ele o que fazer com ela. Vrios relatos chegaram aos seus ouvidos, sendo que alguns diziam que Joo havia ressuscitado, outros, que Elias tivesse sido </li></ul><p> 2. revelado, visto que sua compreenso de Ml. 4.5 era sobre um Elias pessoal, e outros ainda, que algum dos outros profetas ressuscitara. A conscincia de Herodes o alfinetava, pois fora culpado de assassinato, o que aqui s tocado resumidamente. Herodes sabia que mandara decapitar a Joo na priso, por causa de sua filha de criao Salom, e agora, quando este profeta surgira e trazia uma mensagem to parecida com a do Batista, ele remoia a questo e estava ansioso para ver Jesus, para que se inteirasse de sua identidade. A posio e a maneira de agir de Herodes a de muitas pessoas que no querem romper completamente com a igreja. Sob certas circunstncias, podem at ouvir algum sermo por gostarem de algum pregador. Mas, quando colocados diante da escolha: Cristo ou o mundo, ento escolhem o ltimo. Mas sua conscincia no os deixar em paz. Em meio a toda aparente felicidade sua falta no os deixa em paz. Deus no se deixa zombar.A Alimentao dos Cinco Mil, Lc. 9. 10-17. O retiro dos apstolos, V. 10) Ao regressarem, os apstolos relataram a Jesus tudo o que tinham feito. E, levando-os consigo, retirou-se parte para uma cidade chamada Betsaida. 11) Mas as multides, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura. Quando os apstolos regressaram de sua primeira viagem missionria, eles relataram em detalhe ao Senhor o que haviam feito e o sucesso que alcanaram. Haviam trabalhado com o entusiasmo prprio a iniciantes. Fora-lhes uma experincia muito desgastante. Por isso Jesus os tomou consigo e com eles se retirou a um lugar na redondeza de Betsaida Julia, na costa nordeste do Mar da Galilia, no longe do rio Jordo. Notemos: Agrada plenamente ao Senhor, quando algum de seus servos, depois dum perodo de trabalho desgastante pelo reino de Deus, se recolhe por algum tempo e recobra foras fsicas para as novas exigncias que o esperam. Mas o recolhimento de Jesus no ficou no anonimato. As multides o descobriram, e, porque alguns ficaram sabendo a direo em que velejaram, seguiram a p, contornando o lago pelo lado norte. Desta maneira o descanso de Jesus no passou de breve, pois seu corao generoso no se conseguia afastar do povo que, depois de longa viagem, o achara. De bom grado recebeu a multido e comeou a falar-lhes, expondo durante a maior parte do dia seu tema favorito, que o reino de Deus, o que significa, e como podiam entrar nele. Tambm no desapontou a quantos necessitavam de sua mo curadora, mas serviu-os com toda a compaixo e poder de seu corao salvador. Notemos: Jesus sempre tem tempo para ns. A ele nossas oraes no so enfadonhas. Seu ouvido sempre est inclinado para aqueles que colocam sua confiana nele, seja em coisas deste mundo ou daquele do porvir.O milagre dos pes e dos peixes, V. 12) Mas o dia comeava a declinar. Ento se aproximaram os doze e lhe disseram: Despede a multido, para que indo s aldeias e campos circunvizinhos se hospedem e achem alimento; pois estamos aqui em lugar deserto. 13) Ele, porm, lhes disse: Da-lhes vs mesmos de comer. Responderam eles: No temos mais que cinco pes e dois peixes, salvo se ns mesmos formos comprar comida para todo este povo. 14) Porque estavam ali cerca de cinco mil homens. Ento disse aos seus discpulos: Fazei-os sentar-se em grupos de cinqenta. 15) Eles atenderam, acomodando a todos. 16) E, tomando os cinco pes e os dois peixes, erguendo os olhos para o cu, os abenoou, partiu e deu aos discpulos para que os distribussem entre o povo. 17) Todos comeram e se fartaram; e dos pedaos que ainda sobejaram foram recolhidos doze cestos. Jesus havia pregado com afinco o dia inteiro, e curado incessantemente. Agora, porm, o dia comeava a declinar e a noite se aproximava, fazendo com que os trabalhos benfazejos do Senhor chegassem ao fim, sem que se o desejasse. Neste momento os apstolos julgaram ser sua a tarefa de intervir. Insistiram com Jesus para que despedisse o povo, ou de mand-lo embora. O lugar, onde estavam, era uma regio desabitada. Havia, porm, vilas, como Betsaida Jlia e outras pequenas povoaes, que distavam a curta distncia do lugar. A elas o povo podia dirigir-se para encontrar alojamento e provises para si. Os discpulos ainda no estavam plenamente tomados do amor ao prximo, que no teme sacrifcio e que tenazmente reprime qualquer egosmo. Suas palavras, ao contrrio, expressam uma certa irritao, como se tivessem sido importunados suficientemente por estes hspedes inconvenientes. Jesus, contudo, 3. lhes d uma lio, tanto sobre a hospitalidade como sobre a confiana nele. Sugere imediatamente que os discpulos hospedem as multides. Mas, em s pensando nisso, suas feies se perturbaram. Tinham, depois de alguma busca, a certeza que possuam cinco pes e dois peixes, como proviso. Essa era toda a reserva. E acrescentam: A no ser que vamos e compremos comida para toda esta gente. Tanto suas palavras, como o tom que empregaram, faziam ver que no apreciavam muito a idia ou que no se alegravam com a perspectiva. Um deles j calculara que o dinheiro que possuam no bastava para comprar po para todos os presentes, visto que estavam presentes uns cinco mil homens, sem as mulheres e as crianas. E toda esta confuso e agitao, tendo Jesus diante de si, ele, de quem sabiam e tinham a prova de seus prprios sentidos, que ele era capaz de ajudar a qualquer tempo, at mesmo quando a morte havia colocado suas frias mos sobre certa pessoa e lhe expulso a alma vivente. Os discpulos, com certeza, no fazem boa figura nesta histria. Notemos: Esta mesma falta de f se encontra muitssimas vezes nos cristos destes ltimos dias. A preocupao e o cuidado pelo corpo so muito propensos para ocupar o lugar da confiana firme e constante na providncia e bondade de Cristo e de nosso Pai celestial. Este o grande mal, que ns, tambm em nossos dias, no s por causa de alimento mas tambm em mltiplas preocupaes e tentaes, sentimos que sabemos muito bem como calcular o que precisamos e como estas necessidades devem ser conseguidas e dadas a ns. Mas, quando isto no aparece to rpido como ns o queremos, ento nada sobra dos nossos clculos, a no ser s insatisfao e tristeza. Por isso seria muito melhor, se deixssemos Deus cuidar da situao nem pensssemos no que necessitamos1)Agora, porm, Jesus tomou o problema em suas mos. Fez seus discpulos ordenar o povo se sentar na grama, que havia no local, em grupos ou conjuntos de cinqenta pessoas para o jantar. Ele estava preparando tudo para repartir um banquete entre eles. A seguir, tomou os cinco pes e os dois peixes e, erguendo os olhos ao cu, pronunciou uma bno sobre eles, abenoou o alimento. Depois, partiu tanto o po como os peixes em pedaos menores, os quais deu aos discpulos, que atuaram como seus garos nesta momentosa ocasio. Todos comeram, e todos se fartaram, estando plenamente satisfeitos, porque tiveram tudo quanto precisavam. A seguir, ao comando de Cristo, aquilo que foi deixado pelos que haviam comido, ou seja, os fragmentos, foi juntado, sendo que encheu doze grandes cestos. Aqui Cristo, mais uma vez, aparece como o Senhor e Criador onipotente de cus e terra, em quem os olhos de todas as criaturas esperam, para que lhes d alimento na ocasio prpria. H uma palavra de conforto para os cristos no fato que Jesus, a quem devemos a salvao e a vida de nossas almas, tambm tem em sua mo o alimento para cada dia, e cada dia nos dar o po cotidiano. Somos amparados de corpo e alma. A Confisso de Pedro e a Resposta de Cristo, Lc. 9. 18-27.A confisso de Pedro e dos doze, V. 18) Estando ele orando em particular, achavam-se presentes os discpulos, a quem perguntou: Quem dizem as multides que sou eu? 19) Responderam eles: Joo Batista, mas outros: Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas. 20) Mas vs, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Ento falou Pedro, e disse: s o Cristo de Deus. 21) Ele, porm, advertindo-os, mandou que a ningum declarassem tal coisa., 22) dizendo: necessrio que o Filho do homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos ancios, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e no terceiro dia ressuscite. Estamos algum tempo antes de Jesus conseguir condies para se retirar dos arredores do Mar da Galilia e ter o tempo para descansar e ter um trato sossegado com seus discpulos. Mas, quando a ocasio apareceu, ele, muito satisfeito, aproveitou a ocasio e viajou para a parte mais ao norte de Gaulanites. Aqui ele teve tempo para orar. Aqui tambm pde falar a ss com seus discpulos, ou seja, aos doze que estavam com ele. E depois de algum tempo os testou com um pergunta penetrante, no tanto para determinar o estado de sua f (sua oniscincia o sabia), mas para lev-los a uma confisso pblica. Perguntou, primeiro, o que o povo em geral dizia dele, ou seja, quem 1) 57) Lutero, citado em Stoeckhardt, Biblische Geschichte des Neuen Testaments, 124. 4. criam que ele era. E os discpulos responderam quais eram os rumores no ar sobre a identidade do Senhor, como nos Vv. 7,8. Agora, contudo, veio do Senhor a pergunta teste sobre a convico pessoa deles. Ele perguntou a todos, mas foi Pedro quem respondeu em nome de todos. De modo audaz e feliz ele exclamou: O Cristo de Deus. Isto foi o mesmo, que dizer, que haviam aprendido a conhecer seu Mestre como o Messias prometido, como o Ungido de Deus, e que eles criam que ele era aquele pelo qual aconteceria a salvao do mundo. Este conhecimento, de fato, ainda estava mesclado com boa quantia duma compreenso carnal. Era, contudo, algo maravilhoso que eles, ao menos, haviam feito tanto progresso. Por isso Jesus aceitou a confisso e os elogiou por ela. Mas, imediatamente, tambm se empenhou para orientar os pensamentos deles para o trilho certo sobre o seu ofcio. De modo grave e enftico, advertindo-os a no publicarem este fato entre o povo ao redor, para que a compreenso falsa dele sobre a obra do Messias no precipitasse uma crise, concedeu-lhes uma profecia sobre o propsito de sua vinda ao mundo, fazendo a primeira predio de sua paixo. Disse-lhes que ele, o Filho do homem, precisa, porque sobre ele pesava a divina obrigao, sofrer muito e ser publicamente rejeitado pelos lderes da igreja dos judeus e ser morto, mas tambm que ressuscitar novamente no terceiro dia. Aqui j foram dados os principais momentos da grande paixo. Seu fado esteve selado quando os principais sacerdotes e os ancios e escribas, que eram os membros do sindrio de Jerusalm, declararam excomungada aquela pessoa que se declarasse seguidora de Jesus. O povo se deixava amedrontar muito facilmente. Muitos criam no ntimo que Jesus era um profeta e o prprio Messias, mas no se ousavam fazer uma declarao pblica de sua f, e foi desta forma que...</p>

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