Revista Juridica #437

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Revista Jurídica

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  • 1. SUMRIO

2. Sumrio Sumrio Doutrinas Civil, Processual Civil e Comercial 1. Doao de rgos: Quem Pode Autorizar? Maria Berenice Dias.......................................................................9 2. A Nossa Democracia Depende da Liberdade de Imprensa? Sujeitos Diferentes, Direitos Diferentes e Impossibilidade de Sopesamento de Valores Brunela Vieira de Vincenzi...........................................................13 3. Igualdade na Aplicao da Lei no Brasil e os Precedentes Nativos Jefferson Cars Guedes.................................................................25 4. A Controversa Tutela Jurdica da Adoo Brasileira (Comentrios ao Julgamento do HC 274.845/SP) Daniel Ustrroz, Isadora Barth e Manoela Corra.........................45 Penal e Processual Penal 1. Constrio Patrimonial Processual Penal e sua Inadequao Jurdico-Constitucional Desconstruo e Reconstruo Interpretativa do Instituto Thiago M. Minag e Eric Cwajgenbaum......................................67 Jurisprudncia Civil, Processual Civil e Comercial Acrdos na ntegra 1. Superior Tribunal de Justia..........................................................89 2. Tribunal Regional Federal da 1 Regio........................................97 3. Ementrio de Jurisprudncia 1. Ementrio de Jurisprudncia Civil, Processual Civil e Comercial.....109 Penal e Processual Penal Acrdos na ntegra 1. Supremo Tribunal Federal...........................................................137 2. Superior Tribunal de Justia........................................................149 3. Superior Tribunal de Justia........................................................157 4. Tribunal Regional Federal da 2 Regio......................................163 5. Tribunal Regional Federal da 4 Regio......................................173 Ementrio de Jurisprudncia 1. Ementrio de Jurisprudncia Penal e Processual Penal......................203 ndice Alfabtico e Remissivo.................................................223 4. EDITORIAL A Revista Jurdica trata de temas atuais e de suma relevncia aos profissionais do direito. Os trabalhos doutrinrios, de autoria de relevantes juristas, so divididos nas reas cvel e penal. Doutrina Cvel A Advogada Maria Berenice Dias assevera que um dos mais fantsti- cos avanos da Medicina ocorreu quando descoberta a possibilidade de utili- zar tecidos, rgos e partes do corpo de uma pessoa em outra. Transplantes podem ser realizados entre pessoas vivas, mas, na grande maioria das vezes, depende do diagnstico de morte enceflica. Apesar de ser prtica que traz enormes esperanas a quem amarga em filas de espera, a dificuldade de lidar com a morte, somada falta de esclarecimento e de solidariedade, so obs- tculos que ainda impedem doaes. Quem sofre uma perda no consegue admitir que sua dor possa ser transformada na nica e ltima chance de ou- tros viverem. A Doutora Brunela Vieira de Vincenzi analisa a garantia constitucional de liberdade de expresso, os julgamentos recentes no Brasil sobre o tema, em especial quanto questo da liberdade de comunicao e expresso atra- vs dos meios de imprensa em confronto com a garantia privacidade. O Doutor Jefferson Cars Guedes examina o dever dos trs Poderes estatais em aplicarem a igualdade em suas atividades e funes tpicas ou nos atos e funes no-tpicos. Especialmente sobre o Poder Judicirio so exa- minadas as inmeras hipteses legais nas quais sobreleva o dever de igual- mente aplicar a lei, especialmente as recentes tcnicas processuais que intro- duzem medidas uniformizadoras e de incidncia massiva, com a pretenso de adoo da tcnica do precedente judicial e de sua obrigatoriedade. Nesses casos, s vezes, surgem situaes paradoxais de desigualao de casos idn- ticos o que confronta o prprio princpio. O Professor Daniel Ustrroz e as Acadmicas de Direito Isadora Barth e Manoela Corra analisam o papel da adoo no sistema jurdico brasileiro. 5. Apresenta um precedente do Superior Tribunal de Justia, discutindo os cri- trios que guiam a resoluo de casos, no atual momento histrico. Doutrina Penal O Mestre Thiago M. Minag e o Professor Eric Cwajgenbaum desen- volvem estudo no qual afirmam que, no mbito jurdico, muitas teorias dis- cutindo determinados pontos surgem, umas prudentes, outras renovadoras, algumas devastadoras e pontualmente inmeras teorias infundadas. Ocorre que o respectivo artigo busca, desde o comeo, apresentar a importncia da rediscusso de determinados temas, mesmo que considerados pacficos com a prudncia de, ao criticar, apresentar toda uma estrutura de descons- truo e reconstruo dos conceitos e entendimentos inerentes ao tema abor- dado. Tendo como base estrutural matrizes filosficas, ingresso na sistem- tica processual penal e consequentes releituras dos conceitos enraizados at ento, em especial a constrio patrimonial, amplamente utilizada, de forma indiscriminada, sem qualquer vis constitucional, apresentado no s verda- deira antecipao da pena, como tambm prejuzos patrimoniais incontveis a terceiros e at mesmo ao prprio indiciado ou acusado no processo cri- minal. Prezando pela constitucionalizao do direito, e respeito aos direitos fundamentais explcitos e implcitos em nossa Constituio, buscamos traba- lhar um tratamento digno e efetivo, no que se refere ao patrimnio daqueles envolvidos em uma persecuo criminal. Os Editores 6. Doutrina DoutrinaCvel Cvel DoutrinaCvel DOAO DE RGOS: QUEM PODE AUTORIZAR? Maria Berenice Dias Advogada, Vice-Presidenta Nacional do IBDFAM. Um dos mais fantsticos avanos da medicina ocorreu quando foi descoberta a possibilidade de utilizar tecidos, rgos e partes do corpo de uma pessoa em outra. Transplantes podem ser realizados entre pes- soas vivas, mas, na grande maioria das vezes, depende do diagnstico de morte enceflica. Apesar de ser prtica que traz enormes esperanas a quem amarga em filas de espera, a dificuldade de lidar com a morte, somada falta de esclarecimento e de solidariedade, so obstculos que ainda impedem doaes. Quem sofre uma perda no consegue admitir que sua dor pode ser transformada na nica e ltima chance de outros viverem. Autorizada pela Constituio Federal (art. 199, 4), que recomen- da que seja facilitada a remoo de partes do corpo humano para fins de transplante, de modo para l de humanitrio, a Lei n 9.434/1997 cha- mada de Lei dos Transplantes presumia autorizada a doao, devendo a negativa constar expressamente em documentos identificatrios. Tal foi a reao que a legislao acabou sendo alterada (Lei n 10.211/2001), passando a captao de tecidos, rgos ou partes do corpo humano de- pender de autorizao expressa. Da a necessidade de a lei eleger quem pode autorizar as doa- es. Apesar da injustificvel omisso da legislao especial, que no 7. 13 A NOSSA DEMOCRACIA DEPENDE DA LIBERDADE DE IMPRENSA? SUJEITOS DIFERENTES, DIREITOS DIFERENTES E IMPOSSIBILIDADE DE SOPESAMENTO DE VALORES Brunela Vieira de Vincenzi Professora na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Esprito Santo UFES, Mestre em Direito Processual pela Universidade de So Paulo (2002), Doutora em Direito Civil, Constitucional e Filosofia do Direito pela Johann Wolfgang Goethe Universitt Frankfurt am Main (2007), com Bolsa de Doutorado Integral durante o mesmo perodo concedida pela Capes em cooperao com o DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdiesnt), Ps-Doutoranda pelo Programa de Ps-Graduao da Universidade Federal do Esprito Santo UFES, com bolsa integral da Capes, Estagiria de Ps-Doutorado no Ncleo de Estudos da Violncia da Universidade de So Paulo e no Institut fr Sozialforschung em Frankfurt am Main, na Alemanha (2009-2010). Atuou entre 1998 e 2009 como advogada no Brasil, em So Paulo; e de 2010 a dezembro de 2012 como Advogada Europeia na Alemanha. Parecerista da Revista de Estudos Constitucionais, Hermenutica e Teoria do Direito (RECHTD). RESUMO: O presente artigo analisa a garantia constitucional de li- berdade de expresso e os julgamentos recentes no Brasil sobre o tema, em especial quanto questo da liberdade de comunicao e expresso por meio dos meios de imprensa em confronto com a garantia privacidade. ABSTRACT: This article examines the constitutional guarantee of the freedom of speech and recent trials in Brazil on the subject, es- pecially on the issue of freedom of communication and expression through mediums in comparison with the constitutional guarantee of privacy. SUMRIO: 1 O marco inicial do debate; 2 A liberdade de expresso como forma constitutiva do Estado democrtico e de manuteno da sua justia; 3 Estmulos ao debate; Referncias. 8. 25 IGUALDADE NA APLICAO DA LEI NO BRASIL E OS PRECEDENTES NATIVOS EQUAL APPLICATION OF THE LAW IN BRAZIL AND NATIVE PRECEDENTS Jefferson Cars Guedes Professor da Graduao, Mestrado e Doutorado do UniCEUB (Braslia), Doutor e Mestre em Direito Processual Civil pela PUC-SP, Advogado da Unio. RESUMO: o presente artigo examina o dever dos trs Poderes esta- tais em aplicarem a igualdade em suas atividades e funes tpicas ou nos atos e funes no tpicos. Especialmente sobre o Poder Judi- cirio so examinadas as inmeras hipteses legais nas quais sobre- leva o dever de igualmente aplicar a lei, especialmente as recentes tcnicas processuais que introduzem medidas uniformizadoras e de incidncia massiva, com a pretenso de adoo da tcnica do pre- cedente judicial e de sua obrigatoriedade. Nesses casos, s vezes, surgem situaes paradoxais de desigualao de casos idnticos, o que confronta o prprio princpio. PALAVRAS-CHAVE: Igualdade; igualdade na aplicao da lei; precedentes; jurisprudncia; coerncia. ABSTRACT: This article examines the duty of the three Powers of the State in the implementation of equality in its activities and typical duties or in the non-typical acts and functions. Especially on the Judiciary are examined numerous legal cases which outweighs the duty to apply the law equally, especially the recent procedural techniques that identify and introduce measures for uniformity and massive incidence, with th