0860 joao-sao-joao

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  • JOO SO

    JOO

    O DIRIO MGICO DO RETIRO DE

    G. H. FRATER, O.. M..

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    Joo So Joo O Dirio Mgico do Retiro

    de G. H. Frater O..M..

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    PREFCIO

    Faze o que tu queres h de ser tudo da Lei.

    Ningum sabe melhor que eu que este relato de meu Retiro labora sob as mais srias desvantagens.

    O local deveria ser um inacessvel lamaceiro no Tibet, construdo sobre estupendos pncaros; e minha familiaridade com a sia Central me permitiria pintar um tal cenrio com grande realismo.

    Eu deveria ter um Silfo como familiar; e meu Guru, um homem de miraculosa idade e ferocidade incrvel, deveria aparecer freqentemente em momentos de tenso dramtica.

    Um bruxo gigantesco montado num corcel cor de carvo teria dado mais fora cena; estranhas vozes, gritando coisas formidveis, deveriam rolar de cavernas sem fundo. Uma montanha na forma de uma Sustica, com um Pilar de Fogo, seria uma coisa tentadora; manadas de yaks impossveis, ces-fantasmas, grifos...

    Mas, meus amigos, no assim que se passam as coisas. Paris to maravilhosa quanto Lhassa, e existem tantos milagres em Londres quanto em Luang Prabang.

    Eu no achei sequer necessrio ir aos Bois de Boulogne procurar esses Trs Adeptos que fazem o nariz da gente sangrar, os quais nos so conhecidos dos escritos de MacGregor Mathers.

    O Universo da Magick est na mente de um homem; o cenrio apenas Iluso, mesmo para o pensador.

    A humanidade progride; antigamente, os homens viviam em regra no mundo exterior; nada menos que gigantes e sarracenos, homens de armas e donzelas em perigo, vampiros e scubos, podiam distra-los. Seus Magistas evocavam Demnios da fumaa de sangue, e faziam ouro de metais mais grosseiros.

    Nisto eles tiveram sucesso: pessoas perspicazes notaram que o ouro e o chumbo so apenas nuances do pensamento. Tornou-se provvel que os elementos sejam todos ismeros de um elemento; a matria concebida

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    como nada mais que uma modificao da mente; ou, pelo menos, as duas coisas, matria e pensamento, devem ser conjugadas antes que qualquer das duas se torne inteligvel. De um lado, todo conhecimento nos vem atravs dos sentidos; por outro lado, s atravs dos sentidos que nos vem o conhecimento.

    Portanto, ns prosseguimos com nossa conquista da matria; e estamos nos tornando peritos. Levou mais tempo para aperfeioar o telescpio que o automvel. E se bem que, naturalmente, existem limitaes, ns sabemos o suficiente para podermos prediz-las. Ns sabemos em que progresso o coeficiente de velocidade possvel a um barco a vapor aumenta e assim por diante.

    Mas em nossa conquista da Natureza, que estamos efetuando principalmente atravs da inteligncia racional, ns estamos nos tornado cnscios do mundo da mente; tanto assim que homens educados passam nove dcimos de seu estado de viglia naquele mundo, e descem dele apenas para comer, vestiram-se, etc., quando imperativamente chamados pela sua constituio fsica.

    Ora, para ns que assim vivemos, o mundo da mente nos parece quase to selvagem e inexplorado quanto o mundo fsico parecia aos gregos antigos.

    Existem incontveis regies de maravilha ainda no trilhadas e incompreendidas at mesmo, sem dvida, inimaginveis.

    Portanto, ns encetamos vigorosamente a explorao e cartografia dessas regies no trilhadas da mente.

    Certamente as nossas aventuras podem ser to excitantes quanto aquelas de Cortez ou Cook!

    por este motivo que eu chamo confiantemente a ateno da humanidade para este relato da minha jornada.

    Mas um certo tipo de pessoas ter ainda um outro desapontamento. Dificilmente posso eu ser considerado uma figura herica. Eu no sou o Bom-Mancebo-Que-Morreu. Eu no permaneo em santa meditao, balanando sobre as minhas pestanas, durante quarenta anos, restaurando as minhas energias fsicas com um nico gro de arroz a intervalos de vrios meses.

    Vs percebereis nestas pginas um ser humano, com todas as suas imperfeies pensando sobre ele, tentando s cegas, porm com todas as

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    suas foras, controlar os pensamentos de sua mente, de forma que possa dizer Eu pensarei este pensamento, e no aquele a qualquer momento, com tanta facilidade quanto todos ns (Tendo conquistado o mundo exterior.) podemos dizer Eu vou beber deste vinho, e no daquele.

    Pois, como estamos aprendendo, nossa felicidade absolutamente no depende de nossas posses ou poder materiais. Todos ns preferiramos estar mortos a sermos um milionrio que vive no terror dirio do assassinato ou da chantagem.

    Nossa felicidade depende do nosso estado mental. a mestria de tais coisas que os Magistas contemporneos esto buscando obter para a humanidade; eles no voltaro atrs, nem sero desviados.

    Foi com o objetivo de dar as rdeas s mos de outros que eu escrevi este relatrio, no sem dores.

    Outros, lendo-o, vero de que maneira se comea a trabalhar; eles emularo e aperfeioaro o mtodo; eles chegaro ao Mestrado; eles prepararo a Tintura Vermelha e o Elixir da Vida porque eles descobriro o que a Vida.

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    PRLOGO

    Pareceu-me apropriado fazer um relatrio cuidadoso, e at elaborado, deste Grande Retiro Mgicko, porque pela primeira vez eu tenho a certeza de que obterei algum Resultado. Antes eu nunca pude ter tal certeza.

    Prvios relatrios meus por esta razo pareceram vagos e obscuros at mesmo ao mais instrudo dos escribas; e eu receio que ainda aqui todo o meu talento de expresso e prvia experincia me sero de pouco auxlio, de forma que a parte mais importante do relatrio ficar em branco.

    Eu no sei dizer se isto parte do meu Kamma pessoal, ou a influncia do Equincio de Outono (L.N.); mas tem sido em geral nesta poca do ano que ocorrem os meus melhores Resultados.

    Pode ser que a sade fsica que o vero induz em mim (no gosto de umidade e frio) faa florescer aquela espcie particular de Energia Sammavyamo que d, ao mesmo tempo, o desejo de executar mais definida e exclusivamente a Grande Obra, e a capacidade de sucesso.

    Em qualquer caso, notvel que eu nasci em Outubro (1875); sofri o terrvel transe mstico que me levou ao Caminho em Outubro (1881); solicitei admisso A. D.em outubro (1898); abri meu templo em Boleskine em Outubro (1899); recebi os mistrios de L.I.L. e obtive o Grau de 6=5 em Outubro (1900); obtive os primeiros verdadeiros resultados msticos em Outubro (1901); desembarquei no Egito pela primeira vez em outubro (1902); deixei Rose pela primeira vez em Outubro (1904); escrevi o B-i-M em Outubro (1905) e obtive o Grau de 7=4; recebi a Grande Iniciao em Outubro de 1906; e em prosseguimento, recebi LXV, VII, etc. em Outubro de 1907.

    Portanto, nos ltimos dias de setembro de 1908 eu comeo a coligir e dirigir meus pensamentos; gentilmente, sutilmente, persistentemente, voltando-os todos questo de retiro e comunho com aquilo que eu convencionei chamar o Sagrado Anjo Guardio, cuja Conversao e Conhecimento eu tenho querido, e em maior ou menor medida tenho usufrudo, h Dez Anos.

    Terrveis tm sido os ordlios do Caminho; tenho perdido tudo que possua, e tudo que amava, tal como no Comeo eu ofereci Tudo por Nada,

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    sem saber naquela poca o significado destas palavras. Eu tenho sofrido muitas e dolorosas coisas s mos dos elementos, e dos planetas; fome, sede, fadiga, doena, ansiedade, perda, todas estas dores e outras tem pesado sobre mim e vde! Quando eu contemplo estes anos passados, eu declaro que tudo tem ido muito bem. Pois to grande a Recompensa que eu (indigno) obtive, que os Ordlios parecem apenas incidentes, insignificantes a no ser pelo fato que eles so as Alavancas por intermdio das quais eu movi o Mundo. Mesmo essas pavorosas fases de secura e desespero parecem apenas o necessrio perodo de gestao da Terra aps lanada a sementeira.

    Todos esses falsos caminhos de Magick, de Meditao e da Razo no eram falsos nem caminhos: eram degraus sobre o verdadeiro Caminho, da mesma maneira que uma rvore necessita mergulhar suas razes sob a Terra a fim de poder florir, e em sua estao dar fruto.

    De maneira que agora eu sei que mesmo em meus meses de absoro em prazeres e afazeres mundanos eu no estou realmente ali, mas estou de p nos bastidores, preparando o Evento.

    Imaginai-me, portanto, se quiserdes, em Paris no ltimo dia de setembro. Como me surpreendi eu se bem que, estivesse apenas ponderado, eu me teria lembrado de que devia ser assim de encontrar mo todo o aparato mgicko necessrio ao Retiro! Meses antes, por motivos bem diversos, eu transferi a maior parte das minhas posses mveis para Paris; agora venho a Paris, sem pensar em Retiros (pois agora sei o suficiente para deixar que meu destino faa com que as coisas aconteam sem ansiosa previso de minha parte), e sbito aqui me encontro e nada falta.

    Eu me determinei, pois, a comear quieto e paulatinamente, permitindo que a Vontade Mgicka se manifeste aos poucos, diariamente tornando-se mais forte, em contraste com meu antigo mtodo, o desespero inflamando um depsito de combustvel que secara por longa negligncia, nsia de resultado acendendo uma onda de energia que crepitava com violncia durante algumas horas e depois se apagava e nada feito. No arremessando, de acordo com o orculo, um p transcendente na direo da Piedade.

    Bem lentamente, e com simplicidade, eu me lavei e me vesti tal como determina a Gocia, envergando o Robe Violeta do Adeptus Exemptus (sendo uma Vestimenta nica), exibindo o Anel de um Adeptus Exemptus, e aquele Anel Secreto que me foi confiado pelos Mestres.

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    Tambm, eu tomei a Baqueta de Amendoeira de Abramelin e o Secreto Sino Tibetano, feito de Electrum Magicum, com seu Martelo de Osso Humano. Tomei tambm a Adaga Mgicka, e o Santo leo de Uno de Abramelin, O Mago.

    Eu comecei ento bem casualmente, executando o Rit