A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDÍ .1ª Atividade: Texto Estratégias de Leitura (anexo

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DEPARTAMENTO DA DIVERSIDADE

COORDENAO DA EDUCAO

INDGENA E CIGANA

A LEITURA NO CONTEXTODAS COMUNIDADES

INDGENAS

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A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

Os Contos Indgenas Brasileiros nos mostram que a palavra cria, enfeitia, embriaga, gera monstros, faz heris, remete-nos para nossa prpria memria ancestral e d sentido ao nosso estar no mundo.

Daniel Munduruku

OFICINAA LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

Contedos: A leitura relacionada realidade das

comunidades indgenas; O conhecimento dos estudantes indgenas e a prtica da

leitura desenvolvida nas escolas indgenas; As estratgias de leitura no contexto das escolas indgenas; Os processos mentais ativados durante as prticas de leitura; A seleo e adequao dos textos para o trabalho pedaggico com estudantes

indgenas.

Objetivos: Despertar nos estudantes indgenas o interesse pela leitura nas lnguas

Kaingang, Guarani e Portuguesa; Relacionar a prtica de leitura com temas de interesse dos estudantes indgenas; Compreender como se d o processo de aquisio da leitura.

Introduo:Em atendimento s Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Escolar

Indgena, a oficina visa atender as especificidades das escolas indgenas considerando os processos prprios de aprendizagem dos estudantes nelas matriculados.

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A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

Por entender que a lngua materna tem importante papel na preservao da cultura, as escolas indgenas do Paran ofertam ensino bilngue, sendo que ao ingressar na escola os estudantes passam a ter ensino escolarizado das lnguas Kaingang e Guarani (de acordo com o pertencimento tnico da comunidade), alm da lngua portuguesa, o que torna o processo educacional mais exigente, tanto para os estudantes, quanto para os professores que atuam nas escolas estaduais indgenas.

Dentre as prticas educacionais para o ensino de lnguas, a oficina prioriza a da leitura, fundamental para o domnio de qualquer idioma, enfatizando o cuidado criterioso, por parte do professor, na SELEO e ADEQUAO dos textos a serem trabalhados com os estudantes indgenas, de modo a obter resultados mais satisfatrios nas atividades que envolvem a leitura.

Um dos aspectos a ser levado em conta na adequao e seleo dos textos a serem utilizados nas prticas de leitura que faam referncia realidade prxima (prtica social inicial) dos estudantes indgenas, facilitando a INTERAO (uma das estratgias de leitura a serem fundamentadas durante a oficina) e garantindo que estes assimilem mais prontamente os contedos a serem ensinados/aprendidos. Os textos devem tambm fazer referncia realidade distante (prtica social final), a fim de propiciar que os estudantes entrem em contato com outras realidades.

Destaca-se que o encaminhamento pedaggico dispensado durante a prtica social inicial e a prtica social final exige, do professor, posicionamentos diferenciados. No primeiro caso possvel que professores e alunos estabeleam parcerias, j que configura uma situao de intercambio, de troca de conhecimento. No segundo caso, o professor assume a postura de mediador, aquele que constri pontes entre o que o aluno conhece e o que ainda no vivenciou.

A seleo dos textos deve levar em conta o nvel de escolaridade dos estudantes. O assunto Estratgias de Leitura foi selecionado por ser fundamental para a

construo de conhecimento e sistematizao de informaes, e por nos dar a conhecer aspectos sobre a leitura como processo, no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construo do significado sobre o assunto, o que j sabe sobre a lngua e o sistema de escrita.

De acordo com Smith (2003) damos demasiado crdito aos olhos por enxergarem. Frequentemente seu papel na leitura supervalorizado. Os olhos no veem, absolutamente, em um sentido literal. O crebro determina o qu e como vemos. As decises de percepo do crebro esto baseadas apenas em parte na informao colhida pelos olhos, imensamente aumentadas pelo conhecimento que o crebro j possui.

Em outras palavras, poderamos dizer que a gente v o que a gente sabe.

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A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

Para Smith dois fatores determinam a leitura: o que visto pelos olhos, e aquilo que est por trs dos olhos: o conhecimento prvio do leitor.

No se pode, diante disso, ignorar os conhecimentos trazidos pelos estudantes indgenas, ao chegarem escola, e tampouco a realidade da comunidade onde vivem. Esses aspectos determinam a inferncia feita nos textos, assuntos e contedos trabalhados pelo professor.

Para aproximar a oficina da realidade das escolas indgenas a Coordenao da Educao Indgena e Cigana/CEIC selecionou textos que retratam a cultura e a histria indgena e textos escritos nas lnguas Kaingang e Guarani, o que propiciar aos cursistas contato com a estrutura das lnguas indgenas e auxiliar o ensino/aprendizagem destas e da Lngua Portuguesa.

Para validar essa aproximao a CEIC consultou textos e entrevistas de Daniel Munduruku e Olvio Jekup, escritores indgenas que relatam, como conhecedores da realidade das comunidades indgenas, a importncia da prtica social do uso das lnguas: Kaingang, Guarani e Portuguesa, no caso das escolas indgenas do Paran.

A CEIC selecionou excertos de textos e entrevistas de Daniel e Olvio para que docente e cursistas estabeleam relaes entre a realidade das comunidades indgenas e as teorias que embasam as estratgias de leitura, contedo proposto para a oficina do Programa Formao em Ao/1 semestre de 2016.

Por considerar que a prtica da leitura e da escrita de responsabilidade de todas as reas do conhecimento e no somente do professor de Lngua Portuguesa (BITENCOURT, 2001), a CEIC prope que todos os professores, de todas as disciplinas e nveis de ensino, que atuam nas escolas indgenas, participem da oficina. Ressalta-se que as atividades aqui apresentadas podem ser trabalhadas em qualquer uma das disciplinas que compem a Base Nacional Comum e a parte diversificada.

Providncias Iniciais:

O docente dever providenciar sala com equipamento tecnolgico necessrio para a realizao da oficina: tela de projeo e projetor, salvar material em pendrive, se for o caso, e imprimir os textos (anexos 4, 5, 6, 7 e 8) a serem distribudos para os cursistas e a cpia do roteiro.

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A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

MOMENTO 1: 1 Atividade: Texto Estratgias de Leitura (anexo 1)

Fazer a leitura do texto de acordo com a metodologia escolhida pelo docente: Texto impresso ou projeo, leitura individual, em grupo ou coletiva.

Refletir sobre aspectos que chamaram a ateno dos cursistas: O que conhecem, destaques ou dvidas.

Informar que vivenciaro as estratgias de Antecipao, Inferncia e Verificao durante a 2 atividade.

2 Atividade: Leitura compartilhada das entrevistas com Daniel Mandurucu e Olivio Jukup (lminas 5 e 6 do anexo 12 ou anexo 13 e 14).

Projetar se possvel, ou imprimir cpias para os cursistas.

Refletir sobre a concepo de leitura apresentada pelos autores indgenas relacionando-as com as leituras e discusses feitas ate o momento.

IMPORTANTE: Sugere-se um olhar especial para esses textos. So declaraes recheadas de sabedoria e conhecimento e que merecem leitura atenta, capaz de captar a essncia das experincias compartilhadas.

3 Atividade: Texto: O Roubo do Fogo (anexos 10 e 11) - As estratgias de antecipao, inferncia e verificao na Prtica.

IMPORTANTE: As Estratgias de leitura so tcnicas ou mtodos que os leitores usam para

adquirir a informao, e para facilitar o processo de compreenso em leitura. So planos flexveis adaptados s diferentes situaes que variam de acordo com o texto a ser lido e a abordagem elaborada previamente pelo leitor para facilitar a sua compreenso, (Duffy & Cols., 1987; Brown, 1994; Pellegrini, 1996; Kopke, 2001). Elas acontecem de forma consciente ou inconsciente e automaticamente.

O docente no necessita (em nenhum dos blocos de questionamentos) responder ou confirmar as antecipaes feitas pelos cursistas. A leitura do texto dar conta de confirmar, ou no, as previses feitas pelos cursistas.

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A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

Fazer uma pergunta de cada vez e esperar as manifestaes (de acordo com o tempo disponibilizado para a atividade).

importante que todos participem.

Destaques: Explicar que um texto narrativo, ou seja, uma histria que pode, ou no, retratar a crena do Guarani. Como um texto que menciona os indgenas Guarani, sugere-se um texto que retrate a cultura dos Kaingang, quando os cursistas pertencerem a essa etnia. Sugesto: Origem do Fogo (anexo 2).

Substituir os textos, se julgar que a maioria dos cursistas j os conhece

Professor: O professor inicia a atividade mostrando apenas o ttulo do texto. Poder usar projeo ou texto impresso. Somente o docente fica com a cpia.(Se algum conhecer o texto no dever se manifestar)

A partir da leitura do ttulo questiona:Do que fala o texto?Qual a tipologia textual?Quem roubar o fogo? De quem ser roubado?Tem relao com os indgenas?Quem so os personagens?A que poca faz referncia?

Professor: Inicia a leitura do texto: Em tempos antigos o Guarani no sabiam acender fogo. Na verdade eles sabiam apenas que existia o fogo, mas comiam alimentos crus, pois o fogo estava em poder dos urubus.

Para a leitura e questiona:Algum imaginou que apareceriam urubus como personagens?De onde os urubus conseguiram o fogo?Quem tentar roubar o fogo dos urubus? E por qu?

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A LEITURA NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDGENAS

Professor: l mais um trecho: O fogo estava com estas aves porque foram elas que primeiro descobriram um jeito de se a