Apostila Contabilidade Comercial

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  • Prof. Antonio das Graas Alves Ferreira (Contabilidade Comercial) 2008

    CONTABILIDADE COMERCIAL

    Antonio das Graas Alves Ferreira

  • Prof. Antonio das Graas Alves Ferreira (Contabilidade Comercial) 2008

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    TPICO 1 A CONTABILIDADE COMERCIAL E SEU CAMPO DE APLICAO

    1.1. CONCEITO, ORIGEM E EVOLUO DO COMRCIO

    COMRCIO: entende-se por comrcio a troca de mercadorias por dinheiro ou de uma mercadoria por outra. A atividade comercial inerente natureza e s necessidades humanas, pois todos temos necessidades e, se no existisse moeda, trocaramos bens que temos em excesso por outros que no possumos (escambo). A atividade comercial das mais importantes por permitir colocar disposio dos consumidores, em mercados fsica ou economicamente delimitados grande variedade de bens e servios, necessrios satisfao das necessidades humanas. Neste sentido, diz-se, tambm, que o comerciante a pessoas fsica ou jurdica que aproxima vendedores e compradores, levando-os a completar uma operao comercial, ou seja, a troca de mercadorias por dinheiro ou por outras mercadorias.

    ORIGENS HISTRICAS DO COMRCIO

    So remotas as origens do Comrcio. Na antiguidade, os fencios, provavelmente, foram o povo que mais se notabilizou na atividade comercial. Vrias causas e fatores contriburam para tal, algumas inclusive de natureza geogrfica. A Fencia dispunha de pouca terra para o desenvolvimento de uma agricultura de grande qualidade. Assim, teve de voltar-se atividade comercial, construindo frota que realizava atividades comerciais com o Ocidente, bem como, por terra, com o Oriente. Alm dos fencios, foram muitos os povos da Antiguidade que exerceram com esmero a atividade comercial, como os gregos e mesmo os romanos. Mais recentemente, entre os sculos XII e XVI, vrios pases independentes e repblicas europias desenvolveram intensa atividade comercial. Destacam-se Veneza, com seu interesse principalmente voltado para o Oriente, e Portugal, bem como outros pases de tradio de descobertas e de navegao. Por vocao, por necessidade e como conseqncia de suas descobertas, acabaram desenvolvendo sua atividade comercial em nveis acima da mdia.

    Modernamente, o comrcio uma atividade primordial de todos os pases. O Brasil tem, desde a poca da abertura dos portos, no incio do sculo XIX, desenvolvido ampla vocao para as atividades comerciais, tanto internas quanto externamente, favorecidas pela excepcional variedade de produtos primrios e secundrios que produz, bem como premido pela necessidade de importar outros bens de capital dos quais carente.

    1.2. TIPOS DE ENTIDADES MERCANTIS

    Tradicionalmente, uma classificao fundamental a que separa as entidades mercantis (comerciais) em dois grandes tipos: entidades comerciais atacadistas e entidades comerciais varejistas.

    A separao mais facilmente notada quando se caracteriza a funo que a empresa mercantil, de um tipo ou outro, exercita dentro do campo econmico. Por exemplo, os clientes de um ou outro tipo que melhor definem as diferenciaes.

    Assim, por um lado, a clientela preferencial ou caractersticas das empresas atacadistas constituda por empresas industriais, agrcolas, que utilizam as mercadorias vendidas pelo atacadista, como matria-prima ou suprimentos, ou outras empresas mercantis intermedirias. importante notar que

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    a mercadoria vendida por tais entidades nunca vai diretamente ao consumidor final. Sempre segue para outras empresas que aplicam mais trabalho e produzem outro produto ou para empresas mercantis colocadas num grau inferior da cadeia de distribuio.

    Por outro lado, a empresa mercantil varejista comercia, usualmente, bens de consumo que vo diretamente para o consumidor. Para bens especificamente instrumentais (bens de consumo intermedirio), pode tambm vender diretamente para certas indstrias de transformao. Evidentemente, h tambm empresas com caractersticas mistas.

    Um fenmeno particularmente importante nos ltimos anos e muito comentado pelos especialistas o do constante acrscimo do custo de distribuio, em algumas linhas de atividade comercial. H uma tendncia em acarretar grande desequilibro entre o custo de produo e o custo de distribuio, encarecendo em demasia este ltimo e, portanto, tornando proibitivo o preo final ao consumidor.

    como conseqncia desse fenmeno que alguns produtores de bens de consumo procuram organizar, no mbito da prpria empresa ou consorciando-se com outros produtores, a venda diretamente ao consumidor. O caso dos produtos hortifrutigranjeiros um exemplo tpico em que tais associaes podem ocorrer.

    Entretanto, no apenas nos canais de distribuio que se diferenciam os dois tipos vistos. Existem claras diferenciaes, entre outras, nos seguintes setores:

    - Poltica de compras; - Poltica de financiamentos; - Natureza e grau de riscos assumidos.

    Considere-se tambm que algumas empresas executam compra e venda por conta prpria, outras por conta de terceiros. So exemplos destas ltimas: as comissionadas, os representantes e as representaes e outros agentes auxiliares de comrcio, que tem algumas caractersticas jurdicas, administrativas e comerciais bastante diferenciadas das entidades que operam por conta prpria.

    Assim, pode-se distinguir:

    a) entidades mercantis atacadistas que operam, usualmente, por conta prpria; b) entidades mercantis varejistas que operam, usualmente, por conta prpria; c) entidades de comissionados, de representantes e outras, que operam usualmente por conta

    alheia.

    interessante notar que as empresas mercantis que operam no atacado podem tambm ser diferenciadas caso constituam uma unidade econmica independente ou caso constituam uma entidade econmica coligada a outras entidades produtoras de bens, a fim de distribuir a produo.

    Por um lado, as grandes entidades industriais ou grupos industriais, a fim de eliminar o desequilbrio entre custos de produo e de distribuio, criam, s vezes, dentro do mesmo grupo, entidades de distribuio que operam no atacado. Por outro lado, tais configuraes podem at verificar-se entre pases ou entre regies econmicas. o caso das entidades de distribuio de vendas, no mbito dos grandes grupos siderrgicos, da mecnica pesada ou de automveis. Associaes polticas e econmicas, tais como o Mercado Comum Europeu e outras, favorecem e estimulam tais tipos de configuraes.

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    1.3 CONCEITOS DE EMPRESA E EMPRESA COMERCIAL

    EMPRESA: a unidade produtora ou organismo econmico atravs do qual so reunidos e combinados os fatores da produo, tendo em vista o desenvolvimento de um determinado ramo de atividade econmica, para obteno de bens e/ou servios, objetivando lucro.

    Assim, toda entidade que se constitui, sob qualquer forma jurdica, para a explorao de atividade econmica, seja ela mercantil, industrial, agrcola ou de prestao de servios, uma Empresa.

    EMPRESA COMERCIAL: aquela que se constitui com o fim de exercer atividade mercantil.

    ATIVIDADE MERCANTIL: a atividade tipicamente mercantil aquela exercida pelas empresas que servem de mediadoras, comprando e vendendo mercadorias, sem qualquer transformao e com o fito de lucro, obtido da diferena entre o preo de compra e de venda.

    FUNO DA EMPRESA COMERCIAL: a funo da Empresa Comercial de servir de mediadora entre o produtor e o consumidor de bens, o que feito com finalidade lucrativa.

    A atividade mercantil, ou comercial, caracterizada pela prtica de atos de comrcio, exercida por pessoas denominadas Agentes do Comrcio.

    LEGALIDADE DO ATO DE COMRCIO

    O Direito Civil exige que todo ato, para ser regulamentado pelo Direito necessita apresentar 3 requisitos:

    1 - Que seja praticado por agente capaz; 2 - Que tenha forma prescrita ou no defesa em lei; 3 - Que seja praticado com objetivo lcito.

    CONSTITUIO E FORMA JURDICA DAS EMPRESAS

    Para desenvolver suas atividades, as empresas necessitam estar legalmente constitudas.

    As leis brasileiras distinguem as Pessoas Fsicas das pessoas Jurdicas da seguinte forma:

    PESSOA FSICA: o indivduo perante o Estado, no que diz respeito aos seus direitos e obrigaes.

    PESSOA JURDICA perante o Estado a associao de duas ou mais pessoas numa entidade com direitos e deveres prprios e, portanto, distintos daqueles dos indivduos que a compem.

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    1.4. TIPOS DE SOCIEDADES

    l.4.1. INTRODUO

    O Novo Cdigo Civil, Lei n 10.406, de 10.01.2002-DOU de 11.01.2002, revogou a Parte Primeira do Cdigo Comercial (Lei n 556, de 25.06.1850) e trouxe uma nova disciplina sobre empresrio (firma individual) e sociedades.

    As novas normas esto insculpidas nos art. 966 a 1.195 do Cdigo, mais especificamente no Livro II, que tem o ttulo de Do Direito de Empresa. Vale lembrar que:

    a) as associaes, sociedades e fundaes, constitudas na forma das leis anteriores, bem como os empresrios, devero adaptar-se s disposies do Novo Cdigo Civil at 11.01.2007 (esta regra no se aplica s organizaes religiosas nem aos partidos polticos art. 2.031 do NCC, com as modificaes das Leis ns 10.825/2003 e 11.127/2005);

    b) originalmente, o prazo mencionado na letra a) era at 11.01.2004, tendo sido prorrogado, posteriormente, para 11.01.2005 (Lei n 10.838/2004) e para 11.01.2006 (MP n 234/2005), e, mais recentemente, 11.01.2007 (Lei n 11.127/2005).

    c) salvo o disposto em lei especial, todavia, as modificaes dos atos constitutivos das sociedades, associaes e fundaes, bem como a sua transformao, incorporao, ciso ou fuso, passaram a ser regidas, desde logo, pelo NCC;

    d) a d