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APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

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Apostila: Direito Processual Penal por Carmem Ferreira Saraiva

Apostila de Direito Processual Penal

Assunto:

DIREITO PROCESSUAL PENAL

Autor:

CARMEM FERREIRA SARAIVA

I Jurisdio Penal

Conceito

Em sentido estrito, o poder de dizer o direito no caso concreto.

Conceito simples poder de dizer o direito.

Conceito completo - poder de decidir as demandas que surgem no relacionamento humano dirio, aplicando o direito no caso concreto. A fonte imediata do direito a lei, principalmente no processo penal (princpio da reserva legal).Assim, pode haver a conduta imoral, porm legal e ainda a conduta moral, porm ilegal.

Somente o juiz pode dizer o direito, porque a pessoa legalmente investida no cargo, sendo o poder jurisdicional indelegvel.

Existem, tambm, outros rgos jurisdicionais:

o tribunal do jri - crimes dolosos contra a vida (homicdio, infanticdio, induzimento ao suicdio e aborto) nas suas formas tentada e consumada (juizes leigos);

congresso nacional presidente da repblica, senadores e deputados federais em crimes de responsabilidade funcional;

STF presidente da repblica, senadores e deputados federias em crimes comuns;

STJ governadores em crimes comuns;

tribunal de justia deputados estaduais e prefeitos em crimes comuns;

assemblia legislativa governadores e deputados estaduais em crimes de responsabilidade funcional;

cmara dos vereadores prefeito em crime de responsabilidade funcional;

obs vereadores no tm foro privilegiado.

Diviso

quanto categoria

inferior- comarcas - 1 grau de jurisdio

superior tribunais 2 grau de jurisdio

quanto matria as competncias dos juizes no podem ser misturadas

penal

civil

eleitoral

militar

quanto ao organismo

estadual

federal Unio e autarquias

quanto ao objeto

contencioso a ao proposta com litgio;

voluntrio para feitos administrativos;

quanto funo

ordinria justia comum;

especial tribunal do jri, STF, STJ, etc.;

quanto competncia

plena juizes nas pequenas comarcas;

limitada juizes nas grandes comarcas, onde as competncias esto separadas.

Elementos

notio conhecimento o poder que o juiz tem de conhecer todos os detalhes dos fatos que esto sub-judice em busca da verdade real, para proferir a deciso justa ;

vocatio chamamento o poder que o juiz tem de obrigar a vir a si testemunhas, peritos, intrpretes, etc., para esclarecimentos, devendo, para tanto, notificar as partes, porque as provas no so somente para si;

coertio coero poder que o juiz tem de obrigar testemunhas, peritos, intrpretes, etc. a comparecer em lugar pr-estabelecido (conduo sob vara);

juditio julgamento poder que o juiz tem de julgar o processo;

executio execuo poder do juiz de executar a sentena, inclusive com o uso da fora.

Princpios

juiz natural o juiz competente para julgar os crimes ocorridos nos limites territoriais de sua jurisdio;

investidura para exercer a funo jurisdicional deve ser o juiz bacharel em direito aprovado em concurso de provas e ttulos dado pelo tribunal, ser nomeado, tomar posse como juiz de direito e entrar em exerccio na comarca;

imparcialidade do juiz o juiz tem que ser extremamente isento para proferir uma sentena justa;

iniciativa das partes (ne procedat judex ex officio) art. 5 da exposio de motivos do CPP o juiz no pode proceder de ofcio, porque se assim no fosse no estaria sendo imparcial. Qualquer deciso judicial tem que ser provocada e fundamentada, pois somente as partes podem comear a ao.

indeclinabilidade - o juiz no pode declinar a nenhum outro seu poder;

improrrogabilidade no se pode prorrogar a competncia para outra comarca, exceto nos casos em que esta esteja vaga;

inevitabilidade o juiz natural no pode outorgar sua competncia a qualquer outro;

relatividade o juiz somente pode julgar dentro do pedido, sendo-lhe vedado julgar extra petita, ultra petita ou citra petita;

processualidade nenhuma deciso pode ser proferida sem o regular processo.

II Competncia Jurisdicional

Conceito

Medida da jurisdio.

rea territorial em que o juiz tem exercita a jurisdio. necessrio delimitar a rea de competncia jurisdicional para evitar conflito.

Nas grandes comarcas, a jurisdio est dividida por matria (varas especiais).

No MP no h conflito de competncia, somente de atribuies, que ir ser decida pelo procurador de justia.

Jurisdio Especial

militar atua nos crimes do exerccio da funo;

eleitoral atua desde o registro das candidaturas at crimes eleitorais;

trabalho atua nas causas entre patres e empregados litgio trabalhista;

federal atua nas causas em que a Unio e suas autarquias so partes, seja plo ativo ou plo passivo no 1 e 2 graus;

justia comum ou estadual atua nas outras causas para as quais no haja foro privilegiado em comarcas de 1, 2 e 3 intrncias e intrncia especial para 1 grau;

tribunal de justia e tribunal de alada atua nas causas provenientes da justia comum em 2 grau, esclarecendo-se que entre elas no h hierarquia, somente distino de matria;

juizes vitalcios 2 anos no cargo

juizes no vitalcios - juiz substituto incio de carreira

juiz de paz tem funo somente conciliatria (casamento), sem funo jurisdicional (art. 98 CF);

juizados especiais h o civil e o penal, sendo que ltimo promove somente a transao penal, que no tem reflexo na vida da pessoa como o processo penal.

Fixao da Competncia

Lugar da Infrao (arts. 70 e 71 CPP) :

local do cometimento do crime

local onde se esgotou a atividade delituosa

Regra local do cometimento do crime ou o local onde se esgotou a atividade delituosa.

Princpios que fixam a competncia :

poltica de preveno criminalidade- o Estado busca uma resposta quela sociedade;

facilidade de provas ;

economia processual.

Considera-se praticado o crime no momento da ao ou omisso, e ainda onde se esgotou a atividade delituosa (arts. 4 e 6 CP). Adotou-se, ento, a teoria mista, ou seja, a competncia escolhida para cada crime especfico.

Regra : a competncia ser determinada :

lugar em que se consumar a infrao;

no caso de tentativa, lugar em que for praticado o ltimo ato de execuo.

Exemplos de casos de deforamento :

caso o ru seja muito influente no local do cometimento do crime ou no local onde se esgotou a atividade delituosa;

firma-se a competncia do local onde ocorreu o crime mais grave, se for diferente do local do cometimento do crime ou o local onde se esgotou a atividade delituosa, caso em que haver unidade de julgamento;

Lugar do domiclio ou residncia do ru (arts. 72 e 73 do CPP)

No conhecido o local do cometimento do crime ou o local onde se esgotou a atividade delituosa, firma-se a competncia do local da residncia ou domiclio do ru.

Obs nos crimes de ao privada, o querelante pode preferir o domiclio do ru, ainda que outro tenha sido o local da infrao.

Firma-se a competncia pela preveno:

se o ru tiver mais de uma residncia;

se o ru no tiver residncia ou for ignorado seu paradeiro.

Natureza da Infrao (art. 74 CPP)

Prevalece a competncia, conforme o que a lei especificar.

Exemplos :

crime eleitoral justia eleitoral;

crimes dolosos contra a vida tribunal do jri;

crime falimentar justia falimentar.

Distribuio (art. 75 CPP)

A distribuio feita pelo cartrio, aleatoriamente, exceto nos casos de varas especializadas. A procedncia da distribuio fixa a competncia. Exceo quando o juiz suspeito.

Conexo e Continncia (arts. 76 a 82 CPP)

Importam em unidade de processo e julgamento, economia processual e unificao de penas privativas de liberdade (art. 75 CP).

Conexo ocorre nos casos em que h nexo de relao entre crimes, ou seja, somente quando houver concurso de crimes :

duas ou mais infraes praticadas em concurso ou reunio de pessoas, embora diverso o tempo e o lugar;

no mesmo caso, para facilitar ou ocultar as infraes ou conseguir impunidade ou vantagem;

infraes ou suas circunstncias elementares tm a mesma prova.

Continncia ocorre nos casos em que no h elo de ligao entre uma conduta e outra:

duas ou mais pessoas forem acusadas da mesma infrao (concurso formal).

Obs Concurso de crimes arts. 69 e 70 CP

formal uma nica ao gera dois ou mais crimes

material mais de uma ao gera dois ou mais crimes.

Regras :

prevalece a competncia do jri, quando houver concurso de competncia do jri e de outro rgo de jurisdio comum;

quando houver concurso de jurisdies da mesma categoria :

prevalece a competncia do lugar da infrao, qual for cominada pena mais grave;

prevalece a competncia do lugar onde houver ocorrido maior nmero de infraes

nos demais casos, firma-se a competncia por preveno.

prevalece a jurisdio de maior graduao, quando houver concurso de jurisdio de diversas categorias;

prevalece a jurisdio especial, quando houver concurso entre jurisdies comum e especial.

Casos em que a conexo e continncia no importam em unidade de processo e julgamento :

concurso entre jurisdio comum e militar;

concurso entre jurisdio comum e juzo de menores, pois contra o menor o processo no se inicia.

Cessa a unidade de processo :

se em relao a qualquer ru sobrevier doena mental, (instaura-se o incidente de insanidade) caso em que ser autuado em processo de incidente de sanidade mental; o juiz poder ordenar internao em manicmio judicirio ou instituio equivalente, e o processo incidental em relao a ele ficar suspenso at que este ru se restabelea. O processo principal em relao aos outros rus deve prosseguir, para que no se expire o prazo processual;

quando houver crimes diferentes.

Cessa a unidade de julgamento, mesmo que haja unidade de processo:

se houver co-ru foragido que no possa ser julgado revelia crimes dolosos contra a vida inafianveis;

se os co-rus tiverem diferentes defensores;

houver diferente recusa de jurado;

Obs o jurado recusado por um ru e aceito por outro poder participar o julgamento do ru que o aceitou, salvo se tambm no for recusado pela acusao.

facultada a separao dos processos :

as infraes tiverem sido praticadas em circunstncias de tempo ou de lugar diferentes;

para no prolongar a priso provisria dos acusados, quando em excessivo nmero;

por outro motivo relevante, que o juiz repute conveniente a separao.

Verificada a reunio de processo, o juiz continuar competente para os demais processos, mesmo que no processo de sua competncia sobrevenha sentena absolutria ou desclassificao para outra que no inclua sua competncia.

Reconhecida incialmente a competncia ao jri por conexo e continncia, o juiz que vier a desclassificar a infrao ou impronunciar ou absolver o acusado, remeter o processo ao juzo competente. Caso seja o jri for o que desclassifique, o juiz que preside o tribunal ser o competente.

Preveno (art. 83 CPP)

Firma-se a competncia pela preveno ao primeiro juiz que toma conhecimento do fato delituoso e pratica algum ato pertinente.

Exemplos (art. 71 e 1 e 2 do art. 72 CPP) :

infrao continuada ou permanente praticada em territrio de duas ou mais jurisdies;

se o ru tiver mais de uma residncia;

se o ru no tiver residncia ou for ignorado seu paradeiro.

Prerrogativa de Funo (arts. 84 a 87 CPP)

A competncia firmada em razo do cargo que o ru ocupa ou pelo tipo de infrao cometida.

Exemplos :

o tribunal do jri - crimes dolosos contra a vida (homicdio, infanticdio, induzimento ao suicdio e aborto) nas suas formas tentada e consumada (juizes leigos);

congresso nacional presidente da repblica, senadores e deputados federais em crimes de responsabilidade funcional;

STF presidente da repblica, senadores e deputados federias em crimes comuns;

STJ governadores em crimes comuns;

tribunal de justia deputados estaduais e prefeitos em crimes comuns;

assemblia legislativa governadores e deputados estaduais em crimes de responsabilidade funcional;

cmara dos vereadores prefeito em crime de responsabilidade funcional;

obs vereadores no tm foro privilegiado.

Disposies Especiais

O STF entende que as pessoas com prerrogativa de foro em decorrncia da funo, somente tero esta prerrogativa se se encontrarem no exerccio da funo por ocasio da conduta delituosa. Quando no mais estiverem no cargo, sero julgadas pela justia comum.

Casos especiais:

crimes praticados fora do pas juiz competente o da capital do estado onde por ltimo residiu o acusado, ou caso no tenha residncia, o juiz competente o de Braslia;

crimes cometidos em embarcaes nacionais ou em aeronaves nacionais nas guas ou no espao areo brasileiros sero julgados pelo juiz do primeiro porto ou aeroporto em que a embarcao ou a aeronave tocar, aps o crime;

crimes cometidos por aeronave nacional no territrio nacional ou em alto-mar ou em aeronave estrangeira no espao areo brasileiro sero julgados pelo juiz do ltimo aeroporto do qual a aeronave partiu;

quando incerta, a competncia se firmar pela preveno.

Tribunal do Jri

A cada fim de ano so selecionados os jurados e seus suplentes para o ano seguinte, que constaro, em dezembro, de uma lista publicada, que pode ser impugnada por qualquer cidado.

Para cada julgamento so sorteados e convocados 21 jurados, dos quais , no mnimo, 15 devem estar presentes para que se possa instaurar os trabalhos. Entretanto, comporo o conselho de sentena, somente 7 jurados, que no mais podem funcionar em outro processo.

As partes tm direito a at 3 recusas imotivadas. O jurado recusado por um ru e aceito por outro poder participar o julgamento do ru que o aceitou, salvo se tambm no for recusado pela acusao.

1 Fase Processual

denncia pelo MP;

recebimento da denncia pelo juz;

interrogatrio do ru;

defesa prvia feita pelo defensor;

sumrio de culpa oitiva das testemunhas;

diligncia se houver fato novo;

alegaes finais MP pronuncia o ru;

2 Fase Processual

pronncia mero juzo de admissibilidade da ao proposta pelo Estado (denncia), por meio da qual se determina que o juiz remeta o processo ao tribunal do jri; no faz coisa julgada material, porque pode ser mudada pelo jri; pode haver recurso da pronncia em 5 dias, sob pena de precluso (perda do direito de recorrer); nulidades ocorridas depois da pronncia devem ser aguidas no incio da audincia de julgamento, sob pena de precluso (perda do direito de recorrer); a sua nulidade requerida.

libelo crime acusatrio proposio de acusao feita pelo MP de acordo com a denncia em julgamento e tem que ser distinto para cada ru;

contrariedades ao libelo crime acusatrio teses da defesa do defensor em julgamento;

quesitos a partir do libelo e das teses de defesa apresentadas em julgamento, o juiz apresentar os quesitos ao jri para votao; os quesitos referem-se a autoria, a materialidade, a letalidade e a tentativa da conduta; o juiz pautar sua sentena, conforme a votao dos quesitos feita pelo jri e nas condies do art. 59 CP, ou seja, condies do agente, grau de culpabilidade, etc.;. regras da formulao dos quesitos (art. 481 CPC) : 1)fato principal do libelo, 2)teses que causam absolvio, 3)teses que causam diminuio de pena; 4)teses atenuantes; 5) teses qualificadoras; 6)teses que causam aumento de pena, etc.

impronncia se no h prova de autoria e materialidade do crime, o juiz julga por impronncia e arquiva o processo; mas, antes de ocorrer a prescrio, o juiz pode desarquiv-lo, quando houver prova de autoria e materialidade;

absolvio sumria prova de excludente de ilicitude ou excludente de penalidade; entretanto tem duplo grau de jurisdio (recurso de ofcio);

desclassificao o juiz que preside o jri sumariamente entendendo que no aquele crime, pode desclassific-lo, mas no capitul-lo, remetendo, assim, o processo secretaria para que seja distribudo ao juiz competente. Caso o crime seja desclassificado pelo jri, o juiz que preside o tribunal ser o competente para o julgamento, oportunidade em que proferir a sentena.

2 Prova

I Priso

Priso a privao da liberdade de locomoo , ou seja, do direito de ir e vir, por motivo lcito ou por ordem legal. Pode ser :

pena privativa de liberdade - simples (contraveno), priso para crimes militares, recluso, deteno;

ato de captura priso em flagrante ou em cumprimento de mandado;

custdia recolhimento da pessoa ao crcere;

Espcies de Priso:

priso penal tem a finalidade repressiva e ocorre com o trnsito em julgado da sentena condenatria em que se imps pena privativa de liberdade;

priso de natureza processual a priso cautelar em sentido amplo e pode ser :

priso em flagrante (arts. 301 a 310 CPP);

priso preventiva (arts. 311/316 CPP);

priso resultante de pronncia (arts. 282 e 408 1 CPP);

priso resultante de sentena penal condenatria sem trnsito em julgado (arts. 393 I CPP);

priso temporria (Lei n 7.960/89);

priso cautelar de natureza constitucional (art. 139 II CF);

priso administrativa art. 319 I CPP, cuja competncia a autoridade judiciria;

priso civil devedor de alimentos, depositria infiel, detentor de ttulo e falido (art. 5 LXVII CF);

priso disciplinar art. 656 CPP, revogada pela CF;

priso militar crimes militares (art. 5 LXI e 142 2 CF).

Mandado de Priso

Regra a priso somente pode ser efetuada mediante ordem escrita da autoridade judiciria competente (art. 285 CPP).

Requisitos do mandado:

ser lavrado pelo escrivo e assinado pela autoridade;

designar a pessoa que tiver de ser presa (perfeita individuao);

mencionar a infrao penal que motivar a priso (fundamento);

valor da fiana arbitrada, quando inafianvel a infrao;

indicao de quem dirigida para dar-lhe execuo;

gera nulidade autoridade incompetente, no ser assinado pelo juiz; no designar a pessoa ou no ter fundamento. Obs. se atingida sua finalidade, no ser nulo (art. 572 II CPP).

podero ser expedidos quantos mandados forem necessrios, desde que seja reproduo fiel do teor do original (art. 297 CPP).

Execuo do Mandado

Regra a priso ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora, respeitadas as restries relativas inviolabilidade do domiclio (art. 283 CPP e art. 5 XI CF).

O mandado dever ser expedido em duplicata, cpia que o executor dever entregar ao preso, sendo aposto dia, hora e lugar da diligncia (art. 286 CPP).Se o preso se recusar a receb-la, no souber ou no puder escrever, ser assinada por duas testemunhas (art. 286 CPP). Ser informado ao preso os seus direitos, dentre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistncia da famlia e de advogado e da identificao dos responsveis por sua priso ( art. 5 LXII e LXIV CF).

Se a infrao for inafianvel, a falta de exibio do mandato no obstar a priso e o preso em tal caso, ser imediatamente apresentado ao juiz que tiver expedido o mandado (art. 297 CPP).

Priso em Domiclio

Art. 5 XI CF A casa asilo inviolvel do indivduo, ningum nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre ou para prestar socorro ou durante o dia , por determinao judicial.

Regra

durante o dia, havendo mandado de priso, a captura pode ser efetuada durante o dia (6:00 hs s 18:00 hs), mesmo sem o consentimento do morador, seja este capturando ou terceiro. (art. 293 CPP).

durante a noite, na oposio do morador ou de pessoa a ser presa, o executor no poder invadir a casa, devendo esperar que amanhea para se dar cumprimento ao mandado. Entretanto, em se tratando de crime em execuo ou de flagrante delito, permite-se a entrada sem o consentimento do morador (art. 293 CPP).

Priso em Perseguio

Regra o perseguidor poder efetuar a priso no lugar onde alcanar o capturando (art. 290 CPP).

Entende-se por perseguio :

tendo-o avistado, for perseguindo-o sem interrupo, embora o tenha perdido de vista;

sabendo-se por indcios ou informaes fidedignas que o ru tenha passado a pouco tempo em tal direo (encalo fictcio);

Em tal circunstncia, o executor dever apresentar o preso autoridade local, que determinar a lavratura do auto de priso em flagrante, se for o caso, e determinar a remoo do preso para a apresentao ao juiz que expediu o mandado original.

Priso Fora do Territrio do Juiz

Regra no h impedimento, dentro do territrio nacional, que a captura possa ser efetuada fora da jurisdio territorial do juiz que a ordenou, por meio de carta precatria (art. 289 CPP)

Havendo urgncia, (ex. eminncia de fuga para o exterior), permite a lei a priso sem carta precatria, hiptese em que se pressupe a existncia de regular mandado de priso, inclusive no caso de crime inafianvel (arts. 298 e 299 CPP).

Emprego de Fora

A lei permite o emprego de fora se for necessrio, ou seja, indispensvel no caso de resistncia ou tentativa de fuga do preso quando da execuo do mandado, bem como resiste o capturando quando se ope com violncia ou ameaa priso, seja na exibio do mandado e intimao para acompanhar o executor. A fuga ou tentativa de fuga ocorre quando o capturando desobedece a ordem negando-se a acompanhar o executor, escapando ou procurando escapar do executor. No caso de resistncia por parte de terceiros o executor poder usar os meios necessrios para defender-se ou para vencer a resistncia, fatos que sero lavrados em auto assinado por duas testemunhas (arts. 284, 291 e 292 CPP).

Custdia

Regra - ningum ser recolhido priso sem que seja exibido o mandado ao respectivo diretor, a quem ser entregue uma cpia, devendo ser passado o recibo com dia e hora da entrega do preso (custdia) (art. 288 CPP). Os presos provisrios, sempre que possvel, ficaro separados dos que j tiverem definitivamente condenados (art. 300 CPP).

Priso Especial

Sem ferir o preceito constitucional de que todos so iguais perante a lei, esta prev hipteses em que a custdia do preso provisrio, pode ser efetuada em quartis ou priso especial, prerrogativa concedida a certas pessoas pelas funes que desempenham, por sua educao, etc. A priso especial perdurar enquanto no transitar em julgado a sentena condenatria (arts. 295 e 296 CPP e alteraes posteriores). Nos locais onde no houver estabelecimento adequado para se efetivar a priso especial, pode-se efetuar a priso provisria domiciliar, prevista na Lei n 5.256/67.

II - Priso de Natureza Processual

II.1 - Priso em Flagrante

A despeito do princpio da presuno de inocncia, a Constituio Federal no impede a priso em flagrante (processual). Devido ao ilcito ser patente e se concretizar a certeza visual do crime, h cabimento a priso em flagrante que permite a priso do autor, sem mandado, ou seja, uma providncia administrativa acautelatria da prova da materialidade do fato e da respectiva autoria (arts. 301 e 302 CPP e art. 5 LVII e LXI CF).

Nas situaes legais (art. 302 e 303 CPP) em que h a notitia criminis e estando presentes os pressupostos , a autoridade est obrigada lavratura do competente auto de priso, tendo em vista o princpio da obrigatoriedade ou da legalidade da ao penal (art. 24 CPP), exceto quando se verificar a hiptese de crime organizado, isto , das infraes que resultem de aes de quadrilha ou bando (Lei n 9.034/95).

A lei considera :

flagrante prprio priso daquele que est cometendo o crime (art. 302 I CPP);

quase flagrante priso daquele que acabou de praticar a infrao (art. 302 II CPP);

flagrante imprprio priso daquele que perseguido, logo aps (24 hs.), pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situao que faa presumir ser autor da infrao (art. 302 III CPP). Neste caso a perseguio pode ser por horas ou vrios dias;

flagrante presumido ou ficto priso daquele que encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papis que faam presumir ser ele o autor da infrao ( art. 302 IV CPP). Neste caso no h perseguio, pois o agente encontrado, por acaso ou no, com a posse de coisas que o presume-se como autor de um delito acabado de cometer.

Observao :

nas infraes de natureza permanente, entende-se o agente em flagrante delito enquanto no cassar permanncia (ex. crcere privado, seqestro) (art. 303 CPP);

a situao no a mesma no caso de crime habitual, pois a priso em flagrante exige a prova da reiterao de atos que traduzem o comportamento criminoso;

independe de infrao penal de ao privada ou pblica, dolosa ou culposa;

no h flagrante preparado, pois a smula 145 STF prev que no h crime quando a preparao do flagrante pela polcia torna impossvel sua consumao.

Sujeitos do Flagrante

Nos termos da lei, qualquer do povo poder (faculdade) e as autoridades policiais e seus agentes devero (obrigatoriedade) prender quem seja encontrado em flagrante delito (art. 302 CPP).

Autoridade Competente

Efetuada a priso em flagrante, o capturado, para que seja procedida a autuao, deve ser apresentado autoridade competente, que no caso, a autoridade policial no exerccio de uma das funes primordiais da polcia judiciria da circunscrio onde foi efetuada a priso (no a do local do crime), ou a do local mais prximo, quando naquele lugar no houver autoridade (arts. 290 e 308 CPP).

Prazo para Lavratura do Auto de Priso em Flagrante

Pelo disposto nos arts. 304 e 306 do CPP, tem-se 24 horas para que seja entregue ao preso a nota de culpa, prazo este mximo para lavratura do auto de priso em flagrante.

Auto de Priso em Flagrante

A lavratura do auto de priso em flagrante no um ato automtico da autoridade policial competente, porque tem que estar presentes os pressupostos da certeza absoluta da materialidade do crime e indcios mnimos de autoria. Deve ser comunicada a priso famlia do preso ou a pessoa por ele indicada, a fim de que possibilite a estas que tomem as providncias que entenderem necessrias (art. 5 LXIII CF).

No auto de priso em flagrante, sero ouvidas as seguintes pessoas, nesta ordem (art. 304 CPP):

condutor, testemunhas instrumentria de instruo e acusado. Aps, o escrivo lavrar o auto que ser assinado pela autoridade, condutor, ofendido, testemunhas, pelo preso, que se recusar ou no puder faz-lo, ser suprida por duas testemunhas de apresentao, seu curador ou defensor.

Priso pela Autoridade

No caso de deleito praticado contra a autoridade (desacato ou desobedincia).

Custdia

Encerrado o auto de priso em flagrante e resultando das respostas s inquiries efetuadas pela autoridade fundada suspeita contra o conduzido, mandar ela recolh-lo priso (art. 304 CPP).

Nota de Culpa

Dentro de 24 horas depois da priso, ser dada ao preso nota de culpa assinada pela autoridade, com o motivo da priso, o nome do condutor, e os das testemunhas (art. 306 CPP e art. 5 LXIV CF).

II.2 - Priso Preventiva

Conceito uma medida cautelar , constituda pela privao de liberdade do acusado como autor do crime e decretada pelo juiz, antes do trnsito em julgado da sentena condenatria. Ocorre durante o inqurito ou instruo criminal em face da existncia de pressupostos legais, para resguardar os interesses sociais de segurana. uma medida facultativa, devendo ser decretada apenas quando necessria segundos os requisitos legais.

Pressupostos

A priso preventiva somente pode ser decretada quando houver prova da existncia de crime (certeza da materialidade - laudo de corpo de delito, prova documental, prova testemunhal) e indcios suficiente de autoria (no preciso ter a certeza da autoria fumus boni juris) (art. 312 CPP)

Fundamentos

Provada a existncia do crime e havendo indcios suficientes de autoria - periculum in mora que fundamenta a medida cautelar (art. 312 CPP), a a priso preventiva poder ser decretada :

como garantia da ordem pblica evitar que o delinqente pratique novos crimes contra a vtima e seus familiares;

como garantia da ordem econmica Lei n 8.884/84, 8.137/90 (crimes contra a economia popular e sonegao fiscal);

por convenincia da instruo criminal para assegurar a prova processual, de modo a impedir que a ao do criminoso no sentido de fazer desaparecer as provas do crime, apagar vestgios, subornar, aliciar testemunhas ou amea-las, etc;

para assegurar a aplicao da lei penal - impede-se o desaparecimento do autor da infrao que pretenda se subtrair aos efeitos penais da eventual condenao.

Condies de Admissibilidade

Conforme art. 313 CPP, quando presentes os pressupostos e fundamentos, a priso preventiva permitida na ocorrncia dos crimes dolosos :

punidos com recluso;

punidos com deteno, quando se apurar que o indiciado vadio, ou havendo dvida sobre sua identidade, no fornecer ou indicar elementos para esclarec-la;

se o ru tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentena transitada em julgado, exceto nos casos do art. 46 CP (transcorrido tempo superior a 5 anos entre o cumprimento ou extino da pena e a infrao posterior).

No se aplica a a mera contraveno, e ao agente que tenha praticado e o crime nas condies do art. 23 CP (excludente de ilicitude estado de necessidade, legtima defesa, estrito cumprimento do dever legal, exerccio regular de direitos), nos termos do art. 314 CPP.

Decretao

A priso preventiva pode ser decretada em qualquer fase do inqurito policial ou da instruo criminal, tanto nos casos de ao penal pblica ou privada, desde que presente os pressupostos, fundamentos e condies de admissibilidade previstos em lei (art. 311 CPP). No h recurso, somente o pedido de habeas corpus com fundamento em constrangimento ilegal, decorrente da inadmissibilidade da medida amparada em falta de fundamentao adequada, na inexistncia de pressupostos, etc.

Fundamentao

O despacho que decretar ou denegar a priso preventiva ser sempre fundamentado (art. 315 CPP). indispensvel que se fundamente em fatos concretos que lhe proporcionem fomento.

Revogao ou Redecretao

A priso preventiva apresenta o carter de impreviso, podendo ser revogada conforme o estado da causa. O juiz poder revogar a priso preventiva se, no decorrer do processo, verificar a falta de motivo para que subsista (art. 316 CPP). No mais presentes os fatores que a recomendem, no deve ela ser mantida somente porque a autoria est suficientemente provada ou a materialidade da infrao demonstrada. Da deciso que revoga a priso preventiva cabe recurso em sentido estrito (art. 581 V CPP). Entretanto, considerando-se a natureza e a finalidade da priso preventiva, natural que se permita ao juiz novamente decret-la, mesmo porque a qualquer momento ela pode ser necessria.

Apresentao Espontnea

A apresentao espontnea do acusado autoridade no impedir a decretao da priso preventiva nos casos em que a lei autoriza (art. 317 CPP).

II.3 Priso Resultante de Pronncia (art. 282 e 408 1 CPP)

O juiz mantm a priso se o acusado estiver preso na fase de instruo de julgamento. A priso poder efetuar-se em virtude de pronncia e mediante ordem escrita da autoridade competente. Na sentena da pronncia, o juiz declarar o dispositivo legal em cuja sano julgar em curso o ru, e recomend-lo- na priso em que se achar, ou expedir as ordens necessrias para a sua captura.

II. 4 - Priso Resultante de Sentena Penal Condenatria Recorrvel (arts. 393 I e 594 CPP)

R ru ser preso ou conservado na priso, assim nas infraes afianveis ou inafianveis, enquanto no prestar fiana. Ademais, o ru no poder apelar se no recolher-se priso ou prestar fiana.

II.5 Priso Temporria

Trata-se de medida acauteladora de restrio de liberdade de locomoo, por tempo determinado, destinada a possibilitar as investigaes a respeito de crimes graves, durante o inqurito policial. Somente pode ser decretada por autoridade judiciria, conforme imposio constitucional, tendo tempo limitado de durao, ou seja, 5 dias prorrogveis por igual perodo, com exceo da prtica de crimes hediondos e outros delitos graves, em que o prazo mais dilatado.

Fundamento

A Lei n 7.960/89 prev que caber :

quando imprescindveis para investigaes do inqurito policial;

quando o indiciado no tiver residncia fixa ou no fornecer elementos necessrios ao esclarecimento de sua identidade;

Caber nos crimes : homicdio doloso, seqestro ou crcere privado, roubo, extorso, extorso mediante seqestro, estupro, atentado violento ao pudor, rapto violento, , etc.

Crimes Hediondos

Conforme definido no art. 5 XLIII CF, os crimes hediondos so :

latrocnio, extorso mediante seqestro, estupro, atentado violento ao pudor, epidemia com resultado morte, envenenamento de gua potvel ou de substncia alimentcia ou medicinal qualificado pela morte, genocdio, homicdio, tortura, racismo, terrorismo, trfico ilcito de entorpecentes e drogas afins . A priso temporria ter tempo limitado de durao, ou seja, 30 dias prorrogveis por igual perodo.

Procedimento

A priso temporria pode ser decretada em face de representao da autoridade policial ou a requerimento do Ministrio Pblico, ou seja, no h decretao de ofcio pelo juiz. O juiz tem 24 horas para decidir sobre a priso em despacho fundamentado, sob pena de nulidade. O mandado deve ser expedido em duas vias, e a prorrogao exige extrema e comprovada necessidade, ou seja, a razo tem que ser maior que o fundamento invocado para a priso. O acusado ficar separado dos demais detentos e pode se entrevistar com seu advogado e com familiares.

III Priso Cautelar de Natureza Constitucional

A priso cautelar de natureza constitucional (art. 139 II CF), tem cabimento na vigncia do estado de stio, quando sero decretadas as seguintes medidas s pessoas :

permanncia em localidade determinas;

deteno em edifcio no destinado a este fim;

restries relativas inviolabilidade de correspondncia, ao sigilo da comunicao, etc.;

suspenso da liberdade de reunio;

busca e apreenso em domiclio;

interveno nas empresas de servio pblico;

requisio de bens.

IV Priso Administrativa

Conceito aquela decretada por autoridade administrativa, por motivos de ordem administrativa e com finalidade administrativa (art. 319 e 320 CPP).

Competncia para a Decretao

Somente competente para sua decretao a autoridade judiciria, pelo que se deflui do art. 5 LXI da CF em que ningum pode ser preso seno em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciria competente, salvo excetuada a transgresso militar.

A priso administrativa ter cabimento, dentre outros, nos seguintes casos :

contra remissos ou omissos em entrar para os cofres pblicos com dinheiros a seu cargo, a fim de compeli-los a que o faam (peculato).

contra estrangeiros desertor de navio de guerra ou mercante, surto em porto nacional.

V Priso Civil

Competncia para a Decretao

Somente competente para sua decretao a autoridade judiciria, pelo que se deflui do art. 5 LXI da CF em que ningum pode ser preso seno em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciria competente, salvo excetuada a transgresso militar.

A priso civil ter cabimento nos seguintes casos (art. 5 LXVII CF):

inadimplemento voluntrio e inescusvel da penso alimentcia;

depositrio infiel 904 CPP;

detentor de ttulo - 885 CPP;

falido Lei de Falncia.

VI Priso Militar

A priso aplicada somente para crimes militares (art. 5 LXI e 142 2 CF), quando no ser decretada pela autoridade judicial e no caber habeas corpus.

VII Liberdade Provisria

A liberdade provisria um instituto por meio do qual o acusado no recolhido priso ou posto em liberdade quando preso, vinculado ou no a certas obrigaes que o prendem ao processo e ao juzo, com o fim de assegurar a sua presena ao processo sem o sacrifcio da priso provisria. Direito subjetivo do acusado quando se verificar a ocorrncia das hipteses legais que a autorizam.

As hipteses de liberdade provisria, com ou sem fiana, so decorrentes :

flagrante (arts. 301 a 310 CPP);

em decorrncia de pronncia (art. 408 1 CPP);

sentena condenatria recorrvel (art. 594 CPP).

Tem a denominao de liberdade provisria porque :

pode ser revogada a qualquer tempo;

vigora at o trnsito em julgado da sentena final condenatria.

Obs : na liberdade provisria o acusado fica sujeito a sanes caso no cumpra as obrigaes. Ao contrrio, o relaxamento da priso em flagrante decorre do art. 5 LXV CF e nunca h obrigaes. A hediondez no autoriza a priso preventiva.

A liberdade provisria pode ser :

obrigatria ocorre quando o ru se livra solto independentemente de fiana (art. 321 I e II CPP)

permitida nas hipteses em que no couber priso preventiva e os requisitos legais forem preenchidos, inclusive ao acusado primrio e de bons antecedentes pronunciado (art. 408 2 CPP), ou quando condenado por sentena recorrvel (art. 594 CPP);

vedada quando couber priso preventiva e nas hipteses em que a lei expressamente probe.

VII - Liberdade Provisria Sem Fiana

Liberdade provisria sem vinculao a liberdade provisria sem fiana e sem obrigaes ao acusado, ocorre nos casos em que o ru se livra solta (art. 321 CPP infrao penal com pena privativa de liberdade no superior a trs meses), exceto quando o acusado for vadio ou reincidente em crime doloso (art. 323 III e IV CPP).

Liberdade provisria com vinculao a liberdade provisria sem fiana e com obrigaes ao acusado ocorre nos casos em que :

agente praticou o ato nas condies do art. 23 CP (causas de excludente de ilicitude - estado de necessidade, legtima defesa, estrito cumprimento do dever legal e exerccio regular de direito), nos termos do art. 310 CPP;

ao acusado em inqurito preso em flagrante antes do recebimento da denncia;

quando o juiz verificar pelo auto de priso em flagrante a inocorrncia de qualquer das hipteses que autorizam a priso em flagrante (crimes afianveis ou inafianveis).

VIII - Liberdade Provisria Com Fiana

Fiana

um direito subjetivo do acusado (art. 5 LXVI CF), que lhe permite mediante cauo e cumprimento de certas obrigaes, conservar sua liberdade at a sentena condenatria irrecorrvel, e est regulada nos arts. 322 a 350 CPP.

Inafianabilidade (arts. 323 e 324 CPP)

No admitem fiana :

crimes punidos com recluso em que a pena mnima cominada for superior a 2 anos ;

contravenes tipificadas nos arts. 59 e 60 LCP vadiagem e mendicncia;

crimes dolosos punido com pena privativa de liberdade se o ru tiver sido condenado por outro crime doloso em sentena transitada em julgado (reincidncia);

em qualquer caso, quando prova-se que o ru vadio (no tem meios para prover seu sustento);

nos crimes punidos com recluso que provoquem clamor pblico (prtica de crime em circunstncias especiais), ou que tenham sido cometidos com violncia contra a pessoa ou grave ameaa (leso corporal, tentativa de estupro, etc.);

acusado possa se beneficiar, ao final, com suspenso condicional da pena, ou sursis;

crimes de tortura, trfico ilcito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e os definidos como hediondos;

tiverem quebrado a fiana concedida no mesmo processo ou infringido, sem justo motivo, qualquer obrigao;

priso em mandado do juiz cvel, de priso disciplinar (revogada), administrativa ou militar;

ao que estiver em gozo de livramento condicional ou suspenso condicional;

quando estiverem presentes os pressupostos que autorizem a decretao da priso preventiva.

Valor da Fiana (art. 325 CPP)

Fixada de acordo com a pena cominada abstratamente infrao penal e em salrios mnimos de referncia (SMR) :

1 a 5 SMR pena privativa de liberdade de at 2 anos;

5 a 20 SMR pena privativa de liberdade de at 4 anos;

20 a 100 SMR pena privativa de liberdade superior a 4 anos

Este valor poder ser reduzido de at no mximo 2/3 se assim recomendar a situao econmica do ru, ou ser aumentada at o dcuplo.

No se permite liberdade provisria sem fiana nos crimes de sonegao fiscal e contra a economia popular.

Pressupostos:

a liberdade provisria com fiana somente poder ser concedida por juiz competente aps a lavratura do auto de priso em flagrante;

valor ser fixado pelo juiz que a concedeu;

se assim recomendar a situao econmica do ru, o limite mnimo ou mximo da fiana poder ser reduzido at nove dcimos ou aumentado at o dcuplo.

Modalidades (art. 330 CPP)

por depsito de dinheiro, pedras, objetos ou metais preciosos, ttulos da dvida pblica;

por hipoteca de casa, terreno, navio.

A coisa dada em cauo fica sujeita ao pagamento das custas, da indenizao do dano e da multa, caso o ru for condenado, mesmo no caso de prescrio aps sentena condenatria.

Arbitramento (art. 326 CPP)

Para determinar o valor da fiana, a autoridade ter em considerao a natureza da infrao, as condies pessoais de fortuna e da vida pregressa do acusado, as circunstncias indicativas da sua periculosidade, bem como a importncia provvel das custas do processo, at o julgamento

Reforo (art. 340 CPP)

Pode acontecer que o valor arbitrado se mostre inexato ou insuficiente aos fins visados pelo instituto, nos seguintes casos :

quando a autoridade tomar por engano fiana insuficiente;

quando houver depreciao material ou perecimento dos bens hipotecados ou caucionados ou depreciao dos metais ou pedras preciosas;

quando for inovada a classificao do delito.

Dispensa ( art. 350 CPP)

Nos casos em que no couber fiana, o juiz verificando ser impossvel ao ru prest-la, por motivo de pobreza (falta de recurso para prest-la sem que acarrete sacrifcios ou privaes para o sustento do acusado e de sua famlia), poder conceder-lha a liberdade provisria sujeitando-o s obrigaes constantes dos arts. 327 e 328 CPP (comparecimento perante a autoridade e comunicao de mudana de residncia).

Obrigaes (arts. 327 e 328 CPP)

O acusado fica sujeito s seguintes obrigaes:

comparecer perante a autoridade todas as vezes que for intimado para os atos do inqurito e da instruo criminal e para julgamento;

no poder mudar de residncia sem prvia permisso da autoridade processante, ou ausentar-se por mais de oito dias de sua residncia, sem comunicar quela autoridade o lugar onde ser encontrado.

Concesso (arts. 322 e 335 CPP)

A fiana poder ser concedida em qualquer fase do inqurito policial ou do processo, at o trnsito em julgado da deciso final.

Pode conced-la de ofcio ou a requerimento do interessado ou de terceiro, sempre em deciso motivada, independentemente de audincia do MP, salvo quando este julgar conveniente (art. 333 CPP) :

a autoridade policial, mas apenas nos casos de infrao punida com deteno ou priso simples;

a autoridade que presidir os autos nos casos de priso em flagrante;

juiz competente, nos casos de recusa ou demora da autoridade policial na concesso da fiana, mediante simples petio

juiz competente nos casos de habeas corpus ;

juiz competente nos casos de crimes apenados com recluso, quando a autoridade policial no pode arbitrar a fiana;

juiz competente ou a autoridade policial a quem tiver sido requisitada a priso;

relator nos casos de competncia originria dos Tribunais (art. 557 CPP);

O termo de fiana deve ser explcito quanto s condies o obrigaes do afianado e juntado aos autos (art. 329 CPP) e o valor ser recolhidos aos cofres pblicos (art. 331 CPP).

Cassao (arts. 338 e 339 CPP)

Hipteses :

a fiana que se reconhea no ser cabvel na espcie ser cassada em qualquer fase do processo;

ser cassada a fiana quando se reconhea a existncia de delito inafianvel, no caso de inovao na classificao do delito.

Da deciso que cassar a fiana cabe recurso em sentido estrito (art. 581 V CPP) sem efeito suspensivo, que s ocorre no caso de perda de fiana (art. 584 CPP), oportunidade em que a coisa caucionada ser devolvida integralmente ao acusado.

Quebra (arts. 324, 328, 341/343 CPP)

Hipteses :

quando o ru legalmente intimado para o processo, deixar de comparecer, sem provar incontinenti (assim que desaparea a causa), motivo justo, ou quando na vigncia da fiana, praticar outra infrao penal (crime ou contraveno);

quando o acusado mudar de residncia sem prvia permisso da autoridade processante, ou ausentar-se por mais de 8 dias de sua residncia, sem comunicar quela autoridade o lugar onde ser encontrado.

O quebramento da fiana importa a perda de metade de seu valor e a obrigao por parte do ru de recolher-se priso, prosseguindo-se, entretanto sua revelia, no processo de julgamento, enquanto no for preso (impede-se nova fiana no mesmo processo). A decretao da quebra de competncia do juiz, contra a qual cabe recurso.

Perda (art. 344 CPP)

Ocorre o perdimento do valor da fiana em sua totalidade se o ru no se apresentar priso, aps o trnsito em julgado da sentena condenatria em que no for concedida a suspenso condicional da pena. A decretao da perda de competncia do juiz, contra a qual cabe recurso. O trnsito em julgado da sentena absolutria ou que declare extinta a ao penal, o valor da fiana ser restitudo sem desconto.

IX - Atos Processuais

Conceito

O ato jurdico uma declarao humana que se traduz numa declarao de vontade destinada a provocar uma conseqncia jurdica.

O ato processual aquele ato jurdico praticado para criar, modificar ou extinguir direitos processuais. toda conduta dos sujeitos do processo que tenha por efeito a criao, modificao ou extino de situaes jurdicas processuais.

O direito somente pode ser acionado no momento em que violado e se faz conforme esteja nos cdigos de processo.

Os atos processuais so condutas praticadas pelos juzes e auxiliares para dar andamento ao processo. Ao conjuntos de atos processuais d-se o nome de procedimento.

Professor

1) Classificao

Atos do juiz

atos finais - so os que solucionam o mrito da causa (decises - terminativas e definitivas);

atos interlocutrios so feitos durante o andamento do processo e o pem em marcha (despachos incidentais, etc.).

Atos das partes

simples so os postulatrios (denncia, etc.);

complexos so os que buscam a marcha processual ou a prtica de um ato processual (oitiva de testemunhas, etc.).

2) Formas dos atos Processuais

Lugar dos atos

regra na sede do juzo (sentena, etc.);

fora do juzo (leilo, penhora, avaliao, etc.).

Tempo dos atos

poca em que se deve estabelecer os atos (somente podem ser praticados de 600hs. s 1800 hs, etc.).

Prazo para a sua execuo podem ser contados em anos, meses, dias, horas e minutos.

Modo dos Atos Processuais

Mirabetti

Atos das Partes - Classificao:

atos postulatrios so os que visam do juiz um pronunciamento sobre o mrito da causa ou mera resoluo de contedo processual (requerimento, petio, denncia, queixa, etc.);

atos instrutrios so destinados a convencer o juiz do que alegado ou afirmado, ou seja, da verdade da afirmao de um fato (alegaes, atos probatrios, etc.);

atos reais so os que se manifestam em coisas e no em palavras (juntada de documentos, prestao de fiana, etc.);

atos dispositivos so os que consistem na declarao da vontade da parte destinada a dispensar a tutela jurisdicional dando-lhe existncia ou modificando-lhe as condies (perdo do ofendido, renncia ao direito de queixa, etc.).

Atos dos Juzes Classificao

atos decisrios so os que solucionam questes do processo. Podem ser decises (terminativas e definitivas) ou despachos de expediente;

atos instrutrios so aqueles em que a atividade do juiz est destinada a esclarecer a verdade dos fatos (interrogatrio, oitiva de testemunhas, etc.);

atos de documentao so aqueles em que o juiz participa da documentao dos atos processuais (subscrever termos de audincia, rubricar folhas dos autos, etc.).

atos de coero conduzir a vtima, testemunhas, acusado, etc.;

atos de polcia processual sesses de jri, audincias, etc.;

atos administrativos alistamento de jurados, etc.;

atos anmalos requisitar inqurito policial, recorrer de ofcio, etc.

Atos dos Auxiliares de Justia Classificao

atos de movimentao promover o desenvolvimento do processo (concluso, abertura de vista s partes, etc.);

atos de execuo cumprimento das determinaes do juiz ( citao do ru, notificao de testemunhas, intimao das partes, etc.);

atos de documentao em que do f dos atos que foram executados por determinao do juiz (certido de intimao, de notificao, de afixao de editais, etc.).

Atos de Terceiros

ato de terceiro interessados - prestar fiana, etc.;

ato de terceiro desinteressado - prestar testemunho, etc.;

Espcies de Atos Classificao

atos simples so os resultam da manifestao de vontade de uma s pessoa, de um s rgo monocrtico ou colegiado (denncia, sentena, acrdo, etc.);

atos complexos so aqueles em que observa uma srie de atos entrelaados (audincias, sesses, etc.);

atos compostos - o que resulta da manifestao de vontade de uma s pessoa, dependendo, contudo, para ter eficcia da verificao e aceitao feita por outro (perdo do ofendido, que depende da aceitao do querelado, etc).

Termos

A documentao de ato levado a efeito por funcionrio ou serventurio da justia no exerccio de suas atribuies.

Classificao

termo de autuao inicia o processo com apresentao da denncia ou queixa;

termo de juntada quando foi anexado aos autos documento ou coisa;

termo de concluso - que remetem os autos ao juiz;

termo de vista que os autos esto disposio das partes;

termo de recebimento que os autos retornam ao cartrio, aps sua sada regular;

termo de apensamento por terem sido juntados ao auto principal, outros autos ou peas;

termo de desentranhamento que foi separado documento ou pea dos autos.

X - Citao

Em decorrncia do princpio da ampla defesa assegurado ao acusado a cientificao da existncia de processo e de todo seu desenvolvimento. Tem o efeito de completar a relao processual. A citao o chamado do juiz para que o acusado se defenda na ao. A citao pessoal, ainda que o acusado seja menor de 21 anos. um ato essencial do processo e sua falta gera nulidade absoluta (art. 564 CPP). No dispensada, mesmo que o acusado j tenha tomado conhecimento da imputao (ex. crimes de funcionrios pblicos quando afianveis - arts. 514/518 CPP, crimes de competncia originria dos tribunais - arts. 558/560 CPP).

A falta ou nulidade da citao estar sanada se o interessado comparecer antes do ato de se consumar, embora declare que o faa para o nico fim de argi-la (art. 570 CPP). No se exige a citao para fins de execuo das penas ou medidas de segurana.

Classificao e Efeitos

A citao pode ser :

real quando se realizada na pessoa do acusado;

ficta ou presumida quando se realiza por meio de editais

Citao por mandado.

Regra a citao por mandado, uma vez que a citao inicial far-se- por mandado, quando o ru estiver no territrio sujeito jurisdio do juiz que a houver ordenado (art. 351 CPP), exceto para os militares ( art. 358 CPP) e em legao estrangeira ( art. 368 CPP).

Os requisitos intrnsecos esto elencados no art. 352 CPP : juiz, querelante, ru, residncia do ru, o fim que feita, e ainda o juzo, o lugar, o dia, a hora em que o ru deve comparecer, a subscrio do escrivo e a rubrica do juiz.

Os requisitos extrnsecos esto no art. 357 CPP : a citao deve ser realizada por oficial de justia, que deve proceder leitura do mandado, e entrega da contraf, na qual se mencionaro dia e hora da citao, certificar da sua entrega ou sua recusa.

A citao pode ser feita a qualquer dia (teis ou no) e qualquer hora (dia e noite).

Citao por precatria

Quando o ru estiver fora do territrio da jurisdio do juiz processante, deve ser citado por precatria (art. 353 CPP).

Os requisitos intrnsecos constam do art. 354 CPP : o juiz deprecado e o juiz deprecante, a jurisdio de um de outro, o juzo do lugar e o dia e hora em que o ru dever comparecer.

Cumprida a precatria ela devolvida ao juiz de origem (art. 355 CPP). Pode haver ainda a precatria itinerante, quando o ru estiver em outra jurisdio, que no a do juiz deprecante e juiz deprecado. Ainda pode ser feita via telegrfica, se houver urgncia (art. 356 CPP).

Outras forma de citao

A citao far-se-:

se militar - por intermdio do chefe do respectivo servio (art. 357 CPP);

se funcionrio pblico por meio do chefe da repartio (art. 359 CPP);

se ru preso - por meio do diretor do estabelecimento (art. 360 CPP);

se estrangeiros por meio de carta rogatria (art. 368 CPP);

se competncia originria dos tribunais por carta de ordem .

Citao por edital Art. 361 CPP

A citao ficta ou presumida realizada quando no for possvel localizar o citando a fim de se integrar a relao processual. Entretanto, com a nova redao do art. 366 CPP, desfez-se esta presuno e o acusado citado por edital no comparecer ao interrogatrio, tampouco constituir para defend-lo, tal fato impede o desenvolvimento do processo. Cabe citao por edital :

ru no encontrado;

ru se oculta para no ser citado;

ru se encontra em lugar inacessvel;

incerta a pessoa que estiver sendo citada;

ru se encontra no estrangeiro ou em local no sabido.

Se o ru no for encontrado ser citado por edital no prazo de 15 dias, que ser contado excluindo-se o dia do incio e computando-se o do vencimento, sempre iniciando e vencendo em dias teis. O escrivo lavrar o termo correspondente.

XI Intimao e Notificao

A intimao a cincia dada parte, no processo, da prtica de um ato, despacho ou sentena (ato j praticado).

A notificao a comunicao a parte do lugar dia e hora de um ato processual a que deva comparecer (ato ainda no praticado).

A falta de intimao ou notificao implica nulidade por cerceamento de direito de defesa, passvel de ser corrigida por meio de habeas corpus.

Formas

Devem ser observadas, no que couber, as formas aplicveis citao (art. 370 CPP).

Formas especiais (arts. 390/392 e 413/415 CPP).

XII - Precluso

A precluso tem por objetivo por fim a uma fase processual para dar celeridade ao processo. Assim preclui a possibilidade da parte de praticar o ato processual.

A precluso liga-se ao princpio do impulso processual, ou seja, impede-se de praticar o ato que no foi praticado. Significa que aquela fase processual est preclusa, pois encerra o momento processual, mas o processo continua o seu rito normal. Assim, no faz coisa julgada.

Num sentido amplo a precluso a perda de uma faculdade ou direito processual, que, por haver esgotado ou por no ter sido exercido em tempo ou momento oportunos. Logo, cada ato tem um determinado momento procedimental para ser praticado. A no prtica do ato naquele momento procedimental gera a extino do direito de pratic-lo. Entretanto, no faz coisa julgada.

No campo objetivo

A precluso consiste no fato impeditivo destinado a garantir o avano progressivo da relao processual e obsta o seu recuo para fases anteriores do procedimento.

a morte do direito de praticar o ato processual.

No campo subjetivo

A precluso representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou de um direito processual, porque o cidado tem o direito de praticar o ato.

Espcies:

temporal quando o cidado no exerce o poder no prazo determinado, ou seja, perda do prazo em que deveria ser praticado o a (art. 183 CPC);

lgica quando decorre de incompatibilidade da prtica de um ato processual com relao a outro ato j praticado (art. 503 CPC);

consumativa quando consiste em um fato extintivo caracterizado pela circunstncia de que a faculdade processual foi validamente exercida, ou seja, omisso ou perda da capacidade de praticar o atos por j ter sido praticado, ou seja, perda da faculdade de praticar o ato por ter sido praticado outro ato incompatvel com aquele que poderia ser praticado; (art. 473 CPC).

Inqurito Policial

o instrumento atravs do qual a polcia judiciria apura a infrao penal e sua autoria, ou seja, o conjunto de diligncias realizadas pela polcia judiciria para a apurao de uma infrao penal e sua autoria para que o titular da ao penal possa ingressar em juzo pedindo a aplicao da lei ao caso concreto.

Caractersticas : pea escrita, investigatria, sigilosa e preparatria da ao penal :

pea escrita porque todos os atos so reduzidos a termo. O indiciado ser interrogado diretamente, sem qualquer interferncia do advogado, e seu depoimento tomado a termo; Se houver alguma incorreo, o indiciado pede a retificao, que, caso no seja feita, se recusar a assinar o termo, fato que ficar apontado na pea;

investigatria porque investiga a infrao penal e sua autoria. As partes podem pedir diligncia, que ser realizada a juzo da autoridade, esclarecendo que a escusa h que ser fundamentada. Somente no se pode recusar a realizao de diligncia relativa a corpo de delito;

sigilosa (art. 20 CPP) uma exceo regra da publicidade (ampla ou restrita) que um dos princpios que orientam o direito processual penal. No h defesa porque se trata de procedimento administrativo. A regra do art. 21 CPP prev a incomunicabilidade do indiciado. Com amparo no inciso III do art. 7 do Estatuto da OAB, direito do advogado comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procurao, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicveis. Com amparo no inciso XIV do art. 7 do Estatuto da OAB direito do advogado, examinar em qualquer repartio policial, mesmo sem procurao, autos de flagrante e de inqurito, findos ou em andamento, ainda que conclusos autoridade, podendo copiar peas e tomar apontamentos.Com amparo no inciso XV do art. 7 do Estatuto da OAB direito do advogado ter vista dos processos judiciais e administrativos de qualquer natureza, em cartrio ou na repartio competente, ou retir-los pelos prazos legais.

preparatria da ao penal - - para permitir que o titular da ao penal (MP) possa promov-la.

Notcia do crime

A notcia do crime pode chegar polcia judiciria por meio de telefonemas, imprensa, o prprio ofendido, etc. e se chamar delao do crime.

A notcia do crime pode ser:

simples aquela em que apenas comunicado polcia judiciria a ocorrncia de uma infrao penal e aplica-se ao penal pblica incondicionada;

postulatria aquela em que alm de ser comunicado polcia judiciria a ocorrncia de uma infrao penal, manifestado o desejo de ver instaurado o inqurito policial (representao ou requisio) e aplica-se ao penal pblica condicionada. Na ao penal privada necessrio que haja o queixa do ofendido ou de quem legalmente o represente, no sentido de que seja instaurado o inqurito policial.

A polcia judiciria pode deixar de instaurar o inqurito, mediante despacho fundamentado, contra o qual cabe recurso, porque o inqurito no pode servir de instrumento para propsitos mesquinhos (art. 5 2 CPP). Assim a regra da obrigatoriedade no absoluta , exceto com relao requisio do juiz e MP. A autoridade policial deve fazer o interrogatrio do indiciado, que tendo entre 18 e 21 anos tem direito a um curador, sob pena de irregularidade, prejudicando o valor probatrio da pea. Deve ser assegurado o direito do indiciado de ficar em silncio, sem qualquer prejuzo, porque ele pode se negar a responder qualquer pergunta, pois determina o inciso LXIII do art. 5 CF que o preso ser informado de seus direitos dentre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistncia da famlia e do advogado.

O inqurito judicial se inicia com o auto de priso em flagrante .

O inqurito judicial encerra-se com o relatrio exarado pela polcia judiciria, que contm a narrao dos fatos somente, pois quem tem atribuio para opinar somente o MP.

O prazo para concluso do inqurito policial de :

30 dias para indiciado solto. Se o prazo no for cumprido, nada acontece e a polcia judiciria pode pedir ao juiz para fazer a dilao do prazo;

10 dias para indiciado preso. Se o prazo no for cumprido, nada acontece e a polcia judiciria pode pedir ao juiz para fazer a dilao do prazo, que no ser concedido, porque se no arrecadou elementos para manter o indiciado preso, naquele prazo, no poder mais mant-lo preso (arts. 10 e 46 CPP). Para fins de excesso de prazo e cabimento de habeas corpus, o prazo do inqurito somado com os prazos da ao penal (jurisprudncia pacfica).

Priso

Priso a privao da liberdade de locomoo , ou seja, do direito de ir e vir, por motivo lcito ou por ordem legal.

Espcies de Priso:

priso penal tem a finalidade repressiva e ocorre com o trnsito em julgado da sentena condenatria em que se imps pena privativa de liberdade;

priso de natureza processual a priso cautelar em sentido amplo e pode ser :

priso em flagrante (arts. 301 a 310 CPP);

priso preventiva (arts. 311/316 CPP);

priso resultante de pronncia (arts. 282 e 408 1 CPP);

priso resultante de sentena penal condenatria sem trnsito em julgado (arts. 393 I CPP);

priso temporria (Lei n 7.960/89);

Liberdade Provisria

A liberdade provisria um instituto por meio do qual o acusado no recolhido priso ou posto em liberdade quando preso, vinculado ou no a certas obrigaes que o prendem ao processo e ao juzo, com o fim de assegurar a sua presena ao processo sem o sacrifcio da priso provisria. Direito subjetivo do acusado quando se verificar a ocorrncia das hipteses legais que a autorizam.

As hipteses de liberdade provisria, com ou sem fiana, so decorrentes :

flagrante (arts. 301 a 310 CPP);

em decorrncia de pronncia (art. 408 1 CPP);

sentena condenatria recorrvel (art. 594 CPP).

Tem a denominao de liberdade provisria porque :

pode ser revogada a qualquer tempo;

vigora at o trnsito em julgado da sentena final condenatria.

Obs. : na liberdade provisria (priso legal) o acusado fica sujeito a sanes caso no cumpra as obrigaes. Ao contrrio, o relaxamento da priso (priso ilegal) decorre do inciso LXV do art. 5 CF.

A liberdade provisria pode ser :

obrigatria ocorre quando o ru se livra solto independentemente de fiana (art. 321 I e II CPP)

permitida nas hipteses em que no couber priso preventiva e os requisitos legais forem preenchidos, inclusive ao acusado primrio e de bons antecedentes pronunciado (art. 408 2 CPP), ou quando condenado por sentena recorrvel (art. 594 CPP);

vedada quando couber priso preventiva e nas hipteses em que a lei expressamente probe.

Ao Penal

O Estado chamou para si, com exclusividade, o direito de punir e desse modo criou o direito subjetivo ao ofendido de exigir-lhe o cumprimento da atividade de persecuo penal (art. 5 XXXV CF/88), mesmo porque nenhuma lei pode excluir a apreciao do poder judicirio. Assim, qualquer pessoa obrigada a suportar um processo, porque o poder jurisdicional soberano. O direito de ao o direito subjetivo de pedir a prestao jurisdicional, observando-se que a ao somente comea em juzo.

O direito de punir, consubstanciado no CP, abstrato e genrico, porque dirigido a todos ns. Em outro momento passa a ser concreto e especfico, quando algum aparentemente comete um crime. Quando o poder de punir se transmuda do abstrato e genrico para o concreto e especfico, nasce a verdadeira pretenso punitiva do Estado.

Condies da Ao - Requisitos sem os quais no pode se instaurar a ao penal:

legitimidade de partes para a ao penal pblica o MP e para a ao penal privada o ofendido ou algum que legalmente o represente;

interesse de agir (pretenso punitiva) se no houver a pretenso punitiva do Estado a ao penal no pode ser proposta. Ex: caso induvidoso de legtima defesa;

possibilidade jurdica do pedido (tipicidade) a figura tem que ser tpica, ou seja, h que ter uma lei estabelecendo que aquela conduta delituosa e que estabelea uma penalidade correspondente.

Classificao da Ao Penal

A classificao tem carter subjetivo, ou seja, com a identificao de seu titular.

Regra a ao penal ser pblica, salvo quando a lei determine expressamente que seja privada -art. 100 CP.

Espcies (art. 100 1 e 2 CP):

ao penal pblica

incondicionada titularidade MP nasce com denncia (pea inaugural exclusiva pea de acusao). aquela que no depende de condio;

condicionada titularidade MP nasce com a denncia (pea inaugural exclusiva pea de acusao), precedida da representao do ofendido ou da requisio do Ministro da Justia. aquela que depende de condio, ou seja, a denncia do MP est condicionada representao do ofendido (condio de procedibilidade) ou requisio do Ministro da Justia (condio de procedibilidade);

ao penal privada titularidade ofendido ou quem legalmente o represente nasce com a queixa do ofendido ou quem legalmente o represente (pea inaugural exclusiva pea de acusao). Ex. 167 CP.

Assim, quando o dispositivo legal se referir a queixa (pea inaugural e acusatria) como pea inaugural, estar falando de ao penal privada; por outro lado, quando se referir representao do ofendido ou requisio do Ministro da Justia como condio de procedibilidade da denncia (pea inaugural e acusatria) estar se referindo a ao penal pblica condicionada, e quando for silente, refere-se a ao penal pblica incondicionada, que a regra.

Princpios da ao penal

oficialidade o Estado deduz em juzo sua pretenso punitiva por meio da ao penal e para tanto, foram criados rgos oficiais MP (oficialidade) para promover a ao penal pblica. Na ao penal privada no h rgo incumbido;

indisponibilidade instaurada a ao penal, no pode o MP dela desistir, mesmo sendo seu titular;

legalidade (obrigatoriedade) (art. 24 CPP) atravs deste princpio, o MP diante dos elementos mnimos caracterizadores de um crime de ao penal pblica, estar obrigado a intent-la;

indivisibilidade por este princpio a ao penal deve ser promovida contra todas as pessoas que participaram da infrao penal, referindo-se tanto ao penal pblica, quanto ao penal privada;

intranscendncia decorre de uma disposio constitucional de que a pena no passar da pessoa do acusado, e assim, nenhuma ao penal pode alcanar algum que no tenha participado da ao penal.

Regra a ao penal ser pblica, salvo quando a lei determine expressamente que seja privada (art. 100 CP).

Espcies (art. 100 1 e 2 CP):

ao penal pblica :

incondicionada (plena) titularidade MP nasce com denncia (pea inaugural exclusiva pea de acusao). aquela que no depende de condio, tampouco da manifestao da vtima;

condicionada titularidade MP nasce com a denncia (pea inaugural exclusiva pea de acusao), precedida da representao do ofendido ou da requisio do Ministro da Justia. aquela que depende de condio, ou seja, a denncia do MP est condicionada representao do ofendido (condio de procedibilidade) ou requisio do Ministro da Justia (condio de procedibilidade);

ao penal privada titularidade ofendido ou quem legalmente o represente nasce com a queixa do ofendido ou quem legalmente o represente (pea inaugural exclusiva pea de acusao).

O processo o meio, o instrumento uno que se usa para pedir a prestao jurisdicional.

O procedimento o modo pelo qual o processo anda, a forma.

O rito processual, atenta para o princpio da igualdade processual, por meio do qual todas as pessoas sabem, antecipadamente, os atos e a seqncia que eles devem ser praticados. No direito processual penal, para se estabelecer o rito, leva-se em considerao a natureza da pena privativa de liberdade prevista parta cada crime, a saber :

recluso pena para crimes mais graves (CP);

deteno pena para crimes mais leves (CP);

priso simples pena para contravenes penais

Os ritos podem ser :

Rito Comum

rito ordinrio

rito sumrio

rito sumarssimo

Rito Especial crime de txicos

Rito Ordinrio

O rito ordinrio aplica-se a :

crime, cuja pena cominada seja de recluso;

crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados (aborto, participao em suicdio, homicdio doloso e infanticdio ) tribunal do jri;

outros crimes que a lei assim o determinar.

Rito Ordinrio Crimes Cuja Pena Seja De Recluso - arts. 394/405 e 498/502 CPP

Oferecimento MP/Ofendido Denncia/Queixa (art. 41 CPP)

Processo Enviado ao Juiz

Juiz Recebe Denncia/Queixa (art. 394 CPP) Juiz Rejeita Denncia/Queixa (art. 43 CPP)

Cabe Habeas Corpus Defesa

Citao do Ru (arts. 394 e 564 CPP) Recurso em Sentido Estrito MP (art. 581,I CPP)

Interrogatrio (arts. 185/201 CPP)

Defesa Prvia Rol/Excees (arts. 351/369 e 395 CPP)

Testemunhas (arts. 202/225 e 398CPP)

Diligncias (art. 499 CPP)

Alegaes Finais (art. 500 CPP)

Sentena (arts. 381/393 e 502 CPP)

Pedido de Declarao (art. 382 CPP)

Recurso de Apelao (arts. 593/608 CPP).

Recurso em Sentido Estrito (arts. 581/592)

Denncia ou Queixa - arts. 24/62 e 364 CPP

Denncia

A denncia uma exposio por escrito de fatos que constituem, em tese, um ilcito penal (autoria e materialidade), ou seja, fato subsumvel em um tipo penal, com a manifestao expressa da vontade de que se aplique a lei penal a quem presumivelmente seu autor e a indicao das provas em que se alicera a pretenso punitiva. a pea vestibular da ao penal pblica.

Prazo para o oferecimento da denncia art. 46 CPP :

5 dias para o ru preso;

15 dias para o ru solto

Antes do oferecimento da denncia, no caso do MP entender que so imprescindveis novas diligncias, pode devolver o inqurito autoridade policial para novas diligncias (art. 47 CPP).

Queixa

A queixa a petio intentada pelo ofendido ou seu representante legal. a pea vestibular da ao penal privada. O direito de queixa deve ser exercido pelo ofendido ou seu representante legal por meio de procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelado e a meno do fato criminoso (autoria e materialidade) (art. 44 CPP). A ao penal privada regida pelo princpio da indivisibilidade, ou seja, ela deve abranger todas as pessoas crime com concurso de pessoas (art. 48 CPP). Apresentada a queixa somente contra uma pessoa e no sendo aditada a queixa dentro do prazo decadencial, ocorre a extino de punibilidade para todos os agentes (art. 49 CPP). Cabe ao MP verificar se a queixa foi proposta contra todos os autores. Tambm o MP pode, no prazo de 3 dias, aditar a queixa, no sentido de corrigir, acrescentar, ampliar, complementar (art. 45 CPP). A queixa pode ser proposta somente do prazo de 6 meses e, escoado sem a propositura da ao ocorre a decadncia, que causa extintiva de punibilidade.

Formalidades

A denncia (MP) e a queixa (ofendido ou por procurador com mandato com poderes especiais art. 44 CPP contero - art. 41 CPP:

dirigida ao juiz singular de primeira instncia competente (arts. 69/91 CPP lugar da infrao, domiclio ou residncia do ru, natureza da infrao, distribuio, conexo ou continncia, preveno e prerrogativa de funo) ;

qualificao da vtima;

qualificao do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identific-lo;

exposio do fato criminoso com todas as suas circunstncias (meios empregados, lugar, mal produzido, o motivo, a maneira e tempo);

classificao do crime;

pedido de condenao;

requerimento de citao do ru (na denncia suprida pelo juiz e na queixa obrigatria);

protesta por todos os meios de prova em direito permitidas, inclusive diligncias, percias, documentais e anexa o rol de testemunhas, quando necessrio em nmero no superior a 8, sob pena de precluso.

No caso de percia, pode ser feita em qualquer fase da instruo criminal, diligncia esta que no pode ser indeferida pelo juiz, porque se prova a materialidade do crime. Mas, pode-se pedir percia at o prazo preclusivo do art. 499 CPP.

Hipteses de Rejeio

A denncia e a queixa sero rejeitadas quando art. 43 CPP :

fato narrado evidentemente no constitui crime (a prtica do fato imputado ao agente no se amolda perfeitamente descrio abstrata contida na lei penal);

j estiver extinta a punibilidade (art. 107 CP morte do agente, anistia graa ou indulto, retroatividade da lei mais benigna, prescrio, decadncia, perempo, renncia do direito de queixa, perdo aceito, perdo judicial, retratao do agente e casamento do agente com a vtima).O juiz pode reconhecer em qualquer fase processual extinta a punibilidade art. 61 CPP;

for manifesta a ilegitimidade da parte ou faltar condio exigida pela lei para o exerccio da ao penal (MP nos casos de ao pblica, e ofendido ou seu representante legal nos casos de ao penal privada).

Depois do oferecimento da denncia ou queixa, o MP ou o querelante podem requerer diligncias que julgarem convenientes (art. 399 CPP).

Cabimento de Habeas Corpus

O juiz pode receber uma denncia ou queixa que contenham hiptese de rejeio prevista no art. 43 CPP. Neste caso, cabe a impetrao de habeas corpus por coao ilegal (art. 648 CPP) em favor do acusado, com a finalidade de trancar a ao penal definitiva ou temporariamente. Este ato de pro fim ao penal, gera cassao da denncia. O habeas corpus interposto contra ato do juiz singular, junto ao tribunal, contra ato do tribunal, junto ao STJ, e contra ato do STJ, junto ao STF.

Citao arts. 351/369 e 394 CPP

Conceito

A citao o ato processual com que se d conhecimento ao ru da acusao que contra ele foi intentada a fim de que possa se defender e vir integrar a relao processual. o chamado do juiz para que o acusado se defenda na ao, e, sendo um ato essencial do processo a sua falta gera nulidade absoluta (art. 564 CPP), em decorrncia do princpio da ampla defesa. A falta ou nulidade da citao estar sanada desde que o interessado comparea antes de o ato consumar-se, embora declare que o faz para o nico fim de arg-la (art. 570 CPP). O acusado pode argi-la at as alegaes finais (art. 571, II CPP).

Espcies

A citao pode ser :

real quando se realizada na pessoa do acusado, por mandado;

ficta ou presumida quando se realiza por meio de editais.

A citao por mandado a regra e far-se- por mandado entregue por oficial de justia (contraf), quando o ru estiver no territrio sujeito jurisdio do juiz que a houver ordenado (art. 351 CPP). A citao pode ser feita a qualquer dia (teis ou no) e qualquer hora (dia e noite).

Se o acusado, citado pessoalmente, no comparecer sem motivo justificado, falta de comunicao da mudana de endereo, ocorre a revelia e o processo segue sem a sua presena (art. 367 CPP). Entretanto, tal fato no implica confisso ficta, no impede a defesa, tampouco a nomeao de um defensor pelo juiz (arts. 261 e 396 CPP). At que ele volte a comparecer para os atos do processo, no ser intimado, exceto da sentena. No caso do ru preso, ser requisitada a sua apresentao em juzo em dia e hora designados. Se for caso de ru fora da comarca, a citao ser pessoal, por carta precatria.

Cabe citao por edital arts. 362/364 CPP:

ru no encontrado 15 dias;

ru se oculta para no ser citado 5 dias;

ru se encontra em lugar inacessvel entre 15 e 90 dias de acordo com as circunstncias;

incerta a pessoa que estiver sendo citada 30 dias;

Se o acusado, citado por edital, no comparecer e no constituir advogado, ficaro suspensos o processo e o prazo prescricional ( art. 366 CPP).

A citao far-se-:

por carta precatria se o ru estiver fora do territrio da jurisdio do juiz processante art. 353 CPP (forma de se pedir a citao);

requisio do diretor do estabelecimentos da apresentao do ru em dia e hora designados se ele estiver preso - art. 360 CPP;

por carta rogatria se o ru estiver em territrio estrangeiro (forma de se pedir a citao).

No h, no direito processual penal, citao por hora certa.

Interrogatrio arts. 185/201 CPP

Conceito

O interrogatrio um ato privativo do juiz que no sofre interferncia das parte, ou seja, tanto um meio de prova, quanto a oportunidade de defesa do acusado. um ato solene, formal, de instruo, sob a presidncia do juiz, em que se indaga do acusado sobre os fatos articulados na denncia ou queixa, deles lhe dando cincia, ao tempo que lhe abre oportunidade de defesa. Cabe somente ao Juiz a faculdade de proceder novo interrogatrio.

Necessidade

Sabe-se que a qualquer tempo o acusado que for preso ou comparecer espontaneamente ou em virtude de intimao, perante a autoridade judiciria poder ser qualificado e interrogado (arts.185 e 196 CPP). A falta de interrogatrio causa de nulidade (art. 564, III, e CPP). No h no direito processual penal confisso ficta. No caso de citao por edital, ser decretada a revelia pelo no comparecimento sem justificativa do acusado no interrogatrio. Vale esclarecer que dispensvel o interrogatrio do ru revel.

Formalidades

O ato de interrogatrio pblico, gozando o acusado de liberdade e garantia de que no se praticar extorso das confisses. um ato processual, personalssimo do ru, por meio do qual o juiz ouve do acusado esclarecimentos sobre a imputao que lhe feita e ao mesmo tempo colhe dados para o seu convencimento, ou seja, uma fonte de prova. O interrogatrio pode ser feito por meio de carta precatria, porque poder ser realizado na comarca em que o acusado estiver preso ou solto (Resoluo do TJMG) e o STJ entende que inexiste no CPP a identidade fsica do juiz. Outra caracterstica a judicialidade, ou seja, cabe ao juiz, somente a ele, interrogar o ru . O defensor do acusado no poder intervir ou influir , de qualquer modo, nas perguntas e nas respostas, estendendo-se esta proibio tambm ao MP (art. 187 CPP). O interrogatrio feito oralmente e as respostas sero ditadas pelo juiz e tomadas a termo, que depois de lido e rubricado pelo escrivo ser assinado pelo juiz e pelo acusado (art. 195 CPP). Se o acusado no souber escrever, no puder, ou no quiser assinar tal fato ser considerado no termo ( nico art. 195 CPP). Ao acusado imperioso a nomeao de um defensor e um curador ao menor de 21 anos, que devem estar presente ao interrogatrio sob pena de nulidade (arts. 194 e 564 CPP).

Vale esclarecer, que se no termo do interrogatrio constar alegaes que o acusado no fez e que lhe causem prejuzo, ele o o advogado no assinam ou consignam a ocorrncia. Na hiptese do ru no assinar, a autoridade tem que chamar algum para assinar a seu rogo e explicar porque o ru no assinou.

Processamento

O ru ser qualificado, cientificado da acusao que lhe imputada, e ainda ser-lhe- informado que poder permanecer calado, sendo-lhe assegurado a assistncia da famlia e do advogado (LXIII art. 5 CF) e logo a seguir ser-lhe-o feitas perguntas a respeito do fato (art. 188 CPP). Se o acusado no tiver defensor, ser-lhe- nomeado um, que poder atuar no interrogatrio independentemente de instrumento (arts. 263 e 266 CPP), sob pena de nulidade (art. 564 CPP). Tambm se o acusado for menor de 21 anos ser-lhe- nomeado curador, sob pena de nulidade (art. 564 CPP). O Juiz ainda observar que ele tem direito constitucional de permanecer em silncio (faculdade de no responder), porque h presuno de no culpabilidade. O ru no est obrigado a falar a verdade, porque no h lei que assim o determine e tem direito ao devido processo legal. A ausncia de interrogatrio, quando presente o acusado, constitui nulidade insanvel. O Juiz far o interrogatrio de identificao e em seguida passa ao interrogatrio de mrito. Havendo co-rus, eles sero interrogados separadamente.

A confisso o reconhecimento feito pelo imputado de sua prpria responsabilidade e no tem valor absoluto, tem que ser espontnea, retratvel, pode ser divisvel, pois o Juiz pode aceitar uma parte e desprezar a outra.

Defesa Prvia art. 351/369 e 395 CPP

Conceito

A defesa prvia o ato processual facultativo por meio do qual o defensor, de modo tcnico, alega nulidades da acusao, bem como a contesta em seu mrito, e ainda requer diligncias, tudo por escrito. Tem que ser apresentada logo aps o interrogatrio ou no prazo de 3 dias, anexando, se for o caso, rol de at 8 testemunhas (art. 395 CPP), sob pena de precluso. No caso de acusado revel ser-lhe- nomeado defensor pelo Juiz, que ser intimado para apresentar a defesa prvia.

Finalidade

A sua finalidade esclarecer sobre a teses de defesa do acusado, mas por vezes o silncio ser-lhe- mais interessante, pois uma faculdade proveniente do princpio da ampla defesa. O que gera nulidade a ausncia de concesso para que o defensor apresente defesa prvia (art. 564 CPP). Na defesa prvia deve ser argida, sob pena de precluso, a nulidade de incompetncia do juzo, oferecidas as excees (arts. 108 e 109 CPP), bem como o rol de testemunhas (art.. 395 CPP). Tambm deve-se requerer diligncias (art. 399 CPP), juntar documentos, que alis pode ocorrer em qualquer fase do processo (art. 400 CPP).

A defesa prvia pode tratar de :

preliminar matria de natureza processual vcio do processo, nulidade, observando que a incompetncia do juzo tem que ser alegado, sob pena de precluso;

mrito matria de natureza substancial improcedncia total ou parcial da acusao, diligncia, percia, documentos, observando que o rol de testemunhas tem que ser apresentado, sob pena de precluso. No caso de percia, pode ser feita em qualquer fase da instruo criminal, diligncia esta que no pode ser indeferida pelo juiz, porque se prova a materialidade do crime. Mas, pode-se pedir percia at o prazo preclusivo do art. 499 CPP.

O juiz pode, em qualquer fase do processo declarar extinta a punibilidade (art. 61 CPP). A no apresentao da defesa prvia no gera nulidade, mas a falta de abertura de prazo para sua apresentao gera nulidade.

Testemunhas arts. 202/225 e 398 CPP

Conceito

Testemunho a declarao positiva ou negativa da verdade a respeito de uma fato feita ante o magistrado. O valor probatrio da prova testemunhal no absoluto, porm um meio de prova importantssimo.

Testemunha a pessoa perante o juiz declara o que sabe acerca dos fatos sobre os quais se litiga no processo penal ou as que so chamadas a depor perante o juiz sobre suas percepes sensoriais a respeito dos acontecimentos lhe fornecido pelos seus sentidos.

Caractersticas :

judicialidade o depoimento prestado em juzo;

oralidade o depoimento prestado de viva voz e reduzido a termo;

retrospectividade o depoimento refere-se a fatos pretritos.

Impedimentos art. 206/208 CPP

Qualquer pessoa pode ser testemunha, que no poder eximir-se da obrigao de depor, criando assim o dever de testemunhar. Podero entretanto recusar-se o ascendente, descendente, o afim em linha reta, o cnjuge, o irmo, exceto quando houver necessidade, que prestaro depoimento sem compromisso na qualidade de declarante. Tambm os menores de 14 anos e os doentes mentais podem ser ouvidos em juzo na qualidade de informantes, tambm sem prestarem compromisso de dizer a verdade. Tambm so proibidas de depor as pessoas as pessoas que devem guardar segredo em razo de funo (encargo), ministrio (religioso ou social), ofcio (trabalho manual) e profisso (atividade intelectual).

Deveres

As testemunhas arroladas tem o dever de comparecer, sob pena de ser conduzida e o dever de prestar compromisso sobre a verdade, sob pena de incorrer no crime de falso testemunho. Antes de iniciado o depoimento as partes podero contraditar as testemunhas, e o Juiz no lhes tomar o compromisso. Se a testemunha da defesa no comparecer, a parte pode desistir, insistir e apresentar novo endereo ou substituir, observando-se que todas as diligncias para encontr-la esto a seu cargo. No caso de testemunha da acusao, o MP pode desistir, insistir e apresentar novo endereo ou substituir, observando-se que pode-se requerer o auxlio da polcia, dos tribunais eleitorais, etc., como forma de diligncias para encontr-la. A substituio da testemunha procedimento legtimo, desde que regularmente arrolada (art. 397 CPP).

Nmeros

Na instruo do processo sero inquiridas no mximo 8 testemunhas de acusao e at 8 de defesa, excetuadas as que no prestaram compromisso e as referidas. Se no for encontrada quaisquer das testemunhas arroladas tanto pela defesa como pela acusao, o Juiz poder deferir pedido de substituio. O Juiz poder arrolar testemunhas , tendo em vista o princpio da verdade real.

Procedimentos

As testemunhas devem ser inquiridas uma de cada vez, de modo que umas no ouam o depoimento das outras. Comparecendo, qualificada (art. 203 CPP) e tomado seu compromisso de dizer a verdade, quando verificada a inexistncia de impedimento, sob pena de incorrer em crime de falso testemunho (art. 342 CP). Aps a qualificao as partes podero contraditar as testemunhas, sob pena de precluso, fato que constar nos autos. Entretanto, o professor entende que, mesmo aps o compromisso e antes de iniciar o a inquirio, a parte pode contraditar, se assim o juiz permitir. O prazo so 20 dias para ru preso e 40 dias para ru solto.

Na inquirio de testemunhas regra que os atos processuais no podem ser invertidos, ou seja, primeiro sero ouvidas as testemunhas de acusao, depois as de defesa. Estes procedimentos podem ser realizados em uma nica audincia, principalmente quando for o caso de ru preso, para a celeridade do procedimento. As testemunhas de acusao primeiro sero inquiridas na seguinte ordem : MP , assistente e defensor, e as testemunhas de defesa sero inquiridas na seguinte ordem: defensor, MP e assistente.

Depoimento

O depoimento deve ser prestado oralmente, no sendo permitido testemunha traz-lo por escrito, de modo que deve relatar o que souber, explicando as razes de sua cincia ou as circunstncias pelas quais possa avaliar-se de sua credibilidade. O depoimento em relao aos questionamento das partes sero sempre por meio do juiz. Caso o juiz recuse formular as perguntas, as partes podem reformular as perguntas, ou pedir que conste em ata a pergunta e a causa do indeferimento, para que mais tarde a parte possa questionar o cerceamento de direito de defesa ou acusao. O depoimento deve ser reduzido a termo, que ser assinado pela testemunha, pelo juiz e pelas partes.

Diligncias art. 499 CPP

Esta fase de diligncias decorrncia da instruo criminal e preclusiva das partes. Durante o processo as diligncias podem ser requeridas na instruo criminal, denncia, defesa prvia, tendo como momento final e preclusivo o art. 499 CPP. Se a diligncia deferida pelo juiz, o processo fica paralisado at que seja feita. Se a diligncia indeferida, no h recurso, somente pode-se alegar em preliminar nas alegaes finais por cerceamento de direito de defesa se houve efetivo prejuzo. Terminada a inquirio de testemunhas, o MP tem 24 horas para requerer diligncias e logo aps o acusado tem igual prazo para providncia (arts. 498/502 CPP). Caso seja inferido o pedido, cabe nulidade do processo por cerceamento do direito de defesa, desde que restar demonstrada a necessidade da produo de provas. Este prazo preclusivo. Assim, este o ltimo momento para se requerer diligncias.

A percia, em regra, pode ser realizada em qualquer fase da instruo, sendo que o momento preclusivo o do art. 499 CPP. Observe-se que o laudo pericial a prova da materialidade e deste modo no pode ser indeferido pela juiz. Normalmente esta prova produzida na fase inquisitria, por causa dos vestgios presente. Ademais, se restar alguma dvida, exames complementares ou laudos percias indiretos podem ser feitos.

A regra especfica do processo penal, que prova documental pode ser oferecida em qualquer fase do processo (art. 231 e 400 CPP).

Alegaes Finais art. 500 CPP

As alegaes finais so peas obrigatrias porque a oportunidade de se apresentar a defesa tcnica. Ao contrrio da faculdade da defesa prvia, pode gerar cerceamento de direito de defesa se causar prejuzo e ser passvel de nulidade. Deve ser apresentada de modo que fique c