Cartilha Conexao Aprendiz ONGS

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Cartilha para ONGs: Como Elaborar um Programa de Aprendizagem a partir da Lei 10.097

Um Projeto a partir de uma Lei

Cartilha para ONGs

www.conexaoaprendiz.org.br

Cartilha para ONGs

A proposta de construir a Cartilha para ONGs: Como Elaborar um Programa de Aprendizagem a partir da Lei 10.097/2000 surgiu das necessidades das entidades sociais que desenvolvem ou pretendem desenvolver programas de aprendigem.

O Conexo Aprendiz

Com o intuito de facilitar o acesso s informaes relativas Lei de Aprendizagem (10.097/2000), incentivar seu cumprimento e propiciar a insero do adolescente e do jovem no mercado de trabalho como aprendiz, que o banco JPMorgan investiu na realizao do projeto Conexo Aprendiz. Assim, o Centro de Profissionalizao de Adolescentes (CPA - Pe. Bello) e a Cidade Escola Aprendiz se uniram para viabilizar a iniciativa, que teve como objetivo inicial a criao de um site para divulgao do tema. Em 2003, o foco do projeto foi construir um site de referncia na Lei 10.097/2000, ao mesmo tempo em que desenvolvia 10 jovens provenientes das organizaes parceiras do projeto. Em 2004, o projeto focou suas aes na manuteno do produto desenvolvido no ano anterior. Em 2005, o Conexo Aprendiz, alm da manuteno do site, comeou a fazer trabalhos de sensibilizao com todos os agentes envolvidos na Lei. Entre as atividades, ganharam destaque as oficinas de sensibilizao para adolescentes e jovens, as visitas em empresas e instituies, a produo de uma cartilha de orientao para ONGs e o acompanhamento de aes governamentais no que diz respeito Lei de Aprendizagem. O site conta com entrevistas de especialistas da rea, um banco de vagas para adolescentes, fruns de discusso, matrias relacionadas ao tema, agendas, informaes teis e uma rede de informaes. O projeto busca ainda parceria com os rgos pblicos envolvidos com questes de aprendizagem como: Ministrio do Trabalho, Conselho Municipal dos Direitos da Criana e do Adolescente, Servio Nacional de Aprendizagem, Escolas Tcnicas de Educao, organizaes do Terceiro Setor, entre outros.

Criado para gerar conexo entre empresas, adolescentes e ONGs, o site divulga e esclarece a Lei de Aprendizagem com o objetivo de promover a insero do jovem no mercado de trabalho.

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O Conexo Apre

Cidade Escola AprendizFundada pelo jornalista Gilberto Dimenstein, a Cidade Escola Aprendiz um laboratrio de pedagogia comunitria, onde se desenvolve o modelo de bairro escola, de forma a integrar os agentes sociais e a comunidade em um amplo espao comunitrio. Mais informaes: www.aprendiz.org.br

CPAPe. BelloO CPA um ncleo da entidade Ao Comunitria Paroquial Jd. Colonial. Sua misso contribuir, mediante uma ao educativa libertadora em formao incluso social e da construo de uma sociedade justa e solidria. Mais informaes: www.cpa.org.br

profissional, para que jovens do meio popular sejam sujeitos do seu processo de

JPMorganO JPMorganChase & Co. uma das principais empresas de servios financeiros O grupo lder em Investment Banking, Asset Management, Private Equity, sede em Nova York, o JPMorganChase & Co. atende 30 milhes de clientes de governos sob a bandeira JPMorgan. Mais informaes: www.jpmorgan.com

globais com mais de US$ 700 bilhes em ativos e operaes em mais de 50 pases.

servios de varejo, Private Banking, E-Finance, custdia e Cash Management. Com varejo sob a bandeira Chase e as mais notveis empresas, clientes institucionais e

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O desemprego sempre assombrou mais a populao acima de 40 anos. No entanto, as estatsticas demonstram que na prtica a situao outra: o desemprego no Brasil entre os jovens quase duas vezes maior do que a mdia nacional. Em 2003, dos brasileiros que tinham entre 18 e 24 anos, 18% estavam sem trabalho, enquanto a taxa total de pessoas sem ocupao foi de 9,7% no mesmo perodo.

A constatao de um estudo divulgado pela Organizao Gelre, com base em dados coletados na Pesquisa por Amostra de Domiclios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), em 2003.

De acordo com a anlise, as altas taxas de desemprego so reflexo do baixo crescimento econmico. A estagnao da economia, apesar de afetar todas as faixas etrias, tem atingido ainda mais os jovens. Em 2003, a situao era mais preocupante nas regies Sudeste e Norte, que registraram taxa de desocupao de 20,5% entre as pessoas com idade entre 18 e 24 anos.

O quadro mais alarmante no Sudeste foi observado no Rio de Janeiro, onde o desemprego alcanou 24,7% dos jovens. So Paulo veio em segundo lugar com 21,2%, seguido do Esprito Santo (16,9%) e Minas Gerais (16,8%). Conforme dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), realizada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatstica e Estudos Socioeconmicos) e pela SEADE (Fundao Sistema Estadual de Anlise de Dados), em 2004, havia mais de 3,5 milhes de desempregados nas principais regies metropolitanas do pas. Desse total, 1,6 milhes de pessoas estavam na faixa etria de 16 a 24 anos, o que significa que 46,6% dos desempregados so jovens.

Como se no bastasse, a taxa de desemprego entre os mais pobres significativamente maior. Na mesma poca, o rendimento de 40% dos que tinham entre 15 e 24 anos no passava de um salrio mnimo.300 250 200 150 100 0 1 2 3 4 5

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A relao entre renda e estudo mostra uma situao peculiar entre os jovens dessa mesma faixa etria. Nas famlias com renda superior a dois salrios mnimos, 79,1% dos jovens concentravam-se apenas nos estudos. Esse ndice era de 55,7% em famlias com renda inferior. Entre os setores que mais empregam jovens entre 15 e 24 anos, esto os de comrcio e servios.

Os jovens entre 15 e 17 anos mostram ainda uma tendncia de desacelerao na taxa de atividade. H 12 anos, 53,3% deles estavam ocupados, enquanto em 2003, a fatia foi de 39,4%. Esse nmero aumenta conforme a idade. No grupo de 18 a 24 anos, o comportamento foi estvel, com 73% em 1993 e 73,2% em 2001. A ocupao entre homens bem superior em relao ocupao de mulheres. Em 2003, enquanto 47,3% dos homens estavam empregados, apenas 31,3% de mulheres ocupavam alguma posio no mercado.

O estudo do DIEESE e da SEADE, em 2004, revela ainda que o acesso dos jovens s oportunidades de trabalho est pautado na idade, sexo, condio econmica da famlia e at mesmo na regio de domiclio.

A falta de vagas no mercado, a alta competitividade e a baixa escolaridade, quando atrelados s exigncias do mercado atual, mostram que preciso muito mais do que simplesmente criar oportunidades de emprego. necessrio aperfeioar as leis e os programas j existentes com foco no primeiro emprego, criar condies economicamente mais favorveis e, principalmente, dar qualidade formao desses jovens. Diante desse contexto, a Lei de Aprendizagem (10.097/2000) aparece como um Caminho e uma soluo para jovens na faixa etria de 14 a 24 anos.

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Digo: o real no est na sada e nem na chegada. Ele se dispe para a gente no meio da travessia (Guimares Rosa)Um dos objetivos desta cartilha mostrar a importncia de olhar para o perodo de aprendizagem como algo especial na vida dos jovens. A esse perodo o Conexo Aprendiz d o nome de travessia. Travessia, alm de demonstrar a passagem do tempo, demonstra a instabilidade, a persistncia, o entusiasmo, as paixes e as no-paixes que fazem parte do cotidiano do ser humano, e em especial da vida dos jovens, numa fase em que os sentimentos se confundem com tanta intensidade.

Quando uma organizao desenvolve um programa de aprendizagem, ela deve estar ciente da sua responsabilidade. Ou seja, deve transformar significativamente a vida de um jovem. Em plena fase da descobertas, cabe organizao e aos educadores entenderem as crises psico-sociais que os envolvem. Cabe a ela, ainda, compreender as crises comuns de um momento de travessia: a transgresso das regras sociais, a des-construo e construo de valores e a impossibilidade dos sonhos.

A Lei 10.097 privilegia justamente esses jovens. Tal privilgio aparece no sentido de dar oportunidades e abrir possibilidades concretas num mundo de trabalho to restrito e injusto, em que apenas os mais preparados encontram espao para desenvolvimento. A Lei tem uma funo bastante complexa: mais do que inserir, deve promover o desenvolvimento integral dos jovens.

Por isso, no basta cumprir a Lei, preciso aplic-la com seriedade e consistncia para que seja mais do que uma obrigao. necessrio que os educadores e gestores sociais vejam na legislao a possibilidade de transformar a realidade e mudar o rumo de muitos jovens, principalmente no que diz respeito sua insero educativa no mercado.

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Tambm necessrio ultrapassar os limites da simples profissionalizao e olhar mais adiante. A Lei de Aprendizagem no pode ser vista como um primeiro emprego, mas sim como um processo de Educao pelo Trabalho, que no futuro possa colaborar de maneira concreta para a entrada do jovem no mercado. Diante desse contexto, cabe aos educadores assumirem o compromisso e o desafio de contribuir com uma educao de qualidade para que a travessia entre o real e o ideal se transforme numa oportunidade de incluso social de muitos brasileiros.

Mas como dar sentindo as emoes, entender o sonho e contribuir com a esperana, diante de um mercado de trabalho to desigual e excludente?

muito comum olharmos a profissionalizao de uma maneira tecnicista, mas o mundo do trabalho atual exige muito mais que isso. Exige pessoas empregveis no sob o ponto de vista tcnico, mas sob o aspecto comportamental. O importante saber se relacionar, saber se comportar diante das diferentes situaes, ser empreendedor e solucionar problemas. Por isso, preciso dar um outro senti