Cartilha – Primeira Infância e Gravidez na Adolescência

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  • Primeira Infncia e Gravidez na Adolescncia

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    Realizao:Rede Nacional da Primeira Infncia (RNPI)Secretaria Executiva Binio 2013/14: INSTITUTO DA INFNCIA - IFAN

    Grupo de Trabalho da Sade RNPI:Centro de Estudos Integrados, Infncia, Adolescncia e Sade CEIIASInstituto da Infncia IFANPlan InternationalViso Mundial VM

    Apoio:Viso mundial VMFundo das Naes Unidas para a Infncia UNICEFInstituto da Infncia IFAN

    Coordenao Geral:GT Sade - RNPI

    Elaborao do Documento:Ana Mattos Brito de Almeida IFAN

    Colaboradores: Evelyn Eisenstein - CEIIASFlvio Antunes Debique Plan InternationalNeilza Alves Buarque Costa VMLuzia Torres Gerosa Laffite - IFAN

    Projeto Grfico e design:Andrea Araujo e Mariana Araujo

    Reviso do texto:Joice Nunes de Souza

    Secretaria Executiva - Instituto da Infncia - IFANAv. Padre Antnio Toms, n 2420 - Edifcio Diplomata - Sala 1405 CEP: 60.140-160 - Aldeota - Fortaleza/CE. Telefone: 85+3268.3979Email: secretariaexecutivarnpi@primeirainfancia.org.brSite: primeirainfancia@org.br

    EXPEDIENTE

    SUMRIOAPRESENTAO ..............................................................................................................................................................................................................................................................................................................7

    GRAVIDEZ NA ADOLESCNCIA COMO PROBLEMA DE SADE PBLICA .......................................................................................8

    VIOLNCIA SEXUAL E GRAVIDEZ NA ADOLESCNCIA EM MENORES DE 15 ANOS.................................................. 12

    IMPORTNCIA DO ATENDIMENTO E CUIDADOS DIFERENCIADOS ............................................................................................................. 14

    Aspectos fsicos e emocionais ........................................................................................................................................................................................................................................................15

    IMPORTNCIA DO ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL.....................................................................................................................................................18

    Principais nutrientes durante a gestao das adolescentes ........................................................................................................................................19

    PARTO .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................21

    ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL ..........................................................................22

    O QUE PODE DAR CERTO! .................................................................................................................................................................................................................................................................23

    O QUE OS SERVIOS PODEM OFERECER .....................................................................................................................................................................................................24

    SADE ..............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................25

    EDUCAO .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................27

    ASSISTNCIA SOCIAL (PROTEO) .................................................................................................................................................................................................................................28

    SAIBA MAIS ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................29

    REFERNCIAS ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................32

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    APRESENTAOQuanto mais jovem essa me adolescente maiores so as implicaes para

    sobrevivncia e desenvolvimento dessa me e desse filho (Neilza Costa)

    Ficar grvida na maioria das vezes traz felicidade e visto por todos com muita alegria. En-tretanto, temos percebido que a gravidez tem acontecido cada vez mais cedo. Meninas menores de 15 anos de idade esto engravidando, e isso no deve ser visto com naturalidade, pois alm de complicaes fsicas para me e beb, ficar grvida to cedo traz consequncias psicolgicas, sociais, econmicas etc. Em alguns casos tambm um indicador de violncia sexual, alterando em muito as possibilidades e oportunidades de futuro dessas meninas, seus filhos e suas famlias. Esta cartilha apresenta alguns pontos que consideramos importantes para que cada um possa em seu espao de trabalho pensar em estratgias de enfretamento.1

    A adolescncia considerada um perodo do desenvolvimento humano onde ocorrem trans-formaes fsicas, biolgicas, sociais e, emocionais, devendo ser analisada por vrios prismas, na tentativa de compreender melhor a dinmica envolvida nesta fase, no sendo recomendado estudar separadamente os aspectos biolgicos, psicolgicos, sociais e culturais (Osrio, 1992). Conforme os dados do ltimo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsticas (IBGE), re-alizado em 2010 existem 34.157.631 milhes de pessoas de 10 a 19 anos. Deste nmero aproxima-damente 17 milhes so meninas, representando 18% da nossa populao. Aspectos relacionados s iniquidades sociais, de gnero e raa/etnia, por exemplo, so determinantes importantes para avaliar o fenmeno da gravidez na adolescncia. Assim, fundamental que tenhamos um olhar atento para essa faixa etria e o que cada contexto tem a dizer para ns, por se tratar de um tema multifatorial, recomenda-se uma anlise intersetorial e interdisciplinar.

    1 O contedo deste material fruto da sistematizao das apresentaes do Colquio Primeira Infncia e Gravidez na Adoles-cncia Desafios e Repercusses Clnicas, Psicossociais e Polticas Pblicas, realizado em novembro de 2013, sob a coordenao do Grupo de Trabalho de Sade da Rede Nacional da Primeira Infncia (RNPI), composto pelas organizaes Viso Mundial, Plan International, Centro de Estudos Integrados Infncia e Instituto da Infncia (IFAN). Contou com apoio da Organizao Panameri-cana de Sade, Plan Internacional, Ministrio da Sade, UNICEF, Secretaria da Sade do Estado do Cear e Viso Mundial.

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    Todas as pesquisas apontam para o aumento da prematuridade e do baixo peso do recm-nato (RN) filho da me adolescente.

    GRAVIDEZ NA ADOLESCNCIA COMO PROBLEMA DE SADE PBLICA

    A gravidez na adolescncia, considerada de alto risco pela complexidade de fatores torna-se um problema de sade pblica devido s consequncias que impe sociedade como um todo. Rios, Williams e Aiello (2007).

    Em 2011, no Brasil, tivemos 2.913.160 nascimentos; destes, 533.103 de meninas de 15 a 19 anos, e 27.785 de meninas de 10 a 14 anos, representando 18% e 0,9%, respectivamente, de adolescentes grvidas nesta faixa etria. Apesar de os nmeros indicarem uma diminuio de nascidos vivos nessa faixa etria nos ltimos 10 anos, as percentagens ainda so extre-mamente preocupantes, com particular ateno para menores de 15 anos.

    Ao analisarmos a Tabela 01 percebemos que as regies Norte e Nordeste apresentam os maiores ndices, ou seja, dos nascimentos so de meninas menores de 19 anos, tambm com o maior percentual para gravidez em menores de 15 anos.

    Com relao aos bitos maternos, no se observa uma reduo significativa nos ltimos anos, havendo apenas uma variao entre 13% a 16%. Trata-se de mais um desafio para o gestor pblico. Quanto mais jovem, mais tardiamente as adolescentes identificam a gravi-dez e mais tardiamente procuram os servios de sade. O aborto tambm acontece mais tardiamente, gerando mais riscos e complicaes. Em 2011, 15% de todas as mortes maternas foram das adolescentes abaixo dos 19 anos. De todas as mortes relacionadas ao aborto, 17% foram de jovens entre 10 e 19 anos.

    Este um assunto sensvel para a sociedade por suscitar aspectos ticos, morais e re-ligiosos. O aborto realizado em condies inseguras uma importante causa de morte de mulheres no Brasil. Porm, importante observar que [...] a deciso pelo aborto surge quando no h apoio familiar ou do parceiro e, muitas querem esconder o fato de seus familiares por medo ou vergonha (ANDALAFI, 2010).

    Na Tabela 2, referente s taxas de mortalidade infantil, podemos observar que a chance de morte infantil duplica para os filhos de adolescentes abaixo dos 15 anos, se comparramos com as adultas que possuem entre 25 e 29 anos. E este fato acende um alerta para nossas intervenes..

    Tabela 01. Nmero de nascimentos por ocorrncia e ida