Charles h spurgeon exposição das doutrinas da graça

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Text of Charles h spurgeon exposição das doutrinas da graça

  • Exposio das Doutrinas da Graa

    C. H. Spurgeon

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    Exposio das Doutrinas da Graa

    N 385

    Exposio pronunciada na quinta-feira, 11 de abril de 1861.

    Pelo Rev. C. H. Spurgeon

    Como abertura de uma srie de conferncias evanglicas,

    pronunciadas por diversos pregadores convidados

    Por ocasio da abertura do Tabernculo Metropolitano

    Em Newington, Londres

    Os trabalhos se iniciaram, sob a presidncia de C.H.Spurgeon, as 15:00 horas, com o cntico do hino n 21:

    Salvos do poder condenatrio do pecado,

    Tremenda maldio da Lei,

    Cantos sacros comearemos,

    Onde Deus conosco comeou.

    Cantaremos a vasta, imensurvel Graa,

    A qual, desde antanho

    Seus filhos eleitos abraou,

    Como ovelhas em seu aprisco.

    A base de eterno amor

    Sustentar o alicerce da misericrdia;

    Terra, inferno ou pecado, igualmente

    Em vo conspiraro.

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    Cantai, vs, pecadores comprados por sangue,

    Saudai o grande uno e trino Deus,

    Contai quo firme j era a aliana,

    Antes mesmo que o tempo comeasse o seu curso.

    No sentireis a culpa do pecado,

    Nem o dulor do amvel perdo

    Se vossos indignos nomes

    No estivessem arrolados para a vida celestial.

    Oh! Que doce e exultante canto,

    A romper a abbada celestial,

    Quando, bradando a graa, as hostes redimidas

    Contemplaro o mover de suas lpides!

    O Rev. George Wyard, de Deptford, fez uma orao.

    O Rev. C. H. Spurgeon, dando incio aos trabalhos, disse:

    Ns j nos reunimos sob este teto para definir a maior parte das verdades de que consistem as peculiaridades desta Igreja. Na noite de ontem, nos esforamos por demonstrar ao mundo que ns reconhecemos de corao a unidade essencial da Igreja do Senhor Jesus Cristo. E agora, nesta tarde e noite, nossa inteno, por meio dos lbios de nossos irmos, demonstrar as coisas que so verdadeiramente recebidas entre ns, e especialmente aqueles grandes pontos que to amide foram atacados, mas que ainda so tidos e mantidos verdades que ns provamos, em nossa experincia, serem cheias de graa e de verdade. Minha nica funo nesta ocasio apresentar os irmos que se dirigiro a vs outros, e o farei to brevemente quanto possvel, fazendo como que um prefcio a suas comunicaes.

    A polmica que tem prosseguido entre os calvinistas e os arminianos sumamente importante, mas no envolve a questo

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    crucial da santidade pessoal de tal forma que torne a vida eterna dependente de se esposar um ou outro desses sistemas teolgicos. Entre os protestantes e os papistas h polmicas dessa natureza, de modo que aquele que salvo, por um lado, pela f em Jesus, no ousa concordar que seu oponente, do lado oposto, possa ser salvo no que depender de suas prprias obras. Ali, a polmica por vida ou morte, porque gira sobre a Doutrina da Justificao pela F, a qual Lutero apropriadamente chamou de a doutrina de

    verificao, pela qual uma Igreja permanece ou cai. A polmica, novamente, entre o crente em Cristo e o Sociniano, uma que concerne a um ponto vital. Se o Sociniano estiver correto, estamos em abominvel erro, e ns de fato somos idlatras como haveria de habitar em ns a vida eterna? E se estamos corretos, nossa maior caridade no nos permitiria imaginar que um homem pode entrar no Cu sem crer na real divindade do Senhor Jesus Cristo. H outras polmicas, portanto, que atingem o centro, e tocam a prpria essncia da questo.

    Eu entendo, porm, que todos estamos livres para admitir que, conquanto John Wesley, por exemplo, em tempos recentes defendeu com zelo o arminianismo, e por outro lado, George Whitefield com igual fervor lutou pelo calvinismo, nenhum de ns deve estar preparado, seja em que lado estivermos, para negar a santidade de um ou de outro. No podemos fechar nossos olhos para o que cremos ser o crasso erro de nossos oponentes, e devemos nos achar indignos do nome de homens honestos, se pudermos admitir que eles estejam certos em todas as coisas, e ns tambm o estejamos! Um homem honesto tem um intelecto que no o permite crer que sim e no podem ambos subsistir ao

    mesmo tempo e serem ambos verdadeiros. No posso dizer , e

    meu irmo, queima-roupa, dizer no , e ambos estarmos corretos quanto ao assunto! Estamos dispostos a admitir de fato, no ousamos dizer o contrrio que a opinio neste assunto no determina o estado futuro ou mesmo o presente, de qualquer homem!

    Ainda assim, entendemos que ele to importante que, ao manter nossa posio, prosseguimos com toda a coragem e fervor de esprito, crendo que estamos fazendo a obra de Deus, e mantendo as mais importantes verdades de Deus. Pode ocorrer nesta tarde que o termo calvinismo seja usado com frequncia. No seja ele

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    mal-compreendido: s usamos o termo por brevidade. A doutrina que se chama de calvinismo no surgiu com Calvino; cremos que

    ela surgiu do grande Fundador de toda a verdade. Talvez o prprio Calvino tenha se baseado nos escritos de Agostinho. Agostinho baseou suas opinies, sem dvida, pelo Esprito de Deus, do diligente estudo dos escritos de Paulo, e Paulo os recebeu do Esprito Santo, de Jesus Cristo, o grande Fundador da dispensao crist. Usamos o termo, portanto, no porque atribuamos qualquer importncia extraordinria ao fato de Calvino ter ensinado estas doutrinas. Ns nos disporamos a cham-las por qualquer outro nome, se encontrssemos um pelo qual elas fossem melhor compreendidas, e o qual condissesse com a realidade. E, de novo, nesta tarde, provavelmente teremos de falar dos arminianos, e com isso, no insinuamos, em momento algum, que todos aqueles que pertencem ao grupo arminiano mantm essas opinies em particular. H calvinistas ligados a igrejas calvinistas, que no so calvinistas em suas opinies, carregando o nome, mas descartando o sistema. H, por outro lado, no poucos nas igrejas metodistas que, na maioria dos assuntos, concordam perfeitamente conosco, e creio que se a questo fosse peneirada a fino, descobriramos que concordamos mais em nossas opinies particulares do que em nossas confisses pblicas, e nossa religio devocional mais uniforme do que nossa teologia. Por exemplo, o hinrio do Sr. Wesley, o qual pode ser contemplado como uma declarao de sua teologia, tem nele alguns itens de calvinismo mais elevado do que muitos dos livros que ns usamos! Eu j fui grandemente tocado pelas fortes expresses que ele emprega, muitas das quais eu mesmo teria hesitado em usar.

    Pedirei a vossa ateno enquanto cito estrofes dos hinos do Sr. Wesley, os quais todos ns podemos subscrever plena e diretamente, pois em harmonia com as Doutrinas da Graa bem mais do que a pregao de alguns calvinistas modernos. Fao isso porque nossos batistas de baixa doutrina e morisonianos precisam despertar para a grande diferena que h entre eles e os arminianos evanglicos.

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    Hino 131, estrofes 1, 2 e 3.

    Senhor, me desespero por cura:

    Eu vejo meu pecado mas no o sinto,

    Nem sentirei, at que sopre o teu Esprito,

    E faa fluir as obedientes guas.

    Tu tens um corao de carne para dar,

    Teus dons s posso receber;

    Tudo a ti, aqui te entrego

    Para tomar, redimir e selar tudo teu.

    Com smplice f em ti, eu clamo,

    Minha luz, minha vida, meu Senhor, meu tudo.

    Eu espero o mover das guas,

    Aguardo a Palavra que, ao falar, me torna so.

    Hino 133, estrofe 4

    Teu ureo cetro celestial

    Estende a mim; eis, meu corao prostro,

    Dize a minha alma, s meu amado,

    Meu escolhido, dentre os milhares, s tu.

    Isso fecha com a [doutrina da] eleio.

    Hino 136, estrofes 8, 9, 10.

    No terei descanso, at que no teu sangue

    Plena redeno eu tenha.

    Tu, porm, por cujo intermdio venho a Deus,

    Podes de todo salvar.

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    Do pecado, da culpa, do poder e da dor

    Redimirs minha alma;

    Senhor, creio, e no em vo,

    A f me salvar.

    Eu, tambm, como tu, andarei em vestes brancas,

    E com todos os teus santos provarei

    O comprimento, a largura e a altura

    E a profundidade do perfeito amor.

    Irmos e irms, no isso a Perseverana Final? E o que se quer dizer na prxima citao, se o povo de Deus puder afinal perecer?

    Hino 138, estrofes 6 e 7

    Quem, quem na tua presena entrar

    E te rivalizar em onipotncia?

    E te arrancar o que em tua destra seguras,

    Ou dela arrancar o pecador?

    Jurado a destruir, terra assolar,

    Perto para salvar tu ests,

    Maior do que todos os poderes do inferno

    E maior do que meu corao.

    Este prximo hino bem marcante, especialmente quando usa a expresso fora-me. Segue na ntegra:

    Hino 158

    Deus meu, que farei?

    S tu o caminho podes mostrar,

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    Nesta hora podes me salvar.

    Me falta a vontade e o poder;

    Se sobre todas as coisas s Deus,

    Maior que meu corao pecador,

    Revela-me todo o teu poder,

    E me arranca este corao de pedra.

    Tira de mim o pecado que acalento,

    Torna-me disposto a ser purificado,

    Faze-me disposto a receber

    Tudo que tua bondade est pronta a me dar.

    Fora-me, Senhor, a de tudo abrir mo,

    Arranca os dolos do meu corao,

    Teu onipotente amor mostra a mim,

    Nova criatura torna-me, enfim.

    Jesus, poderoso, me vem renovar;

    Opera em mim o querer e o realizar

    Muda a mar da minha na