Acidentes, não castigos (charles haddon spurgeon)

  • View
    65

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Acidentes, não castigos (charles haddon spurgeon)

  • 1. www.projetospurgeon.com.br 1

2. www.projetospurgeon.com.br 2Acidentes, No CastigosNo. 408Um sermo pregado Domingo, oito de setembro de 1861Por Charles Haddon SpurgeonNo Tabernculo Metropolitano, Newington, Londres.E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifcios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vs que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? No, vos digo; antes, se no vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Silo e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalm? No, vos digo; antes, se no vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. Lucas 13:1-5O ano de 1861 ser notrio entre seus companheiros por ser um ano marcado por calamidades. Justo na poca quando o homem sai a receber o fruto de seus labores, quando a colheita da terra est madura, e os celeiros comeam a encher-se, cheios de trigo novo, a Morte tambm, essa poderosa segadora, saiu para cortar sua prpria colheita feixes completos foram recolhidos em seu celeiro: a tumba. Terrveis foram os lamentos que formam o hino de colheita da morte.Ao ler os jornais essas ultimas semanas, ainda as pessoas mais impassveis experimentaram sentimentos muito dolorosos. No s ocorreram calamidades to alarmantes que s de lembrar gelam o sangue, mas tambm as colunas dos peridicos foram dedicadas a certas calamidades de um menor nvel de horror, mas que, somadas todas, so suficientes para encher a mente de terror, pela tremenda quantidade de mortes inesperadas que recentemente corresponderam aos filhos dos homens.No somente temos tido acidentes a cada dia da semana, mas sim at dois ou trs no fomos simplesmente aturdidos pelo alarmante rudo de um terrvel estrondo, mas antes com outro, outro, outro e outro, que seguiram suas pisadas, como os amigos de J, at que tenhamos tido necessidade da pacincia e da resignao de J para escutar a terrvel narrativa dessas calamidades. Agora, homens e irmos, coisas como essas ocorreram sempre em todas as pocas do mundo. No pensem que isso algo novo no considerem, como alguns fazem, que isso o produto de uma civilizao excessiva, ou o resultado dessa descoberta moderna to maravilhosa como o 3. www.projetospurgeon.com.br 3vapor. Se jamais se tivesse conhecido a mquina a vapor, e se nunca se tivesse construdo uma ferroviria, de todas as formas teriam ocorrido mortes inesperadas e acidentes terrveis.Ao revisar os velhos arquivos nos quais nossos antepassados registraram os acidentes e as calamidades, encontramos que a antiga diligncia ofereceu morte uma presa to custosa como o trem que roda ferozmente o faz; tinham ento tantas portas para o Hades como as que existem hoje caminhos to empinados e ngremes que conduziam para a morte, que eram transitados por uma multido to vasta como em nossa poca; Por acaso duvidam disso?Peo-lhes que nos dirijamos ao captulo treze de Lucas. Lembrem-se desses dezoitos sobre os quais a torre de Silo caiu. Que tal se nenhuma coliso os tivesse esmagado?1 Ou que se no tivessem sido destrudos pelo ingovernvel cavalo de ferro que os arrastou a gua desde um aterro?2 No entanto, alguma torre mal construda, ou alguma parede golpeada pela tempestade poderia ter cado sobre dezoito de uma vez, e teriam perecido.Ou pior que isso, um governante dspota, levando as vidas dos homens penduradas em seu cinto como se fossem as chaves de seu palcio, poderia ter cado subitamente sobre os que estavam adorando no prprio templo, e poderia ter misturado o sangue deles com o sangue dos bezerros que nesse momento estavam sendo sacrificados ao Deus do cu. No pensem, ento, que essa uma poca na que Deus est tratando mais duramente com ns do que antes. No pensem que a providncia de Deus se tem voltado mais dura do que antes: sempre ocorreram mortes inesperadas, e sempre as haver sempre tem ocorrido estaes nas que os lobos da morte tem caado em manadas famintas, e provavelmente, at o fim dessa dispensao, o ltimo inimigo ter seu festival peridico e satisfar aos vermes com carne humana.Portanto, no estejam abatidos pelas mortes inesperadas, nem tampouco estejam perturbados com essas calamidades. Continuem com suas atividades normais, e se seus chamados os levam a cruzar o campo da prpria morte, o faam, e faam corajosamente. Deus no soltou as rdeas do mundo, no tirou Sua mo do timo do grande barco, todavia:1 Referncia ao acidente do Tnel Clayton, que ocorreu, 25 de agosto de 1861, cinco milhas a partir de Brighton, na costa sul da Inglaterra, e foi o pior acidente do sistema ferrovirio britnico da poca. Um trem de passeio bateu em outro que estava parado no tnel, no domingo, matando 23 e ferindo 176 passageiros2 Segundo Eric Hayden, pastor do Tabernculo Metropolitano na dcada de 60 em Feitos Notveis, uma referncia a um acidente ocorrido em Setembro ocorreu outro desastre ferrovirio quando um grupo de passageiros viajava costa sul 4. www.projetospurgeon.com.br 4Ele em todas as partes possui imprio,e todas as coisas servem a seu propsito;Cada ato seu pura beno,Seu caminho luz sem mancha.S aprendam a confiar Nele, e no tero nenhum temor morte inesperada; A sua alma pousar no bem, e a sua semente herdar a terra. (Salmo 25:13)O tema particular dessa manh, no entanto, esse: o uso que devemos encontrar para esses terrveis textos que Deus est escrevendo com letras maisculas na histria do mundo. Deus falou uma vez, sim, duas vezes que no se diga que o homem no prestou ateno. Temos visto um vislumbre do poder de Deus, contemplamos alguma coisa da rapidez com a que Ele pode destruir nossos concidados. Presta ateno ao castigo e a quem o estabelece; e ao prestar ateno, faamos duas coisas.Primeiro, no sejamos to insensatos para tirar a concluso a que chegam as pessoas supersticiosas e ignorantes; essa concluso que est sugerida no texto, quer dizer, que os que so destrudos por meio de acidentes, so pecadores que esto acima de todos os pecadores que habitam o lugar. E, em segundo lugar, cheguemos concluso apropriada e correta; faamos um uso prtico de todos esses eventos para nossa prpria melhoria pessoal: escutemos a voz do Salvador que diz: se no vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.I. Primeiro, ento, TENHAMOS MUITO CUIDADO DE NO CONCLUIR APRESSADAMENTE E IRREFLETIDAMENTE SOBRE ESSES TERRIVEIS ACIDENTES: QUE OS QUE OS SOFREM, OS SOFREM POR CULPA DE SEUS PECADOS. dito de maneira mais absurda que os que viajam no primeiro dia da semana, e sofrem um acidente, devem considerar esse acidente como um juzo de Deus sobre eles, devido a estarem violando o dia de adorao cristo. Tem se dito, ainda por parte de ministros piedosos, que essa ultima coliso deplorvel dos trens deve-se considerar uma notvel visitao e sumariamente maravilhosa da ira de Deus contra esses infelizes que por casualidade encontravam-se no tnel Clayton.Porem, eu apresento meu protesto mais enrgico contra uma concluso assim, no s em meu nome, mas tambm em nome Daquele que o Senhor do cristo e Mestre do cristo. Eu pergunto acerca dessas pessoas que foram esmagadas nesse tnel, pensam vocs que eles era maiores pecadores do que todos os pecadores? No, se no vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis., ou os que morreram na segunda feira passada, pesam vocs que 5. www.projetospurgeon.com.br 5eles eram maiores pecadores que todos os pecadores que estavam em Londres?3 Se no vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.Agora, fixem-se bem, eu no negaria que existiram ocasies em que houve juzos de Deus sobre pessoas particulares devido a seu pecado; algumas vezes, e eu penso que muito raramente, tais coisas ocorreram. Alguns de ns ouvimos, em nossa prpria experincia, que certos homens blasfemam a Deus e o desafiaram a que os destrusse, e morreram repentinamente e em tais casos, o castigo seguiu to rapidamente blasfmia que era impossvel no ver a mo de Deus nisso. O homem havia perdido perversamente o juzo de Deus, e sua orao foi ouvida, e veio o juzo.E alem de toda dvida, existe o que se pode descobrir como juzos naturais. Vocs vm a um homem vestindo farrapos, pobre, sem casa foi um libertino, um bbado, perdeu seu carter, e no seno o justo juzo de Deus sobre esse homem que esteja morrendo de fome, e que seja um proscrito dos homens. Vocs podem ver nos hospitais a repugnantes exemplares de homens e mulheres que esto terrivelmente enfermos Deus no queira que em tais casos, ns neguemos que existe um juzo de Deus sobre essas concupiscncias mpias e licenciosas.E o mesmo pode se disser de muitos casos onde existe um vnculo to claro entre o pecado e o castigo que at os homens mais cegos podem discernir que Deus converteu a Misria na filha do Pecado. Porem, em casos de acidente, tal como esse a que me refiro, e em casos de morte repentina e instantnea, repito, eu apresento meu mais sincero protesto contra essa insensata e ridcula ideia que os que perecem assim, so mais pecadores que todos os pecadores que sobrevivem sem sofrer dano algum.Simplesmente permitam-me raciocinar esse assunto com o povo cristo pois h alguns cristos sem maior iluminao que se sentiro horrorizados pelo que eu disse. E, os que tendem a ser perversos podem sonhar inclusive que eu estou fazendo uma apologia para o quebrantamento do dia de adorao. Porem, eu no fao tal coisa. Eu no diminuo a gravidade do pecado; eu s testifico e declaro que os acidentes no devem ser vistos como castigos, pois o castigo no pertence a esse mundo, mas sim ao futuro. A todos aqueles que se apressam em considerar cada calamidade como um juzo, eu quero lhes falar na esperana sincera de corrigir-lhes.3 Provvel referncia ao acidente da estao de Kentish Town ,ocorrido em 02 de setembro de 1861, em Londres ,onde 16 pessoas foram mortas e 317 feridas, quando um trem de passeio operado pela Ferrovia Norte de Londres colidiu com um trem de carga oper