direito constitucional sua peticao secao .(MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional

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SEO 5

SUA PETIO

Direito Constitucional

Sua causa!

Seo 5

Direito Constitucional

Ol, aluno! Vamos dar incio Seo 5 do nosso NPJ de Direito Constitucional. Preparado?

Na Seo passada, Jos Afonso, em mais um dia de estgio na Defensoria Pblica do Estado, deparou-se com o caso suscitado pela Associao dos Moradores Unidos de Caic a respeito da preservao da runa Colosseu, patrimnio histrico e cultural da cidade de Caic. A Associao narrou a falta de cuidados da empresa responsvel pela administrao do local, o que gerou danos graves ao patrimnio.

Diante da situao, foi ajuizada pela Associao uma Ao Civil Pblica contra a empresa privada GUARARAPES, responsvel pela manuteno e administrao do local, e contra a Prefeitura Municipal de Caic, que mantm contrato pblico com a empresa para a preservao do local. A Ao objetivou a reparao dos danos causados runa Colosseu, pela falta de preservao e cuidados de manuteno do local.

Muito bem. Aps o ajuizamento a ao seguiu seu trmite normal. Foi ouvido o representante do Ministrio Pblico, o qual exarou parecer favorvel a Associao pugnando pela condenao das requeridas reparao de danos e obrigao de fazer. Entretanto, o juiz da causa extinguiu a ao sem resoluo de mrito, por entender que as partes que ocupam o polo passivo da ao so ilegtimas. A sentena foi publicada no dia

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NPJ - NCLEO DE PRTICA JURDICA

DIREITO CONSTITUCIONAL - SUA PETIO - SEO 5

10/11/2017, com fundamento na repartio de responsabilidade entre os entes federativos prevista na Constituio Federal. O Juiz, sem julgar o mrito da demanda, extinguiu o processo por entender que as partes alocadas no polo passivo no possuam legitimidade, aduzindo que a matria de competncia comum da Unio, Estados e Municpios, por isso, os trs entes, Unio, Estado do Cear e Municpio de Caic deveriam estar no polo passivo da demanda. Fundamentou a deciso no art. 23, incisos III e IV, da Constituio Federal.

A Associao est inconformada com a deciso. Para saber o que pode ser feito, qual o meio judicial de reformar a sentena, o Sr. Justino, presidente da Associao, procura novamente a Defensoria Pblica e atendido por nosso personagem, Jos Afonso, o qual, imediatamente repassa o caso ao defensor pblico responsvel que explica detalhadamente ao Sr. Justino quais os prximos passos a serem dados no processo, como a Defensoria Pblica ir apelar ao Tribunal de Justia do Estado pela reforma da sentena de primeiro grau, explicando qual o nico recurso cabvel contra a sentena para este fim, e a fundamentao a ser utilizada.

Agora com voc, advogado! Diante da situao narrada, utilizando todo o conhecimento que voc possui, verifique atravs de que recurso possvel apelar pela reforma da sentena ao Tribunal de Justia, ou seja, qual o recurso cabvel contra a sentena proferida pelo Juiz da Vara Cvel da Comarca de Caic na referida Ao Cvel Pblica. Elabore a sua pea utilizando a fundamentao jurdica adequada para pleitear a reforma da deciso. Fique atento ao prazo recursal! Mos obra!

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Direito Constitucional - Sua Petio - Seo 5NPJ

Fundamentando!

DA REPARTIO CONSTITUCIONAL DE COMPETNCIAS

O Brasil, pela Constituio Federal de 1988, adotou como forma de organizao do Estado o Federalismo, o que signifi ca que a organizao do Estado descentralizada, dividida, tanto poltica como administrativamente, entre os entes da Federao, que so: Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios.

A fi m de garantir a efi ccia do sistema federalista, tendo em vista que em um mesmo territrio ir incidir mais de uma ordem jurdica, a Constituio Federal traz em seu texto a repartio de competncias entre os entes federados. A repartio de competncias consiste na atribuio, pela Constituio Federal, a cada ordenamento de uma matria que lhe seja prpria (MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. 12 ed. ver e atual. So Paulo: Saraiva, 2017) .

O princpio norteador da repartio constitucional de competncias entre os entes federativos o da predominncia do interesse, o que faz com que a regra geral seja: Unio pertencem as questes de interesse geral, aos Estados s questes de interesse regional e aos Municpios as de interesse local.

A competncia dos entes federativos pode ser:

COMPETNCIA MATERIAL: tambm chamada de competncia executiva ou administrativa, refere-se prtica de atos polticos e administrativos, ao exerccio dos atos de governo e a prestao de servios pblicos.

COMPETNCIA LEGISLATIVA: refere-se elaborao de leis em sentido amplo, ou seja, prtica de ato legislativo.

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Direito Constitucional - Sua Petio - Seo 5NPJ

Por sua vez, a competncia material se subdivide em:

EXCLUSIVA: quando pertence a um nico ente federativo, sem a possibilidade de delegao.

COMUM: quando possvel que seja exercida por mais de um ente federativo, sem que esse exerccio exclua a competncia dos demais entes, ou seja, h a possibilidade de uma atuao conjunta.

E a legislativa se subdivide em:

PRIVATIVA: atribuda a um ente federativo determinado, mas pode por ele ser delegada a outro.

CONCORRENTE: atribuda concomitantemente a mais de um ente federativo.

SUPLEMENTAR: cabe a um ente estabelecer as regras gerais, e a outro complementar essas regras.

No h outra forma de estudar a repartio constitucional de competncia que no seja analisando os dispositivos da prpria Constituio. A distribuio da matria no est feita de uma forma sistemtica no texto constitucional, o que dificulta um pouco a assimilao. Por isso, sistematizamos o assunto de forma que fique mais claro para voc, aluno. Veja:

COMPETNCIA MATERIAL EXCLUSIVA DA UNIO:

As hipteses de competncia material exclusiva da Unio esto previstas no art. 21 da Constituio Federal. Nas hipteses elencadas no referido artigo, no se admite a delegao para outros entes federativos, por isso se diz que so de competncia exclusiva da Unio.

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Em resumo, de acordo com o dispositivo, questes ligadas s relaes internacionais com estados estrangeiros, defesa nacional, produo de armas, emisso de moedas, elaborao de planos de ordenao de territrio e desenvolvimento econmico so de competncia exclusiva da Unio.

A explorao de servios de telecomunicaes, correios, radiofuso, energia eltrica, navegao area, martima e fluvial, bem como a ferroviria, seja diretamente ou atravs de concesso, autorizao ou permisso, tambm so de competncia exclusiva da Unio. Ainda cabe exclusivamente Unio a organizao e manuteno do Poder Judicirio, Ministrio Pblico do Distrito Federal e territrios e a Defensoria Pblica dos Territrios; da Polcia Civil, Militar e Corpo de Bombeiros.

COMPETNCIA MATERIAL COMUM DA UNIO, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICPIOS:

As hipteses de competncia material comum, que podem ser exercidas tanto pela Unio como pelos Estados, Distrito Federal e Municpios, esto previstas no art. 23 da Constituio Federal. De acordo com o referido artigo, compete a todos os entes federativos, basicamente: zelar pela guarda da Constituio, das leis e instituies democrticas, conservar o patrimnio pblico; cuidar e prestar assistncia pblica a sade; proteger as pessoas portadoras de deficincia, documentos, obras e outros bens de valor histrico, artstico e cultural; proporcionar meios de acesso cultura, educao, cincia e tecnologia; proteger o meio ambiente e combater a poluio em todas as suas formas, dentre outras hipteses que no estejam previstas na Constituio como de competncia exclusiva da Unio.

Portanto, a distribuio de competncia material entre os entes federativos est feita nos artigos 21 e 23 da Constituio, conforme o quadro comparativo abaixo:

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Direito Constitucional - Sua Petio - Seo 5NPJ

Quadro comparativo sobre Competncia Material

Fonte: Elaborada pela autora.

Para ilustrar, aluno, vamos ver conhecer um julgado do STF sobre a competncia material exclusiva da Unio?

O Estado do Rio Grande do Norte possui uma Lei Orgnica dos Procurados do Estado, a Lei Complementar 240/2002. Muito bem, a referida lei, em seu art. 88, previu a concesso de porte de arma ao Procurados Geral do estado independente de qualquer ato formal de licena ou autorizao. Em face disso, o Procurador Geral da Repblica props ao direta de inconstitucionalidade perante o STF, alegando que referida norma feria dispositivos da Constituio Federal.

primeira vista, pode parecer um caso de violao s regras de repartio de competncia legislativa, no mesmo? Mas no, aluno. O STF entendeu que o referido dispositivo da Lei estadual inconstitucional, em face da interpretao extensiva do art. 21, VI, segundo a qual a competncia privativa da Unio, para autorizar e fiscalizar a produo e o comrcio de material blico, tambm engloba outros aspectos inerentes ao material blico, como sua circulao em territrio nacional. Logo, asseverou que regulamentaes atinentes ao registro e ao porte de arma tambm so de competncia privativa da Unio, por ter direta relao com a competncia de autorizar e fiscalizar a produo e o comrcio de material blico e no apenas por tratar de matria penal, cuja competncia tambm privativa da Unio (art. 22, I, da CF).

Assim, consignou que compete privativamente Unio, e no aos Estados, determinar os casos excepcionais em que o porte

COMPETNCIA MATERIALART. 21 DA CF/88 ART. 23 DA CF/88

EXCLUSIVA INDELEGVEL,

SOMENTE A UNIO EXERCE.

COMUM TODOS OS

ENTES FEDERATIVOS PODEM

EXERCER.

HIPTESES TAXATIVASHIPTESES

EXEMPLIFICATIVAS

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Direito Constitucional - Sua Petio - Seo 5NPJ

de arma de fogo no configura ilcito penal, matria prevista no art. 6 da Lei 10.826/2003 (Estatuto