Documentario Experimental

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    SALASALA206 206

    SALA206

  • Realizao: Apoio: Patrocnio:Apoio Cultural:

    Monitores do GRAV:Nathan Costa,

    Guilherme Reblo, Lucas Schuina e Honrio de Paula Rocha Filho

    Projeto Grfico: Kisley Gomes

    Ecos Jr - Esther Radaelli(Ncleo de Jornalismo)

    Diagramao:

    Ecos Jr - Esther Radaelli(Ncleo de Jornalismo)

    Capa:Ecos Jr - Nathan Mello dos Santos

    (Ncleo de Publicidade)

    Tiragem: 500 exemplaresgrupograv@gmail.com

    http://grupograv.wordpress.com

    Esta publicao foi contemplada pela Lei Rubem Braga.

    Conselho editorial:Alexandre Curtiss - UFESCleber Carminati - UFES

    Denilson Lopes - UFRJErly Vieira Jr - UFES

    Jos Benjamim Picado - UFFJos Franscisco Serafim - UFBA

    Orlando Lopes - UFESTadeu Capistrano - UFRJ

    Daniela Zanetti - UFESVera Frana - UFMG

    Wilberth Salgueiro - UFES

    Reviso de textos:Nelson Martinelli Filho

    Marih CastroLucas dos Passos

    Imagem de capa:Cena do filme As horas vulgares

    Sala 206 - n2out 2011, Vitria - ES

    ISSN: 2176-7130

    EXPEDIENTE

    Sala 206 uma publicao do Grupo de Estudos

    Audiovisuais - GRAV, ligado ao Departamento de

    Comunicao Social, Centro de Artes, UFES.

    Coordenador do GRAV:Alexandre Curtiss

    Produo editorial:Daniela Zanetti e

    Alexandre Curtiss

  • APRESENTAO

    Com o propsito de problematizar a relao entre local e global no campo do cinema, essa edio traz artigos que discutem produes bastante singulares, sem perder de vista o que possam ter de transcendentes. So textos que se debruam sobre obras de cineastas histricos e consagrados, ou de recentes produes de pases orientais, de diretores cujos trabalhos vm ganhando destaque na cinematografia mundial, mas tambm h anlises de cinematografias menos visveis no amplo circuito, trabalhos de realizadores capixabas.

    A anlise flmica, com destaque para questes do metacinema, a estratgia adotada por Josette Monzani para examinar as marcas autorais em Nicks Movie, de Wim Wen-ders, enquanto Rafael de Almeida busca aprofundar a definio do chamado documen-trio experimental (ou de inveno) a partir de uma reviso de literatura acerca desse conceito e da anlise de vrias referncias histricas.

    Atento em um cinema que ganha cada vez mais destaque junto crtica internacional, Erly Vieira Jr. escreve sobre certos filmes contemporneos que buscam, como ca-racterstica distintiva, explorar a sensorialidade a partir da nfase esttica em novas relaes espao-temporais. Teorizao limtrofe, texto exploratrio e arriscado sobre um cinema que do mundo.

    A produo capixaba o foco de dois trabalhos de flego e de embate. O ensaio do cineasta e crtico de cinema Rodrigo de Oliveira um dos fundadores do GRAV e dire-tor, junto com Vitor Graize, do longa As Horas Vulgares analisa a produo regional recente, com prioridade nos aspectos narrativos e estticos das obras abordadas. O texto coloca em questo a tradicional crena numa supostamente desejada identida-

  • de comum dessas obras. A idia alimentar certos discursos estabelecidos com seu oposto e suprir carncias de polmica e contradies. Um pouco mais descritivo, e tendo como base uma pesquisa coletiva de iniciao cientfica coordenada pelo profes-sor Alexandre Curtiss, Joyce Castello trata especificamente de aspectos do mercado e da cadeia produtiva audiovisual no Estado. De modo direto, enfoca as condies de produo, trazendo dados e nmeros que ajudam a mapear as oportunidades e apontar as dificuldades enfrentadas pelos realizadores capixabas.

    Por fim, tendo como base sua pesquisa de mestrado, Jlio Martins problematiza, por-menorizadamente, a questo das novas tecnologias, ao examinar uma espcie de anarquia de configuraes e aparatos tecnolgicos envolvidos nas operaes de ar-mazenamento e o compartilhamento digital dos mais variados tipos de produtos audio-visuais. um olhar voltado para as bases infraestruturais das novas tecnologias, aves-so aceitao automtica do que se apresenta como novo e isento de problemas.

    E assim Sala 206 encontra seu segundo nmero, ainda impresso. Fruto de um projeto aprovado pela Lei Rubem Braga, da Prefeitura Municipal de Vitria, o mais provvel que daqui em diante a revista se bandeie para a plataforma on line, tanto em funo da facilidade e do barateamento da produo, como tambm para ampliar sua circulao junto a outros pblicos. Como parte do GRAV projeto de extenso e grupo de pes-quisa em audiovisual, ligado ao Departamento de Comunicao da UFES a idia a de que Sala 206 continue como espao que rena artigos e ensaios sobre o campo do audiovisual, seus processos e produtos, lugar de reflexo e aprendizado.

    Boa leitura!Os editores.

  • 07Suportes, formatos de arquivos e distribuio digital: novos rumos para o Audiovisual Documentriopor Jlio Martins

    [Ensaio]O Cinema do Esprito Santo nos anos 2000: Acaso de uma imagem capixabapor Rodrigo Oliveira

    A propsito de um documentrio experimentalpor Rafael Almeida

    Marcas de um realismo sensrio no cinema mundial conteporneopor Erly Vieira Jr.

    A morte viva.Apontamentos sobre Nicks Moviepor Josette Monzzani

    816951

    1834

    [Pesquisa]O Negcio Audiovisual no Esprito Santopor Joyce Castello

    NDI

    CE

  • 7Outubro 2011 Revista Sala 206

    Wim Wenders estava acompanhando a agonia de Nicholas Ray. Mais uma vez foi visit-lo em Nova York, aproveitando um intervalo nas filmagens de Hammett. Nessa visita lhes ocorre fazer um filme juntos. E Wenders fica animado tambm com a ideia de poder realizar um velho desejo de fazer um filme sobre o cine-ma, um filme que tivesse por tema as filmagens (CIMENT, 1983, p. 310).

    Nicks movie um oximoro: um encontro de contrrios, como no verso ca-moniano. Wenders procurar resgatar a grandeza de Nick, reconstituir sua ima-gem deteriorada exteriormente pela doena e desdenhada por Hollywood, para mostrar o seu revs, como um cone do cinema criativo, autoral, independente.

    O roteiro. O tempo

    Por onde a obra teve incio? Ela foi comeada sem roteiro. Diz Wenders, em entrevista sobre o filme (CIMENT, 1998, p. 308): A primeira sequncia que filmamos foi a conferncia em Vassar, e esta era estritamente documental. Ns a filmamos em 35mm e em vdeo, mas s com Nick em cena. Depois, eles voltaram universidade para fazer mais planos, planos ficcionais que completa-riam e alargariam os sentidos dos inicialmente feitos (CIMENT, 1983, p. 308).

    Na Universidade Vassar, Nick fala e mostra seu filme The lusty men Paixo de Bravo (1952). O tema da volta ao lugar de origem, lugar de paz, de reencontro consigo mesmo, presente na sequncia mostrada, lanado na diegese, fica de sobreaviso no espectador e vai encontrar eco no adiantado da narrativa quando parte do ltimo trabalho de Nick We cant go home again (1971-1973) for visto por Wenders, Nick e equipe. No fechamento do tema se percebe que havia sido exposta mais uma faceta da vida de Nick: o desassossego, a busca constante de um lugar para si no mundo, do espao do artista no mundo, atravs dessas duas temporalidades e constncias aproximadas.

    Nick, como Wenders, s que na direo inversa, a certa altura de sua vida (em torno de 1963/64) abandonou os Estados Unidos pela Europa. Jacques Aumont explicita essa passagem da vida de Ray:

    ResumoWim Wenders procura, atravs do metacinema, enquanto forma narrativa, apreender a essncia do cineasta Nicholas Ray, que se confunde com o ser-cinema. Apesar ento de ter por horizonte a proximidade da morte de Nick, o filme consegue ser prazeroso. Nossa tarefa aqui ser discutir como isso ocorre. Procuraremos, principalmente por meio de textos de Christian Metz, Philippe Dubois e Serge Daney, discutir essa questo.

    palavras-chave: Wim Wen-ders; Nicholas Ray; metaci-nema; fico/documentrio.

    A morte viva.Apontamentos sobre Nicks Moviepor Josette Monzani

    [1] Trabalho apresentado no NP de Comunicao Audiovi-sual, IX Encontro dos Grupos/Ncleos de Pesquisas em Comunicao, evento com-ponente do XXXII Congresso Brasileiro de Cincias da Co-municao, agora reformula-do para esta publicao.

    [2] Profa. Dra. do Bacharelado e do Mestrado em Imagem e Som da Universidade Federal de So Carlos.

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    Ray s se torna cineasta aos 35 anos (advindo do teatro e do rdio) e sua carreira acidentada, suas relaes difceis

  • Revista Sala 206 Outubro 2011 8

    [4] Nick Ray trabalhou com seus alunos do Harpur College em um filme coletivo, totalmente subjetivo e pessoal, encenan-do suas prprias relaes de professor e alunos de cinema. O ttulo, tpico e simblico, We cant go home again (DUBOIS, P. Cinema, Vdeo, Godard. So Pau-lo: CosacNaify, 2004, p. 121).

    Wenders, nesse filme, pode estar tambm, enquanto reflexiona sobre o cine-asta, vendo- se em projeo, pensando sua trajetria e o destino dela.

    medida que as filmagens tiveram incio, a necessidade do roteiro deve ter se impostado. E ele deve ter sido realizado quase conjuntamente com as filmagens. O interessante aqui que os acontecimentos, conforme foram se desenrolando na realidade, criaram o roteiro. Temos ento o real, e sua trans-formao em representao, como procedimento. o que se pode depreender de sequncias como esta: logo no incio do filme, vemos Nick acordando. O despertador toca. Ele acorda, desliga a TV, tosse. Est desalinhado. Reclama. A cala do seu pijama escorrega. As sequncias so de um realismo intenso. Quando ele pergunta a Wenders se estava bem na filmagem, temos conscincia da farsa. Porm, outro dado fundamental nesse momento, que no se apaga em ns a percepo que tivemos do real estado de sade de Nick. Como se ocorresse ao poeta fingir sentir que dor, a dor que deveras sentia, parafrase-ando aqui Fernando Pessoa. A ao era nica, com sentido duplo.

    Nesse sentido, ainda na referida entrevista