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Nesta edição Doença Periodontal está Relacionada com Bebês Prematuros de Baixo Peso ao Nascimento? 1 Página Periodontal 4 Prática Clínica 5 Página de Higiene 7 Editor Chefe Chester Douglass, DMD, PhD; E.U.A. Professor de Política de Saúde Oral e Epidemiologia, Harvard School of Dental Medicine e School of Public Health Editor es Associados John J. Clarkson, BDS, PhD; Irlanda Saskia Estupiñan-Day, DDS, MPH Organização Pan-Americana de Saúde; Washington, D.C. Joan I. Gluch, RDH; E.U.A. Kevin Roach, BSc, DDS, FACD; Canadá Zhen-Kang Zhang, DDS, Hon. FDS, RCS (Edin.); China Conselho Internacional Per Axelsson, DDS, Odont. Dr.; Suécia Irwin Mandel, DDS; E.U.A. Roy Page, DDS, PhD; E.U.A. Gregory Seymour, BDS, MDSc, PhD, MRCPath; Austrália Aproximadamente um em cada dez partos nos Estados Unidos dá origem a um bebê prematuro com baixo peso ao nascimento (PBPN). 1 O PBPN geralmente é conseqüência direta do trabalho de parto prematu- ro ou ruptura prematura das mem- branas e responde por mais de 60% da mortalidade entre bebês sem anormalidades anatômicas ou cromossômicas congênitas 1 . Com peso inferior a 2.500 gramas, bebês com baixo peso ao nascimento (BPN), quando comparados a bebês com peso normal ao nascimento (PNN), apresentam maior risco de problemas respiratórios e de desen- volvimento nervoso, além de compli- cações decorrentes do tratamento intensivo neonatal 2 . Crianças com BPN também são mais propensas do que as de PNN a apresentar problemas de comportamento, incluindo o distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade 2 . Como resultado, o custo de PBPN inclui não apenas os 5 bilhões de dólares gastos anualmente com assistência hospitalar neonatal mas também as impressionantes cargas sociais que recaem sobre os sistemas de assistên- cia médica e de famílias para o tratamento a longo prazo dos bebês PBPN sobreviventes 1 . Mesmo com o uso bastante difundido de “tocolíticos”, agentes farmacológicos que diminuem as contrações uterinas, a incidência de bebês BPN ou prematuros não diminuiu nos últimos 20 anos 3 . Na esperança de melhorar o prognóstico para bebês PBPN, médicos e pesqui- sadores passaram a concentrar a sua atenção do cuidado sintomático para a prevenção de causas subclínicas 2,3 . Um esforço considerável tem enfocado a infecção subclínica como importante fator de contribuição para o trabalho de parto prematuro 3 . Uma associação entre PBPN e infecções do trato geniturinário foi estabelecida 1 . A infecção oral, já associada com diversas condições inflamatórias sistêmicas como a vasculite, a aterosclerose e os fenôme- nos tromboembólicos, é considerada um fator de risco para PBPN 1 . A idéia de que a doença periodontal, uma infecção anaeróbica gram-negativa do periodonto, possa ter um efeito prejudicial sobre a gestante e o feto foi sugerida primei- ramente em 1931 1 . De acordo com um levantamento sobre saúde dental de adultos na Inglaterra em 1988 com mulheres com 16 a 44 anos de Doença Periodontal está Relacionada com Bebês Prematuros com Baixo Peso ao Nascimento? Proporcionando Educação Profissional Continuada a Serviço da Odontologia Mundial Volume 11, número 3

Doença Periodontal está Relacionada com Bebês Prematuros com

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Nesta ediçãoDoença Periodontal está

Relacionada com BebêsPrematuros de BaixoPeso ao Nascimento? 1

Página Periodontal 4

Prática Clínica 5

Página de Higiene 7

Editor Chefe

Chester Douglass, DMD, PhD; E.U.A.Professor de Política de Saúde Oral eEpidemiologia, Harvard School of DentalMedicine e School of Public Health

Editores Associados

John J. Clarkson, BDS, PhD; Irlanda

Saskia Estupiñan-Day, DDS, MPHOrganização Pan-Americana de Saúde;Washington, D.C.

Joan I. Gluch, RDH; E.U.A.

Kevin Roach, BSc, DDS, FACD; Canadá

Zhen-Kang Zhang, DDS, Hon. FDS,RCS (Edin.); China

Conselho Internacional

Per Axelsson, DDS, Odont. Dr.; Suécia

Irwin Mandel, DDS; E.U.A.

Roy Page, DDS, PhD; E.U.A.

Gregory Seymour, BDS, MDSc, PhD,MRCPath; Austrália

Aproximadamente um em cadadez partos nos Estados Unidos dáorigem a um bebê prematuro combaixo peso ao nascimento (PBPN).1 OPBPN geralmente é conseqüênciadireta do trabalho de parto prematu-ro ou ruptura prematura das mem-branas e responde por mais de 60%da mortalidade entre bebês semanormalidades anatômicas oucromossômicas congênitas1. Compeso inferior a 2.500 gramas, bebêscom baixo peso ao nascimento(BPN), quando comparados a bebêscom peso normal ao nascimento(PNN), apresentam maior risco deproblemas respiratórios e de desen-volvimento nervoso, além de compli-cações decorrentes do tratamentointensivo neonatal2. Crianças comBPN também são mais propensasdo que as de PNN a apresentarproblemas de comportamento,incluindo o distúrbio de déficit deatenção e hiperatividade2. Comoresultado, o custo de PBPN incluinão apenas os 5 bilhões de dólaresgastos anualmente com assistênciahospitalar neonatal mas também asimpressionantes cargas sociais querecaem sobre os sistemas de assistên-cia médica e de famílias para otratamento a longo prazo dos bebêsPBPN sobreviventes1.

Mesmo com o uso bastantedifundido de “tocolíticos”, agentesfarmacológicos que diminuem ascontrações uterinas, a incidência debebês BPN ou prematuros nãodiminuiu nos últimos 20 anos3. Naesperança de melhorar o prognósticopara bebês PBPN, médicos e pesqui-sadores passaram a concentrar a suaatenção do cuidado sintomático paraa prevenção de causas subclínicas2,3.

Um esforço considerável temenfocado a infecção subclínica comoimportante fator de contribuiçãopara o trabalho de parto prematuro3.Uma associação entre PBPN einfecções do trato geniturinário foiestabelecida1. A infecção oral, jáassociada com diversas condiçõesinflamatórias sistêmicas como avasculite, a aterosclerose e os fenôme-nos tromboembólicos, é consideradaum fator de risco para PBPN1.

A idéia de que a doençaperiodontal, uma infecção anaeróbicagram-negativa do periodonto, possater um efeito prejudicial sobre agestante e o feto foi sugerida primei-ramente em 19311. De acordo comum levantamento sobre saúde dentalde adultos na Inglaterra em 1988com mulheres com 16 a 44 anos de

Doença Periodontal estáRelacionada com BebêsPrematuros com BaixoPeso ao Nascimento?

Proporcionando Educação Profissional Continuada a Serviço da Odontologia Mundial

Volume 11, número 3

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idade, 21% apresentavam doençaperiodontal moderada e 1% a 4%apresentavam doença grave4. Suge-riu-se que 18,2% de todos os casosde PBPN estão associados comdoença periodontal1.

Estudos recentesForam realizados estudos nos

quais bebês prematuros foramcomparados com controles, e o riscode nascimento prematuro foi compa-rado entre pacientes com e semdoença periodontal. O estudo do tipocaso-controle mostrou de maneiraconsistente que pacientes comperiodontite apresentam risco três asete vezes maior de nascimentoprematuro do que os controles5. Osuporte para esse achado veio de umestudo prospectivo em andamentoem que 1.300 gestantes foramacompanhadas longitudinalmente,com a condição bucal e prognósticoda gravidez determinados porpesquisadores independentes. Osresultados até agora sugerem que a

periodontite constitui um fator derisco para PBPN, e que existe umarelação dose-resposta entre a gravida-de da doença periodontal e o nasci-mento prematuro. Portanto, verifi-cou-se que pacientes com doençaperiodontal em estágio mais avança-do apresentam maior risco de dar àluz antes de 32 semanas5.

Outras pesquisas em andamentoexaminaram os efeitos potenciais dainfecção periodontal sobre mãe efeto. Um estudo prospectivo de cincoanos foi desenvolvido para determi-nar o efeito da infecção periodontalno resultado da gravidez, incluindofatores de risco obstétrico tradicionaise medida de resposta inflamatória damãe e do feto e exposição a infec-ções. As medidas da doençaperiodontal da mãe, respostas deanticorpos séricos a patógenos bucaise dados obstétricos foram coletadosna fase inicial do estudo e dentro doperíodo de três dias após o parto deuma população de 357 mães6. Osachados do modelo de regressão

multivariada são apresentados natabela abaixo. Notadamente, aocorrência de doença periodontalno exame inicial com o agrava-mento da condição periodontaldurante a gravidez foi associadacom o aumento do risco significa-tivo de pré-eclâmpsia após ajusteda idade, raça e tabagismo. Apresença de anticorpos maternos efetais contra Campylobacter rectusfoi associada com um aumento dorisco de prematuridade/pré-eclâmpsia para a mãe, eprematuridade para o feto. Oestudo concluiu que uma infecçãoperiodontal materna pode repre-sentar um risco à gravidez, esugere que patógenos bucaisespecíficos da mãe possam preju-dicar o feto6.

Aspetos biológicosApesar da crescente quanti-

dade de literatura vinculando adoença periodontal com PBPN, oconhecimento dos aspectos

Aumento na incidência de

Contribuição da Doença Periodontal para Resultados Anormais da Gravidez

Modelos de Regressão Multivariada (n=357) P CasosRazão de probabilidadede não-ocorrência

Doença periodontal na faseinicial do estudo

* Ajustado para idade, raça, tabagismo, histórico de tratamento de vaginose, parto prematuro anterior e estado civil.** Ajustado para idade, raça e tabagismo. † p.ex., Campylobacter rectus. †† Contra C. rectus. N/D Não disponível.De: Offenbacher, 20016

3,0* 0,03 26

2,6* 0,01 421,9* 0,03 72

Doença periodontal na fase inicial do estudocom agravamento da condição periodontaldurante a gravidez

Mães pós-parto com periodontite e níveisbaixos de anticorpos IgG para patógenosperiodontais selecionados

Análise subconjunto caso-controle de respos-tas de anticorpos IgM fetais††

• Prematuridade < 34 semanas• Baixo peso ao nascimento

< 2500 gramas• Prematuridade < 37 semanas

• Pré-eclâmpsia

• Pré-eclâmpsia• Prematuridade

6,3** 0,027 36

6,0 0,02 N/D3,0 <0,01 N/D

5,8** 0,04 N/D• Prematuridade < 34 semanas

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biológicos envolvidos é incompleto.Tem sido demonstrado que aprostaglandina E2 (PGE2) e o fator denecrose tumoral alfa (TNF-a) aumen-tam localmente como parte daresposta do hospedeiro a infecçõesbucais gram-negativas, e algunsinvestigadores consideraram operiodonto infectado semelhante auma fonte do tipo endócrina decitocinas e mediadores lipídicospotencialmente deletérios1,4. Os níveisintra-amnióticos de PGE2 e TNF- amostraram subir no curso da gravidezaté que seja alcançado o nível críticonecessário para indução do trabalhode parto, para a dilatação cervical epara o parto em si1. Em hamsters,infecções subcutâneas localizadas, não-disseminadas, com Porphyromonasgingivalis reduzem de maneira signifi-cativa o peso fetal em até 25%1. Alémdisso, uma porcentagem considerávelde casos de PBPN apresenta etiologiainexplicada4. A opinião atual sustentaque o PBPN causado por infecção éprovocado pela ação indireta deprodutos bacterianos translocados,como, por exemplo, a endotoxina e osmediadores da inflamação produzidospela mãe1. Uma representaçãoesquemática da possível relação entredoença periodontal e PBPN estáapresentada na figura abaixo.

Embora um progresso considerá-vel tenha sido feito, questões impor-tantes ainda precisam ser esclarecidas.Pode existir uma condição subclínicadesconhecida, de origem genética ouambiental, que põe a paciente emrisco para doença periodontal ePBPN1. Além disso, ainda existe apossibilidade de que a presença deinfecção periodontal possa aumentara susceptibilidade a vaginosebacteriana subclínica1.

Devido à crescente morbidade emortalidade associadas com PBPN eseu forte impacto financeiro e social,encontrar formas de evitar essacondição tornou-se prioridade. Combase em achados de alto impacto até omomento, estudos interventivos foraminiciados para determinar a segurançae eficácia de tratamentos para doençaperiodontal em gestantes5.

Profissionais da áreaodontológica poderiaminformar gestantes que ainfecção periodontalmaterna pode representarum risco à gravidez eprejudicar a saúde do feto.

EXPEDIENTEInformativo publicado pelodepartamento de RelaçõesProfissionais da Colgate PalmoliveCompany.R. Rio Grande, 752 - V. MarianaSão Paulo/SP - CEP 04018-002.Coordenação: Regina Antunes.Jornalista responsável: MaristelaHarada - Mtb. 28.082.Produção: Cadaris comunicação e-mail: [email protected] e impressão: Fotoline.Tiragem: 26 mil exemplares.Distribuição interna e gratuita.Proibida reprodução total ouparcial sem prévia autorização.

DesafioMicrobiano

Doença Periodontal e Baixo Peso em NascimentoPrematuro: Modelo Biológico Proposto

Bactéria Gram-negativa

Endotoxinas

Oral

Resposta do Hospedeiro

PGE2

TNF-alfa

(Citocinas elipídios

mediadores)

PGE2

TNF-alfa

(Níveis críticos)

Trabalho departo

prematuro

Unidade fetal-placentária

Sistêmico

Referências

PN

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Um estudo sueco com duraçãode 12 anos examinou a eficácia dotratamento periodontal de manuten-ção (TMP), de rotina, através dacomparação da evolução da doençaperiodontal em 109 pacientes alta-mente susceptíveis com 225 pacientescontroles1.

Após diagnóstico e examecompleto, um protocolo padronizadofoi seguido, o qual era baseado emtratamento periodontal não cirúrgicorealizado por higienistas dentaisespecialmente treinadas. Durante aterapia inicial, foram feitas tentativasde conservar todos os dentes, incluin-do molares com envolvimento defurca.

Em seguida, os pacientes compa-receram para consultas de retorno trêsa quatro vezes por ano, durante 12anos. Nas consultas de retorno eraavaliada a condição de higiene oral, osangramento a sondagem (SS) e aprofundidade de bolsa (PB) nas seissuperfícies de todos os dentes.

A instrumentação subgengival foirealizada novamente em áreas queexibiam sangramento em PB ³ 5 mm,com o tipo de tratamento escolhido a

PÁGINAP E R I O D O N T A L

As consultas regularespara manutençãoperiodontal sãoeficazes parapacientes de altorisco?

critério do dentista. O TMP consistiade apresentação do caso clínico,instrução de higiene oral e controle deplaca supragengival e subgengival.

Exames clínicos completosforam realizados subseqüentementeem intervalos de 1, 3, 5, 8, 10 e 12anos após o exame inicial do estudo.Terceiros molares foram excluídosdos exames clínicos e radiográficosnos dois grupos de pacientes. Entreos critérios considerados encontra-vam-se o número de dentes, presençade placa determinada porevidenciação, PB medida por sondamanual e sondagem do nível deinserção (NI). Radiografias intra-orais de toda a boca foram realizadasem todos os pacientes no início doestudo e no exame de acompanha-mento de 12 anos. Os dados dasradiografias foram digitalizados paraanálise estatística.

No exame inicial, o grupocontrole apresentou classificaçãosignificativamente melhor no valormédio de PB e perda óssea. Nodecorrer dos 12 anos seguintes essepadrão foi mantido, com a perdaóssea geral e alterações no NI apre-sentando-se mais pronunciados entreos pacientes altamente susceptíveiscomparados com os controles. Paraos dois grupos de pacientes, asalterações no NI foram mais signifi-cativas para molares do que para não-molares. O mais importante, o TMPse mostrou bem sucedido na manu-tenção de osso relativamente estável eníveis de inserção óssea em 80% dospacientes altamente susceptíveis. Em

mais de 95% dos pacientes controlesrecebendo TMP, nenhuma perdaimportante de dente, de osso ou deinserção foi observada durante osdoze anos de duração do estudo.

Uma meta-análise recente,abrangendo nove estudos diferentespublicados ao longo de duas déca-das, investigou o efeito da raspageme alisamento radicular sobre aprofundidade de sondagemperiodontal e perda de inserção2.Entre os critérios usados na seleçãodos estudos, a avaliação da PB emedidas de perda de inserção foramnecessárias para que alteraçõeslongitudinais pudessem ser compa-radas em pelo menos 80% dospacientes examinados um ano apóso procedimento. Os resultados dameta-análise não conseguiramdemonstrar uma correlação entreprofundidades iniciais de sondagemperiodontal rasas (1-3 mm) oumédias (4-6 mm) e reduções finaisna profundidade de sondagem.Entretanto, para pacientes de alto-risco, em que a profundidade inicialde sondagem era ³ 7 mm, a raspa-gem e alisamento radicular foramassociados com ganho significativode níveis de inserção de mais de 1mm e uma redução significativa naprofundidade de sondagemperiodontal de aproximadamentede 2 mm.

Pode-se, portanto, concluir queas consultas regulares para manu-tenção periodontal são eficazes parapacientes de alto-risco.

Referências

• O TMP conservou osso e níveis de inserção óssea em 80% dos pacientessusceptíveis à doença periodontal.

• Mais de 95% dos pacientes controles recebendo TMP não experimentaramperda importante de dente, de osso ou de inserção durante 12 anos.

• Em ambos os grupos de pacientes, as alterações no nível de inserção forammais significativas em molares do que em não-molares.

De Rosling, e col., 20011

Tratamento Periodontal de Manutenção (TMP) em Paci-entes de Alto-Risco e Controles

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Segundo o Ministério daAgricultura dos Estados Unidos, oconsumo per capita de refrigerantesaumentou cerca de 500% nos últimos50 anos1. Metade de todos os ameri-canos, e a maioria dos adolescentes,consomem refrigerantes adoçadoscom açúcar todos os dias. O padrãoem outros países ocidentais é simi-lar2,3, com os países em desenvolvi-mento representando os principaismercados de crescimento para aindústria dos refrigerantes4.

PRÁTICAC L Í N I C A

Refrigerantes eCárie Dental: UmaQuestão Atual

Provas a Favor e Contrauma Associação

Um estudo recente realizado porGibson e William examinou o impactode açúcares da dieta, incluindo oconsumo de refrigerantes, sobre ascáries em crianças inglesas em idadepré-escolar5. Para crianças que escova-vam os dentes duas ou mais vezes pordia, o consumo de açúcar e alimentosaçucarados não pareceu estar associa-do com cáries. Entre aquelas que nãoescovavam os dentes freqüentemente,entretanto, a ingestão de açúcarmostrou-se associada com cáries demaneira significativa. Entretanto, o

consumo de refrigerante, isoladamente,não mostrou exercer um efeito significativosobre as cáries, mesmo entre as criançasque não escovavam os dentesfreqüentemente. Diferentemente devários estudos anteriores, os autoresconcluíram que a escovação freqüentepode neutralizar os efeitos nocivos doconsumo freqüente de açúcar. Entre-tanto, os autores advertem que oestudo não está capacitado paradiferenciar entre o consumo de açúcarnos horários de refeição ou entre elas.

No primeiro National Healthand Nutrition Examination Survey(NHANES), Ismail e colaboradoresutilizaram dados de mais de 3.000sujeitos, com idades entre 9 e 29 anos,para examinar a cariogenicidade derefrigerantes nos Estados Unidos6.Verificaram que tanto a quantidadecomo a freqüência de consumo derefrigerantes entre as refeiçõesestavam significantemente associadoscom alto índice CPOD (dentescariados, perdidos e obturados). Oconsumo de refrigerantes entre asrefeições mostrou relaçãosignificantemente maior com cáriesdo que a verdadeira quantidadeconsumida. Em contraposição, aquantidade e freqüência de consumo

junto às refeições não se mostraramconsistentemente associadas comaltos índices CPOD.

Utilizando dados do estudoNHANES III mais recente, Heller ecolaboradores examinaram dadosde mais de 15.000 indivíduos com17 anos de idade ou mais7. Nessapesquisa, perguntava-se aos sujeitoscom que freqüência haviam consu-mido refrigerantes normais (nãosem açúcar) no último mês. Osdados sobre o índice de cáries(CPO) para esse grupo eram, então,controlados por idade, sexo e índicede pobreza. Os resultados mostra-ram que índices mais altos de consumode refrigerantes açucarados estavamassociados com o aumento de cáries e,comparados aos não-consumidores,aqueles que consumiam essas bebidas trêsou mais vezes por dia apresentavamíndices CPO 17% a 62% mais altos(ver figura na página seguinte).

Em uma comparação entrecrianças finlandesas e soviéticas, oconsumo de refrigerantes mostrou-se maior para as finlandesas8. O usode produtos com açúcar mostrou-secorrelacionado com cáries, confor-me foi medido pelo índice CO, emtodos os grupos na Finlândia, mas

Ao longo dos anos,desenvolveu-se umapolêmica se os refrigerantesinterfeririam ou não demaneira significante nodesenvolvimento de cáries.Essa questão se tornouespecialmente importante,uma vez que o consumo derefrigerantes continua acrescer no mundo todo. Resultados de Estudos sobre Consumo de Refrigerantes e Cáries

Heller e col.2001

EUA 15.585 sujeitoscom 17 anos deidade ou mais

• Associação significante entre consumode refrigerantes e índices CPO paratodos os grupos de idade

• Nenhuma associaçãosignificante entre consumode refrigerantes,isoladamente, e cáries

ESTUDO POPULAÇÃO ASSOCIAÇÃO POSITIVA NENHUMAASSOCIAÇÃO

Gibson eWilliams1999

Jones, ecol. 1999

Honkala, ecol. 1992

Ismail, ecol. 1984

Reino Unido 1.450pré-escolares

Reino Unido 6.014crianças com 14anos de idade

Finlândia, URSS1.187 crianças com7, 9 ou 12 anos deidade

EUA 3.194 sujeitoscom 9 a 29 anos deidade

• Associação significante entre consumode açúcar (incluindo refrigerantes)com cáries em escovadores não-freqüentes (< 2 vezes ao dia)

• Correlação significante entre CPODmais alto e o número de refrigerantesconsumidos por semana Bebidas semaçúcar também associadas com CPODmais alto

• Consumo de refrigerantes mais altoentre crianças finlandesas eassociação entre consumo de açúcar ecáries nas crianças finlandesas

• Quantidade e freqüência de consumode refrigerantes significantementeassociada com índices CPO altos.

• Nenhuma associação entre oconsumo de açúcar e cáriesem crianças soviéticas

• Nenhuma associação entreconsumo de refrigerantesdurante as refeições e cáries

Conclusão, o consumo excessivo de refrigerantes pode ser prejudicial a sua saúde bucal.

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não na União Soviética. Os autoresforam incapazes de explicar esseachado, mas sugerem que o processode cárie ou resistência à cárie possa serdiferente para os dois grupos étnicos.

DesmineralizaçãoAlém das propriedades

cariogênicas, tanto os refrigerantesgaseificados como os sucos de frutassão ácidos e podem causar erosão edesmineralização. Bebidas diferentes,entretanto, mostram uma amplavariação em acidez e efeitodesmineralizante, e as superfíciesradiculares expostas correm riscomaior do que o esmalte, especialmenteem adultos mais idosos com boca seca.Em um estudo, sucos de frutas natu-rais, particularmente os cítricos, comoo suco de laranja, pareceram ser ospiores2, enquanto os refrigerantes tipocola forneceram os menores valores.Esse achado foi inesperado, dada aidéia convencional de que sucos de

frutas são mais saudáveis do quebebidas gaseificadas como as colas.

Serão os Refrigerantes SemAçúcar a Solução?

Em um estudo com mais de6.000 escolares ingleses com 14 anosde idade, Jones e colaboradoresencontraram um correlação impor-tante entre o número de latas derefrigerante consumidas por semanae o CPOD individual3. Entre osescolares, 37% relataram a ingestãode refrigerantes sem açúcar. O CPODdo grupo que ingeria refrigerantesem açúcar for 2,67 comparado com2,78 para o grupo que ingeria comaçúcar, uma diferença que não semostrou estatisticamente significante.Além disso, embora houvesse consi-deravelmente mais mulheres nogrupo de ingestão de refrigerantessem açúcar, houve pouca diferençaentre os índices registrados parahomens e mulheres.

Os autores observam que esseachado surpreendente põe em dúvidaa validade de aconselhar os consumi-dores a mudar para bebidasgaseificadas sem açúcar. É possível,entretanto, que entre os consumido-res possa haver alguma confusão emrelação ao que constitui uma bebidasem açúcar. Algumas bebidas nãocontêm açúcar, mas contêm altasconcentrações de carboidratosfermentáveis como os açúcaresnaturais das frutas. O melhor conse-lho pode, portanto, ser que osindivíduos reduzam o consumo geralde refrigerantes, em vez de mudarempara refrigerantes sem açúcar.

Referências

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dida

s e

Obt

urad

as (

CP

O)

Relação Entre o Consumo Diário deRefrigerantes Açucarados e Índices CPOD em

Diferentes Faixas Etárias

Faixas etáriasDe Heller, e col.7

PN

página 7

PÁGINAD E H I G I E N E

Muitas lesões esportivasenvolvem trauma intra-oral quepode ser reduzido ou eliminado como uso de protetores bucais apropria-dos. Apesar disso, os esportistasgeralmente relutam em usar essaproteção. Os cirurgiões-dentistas,entretanto, podem ser fundamentaispara a mudança dessas atitudes.

Grande parte da atenção sobreos atletas que usam protetores bucaisrecai sobre o futebol americano1,2 erúgbi 3,4. O esporte conhecido comofootball ou futbol em muitos países éconhecido como soccer no Canadá enos Estados Unidos. Fora o futebolamericano e rúgbi, esportes amado-res que requerem o uso de proteto-res bucais incluem o boxe, hóqueisobre o gelo, luta romana, hóquei decampo e lacrosse (jogo origináriodos índios norte-americanos).Especialistas no assunto recomen-dam extender essa exigência para obasquete, beisebol e futebol5.

Três tipos básicos de protetoresbucais estão disponíveis: tipo I, oude estoque, tipo II, ou modelados naboca, e tipo III, que são feitos sobmedida pelo dentista, utilizando ummodelo dos dentes superiores dopaciente. Os modelos tipo I sãoconsiderados como inferiores pelamaior parte das avaliações3,6. Algunsprotetores bucais tipo II são feitos demateriais termoplásticos que são

Eficácia dosProtetores Bucais

modelados diretamente sobre aarcada superior após serem amoleci-dos em água quente; daí o termoferver e morder. Os modelos tipo IIIpodem ser usados sobre aparelhoortodôntico. Os materiaiscomumente utilizados incluempolivinilcloreto, polivinilacetato elâmina de estireno butadieno3,6.

Um estudo in vitro confeccionouum instrumento de teste de colisãopara simular impactos sobre váriostipos e modelos de protetores bucais6.Os resultados mostraram que prote-tores do tipo II eram apenas ligeira-mente mais eficazes na prevenção delesões em dentes e maxilares do quenenhuma proteção, com média de6,0 dentes fraturados por impactosem protetor bucal e 4,5 dentesfraturados com protetor tipo II. Osprotetores tipo III alcançaram omelhor índice, isto é, 0,5 dentesfraturados, porém observou-se umavariação considerável entre os mode-

los. Os resultados ideais foramverificados com protetores bucaisque empregavam diversas camadaspara alcançar a espessura desejada,incorporavam flanco vestibular de 9mm, estendiam-se até o primeiromolar, no mínimo, e em que flancospalatais eram projetadas para oconforto do usuário.

Antes de o uso dos protetoresse tornar obrigatório no início dadécada de 60 no futebol americanodo ensino secundário das escolasnorte-americanas, cerca de 50% detodas as lesões envolviam boca ouáreas adjacentes, com uma incidên-cia de lesões faciais e dentais de2,26 para cada 100 jogadores1.Após a obrigatoriedade do uso deprotetores bucais e máscaras faciais,a incidência caiu para 0,3. Estimati-vas conservadoras calculam que onúmero de lesões evitadas anual-mente no futebol americano pelouso dos protetores bucais é de100.000 a 200.000. Os protetoressubseqüentemente se tornaramobrigatórios no futebol americanonas faculdades, porém não nofutebol americano profissional.

Mudança de atitudesGrande parte da resistência

ao uso de protetores bucais vem deconceitos que consideram essesdispositivos de proteção comodesnecessários para atletas sérios.Entretanto, algum sucesso foiobservado em campanhas educaci-onais com jogadores de hóqueisobre o gelo depois de se terdemonstrado que o uso de prote-tores bucais também pode reduziro risco de concussão, uma dasprincipais causas de incapacidadepermanente por acidente emjogadores nesse esporte5.

Nos Estados Unidos, o uso deprotetores bucais é obrigatório emesportes amadores como futebolamericano, hóquei sobre o gelo,

Depois que os protetoresbucais e máscaras faciaisse tornaram obrigatóriospara jogos de futebolamericano em escolas deensino secundário, aincidência de lesõesdentais e faciais caiu de2,26 para 0,30 em cada100 jogadores.

De Ranalli, 19911

• Fornecer informações e orientação para pacientes e técnicos esportivos• Confeccionar protetores com adaptação adequada como parte de sua prática clínica• Proporcionar pronto atendimento de emergência a jogadores que sofreram trauma• Participar de eventos educativos como clínicas de protetores bucais• Agir como dentistas de equipes esportivas ou como consultores para equipes esportivas locais

Papel dos Cirurgiões-dentistas no Auxílio à Redução deTraumas Crânio-faciais e Intra-orais Induzidos por Esportes

Continua na página 8

página 8

lacrosse masculino e hóquei decampo feminino5. Inexplicavelmente,times femininos geralmente sãoignorados nos programas educativosque promovem o uso de protetoresbucais, talvez devido à crençaerrônea de que mulheres e meninaspraticam um esporte mais delicada-mente, fazendo com que as lesõesfaciais sejam menos comuns. Naverdade, a taxa de incidência delesões para esportes específicostende a ser bastante similar entre osdois sexos. Também é admirávelque, embora o boxe tenha exigido ouso de protetores bucais já em 1913,o uso difundido desses dispositivosde proteção não ocorreu em outrosesportes de contato.

sobre o assunto. Podem confeccio-nar protetores com boa adaptação efazer disso uma parte integrante dasua prática clínica. Os profissionaisda área de saúde bucal tambémpodem ajudar a garantir o sucessode clínicas dedicadas à divulgaçãodos protetores bucais, servindocomo consultores para equipes eapoiando normas mais rigorosaspara a segurança do jogador.

Referências

O Prev News

está disponível

na Internet

no site

www.colgateprofissional.com.br

Cirurgiões-dentistas podemdesempenhar um papelfundamental no estímuloao uso de protetores bucais,começando com aorientação sobre o assunto.

Outras razões comuns dadas paraa resistência ao uso de protetoresbucais incluem a idéia de que sãodesconfortáveis, dificultam a respira-ção ou fala, não se adaptam correta-mente e causam boca seca. Acredita-se que a maioria dessas queixaspossa ser resolvida com a adaptaçãocorreta3. Um “design” atraente,talvez exibindo o logotipo da equipe,também parece facilitar a aceitaçãodos protetores. Modelos de atitudepositiva, apoio pelo treinador e aintrodução dos protetores em umaidade mais jovem podem, juntamen-te, melhorar a aceitação desseimportante acessório de proteção5.

Os cirurgiões-dentistas podemdesempenhar um papel fundamen-tal no estímulo ao uso de protetoresbucais, começando com a orientação

Continuação da Página de Higiene (p.7)

Editor chefe Chester Douglass,DMD, PhD; E.U.A.Professor de Política de SaúdeOral e Epidemiologia da HarvardSchool of Dental Medicine eSchool of Public Health

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