‰tica Para ANATEL

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TICA PARA ANATEL

Contedo: 1. tica e Moral. 2. Princpios e Valores ticos. 3. tica e Democracia: exerccio da cidadania. 4. tica e Funo Pblica. 5. tica no Setor Pblico. 5.1. Cdigo de tica Profissional do Servio Pblico Decreto n. 1.171/94. 5.2. Cdigo de tica da ANATEL.

TICAINTRODUO Atualmente, na sociedade contempornea, h um questionamento muito grande sobre o que essencial e o que secundrio para o convvio social, levando a sociedade, por diversas vezes, a uma inverso de valores e sentimentos. Embora esses questionamentos paream mais latentes em nossa poca, na verdade eles nasceram no momento em que o homem passou a viver em sociedade e, para tanto, comeou a perceber a necessidade de "regras" que regulamentassem esse convvio. Dentro desse mundo de normas e regras, para obter-se o bom relacionamento social, destacase sobremaneira a tica objeto de nosso estudo. A tica uma cincia de estudo da filosofia e, durante toda a histria, vrios pensadores se ocuparam de entend-la, visando melhoria nas relaes sociais. As normas ticas revelam a melhor forma de o homem agir durante o seu relacionamento com a sociedade e em relao a si mesmo. Scrates, considerado o pai da filosofia, relaciona o agir moral com a sabedoria, afirmando que s quem tem conhecimento pode ver com clareza o melhor modo de agir em cada situao. Assim como a teoria socrtica, vrias outras foram formuladas por meio da histria, contribuindo de alguma forma para a melhoria do agir humano e, conseqentemente, para o convvio social. Com o atual cenrio poltico-social que vivemos, percebe-se que o estudo e aplicao de normas ticas se fazem cada vez mais freqentes e necessrios ao desenvolvimento do pas. TICA E MORAL TICA tica a parte da filosofia que se ocupa do estudo do comportamento humano e investiga o sentido que o homem d a suas aes para ser verdadeiramente feliz e alcanar, como diriam os gregos, o "Bem viver". A tica faz parte do nosso dia a dia. Em todas as nossas relaes e atos, em algum grau, utilizamos nossos valores ticos para nos auxiliar. Em um sentido mais amplo, a tica engloba um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa, que esto ligados prtica do bem e da justia, aprovando ou desaprovando a ao dos homens de um grupo social ou de uma sociedade. A palavra tica deriva do grego ethos, e significa "comportamento". Heidegger d ao termo ethos o significado de "morada do ser". A tica pode ser dividida em duas partes: tica normativa e metatica. A primeira prope os princpios da conduta correta, enquanto a segunda investiga o uso de conceitos como bem e mal, certo e errado etc. O estudo da tica demonstra que a conscincia moral nos inclina para o caminho da virtude, que seria uma qualidade prpria da natureza humana. Logo, um homem para ser tico precisa necessariamente ser virtuoso, ou seja, praticar o bem usando a liberdade com responsabilidade constantemente. Nesse aspecto, percebe-se que "o agir" depende do ser. O lpis deve escrever, de sua natureza escrever; a lmpada deve iluminar, de sua natureza iluminar e ela deve agir dessa forma. A nica obrigao do homem ser virtuoso, de sua natureza ser virtuoso e agir como homem. Infelizmente um mal que tem aumentado o de homens que no agem como homens. Os preceitos ticos de uma sociedade so baseados em seus valores, princpios, ideais e regras, que se con-solidam durante a formao do carter do ser humano em seu convvio social. Essa formao de conceitos se baseia no senso comum, que um juzo ou conceito comumente sentido por toda uma ordem, um povo ou uma nao, da sociedade em que esse homem est inserido. Para melhor entendimento do que senso comum, tomemos o seguinte: uma criana que adoece consegue explicar para os seus pais que est se sentindo mal, mesmo que racionalmente no saiba o significado do termo "mal". Ela consegue dar a explicao porque tem a capacidade de "sentir" o que a palavra significa. Quando falamos em tica como algo presente no homem, no quer dizer que ele j nasce com a conscincia plena do que bom ou mau. Essa conscincia existe, mas se desenvolve mediante o

relacionamento com o meio social e com o autodescobrimento. Nas palavras do intelectual baiano Divaldo Franco, "a conscincia tica a conquista da iluminao, da lucidez intelecto moral, do dever solidrio e humano". Para uma vida plena necessrio recorrer tica, coragem para decifra-se, confiana na prpria vida, ao amor como a maior manifestao do ser humano no grupo social, ao respeito por si e pelo outro e, principal-mente, verdade, estando acima de quaisquer interpretaes, idias ou opinies. MORAL O termo moral deriva do latim mos , e significa costumes. A moral a "ferramenta" de trabalho da tica. Sem os juzos de valor aplicados pela moral, seria impossvel determinar se a ao do homem boa ou m. Moral o conjunto de normas, livre e consciente, adotado que visa organizar as relaes das pessoas, tendo como base o bem e o mal, com vistas aos costumes sociais. Apesar de serem semelhantes, e por vrias vezes se confundirem, tica e moral so termos aplicados diferentemente. Enquanto o primeiro trata o comportamento humano como objeto de estudo e normatizao, procurando tom-lo o mais abrangente possvel, o segundo se ocupa de atribuir um valor ao. Esse valor tem como referncias as normas e conceitos do que vem a ser bem e mal baseados no senso comum. Amoral possui um carter subjetivo, que faz com que ela seja influenciada por vrios fatores, alterando, assim, os conceitos morais de um grupo para outro. Esses fatores podem ser sociais, histricos, geogrficos etc. Observa-se, ento, que a moral dinmica, ou seja, ela pode mudar seus juzos de valor de acordo com o contexto em que esteja inserida. Aristteles, em seu livro A Poltica, descreve que "os pais sempre parecero antiquados para os seus filhos". Essa afirmao demonstra que, na passagem de uma gerao familiar para outra, os valores morais mudam radicalmente. Outro exemplo o de que moradores de cidades praianas achem perfeitamente normal e aceitvel an-dar pelas ruas vestidos apenas com trajes de banho, ao passo que moradores de cidades interioranas vem com estranheza esse comportamento. Essa mudana de comportamento e juzo de valor provocada por um agente externo. O ato moral tem em sua estrutura dois importantes aspectos: o normativo e o factual. O normativo so as normas e imperativos que enunciam o "dever ser". Ex: cumpra suas obrigaes, no minta, no roube etc. Os factuais so os atos humanos que se realizam efetivamente, ou seja, a aplicao da norma no dia a dia no convvio social. O ato moral tem sua complexidade na medida em que afeta no somente a pessoa que age, mas aqueles que a cercam e a prpria sociedade. Portanto, para que um ato seja considerado moral, ou seja, bom, deve ser livre, consciente, intencional e solidrio. Dessas caractersticas decorre a insero da responsabilidade, exigindo da pessoa que assuma as conseqncias por todos os seus atos, livre e conscientemente. Por todos os aspectos que podem influenciar os valores do que vem a ser bom ou justo e, aliado a isso, a diversificao de informaes culturais que o mundo contemporneo globalizado nos revela em uma velocidade espantosa, a tica e a moral tornam-se cada vez mais importantes, exigindo que sua aplicabilidade se torne cada vez mais adequada ao contexto em que est inserida. TICA: PRINCPIOS E VALORES Principios Princpio onde alguma coisa ou conhecimento se origina. Tambm pode ser definido como conjunto de regras ou cdigo de (boa) conduta pelos quais algum governa a sua vida e as suas aes. Fazendo uma anlise minuciosa desses conceitos, percebe-se que os princpios que regem a nossa conduta em sociedade so aqueles conceitos ou regras que aprendemos por meio do convvio, passados gerao aps gerao. Esses conhecimentos se originaram, em algum momento, no grupo social em que esto

inseridos, convencionando-se que sua aplicao boa, sendo aceita pelo grupo. Quando uma pessoa afirma que determinada ao fere seus princpios, ela est se referindo a um conceito, ou regra, que foi originado em algum momento em sua vida ou na vida do grupo social em que est inserida e que foi aceito como ao moralmente boa. Valores Nas mais diversas sociedades, independentemente do nvel cultural, econmico ou social em que estejam inseri-das, os valores so fundamentais para se determinar quais so as pessoas que agem tendo por finalidade o bem. O carter dos seres, pelo qual so mais ou menos desejados ou estimados por uma pessoa ou grupo, deter-minado pelo valor de suas aes. Sua ao ter seu valor aumentado na medida em que for desejada e copiada por mais pessoas do grupo. Todos os termos que servem para qualificar uma ao ou o carter de uma pessoa tm um peso "bom" e um peso "ruim". Citam-se como exemplo os termos honesto e desonesto, generoso e egosta, verdadeiro e falso. Os valores do "peso" ao ou carter de uma pessoa ou grupo. Esse peso pode ser bom ou ruim. Kant afirmava que toda ao considerada moralmente boa deveria ser necessariamente universal, ou seja, ser boa em qualquer lugar e em qualquer tempo. Infelizmente o ideal kantiano de valor e moralidade est muito longe de ser alcanado, pois as diversidades culturais e sociais fazem com que o valor dado a determinadas aes mude de acordo com o contexto em que est inserido. TICA E DEMOCRACIA O Brasil ainda caminha a passos lentos no que diz respeito tica, principalmente no cenrio poltico que se revela a cada dia, porm inegvel o fato de que realmente a moralidade tem avanado. Vrios fatores contriburam para a formao desse quadro catico. Entre eles os principais so os golpes de estados Golpe de 1930 e Golpe de 1964. Durante o perodo em que o pas viveu uma ditadura militar e a democracia foi colocada de lado, tivemos a suspenso do ensino de filosofia e, conseqentemente, de tica, nas escolas e universidades. Aliados a isso tivemos os direitos polticos do cidado suspensos, a liberdade de expresso caada e o medo da represso. Como conseqncia dessa srie de medidas arbitrrias e autoritrias, noss