Fruticultura - Miolo - .Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Ministério da Agricultura,

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Text of Fruticultura - Miolo - .Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Ministério da Agricultura,

  • Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

    Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Fruticultura Tropicalespcies regionais e exticas

    Janay Almeida dos Santos-SerejoJorge Luiz Loyola Dantas

    Clovis Vaz SampaioYgor da Silva Coelho

    Editores Tcnicos

    Embrapa Informao TecnolgicaBraslia, DF

    2009

  • Todos os direitos reservadosA reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte,

    constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Embrapa Informao Tecnolgica

    Fruticultura tropical: espcies regionais e exticas / editores tcnicos, Janay Almeida dos Santos-Serejo, Jorge Luiz Loyola Dantas, Clovis Vaz Sampaio, Ygor da Silva Coelho. Braslia, DF : Embrapa Informao Tecnolgica, 2009.506 p. : il. ; 21,5 x 28 cm.

    ISBN 978-85-7383-461-1

    1. Fruticultura tropical. 2. Industrializao. 3. Comercializao. 4. Regio tropical. I. Santos-Serejo, Janay Almeida dos. II. Dantas, Jorge Luiz Loyola. III. Sampaio, Clovis Vaz. IV. Coelho, Igor da Silva. V. Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.

    CDD 634.6

    Embrapa 2009

    Embrapa Informao TecnolgicaParque Estao Biolgica (PqEB)Av. W3 Norte (fi nal)CEP 70770-901 Braslia, DFFone: (61) 3340-9999Fax: (61) 3340-2753vendas@sct.embrapa.brwww.sct.embrapa.br/liv

    Coordenao editorial: Fernando do Amaral Pereira Mayara Rosa Carneiro Lucilene Maria de AndradeSuperviso editorial: Wesley Jos da RochaReviso de texto: Corina Barra SoaresNormalizao bibliogrfi ca: Mrcia Maria Pereira de SouzaProjeto grfi co, editorao eletrnica e tratamento de ilustraes: Jlio Csar da Silva Delfi noCapa: Maria da Conceio Borba

    1a edio1a impresso (2009): 2.500 exemplares

    Embrapa Mandioca e Fruticultura TropicalRua Embrapa, s/n, Caixa Postal 007 CEP 44380-000 Cruz das Almas, BahiaFone: (75) 3312-8000Fax: (75) 3312-8097www.cnpmf.embrapa.brsac@cnpmf.embrapa.br

    Comit Local de PublicaesDomingo Haroldo Reinhardt PresidenteAlberto Duarte VilarinhosAntonio Alberto Rocha OliveiraDavi Theodoro JunghansLuiz Francisco da Silva SouzaMarilene FancelliMaurcio Antonio Coelho FilhoRogrio RitzingerVanderlei da Silva SantosCristina Maria Barbosa Cavalcante Bezerra Lima Secretria

    Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na:

  • Captulo 5

    Caj

    Clio Kersul do SacramentoFrancisco Xavier de Souza

  • Imagem de abertura do captulo: Francisco Xavier de Souza

  • Captulo 5 Caj 85

    Introduo

    A famlia Anacardiaceae agrupa diversas espcies frutferas importantes, como as Spondias (caj, umbu, serigela, cajarana, umbu-caj), o cajueiro (Anacardium occidentale L.), a mangueira (Mangifera indica L.) e o pistache (Pistacia vera L.), que so exploradas economicamente em vrias reas tropicais e subtropicais do mundo.

    Do gnero Spondias, destacam-se a cajazeira (S. mombin L.), o umbuzeiro (S. tuberosa Arruda), a cajaraneira (S. dulcis Parkinson), a serigeleira (S. purpurea L.) e a umbu-cajazeira (Spondias sp.). Essas espcies so exploradas extrativamente ou em pomares domsticos, e no fazem parte das estatsticas ofi ciais, mas, mesmo assim, tm grande importncia socioeconmica para as regies Norte e Nordeste do Brasil. Seus frutos so consumidos na forma in natura ou processados, como polpas, sucos, gelias, nctares e sorvetes, de excelente qualidade e alto valor comercial, o que torna vivel a explorao. O fruto da cajazeira, graas a seu caracterstico fl avour, matria-prima de produtos cuja demanda crescente e insatis-feita. Em face da falta de pomares comerciais, as agroindstrias fi cam totalmente dependentes da produo obtida do extrativismo, que sazonal e insufi ciente para a operacionalizao das fbricas (SOUZA, 2005).

    A cajazeira uma frutfera perene, dispersa nas regies tropicais da Amrica, da frica e da sia. No Brasil, a cajazeira encontrada prin-cipalmente nas regies Norte e Nordeste, onde seus frutos, conhecidos como tapereb, caj-mirim, caj e caj verdadeiro, so utilizados na confeco de polpas, sucos, picols, sorvetes, nctares e gelias de excelente qualidade e valores nutritivo e comercial. A madeira utilizada em marcenarias; casca, ramos, folhas e fl ores possuem propriedades medicinais (SACRA-MENTO; SOUZA, 2000).

    A cajazeira uma espcie em domesticao, e os conhecimentos e tecnologias disponveis sobre ela ainda no so sufi cientes para o seu

    cultivo em escala comercial. Em conseqncia disso, sua forma de explorao ainda extrati-vista. Mesmo assim, tem participao crescente na comercializao de frutos das regies Norte e Nordeste, principalmente para as agroindstrias de polpa.

    Origem edistribuio geogrfi ca

    A cajazeira (Spondias mombin L.) nativa das terras baixas do Mxico e das Amricas Central e do Sul (CROAT, 1974), comum nas fl orestas midas do Sul do Mxico at o Peru, e estendendo-se at o Brasil, e no Oeste da ndia (MORTON, 1987), ou seja, nativa da Amrica Tropical (AIRY SHAW; FORMAN, 1967; LON, 1987; PURSEGLOVE, 1984). Leon e Shaw (1990) afi rmam que, alm da cajazeira, as espcies de serigeleira (Spondias purpurea L.) e de umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) so tambm originadas da Amrica Tropical, enquanto Mitchell e Daly (1998) afi rmam que a cajazeira nativa da regio que se estende do sul do Mxico at o Paraguai e o Leste do Brasil, sendo amplamente cultivada nos trpicos midos.

    De acordo com Hoehne (1946), os primeiros relatos sobre a cajazeira foram feitos por escri-tores e historiadores do sculo 16, tendo sido Jean de Lery o primeiro a se referir espcie, em 1557. Conforme Prance e Silva (1975), a cajazeira procedente da Amrica do Sul e das Antilhas, nativa da Amaznia, sendo encontrada desde o sul do Mxico at o Peru e o Brasil. Atualmente, encontra-se dispersa pelos trpicos da Amrica, da sia e da frica.

    Conforme Clement (1999), quando os primeiros europeus adentraram as terras da Amaznia, a cajazeira j era cultivada pelos indgenas e se encontrava em estado semido-mesticado. Carvalho e Alves (2008) relatam que as primeiras descries foram efetuadas por viajantes missionrios e naturalistas estrangeiros

  • Fruticultura Tropical: espcies regionais e exticas86

    que percorreram o Brasil nos sculos 16 e 17. Essas descries, portanto, so bem ante-riores criao da nomenclatura binomial e do sistema de classifi cao cientfi ca concebido pelo mdico, botnico e zologo sueco Carolus Lineaus, e posteriormente aperfeioado por seus seguidores. Esses autores relatam tambm que Gabriel Saoares de Souza, um portugus que se tornou senhor de engenho na Bahia e percorreu o Brasil, em particular a Regio Nordeste, em busca de riquezas, tem a primazia de ter descrito a espcie. Essa descrio se encontra em seu Tratado Descritivo do Brasil em 1587.

    Abbeville (1975) e Spruce (2006), citados por Urano de Carvalho e Alves (2008), relatam que os nomes caj e tapereb so corruptelas das palavras acaja e tapiriba, como os indgenas a denominavam. A primeira palavra signifi ca fruto de caroo (de ac, caroo, e ya, fruto); e a segunda, fruto de anta (de tapir e iba, fruto), em aluso ao fato de que a fruta um dos alimentos desse mamfero.

    O fruto da cajazeira conhecido, no mundo, por vrios nomes. Em portugus: caj, caj-mirim, tapereb, caj verdadeiro; em ingls: hog plum e yellow mombin; em espanhol: ciruela marilla; e em francs, mombin, mombin jaune, prune dor, prunier mombin e prunier myrobolan (SACRAMENTO; SOUZA, 2000).

    No Brasil, as cajazeiras so encontradas isoladas ou agrupadas, notadamente na Amaznia e na Mata Atlntica, provveis zonas de disperso da espcie, e nas zonas mais midas dos estados do Nordeste.

    Na Amaznia, as cajazeiras so encon-tradas nas fl orestas de terra fi rme e em vrzea, sendo comum em lugares habitados, porm em estado subespontneo (CAVALCANTE, 1976). No Amap, freqente em quintais, margeando canais de drenagem natural e outras reas midas. Na Paraba, as cajazeiras ocorrem em vrias regies do Estado, porm mais freqentemente em povoamentos naturais nos municpios que constituem a microrregio do Brejo-Paraibano

    Alagoa Grande, Alagoa Nova, Areia, Bana-neiras, Borborema, Piles e Serraria. No Cear, ocorre com maior freqncia nas zonas litorneas prximas a Fortaleza e nas serras de Guarami-ranga, Baturit, Meruoca e Ibiapaba. Na Bahia, as cajazeiras so encontradas principalmente em reas de cultivo de cacau da regio sul, entre os paralelos 14 e 16, numa faixa de 100 km a partir do litoral (SACRAMENTO; SOUZA, 2000); a maior concentrao se d, portanto, nos municpios onde h explorao de cacau: Ilhus, Itabuna, Camac, Pau Brasil, Uruuca, Ibicara, Ipiau, Ubat, Ubaitaba, Aurelino Leal, Tancredo Neves, Santa Luzia, Itap, Floresta Azul, Coaraci, Jussari e So Jos da Vitria. As cajazeiras so mais raras no Recncavo Baiano e no norte do Esprito Santo.

    Sistemtica edescrio botnica

    Em seu tratado botnico Genera Plantarum, de 1753, Linnaeus criou o gnero Spondias, que compreende as bem conhecidas ameixas dos trpicos. Naquela poca, era conhecida apenas uma espcie do gnero, a cajazeira (Spondias mombin L.), fi cando o gnero monotpico por cerca de 10 anos (AIRY SHAW; FORMAN, 1967).

    A famlia Anacardiaceae possui 79 gneros, com distribuio predominantemente nas regies tropicais e subtropicais do mundo (JOLY, 2002). Entre os gneros est o Spondias, que, segundo a literatura, tem a seguinte posio taxon-mica: Domnio Eukarya; Reino Plantae; Filo Anthophyta; Diviso Spermatophyta; Subdi-viso Angiospermae; Classe Eudicotiledoneae; Subclasse Archichlamidae; Ordem Sapindales; Famlia Anacardiaceae; Tribo Spondiadeae, e Gnero Spondias L. (AIRY SHAW; FORMAN, 1967; JOLY, 2002; RAVEN et al., 2001). Muitas espcies de Anacardiaceae destacam-se comercial-mente, como a mangueira (Mangifera indica L.), o pistache (Pistacia vera L.) e o cajueiro (Anacardium occidentale L.). Outras so ainda pouco exploradas,