Laudo Técnico

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Laudo de insalubridade + embasamento

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EXMO. SR. DR. JUIZ DA VARA DO TRABALHO DE FORTALEZA CE

Considerando que a Portaria N. 3.275, de 21 de Setembro de 1989 que define as atribuies do Tcnico de Segurana do Trabalho, em seu Art. 1 Inciso I, o qual confere a competncia de elaborar pareceres tcnicos, documento bem diferente de um Laudo Tcnico.Considerando que a elaborao de Laudos Tcnicos so, segundo a Resoluo N 325, de 27 Novembro 1987 do CONFEA, em seu Art. 4 inciso IV, competncias do Engenheiro de Segurana do Trabalho.Considerando que o presente trabalho tem como nico objetivo a aprendizagem e desenvolvimento de conhecimento, no servindo de documentao legal para fins de concesso de adicional de insalubridade, segundo a Norma Regulamentadora N15 e seus Anexos, bem como as legislaes supracitadas, o presente laudo foi elaborado por uma Tcnica de Segurana do Trabalho, no cabendo julgamentos quanto a sua habilitao para elaborar o presente documento.

VNIA MARIA VIANA OLIVEIRA, Tcnica de Segurana do Trabalho, perita indicada por V. Exa., vem respeitosamente apresentar seu Laudo Pericial de INSALUBRIDADE, colocando-se ao inteiro dispor para os esclarecimentos que se fizerem necessrios.

I INTRODUO

O estudo pericial ora procedido tem por objetivo verificar a existncia ou no, no local de trabalho da reclamante, de condies tcnicas de INSALUBRIDADE, de acordo com o preconizado pela Portaria Ministerial 3.214/78, N 15. Para obter os subsdios necessrios elaborao do presente Laudo, na data de 16 de junho de 2015 s 09:00 horas, recebi a seguinte imagem, como nica fonte de informaes para a elaborao do documento.

II - DESCRIO DAS ATIVIDADES EXERCIDAS

A funo exercida pelo Autor, conforme a imagem enviada, era a de soldador. Em virtude da ausncia de mais informaes, consultou-se a Classificao Brasileira de Ocupaes CBO para o soldador, cujo CBO vinculado o 7243-15.De acordo com tal CBO, tem-se a seguinte definio sumria das atividades: Unem e cortam peas de ligas metlicas usando processos de soldagem e corte tais como eletrodo revestido, tig, mig, mag, oxigs, arco submerso, brasagem, plasma. Preparam equipamentos, acessrios, consumveis de soldagem e corte e peas a serem soldadas. Aplicam estritas normas de segurana, organizao do local de trabalho e meio ambiente.

III. DESENVOLVIMENTO DA PERCIA

Considerando a imagem apresentada acima, e tomando como verdadeiras as informaes contidas na mesma, foi feito um estudo com base na Norma Regulamentadora do Ministrio do Trabalho e Emprego N15 e seus anexos I e III.

IV. DISCUSSO

Considerando a Norma Regulamentadora do Ministrio do Trabalho e Emprego N15, Anexo I Limites de Tolerncia para Rudo Contnuo e Intermitente.Considerando uma jornada de trabalho convencional de 8 horas dirias.Considerando o valor do NPS igual a 80 dB(A), conforme a imagem fornecida.Considerando a Norma de Higiene Ocupacional N1 da FUNDACENTRO, conclui-se que:A FUNDACENTRO, define, em sua Norma de Higiene Ocupacional N1 (NHO 01) um ente fsico denominado como Nvel de Exposio NE. Esse valor de NE equivale ao NPS = 80 dB(A) que encontra-se na imagem. Para fins de percepo ou no de adicional de insalubridade, no considera-se o nvel de exposio, e sim a dose, assim entendida como um somatrio das razes entre os vrios tempos de exposio e seus respectivos tempos mximos permitidos, segundo a NR-15.A NHO-01 fornece a expresso de converso de NE para Dose:

*** Para convertermos, substituiremos o 3 por 5, uma vez que para a NR-15, Anexo I, o fator de incremento de dose (q) vale 5 e no 3.

Com isso, resolvendo a equao obtemos uma dose igual a 0,5 ou 50%, ou seja, como o valor foi inferior a 100%, temos que o ambiente salubre, em termos do agente fsico rudo.

Todavia, h ainda a presena de outro agente fsico no ambiente: o calor. Conforme a figura o IBUTG medido foi de 30C e a atividade considerada moderada. Logo, tomando a NR-15, Anexo III Limites de Tolerncia para Exposio ao Calor, temos que:

1) Considera-se a atividade como moderada, e consultando o Quadro n3 do Anexo supracitado, bem como analisando a imagem do empregado realizando suas funes, enquadramos dentro da classe trabalho moderado, a subclasse De p, trabalho moderado em mquina ou bancada, com alguma movimentao, essa subclasse tem como metabolismo associado 220 Kcal/h.2) Agora, empregando o Quadro N2 do mesmo Anexo, e considerando que quando no encontramos o valor exato do metabolismo, devemos pegar o maior valor imediatamente superior ao encontrado, temos:Para a atividade em questo, o metabolismo, de acordo com a NR-15, vale 220 Kcal/h, e adotando o Quadro N2 como base, temos que utilizar o imediatamente superior, ou seja, 250 Kcal/h, com isso temos um IBUTG mximo permitido de 28,5C. Como o IBUTG medido no ambiente foi de 30,0C, considera-se insalubre o ambiente.

V. FUNDAMENTAO LEGAL E CONCLUSO

Sabendo que a Constituio Federal de 1988 em seu Captulo II, Dos Direitos Sociais, Art. 7 inciso XXIII afirma que:Art. 7 So direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, alm de outros que visem melhoria de sua condio social:XXIII - adicional de remunerao para as atividades penosas, INSALUBRES ou perigosas, na forma da lei.Portanto, a Carta Magna do pas garante aos trabalhadores o direito ao adicional de insalubridade, dentre outros. Todavia, para a sua devida aplicao necessita-se de regulamentao. Ento, a Consolidao das Leis do Trabalho CLT, Captulo V, Seo XIII, Das Atividades Insalubres ou Perigosas, afirma que:Art . 189- Sero consideradas atividades ou operaes insalubres aquelas que, por sua natureza, condies ou mtodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos sade, acima dos limites de tolerncia fixados em razo da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposio aos seus efeitos.Art . 190- O Ministrio do Trabalho aprovar o quadro das atividades e operaes insalubres e adotar normas sobre os critrios de caracterizao da insalubridade, os limites de tolerncia aos agentes agressivos, meios de proteo e o tempo mximo de exposio do empregado a esses agentes.A CLT nos remete s Normas Regulamentadoras do Ministrio do Trabalho e Emprego. A que concerne s atividades ou operaes INSALUBRES a Norma Regulamentadora N15 e seus Anexos. Para a atividade de soldador em questo, de posse dos dados fornecidos, h a perspectiva de enquadramento em dois Anexos, o I e o III. No que se refere ao Anexo I (Rudo Contnuo e Intermitente), temos que:Norma Regulamentadora 15 do MTE, Anexo I, Inciso 6: 6. Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais perodos de exposio a rudo de diferentes nveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes fraes [...] EXCEDER A UNIDADE A EXPOSIO ESTAR ACIMA DO LIMITE DE TOLERNCIA. Conclui-se, portanto, que no h insalubridade causada por rudo, uma vez que a dose calculada foi de 0,5 ou 50%, inferior a 1 ou 100%. Entretanto, h ainda a presena do agente fsico Calor, ora mencionado e regulamentado pelo Anexo III da mesma Norma Regulamentadora. De acordo com os clculos realizados, baseados nos Quadros 2 e 3 do Anexo III da Norma Regulamentadora N15, CONCLUIU-SE QUE A ATIVIDADE INSALUBRE, uma vez que o IBUTG mximo permitido de 28,5C e o valor medido foi de 30,0C.Considerando-se ainda a possibilidade da recusa do empregador em pagar o adicional de INSALUBRIDADE, em virtude de no ser contato permanente, e sim intermitente, aplica-se a Smula N47 do Tribunal Superior do Trabalho TST, que afirma que:O trabalho executado em condies insalubres, EM CARTER INTERMITENTE, NO AFASTA, S POR ESSA CIRCUNSTNCIA, o direito percepo do respectivo adicional.Considerando ainda que poder haver a recusa do empregador em realizar o pagamento do adicional de INSALUBRIDADE em virtude de fornecer o Equipamento de Proteo Individual, aplica-se a Smula N289 do Tribunal Superior do Trabalho TST, que afirma que:O SIMPLES FORNECIMENTO DO APARELHO DE PROTEO PELO EMPREGADOR no o exime do pagamento do adicional de insalubridade. Cabe-lhe tomar as medidas que conduzam diminuio ou eliminao da nocividade, entre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado.Ou seja, para que haja a descaracterizao da insalubridade o empregador deve assegurar que o EPI est efetivamente protegendo o empregado, que adotar outras medidas preventivas que visem a eliminao/mitigao/neutralizao da insalubridade, bem como o simples fato da intermitncia da exposio ao agente insalubre no descaracteriza, uma vez que o dano ainda ocorrer ao empregado.Portanto, considerando todo o exposto acima, CONSIDERO A ATIVIDADE DE SOLDADOR, REFERENCIADA NA IMAGEM FORNECIDA, INSALUBRE EM VIRTUDE DO AGENTE FSICO CALOR, ENSEJANDO AO PAGAMENTO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE DE NVEL MDIO, EQUIVALENTE A 20% DO SALRIO MNIMO, OU CONFORME A CONVENO DA CATEGORIA.

Fortaleza, 16 de Junho de 2015,

_________________________________________________________Vnia Maria Viana OliveiraTcnica de Segurana do TrabalhoRegistro N xxxxxxxxxx/MTE