O Tesouro

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Text of O Tesouro

  • 1. O Tesouro Jos Matias Alves

2.

  • Perto da cidade de Alexandria vivia um homem honrado na sua casa solarenga que tinha um jardim.

3.

  • No jardim havia um poo e ao lado do poo estava plantada uma frondosa figueira.
  • Na fachada da casa havia um relgio de sol que ia marcando as horas durante o dia.

4.

  • Ora, este homem sonha, durante vrias noites seguidas, que no templo de Alexandria por detrs de uma lousa mais escura que as outras est escondido um tesouro de incalculvel valor.

5.

  • E, guiado pelos sonhos, decide fazer uma viagem at cidade e procurar no templo, por detrs de uma lousa mais escura que as outras, esse incalculvel tesouro.

6.

  • Poupa o dinheiro necessrio e, quando possui o suficiente, empreende a viagem levando uma caixa de ferramentas que lhe permitam buscar atrs da lousa.

7.

  • Chega de dia, esconde-se, pois no quer que o vejam, e quando chega a noite, luz da lua, sai do seu esconderijo e comea a procurar essa lousa com que tinha insistentemente sonhado.

8.

  • Porm, no tem a sorte do seu lado. Aps trs horas de busca infrutfera, surpreendido pela polcia que o conduz presena de um juiz, a quem tinham previamente explicado a situao.

9.

  • Ao ver o homem diante de si, o juiz pergunta-lhe sem dilao ou rodeios:
  • - Pode saber-se o que fazia a estas horas da noite em pleno tempo, com essa caixa de ferramentas?

10.

  • O homem responde com toda a sinceridade, preocupado com as consequncias da sua clandestina explorao:
  • - Sonhei, durante vrias noites seguidas, que,no templo de Alexandria,por detrs de uma lousa mais escura do que as outras, estava escondido um tesouro de incalculvel valor. E vim busc-lo.

11.

  • O Juiz responde-lhe calmamente:
  • - Como pode ser to ingnuo, to crdulo, to insensato, to ridculo? Por que faz caso de sonhos? Tem de se guiar pela realidade que nos fala de forma clara e eficaz. V para sua casa, esquea esses sonhos e guie-se pela razo.

12.

  • E isto, porque, veja bem, eu tambm sonhei que numa casa solarenga, nos arredores da Alexandria, vivia um homem honrado. E que a casa tinha um jardim e que no jardim havia um poo e ao lado do poo uma frondosa figueira. E que na frontaria da casa havia um relgio de sol.

13.

  • E ao lado do poo, em direco ao norte, a trs metros de profundidade, encontrava-se uma arca de ferro com quinhentas moedas de ouro.
  • Mas que ridculo seria pensar que isto seria verdade.

14.

  • Portanto, v para sua casa, esquea os sonhos e eu me esquecerei deste incidente no templo! Faa apenas caso dos factos, siga a razo se no vai dar-se mal com a vida.

15.

  • O Homem escuta atentamente o juiz, agradece o seu conselho, despede-se e dirige-se precipitadamente para sua casa.
  • Mal chega, sem sequer descansar, pega numa picareta e numa p e comea a cavar exactamente onde o juiz dissera que havia sonhado que estava um tesouro.

16.

  • E, com efeito, ao lado do poo de sua casa, na direco do norte, e a trs metros de profundidade, encontra uma arca de ferro com quinhentas reluzentes moedas de ouro.

17.

  • A casa solarenga a nossa famlia, os nossos amigos, o nosso trabalho, o nosso corao. Muitas vezes, realizamos viagens inslitas em busca da felicidade, mas acontece que est mais perto do que pensamos. Ao busc-la longe, estamo-nos afastando dela.
  • (impertinente questo: que tesouro podemos encontrar na nossa escola?)
  • A partir de Miguel Santos GuerraLa Opinin de Malaga

18.