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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE AGRONOMIA AGR 99003 - ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO Kátia Graziela Costa Huber 0139967 Orquidário Gastão de Almeida Santos Parque Farroupilha (redenção) PORTO ALEGRE, DEZEMBRO DE 2010.

Relatório de estágio curricular obrigatório supervisionado

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Text of Relatório de estágio curricular obrigatório supervisionado

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    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

    FACULDADE DE AGRONOMIA

    AGR 99003 - ESTGIO CURRICULAR OBRIGATRIO SUPERVISIONADO

    Ktia Graziela Costa Huber 0139967

    Orquidrio Gasto de Almeida Santos

    Parque Farroupilha (redeno)

    PORTO ALEGRE, DEZEMBRO DE 2010.

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    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

    FACULDADE DE AGRONOMIA

    AGR 99003 ESTGIO CURRICULAR OBRIGATRIO

    SUPERVISIONADO

    Ktia Graziela Costa Huber

    RELATRIO DE ESTGIO CURRICULAR OBRIGATRIO SUPERVISIONADO

    Orientador do Estgio: Eng. Agr. Paulo Fialho Meireles

    Tutor do Estgio: Prof. Dr. Gilmar Schafer

    COMISSO DE ESTGIOS:

    Lucia Brando Franke Depto. de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia -

    Coordenadora

    Paulo Henrique de Oliveira Depto. Plantas de Lavoura

    Mari Bernardi - Depto. de Zootecnia

    Lair Ferreira Depto. de Horticultura e Silvicultura

    Elemar Antonio Cassol - Depto. de Solos

    Josu SantAna Depto. de Fitossanidade

    Fbio de Lima Beck Ncleo de Apoio Pedaggico

    PORTO ALEGRE, DEZEMBRO DE 2010

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    DEDICATRIA

    A minha me Ftima (in memoriam) pelo grande amor, amizade,

    cumplicidade e felicidade que compartilhamos. E mesmo no fazendo mais

    parte desse mundo, tenho certeza que me acompanha, me protege e est feliz

    com a minha formatura.

    Ao meu pai Slvio pelo amor e carinho.

    A minha irm Daniela pela amizade, companhia, diverso e amor.

    Ao meu namorado Mrcio que faz a minha vida muito mais feliz e florida

    com seu amor.

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    AGRADECIMENTOS

    A direo do Parque Farroupilha, ao Eng Agr Paulo Fialho Meireles pela

    tima receptividade e aos funcionrios do orquidrio pelo apoio, confiana e

    pelo agradvel ambiente de trabalho em equipe onde foi possvel compartilhar

    ideias e conhecimentos.

    Aos professores Gilmar Schafer e Valmir Duarte.

    A faculdade de Agronomia da UFRGS pelo convvio com pessoas

    maravilhosas.

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    APRESENTAO

    O estgio curricular obrigatrio um dos momentos mais importantes no

    decorrer da vida acadmica do estudante de Agronomia. Por essa razo eu

    escolhi trabalhar com plantas ornamentais, pois eu pretendo atuar

    profissionalmente nessa rea e infelizmente tive pouca vivncia na graduao.

    A escolha por Orqudeas vem de um desejo antigo de aprender mais

    sobre essas fascinantes plantas, majoritariamente epfitas, que despertam tanta

    admirao e paixo em pessoas do mundo todo e por essa razo existem

    tantos clubes de colecionadores e ciclos de Orquidfilos.

    Nas minhas pesquisas percebi que existem poucos profissionais da rea

    agronmica atuando nesse mercado, ou seja, um nicho interessante a ser

    explorado.

    No Orquidrio Gasto de Almeida Santos do Parque Farroupilha

    (Redeno) eu pude vivenciar como funciona a manuteno de uma coleo

    de Orqudeas destinada visitao pblica.

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    SUMRIO

    1. Introduo.......................................................................................................8

    2. Descrio do meio fsico e socioeconmico do municpio de Porto

    Alegre..................................................................................................................9

    2.1 Clima..................................................................................................... ........9

    2.2 Solos ......................................................................................................... 9

    2.3 Aspectos socioeconmicos ......................................................................11

    3. Instituio de realizao do estgio ............................................................. 12

    4. Reviso Bibliogrfica sobre Orqudeas ........................................................ 13

    5. Atividades realizadas no estgio .................................................................. 18

    5.1 identificao e caracterizao dos gneros de orqudeas mais

    importantes existentes no Orquidrio ........................................................... 18

    5.2 Tratamentos Fitossanitrios .................................................................... 29

    5.3 Adubao ................................................................................................ 32

    5.4 Confeces de mudas De Dendrobium Spp ........................................... 33

    5.5 Controle de Aedes Egypti (Mosquito Da Dengue) ................................. 34

    5.6 Atendimento ao pblico .......................................................................... 35

    5.7 Participao em curso ........................................................................... 35

    6. Concluses ................................................................................................... 35

    7. Anlise Crtica do estgio ............................................................................. 36

    8. Bibliografia .................................................................................................... 36

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    LISTA DE FIGURAS Figura 1. Mapeamento das Unidades de Solo de Porto Alegre........................10

    Figura 2. Orqudea com crescimento simpodial................................................16

    Figura 3. Orqudea com crescimento monopidal...............................................16

    Figura 4. Orqudeas do gnero Denbrobium spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha.........................................................................................................19

    Figura 5. Orqudea do gnero Cymbidium spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha......................................................................................................21

    Figura 6. Orqudea do gnero Oncidium spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha......................................................................................................22

    Figura 7. Orqudea do gnero Coelogyne spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha......................................................................................................23

    Figura 8. Orqudea do gnero Bifrenria spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha....................................................................................................25

    Figura 9. Orqudea Catlleya guttata x Catlleya labiata no Orquidrio do Parque

    Farroupilha.....................................................................................................26

    Figura 10. Orqudea do gnero Phalaenopsis spp Orquidrio do Parque

    Farroupilha.....................................................................................................26

    Figura 11. Retirada de folhas clorticas de orqudeas no Orquidrio do

    Parque farroupilha............................................................................................27

    Figura 12. Manuteno das placas de identificao das plantas no Orquidrio

    do Parque Farroupilha.......................................................................................28

    Figura 13. Excesso de sombreamento no Orquidrio do Parque Farroupilha.. 29 Figura 14. Folha atingida pela Alga Leaf Spot no Orquidrio do Parque

    Farroupilha........................................................................................................30

    Figura 15. Folhas atacadas por doenas fngicas no Orquidrio do Parque

    Farroupilha.........................................................................................................32

    Figura 16. Folhas atacadas por cochonilha no Orquidrio do Parque

    Farroupilha.........................................................................................................32

    Figura 17. Confeco de muda de orqudea do gnero Dendrobium spp no

    Orquidrio do Parque Farroupilha.....................................................................35

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    1. INTRODUO

    O estgio foi realizado no orquidrio do Parque Farroupilha, localizado

    no municpio de Porto Alegre, RS, durante o perodo de 08/01/2010 a

    08/03/2010 totalizando 300 horas de durao sob a orientao do Engenheiro

    Agrnomo Paulo Fialho Meireles da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de

    Porto alegre - SMAM.

    O estgio teve como objetivo propiciar acadmica um aprofundamento

    nos conhecimentos sobre o cultivo de orqudeas e auxiliar na melhoria do

    orquidrio com as prticas adquiridas no decorrer do curso de Agronomia.

    Bem como, vivenciar a rotina de manejo de uma coleo de Orqudeas

    destinada visitao pblica dentro de um parque municipal.

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    2. DESCRIO DO MEIO FSICO E SCIO-ECONMICO DA REGIO DE PORTO ALEGRE

    2.1 CLIMA

    O clima de Porto Alegre classificado como subtropical mido (Cfa,

    segundo Kppen), tendo como caracterstica marcante a grande variabilidade.

    A presena da grande massa de gua do lago Guaba contribui para elevar as

    taxas de umidade atmosfrica e modificar as condies climticas locais, com a

    formao de microclimas. O contnuo processo de cobertura da superfcie do

    terreno por edificaes e calamento tambm gera microclimas especficos,

    observando-se at 4C de variao trmica nas diferentes regies da cidade.

    As chuvas so bem distribudas, com a mdia anual permanecendo em

    torno de 1.300mm. Segundo a BBC Weather o ms mais chuvoso setembro,

    com mdia de 132 mm, e o mais seco novembro, com 79 mm. Janeiro e

    fevereiro tm a temperatura mdia mais alta do ano, chegando a 31C, e junho

    e julho a mais baixa, com 9C (PENTER, 2008).

    2.2 SOLOS

    Segundo o DIAGNSTICO AMBIENTAL DE PORTO ALEGRE (2008) os

    solos do municpio foram classificados conforme o Sistema Brasileiro de

    Classificao de Solos (Embrapa 1999), a fim de fornecer informaes que

    permitam um planjamento racional e um desenvolvimento equilibrado do uso

    de suas terras. As unidades identificadas como mostra a Figura 1 so:

    *Unidade 1 - Argissolos Vermelhos e Vermelho-Amarelos + Cambissolos

    Hplicos (Rg);

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Climahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Clima_subtropical_midohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Classificao_climtica_de_Kppen-Geigerhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Microclimahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Chuvahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Temperatura

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    *Unidade 2 - Argissolos Vermelhos e Vermelho-amarelos (PV);

    *Unidade 3 - Neossolos Litlicos e Regosslicos + Cambissolos Hplicos

    + Argissolos Vermelhos e Vermelho-amarelos (Rg/PV);

    *Unidade 4 - Planossolos + Gleissolos + Plintossolos + Neossolos

    Flvicos (Hid).

    Figura 1. Mapeamento das Unidades de Solo de Porto Alegre

    LEGENDA:

    PV 1: Grupo Indiferenciado de Argissolos Vermelo e Argissolos Vermelho

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    amarelos

    PV 2: Associao de Argissolos Vermelo ou Argissolos Vermelho amarelos com

    Cambissolos Hplicos

    CX: Associao Cambissolos Hplicos com Neossolos Litlicos ou Neossolos

    Regolticos

    SG1: Associao de Planossolos Hidromrficos, Gleissolos Hplicos e Plintossolos Argilvicos;

    SG2: Associao de Planossolos Hidromrficos, Gleissolos Hplicos e

    Neossolos Flvicos.

    G1: Associao de Gleissolos e Neossolos Flvicos;

    G2: Associao de Gleissolos, Planossolos e Tipos de Terreno; GX: Associao de Gleissolos Hplicos e Planossolos Hidromrficos

    RQ: Associao de Neossolos Quartzarnicos e Gleissolos; RU1: Neossolos Flvicos; RU2: Associao de Neossolos Flvicos e Tipos de Terreno.

    TT: Tipos de Terreno.

    2.3 ASPECTOS SCIO-ECONMICOS

    A capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre est inserida na

    regio fisiogrfica da depresso central. Possui uma rea de aproximadamente

    476 km, circundada por morros, possui plancies e limitada pela orla fluvial

    do lago Guaba.

    Faz divisa de municpio ao norte com os municpios de Triunfo, Nova

    Santa Rita, Canoas e Cachoeirinha; ao sul com Viamo e Lago Guaba (Barra

    do Ribeiro); ao leste com Alvorada e Viamo e a oeste com o lago Guaba

    (Eldorado do Sul, Guaba e Barra do Ribeiro).

    Porto Alegre possui uma populao de 1.436.123 habitantes, IBGE

    (2009) sendo a dcima cidade mais populosa do Brasil, com um PIB per capita

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    de 23.534 reais. O ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Porto Alegre

    de 0,865, 9 melhor qualidade de vida do pas. Segundo dados do IBGE, o PIB

    de Porto Alegre em 2007 era de 33,43 bilhes de reais e seu PIB per capita

    23.534 reais. De acordo com a ONU e o Instituto de Pesquisa Econmica

    Aplicada (IPEA) Porto Alegre teve em 2001 o melhor ndice de

    Desenvolvimento Humano (IDH) entre as metrpoles nacionais. Em agosto de

    2010 Porto Alegre foi a capital com o custo da cesta bsica mais elevado,

    chegando a 240,91 reais. Em vrios indicadores de custo de vida em 2009

    Porto Alegre ficou entre as capitais mais caras, como em servios e

    suprimentos domsticos, transporte, vesturio e calados, mas estava entre as

    mais baratas para lazer e entretenimento (PREFEITURA DE PORTO ALEGRE,

    2010).

    3. INSTITUIO DE REALIZAO DO ESTGIO

    O estgio foi realizado no orquidrio do Parque Farroupilha que

    vinculado Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) de Porto Alegre.

    Esta secretaria foi criada em 1976 e o rgo executivo responsvel pela

    proteo do sistema natural e pelo controle da qualidade ambiental no

    municpio. Historicamente, a SMAM priorizou a ampliao e a gesto de reas

    verdes urbanas.

    A partir da dcada de 90, estruturou-se para promover polticas de

    proteo ao meio implantvel e controlar as atividades impactantes. Atualmente

    o trabalho de fiscalizao da SMAM est centrado no Licenciamento Ambiental.

    O orquidrio do Parque Farroupilha foi inaugurado em 18 de setembro

    de 1953. Nos primeiros anos, o orquidrio contava com doaes de plantas de

    orquidfilos e tambm com orqudeas confiscadas pelo Instituto Brasileiro de

    Defesa Florestal IBDF (atual Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos

    Recursos Naturais Renovveis - IBAMA), as quais eram comercializadas

    ilegalmente.

    Atualmente o orquidrio conta com aproximadamente 1000 exemplares

    de 25 gneros diferentes.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/IDHhttp://pt.wikipedia.org/wiki/IBGEhttp://pt.wikipedia.org/wiki/PIBhttp://pt.wikipedia.org/wiki/PIB_per_capitahttp://pt.wikipedia.org/wiki/ONUhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_de_Pesquisa_Econmica_Aplicadahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_de_Pesquisa_Econmica_Aplicadahttp://pt.wikipedia.org/wiki/ndice_de_Desenvolvimento_Humanohttp://pt.wikipedia.org/wiki/ndice_de_Desenvolvimento_Humanohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Cesta_bsica

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    O orquidrio constitudo de uma estufa, uma sala para os funcionrios

    e uma sala para palestras. coordenado pelo Eng. Agr. Paulo Fialho Meireles

    e possui dois funcionrios responsveis pela organizao e manuteno.

    OBJETIVOS DO ORQUIDRIO GASTO DE OLIVEIRA SANTOS:

    Reunir pessoas que gostem de orqudeas;

    Preservar a famlia Orchidaceae;

    Transmitir ensinamentos sobre o cultivo;

    Realizar exposies florais;

    Ministrar cursos sobre orqudeas;

    Opo de lazer aos usurios do parque farroupilha, sendo aberto

    visitao diria;

    4. REVISO BIBLIOGRFICA SOBRE ORQUDEAS

    As orqudeas so todas as plantas que compem a famlia Orchidaceae, pertencente ordem Aspargales uma das maiores famlias de plantas

    existentes com mais de 25 000 espcies registradas at o momento. O Termo

    Orchis, que significa testculos, foi usado pela primeira vez por Theophrastus

    (C. 372 - 287 a.C.), filsofo grego, discpulo de Aristteles. Theophrastus

    comparou as razes tuberosas de algumas orqudeas mediterrneas com os

    testculos humanos. Por este motivo, desde a Idade Mdia, propriedades

    afrodisacas so atribudas as orqudeas.

    As orqudeas so geralmente cultivadas pela beleza, exotismo e

    fragrncia de suas flores. Embora seu cultivo venha da poca de Confucius (C.

    551 - 479 a.C), a sua comercializao teve incio na Europa no final do sculo

    XVIII. Hoje, uma indstria moderna envolve centenas de milhares de dlares

    anualmente em todo o mundo, sobretudo na sia, Europa e Estados Unidos.

    Algumas plantas so comercializadas no por sua beleza, mas devido ao

    uso na alimentao humana. A mais importante para a indstria a baunilha,

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    como so conhecidas algumas espcies do gnero Vanilla, largamente

    utilizadas na aromatizao de bolos, sorvetes, balas e doces. Outro exemplo

    o Salepo, um lquido turvo, rico em mucilagem e de sabor adocicado, extrado

    das razes tuberosas de algumas espcies. Por muitos sculos, na Prsia e

    Turquia, vem sendo utilizado no preparo de uma saborosa bebida quente e

    tambm como espessante para sorvetes (INSTITUTO DE PESQUISAS

    JARDIM BOTNICO DO RIO DE JANEIRO, 2010).

    A famlia Orchidaceae existe em todos os continentes, exceto na

    Antrtida, predominando nas reas tropicais. Segundo o instituto de Pesquisas

    do Jardim Botnico do Rio de Janeiro o Brasil um dos pases mais ricos em

    orqudeas, comparvel somente Colmbia e ao Equador. Estudos recentes

    registram cerca de duas mil e trezentas espcies no territrio brasileiro.

    H orqudeas com as mais variadas dimenses, desde plantas extremamente pequenas, com flores do tamanho de uma cabea de alfinete

    at plantas com mais de trs metros de altura, capazes de produzir hastes

    florais de comprimento superior a quatro metros. Formas to diferente podem

    ser englobadas numa nica famlia devido ao fato de possurem uma estrutura

    floral idntica. Numa flor tpica da orqudea h sempre trs spalas (verticilo

    externo) e trs ptalas (verticilo Interno), embora algumas destas partes

    possam aparecer fundidas ou bastante reduzidas. Uma das ptalas, o labelo,

    diferente das outras, quase sempre maior e mais vistoso; geralmente a flor

    cresce de tal modo que o labelo o segmento inferior. Projetando-se do centro

    da flor, surge um rgo carnudo e claviforme, o ginostmio ou coluna, como

    resultado da fuso dos rgos masculinos (estames) e femininos (carpelos).

    Este conjunto caracteriza uma orqudea. A antera localiza-se no extremo da

    coluna e contm os gros de plen, agrupados em dois a oito massas, chama-

    das polneas. Imediatamente abaixo da antera fica uma pequena depresso de

    superfcie viscosa, o estigma, ou rgo receptivo feminino, no qual as polneas

    so depositadas durante a polinizao. Sob a coluna est o ovrio, que, aps a

    fecundao, se desenvolve e forma uma cpsula contendo sementes. Uma

    nica cpsula de orqudea pode conter um milho de sementes, to finas como

    o p de talco (INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTNICO DO RIO DE

    JANEIRO, 2010).

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    Majoritariamente epfitas, as orqudeas crescem sobre as rvores

    usando-as somente como apoio para buscar luz no so plantas parasitas

    nutrindo-se apenas de material em decomposio que cai das rvores e

    acumula-se ao emaranhar-se em suas razes. Dependendo do local onde

    vivem as orqudeas so divididas em quatro grandes grupos:

    Epfitas: so aquelas que se desenvolvem sobre as rvores, mas

    usando-as apenas como suporte, ou seja, como local onde possam receber

    nveis adequados de luz. Isto mostra que as orqudeas no so parasitas,

    como muitas pessoas acreditam.

    Terrestres: crescem sobre o solo, ao qual fixam suas carnosas razes e

    buscam seus nutrientes.

    Rupcolas: vivem sobre pedras, a pleno sol. Muitas vezes protegem a

    ponta das razes mergulhando-as por baixo do limo que nasce nas fendas das

    rochas. Mas no raro ver orqudeas deste tipo vivendo sobre rochas quentes,

    sem que a insolao provoque danos s razes.

    Saprfitas: muito raras, so desprovidas de clorofila e sobrevivem

    de restos vegetais ou animais em decomposio. Elas encontram muitas

    formas de reproduo: na natureza, principalmente pela disperso das

    sementes mas em cultivo pela diviso de touceiras, semeadura in-vitro ou

    meristemagem (SILVA, 2005).

    As orqudeas possuem dois tipos de crescimento:

    SIMPODIAIS: so as plantas que apresentam crescimento limitado, ou

    seja, aps o termino do crescimento de um caule ou pseudobulbo, o novo

    broto desenvolve-se formando o rizoma e um novo pseudobulbo, num

    crescimento contnuo (Figura 2). MONOPODIAIS: so plantas com

    crescimento ilimitado, ou seja, com crescimento contnuo (Figura 3). Suas

    folhas so lineares, rgidas e carnosas, muitas vezes sulcadas ou semi-

    cilndricas e dispostas simetricamente no caule da planta (NEVES, 2008).

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Sementehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Cultivohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Touceirahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Meristema

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    Figura 2. Orqudea com crescimento simpodial

    Fonte: PUC-CAMPINAS (2010)

    Figura 3. Orqudea com crescimento monopoidal

    Fonte: PUC-CAMPINAS (2010)

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    Dentre os mtodos de propagao a cultura de tecidos

    frequentemente utilizada para a propagao clonal em massa de hbridos e

    espcies de orqudeas, possibilitando a obteno de plantas de alta qualidade

    fitossanitria em curto perodo de tempo (ARDITTI e ERNST, 1993).

    A cultura assimbitica ou semeadura in vitro, de orqudeas, constitui

    tcnica bastante relevante do ponto de vista comercial e tambm ecolgico.

    As plantas produzidas desta forma so altamente interessantes para

    programas de reintroduo de espcies nativas em reas de preservao

    ambiental. A cultura assimbitica resulta em maiores percentuais de

    germinao, em comparao com a germinao em condies naturais, a qual

    dependente da infeco por fungos micorrzicos, simbiontes muitas vezes

    espcie-especficos (MARTINI, 2001).

    A propagao atravs de sementes uma tcnica mais adequada para

    condies de laboratrio como a esterilidade absoluta necessria para o

    sucesso das sementes de orqudeas que so semelhantes ao p ao contrrio

    de sementes normais.

    A propagao tambm feita atravs de keikis que so pequenas

    plantas que se desenvolvem em pseudobulbos, tipo canas antigas, que devem

    ser destacados quando tiverem dois ou trs pseudobulbos e razes de 5 a 10

    cm. Essas mudas so idnticas planta me, portanto, esse mtodo utilizado

    para a propagao de: Phalaenopsis, Vanda e Dendrobium.

    A forma de cultivo de orqudeas, em qualquer lugar do mundo, procura

    reproduzir o ambiente do hbitat natural das plantas. Inicialmente utilizava-se

    xaxim como substrato de cultivo (atualmente proibido), sendo este, substitudo

    por fibra de coco ou casca de accia. Um dos mtodos mais utilizados para o

    cultivo de orqudeas atravs da construo de um ripado ou telado que corte

    a luz solar em mais ou menos 50%, em local no sujeito a geadas ou ventos

    excessivos. Ter-se- construdo assim um micro-ambiente de condies ideais

    para o cultivo dessas plantas. Tambm ocorre o cultivo de orqudeas em

    estufas (preferencialmente no sul do pas), para proteo das plantas contra as

    geadas que ocorrem no inverno. Em outras reas do pas as estufas so

  • 18

    usadas como ambiente moderador. Suas vantagens so: controle de rega, luz,

    melhor proteo contra pragas, temperatura e umidade mais estveis (SILVA,

    2005).

    Como nenhuma outra famlia de plantas, as orqudeas despertam

    interesse em colecionadores que se ajuntam em associaes orquidfilas,

    presentes em grande parte das cidades por todo o mundo. Estas sociedades

    geralmente apresentam palestras frequentes e exposies de orqudeas

    peridicas, contribuindo muito para a difuso do interesse por estas plantas e

    induzindo os cultivadores profissionais a reproduzir artificialmente at espcies

    que poucos julgariam ter algum valor ornamental, contribuindo para diminuir a

    presso sobre a coleta das plantas ainda presentes na natureza.

    5. ATIVIDADES REALIZADAS NO ESTGIO

    5.1 IDENTIFICAO E CARACTERIZAO DOS GNEROS DE ORQUDEAS MAIS IMPORTANTES EXISTENTES NO ORQUIDRIO

    DENDROBIUM SPP

    Composto por aproximadamente 1000 espcies, distribudas desde a

    ndia e Sri-Lanka at o Japo, Filipinas, Malsia, Indonsia e chegando a

    Papua, Nova Guin, Austrlia e Nova Zelndia. Como todo grande gnero,

    possui quatro subgneros e 41 sees, para tornar a determinao das

    espcies mais fcil. A maioria das espcies epfita, porm difcil determinar

    caractersticas vegetativas para todo gnero, visto que existem espcies com

    pseudobulbos lineares, outras com rolios e outras com formato terete. O

    mesmo acontece com as hastes, que podem ser uniflorais ou multiflorais,

    laterais ou apicais, e com as flores que podem ser pequeninas ou grandes, de

    todas as cores imaginveis (menos preta). Possuem as spalas juntas base

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Colecionadorhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Coleta

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    da coluna.

    As condies de cultivo variam de acordo com a regio de origem das

    espcies. Portanto, antes de cultivar qualquer espcie de Dendrobium (Figura

    4) necessrio conhecer sua origem e condies de seu habitat.

    Existem algumas regras que podem ser empregadas para todas as

    espcies, que so: boa circulao de ar, boa luminosidade, rega constante

    durante o perodo de crescimento vegetativo e, durante o perodo de

    dormncia, somente umidade ambiente ou gua suficiente para que os

    pseudobulbos no desidratem. Principais espcies: Den. amethystoglossum, Den. anceps, Den. atroviolaceum, Den. bellatulum, Den. canaliculatum, Den.

    chrysotoxum, Den. cruentum, Den. crumenatum, Den. cuthbertsonii, Den.

    dearei, Den. discolor, Den. forbesii, Den. finisterrae, Den. harveyanum, Den.

    infundibulum, Den. kingianum, Den. lawesii, Den. leonis, Den. lindleyi (ex

    agregatum), Den. lineale, Den. macrophyllum, Den. nobile, Den. p

    seudoglomeratum, Den. polysema (NEVES, 2008).

    Figura 4. Orqudeas do gnero Denbrobium spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

    CYMBIDIUM SPP um gnero composto por 44 espcies, distribudo pela sia e Austrlia.

  • 20

    As espcies so geralmente terrestres ou epfitas, porm algumas tambm so

    rupcolas e podem facilmente ser reconhecidas por seus pseudobulbos

    proeminentes com vrias folhas lineares. Plantas bastante florferas, com flores

    de labelo trilobado, com calosidade central. Todas as espcies possuem duas polneas.

    Estas espcies so bastante utilizadas para hibridao de flores para

    corte, sendo que as espcies chinesas e indianas so as mais utilizadas. As

    plantas desenvolvem-se vigorosamente e devem ser regadas e fertilizadas com

    freqncia. Necessitam de muita luminosidade, porm no apreciam o pleno

    sol.

    As espcies com flores grandes, espalhadas desde o Himalaia at a

    China, requerem um perodo de frio para iniciar a florao, sendo que a

    temperatura noturna no deve passar de 12 C e a rega devem ser reduzidas.

    Exige uma combinao de adubos orgnicos e qumicos. Estas espcies

    (Figura 5) geralmente so vigorosas e cultivadas em grandes vasos. As

    espcies terrestres com flores pequenas encontradas no Himalaia, China e

    Japo, no requerem um perodo de frio to extenso e pronunciado, sendo que

    devem ser cultivadas sob temperaturas baixas a intermedirias por todo o ano.

    Espcies tropicais com flores pequenas devem ser cultivadas sob o calor

    durante todo o ano e no necessitam de um perodo de frio pronunciado. Estas

    espcies possuem flores em hastes pendentes e por isso so mais bem

    cultivadas em cacheps (NEVES, 2008).

  • 21

    Figura 5. Orqudea do gnero Cymbidium spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha Fonte: KTIA HUBER (2010)

    ONCIDIUM SPP Este mais um dos grandes gneros, com aproximadamente 600

    espcies distribudas por toda a Amrica tropical, desde o Mxico at o norte

    da Argentina. Caracteriza-se por grande diversidade morfolgica de suas

    espcies, porm de forma geral possui pseudobulbos semelhantes aos das

    Miltonias e Odontoglossum, com hastes florais provenientes da base dos

    pseudobulbos (Figura 6). Nos quais se encontram duas folhas. Suas flores

    sempre so de cores predominantemente amarela ou marrom com pintas e sua

    maior caracterstica a presena de calosidade na parte distal do labelo, alm

    de possuir junto ao estigma, duas salincias semelhantes a duas asas. Seu

    labelo origina-se na base da coluna. Possuem duas polneas.

    A grande maioria das espcies epfita, porm existem tambm

    espcies terrestres e rupcolas. Podem ser encontradas em regies com

    altitudes que variam desde o nvel do mar at 4000 metros, sempre em

    florestas midas. Devem ser cultivadas em estufas de clima intermedirio, em

  • 22

    vasos de barro ou plstico sempre com excelente drenagem sempre com gua

    abundante durante todo o ano. Principais espcies: Onc. ampliatum, Onc.

    barbatum, Onc. baueri, Onc. bicolor, Onc. bifolium, Onc. cebolletae, Onc.

    cheirophorum, Onc. concolor, Onc. crispum, Onc. divaricatum, Onc.

    enderianum, Onc. fimbriatum, Onc. flexuosum, Onc. forbesii, Onc. gardnerii,

    Onc. hastatum, Onc. hastilabium, Onc. lanceanum, Onc. leinigii, Onc. luridum,

    Onc. nubigenum, Onc. onustum, Onc. ornithorhynchum, Onc. planilare, Onc.

    sarcodes, Onc. silvanum, Onc. spiopterum, Onc. stacyi, Onc. stenotis, Onc.

    tiyrinum, Onc. varicosum. Crescem nas reas ensolaradas das florestas, sobre

    ramos e gravetos de rvores (NEVES, 2008).

    Figura 6. Orqudea do gnero Oncidium spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

    COELOGYNE SPP

    Embora asitico, muito cultivado no Brasil (Figura 7). Epfita de

    crescimento simpodial, com mais de 100 espcies, para uma boa florao

  • 23

    necessitam de uma diferena de, no mnimo, 10 graus de temperatura entre o

    dia e a noite. Como suas hastes florais surgem em pocas de chuva, deve-se

    proteger a planta da chuva sob pena dos botes apodrecerem (NEVES, 2008).

    Figura 7. Orqudea do gnero Coelogyne spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010) BIFRENRIA SPP

    Gnero que foi subdividido e conta com aproximadamente 6 espcies,

    distribudas pelo Brasil. As plantas do gnero caracterizam-se por possurem

    pseudobulbos ovide-quadrangulares, com uma ou duas folhas levemente

    fibrosas. As flores crescem a partir da base dos pseudobulbos em hastes

    uniflorais (Figura 8). So espcies epfitas, que crescem em florestas tropicais

    midas, em locais com altitude de 200 a 700 metros. A maior parte das

    espcies est concentrada no sudeste brasileiro e possui flores grandes e em

    pequeno nmero. Devem ser cultivadas em temperaturas intermedirias, com

    boa umidade e luz. So plantas de fcil cultivo, porm com pouca florao.

    Principais Espcies: B. tropurpurea, B. harrisoniae, B. tetrgona, B. thyriantina

  • 24

    (NEVES, 2008).

    Figura 8. Orqudea do gnero Bifrenria spp no Orquidrio do Parque

    Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

    CATTLEYA SPP

    Etimologia: em homenagem a WILLIAM CATTLEY, horticulturista ingls

    do sculo XIX. Este um gnero composto por aproximadamente 48 espcies,

    distribudas por toda a Amrica tropical. Caracteriza-se por possuir

    pseudobulbos cilndricos com vrios ndulos, com folhas apicais e carnudas

    (Figura 9). As espcies so normalmente epfitas, ocorrendo em florestas

    midas em altitudes que variam do nvel do mar at 1500 metros de altitude. A

    maioria das espcies encontrada no alto de grandes rvores e deve ser

    cultivada sob condies intermedirias, com boa umidade ambiente.

    Podem ser separadas em dois grupos: um formado por plantas

    bifoliadas e outro por plantas unifoliadas. Este ltimo com espcies cujas flores

    normalmente so maiores e em menor nmero, enquanto as bifoliadas

    possuem geralmente flores menores em maior nmero. Principais espcies: C.

  • 25

    aurantiaca, C. bicolor, C. dowiana, C. guttata, C. intermdia, C. labiata, C.

    loddigesii, C. lueddemanniana, C. mossiae, C. mxima, C. nobilior, C.

    percivaliana, C. schilleriana, C. trianae, C. walkeriana, C.warneri, C.

    warscewiczii, C. eldorado (NEVES, 2008).

    Figura 9. C. guttata x C. labiata no Orquidrio do Parque Farroupilha

    Fonte: LUIS SOUZA (2008)

    PHALAENOPSIS SPP

    O gnero compreende cerca de 50 espcies epfitas, ocasionalmente

    rupcolas, distribudas por toda a sia tropical, desde o sul da ndia at o leste

    de Papua, Nova Guin e do norte da China e Taiwan at o sul da Austrlia. So

    plantas monopodiais, com folhas largas e suculentas, de porte pequeno, com

    grossas e suculentas razes. As inflorescncias so produzidas por entre as

    folhas, com hastes florais que possuem apenas poucas flores at espcies com

    hastes com mais de 100 flores, com vrias cores e formas. Todas as espcies

    possuem labelo trilobado.

    As Phalaenopsis (Figura 10) constituem um dos gneros mais

  • 26

    cultivados, tanto por colecionadores como por horticultores, principalmente para

    o mercado de flores de corte, visto que suas plantas possuem crescimento

    rpido e suas flores so muito durveis e tambm porque algumas espcies

    podem passar diversos meses em florao contnua. Devem ser cultivadas em

    vasos com substrato que retenha umidade, uma vez que, por no possurem

    pseudobulbos, no tm mecanismos para armazenagem de gua.

    O vaso ideal o de plstico. Alm disso, devem ser cultivadas com

    pouca luminosidade e muita circulao de ar, pois deste modo voc conseguir

    floraes mais belas e abundantes e reduzir a incidncia de pragas e

    doenas. Principais espcies: Phal. amabilis, Phal. aphrodite, Phal. Cornucervi,

    hal. fasciata, Phal. hieroglyphica, Phal. lobbii, Phal. Lueddemanniana, Phal.

    manii, Phal. mariae, Phal. sanderiana, Phal. schilleriana, Phal. violcea.

    (NEVES, 2008).

    Figura 10. Orqudea do gnero Phalaenopsis spp Orquidrio do Parque

    Farroupilha Fonte: KTIA HUBER (2010)

  • 27

    DEMAIS ATIVIDADES REALIZADAS

    No primeiro dia de estgio procurou-se conhecer as instalaes do

    orquidrio e de que maneira o manejo dirio era realizado, atravs da

    orientao dos funcionrios do Orquidrio.

    Aps a primeira semana de adaptao e realizao das tarefas

    indicadas pelo funcionrio. Procurou-se observar de maneira mais crtica o

    trabalho que estava sendo feito e o meio em que as orqudeas estavam sendo

    cultivadas. Portanto atravs de pesquisas a bibliografias e conversas com o

    Engenheiro Agrnomo foram sugeridas alternativas para um melhor manejo e

    melhoramento do orquidrio. Alm disso, o funcionrio que atuava no

    orquidrio era novo na funo.

    Inicialmente foi recomendado pelo funcionrio recolher e varrer as folhas

    cadas nas bancadas e no cho impossibilitando assim que fungos e bactrias

    permanecessem no local para posterior contaminao das orqudeas. As

    plantas com folhas clorticas eram removidas (Figura 11).

    Figura 11. Retirada de folhas clorticas de orqudeas no Orquidrio do

    Parque farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

  • 28

    Muitas plantas encontravam-se sem as placas de identificao ou

    apagadas (Figura 12). Portanto confeco de novas placas foi feita pela

    estagiria. Portanto esse trabalho permitiu uma maior familiaridade com os

    gneros existentes e a observao das condies fitossanitrias das plantas.

    Figura 12. Manuteno das placas de identificao das plantas no Orquidrio

    do Parque Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

    Dentre as atividades a rega era realizada diariamente em virtude das

    altas temperaturas do vero de 2010. Porm, muitos vasos encontravam-se

    muito encharcados e assim prejudicando o desenvolvimento das orqudeas

    ento a estagiria seguindo uma recomendao do Crculo Gacho dos

    Orquidfilos sugeriu que as regas fossem realizadas um dia sim outro no

    juntamente com a verificao do substrato para verificar se o mesmo

    encontrava- se mido.

    O orquidrio encontrava-se muito sombreado (Figura 13) e com a

    presena marcante de musgos nas bancadas e at mesmo no piso o deixando

    em muitas partes escorregadio. Esse excesso de sombreamento gerava

    umidade em excesso que era o catalisador para doenas fngicas e algas. A

    estagiria sugeriu a poda das rvores de eucaliptos acima do orquidrio. Essa

    solicitao foi aceita pelo Engenheiro Agrnomo, porm a equipe de poda de

    rvores de grande porte no estava disponvel no momento, mas o pedido ficou

  • 29

    na lista de espera de servios do parque.

    Figura 13. Excesso de sombreamento no Orquidrio do Parque Farroupilha Fonte: KTIA HUBER (2010)

    5.2 TRATAMENTOS FITOSSANITRIOS

    O excesso de umidade do local o tornava propicio para o surgimento de

    algas em orqudeas do gnero Phaius tankervilleae. A alga encontrada conhecida como Algal Leaf Spot (Figura 14) e tem como agente causador:

    Cephaleuros virescens Kunze.

    Esta anlise foi feita no laboratrio de fitopatologia da UFRGS com o

    auxilio do professor Valmir Duarte.

  • 30

    Figura 14. Folha atingida pela Alga Leaf Spot no Orquidrio do Parque

    Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

    O controle dessa alga foi realizado com a retirada das folhas afetadas e

    aplicao de Calda bordalesa.

    A calda bordalesa um produto base de sulfato de cobre, cal hidratada e gua. A frmula utilizada foi a seguinte: 5g de sulfato de cobre, 5g de cal

    hidratada, 1 litro de gua.

    Para o preparo da calda foram utilizados dois recipientes plsticos. O

    sulfato de cobre e a cal hidratada foram dissolvidos separadamente.

    Primeiramente foi colocado no pulverizador a soluo de sulfato de cobre e em

    seguida a de cal hidratada. Recomenda-se aplicar imediatamente, atendendo a

    uma temperatura de 25 C ou menos e umidade relativa do ar acima de 60%.

    (NEVES, 2008)

    Muitas das plantas existentes no orquidrio principalmente as do gnero

    dendrobrium ssp apresentavam manchas em suas folhas, com aspectos

    circulares formadas por diversos anis pretos, caracterizando assim presena

    de doena fngica (Figura 15), Pythium ultimum e Phytophthora cactorum

    (GIORIA, 2008). Estas plantas receberam o tratamento com calda bordalesa.

  • 31

    Figura 15. Folhas atacadas por doenas fngicas no Orquidrio do Parque

    Farroupilha Fonte: KTIA HUBER (2010)

    Figura 16. Folhas atacadas por cochonilha no Orquidrio do Parque

    Farroupilha Fonte: KTIA HUBER (2010)

  • 32

    As plantas com cochonilhas (Dactylopius coccus) (Figura 16) foram

    tratadas com: 1 litro de leo mineral leve juntamente com 150g de sabo neutro

    mais litro de gua.

    O sabo foi cortado em pedaos e dissolvido na gua quente. Aps foi

    adicionado o leo mineral aos poucos, at a total homogeneizao. O produto

    foi dissolvido em 25 litros de gua e pulverizado (FURLAN, 2009).

    Para o controle de insetos o funcionrio utilizava uma mistura de gua

    em uma garrafa PET de dois litros com baganas de cigarro. Segundo ele

    relatou o fumo do cigarro repelia os insetos. Ento a estagiria recomendou a

    frmula, descrita abaixo, que utilizava tambm o fumo como ingrediente

    principal. Alm disso, este tratamento bastante utilizado por orquidfilos.

    Calda de fumo (Inseticida) Ferve-se 100g de fumo de rolo picado em um litro e meio de gua,

    acrescentando-se uma colher de ch de sabo de coco em p e borrifam-se as

    plantas infectadas (NEVES, 2008).

    5.3 ADUBAO

    Para a fase de crescimento das mudas o adubo recomendado deve

    conter mais nitrognio: (30- 10-10) ou (20-8-8). Para a fase de crescimento

    geral pode-se utilizar o (20- 20-20) j no perodo que antecede a florao

    utiliza-se a frmula que contenha mais fsforo (CRCULO GACHO DOS

    ORQUIDFILOS, 2010).

    Nas plantas adultas foram utilizados 5 ml de adubo NPK liquido (18-18-

    18) diludo em 1 litro de gua e pulverizado sobre toda a planta. Essa aplicao

    foi repetida a cada 15 dias.

    O ideal que ocorra adubao apenas nos meses quentes ou quando as

    orqudeas esto em pleno desenvolvimento vegetativo, usando NPK para

    adubao (SILVA, 2005).

  • 33

    5.4 CONFECES DE MUDAS DE DENDROBIUM SPP

    No perodo do estgio foram confeccionadas 30 mudas da orqudea do

    gnero dendrobium spp que a mais abundante do orquidrio.

    A confeco de mudas foi realizada colocando-se isopor no fundo do

    pote de plstico seguido de casca de coco como principal substrato e brita.

    As espcies de dendrobium so facilmente reproduzidas por um mtodo

    extremamente fcil e bem popular de propagao que atravs dos keikis, que

    so pequenas plantas que se desenvolvem em pseudobulbos, tipo canas

    antigas, que devem ser destacados quando tiverem dois ou trs pseudobulbos

    e razes de 5 a 10 cm.

    Essas mudas so idnticas planta me. A diviso das plantas, ao

    replantar, no um bom mtodo de reproduo. Se a diviso feita com um

    rizoma muito curto, o choque da planta pode ser muito grande. A tendncia

    moderna replantar e deixar um intervalo de umas trs semanas antes de

    fazer a diviso no prprio vaso e no regar dentro de uma semana.

    Como em todas as orqudeas simpodiais, a regra dos trs pseudobulbos

    deve ser seguida. Isto produz um melhor efeito esttico e as flores sero de

    melhor qualidade (BAKER, 2007).

  • 34

    Figura 17. Confeco de muda de orqudea do gnero Dendrobium spp no

    Orquidrio do Parque Farroupilha

    Fonte: KTIA HUBER (2010)

    5.5 CONTROLE DE AEDES EGYPTI ( MOSQUITO DA DENGUE)

    Como no ano de 2008 a vigilncia sanitria verificou a presena da larva

    do mosquito da dengue (Aedes aegypti) nas bromlias no entorno do

    orquidrio, foi realizado o controle deste mosquito. Para a realizao deste

    controle, foi utilizada uma soluo de gua sanitria (hipoclorito) diluda em

    gua comum. Essa soluo era constituda de seis tampas cheias de gua

    sanitria misturada com quatro litros de gua comum. A aplicao ocorria uma

  • 35

    vez por semana no incio da tarde, atravs de um pulverizador disponvel no

    orquidrio.

    5.6 ATENDIMENTO AO PBLICO

    Durante o estgio os frequentadores do parque consultavam os tcnicos

    e a estagiria para tirar dvidas sobre a identificao de espcies, gneros e

    principalmente como realizar o manejo das orqudeas que possuam em casa.

    As escolas que visitavam o parque tambm recebiam um acompanhamento e

    informaes bsicas, porm mais relacionadas ecologia e a preservao das

    plantas.

    5.7 PARTICIPAO EM CURSO

    A SMAM juntamente com o Crculo Gacho de Orquidfilos realizou um curso no orquidrio do parque sobre o manejo e conservao de orqudeas e

    teve como palestrantes: um Engenheiro Agrnomo e trs Orquidfilos.

    Os assuntos abordados abrangeram formas de cultivo como: adubao,

    confeco de mudas e tratamentos fitossanitrios.

    6. CONCLUSES

    Na realizao do estgio os objetivos propostos foram atingidos. Dentre

    eles, adquirir maior intimidade com o universo das orqudeas seguido da

    necessidade constante de pesquisa bibliogrfica.

    O estgio tambm propiciou a experincia do trabalho em equipe e

    aplicao de novas propostas e mtodos de manejos no empregados

    anteriormente.

    O Engenheiro Agrnomo orientador conferiu autonomia a estagiria para

  • 36

    programar suas atividades o que tornou o estgio mais produtivo e

    enriquecedor.

    A burocracia que ainda existe em empresas pblicas e assim dificulta o

    trabalho. Como exemplo disso: a solicitao de poda das rvores de grande

    porte presentes no orquidrio ficou na lista de espera sem data definida para

    realizao do trabalho.

    7. ANLISE CRTICA DO ESTGIO

    Fui muito bem recebida pela direo do parque e funcionrios que

    demonstraram boa vontade e interesse ao ouvir as minhas crticas, dvidas e

    recomendaes.

    A grande rotatividade de funcionrios no orquidrio prejudica o seu

    andamento, pois os trabalhos muitas vezes iniciados por uma equipe ficam

    inacabados.

    O tempo de trabalho dos funcionrios no orquidrio poderia ser mais

    bem utilizado.

    A falta de apoio financeiro por parte dos rgos pblicos gera

    dificuldades como a falta de ferramentas e insumos (fertilizantes) para um

    melhor manejo do orquidrio.

    8. BIBLIOGRAFIA

    ARDITTI, J.; ERNST, R. Micropropagation of orchids. New York , 682p.

    1993.

    BAKER, M. L. ; BAKER, C. O. Orchid Species Culture: Dendrobium, 2007.

    CRCULO GACHO DE ORQUIDFILOS. Disponvel na internet em:

    http://www.orquideas-cgo.com.br/ . Acesso 18 jan. 2010.

    http://www.orquideas-cgo.com.br/

  • 37

    FURLAN, M. R. Revista Tempo Verde, ano XX, N 150. 15p, 1997.

    GIORIA, R. Pragas e Doenas na Orquidofilia, 2008. Disponvel na internet em:

  • 38

    2.1 CLIMA2.2 SOLOS2.3 ASPECTOS SCIO-ECONMICOS3. INSTITUIO DE REALIZAO DO ESTGIO4. REVISO BIBLIOGRFICA SOBRE ORQUDEAS5. ATIVIDADES REALIZADAS NO ESTGIO5.2 TRATAMENTOS FITOSSANITRIOS5.3 ADUBAO5.4 CONFECES DE MUDAS DE DENDROBIUM SPP5.5 CONTROLE DE AEDES EGYPTI ( MOSQUITO DA DENGUE)5.6 ATENDIMENTO AO PBLICO5.7 PARTICIPAO EM CURSO

    6. CONCLUSES7. ANLISE CRTICA DO ESTGIO8. BIBLIOGRAFIA