Revista Liberdades Ed Especial 01

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  • Revista LiberdadesEdio Especial - Dezembro de 2011 ISSN 2175-5280

  • Revista Liberdades - Edio Especial - dezembro de 2011 2

    EXPEDIENTEInstituto Brasileiro de Cincias Criminais

    DIRETORIA DA GESTO 2011/2012

    Presidente: Marta Saad

    1 Vice-Presidente: Carlos Vico Maas

    2 Vice-Presidente: Ivan Martins Motta

    1 Secretria: Maringela Gama de Magalhes Gomes

    2 Secretrio: Helena Regina Lobo da Costa

    1 Tesoureiro: Cristiano Avila Maronna

    2 Tesoureiro: Paulo Srgio de Oliveira

    CONSELHO CONSULTIVO:

    Alberto Silva Franco, Marco Antonio Rodrigues Nahum, Maria Thereza Rocha de Assis Moura, Srgio Mazina Martins e Srgio Salomo Shecaira

    Publicao do Departamento de Internet do IBCCRIM

    DEPARTAMENTO DE INTERNETCoordenador-chefe:Joo Paulo Orsini Martinelli

    Coordenadores-adjuntos:Camila Garcia da SilvaLuiz Gustavo FernandesYasmin Oliveira Mercadante Pestana

    Conselho Editorial da Revista LiberdadesAlaor LeiteCleunice A. Valentim Bastos Pitombo Daniel Pacheco PontesGiovani SaavedraJoo Paulo Orsini MartinelliJos Danilo Tavares LobatoLuciano Anderson de Souza

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    EDITORIAL

    REVISTA LIBERDADES: UM ESPAO CADA VEZ MAIS PLURAL

    Com imensa satisfao, o Instituto Brasileiro de Cincias Criminais apresenta, neste ano de 2011, a primeira Edio Especial da Revista Liberdades, idealizada e organizada em virtude do 17 Seminrio Internacional promovido pelo Instituto.

    Sabe-se que o grande trunfo deste significativo evento, o maior e mais importante no mbito das Cincias Criminais, reunir importantes nomes no apenas do universo jurdico, mas tambm de reas diversas das cincias humanas, como a Sociologia, a Filosofia e at a Literatura, visto que o Seminrio destina-se ao debate e difuso de conhecimentos cientfico-criminais interdisciplinares.

    Deste modo, as reflexes decorrentes deste encontro permeiam no somente aspectos da dogmtica penal, mas, efetivamente, todas as possibilidades que podem advir de uma anlise pluralista das questes trazidas nas palestras e nas audincias pblicas. Atravs da realizao deste significativo evento, h quase duas dcadas o IBCCRIM coloca o Brasil no mapa dos grandes pases que pensam e reinventam o Direito Criminal.

    Partindo dessa vocao agregadora, que caracterstica do prprio Instituto, percebeu-se que o Seminrio no poderia ficar restrito somente semana na qual ele ocorre. Era necessrio expandir e alimentar os debates, dando a possibilidade de maior interao entre os juristas.

    A busca pelo ideal democrtico passa ampla e desburocrtica divulgao de produes acadmicas que visam a proteo dos valores constitucionais. Na Era da Tecnologia de Comunicao, torna-se cada vez mais rduo o trabalho de selecionar trabalhos com o mais alto nvel de qualidade, sobretudo, quando se tem em mente o grau de complexidade que nossa sociedade hoje atinge, levando a problemticas nunca antes trabalhadas.

    Nasce, portanto, esta Edio Especial da Revista Liberdades, que busca reunir estudiosos das mais diversas esferas do meio jurdico, desde o estudante da graduao, at o Ministro da Corte Suprema de seu respectivo pas. Nela so abordados temas igualmente distintos, como o Direito Romano Penal; a relao entre o Direito e a sade mental; questes sobre o processo de extradio

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    no Brasil; a discusso sobre a ilegalidade dos meios usados para combater o terrorismo; e a anlise da relao entre a sociedade e as armas.

    Essa pluralidade, sem qualquer resqucio de dvida, o norte desta Revista. Os pensamentos navegam pelo mar do conhecimento com a propriedade que garantem Revista Liberdades, hoje, a posio de uma das mais importantes publicaes jurdicas do pas.

    A troca de ideias promovida pelo Seminrio Internacional, assim, prolonga-se, contribuindo, desta maneira, para o amadurecimento dos estudos cientficos jurdicos em nosso Pas.

    So Paulo, 15 de dezembro de 2011.

    rica Akie Hashimoto

    Renato Watanabe de Morais

    (Organizadores da Edio Especial da Revista Liberdades)

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    SUMRIO

    EDITORIALRevista Liberdades: um espao cada vez mais plural_________________03

    ENTREVISTASrica Akie Hashimoto entrevista MARIA JOO ANTUNES______________07

    Renato Watanabe de Morais entrevista EUGENIO RAL ZAFFARONI____17

    ARTIGOSEnsaio sobre o significado dogmtico da acessoriedade administrativa nos delitos ambientais______________________________________________23rika Mendes de Carvalho

    Os direitos (fundamentais) dos estrangeiros na execuo penal, desde o paradigma neoconstitucionalista__________________________________47Eric Guilherme Ferreira de Carvalho

    Os mtodos ilegais de combate ao terrorismo praticados pela CIA e suas implicaes nos direitos humanos________________________________71Gabriel Sobrinho Tosi

    A priso no processo extradicional passivo brasileiro: uma abordagem garantista_____________________________________________________92Lus Fernando Bravo de Barros

    RESENHAS

    RESENHA DE LIVROO reconhecimento scio-criminal do valor do feminino pelo afastamento da vulnerabilidade da mulher_________________________118 Carla Pereira da Silva

    RESENHA DE FILMETiros em Columbine____________________________________________134Janaina Soares Gallo e Vanessa Faullame Andrade

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    HISTRIADelito pblico e delito privado: um breve estudo do homicdio culposo e da leso corporal no Direito Romano_________________________________150Ricardo Savignani Alvares Leite

    AGRADECIMENTOS_______________________________________168

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    ENTREVISTAS

    rica Akie Hashimoto entrevista MARIA JOO ANTUNES

    MARIA JOO DA SILVA BAILA MADEIRA ANTUNES, magistrada do Tribunal Constitucional de Portugal e professora em Direito Penal e Processual Penal da tradicional Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Temas relacionados sade mental esto presentes em suas teses de dissertao para mestrado e doutorado, assim como em diversos artigos escritos por ela. A entrevistada participou de trabalhos legislativos no mbito do direito penal, do direito processual penal e da sade mental em Portugal, em Macau e em Angola. Esta entrevista foi realizada na ocasio da 17 edio do Seminrio Internacional do IBCCRIM, em que a professora foi convidada para participar da palestra de encerramento.

    1. Professora Maria Joo, inicialmente, gostaria que nos contasse um pouco sobre sua carreira: o que a levou a estudar Direito e como foi a experincia na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra enquanto estudante? Quais foram/so seus professores mais importantes?

    Maria Joo Antunes: Penso que foi por acaso que estudei Direito. Tive algumas dvidas... Inicialmente, pensei em cursar filosofia porque queria em ser professora e achava que este curso estaria mais vocacionado para a rea do ensino do que o Direito. Talvez por influncia de amigos e da famlia, que acreditavam que o curso de Direito seria mais adequado, eu optei por ele, no muito convencida, admito, mas depois acabei por gostar do curso e no estou

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    arrependida da escolha que fiz. E ainda houve a coincidncia de eu me tornar professora, no de Filosofia como eu pensava, mas de Direito, da Universidade de Coimbra.

    Houve, de fato, professores que me marcaram. Tive excelentes professores, mas houve dois que me influenciaram bastante: logo no primeiro ano, em Direito Constitucional, encantei-me com as aulas de algum que muito conhecido no Brasil, o Professor Gomes Cantino. Assim, passei a gostar muito de Direito Constitucional. Depois, no meu terceiro ano, houve uma oura figura, tambm muito conhecida no Brasil, o professor Figueiredo Dias. E realmente minha paixo foi logo pelo Direito Penal! Era minha rea de preferncia durante o curso e, deste ponto de vista, tive sorte porque quando abriu uma vaga para professor, consegui entrar para a faculdade e a vaga era justamente no grupo de penal. Por isso destaco estes dois. curioso, pois minha palestra no encerramento do 17 Seminrio Internacional um misto de Direito Constitucional e Direito Penal, que foram realmente as duas matrias que me marcaram na faculdade.

    2. Ento a senhora concluiu o curso e logo iniciou suas atividades junto ao corpo docente da faculdade? Pelo que entendi, desde aquela poca a senhora leciona em disciplinas de Direito Penal e Processual Penal, poderia no ter sido assim?

    MJA: Terminei o curso, me licenciei em 1986 e, logo em janeiro de 1987, comecei com funes de docente (na Faculdade de Direito) e desde ento tenho sido professora. Posso dizer que tive sorte porque comecei a lecionar na rea de que gostava, o que nem sempre acontece por vezes, temos que dar matrias que no so propriamente as de nossa preferncia...

    Agora que estou no Tribunal Constitucional, meu contrato na Universidade est suspenso. Contudo, continuo a dar aulas porque gosto muito de faz-lo, acredito que a sala de aula um espao de liberdade. Sinto-me sempre reconfortada, recompensada, depois de dar aulas. Gosto muito destas minhas funes docentes e, portanto, uma coisa certa: retornarei faculdade em tempo integral.

    3. Desde 2004, a senhora atua no Tribunal Constitucional de Portugal. Conte-nos um pouco como tem sido essa experincia.

    MJA: Certamente foi um grande desafio, um desafio com que eu realmente

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    no contava! Em 2004 fui convidada para integrar este Tribunal...

    Alis, creio que seja interessante explicar melhor como formado o Tribunal Constitucional: so trez