Roma uwbd maio 2008

  • View
    590

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of Roma uwbd maio 2008

  • 1. La lettura promossa tra scuola e biblioteca : alcune esperienze europee e riflessioni a confrontoSeminario Internazionale, Goethe Institut, Roma, 5 Maio 2008, 9:30 16:30 http://www.goethe.de/ins/it/rom/ver/it3209045v.htmBibliotecas e Escolas, Lugares de Construo de Sujeitos Leitores (Portugal, 1986-2008)Libraries & Schools, for Reading Building Subjects(Portugal, 1986-2008)Maria Jos Vitorinomariajosevitorino@gmail.comResumo / Abstract Mediar a leitura, promover as leituras, desenvolver competncias, construir ambientes onde os leitores cresam e se formem, para toda a vida o serem, com todos os suportes, em papel ou na web. Esta misso, partilhada por bibliotecas e escolas de todos os tipos e para todos os pblicos, anima quem nelas trabalha a vencer as dificuldades. Em Portugal, a Rede Nacional de Bibliotecas Pblicas (1986- ), a Rede de Bibliotecas Escolares (1996- ), o THEKA projecto Gulbenkian de Formao de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares (2004- ) e o Plano Nacional de Leitura (2006- ) j contam com histrias reais suficientes para alimentar a reflexo sobre estes temas. As parcerias entre instituies, a autonomia e a formao contnua dos profissionais, a consistncia das polticas pblicas, necessariamente sustentadas com financiamentos pblicos, e no s, acompanham uma necessidade crescente de produo, edio e acessibilidade a contedos e investigao nestes domnios e valorizam estratgias que envolvam cada vez mais actores sociais e comunitrios em redes leitoras e promotoras de leitura. Em cada n axial destas redes, em cada lao que lhes garante a fluncia, encontramos sempre a escola e a biblioteca. O THEKA, Projecto Gulbenkian de Formao de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares (2004-2008) uma proposta que pretende contribuir para a sustentabilidade deste trabalho em Rede e para a valorizao do papel cultural, social e educativo das bibliotecas escolares em todos os nveis de ensino, com maior relevo para os primeiros anos de escolaridade de todas as crianas e todos os jovens. Schools and libraries, working for everyone, share a mission: reading promotion, skills development, friendly environments building, where readers could grow and learn, turning into readers all life long, using all kind of documents, paper or web, becoming active subjects of their own readings. In Portugal, Rede Nacional de Bibliotecas Pblicas/National Public Libraries Network (1986- ), Rede de Bibliotecas Escolares/National School Libraries Network Program (1996- ), THEKA Projecto Gulbenkian de Formao de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares/THEKA Teachers Training for SL Development Gubenkian Project (2004- ) and Plano Nacional de Leitura/National Reading Plan (2006- ) have now enough real stories to tell, feeding our critical thinking on this matter. Partnerships between several entities, professionals autonomy and continuous training, public policies effectiveness (budgeting included), are some factors we recognize as crutial. At the same time, its sensible the need for contents and research results on SL issues, which should be produced, becoming available to all, providing resources for stronger strategies, envolving more and more several social and community actors into readers and reading promotion networking. Within each network processing, whenever and wherever it flows, well find, always, school and library. THEKA, Teachers Training for SL Development Gulbenkian Project (2004-2008) purpose is to contribute to this Networking further sustentability, as well as to value SL cultural, social and educational role all over the school system, mainly during the early school years of every children and all young people who attend schools.

2. 1. AgradecimentosEm nome do Projecto Gulbenkian THEKA, de todos os que se envolvem no meu pa+is no desenvolvimentodas bibliotecas e na promoo da leitura, e em meu prprio nome, gostaria de saudar a Unesco pelo Dia quehoje aqui comemoramos e de agradecer o gentil convite aos organizadores deste evento.... e muito emparticular a Luisa Marcquardt, com quem venho partilhando tanto caminho desde 2003.2. ApresentaoPortuguesa, 52 anos e meio, de Vila Franca de Xira, Portugal.Professora de Lngua e Historia desde 1976 (nivel etrio), formadora de profissionais de ensino e debibliotecas desde 1985, bibliotecria desde 1990. Trabalho h dez anos na Rede de Biblioetcas Escolaresportuguesa, e fao parte de Associaes relacionadas com o sector, tais como a BAD a Associao THEKA.As bibliotecas escolares esto no meu caminho desde que comecei a ensinar (h 32 anos), sobretudo desdeque aderi a ideais pedaggicos da Escola Moderna (inspirao: Celestin Freinet, Paulo Freire) e mais tarde decorrentes prximas dos Radical Teachers e da Pedagogia Multicultural (USA, Canada e Amrica do Sul). Aleitura e o livro esto desde antes disso, desde sempre, por tradio familiar, primeiro, e depois pelo percursoescolar, profissional e de vida.Nasci num meio popular, numa pequena comunidade perto de Lisboa1, hoje engolida pelo Grande Metrpolemas ainda com identidade cultural prpria, por entre o crescimento das lgicas do subrbio e ascontingncias trazidas pela modernidade. Fui aluna de escolas pblicas, por razes econmicas e deconvices familiares. Cresci numa famlia alargada, com muitas convices polticas e religiosas diferentes,onde conviviam um ramo letrado (as mulheres da famlia do meu pai sabem ler desde o sc. XVIII, pelomenos, e o negcio de famlia era de h muitas geraes a farmcia tradicional) e um ramo de chegadarecente escrita e leitura, mas de ricas tradies literrias orais ( a me de minha me no sabia ler, ashistrias contadas de gerao em gerao eram saborosas e gestuais, muito caractersticas das comunidadesmarinheiras da Europa do Sul). No preciso ter pais de cores s para se saber que se nasceu de umcasamento misto.Assim, a leitura, para mim, ficou sempre no apenas entre a escola e a biblioteca, como to bem diz o ttulodeste seminrio, mas tambm entre as casas da famlia dos pais, mas tambm dos avs, tios, primos... - arua e os campos onde brincvamos, com as histrias em banda desenhada e os contos da tradio oral, e omundo srio dos adultos: as igrejas que liam (no catlicas, e catlica do Conclio Vaticano II), a culturaoperria de militncia poltica que em Portugal lia jornais censurados nas entrelinhas e corria a rir e a chorarcom romances neo-realistas e a ver os filmes, mesmo com cortes, que atravessavam as fronteiras de um pasfechado, ou, como dizia o Ditador, orgulhosamente s.As profisses que escolhi e fui aprendendo a dominar professora, bibliotecria e os trabalhos com que fuiganhando experincia confirmaram a convico do valor social e humano do livro e da leitura, seja em folhasde papel seja em frames, em leitura silenciosa e solitria ou em voz alta e a par, com maior ou menorinteractividade. Porque sem eles o pensamento fica mais pobre, a imaginao mais difcil, o futuro maistriste.Nos ltimos dez anos, cada vez mais trabalho em rede com outros, e j nem sei fazer de outro modo. Isto temconsequncias alegres e dolorosas.Alegres, porque nos obriga a aprender a confiar, ao mesmo tempo que nos exige maior rigor e humildade, ecada vez maiores capacidades de comunicao activa (perguntar, apresentar, argumentar, resumir, negociar)e passiva (escutar, reagir, compreender), e, num sentido lato, cada vez mais competncias leitoras.Dolorosas, porque nos fora a esquecer as velhas formas de gesto do tempo, de repente cada vez maisprecioso e invadido pela lgica das mquinas que nunca se cansam, dos fusos horrios que trocam noites edias, desafiado pela necessria transmutao em multitaskers, seres de mil braos, mil olhos, cada vez maisvelozes, mas que nem sempre sabem para onde se corre tanto, e porque se corre naquela direco.Como o coelho da Alice, estamos sempre atrasados, e corremos, corremos. De vez em quando, felizmente huns gatos, como o Gato do mesmo livro, que nos desconcertam. Decerto se lembram do gato que, quando aAlice lhe pergunta qual o caminho, responde perguntando por sua vez para onde ela quer ir. Como amenina no sabia que destino queria, ele rematou, antes de desaparecer: indiferente. Qualquer umserve.21Inserir imagens VFX2Lewis Carrol, Alice no Pas das Maravilhas 3. 3. Rede Nacional de Bibliotecas Pblicas3Antes de 1986, eram raras as bibliotecas pblicas em Portugal. A partir dos anos 50, a Fundao CalousteGulbenkian4 assegurava um Servio de Bibliotecas Itinerantes 5, pioneiro, nacional e gratuito, que constituaquase sempre o nico recurso que a maioria da populao tinha para aceder ao livro e leitura. Num paspobre, que nos anos 60 viu aumentar vertiginosamente o nmero de emigrantes que buscavam melhor vidaem frica, Frana, Alemanha, Holanda, EUA; Canad, Brasil e Venezuela, este factor deve ser mencionado.Seria preciso esperar 12 anos depois da Revoluo de 1974 para que o Estado desse um passo neste campo.Em 1983, alguns anos depois do Manifesto da IFLA/Unesco, a BAD 6 produz um Manifesto pela LeituraPblica em Portugal.7Em 1986 o Governo cria Grupo de Trabalho para definir as bases de uma poltica nacional de leitura pblica,a qual assentaria "fundamentalmente na implantao e funcionamento regular e eficaz de uma rede debibliotecas municipais, assim como no desenvolvimento de estruturas" que, a nvel central e local, maisdirectamente as pudessem apoiar (Despacho n 3/86, 11 de Maro).No seu 1 Relatrio, sugeriram-se medidas imediatas de interveno, bem como orientaes conceptuais eprogramticas sobre as bibliotecas a criar que mereceram aprovao superior.Assim, o Instituto Portugus do Livro e da Leitura desenvolveu e aplicou desde 1987 um plano de leiturapblica, atravs do apoio criao de bibliotecas pblicas municipais. Este plano prosseguiu aps a suafuso com a Biblioteca Nacional, em 1992 - de que resultou o IBL (Instituto da Biblioteca Nacional e doLivro) - e depois, em 1997, com a criao do Instituto Portugus do Livro e das Bibliotecas (IPLB).Trata-se de um projecto de cr