Acordao tcu 346/2012

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Acórdão do Tribunal de Contas da União manifestando-se em relação dos pedágios mais caros do Brasil, no Paraná.

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  • 1. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO TC 014.205/2011-4 GRUPO I CLASSE II PLENRIO TC 014.205/2011-4 Natureza: Solicitao do Congresso Nacional Unidade: Ministrio dos Transportes Interessado: Senado Federal Sumrio: SOLICITAO DO CONGRESSO NACIONAL AUDITORIA NOS CONTRATOS FIRMADOS NO MBITO DO PROGRAMA DE CONCESSES DE RODOVIAS DO PARAN. INDCIOS DE DESEQUILBRIO ECONMICO- FINANCEIRO. PROCESSO DE NEGOCIAO EM ANDAMENTO. DETERMINAES. CINCIA AO SOLICITANTE. ATENDIMENTO INTEGRAL DA SOLICITAO. 1 RELATRIO Trata-se de solicitao do Congresso Nacional para a realizao de auditoria nos contratos de concesso das rodovias que constituem o Programa de Concesses de Rodovias do Estado do Paran, a fim de apurar a ocorrncia de desequilbrios econmico-financeiros (pea 1). 2. A solicitao originou-se de requerimento aprovado pelo Plenrio do Senado Federal na sesso de 18/5/2011, de autoria da ento Senadora Gleisi Hoffmann, atual ministra da Casa Civil, que SURSXJQDDSXUDo}HVnos moldes do procedimento que resultou no Acrdo 1.055/2011UHIHULQGR-se ao processo desta Corte TC 026.335/2007-4, no qual foram apontados desequilbrios nos contratos da 1 Etapa do Programa de Concesses de Rodovias Federais decorrentes de expressivas mudanas nos cenrios econmicos desde a poca em que foram assinados. 3. A Resoluo TCU 215/2008 consigna, em seu art. LQFLVR , DOtQHD D D OHJLWLPLGDGH GR Senado Federal para solicitar, em nome do Congresso Nacional, a realizao de fiscalizao. Assim, como o documento inicial foi apresentado a esta Corte na forma de Solicitao do Congresso Nacional por meio do Ofcio 668, do Senado Federal, de 20/5/2011 (pea 1), consideraram-se presentes os requisitos para a sua admissibilidade nessa condio. 4. Ao instruir a matria, a 1 Secretaria de Fiscalizao de Desestatizao e Regulao (Sefid-1) pronunciou-se nos termos da pea 49 dos autos, que transcrevo a seguir, no essencial: III. HISTRICO III.1 Das concesses do Estado do Paran 7. A Unio, por intermdio do Ministrio dos Transportes, celebrou os instrumentos de convnio 2, 3, 4, 5, 6 e 7, em 1996, com o Estado do Paran, a quem delegou a administrao e a explorao de trechos de rodovias federais, nos termos da Lei 9.277, de 10/5/1996, e Portaria 368/GM, de 11/9/1996, do Ministrio dos Transportes. 8. Ao todo foram delegados 1.871,80 km de rodovias federais, sendo o prazo dos convnios de 25 anos, a encerrar no ano de 2021. Os contratos de concesso autorizam a alterao dos prazos das concesses, alternativa ou complementarmente, em caso de reviso do valor da tarifa bsica de pedgio (Clusulas XI.2 e XX.4). 9. No mbito do Programa de Concesso de Rodovias do Estado do Paran, segmentos rodovirios estaduais foram acrescidos aos trechos federais, totalizando 2.492,69 km de vias, a incluindo simples acessos e eixos principais. Para verificar as assinaturas, acesse www.tcu.gov.br/autenticidade, informando o cdigo 47885098.
  • 2. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO TC 014.205/2011-4 10. Aps ser dividida em 6 lotes, essa malha foi concedida iniciativa privada. Os respectivos contratos de concesso foram subscritos em 14/11/1997 para vigerem por 24 anos e abrangem os trechos descritos na Tabela 1: Tabela 1 Trechos Rodovirios do Programa de Concesso de Rodovias do Estado do Paran Lote Concessionria Trechos Federais Total do contrato, com os trechos 2 Local Extenso (km) estaduais (km) 1 Empresa Concessionria de Rodovias do Norte S/A Econorte BR-369 e BR- 153 220,80 340,77 2 Rodovias Integradas do Paran S/A Viapar BR-369, BR- 376 e BR-158 453,80 544,20 3 Rodovia das Cataratas S/A Ecocataratas BR-277 387,10 458,94 4 Caminhos do Paran S/A BR-277, BR- 373 e BR-476 347,90 405,90 5 Concessionria de Rodovias Integradas S/A Rodonorte BR-277, BR- 373 e BR-376 373,70 567,78 6 Concessionrio Ecovia Caminhos do Mar S/A BR-277 88,50 175,10 TOTAL 1.871,80 2.492,69 Fonte: www.der.pr.gov.br 11. Os convnios entre a Unio e o ente federativo estabelecem competncia ao Departamento de Estradas de Rodagem do Paran DER/PR, autarquia estadual com sede em Curitiba PR, na qualidade de interveniente do estado, para acompanhar o programa de concesso das rodovias e dos trechos delegados; e ao Ministrio dos Transportes, na qualidade de interveniente da Unio, para acompanhar, fiscalizar e coordenar a execuo dos convnios (clusula quarta dos contratos, disponveis em http://www.der.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=54). 12. O critrio utilizado para julgamento das propostas vencedoras s licitaes das concesses foi o da oferta de uma maior extenso de rodovias marginais a serem mantidas pelo concessionrio. Tais aspectos destoam dos critrios de licitao por trecho de rodovias isoladas e de menor tarifa de pedgio, utilizados no programa federal de concesses rodovirias. 13. Destaca-se a importncia dos contratos em tela, pois o Programa de Concesses do Paran abrange trechos de rodovias pertencentes malha federal, patrimnios pblicos proeminentes situados em corredores de escoamento produtivo e de interligao regional. Tais pactos firmados entre o ente da federao e os particulares revestem-se de grande materialidade, pois revelam a necessidade de elevados investimentos para a manuteno das condies de servio acordadas, considerados no clculo da tarifa de pedgio inicial. 14. Cabe observar a subsuno de competncia concorrente por parte do Tribunal de Contas do Estado do Paran (TCE/PR), para exercer a fiscalizao contbil, financeira, operacional e patrimonial dos presentes contratos de concesso rodoviria, sob o aspecto da legitimidade, legalidade, economicidade, eficincia e eficcia, em decorrncia desses convnios. III.2 Do processo paradigma - concesses federais 15. O processo TC 026.335/2007-4, tomado pela insigne parlamentar como referncia, iniciara-se por fora de representao da Secretaria de Fiscalizao de Desestatizao Sefid, deste Tribunal. 16. Tal processo tratou especificamente do desequilbrio econmico-financeiro decorrente de alteraes no cenrio econmico dos contratos da 1 Etapa do Programa de Concesso de Rodovias Federais. Para verificar as assinaturas, acesse www.tcu.gov.br/autenticidade, informando o cdigo 47885098.
  • 3. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO TC 014.205/2011-4 17. A conjuntura de incertezas econmicas no pas, poca em que foram firmados tais contratos, em muito dissonante do cenrio de estabilidade observado em seguida, estaria levando majorao desproporcional das tarifas de pedgio. 18. Esse fenmeno se evidenciou em ulterior estudo para concesso de novos trechos rodovirios, relativos 2 Etapa do Programa de Concesses de Rodovias Federais, quando foi aplicado um parmetro de rentabilidade de 8,95% ao ano, bem abaixo dos anteriormente adotados, superiores a 18% ao ano, mas que se mostrou suficiente para cobrir as despesas e o custo de oportunidade ento vigentes. Mesmo com essa reduo do parmetro de rentabilidade nos estudos de viabilidade, se observou uma concorrncia acirrada em todas as parcelas do objeto do certame, com desgios expressivos por parte dos licitantes. 19. Diante dessa constatao, o TCU, por meio do Acrdo 2.154/2007-TCU-Plenrio, prolatado em 10/10/2007, no intuito de evitar a perpetuao de cobranas de tarifas elevadas, em prejuzo aos usurios, determinou ANTT as seguintes providncias: 5HDOL]HQRSUD]RGHGLDV, estudos com o objetivo de verificar se as atuais concesses de rodovias federais exploradas pelas concessionrias NovaDutra, Concer, CRT, Ponte Rio- Niteri e Concepa esto em equilbrio econmico-financeiro em face da rentabilidade contratual taxa interna de retorno do investimento (TIR); 9.2.2. Caso se verifique desequilbrio, adote as providncias necessrias a fim de promover o equacionamento dos mencionados contratos de concesso, fixando nova rentabilidade; 9.2.3. D cincia ao TCU do cumprimento GRVVXELWHQVDFLPD 20. Essa deciso abriu espao para um relevante e prolongado debate acerca da possibilidade de se promover a reviso contratual em benefcio dos usurios, decorrente das mudanas do cenrio econmico, sobretudo da reduo do custo de oportunidade praticado no mercado. 21. Importa informar que, no mbito desse processo, houve deciso prolatada na Sesso Plenria do dia 9/11/2011, posterior entrada da presente Solicitao do Congresso Nacional nesta Casa. Eis o excerto do Acrdo 2.927/2011-TCU-Plenrio: GHWHUPLQDUj$JrQFLD1DFLRQDOGH7UDQVSRUWHV7HUUHVWUHV ANTT, com fulcro no art. 43, inciso I, da Lei 8.443, de 1992, referente aos contratos de concesso celebrados com a Concessionria da Rodovia Presidente Dutra (NovaDutra), Companhia de Concesso Rodoviria Juiz de Fora-Rio (Concer), Concessionria Rio-Terezpolis S.A. (CRT), Concessionria da Ponte Rio- Niteri S.A. (Ponte) e Concessionria da Rodovia Osrio-Porto Alegre (Concepa), que: 9.1.1. adote, nas recomposies do equilbrio econmico-financeiro desses contratos, a metodologia aprovada na Resoluo ANTT 3.651/2011, ou outra que entender mais adequada, para os eventos decorrentes de inseres de investimentos no previstos originalmente nos encargos das concessionrias, e do remanejamento ou adequao, com aumento de valor, de investimentos previstos originalmente, assegurando a todos os interessados o direito de manifestao, mediante audincias e/ou consultas pblicas, com base nos art. 6, 1, 9, 2, 23, inciso IV, e 29, inciso V, da Lei 8.987/1995 c/c art. 6, inciso IX, 40, inciso X, e 43, inciso IV, da Lei 8.666/1993, e em conformidade com o art. 24, inciso VII, da Lei 10.233/2001; 9.1.2. adote, no prazo de cento e vinte dias, as medidas necessrias para inserir clusula de reviso peridica da tarifa de pedgio nos contratos de concesso em v